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TEMPOS MODERNOS
Prazeres na “nuvem”
Por Ruy Castro, em 02/10/2012, na edição 7
CDs, DVDs, câmeras digitais, telefones fixos, controle remoto e até PCs de mesa com
teclado, mouse e disco rígido̶ pelo que li há dias no “Globo”, tudo isso tende a ser história nos
próximos anos. Por história, entenda-se o grande lixão a que se destinam os cadáveres da
eletrônica. Parece que, na próxima década, só os maiores de 30 anos ainda terão uma vaga
lembrança de para que serviam esses equipamentos, aos quais ficamos hoje atracados o dia
inteiro.
A ideia é a de que as mídias físicas, palpáveis, irão literalmente para o espaço. Tudo
estará na chamada “nuvem” ̶ que, até agora, ninguém conseguiu me explicar onde fica, como
funciona e se fecha quando chove. O acesso aos conteúdos se dará por smartphones, downloads
ou com o usuário plantando bananeira contra a parede e se concentrando.
A “nuvem” é infinita e conterá tudo o que puder ser exibido, alugado, vendido,
emprestado ou copiado, e isso dispensará as cidades de manter museus, galerias, cinemas,
bibliotecas, livrarias, sebos, arquivos públicos etc. Quer dizer, os acervos destes continuarão
existindo, mas “na nuvem”, sem despesas com funcionários, material de limpeza ou energia
elétrica.
Cá entre nós, não estou com a menor pressa de aderir à “nuvem”. Ainda gosto de
manusear, apalpar, acariciar. Hoje, por exemplo, minha coleção de LPs, em edições raras,
originais, lindíssimas, é a melhor que já tive (vitrolas e agulhas não faltam̶ estou estocado). O
mesmo quanto às coleções de CDs e DVDs que acumulei̶ só espero que não interrompam logo
a fabricação dos aparelhos para tocá-los. E continuo a frequentar sebos, bibliotecas e arquivos -
gosto até do cheiro de mofo.
Meu consolo é que, um dia, quando tudo isso tiver acabado e só estiver disponível na
“nuvem”, eu também estarei nas proximidades̶ em alguma nuvem
Disponível em: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed714_prazeres_na_nuvem Acesso em 22 abr. 20
I. É obrigatório o uso das vírgulas na locução “por exemplo” (linha 17).
II. Os parênteses (linha 18) são utilizados para isolar uma digressão.
III. O travessão (linha 23) marca uma interrupção no pensamento do autor.
IV. As aspas em “nuvem” destacam um emprego novo do termo, de sentido não usual.
V. O uso das vírgulas que separam os complementos do verbo “manter” (linhas 12-13) é facultativo.
Está correto o que se afirma em
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REDES SOCIAIS
Antissocial
Por Ruy Castro, em 22/05/20
No mínimo, três ou quatro por dia. São os convites eletrônicos que recebo para me
tornar “amigo” de fulano ou para “fazer parte de sua rede profissional”. São convites amáveis,
endereçados a mim pelo primeiro nome. Mas, apesar do tratamento personalizado, têm um ar
de mensagem disparada a 100 ou 200 pessoas ao mesmo tempo. Sempre que recebo esses
convites, embatuco. Não tenho Facebook, nem sei como funciona, e as únicas redes profissionais
a que pertenço são as empresas a que presto serviços como escritor ou jornalista. Não sei, por
exemplo, qual é a “rede profissional” de um querido amigo que, aos 70 anos, nunca teve uma
carteira de trabalho assinada, nem acordou como assalariado um único dia em sua vida – e ele
me convidou a me juntar à sua “rede”.
Como não sei para que servem essas redes, também não sei o que responder e, pior,
temo que tais mensagens sejam pegadinhas marotas contendo vírus. Assim, ou as apago ou
deixo que morram de velhice na lista de mensagens. O problema é que, com isso, posso estar
passando por esnobe ou antissocial para quem se deu ao trabalho de me convidar a ser seu
“amigo” ou juntar-me à sua “rede”. O ridículo é que os que me convidam a tornar-me “amigo”
deles já são meus amigos. Têm meu telefone, sabem onde moro, já saímos juntos para
pândegas, discutimos futebol, fomos até sócios no passado e, se calhar, um tomou a namorada
do outro e vice-versa. Então, por que tal formalismo engessado?
Acredito que os programadores dessas maravilhas eletrônicas tenham pouca prática de
vida real. Por serem muito jovens e já terem nascido com um mouse na mão, talvez não saibam
que as relações humanas podem se formar a partir de um encontro casual, um aperto de mão,
um brilho no olhar.
Disponível em: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed695_antissocial Acesso em 22 abr. 20
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
- SemânticaSinônimos e Antônimos
- Interpretação de Textos
REDES SOCIAIS
Antissocial
Por Ruy Castro, em 22/05/20
No mínimo, três ou quatro por dia. São os convites eletrônicos que recebo para me
tornar “amigo” de fulano ou para “fazer parte de sua rede profissional”. São convites amáveis,
endereçados a mim pelo primeiro nome. Mas, apesar do tratamento personalizado, têm um ar
de mensagem disparada a 100 ou 200 pessoas ao mesmo tempo. Sempre que recebo esses
convites, embatuco. Não tenho Facebook, nem sei como funciona, e as únicas redes profissionais
a que pertenço são as empresas a que presto serviços como escritor ou jornalista. Não sei, por
exemplo, qual é a “rede profissional” de um querido amigo que, aos 70 anos, nunca teve uma
carteira de trabalho assinada, nem acordou como assalariado um único dia em sua vida – e ele
me convidou a me juntar à sua “rede”.
Como não sei para que servem essas redes, também não sei o que responder e, pior,
temo que tais mensagens sejam pegadinhas marotas contendo vírus. Assim, ou as apago ou
deixo que morram de velhice na lista de mensagens. O problema é que, com isso, posso estar
passando por esnobe ou antissocial para quem se deu ao trabalho de me convidar a ser seu
“amigo” ou juntar-me à sua “rede”. O ridículo é que os que me convidam a tornar-me “amigo”
deles já são meus amigos. Têm meu telefone, sabem onde moro, já saímos juntos para
pândegas, discutimos futebol, fomos até sócios no passado e, se calhar, um tomou a namorada
do outro e vice-versa. Então, por que tal formalismo engessado?
Acredito que os programadores dessas maravilhas eletrônicas tenham pouca prática de
vida real. Por serem muito jovens e já terem nascido com um mouse na mão, talvez não saibam
que as relações humanas podem se formar a partir de um encontro casual, um aperto de mão,
um brilho no olhar.
Disponível em: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed695_antissocial Acesso em 22 abr. 20
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Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: FADESP
Orgão: COREN-PA
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REDES SOCIAIS
Antissocial
Por Ruy Castro, em 22/05/20
No mínimo, três ou quatro por dia. São os convites eletrônicos que recebo para me
tornar “amigo” de fulano ou para “fazer parte de sua rede profissional”. São convites amáveis,
endereçados a mim pelo primeiro nome. Mas, apesar do tratamento personalizado, têm um ar
de mensagem disparada a 100 ou 200 pessoas ao mesmo tempo. Sempre que recebo esses
convites, embatuco. Não tenho Facebook, nem sei como funciona, e as únicas redes profissionais
a que pertenço são as empresas a que presto serviços como escritor ou jornalista. Não sei, por
exemplo, qual é a “rede profissional” de um querido amigo que, aos 70 anos, nunca teve uma
carteira de trabalho assinada, nem acordou como assalariado um único dia em sua vida – e ele
me convidou a me juntar à sua “rede”.
Como não sei para que servem essas redes, também não sei o que responder e, pior,
temo que tais mensagens sejam pegadinhas marotas contendo vírus. Assim, ou as apago ou
deixo que morram de velhice na lista de mensagens. O problema é que, com isso, posso estar
passando por esnobe ou antissocial para quem se deu ao trabalho de me convidar a ser seu
“amigo” ou juntar-me à sua “rede”. O ridículo é que os que me convidam a tornar-me “amigo”
deles já são meus amigos. Têm meu telefone, sabem onde moro, já saímos juntos para
pândegas, discutimos futebol, fomos até sócios no passado e, se calhar, um tomou a namorada
do outro e vice-versa. Então, por que tal formalismo engessado?
Acredito que os programadores dessas maravilhas eletrônicas tenham pouca prática de
vida real. Por serem muito jovens e já terem nascido com um mouse na mão, talvez não saibam
que as relações humanas podem se formar a partir de um encontro casual, um aperto de mão,
um brilho no olhar.
Disponível em: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed695_antissocial Acesso em 22 abr. 20
I. A expressão “maravilhas eletrônicas” (linha 18) é uma referência a redes sociais.
II. O pronome “isso” (linha 12) retoma e resume as informações expressas nas orações anteriores.
III. O emprego de “assim” (linha 11) antecipa que a informação seguinte contradiz a informação anteriormente formulada.
IV. Alteram-se a coerência e a coesão do texto se substituirmos “então” (linha 17) por “entrementes”.
V. “Apesar do” (linha 3) assinala uma discordância por meio da qual o autor introduz uma informação nova.
Está correto o que se afirma em:
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