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2528678 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: Câm. Linhares-ES

Os urubus

- Estou esperando!

- Não quero!

- Deixá-lo passar!

- Naufragou!

Eu vinha vindo com o frescor da manhã por aquele trecho da praia de Santa Luzia, tão suave e tão formoso, onde se amontoam as coisas lúgubres da cidade - a Santa Casa, o Necrotério, o serviço de enterramentos. [...] Dois olhavam com avidez os bondes que vinham da rua do Passeio; dois estavam totalmente voltados para o lado da Faculdade. Ao aparecer um bonde, um magrinho bradou:

- Largo!

Prestei atenção. Do tramway em movimento saltou um cavalheiro defronte do Necrotério.
[...]

A um tempo falavam todos, e o cavalheiro, coberto de luto, com o lenço empapado de suor e de lágrimas, murmurava, como se estivesse a receber pêsames:

- Muito obrigado! Muito obrigado!

Aproximei-me de um dos funcionários do serviço mortuário.

- Que espécie de gente é essa?

- Oh! não conhece? São os urubus!

- Urubus?

- Sim, os corvos... É o nome pelo qual são conhecidos aqui os agenciadores de coroas e fazendas para o luto. Não é muito numerosa a classe mas que faro, que atividade!

Totalmente interessado, tive uma dessas exclamações de pasmo que lisonjeiam sempre os informantes e nada exprimem de definitivo. Ele sorriu, tossiu e falou. Foi prodigioso.

- Os agenciadores de coroas levantam-se de madrugada e compram todos os jornais para ver quais os homens importantes falecidos na véspera. Defunto pobre não precisa de luxo, e coroa é luxo. Logo que tomam as notas disparam para a casa do morto e propõem adiantar o que for necessário para o enterro, com a condição de se lhes comprarem as coroas. [...]. E os títulos dessas casas davam para um tratado de psicologia recreativa. Há os poéticos, os delicados, os floridos, os babosos, os fúnebres - Tributo da Saudade, Coroa de Violetas, Flor de Lis, Bogari, A Jardineira, Coroa de Rosas...

- Mas... e estes homens aqui?

- Estes homens, são os urubus de Santa Luzia, serviço especial e maçônico. Três ficam à entrada principal da Santa Casa. Quando avistam um tipo, brada o primeiro: estou esperando!

Se o tipo não tem casa de enterro: não quero! Deixá-lo passar. Se o homem vem de tílburi, correm até aqui a acompanhá-lo... Se o tílburi segue, bradam: naufragou! E voltam ao lugar donde não saíram os outros. É interessante ouvir-lhes o diálogo. Tu é que não correste! Conheço o homem; Antes fosse, era meu o negócio...

-Mas é horrível!

- É a vida, meu caro.

[...]

Os urubus devem ter nome?

- Têm, são urubus urbanos. Vê o senhor aquele? É o Chico Basílio. Há cerca de trinta anos exerce a profissão. Está vendo aquele grupo?
Encontra lá o Brasilino, o Caranguejo, o Bilu, o Espanhol da Saúde, o Mangonga. Os outros são o Joaquim, o Tatuí, o Paulino, o Cá e Lá, o Buriti, o Manduca...

[...]

Eu ouvia o meu informante um pouco melancólico. Que diabo! Por que urubus, naquele pedaço da cidade que cheira a cadáveres e a morte?

Não há terra onde prospere como nesta a flora dos sem-ofício e dos parasitas que não trabalham. Esses sujeitinhos vestem bem, dormem bem, chegam a ter opiniões, sistema moral, ideias políticas.

[...]

Despedi-me, comecei a andar devagar. Um dos urubus aproximou-se.

- Estiveram contando coisas a nosso respeito?

- Não, absolutamente.

- Que se há de fazer? A comissão é tão pequena! Quando quiser uma coroa...

- Deus queira que não! - fiz assustado.

E apertei a mão do homem-urubu com um tremor de superstição e de susto.

RIO, João do. Os urubus. ln: ANTELO, Raúl (Org). A alma
encantadora do Rio, São Paulo: Companhia das Letras, 1977.

Em "SE o tipo não tem casa de enterro: não quero!", o componente destacado é um(a):

 

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2528639 Ano: 2016
Disciplina: História
Banca: FUNCAB
Orgão: Câm. Linhares-ES

O Brasil, com seus mais de quinhentos anos, já passou por diferentes fases. Já foi Colônia, Império e atualmente é urna República. A proclamação da República ocorreu no seguinte ano:

 

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A questão do terrorismo é um problema cada vez mais globalizado. Nos últimos tempos aumentou significativamente o número de atentados, ocorridos ou frustrados, em regiões onde não existe um conflito militar efetivo. Entre os grupos terroristas a seguir, assinale o que ganhou mais projeção internacional com atentados, principalmente em países europeus e na Síria.

 

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2528550 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: Câm. Linhares-ES

Os urubus

- Estou esperando!

- Não quero!

- Deixá-lo passar!

- Naufragou!

Eu vinha vindo com o frescor da manhã por aquele trecho da praia de Santa Luzia, tão suave e tão formoso, onde se amontoam as coisas lúgubres da cidade - a Santa Casa, o Necrotério, o serviço de enterramentos. [...] Dois olhavam com avidez os bondes que vinham da rua do Passeio; dois estavam totalmente voltados para o lado da Faculdade. Ao aparecer um bonde, um magrinho bradou:

- Largo!

Prestei atenção. Do tramway em movimento saltou um cavalheiro defronte do Necrotério.
[...]

A um tempo falavam todos, e o cavalheiro, coberto de luto, com o lenço empapado de suor e de lágrimas, murmurava, como se estivesse a receber pêsames:

- Muito obrigado! Muito obrigado!

Aproximei-me de um dos funcionários do serviço mortuário.

- Que espécie de gente é essa?

- Oh! não conhece? São os urubus!

- Urubus?

- Sim, os corvos... É o nome pelo qual são conhecidos aqui os agenciadores de coroas e fazendas para o luto. Não é muito numerosa a classe mas que faro, que atividade!

Totalmente interessado, tive uma dessas exclamações de pasmo que lisonjeiam sempre os informantes e nada exprimem de definitivo. Ele sorriu, tossiu e falou. Foi prodigioso.

- Os agenciadores de coroas levantam-se de madrugada e compram todos os jornais para ver quais os homens importantes falecidos na véspera. Defunto pobre não precisa de luxo, e coroa é luxo. Logo que tomam as notas disparam para a casa do morto e propõem adiantar o que for necessário para o enterro, com a condição de se lhes comprarem as coroas. [...]. E os títulos dessas casas davam para um tratado de psicologia recreativa. Há os poéticos, os delicados, os floridos, os babosos, os fúnebres - Tributo da Saudade, Coroa de Violetas, Flor de Lis, Bogari, A Jardineira, Coroa de Rosas...

- Mas... e estes homens aqui?

- Estes homens, são os urubus de Santa Luzia, serviço especial e maçônico. Três ficam à entrada principal da Santa Casa. Quando avistam um tipo, brada o primeiro: estou esperando!

Se o tipo não tem casa de enterro: não quero! Deixá-lo passar. Se o homem vem de tílburi, correm até aqui a acompanhá-lo... Se o tílburi segue, bradam: naufragou! E voltam ao lugar donde não saíram os outros. É interessante ouvir-lhes o diálogo. Tu é que não correste! Conheço o homem; Antes fosse, era meu o negócio...

-Mas é horrível!

- É a vida, meu caro.

[...]

Os urubus devem ter nome?

- Têm, são urubus urbanos. Vê o senhor aquele? É o Chico Basílio. Há cerca de trinta anos exerce a profissão. Está vendo aquele grupo?
Encontra lá o Brasilino, o Caranguejo, o Bilu, o Espanhol da Saúde, o Mangonga. Os outros são o Joaquim, o Tatuí, o Paulino, o Cá e Lá, o Buriti, o Manduca...

[...]

Eu ouvia o meu informante um pouco melancólico. Que diabo! Por que urubus, naquele pedaço da cidade que cheira a cadáveres e a morte?

Não há terra onde prospere como nesta a flora dos sem-ofício e dos parasitas que não trabalham. Esses sujeitinhos vestem bem, dormem bem, chegam a ter opiniões, sistema moral, ideias políticas.

[...]

Despedi-me, comecei a andar devagar. Um dos urubus aproximou-se.

- Estiveram contando coisas a nosso respeito?

- Não, absolutamente.

- Que se há de fazer? A comissão é tão pequena! Quando quiser uma coroa...

- Deus queira que não! - fiz assustado.

E apertei a mão do homem-urubu com um tremor de superstição e de susto.

RIO, João do. Os urubus. ln: ANTELO, Raúl (Org). A alma
encantadora do Rio, São Paulo: Companhia das Letras, 1977.

De acordo com os estudos de regência verbal e com o padrão culto da língua, leia as afirmações sobre os verbos destacados em "Totalmente interessado, TIVE uma dessas exclamações de pasmo que LISONJEIAM sempre os informantes e nada EXPRIMEM de definitivo."

I. As três formas verbais são intransitivas.

II. A terceira forma destacada indica basicamente caracterização do estado das pessoas.

III. As duas primeiras formas indicam que o núcleo verbal necessita de complemento.

Está correto apenas o que se afirma em:

 

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2528489 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: Câm. Linhares-ES

Um homem de consciência

Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo. com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João Teodoro.

Nunca fora nada na vida, nem admitia a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis nem sequer o que todos queriam: mudar-se para terra melhor.

Mas João Teodoro acompanhava com aperto de coração o desaparecimento visível de sua ltaoca.

- Isto já foi muito melhor, dizia consigo. Já teve três médicos bem bons- agora só um, e bem ruinzote. Já teve seis advogados e hoje mal dá serviço para um rábula ordinário como o Tenório. Nem circo de cavalinhos bate mais por aqui. A gente que presta se muda. Fica o restolho. Decididamente, a minha ltaoca está se acabando...

João Teodoro entrou a incubar a ideia de também mudar-se, mas para isso necessitava de um fato qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto ou arranjo possível.

- É isso, deliberou lá por dentro. Quando eu verificar que tudo está perdido, que ltaoca não vale mais nada de nada de nada, então eu arrumo a trouxa e boto-me fora daqui.

Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio, Delegado, ele! Ele que não era nada, nunca fora nada, não queria ser nada, não se julgava capaz de nada...

Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa seríssima. Não há cargo mais importante. É o homem que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que vai à capital falar com o governo. Uma coisa colossal ser delegado - e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-do de ltaoca!

João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as malas. Pela madrugada, botou-as num burro, montou no seu cavalinho magro e partiu.

Antes de deixar a cidade, foi visto por um amigo madrugador.

- Que é isso, João? Para onde se atira tão cedo, assim de armas e bagagens?

- Vou-me embora, respondeu o retirante. Verifiquei que ltaoca chegou mesmo ao fim.

- Mas como? Agora que você está delegado?

- Justamente por isso. Terra em que João Teodoro chega a delegado, eu não moro. E adeus.

E sumiu.

Monteiro Lobato. Cidades Mortas. 12ª edição. São Paulo, Editora
Brasiliense. 1965

No trecho "Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado.'', os dois pontos foram corretamente empregados para:

 

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2528342 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: Câm. Linhares-ES

Os urubus

- Estou esperando!

- Não quero!

- Deixá-lo passar!

- Naufragou!

Eu vinha vindo com o frescor da manhã por aquele trecho da praia de Santa Luzia, tão suave e tão formoso, onde se amontoam as coisas lúgubres da cidade - a Santa Casa, o Necrotério, o serviço de enterramentos. [...] Dois olhavam com avidez os bondes que vinham da rua do Passeio; dois estavam totalmente voltados para o lado da Faculdade. Ao aparecer um bonde, um magrinho bradou:

- Largo!

Prestei atenção. Do tramway em movimento saltou um cavalheiro defronte do Necrotério.
[...]

A um tempo falavam todos, e o cavalheiro, coberto de luto, com o lenço empapado de suor e de lágrimas, murmurava, como se estivesse a receber pêsames:

- Muito obrigado! Muito obrigado!

Aproximei-me de um dos funcionários do serviço mortuário.

- Que espécie de gente é essa?

- Oh! não conhece? São os urubus!

- Urubus?

- Sim, os corvos... É o nome pelo qual são conhecidos aqui os agenciadores de coroas e fazendas para o luto. Não é muito numerosa a classe mas que faro, que atividade!

Totalmente interessado, tive uma dessas exclamações de pasmo que lisonjeiam sempre os informantes e nada exprimem de definitivo. Ele sorriu, tossiu e falou. Foi prodigioso.

- Os agenciadores de coroas levantam-se de madrugada e compram todos os jornais para ver quais os homens importantes falecidos na véspera. Defunto pobre não precisa de luxo, e coroa é luxo. Logo que tomam as notas disparam para a casa do morto e propõem adiantar o que for necessário para o enterro, com a condição de se lhes comprarem as coroas. [...]. E os títulos dessas casas davam para um tratado de psicologia recreativa. Há os poéticos, os delicados, os floridos, os babosos, os fúnebres - Tributo da Saudade, Coroa de Violetas, Flor de Lis, Bogari, A Jardineira, Coroa de Rosas...

- Mas... e estes homens aqui?

- Estes homens, são os urubus de Santa Luzia, serviço especial e maçônico. Três ficam à entrada principal da Santa Casa. Quando avistam um tipo, brada o primeiro: estou esperando!

Se o tipo não tem casa de enterro: não quero! Deixá-lo passar. Se o homem vem de tílburi, correm até aqui a acompanhá-lo... Se o tílburi segue, bradam: naufragou! E voltam ao lugar donde não saíram os outros. É interessante ouvir-lhes o diálogo. Tu é que não correste! Conheço o homem; Antes fosse, era meu o negócio...

-Mas é horrível!

- É a vida, meu caro.

[...]

Os urubus devem ter nome?

- Têm, são urubus urbanos. Vê o senhor aquele? É o Chico Basílio. Há cerca de trinta anos exerce a profissão. Está vendo aquele grupo?
Encontra lá o Brasilino, o Caranguejo, o Bilu, o Espanhol da Saúde, o Mangonga. Os outros são o Joaquim, o Tatuí, o Paulino, o Cá e Lá, o Buriti, o Manduca...

[...]

Eu ouvia o meu informante um pouco melancólico. Que diabo! Por que urubus, naquele pedaço da cidade que cheira a cadáveres e a morte?

Não há terra onde prospere como nesta a flora dos sem-ofício e dos parasitas que não trabalham. Esses sujeitinhos vestem bem, dormem bem, chegam a ter opiniões, sistema moral, ideias políticas.

[...]

Despedi-me, comecei a andar devagar. Um dos urubus aproximou-se.

- Estiveram contando coisas a nosso respeito?

- Não, absolutamente.

- Que se há de fazer? A comissão é tão pequena! Quando quiser uma coroa...

- Deus queira que não! - fiz assustado.

E apertei a mão do homem-urubu com um tremor de superstição e de susto.

RIO, João do. Os urubus. ln: ANTELO, Raúl (Org). A alma
encantadora do Rio, São Paulo: Companhia das Letras, 1977.

O texto aponta para a ideia de que os agentes funerários podem ser considerados "Urubus".

"- Oh! não conhece? São os urubus!
- Urubus?
- Sim, os corvos... É o nome pelo qual são conhecidos aqui os agenciadores de coroas e fazendas para o luto".

Ao fazer essa construção, faz uso de uma figura, denominada:

 

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2528328 Ano: 2016
Disciplina: Matemática
Banca: FUNCAB
Orgão: Câm. Linhares-ES
Provas:

Em um grupo de capixabas, 100 possuem casas em Linhares, 50 possuem casas em outros municípios e 20 possuem casas no município de Linhares e em outros municípios. Se um capixaba desse grupo, é escolhido ao acaso, qual a probabilidade dele possuir casa somente no município de Linhares?

 

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2528137 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: Câm. Linhares-ES

Os urubus

- Estou esperando!

- Não quero!

- Deixá-lo passar!

- Naufragou!

Eu vinha vindo com o frescor da manhã por aquele trecho da praia de Santa Luzia, tão suave e tão formoso, onde se amontoam as coisas lúgubres da cidade - a Santa Casa, o Necrotério, o serviço de enterramentos. [...] Dois olhavam com avidez os bondes que vinham da rua do Passeio; dois estavam totalmente voltados para o lado da Faculdade. Ao aparecer um bonde, um magrinho bradou:

- Largo!

Prestei atenção. Do tramway em movimento saltou um cavalheiro defronte do Necrotério.
[...]

A um tempo falavam todos, e o cavalheiro, coberto de luto, com o lenço empapado de suor e de lágrimas, murmurava, como se estivesse a receber pêsames:

- Muito obrigado! Muito obrigado!

Aproximei-me de um dos funcionários do serviço mortuário.

- Que espécie de gente é essa?

- Oh! não conhece? São os urubus!

- Urubus?

- Sim, os corvos... É o nome pelo qual são conhecidos aqui os agenciadores de coroas e fazendas para o luto. Não é muito numerosa a classe mas que faro, que atividade!

Totalmente interessado, tive uma dessas exclamações de pasmo que lisonjeiam sempre os informantes e nada exprimem de definitivo. Ele sorriu, tossiu e falou. Foi prodigioso.

- Os agenciadores de coroas levantam-se de madrugada e compram todos os jornais para ver quais os homens importantes falecidos na véspera. Defunto pobre não precisa de luxo, e coroa é luxo. Logo que tomam as notas disparam para a casa do morto e propõem adiantar o que for necessário para o enterro, com a condição de se lhes comprarem as coroas. [...]. E os títulos dessas casas davam para um tratado de psicologia recreativa. Há os poéticos, os delicados, os floridos, os babosos, os fúnebres - Tributo da Saudade, Coroa de Violetas, Flor de Lis, Bogari, A Jardineira, Coroa de Rosas...

- Mas... e estes homens aqui?

- Estes homens, são os urubus de Santa Luzia, serviço especial e maçônico. Três ficam à entrada principal da Santa Casa. Quando avistam um tipo, brada o primeiro: estou esperando!

Se o tipo não tem casa de enterro: não quero! Deixá-lo passar. Se o homem vem de tílburi, correm até aqui a acompanhá-lo... Se o tílburi segue, bradam: naufragou! E voltam ao lugar donde não saíram os outros. É interessante ouvir-lhes o diálogo. Tu é que não correste! Conheço o homem; Antes fosse, era meu o negócio...

-Mas é horrível!

- É a vida, meu caro.

[...]

Os urubus devem ter nome?

- Têm, são urubus urbanos. Vê o senhor aquele? É o Chico Basílio. Há cerca de trinta anos exerce a profissão. Está vendo aquele grupo?
Encontra lá o Brasilino, o Caranguejo, o Bilu, o Espanhol da Saúde, o Mangonga. Os outros são o Joaquim, o Tatuí, o Paulino, o Cá e Lá, o Buriti, o Manduca...

[...]

Eu ouvia o meu informante um pouco melancólico. Que diabo! Por que urubus, naquele pedaço da cidade que cheira a cadáveres e a morte?

Não há terra onde prospere como nesta a flora dos sem-ofício e dos parasitas que não trabalham. Esses sujeitinhos vestem bem, dormem bem, chegam a ter opiniões, sistema moral, ideias políticas.

[...]

Despedi-me, comecei a andar devagar. Um dos urubus aproximou-se.

- Estiveram contando coisas a nosso respeito?

- Não, absolutamente.

- Que se há de fazer? A comissão é tão pequena! Quando quiser uma coroa...

- Deus queira que não! - fiz assustado.

E apertei a mão do homem-urubu com um tremor de superstição e de susto.

RIO, João do. Os urubus. ln: ANTELO, Raúl (Org). A alma
encantadora do Rio, São Paulo: Companhia das Letras, 1977.

Sobre o texto, é correto afirmar que a(o):

 

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Questão presente nas seguintes provas
2528069 Ano: 2016
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: FUNCAB
Orgão: Câm. Linhares-ES
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Admita que, em um grupo de agentes da câmara municipal de Linhares: "se alguns agentes não sabem dirigir, então alguns agentes viajam de ônibus". Desse modo, pode-se concluir que, nesse grupo de agentes da câmara municipal de Linhares:

 

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Questão presente nas seguintes provas
2527836 Ano: 2016
Disciplina: Informática
Banca: FUNCAB
Orgão: Câm. Linhares-ES

No ambiente MS Windows, um aplicativo que trabalha de forma direta com arquivos, possuindo extensões .ppa, .pps, .pot, .odp e .potm, é identificado como sendo usado para:

 

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