Foram encontradas 50 questões.
Leia o texto II e responda à questão.
Texto II
Volapuque
[...]
Somos como duas línguas estrangeiras
em contato
influenciando uma à outra
fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo
que nem sempre se sabe quem tomou emprestado
de quem
como é comum entre amantes
que compartilham uma biblioteca
duas línguas cheias de palavras
que se escrevem de forma idêntica
e se pronunciam de forma ligeiramente diferente
duas línguas que compartilham palavras
semelhantes com sentidos diferentes
ou em que uma mesma palavra
que numa se encontra amiúde
nos contratos de aluguel
na outra apenas se usa em contos de fadas e orações
duas línguas estrangeiras
em contato
com suas histórias de violência e recuo
hostilidade e hospitalidade
ressoando uma os sons da outra
movendo-se como placas tectônicas
com suas camadas de sedimento antigo
e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho
duas línguas estrangeiras
em contato
como periferias de grandes cidades
com seus comércios e casamentos
disputas e empréstimos
deixando uma na outra rastros
como os do sol sobre os corpos
ou resíduos
como borra de café nos copos
duas línguas estrangeiras
mudando juntas de jeitos diferentes
mantendo porém pequenos enclaves
intraduzíveis
como pequenas ilhas
duas línguas nas quais duas pessoas
são capazes de entender uma à outra
surpresas e alegres por entenderem uma à outra
sem nem perceber que não se entendem tanto assim
(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)
Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.
Analise as afirmativas acerca das ideias expressas nos textos I e Il.
I- Tanto o texto I quanto o texto II apresentam informações sobre o conhecimento de outras línguas, corroborando traço de erudição.
II- A linguagem bem-humorada do texto I leva o leitor a refletir sobre a harmonia de formalidade com informalidade de modo natural e intuitivo.
III- Embora no texto I o autor utilize, largamente, metáforas e ironias, não emerge, na intencionalidade discursiva, objetivo de desqualificar a vendedora.
IV- O eu lírico, na temática do texto Il, faz emergirem figuras que mostram, claramente, o amalgama parcial entre os seres humanos, tal como entre as línguas.
Assinale a opção correta.
Provas
Leia o texto II e responda à questão.
Texto II
Volapuque
[...]
Somos como duas línguas estrangeiras
em contato
influenciando uma à outra
fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo
que nem sempre se sabe quem tomou emprestado
de quem
como é comum entre amantes
que compartilham uma biblioteca
duas línguas cheias de palavras
que se escrevem de forma idêntica
e se pronunciam de forma ligeiramente diferente
duas línguas que compartilham palavras
semelhantes com sentidos diferentes
ou em que uma mesma palavra
que numa se encontra amiúde
nos contratos de aluguel
na outra apenas se usa em contos de fadas e orações
duas línguas estrangeiras
em contato
com suas histórias de violência e recuo
hostilidade e hospitalidade
ressoando uma os sons da outra
movendo-se como placas tectônicas
com suas camadas de sedimento antigo
e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho
duas línguas estrangeiras
em contato
como periferias de grandes cidades
com seus comércios e casamentos
disputas e empréstimos
deixando uma na outra rastros
como os do sol sobre os corpos
ou resíduos
como borra de café nos copos
duas línguas estrangeiras
mudando juntas de jeitos diferentes
mantendo porém pequenos enclaves
intraduzíveis
como pequenas ilhas
duas línguas nas quais duas pessoas
são capazes de entender uma à outra
surpresas e alegres por entenderem uma à outra
sem nem perceber que não se entendem tanto assim
(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)
Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.
Leia o trecho abaixo.
“ou em que uma mesma palavra que numa se encontra amiúde nos contratos de aluguel na outra apenas se usa em contos de fadas e orações". (versos de 14 a 17)
As referências aos termos em destaque aludem, respectivamente:
Provas
Leia o texto II e responda à questão.
Texto II
Volapuque
[...]
Somos como duas línguas estrangeiras
em contato
influenciando uma à outra
fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo
que nem sempre se sabe quem tomou emprestado
de quem
como é comum entre amantes
que compartilham uma biblioteca
duas línguas cheias de palavras
que se escrevem de forma idêntica
e se pronunciam de forma ligeiramente diferente
duas línguas que compartilham palavras
semelhantes com sentidos diferentes
ou em que uma mesma palavra
que numa se encontra amiúde
nos contratos de aluguel
na outra apenas se usa em contos de fadas e orações
duas línguas estrangeiras
em contato
com suas histórias de violência e recuo
hostilidade e hospitalidade
ressoando uma os sons da outra
movendo-se como placas tectônicas
com suas camadas de sedimento antigo
e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho
duas línguas estrangeiras
em contato
como periferias de grandes cidades
com seus comércios e casamentos
disputas e empréstimos
deixando uma na outra rastros
como os do sol sobre os corpos
ou resíduos
como borra de café nos copos
duas línguas estrangeiras
mudando juntas de jeitos diferentes
mantendo porém pequenos enclaves
intraduzíveis
como pequenas ilhas
duas línguas nas quais duas pessoas
são capazes de entender uma à outra
surpresas e alegres por entenderem uma à outra
sem nem perceber que não se entendem tanto assim
(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)
Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.
Analise as afirmativas acerca das ideias presentes no texto II
I- O texto compara os amantes a “duas línguas estrangeiras” que, embora em constante interação e troca, mantêm “pequenos enclaves intraduzÍveis”.
II- O poema de Ana Martins Marques utiliza a linguística como uma metáfora estendida para explorar as complexidades de um relacionamento a dois.
III- A metáfora central do poema serve, predominantemente, para defender a ideia de que, apesar das inevitáveis falhas de comunicação e das diferenças históricas, o amor é uma força que apaga completamente as individualidades e as barreiras linguisticas.
IV- O texto utiliza imagens distintas como “placas tectônicas”, “borra de café nos copos” e “periferias de grandes cidades” para descrever a dinâmica do contato entre as “duas linguas”.
Assinale a opção correta.
Provas
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Marinha
Orgão: Marinha
Leia o texto II e responda à questão.
Texto II
Volapuque
[...]
Somos como duas línguas estrangeiras
em contato
influenciando uma à outra
fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo
que nem sempre se sabe quem tomou emprestado
de quem
como é comum entre amantes
que compartilham uma biblioteca
duas línguas cheias de palavras
que se escrevem de forma idêntica
e se pronunciam de forma ligeiramente diferente
duas línguas que compartilham palavras
semelhantes com sentidos diferentes
ou em que uma mesma palavra
que numa se encontra amiúde
nos contratos de aluguel
na outra apenas se usa em contos de fadas e orações
duas línguas estrangeiras
em contato
com suas histórias de violência e recuo
hostilidade e hospitalidade
ressoando uma os sons da outra
movendo-se como placas tectônicas
com suas camadas de sedimento antigo
e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho
duas línguas estrangeiras
em contato
como periferias de grandes cidades
com seus comércios e casamentos
disputas e empréstimos
deixando uma na outra rastros
como os do sol sobre os corpos
ou resíduos
como borra de café nos copos
duas línguas estrangeiras
mudando juntas de jeitos diferentes
mantendo porém pequenos enclaves
intraduzíveis
como pequenas ilhas
duas línguas nas quais duas pessoas
são capazes de entender uma à outra
surpresas e alegres por entenderem uma à outra
sem nem perceber que não se entendem tanto assim
(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)
Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.
Considere os versos abaixo.
“Somos como duas línguas estrangeiras [...] movendo-se como placas tectônicas com suas camadas de sedimento antigo e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no [caminho” (versos 1 e 23-25)
Nos versos citados acima, que aspecto dessas línguas é enfatizado?
Provas
Leia o texto II e responda à questão.
Texto II
Volapuque
[...]
Somos como duas línguas estrangeiras
em contato
influenciando uma à outra
fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo
que nem sempre se sabe quem tomou emprestado
de quem
como é comum entre amantes
que compartilham uma biblioteca
duas línguas cheias de palavras
que se escrevem de forma idêntica
e se pronunciam de forma ligeiramente diferente
duas línguas que compartilham palavras
semelhantes com sentidos diferentes
ou em que uma mesma palavra
que numa se encontra amiúde
nos contratos de aluguel
na outra apenas se usa em contos de fadas e orações
duas línguas estrangeiras
em contato
com suas histórias de violência e recuo
hostilidade e hospitalidade
ressoando uma os sons da outra
movendo-se como placas tectônicas
com suas camadas de sedimento antigo
e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho
duas línguas estrangeiras
em contato
como periferias de grandes cidades
com seus comércios e casamentos
disputas e empréstimos
deixando uma na outra rastros
como os do sol sobre os corpos
ou resíduos
como borra de café nos copos
duas línguas estrangeiras
mudando juntas de jeitos diferentes
mantendo porém pequenos enclaves
intraduzíveis
como pequenas ilhas
duas línguas nas quais duas pessoas
são capazes de entender uma à outra
surpresas e alegres por entenderem uma à outra
sem nem perceber que não se entendem tanto assim
(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)
Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.
Leia os versos abaixo.
“ou em que uma mesma palavra que numa se encontra amiúde nos contratos de aluguel” (versos de 14 a 16)
Ao afirmar que a palavra se encontra amiúde nos contratos de aluguel, o eu lírico quer dizer que ela:
Provas
Leia o texto II e responda à questão.
Texto II
Volapuque
[...]
Somos como duas línguas estrangeiras
em contato
influenciando uma à outra
fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo
que nem sempre se sabe quem tomou emprestado
de quem
como é comum entre amantes
que compartilham uma biblioteca
duas línguas cheias de palavras
que se escrevem de forma idêntica
e se pronunciam de forma ligeiramente diferente
duas línguas que compartilham palavras
semelhantes com sentidos diferentes
ou em que uma mesma palavra
que numa se encontra amiúde
nos contratos de aluguel
na outra apenas se usa em contos de fadas e orações
duas línguas estrangeiras
em contato
com suas histórias de violência e recuo
hostilidade e hospitalidade
ressoando uma os sons da outra
movendo-se como placas tectônicas
com suas camadas de sedimento antigo
e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho
duas línguas estrangeiras
em contato
como periferias de grandes cidades
com seus comércios e casamentos
disputas e empréstimos
deixando uma na outra rastros
como os do sol sobre os corpos
ou resíduos
como borra de café nos copos
duas línguas estrangeiras
mudando juntas de jeitos diferentes
mantendo porém pequenos enclaves
intraduzíveis
como pequenas ilhas
duas línguas nas quais duas pessoas
são capazes de entender uma à outra
surpresas e alegres por entenderem uma à outra
sem nem perceber que não se entendem tanto assim
(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)
Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.
Acerca da textualidade e da função da linguagem predominante, no texto Il, assinale a opção correta.
Provas
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
- Interpretação de TextosCoesão e Coerência
Leia o texto II e responda à questão.
Texto II
Volapuque
[...]
Somos como duas línguas estrangeiras
em contato
influenciando uma à outra
fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo
que nem sempre se sabe quem tomou emprestado
de quem
como é comum entre amantes
que compartilham uma biblioteca
duas línguas cheias de palavras
que se escrevem de forma idêntica
e se pronunciam de forma ligeiramente diferente
duas línguas que compartilham palavras
semelhantes com sentidos diferentes
ou em que uma mesma palavra
que numa se encontra amiúde
nos contratos de aluguel
na outra apenas se usa em contos de fadas e orações
duas línguas estrangeiras
em contato
com suas histórias de violência e recuo
hostilidade e hospitalidade
ressoando uma os sons da outra
movendo-se como placas tectônicas
com suas camadas de sedimento antigo
e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho
duas línguas estrangeiras
em contato
como periferias de grandes cidades
com seus comércios e casamentos
disputas e empréstimos
deixando uma na outra rastros
como os do sol sobre os corpos
ou resíduos
como borra de café nos copos
duas línguas estrangeiras
mudando juntas de jeitos diferentes
mantendo porém pequenos enclaves
intraduzíveis
como pequenas ilhas
duas línguas nas quais duas pessoas
são capazes de entender uma à outra
surpresas e alegres por entenderem uma à outra
sem nem perceber que não se entendem tanto assim
(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)
Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.
Em que opção a ideia de consequência é expressa?
Provas
Leia o texto II e responda à questão.
Texto II
Volapuque
[...]
Somos como duas línguas estrangeiras
em contato
influenciando uma à outra
fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo
que nem sempre se sabe quem tomou emprestado
de quem
como é comum entre amantes
que compartilham uma biblioteca
duas línguas cheias de palavras
que se escrevem de forma idêntica
e se pronunciam de forma ligeiramente diferente
duas línguas que compartilham palavras
semelhantes com sentidos diferentes
ou em que uma mesma palavra
que numa se encontra amiúde
nos contratos de aluguel
na outra apenas se usa em contos de fadas e orações
duas línguas estrangeiras
em contato
com suas histórias de violência e recuo
hostilidade e hospitalidade
ressoando uma os sons da outra
movendo-se como placas tectônicas
com suas camadas de sedimento antigo
e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho
duas línguas estrangeiras
em contato
como periferias de grandes cidades
com seus comércios e casamentos
disputas e empréstimos
deixando uma na outra rastros
como os do sol sobre os corpos
ou resíduos
como borra de café nos copos
duas línguas estrangeiras
mudando juntas de jeitos diferentes
mantendo porém pequenos enclaves
intraduzíveis
como pequenas ilhas
duas línguas nas quais duas pessoas
são capazes de entender uma à outra
surpresas e alegres por entenderem uma à outra
sem nem perceber que não se entendem tanto assim
(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)
Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.
Em que opção a análise morfossintática dos termos destacados está correta?
Provas
Leia o texto e responda à questão.
Texto I
'Quer adressar?', me perguntou a moça
Dicas para acessar o português moderno e não dar a resposta errada a uma boa proposta
De início, não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o envelhecer a meu favor, fingindo perda de audição pela idade avançada, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.
O cenário era a loja chique de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que - como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui - a ficha caiu:
“Eu posso adressar o produto amanhã cedo para a sua casa?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender.
Os neologismos participam da língua, inputam em alguns casos a solução onde antes havia um gap de comunicação. “Adressar’, metabolizado do inglês to address, era endereçar a paciência para um lugar muito distante de qualquer necessidade, mas entendi o approach. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping. Bastava me remeter (se quisesse falar um português bonito), me despachar (se gostasse de mostrar a chiadeira do sotaque carioca) ou simplesmente me entregar a compra - verbos que seriam imediatamente compreensíveis por qualquer idoso - amanhã cedo. Ri por dentro.
A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, rogar na de Luís de Camões, na de Ana Martins Marques, e - como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas - tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação - exibindo às vezes uma mesóclise de polainas - e já no parágrafo seguinte caio de boca - com o piercing no lábio inferior - no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.
Ela adora uma novidade, mas não é boba. Já enfrentou o gerundismo, o “a nível de”, o prefeito que proibiu usar “sale” nas vitrines, o “atravessamento”, o ministro que traduzia para o tupi-guarani as expressões que chegavam ao gabinete em inglês. Na onda do mundo digital, é natural reciclar palavras que acessem, que resetem, que escaneiem ou zapeiem o novo cotidiano agora online. Algumas logo desaparecem debaixo da risada geral (estartar, por exemplo), outras seguirão, numa nice, para os jobs do dia a dia.
Eu printo, tu printas, quem nunca? Na semana passada, uma amiga me telefonou para contar a última do vocabulário em seu escritório. Na reunião da manhã, o diretor executivo exultava de felicidade, e fez um speech dizendo que “o resultado do benchmark draivou a melhoria do processo” - isso mesmo, no sentido de “to drive” do inglês, o benchmark guiou, dirigiu com sucesso os negócios do escritório. O resto foi o de sempre, e tome deadline, upscaling, asap, trade marketing e foco no cliente.
A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial - e me fiz up to date:
“Sim, por favor, adressa, sim”.
(SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/joaquim-ferreira-dos-santos/coluna/2025/10/quer-adressar-me-perguntou-a-moca.ghtml>.
Provas
- SemânticaSinônimos e Antônimos
- Interpretação de TextosFiguras e Vícios de LinguagemFiguras de Linguagem
Leia o texto e responda à questão.
Texto I
'Quer adressar?', me perguntou a moça
Dicas para acessar o português moderno e não dar a resposta errada a uma boa proposta
De início, não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o envelhecer a meu favor, fingindo perda de audição pela idade avançada, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.
O cenário era a loja chique de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que - como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui - a ficha caiu:
“Eu posso adressar o produto amanhã cedo para a sua casa?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender.
Os neologismos participam da língua, inputam em alguns casos a solução onde antes havia um gap de comunicação. “Adressar’, metabolizado do inglês to address, era endereçar a paciência para um lugar muito distante de qualquer necessidade, mas entendi o approach. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping. Bastava me remeter (se quisesse falar um português bonito), me despachar (se gostasse de mostrar a chiadeira do sotaque carioca) ou simplesmente me entregar a compra - verbos que seriam imediatamente compreensíveis por qualquer idoso - amanhã cedo. Ri por dentro.
A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, rogar na de Luís de Camões, na de Ana Martins Marques, e - como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas - tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação - exibindo às vezes uma mesóclise de polainas - e já no parágrafo seguinte caio de boca - com o piercing no lábio inferior - no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.
Ela adora uma novidade, mas não é boba. Já enfrentou o gerundismo, o “a nível de”, o prefeito que proibiu usar “sale” nas vitrines, o “atravessamento”, o ministro que traduzia para o tupi-guarani as expressões que chegavam ao gabinete em inglês. Na onda do mundo digital, é natural reciclar palavras que acessem, que resetem, que escaneiem ou zapeiem o novo cotidiano agora online. Algumas logo desaparecem debaixo da risada geral (estartar, por exemplo), outras seguirão, numa nice, para os jobs do dia a dia.
Eu printo, tu printas, quem nunca? Na semana passada, uma amiga me telefonou para contar a última do vocabulário em seu escritório. Na reunião da manhã, o diretor executivo exultava de felicidade, e fez um speech dizendo que “o resultado do benchmark draivou a melhoria do processo” - isso mesmo, no sentido de “to drive” do inglês, o benchmark guiou, dirigiu com sucesso os negócios do escritório. O resto foi o de sempre, e tome deadline, upscaling, asap, trade marketing e foco no cliente.
A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial - e me fiz up to date:
“Sim, por favor, adressa, sim”.
(SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/joaquim-ferreira-dos-santos/coluna/2025/10/quer-adressar-me-perguntou-a-moca.ghtml>.
Provas
Caderno Container