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3403859 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Câm. Viamão-RS
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“Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”

Por Martha Medeiros

01 Já contei em entrevistas e talvez em alguma crônica, mas já que ninguém lembra de nada

02 mesmo, vou contar outra vez. Tive um diário quando era adolescente, onde escrevi sobre meus

03 14, 15, 16 anos. Quando fiz 17, em uma determinada página daquela que já me parecia uma

04 longa existência, registrei: “Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”. Chego a

05 me comover com tamanha inocência.

06 Aos 17, eu era virgem. Nunca tinha saído do Brasil. Ainda não trabalhava. Não sabia o que

07 seria quando crescesse. Não havia tido nenhum namoro que durasse mais do que duas semanas.

08 Não havia sofrido, a não ser as angústias de qualquer adolescente. O que eu havia vivido de tão

09 fenomenal até ali? Uma infância tranquila, confidências com as amigas, danças em festas, fins

10 de semana na praia, shows e cinema, beijocas e paixonites. Quando passei __ acreditar que não

11 viveria nada mais empolgante que isso, envelheci. Ao terminar de escrever aquela frase absurda,

12 meus ombros encurvaram e duas pantufas acolheram meus pés.

13 Velhice é quando o que ficou para trás torna-se superior ao que está por vir. Talvez

14 aconteça com quem está chegando perto dos 90 anos: a improbabilidade de novas estreias

15 conduz a um estado natural de nostalgia. Talvez, eu disse. Pode nunca acontecer: há pessoas

16 que, mesmo com muita idade, estão focadas nos 10 minutos seguintes, onde novas estreias as

17 aguardam. Uma tatuagem no pulso. Passar o aniversário em outro país. Escrever poemas

18 eróticos. Fazer amizade com alguém 20 anos mais moço e mais inquieto. Mudar radicalmente de

19 opinião (não há prazo para aprender sobre aquilo que não dominamos tanto assim). Uma emoção

20 represada que enfim deságua. É tudo vida em frente.

21 Olhar para trás aos 17 anos? Apego __ idealizações, covardia, medo. Olhar para trás aos

22 50, também, mesmo reconhecendo que é cansativo fazer planos e estar sempre a postos para

23 os imprevistos. Eu mesma não vejo a hora de dar minha missão como cumprida e me instalar

24 numa rede com vista para o mar, onde ficarei lembrando de tudo o que vivi dos 17 até aqui, e

25 não foi pouca coisa. Tenho um patrimônio respeitável de acontecimentos na minha biografia de

26 cidadã comum, e não acharia ruim viver de recordações entre um gole e outro de vinho. Mas as

27 pantufas estariam ao pé da rede, e uma bengala também, já que viver de lembrança não tonifica

28 os músculos.

29 Então sigo me prontificando a incluir páginas extras no meu diário sem fim. Quando fico

30 tentada a achar que o melhor da vida já passou, como estupidamente achei aos 17 anos

31 (“ninguém é sério aos 17 anos”, escreveu Rimbaud), lembro que o dia de ontem é pré-história

32 e listo as virgindades em mim que ainda aguardam serem rompidas. Amanhã mesmo posso vir

33 __ fazer algo que nunca fiz.

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2024/04/tenho-medo-de-nunca-mais-ser-feliz-como-fui-ate-agora-clv5rsiiu01ro013wi4hpng0j.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o fragmento “Ainda não trabalhava” (l. 06), o verbo “trabalhava” é classificado como verbo:

 

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3403858 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Câm. Viamão-RS
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“Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”

Por Martha Medeiros

01 Já contei em entrevistas e talvez em alguma crônica, mas já que ninguém lembra de nada

02 mesmo, vou contar outra vez. Tive um diário quando era adolescente, onde escrevi sobre meus

03 14, 15, 16 anos. Quando fiz 17, em uma determinada página daquela que já me parecia uma

04 longa existência, registrei: “Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”. Chego a

05 me comover com tamanha inocência.

06 Aos 17, eu era virgem. Nunca tinha saído do Brasil. Ainda não trabalhava. Não sabia o que

07 seria quando crescesse. Não havia tido nenhum namoro que durasse mais do que duas semanas.

08 Não havia sofrido, a não ser as angústias de qualquer adolescente. O que eu havia vivido de tão

09 fenomenal até ali? Uma infância tranquila, confidências com as amigas, danças em festas, fins

10 de semana na praia, shows e cinema, beijocas e paixonites. Quando passei __ acreditar que não

11 viveria nada mais empolgante que isso, envelheci. Ao terminar de escrever aquela frase absurda,

12 meus ombros encurvaram e duas pantufas acolheram meus pés.

13 Velhice é quando o que ficou para trás torna-se superior ao que está por vir. Talvez

14 aconteça com quem está chegando perto dos 90 anos: a improbabilidade de novas estreias

15 conduz a um estado natural de nostalgia. Talvez, eu disse. Pode nunca acontecer: há pessoas

16 que, mesmo com muita idade, estão focadas nos 10 minutos seguintes, onde novas estreias as

17 aguardam. Uma tatuagem no pulso. Passar o aniversário em outro país. Escrever poemas

18 eróticos. Fazer amizade com alguém 20 anos mais moço e mais inquieto. Mudar radicalmente de

19 opinião (não há prazo para aprender sobre aquilo que não dominamos tanto assim). Uma emoção

20 represada que enfim deságua. É tudo vida em frente.

21 Olhar para trás aos 17 anos? Apego __ idealizações, covardia, medo. Olhar para trás aos

22 50, também, mesmo reconhecendo que é cansativo fazer planos e estar sempre a postos para

23 os imprevistos. Eu mesma não vejo a hora de dar minha missão como cumprida e me instalar

24 numa rede com vista para o mar, onde ficarei lembrando de tudo o que vivi dos 17 até aqui, e

25 não foi pouca coisa. Tenho um patrimônio respeitável de acontecimentos na minha biografia de

26 cidadã comum, e não acharia ruim viver de recordações entre um gole e outro de vinho. Mas as

27 pantufas estariam ao pé da rede, e uma bengala também, já que viver de lembrança não tonifica

28 os músculos.

29 Então sigo me prontificando a incluir páginas extras no meu diário sem fim. Quando fico

30 tentada a achar que o melhor da vida já passou, como estupidamente achei aos 17 anos

31 (“ninguém é sério aos 17 anos”, escreveu Rimbaud), lembro que o dia de ontem é pré-história

32 e listo as virgindades em mim que ainda aguardam serem rompidas. Amanhã mesmo posso vir

33 __ fazer algo que nunca fiz.

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2024/04/tenho-medo-de-nunca-mais-ser-feliz-como-fui-ate-agora-clv5rsiiu01ro013wi4hpng0j.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o fragmento “Não havia tido nenhum namoro que durasse mais do que duas semanas”, retirado do texto, o termo sublinhado é classificado como:

 

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3403857 Ano: 2024
Disciplina: Português
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“Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”

Por Martha Medeiros

01 Já contei em entrevistas e talvez em alguma crônica, mas já que ninguém lembra de nada

02 mesmo, vou contar outra vez. Tive um diário quando era adolescente, onde escrevi sobre meus

03 14, 15, 16 anos. Quando fiz 17, em uma determinada página daquela que já me parecia uma

04 longa existência, registrei: “Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”. Chego a

05 me comover com tamanha inocência.

06 Aos 17, eu era virgem. Nunca tinha saído do Brasil. Ainda não trabalhava. Não sabia o que

07 seria quando crescesse. Não havia tido nenhum namoro que durasse mais do que duas semanas.

08 Não havia sofrido, a não ser as angústias de qualquer adolescente. O que eu havia vivido de tão

09 fenomenal até ali? Uma infância tranquila, confidências com as amigas, danças em festas, fins

10 de semana na praia, shows e cinema, beijocas e paixonites. Quando passei __ acreditar que não

11 viveria nada mais empolgante que isso, envelheci. Ao terminar de escrever aquela frase absurda,

12 meus ombros encurvaram e duas pantufas acolheram meus pés.

13 Velhice é quando o que ficou para trás torna-se superior ao que está por vir. Talvez

14 aconteça com quem está chegando perto dos 90 anos: a improbabilidade de novas estreias

15 conduz a um estado natural de nostalgia. Talvez, eu disse. Pode nunca acontecer: há pessoas

16 que, mesmo com muita idade, estão focadas nos 10 minutos seguintes, onde novas estreias as

17 aguardam. Uma tatuagem no pulso. Passar o aniversário em outro país. Escrever poemas

18 eróticos. Fazer amizade com alguém 20 anos mais moço e mais inquieto. Mudar radicalmente de

19 opinião (não há prazo para aprender sobre aquilo que não dominamos tanto assim). Uma emoção

20 represada que enfim deságua. É tudo vida em frente.

21 Olhar para trás aos 17 anos? Apego __ idealizações, covardia, medo. Olhar para trás aos

22 50, também, mesmo reconhecendo que é cansativo fazer planos e estar sempre a postos para

23 os imprevistos. Eu mesma não vejo a hora de dar minha missão como cumprida e me instalar

24 numa rede com vista para o mar, onde ficarei lembrando de tudo o que vivi dos 17 até aqui, e

25 não foi pouca coisa. Tenho um patrimônio respeitável de acontecimentos na minha biografia de

26 cidadã comum, e não acharia ruim viver de recordações entre um gole e outro de vinho. Mas as

27 pantufas estariam ao pé da rede, e uma bengala também, já que viver de lembrança não tonifica

28 os músculos.

29 Então sigo me prontificando a incluir páginas extras no meu diário sem fim. Quando fico

30 tentada a achar que o melhor da vida já passou, como estupidamente achei aos 17 anos

31 (“ninguém é sério aos 17 anos”, escreveu Rimbaud), lembro que o dia de ontem é pré-história

32 e listo as virgindades em mim que ainda aguardam serem rompidas. Amanhã mesmo posso vir

33 __ fazer algo que nunca fiz.

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2024/04/tenho-medo-de-nunca-mais-ser-feliz-como-fui-ate-agora-clv5rsiiu01ro013wi4hpng0j.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o fragmento “Já contei em entrevistas e talvez em alguma crônica, mas já que ninguém lembra de nada mesmo, vou contar outra vez”, retirado do texto, assinale a alternativa que apresenta uma conjunção.

 

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3403856 Ano: 2024
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“Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”

Por Martha Medeiros

01 Já contei em entrevistas e talvez em alguma crônica, mas já que ninguém lembra de nada

02 mesmo, vou contar outra vez. Tive um diário quando era adolescente, onde escrevi sobre meus

03 14, 15, 16 anos. Quando fiz 17, em uma determinada página daquela que já me parecia uma

04 longa existência, registrei: “Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”. Chego a

05 me comover com tamanha inocência.

06 Aos 17, eu era virgem. Nunca tinha saído do Brasil. Ainda não trabalhava. Não sabia o que

07 seria quando crescesse. Não havia tido nenhum namoro que durasse mais do que duas semanas.

08 Não havia sofrido, a não ser as angústias de qualquer adolescente. O que eu havia vivido de tão

09 fenomenal até ali? Uma infância tranquila, confidências com as amigas, danças em festas, fins

10 de semana na praia, shows e cinema, beijocas e paixonites. Quando passei __ acreditar que não

11 viveria nada mais empolgante que isso, envelheci. Ao terminar de escrever aquela frase absurda,

12 meus ombros encurvaram e duas pantufas acolheram meus pés.

13 Velhice é quando o que ficou para trás torna-se superior ao que está por vir. Talvez

14 aconteça com quem está chegando perto dos 90 anos: a improbabilidade de novas estreias

15 conduz a um estado natural de nostalgia. Talvez, eu disse. Pode nunca acontecer: há pessoas

16 que, mesmo com muita idade, estão focadas nos 10 minutos seguintes, onde novas estreias as

17 aguardam. Uma tatuagem no pulso. Passar o aniversário em outro país. Escrever poemas

18 eróticos. Fazer amizade com alguém 20 anos mais moço e mais inquieto. Mudar radicalmente de

19 opinião (não há prazo para aprender sobre aquilo que não dominamos tanto assim). Uma emoção

20 represada que enfim deságua. É tudo vida em frente.

21 Olhar para trás aos 17 anos? Apego __ idealizações, covardia, medo. Olhar para trás aos

22 50, também, mesmo reconhecendo que é cansativo fazer planos e estar sempre a postos para

23 os imprevistos. Eu mesma não vejo a hora de dar minha missão como cumprida e me instalar

24 numa rede com vista para o mar, onde ficarei lembrando de tudo o que vivi dos 17 até aqui, e

25 não foi pouca coisa. Tenho um patrimônio respeitável de acontecimentos na minha biografia de

26 cidadã comum, e não acharia ruim viver de recordações entre um gole e outro de vinho. Mas as

27 pantufas estariam ao pé da rede, e uma bengala também, já que viver de lembrança não tonifica

28 os músculos.

29 Então sigo me prontificando a incluir páginas extras no meu diário sem fim. Quando fico

30 tentada a achar que o melhor da vida já passou, como estupidamente achei aos 17 anos

31 (“ninguém é sério aos 17 anos”, escreveu Rimbaud), lembro que o dia de ontem é pré-história

32 e listo as virgindades em mim que ainda aguardam serem rompidas. Amanhã mesmo posso vir

33 __ fazer algo que nunca fiz.

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2024/04/tenho-medo-de-nunca-mais-ser-feliz-como-fui-ate-agora-clv5rsiiu01ro013wi4hpng0j.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta um trecho em que a autora utilizou a linguagem figurada.

 

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“Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”

Por Martha Medeiros

01 Já contei em entrevistas e talvez em alguma crônica, mas já que ninguém lembra de nada

02 mesmo, vou contar outra vez. Tive um diário quando era adolescente, onde escrevi sobre meus

03 14, 15, 16 anos. Quando fiz 17, em uma determinada página daquela que já me parecia uma

04 longa existência, registrei: “Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”. Chego a

05 me comover com tamanha inocência.

06 Aos 17, eu era virgem. Nunca tinha saído do Brasil. Ainda não trabalhava. Não sabia o que

07 seria quando crescesse. Não havia tido nenhum namoro que durasse mais do que duas semanas.

08 Não havia sofrido, a não ser as angústias de qualquer adolescente. O que eu havia vivido de tão

09 fenomenal até ali? Uma infância tranquila, confidências com as amigas, danças em festas, fins

10 de semana na praia, shows e cinema, beijocas e paixonites. Quando passei __ acreditar que não

11 viveria nada mais empolgante que isso, envelheci. Ao terminar de escrever aquela frase absurda,

12 meus ombros encurvaram e duas pantufas acolheram meus pés.

13 Velhice é quando o que ficou para trás torna-se superior ao que está por vir. Talvez

14 aconteça com quem está chegando perto dos 90 anos: a improbabilidade de novas estreias

15 conduz a um estado natural de nostalgia. Talvez, eu disse. Pode nunca acontecer: há pessoas

16 que, mesmo com muita idade, estão focadas nos 10 minutos seguintes, onde novas estreias as

17 aguardam. Uma tatuagem no pulso. Passar o aniversário em outro país. Escrever poemas

18 eróticos. Fazer amizade com alguém 20 anos mais moço e mais inquieto. Mudar radicalmente de

19 opinião (não há prazo para aprender sobre aquilo que não dominamos tanto assim). Uma emoção

20 represada que enfim deságua. É tudo vida em frente.

21 Olhar para trás aos 17 anos? Apego __ idealizações, covardia, medo. Olhar para trás aos

22 50, também, mesmo reconhecendo que é cansativo fazer planos e estar sempre a postos para

23 os imprevistos. Eu mesma não vejo a hora de dar minha missão como cumprida e me instalar

24 numa rede com vista para o mar, onde ficarei lembrando de tudo o que vivi dos 17 até aqui, e

25 não foi pouca coisa. Tenho um patrimônio respeitável de acontecimentos na minha biografia de

26 cidadã comum, e não acharia ruim viver de recordações entre um gole e outro de vinho. Mas as

27 pantufas estariam ao pé da rede, e uma bengala também, já que viver de lembrança não tonifica

28 os músculos.

29 Então sigo me prontificando a incluir páginas extras no meu diário sem fim. Quando fico

30 tentada a achar que o melhor da vida já passou, como estupidamente achei aos 17 anos

31 (“ninguém é sério aos 17 anos”, escreveu Rimbaud), lembro que o dia de ontem é pré-história

32 e listo as virgindades em mim que ainda aguardam serem rompidas. Amanhã mesmo posso vir

33 __ fazer algo que nunca fiz.

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2024/04/tenho-medo-de-nunca-mais-ser-feliz-como-fui-ate-agora-clv5rsiiu01ro013wi4hpng0j.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o fragmento “Então sigo me prontificando a incluir páginas extras no meu diário sem fim”, retirado do texto, infere-se predominantemente que a autora:

 

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3403854 Ano: 2024
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“Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”

Por Martha Medeiros

01 Já contei em entrevistas e talvez em alguma crônica, mas já que ninguém lembra de nada

02 mesmo, vou contar outra vez. Tive um diário quando era adolescente, onde escrevi sobre meus

03 14, 15, 16 anos. Quando fiz 17, em uma determinada página daquela que já me parecia uma

04 longa existência, registrei: “Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”. Chego a

05 me comover com tamanha inocência.

06 Aos 17, eu era virgem. Nunca tinha saído do Brasil. Ainda não trabalhava. Não sabia o que

07 seria quando crescesse. Não havia tido nenhum namoro que durasse mais do que duas semanas.

08 Não havia sofrido, a não ser as angústias de qualquer adolescente. O que eu havia vivido de tão

09 fenomenal até ali? Uma infância tranquila, confidências com as amigas, danças em festas, fins

10 de semana na praia, shows e cinema, beijocas e paixonites. Quando passei __ acreditar que não

11 viveria nada mais empolgante que isso, envelheci. Ao terminar de escrever aquela frase absurda,

12 meus ombros encurvaram e duas pantufas acolheram meus pés.

13 Velhice é quando o que ficou para trás torna-se superior ao que está por vir. Talvez

14 aconteça com quem está chegando perto dos 90 anos: a improbabilidade de novas estreias

15 conduz a um estado natural de nostalgia. Talvez, eu disse. Pode nunca acontecer: há pessoas

16 que, mesmo com muita idade, estão focadas nos 10 minutos seguintes, onde novas estreias as

17 aguardam. Uma tatuagem no pulso. Passar o aniversário em outro país. Escrever poemas

18 eróticos. Fazer amizade com alguém 20 anos mais moço e mais inquieto. Mudar radicalmente de

19 opinião (não há prazo para aprender sobre aquilo que não dominamos tanto assim). Uma emoção

20 represada que enfim deságua. É tudo vida em frente.

21 Olhar para trás aos 17 anos? Apego __ idealizações, covardia, medo. Olhar para trás aos

22 50, também, mesmo reconhecendo que é cansativo fazer planos e estar sempre a postos para

23 os imprevistos. Eu mesma não vejo a hora de dar minha missão como cumprida e me instalar

24 numa rede com vista para o mar, onde ficarei lembrando de tudo o que vivi dos 17 até aqui, e

25 não foi pouca coisa. Tenho um patrimônio respeitável de acontecimentos na minha biografia de

26 cidadã comum, e não acharia ruim viver de recordações entre um gole e outro de vinho. Mas as

27 pantufas estariam ao pé da rede, e uma bengala também, já que viver de lembrança não tonifica

28 os músculos.

29 Então sigo me prontificando a incluir páginas extras no meu diário sem fim. Quando fico

30 tentada a achar que o melhor da vida já passou, como estupidamente achei aos 17 anos

31 (“ninguém é sério aos 17 anos”, escreveu Rimbaud), lembro que o dia de ontem é pré-história

32 e listo as virgindades em mim que ainda aguardam serem rompidas. Amanhã mesmo posso vir

33 __ fazer algo que nunca fiz.

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Segundo o exposto pelo texto, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

( ) A velhice leva inevitavelmente à nostalgia quando o ser humano se aproxima dos 90 anos.

( ) Existem pessoas que buscam constantemente por novas experiências e desafios, independentemente da idade.

( ) O texto sugere que olhar para trás aos 17 anos é um momento marcado por sentimentos de apego, idealizações, covardia e medo.

( ) A narradora demonstra um desejo de se aposentar para viver de recordações, mas reconhece a importância de manter-se ativa e em movimento.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

 

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“Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”

Por Martha Medeiros

01 Já contei em entrevistas e talvez em alguma crônica, mas já que ninguém lembra de nada

02 mesmo, vou contar outra vez. Tive um diário quando era adolescente, onde escrevi sobre meus

03 14, 15, 16 anos. Quando fiz 17, em uma determinada página daquela que já me parecia uma

04 longa existência, registrei: “Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”. Chego a

05 me comover com tamanha inocência.

06 Aos 17, eu era virgem. Nunca tinha saído do Brasil. Ainda não trabalhava. Não sabia o que

07 seria quando crescesse. Não havia tido nenhum namoro que durasse mais do que duas semanas.

08 Não havia sofrido, a não ser as angústias de qualquer adolescente. O que eu havia vivido de tão

09 fenomenal até ali? Uma infância tranquila, confidências com as amigas, danças em festas, fins

10 de semana na praia, shows e cinema, beijocas e paixonites. Quando passei __ acreditar que não

11 viveria nada mais empolgante que isso, envelheci. Ao terminar de escrever aquela frase absurda,

12 meus ombros encurvaram e duas pantufas acolheram meus pés.

13 Velhice é quando o que ficou para trás torna-se superior ao que está por vir. Talvez

14 aconteça com quem está chegando perto dos 90 anos: a improbabilidade de novas estreias

15 conduz a um estado natural de nostalgia. Talvez, eu disse. Pode nunca acontecer: há pessoas

16 que, mesmo com muita idade, estão focadas nos 10 minutos seguintes, onde novas estreias as

17 aguardam. Uma tatuagem no pulso. Passar o aniversário em outro país. Escrever poemas

18 eróticos. Fazer amizade com alguém 20 anos mais moço e mais inquieto. Mudar radicalmente de

19 opinião (não há prazo para aprender sobre aquilo que não dominamos tanto assim). Uma emoção

20 represada que enfim deságua. É tudo vida em frente.

21 Olhar para trás aos 17 anos? Apego__ idealizações, covardia, medo. Olhar para trás aos

22 50, também, mesmo reconhecendo que é cansativo fazer planos e estar sempre a postos para

23 os imprevistos. Eu mesma não vejo a hora de dar minha missão como cumprida e me instalar

24 numa rede com vista para o mar, onde ficarei lembrando de tudo o que vivi dos 17 até aqui, e

25 não foi pouca coisa. Tenho um patrimônio respeitável de acontecimentos na minha biografia de

26 cidadã comum, e não acharia ruim viver de recordações entre um gole e outro de vinho. Mas as

27 pantufas estariam ao pé da rede, e uma bengala também, já que viver de lembrança não tonifica

28 os músculos.

29 Então sigo me prontificando a incluir páginas extras no meu diário sem fim. Quando fico

30 tentada a achar que o melhor da vida já passou, como estupidamente achei aos 17 anos

31 (“ninguém é sério aos 17 anos”, escreveu Rimbaud), lembro que o dia de ontem é pré-história

32 e listo as virgindades em mim que ainda aguardam serem rompidas. Amanhã mesmo posso

33 __ fazer algo que nunca fiz.

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2024/04/tenho-

medo-de-nunca-mais-ser-feliz-como-fui-ate-agora-clv5rsiiu01ro013wi4hpng0j.html – texto adaptado

especialmente para esta prova).

Segundo o exposto pelo texto nos dois primeiros parágrafos, analise as assertivas a seguir:

I. O texto aborda a reflexão sobre a percepção do passado e da felicidade na juventude, destacando a inocência e a ingenuidade da adolescência ao olhar para o que ainda está por vir.

II. A narradora expressa um momento de transição em sua vida, aos 17 anos, questionando se a felicidade experimentada até então poderia ser superada ou se já era o ápice de sua existência.

III. A passagem do tempo é representada simbolicamente pelo ato de registrar a preocupação com a felicidade futura em seu diário de adolescência, marcando o início de uma consciência mais madura sobre a vida e suas expectativas.

Quais estão corretas?

 

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Por Martha Medeiros

01 Já contei em entrevistas e talvez em alguma crônica, mas já que ninguém lembra de nada

02 mesmo, vou contar outra vez. Tive um diário quando era adolescente, onde escrevi sobre meus

03 14, 15, 16 anos. Quando fiz 17, em uma determinada página daquela que já me parecia uma

04 longa existência, registrei: “Tenho medo de nunca mais ser feliz como fui até agora”. Chego a

05 me comover com tamanha inocência.

06 Aos 17, eu era virgem. Nunca tinha saído do Brasil. Ainda não trabalhava. Não sabia o que

07 seria quando crescesse. Não havia tido nenhum namoro que durasse mais do que duas semanas.

08 Não havia sofrido, a não ser as angústias de qualquer adolescente. O que eu havia vivido de tão

09 fenomenal até ali? Uma infância tranquila, confidências com as amigas, danças em festas, fins

10 de semana na praia, shows e cinema, beijocas e paixonites. Quando passei __ acreditar que não

11 viveria nada mais empolgante que isso, envelheci. Ao terminar de escrever aquela frase absurda,

12 meus ombros encurvaram e duas pantufas acolheram meus pés.

13 Velhice é quando o que ficou para trás torna-se superior ao que está por vir. Talvez

14 aconteça com quem está chegando perto dos 90 anos: a improbabilidade de novas estreias

15 conduz a um estado natural de nostalgia. Talvez, eu disse. Pode nunca acontecer: há pessoas

16 que, mesmo com muita idade, estão focadas nos 10 minutos seguintes, onde novas estreias as

17 aguardam. Uma tatuagem no pulso. Passar o aniversário em outro país. Escrever poemas

18 eróticos. Fazer amizade com alguém 20 anos mais moço e mais inquieto. Mudar radicalmente de

19 opinião (não há prazo para aprender sobre aquilo que não dominamos tanto assim). Uma emoção

20 represada que enfim deságua. É tudo vida em frente.

21 Olhar para trás aos 17 anos? Apego__ idealizações, covardia, medo. Olhar para trás aos

22 50, também, mesmo reconhecendo que é cansativo fazer planos e estar sempre a postos para

23 os imprevistos. Eu mesma não vejo a hora de dar minha missão como cumprida e me instalar

24 numa rede com vista para o mar, onde ficarei lembrando de tudo o que vivi dos 17 até aqui, e

25 não foi pouca coisa. Tenho um patrimônio respeitável de acontecimentos na minha biografia de

26 cidadã comum, e não acharia ruim viver de recordações entre um gole e outro de vinho. Mas as

27 pantufas estariam ao pé da rede, e uma bengala também, já que viver de lembrança não tonifica

28 os músculos.

29 Então sigo me prontificando a incluir páginas extras no meu diário sem fim. Quando fico

30 tentada a achar que o melhor da vida já passou, como estupidamente achei aos 17 anos

31 (“ninguém é sério aos 17 anos”, escreveu Rimbaud), lembro que o dia de ontem é pré-história

32 e listo as virgindades em mim que ainda aguardam serem rompidas. Amanhã mesmo posso

33 __ fazer algo que nunca fiz.

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2024/04/tenho-

medo-de-nunca-mais-ser-feliz-como-fui-ate-agora-clv5rsiiu01ro013wi4hpng0j.html – texto adaptado

especialmente para esta prova).

Em relação ao acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas nas linhas 10, 21 e 33 do texto.

 

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3403851 Ano: 2024
Disciplina: TI - Banco de Dados
Banca: FUNDATEC
Orgão: Câm. Viamão-RS

Na técnica de modelagem relacional de dados conhecida como diagrama ER, __________ são associações entre entidades.

Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna do trecho acima.

 

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3403850 Ano: 2024
Disciplina: TI - Desenvolvimento de Sistemas
Banca: FUNDATEC
Orgão: Câm. Viamão-RS

Analise o algoritmo abaixo, escrito no software VisuAlg 3.0:

Enunciado 3895735-1

Ao final da execução do algoritmo, qual será o valor da variável "soma"?

 

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