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Foram encontradas 90 questões.

231444 Ano: 2010
Disciplina: Matemática
Banca: Marinha
Orgão: Escola Naval
Sejam !$ f(x) = In (cos x)^2 !$ , !$ 0 ≤ x < { \large \pi \over 2} !$ e !$ \int \Biggr [(f' (x)^2 + sen^2 2x \Biggr]dx !$. Se !$ F(0) = { \large 7\pi \over 8} -5 !$, então !$ \lim_{x \rightarrow { \large \pi \over 4}}F(x) !$ vale
 

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231225 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Escola Naval
O menino está fora da paisagem
O menino parado no sinal de trânsito vem em minha direção e pede esmola. Eu preferiria que ele não viesse. A miséria nos lembra de que a desgraça existe, e a morte também. Como quero esquecer a morte, prefiro não olhar o menino. Mas não me contenho e fico observando os movimentos do menino na rua. Sua paisagem é a mesma que a nossa: a esquina, os meios-fios, os postes. Mas ele se move em outro mapa, outro diagrama. Seus pontos de referência são outros.
Como não tem nada, pode ver tudo. Vive num grande playground, onde pode brincar com tudo, desde que "de fora". O menino de rua só pode brincar no espaço "entre" as coisas. Ele está fora do carro, fora da loja, fora do restaurante. A cidade é uma grande vitrine de impossibilidades. O menino-mendigo vê tudo de baixo. Está na altura dos cachorros, dos sapatos, das pernas expostas dos aleijados. O ponto de vista do menino de rua é muito aguçado, pois ele percebe tudo que lhe possa ser útil ou perigoso. Ele não gosta de ideias abstratas. Seu ponto de vista é o contrário do do intelectual: ele não vê o conjunto nem tira conclusões históricas só detalhes interessam. O conceito de tempo para ele é diferente do nosso. Não há segunda-feira, colégio, happy hour. Os momentos não se somam, não armazenam' memórias. Só coisas "importantes": "Está na hora de o português da lanchonete despejar o lixo ... " ou "Estão dormindo no meu caixote ... "
Se pudéssemos traçar uma linha reta de cada olhar do menino-mendigo, teríamos bilhões de linhas para o lado, para baixo, para cima, para dentro, para fora, teríamos um grande painel de imagens. E todas ao rés do chão: uma latinha, um riozinho na sarjeta, um palitinho de sorvete, um passarinho na árvore, uma pipa, um urubu circulando no céu. Ele é um espectador em 360 graus. O menino de rua é em Cinemascope. O mundo é todo seu, o filme é todo seu, só que não dá para entrar na tela. Ou seja, ele assiste a um filme "dentro" da ação. Só que não consta do elenco, ele é um penetra, é uma espécie de turista marginal. Visto de fora, seria melhor apagá-lo. Às vezes apagam.
Se não sentir fome ou dor, ele curte. Acha natural sair do útero da mãe e logo estar junto aos canos de descarga pedindo dinheiro. Ele se acha normal; nós é que ficamos anormais com a sua presença.
Antigamente não o víamos, mas ele sempre nos viu. Depois que começou o medo da violência, ele ficou mais visível. Ninguém fica insensível a ele. Mesmo em quem não o olha, ele nota um fremir quase imperceptível à sua presença. Ele percebe que provoca inquietação (medo, culpa, desgosto, ódio). Todos preferiam que ele não estivesse ali. Por quê? Ele não sabe.
Evitamos olhá-lo, mas ele tenta atrair nossa atenção, pois também quer ser desejado. Mas os olhares que recebe são fugidios, nervosos, de esguelha.
Vejo que o menino se aproxima de um grupo de mulheres com sacolas de lojas. Ele avança lentamente dando passos largos e batendo com uma varinha no chão. Abre-se um vazio de luz por onde ele passa, entre as mulheres - mães e filhas. É uma maneira de pertencer, de existir naquela família ali, mesmo que "de fora", como uma curiosidade. Assim, ele entra na família, um anti-irmãozinho que chega. As mães não têm como explicar aos filhos quem ele é, "por que" eles não são como "ele" (análise social) ou por que "ele" não é como nós (análise política). Porém, normalmente mães e pais evitam explicações, para não despertar uma curiosidade infantil que poderia descer até as bases da sociedade - que os pais não conhecem, mas que se lhes afigura como algo sagrado, em que não se deve mexer.
O menino de rua nos ameaça justamente pela fragilidade. Isso enlouquece as pessoas: têm medo do que atrai. Mais tarde ele vai crescer ... E aí?
O menino de rua tem mais coragem que seus lamentadores: ele não se acha símbolo de nada, nem prenúncio, nem ameaça. Está em casa, ali, na rua. Olhamos o pobrezinho parado no sinal fazendo um tristíssimo malabarismo com três bolinhas e sentimos culpa, pena, indignação. Então, ou damos uma esmola que nos absolva ou pensamos que um dia poderá nos assaltar.
Ele nos obriga ao raríssimo sentimento da solidariedade, que vai contra todos os hábitos de nossa vida egoísta de hoje. E não podemos reclamar dele. É tão pequeno... O mendigo velho, tudo bem, "Bebeu, vai ver a culpa é dele, não soube se organizar, é vagabundo". Tudo bem. Mas o mendigo-menino não nos desculpa, porque ele não tem piedade de si mesmo.
Todas as nossas melhores recordações costumam ser da infância. Saudades da aurora da vida. O menino de rua estraga nossas memórias. Ele estraga a aurora de nossas vidas. Por isso, tentamos ignorá-lo ou o exterminamos. Antes, todos fingiam que ele não existia. Depois das campanhas da fome, surgiram olhares novos. Já sabemos que ele é um absurdo dentro da sociedade e que de alguma forma a culpa é nossa.
Ele tem ao menos uma utilidade: estragando nossa paisagem presente, pode melhorar nosso futuro. O menino de rua denuncia o ridículo do pensamento "genérico-crítico" mostra-nos que uma crítica à injustiça tem de apontar soluções positivas. Ele nos ensina que a crítica e o lamento pelas contradições (como estou fazendo agora) só servem para nos "enobrecer" e "absolver". Para ele, nossos sentimentos não valem nada, e não valem mesmo. Mesmo não sabendo nada, ele sabe das coisas.
(Arnaldo Jabor. O Globo, Segundo Caderno, 14 abr. 2009, p.10)
Que afirmativa está correta em relação ao sentido da palavra sublinhada, no período, "Mas os olhares que recebe são fugidios, nervosos, de esguelha." (6°§)
 

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229318 Ano: 2010
Disciplina: Física
Banca: Marinha
Orgão: Escola Naval
Um detector de ondas sonoras D passa pelo ponto A, localizado no eixo x, em direção ao ponto B, localizado no eixo y, com velocidade constante, como indicado na figura abaixo. O vetor velocidade faz um ângulo 0 acima da horizontal. Uma fonte sonora F, em repouso, localizada na origem do sistema de eixos, emite ondas sonoras que se propagam no ar parado com velocidade constante !$ \vec {v}_ s !$ . Sabendo que as frequências captadas pelo detector ao passar por A e B são, respectivamente, fA e fB , a razão entre a diferença de frequências, fA - fB, e a frequência da onda emitida pela fonte é
enunciado 229318-1
 

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224845 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Escola Naval
O menino está fora da paisagem
O menino parado no sinal de trânsito vem em minha direção e pede esmola. Eu preferiria que ele não viesse. A miséria nos lembra de que a desgraça existe, e a morte também. Como quero esquecer a morte, prefiro não olhar o menino. Mas não me contenho e fico observando os movimentos do menino na rua. Sua paisagem é a mesma que a nossa: a esquina, os meios-fios, os postes. Mas ele se move em outro mapa, outro diagrama. Seus pontos de referência são outros.
Como não tem nada, pode ver tudo. Vive num grande playground, onde pode brincar com tudo, desde que "de fora". O menino de rua só pode brincar no espaço "entre" as coisas. Ele está fora do carro, fora da loja, fora do restaurante. A cidade é uma grande vitrine de impossibilidades. O menino-mendigo vê tudo de baixo. Está na altura dos cachorros, dos sapatos, das pernas expostas dos aleijados. O ponto de vista do menino de rua é muito aguçado, pois ele percebe tudo que lhe possa ser útil ou perigoso. Ele não gosta de ideias abstratas. Seu ponto de vista é o contrário do do intelectual: ele não vê o conjunto nem tira conclusões históricas só detalhes interessam. O conceito de tempo para ele é diferente do nosso. Não há segunda-feira, colégio, happy hour. Os momentos não se somam, não armazenam' memórias. Só coisas "importantes": "Está na hora de o português da lanchonete despejar o lixo ... " ou "Estão dormindo no meu caixote ... "
Se pudéssemos traçar uma linha reta de cada olhar do menino-mendigo, teríamos bilhões de linhas para o lado, para baixo, para cima, para dentro, para fora, teríamos um grande painel de imagens. E todas ao rés do chão: uma latinha, um riozinho na sarjeta, um palitinho de sorvete, um passarinho na árvore, uma pipa, um urubu circulando no céu. Ele é um espectador em 360 graus. O menino de rua é em Cinemascope. O mundo é todo seu, o filme é todo seu, só que não dá para entrar na tela. Ou seja, ele assiste a um filme "dentro" da ação. Só que não consta do elenco, ele é um penetra, é uma espécie de turista marginal. Visto de fora, seria melhor apagá-lo. Às vezes apagam.
Se não sentir fome ou dor, ele curte. Acha natural sair do útero da mãe e logo estar junto aos canos de descarga pedindo dinheiro. Ele se acha normal; nós é que ficamos anormais com a sua presença.
Antigamente não o víamos, mas ele sempre nos viu. Depois que começou o medo da violência, ele ficou mais visível. Ninguém fica insensível a ele. Mesmo em quem não o olha, ele nota um fremir quase imperceptível à sua presença. Ele percebe que provoca inquietação (medo, culpa, desgosto, ódio). Todos preferiam que ele não estivesse ali. Por quê? Ele não sabe.
Evitamos olhá-lo, mas ele tenta atrair nossa atenção, pois também quer ser desejado. Mas os olhares que recebe são fugidios, nervosos, de esguelha.
Vejo que o menino se aproxima de um grupo de mulheres com sacolas de lojas. Ele avança lentamente dando passos largos e batendo com uma varinha no chão. Abre-se um vazio de luz por onde ele passa, entre as mulheres - mães e filhas. É uma maneira de pertencer, de existir naquela família ali, mesmo que "de fora", como uma curiosidade. Assim, ele entra na família, um anti-irmãozinho que chega. As mães não têm como explicar aos filhos quem ele é, "por que" eles não são como "ele" (análise social) ou por que "ele" não é como nós (análise política). Porém, normalmente mães e pais evitam explicações, para não despertar uma curiosidade infantil que poderia descer até as bases da sociedade - que os pais não conhecem, mas que se lhes afigura como algo sagrado, em que não se deve mexer.
O menino de rua nos ameaça justamente pela fragilidade. Isso enlouquece as pessoas: têm medo do que atrai. Mais tarde ele vai crescer ... E aí?
O menino de rua tem mais coragem que seus lamentadores: ele não se acha símbolo de nada, nem prenúncio, nem ameaça. Está em casa, ali, na rua. Olhamos o pobrezinho parado no sinal fazendo um tristíssimo malabarismo com três bolinhas e sentimos culpa, pena, indignação. Então, ou damos uma esmola que nos absolva ou pensamos que um dia poderá nos assaltar.
Ele nos obriga ao raríssimo sentimento da solidariedade, que vai contra todos os hábitos de nossa vida egoísta de hoje. E não podemos reclamar dele. É tão pequeno... O mendigo velho, tudo bem, "Bebeu, vai ver a culpa é dele, não soube se organizar, é vagabundo". Tudo bem. Mas o mendigo-menino não nos desculpa, porque ele não tem piedade de si mesmo.
Todas as nossas melhores recordações costumam ser da infância. Saudades da aurora da vida. O menino de rua estraga nossas memórias. Ele estraga a aurora de nossas vidas. Por isso, tentamos ignorá-lo ou o exterminamos. Antes, todos fingiam que ele não existia. Depois das campanhas da fome, surgiram olhares novos. Já sabemos que ele é um absurdo dentro da sociedade e que de alguma forma a culpa é nossa.
Ele tem ao menos uma utilidade: estragando nossa paisagem presente, pode melhorar nosso futuro. O menino de rua denuncia o ridículo do pensamento "genérico-crítico" mostra-nos que uma crítica à injustiça tem de apontar soluções positivas. Ele nos ensina que a crítica e o lamento pelas contradições (como estou fazendo agora) só servem para nos "enobrecer" e "absolver". Para ele, nossos sentimentos não valem nada, e não valem mesmo. Mesmo não sabendo nada, ele sabe das coisas.
(Arnaldo Jabor. O Globo, Segundo Caderno, 14 abr. 2009, p.10)
No contexto, que palavra apresenta caráter depreciativo?
 

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220892 Ano: 2010
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: Marinha
Orgão: Escola Naval
Read the extract below and choose the only sequence that can complete it.
2016 Summer Olympics
The 2016 Summer Olympics, officially known as the Game of the XXXI Olympiad, are a major international multi-sport event to be celebrated in the tradition of the Olympic Games, as governed (1) the International Olympic Committee (IOC). The host city of the games will be Rio de Janeiro, Brazil as announced (2) the 21st IOC Session held (3) Copenhagen, Denmark, (4) October 2nd, 2009. They are scheduled to be held (5) August 5th (6) 21st 2016.
(http://en.wikipedia.org/wiki/2016_Summer_Olympics)
 

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220783 Ano: 2010
Disciplina: Matemática
Banca: Marinha
Orgão: Escola Naval
Seja !$ L !$ uma lata de forma cilíndrica, sem tampa, de raio da base !$ r !$ e altura !$ h !$. Se a área da superfície de !$ L !$ mede !$ 54 \pi a^2 cm^2 !$, qual deve ser o valor de!$ \sqrt {r^2 + h^2} !$ , para que !$ L !$ tenha volume máximo?
 

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218745 Ano: 2010
Disciplina: Matemática
Banca: Marinha
Orgão: Escola Naval
Uma progressão geométrica infinita tem o 4° termo igual a 5. O logaritmo na base 5 do produto de seus 10 primeiros termos vale
!$ 10 - 15log _52 !$. Se !$ S !$ é a soma desta progressão, então o valor de !$ log_2 !$ !$ S !$ é
 

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214899 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Escola Naval
O menino está fora da paisagem
O menino parado no sinal de trânsito vem em minha direção e pede esmola. Eu preferiria que ele não viesse. A miséria nos lembra de que a desgraça existe, e a morte também. Como quero esquecer a morte, prefiro não olhar o menino. Mas não me contenho e fico observando os movimentos do menino na rua. Sua paisagem é a mesma que a nossa: a esquina, os meios-fios, os postes. Mas ele se move em outro mapa, outro diagrama. Seus pontos de referência são outros.
Como não tem nada, pode ver tudo. Vive num grande playground, onde pode brincar com tudo, desde que "de fora". O menino de rua só pode brincar no espaço "entre" as coisas. Ele está fora do carro, fora da loja, fora do restaurante. A cidade é uma grande vitrine de impossibilidades. O menino-mendigo vê tudo de baixo. Está na altura dos cachorros, dos sapatos, das pernas expostas dos aleijados. O ponto de vista do menino de rua é muito aguçado, pois ele percebe tudo que lhe possa ser útil ou perigoso. Ele não gosta de ideias abstratas. Seu ponto de vista é o contrário do do intelectual: ele não vê o conjunto nem tira conclusões históricas só detalhes interessam. O conceito de tempo para ele é diferente do nosso. Não há segunda-feira, colégio, happy hour. Os momentos não se somam, não armazenam' memórias. Só coisas "importantes": "Está na hora de o português da lanchonete despejar o lixo ... " ou "Estão dormindo no meu caixote ... "
Se pudéssemos traçar uma linha reta de cada olhar do menino-mendigo, teríamos bilhões de linhas para o lado, para baixo, para cima, para dentro, para fora, teríamos um grande painel de imagens. E todas ao rés do chão: uma latinha, um riozinho na sarjeta, um palitinho de sorvete, um passarinho na árvore, uma pipa, um urubu circulando no céu. Ele é um espectador em 360 graus. O menino de rua é em Cinemascope. O mundo é todo seu, o filme é todo seu, só que não dá para entrar na tela. Ou seja, ele assiste a um filme "dentro" da ação. Só que não consta do elenco, ele é um penetra, é uma espécie de turista marginal. Visto de fora, seria melhor apagá-lo. Às vezes apagam.
Se não sentir fome ou dor, ele curte. Acha natural sair do útero da mãe e logo estar junto aos canos de descarga pedindo dinheiro. Ele se acha normal; nós é que ficamos anormais com a sua presença.
Antigamente não o víamos, mas ele sempre nos viu. Depois que começou o medo da violência, ele ficou mais visível. Ninguém fica insensível a ele. Mesmo em quem não o olha, ele nota um fremir quase imperceptível à sua presença. Ele percebe que provoca inquietação (medo, culpa, desgosto, ódio). Todos preferiam que ele não estivesse ali. Por quê? Ele não sabe.
Evitamos olhá-lo, mas ele tenta atrair nossa atenção, pois também quer ser desejado. Mas os olhares que recebe são fugidios, nervosos, de esguelha.
Vejo que o menino se aproxima de um grupo de mulheres com sacolas de lojas. Ele avança lentamente dando passos largos e batendo com uma varinha no chão. Abre-se um vazio de luz por onde ele passa, entre as mulheres - mães e filhas. É uma maneira de pertencer, de existir naquela família ali, mesmo que "de fora", como uma curiosidade. Assim, ele entra na família, um anti-irmãozinho que chega. As mães não têm como explicar aos filhos quem ele é, "por que" eles não são como "ele" (análise social) ou por que "ele" não é como nós (análise política). Porém, normalmente mães e pais evitam explicações, para não despertar uma curiosidade infantil que poderia descer até as bases da sociedade - que os pais não conhecem, mas que se lhes afigura como algo sagrado, em que não se deve mexer.
O menino de rua nos ameaça justamente pela fragilidade. Isso enlouquece as pessoas: têm medo do que atrai. Mais tarde ele vai crescer ... E aí?
O menino de rua tem mais coragem que seus lamentadores: ele não se acha símbolo de nada, nem prenúncio, nem ameaça. Está em casa, ali, na rua. Olhamos o pobrezinho parado no sinal fazendo um tristíssimo malabarismo com três bolinhas e sentimos culpa, pena, indignação. Então, ou damos uma esmola que nos absolva ou pensamos que um dia poderá nos assaltar.
Ele nos obriga ao raríssimo sentimento da solidariedade, que vai contra todos os hábitos de nossa vida egoísta de hoje. E não podemos reclamar dele. É tão pequeno... O mendigo velho, tudo bem, "Bebeu, vai ver a culpa é dele, não soube se organizar, é vagabundo". Tudo bem. Mas o mendigo-menino não nos desculpa, porque ele não tem piedade de si mesmo.
Todas as nossas melhores recordações costumam ser da infância. Saudades da aurora da vida. O menino de rua estraga nossas memórias. Ele estraga a aurora de nossas vidas. Por isso, tentamos ignorá-lo ou o exterminamos. Antes, todos fingiam que ele não existia. Depois das campanhas da fome, surgiram olhares novos. Já sabemos que ele é um absurdo dentro da sociedade e que de alguma forma a culpa é nossa.
Ele tem ao menos uma utilidade: estragando nossa paisagem presente, pode melhorar nosso futuro. O menino de rua denuncia o ridículo do pensamento "genérico-crítico" mostra-nos que uma crítica à injustiça tem de apontar soluções positivas. Ele nos ensina que a crítica e o lamento pelas contradições (como estou fazendo agora) só servem para nos "enobrecer" e "absolver". Para ele, nossos sentimentos não valem nada, e não valem mesmo. Mesmo não sabendo nada, ele sabe das coisas.
(Arnaldo Jabor. O Globo, Segundo Caderno, 14 abr. 2009, p.10)
Em que segmento sublinhado houve mudança de classe gramatical?
 

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214896 Ano: 2010
Disciplina: Matemática
Banca: Marinha
Orgão: Escola Naval
Considere um octaedro regular D, cuja aresta mede 6cm e um de seus vértices V repousa sobre um plano !$ \alpha !$ perpendicular ao eixo que contém V. Prolongando-se, até encontrar o plano !$ \alpha !$, as quatro arestas que partem do outro vértice V' de D (que se encontra na reta perpendicular a !$ \alpha !$ em V), forma-se uma pirâmide regular P de base quadrada, conforme figura abaixo. A soma das áreas de todas as faces de D e P vale, em cm2,
enunciado 214896-1
 

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214833 Ano: 2010
Disciplina: Matemática
Banca: Marinha
Orgão: Escola Naval
Considere a matriz !$ A = \begin{pmatrix} 1 & 3i & -1 \\ 2i & -2 & i \\ 1-2i & i & -i \end{pmatrix} !$ com elementos no conjunto dos números complexos. Sendo !$ n = |det A|^2 !$, então o valor da expressão !$ \Biggr [ tg^2 { \large \pi n \over 48} - cos\left ({ \large 2(n+5)\pi \over 135}\right) -1 \Biggr ]^3 !$ é
 

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