Foram encontradas 80 questões.
Boas amizades mudam o jeito que você vê o
mundo e seu reflexo
Melhores amigos ‘perdem’ os limites do ‘eu próprio’ e
englobam características e sentimentos da outra
pessoa
Redação Galileu
Mais que amigos, friends: novo estudo sugere que
suas amizades moldam, literalmente, a maneira como
você enxerga o mundo e até seu próprio reflexo (!).
Não é à toa que você guarda ressentimentos indiretos
contra pessoas que, de outra forma, não teria motivos
para não gostar.
Publicada no Journal of Social and Personal
Relationships, a pesquisa realizou testes de imagens
com participantes voluntários. Em um momento, os
cientistas pediram que eles indicassem se a foto de um
rosto que aparecia em uma tela pertencia a eles
mesmos ou a outra pessoa.
De acordo com o relatório, os participantes
demoraram mais tempo para distinguir sua própria
imagem do que a de um amigo ou a de uma
celebridade.
Para os pesquisadores, reconhecer um amigo como
uma pessoa que não é você mesmo parece consumir
energia extra da mente — seria um processo, e não
somente uma reação intuitiva de parar, olhar para seu
colega e pensar: “ah sim, é outra pessoa”.
O estudo não foi muito extenso, mas sugere que uma
amizade próxima representa não só uma conexão
entre, pelo menos, dois indivíduos, mas também a
indefinição dos limites entre dois “eus”.
Outra pesquisa de 2013 descobriu que o cérebro
reage da mesma maneira a uma ameaça contra um
amigo como se fosse você que estivesse recebendo o
sinal de perigo. Análises anteriores também apontaram
que bons amigos agem como um “Google” para as
histórias de vida um do outro, no fenômeno chamado
“memória transacionada”. Isso significa que você
contou tantas coisas ao seu amigo que não precisa se
esforçar para lembrar de algo, pois confia que a outra
pessoa irá saber de algum fato se você precisar.
Segundo o portal The Cut, psicólogos nomeiam de
“auto-expansão” a ideia de que, à medida que uma
amizade se aprofunda, seu senso de si cresce,
chegando a abranger parte do outro indivíduo dentro
de si próprio. Ou seja, você envolve seus amigos no
âmago da sua personalidade, até no mais básico
sentimento.
Disponível em:
https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/08/boasamizades-mudam-o-jeito-que-voce-ve-o-mundo-e-seu-reflexo.html.
Acesso em: 17 jun. 2026.
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Boas amizades mudam o jeito que você vê o
mundo e seu reflexo
Melhores amigos ‘perdem’ os limites do ‘eu próprio’ e
englobam características e sentimentos da outra
pessoa
Redação Galileu
Mais que amigos, friends: novo estudo sugere que
suas amizades moldam, literalmente, a maneira como
você enxerga o mundo e até seu próprio reflexo (!).
Não é à toa que você guarda ressentimentos indiretos
contra pessoas que, de outra forma, não teria motivos
para não gostar.
Publicada no Journal of Social and Personal
Relationships, a pesquisa realizou testes de imagens
com participantes voluntários. Em um momento, os
cientistas pediram que eles indicassem se a foto de um
rosto que aparecia em uma tela pertencia a eles
mesmos ou a outra pessoa.
De acordo com o relatório, os participantes
demoraram mais tempo para distinguir sua própria
imagem do que a de um amigo ou a de uma
celebridade.
Para os pesquisadores, reconhecer um amigo como
uma pessoa que não é você mesmo parece consumir
energia extra da mente — seria um processo, e não
somente uma reação intuitiva de parar, olhar para seu
colega e pensar: “ah sim, é outra pessoa”.
O estudo não foi muito extenso, mas sugere que uma
amizade próxima representa não só uma conexão
entre, pelo menos, dois indivíduos, mas também a
indefinição dos limites entre dois “eus”.
Outra pesquisa de 2013 descobriu que o cérebro
reage da mesma maneira a uma ameaça contra um
amigo como se fosse você que estivesse recebendo o
sinal de perigo. Análises anteriores também apontaram
que bons amigos agem como um “Google” para as
histórias de vida um do outro, no fenômeno chamado
“memória transacionada”. Isso significa que você
contou tantas coisas ao seu amigo que não precisa se
esforçar para lembrar de algo, pois confia que a outra
pessoa irá saber de algum fato se você precisar.
Segundo o portal The Cut, psicólogos nomeiam de
“auto-expansão” a ideia de que, à medida que uma
amizade se aprofunda, seu senso de si cresce,
chegando a abranger parte do outro indivíduo dentro
de si próprio. Ou seja, você envolve seus amigos no
âmago da sua personalidade, até no mais básico
sentimento.
Disponível em:
https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/08/boasamizades-mudam-o-jeito-que-voce-ve-o-mundo-e-seu-reflexo.html.
Acesso em: 17 jun. 2026.
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- SintaxePalavras com Múltiplas FunçõesFunções da Palavra “que”
- SintaxePalavras com Múltiplas FunçõesFunções da Palavra “se”
Boas amizades mudam o jeito que você vê o
mundo e seu reflexo
Melhores amigos ‘perdem’ os limites do ‘eu próprio’ e
englobam características e sentimentos da outra
pessoa
Redação Galileu
Mais que amigos, friends: novo estudo sugere que
suas amizades moldam, literalmente, a maneira como
você enxerga o mundo e até seu próprio reflexo (!).
Não é à toa que você guarda ressentimentos indiretos
contra pessoas que, de outra forma, não teria motivos
para não gostar.
Publicada no Journal of Social and Personal
Relationships, a pesquisa realizou testes de imagens
com participantes voluntários. Em um momento, os
cientistas pediram que eles indicassem se a foto de um
rosto que aparecia em uma tela pertencia a eles
mesmos ou a outra pessoa.
De acordo com o relatório, os participantes
demoraram mais tempo para distinguir sua própria
imagem do que a de um amigo ou a de uma
celebridade.
Para os pesquisadores, reconhecer um amigo como
uma pessoa que não é você mesmo parece consumir
energia extra da mente — seria um processo, e não
somente uma reação intuitiva de parar, olhar para seu
colega e pensar: “ah sim, é outra pessoa”.
O estudo não foi muito extenso, mas sugere que uma
amizade próxima representa não só uma conexão
entre, pelo menos, dois indivíduos, mas também a
indefinição dos limites entre dois “eus”.
Outra pesquisa de 2013 descobriu que o cérebro
reage da mesma maneira a uma ameaça contra um
amigo como se fosse você que estivesse recebendo o
sinal de perigo. Análises anteriores também apontaram
que bons amigos agem como um “Google” para as
histórias de vida um do outro, no fenômeno chamado
“memória transacionada”. Isso significa que você
contou tantas coisas ao seu amigo que não precisa se
esforçar para lembrar de algo, pois confia que a outra
pessoa irá saber de algum fato se você precisar.
Segundo o portal The Cut, psicólogos nomeiam de
“auto-expansão” a ideia de que, à medida que uma
amizade se aprofunda, seu senso de si cresce,
chegando a abranger parte do outro indivíduo dentro
de si próprio. Ou seja, você envolve seus amigos no
âmago da sua personalidade, até no mais básico
sentimento.
Disponível em:
https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/08/boasamizades-mudam-o-jeito-que-voce-ve-o-mundo-e-seu-reflexo.html.
Acesso em: 17 jun. 2026.
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O amigo pessoal e o seu contrário, o amigo
coletivo
Categoria difere do colega ou do conhecido, que
curiosamente é como chamamos quem não
conhecemos muito bem
Gregório Duvivier
Você já deve ter ouvido a expressão, em geral na
negativa. “Conheço o fulano, mas não é meu amigo
pessoal.” Gosto dessa categoria tão brasileira. Não
consigo imaginar a expressão em outras línguas. A
busca por “personal friend” no Google revela um
serviço de aluguel de amigos. Curiosamente “amigo
pessoal” em inglês é amigo profissional.
No Brasil, a categoria confunde porque pressupõe
que existam outros tipos de amigo. Parece que dá para
contrair amizade sem passar pela pessoa física. “O
fulano é meu amigo espiritual. Beltrano? Meu amigo
jurídico.”
O conceito, no entanto, faz sentido. Nem todo amigo
tem uma relação individual com você. Alguns amigos
da vida toda nunca ficaram no mano a mano. Todo o
mundo tem amigos pessoais e tem amigos coletivos.
O fenômeno acontece quando relação não é direta,
intransferível, mas mediada por uma turma.
Atenção: o amigo coletivo difere do colega ou do
“conhecido”, que curiosamente é como chamamos
aquele que não conhecemos muito bem. Difere mais
ainda do semiconhecido, aquele que conhecemos
menos ainda. Existe uma hierarquia: o semiconhecido
está abaixo do conhecido, que vem logo abaixo do
colega, que vem antes do amigo coletivo, que precede
o amigo pessoal.
Do conhecido você sabe o nome, do amigo coletivo
você sabe o signo, do amigo pessoal você conhece o
funcionamento do intestino. Você sabe o bairro onde o
conhecido mora, do amigo coletivo você sabe a rua —
do amigo pessoal você sabe o prédio, o apartamento e
a senha do wifi — quando não sabe, adivinha.
Puristas da amizade dirão que amigos não pessoais
não podem ser chamados de amigos. Discordo. O
amigo grupal tem, sim, seu valor. Diverte, preenche,
entretém. E o mais importante: é dele que pode nascer,
um belo dia, quando menos se espera, o amigo
pessoal.
Basta chover um pouco mais. E vocês ficarem
ilhados no escritório. Ou basta um porre, uma viagem,
um acidente, um pneu furado. O que separa um amigo
coletivo de um amigo pessoal, muitas vezes, é um
perrengue. Mas pode ser uma carona — de
preferência daquelas demoradas, na hora do rush. Se
cair um temporal, melhor ainda. Entre um silêncio e
outro, você vai abrir uma chaga, e ele vai compartilhar
uma memória, você vai rebater com uma esperança,
ele vai contar um segredo. Pronto. Ali, na avenida
Brasil alagada, sob o abrigo de um palio weekend, o
amigo pessoal acaba de nascer.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2022/04/oamigo-pessoal-e-o-seu-contrario-o-amigo-coletivo.shtml. Acesso
em: 17 jun. 2026.
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O amigo pessoal e o seu contrário, o amigo
coletivo
Categoria difere do colega ou do conhecido, que
curiosamente é como chamamos quem não
conhecemos muito bem
Gregório Duvivier
Você já deve ter ouvido a expressão, em geral na
negativa. “Conheço o fulano, mas não é meu amigo
pessoal.” Gosto dessa categoria tão brasileira. Não
consigo imaginar a expressão em outras línguas. A
busca por “personal friend” no Google revela um
serviço de aluguel de amigos. Curiosamente “amigo
pessoal” em inglês é amigo profissional.
No Brasil, a categoria confunde porque pressupõe
que existam outros tipos de amigo. Parece que dá para
contrair amizade sem passar pela pessoa física. “O
fulano é meu amigo espiritual. Beltrano? Meu amigo
jurídico.”
O conceito, no entanto, faz sentido. Nem todo amigo
tem uma relação individual com você. Alguns amigos
da vida toda nunca ficaram no mano a mano. Todo o
mundo tem amigos pessoais e tem amigos coletivos.
O fenômeno acontece quando relação não é direta,
intransferível, mas mediada por uma turma.
Atenção: o amigo coletivo difere do colega ou do
“conhecido”, que curiosamente é como chamamos
aquele que não conhecemos muito bem. Difere mais
ainda do semiconhecido, aquele que conhecemos
menos ainda. Existe uma hierarquia: o semiconhecido
está abaixo do conhecido, que vem logo abaixo do
colega, que vem antes do amigo coletivo, que precede
o amigo pessoal.
Do conhecido você sabe o nome, do amigo coletivo
você sabe o signo, do amigo pessoal você conhece o
funcionamento do intestino. Você sabe o bairro onde o
conhecido mora, do amigo coletivo você sabe a rua —
do amigo pessoal você sabe o prédio, o apartamento e
a senha do wifi — quando não sabe, adivinha.
Puristas da amizade dirão que amigos não pessoais
não podem ser chamados de amigos. Discordo. O
amigo grupal tem, sim, seu valor. Diverte, preenche,
entretém. E o mais importante: é dele que pode nascer,
um belo dia, quando menos se espera, o amigo
pessoal.
Basta chover um pouco mais. E vocês ficarem
ilhados no escritório. Ou basta um porre, uma viagem,
um acidente, um pneu furado. O que separa um amigo
coletivo de um amigo pessoal, muitas vezes, é um
perrengue. Mas pode ser uma carona — de
preferência daquelas demoradas, na hora do rush. Se
cair um temporal, melhor ainda. Entre um silêncio e
outro, você vai abrir uma chaga, e ele vai compartilhar
uma memória, você vai rebater com uma esperança,
ele vai contar um segredo. Pronto. Ali, na avenida
Brasil alagada, sob o abrigo de um palio weekend, o
amigo pessoal acaba de nascer.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2022/04/oamigo-pessoal-e-o-seu-contrario-o-amigo-coletivo.shtml. Acesso
em: 17 jun. 2026.
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- OrtografiaFormação e Estrutura das Palavras
- SintaxePalavras com Múltiplas FunçõesFunções da Palavra “se”
- MorfologiaAdjetivos
O amigo pessoal e o seu contrário, o amigo
coletivo
Categoria difere do colega ou do conhecido, que
curiosamente é como chamamos quem não
conhecemos muito bem
Gregório Duvivier
Você já deve ter ouvido a expressão, em geral na
negativa. “Conheço o fulano, mas não é meu amigo
pessoal.” Gosto dessa categoria tão brasileira. Não
consigo imaginar a expressão em outras línguas. A
busca por “personal friend” no Google revela um
serviço de aluguel de amigos. Curiosamente “amigo
pessoal” em inglês é amigo profissional.
No Brasil, a categoria confunde porque pressupõe
que existam outros tipos de amigo. Parece que dá para
contrair amizade sem passar pela pessoa física. “O
fulano é meu amigo espiritual. Beltrano? Meu amigo
jurídico.”
O conceito, no entanto, faz sentido. Nem todo amigo
tem uma relação individual com você. Alguns amigos
da vida toda nunca ficaram no mano a mano. Todo o
mundo tem amigos pessoais e tem amigos coletivos.
O fenômeno acontece quando relação não é direta,
intransferível, mas mediada por uma turma.
Atenção: o amigo coletivo difere do colega ou do
“conhecido”, que curiosamente é como chamamos
aquele que não conhecemos muito bem. Difere mais
ainda do semiconhecido, aquele que conhecemos
menos ainda. Existe uma hierarquia: o semiconhecido
está abaixo do conhecido, que vem logo abaixo do
colega, que vem antes do amigo coletivo, que precede
o amigo pessoal.
Do conhecido você sabe o nome, do amigo coletivo
você sabe o signo, do amigo pessoal você conhece o
funcionamento do intestino. Você sabe o bairro onde o
conhecido mora, do amigo coletivo você sabe a rua —
do amigo pessoal você sabe o prédio, o apartamento e
a senha do wifi — quando não sabe, adivinha.
Puristas da amizade dirão que amigos não pessoais
não podem ser chamados de amigos. Discordo. O
amigo grupal tem, sim, seu valor. Diverte, preenche,
entretém. E o mais importante: é dele que pode nascer,
um belo dia, quando menos se espera, o amigo
pessoal.
Basta chover um pouco mais. E vocês ficarem
ilhados no escritório. Ou basta um porre, uma viagem,
um acidente, um pneu furado. O que separa um amigo
coletivo de um amigo pessoal, muitas vezes, é um
perrengue. Mas pode ser uma carona — de
preferência daquelas demoradas, na hora do rush. Se
cair um temporal, melhor ainda. Entre um silêncio e
outro, você vai abrir uma chaga, e ele vai compartilhar
uma memória, você vai rebater com uma esperança,
ele vai contar um segredo. Pronto. Ali, na avenida
Brasil alagada, sob o abrigo de um palio weekend, o
amigo pessoal acaba de nascer.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2022/04/oamigo-pessoal-e-o-seu-contrario-o-amigo-coletivo.shtml. Acesso
em: 17 jun. 2026.
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O amigo pessoal e o seu contrário, o amigo
coletivo
Categoria difere do colega ou do conhecido, que
curiosamente é como chamamos quem não
conhecemos muito bem
Gregório Duvivier
Você já deve ter ouvido a expressão, em geral na
negativa. “Conheço o fulano, mas não é meu amigo
pessoal.” Gosto dessa categoria tão brasileira. Não
consigo imaginar a expressão em outras línguas. A
busca por “personal friend” no Google revela um
serviço de aluguel de amigos. Curiosamente “amigo
pessoal” em inglês é amigo profissional.
No Brasil, a categoria confunde porque pressupõe
que existam outros tipos de amigo. Parece que dá para
contrair amizade sem passar pela pessoa física. “O
fulano é meu amigo espiritual. Beltrano? Meu amigo
jurídico.”
O conceito, no entanto, faz sentido. Nem todo amigo
tem uma relação individual com você. Alguns amigos
da vida toda nunca ficaram no mano a mano. Todo o
mundo tem amigos pessoais e tem amigos coletivos.
O fenômeno acontece quando relação não é direta,
intransferível, mas mediada por uma turma.
Atenção: o amigo coletivo difere do colega ou do
“conhecido”, que curiosamente é como chamamos
aquele que não conhecemos muito bem. Difere mais
ainda do semiconhecido, aquele que conhecemos
menos ainda. Existe uma hierarquia: o semiconhecido
está abaixo do conhecido, que vem logo abaixo do
colega, que vem antes do amigo coletivo, que precede
o amigo pessoal.
Do conhecido você sabe o nome, do amigo coletivo
você sabe o signo, do amigo pessoal você conhece o
funcionamento do intestino. Você sabe o bairro onde o
conhecido mora, do amigo coletivo você sabe a rua —
do amigo pessoal você sabe o prédio, o apartamento e
a senha do wifi — quando não sabe, adivinha.
Puristas da amizade dirão que amigos não pessoais
não podem ser chamados de amigos. Discordo. O
amigo grupal tem, sim, seu valor. Diverte, preenche,
entretém. E o mais importante: é dele que pode nascer,
um belo dia, quando menos se espera, o amigo
pessoal.
Basta chover um pouco mais. E vocês ficarem
ilhados no escritório. Ou basta um porre, uma viagem,
um acidente, um pneu furado. O que separa um amigo
coletivo de um amigo pessoal, muitas vezes, é um
perrengue. Mas pode ser uma carona — de
preferência daquelas demoradas, na hora do rush. Se
cair um temporal, melhor ainda. Entre um silêncio e
outro, você vai abrir uma chaga, e ele vai compartilhar
uma memória, você vai rebater com uma esperança,
ele vai contar um segredo. Pronto. Ali, na avenida
Brasil alagada, sob o abrigo de um palio weekend, o
amigo pessoal acaba de nascer.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2022/04/oamigo-pessoal-e-o-seu-contrario-o-amigo-coletivo.shtml. Acesso
em: 17 jun. 2026.
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Questão presente nas seguintes provas
O amigo pessoal e o seu contrário, o amigo
coletivo
Categoria difere do colega ou do conhecido, que
curiosamente é como chamamos quem não
conhecemos muito bem
Gregório Duvivier
Você já deve ter ouvido a expressão, em geral na
negativa. “Conheço o fulano, mas não é meu amigo
pessoal.” Gosto dessa categoria tão brasileira. Não
consigo imaginar a expressão em outras línguas. A
busca por “personal friend” no Google revela um
serviço de aluguel de amigos. Curiosamente “amigo
pessoal” em inglês é amigo profissional.
No Brasil, a categoria confunde porque pressupõe
que existam outros tipos de amigo. Parece que dá para
contrair amizade sem passar pela pessoa física. “O
fulano é meu amigo espiritual. Beltrano? Meu amigo
jurídico.”
O conceito, no entanto, faz sentido. Nem todo amigo
tem uma relação individual com você. Alguns amigos
da vida toda nunca ficaram no mano a mano. Todo o
mundo tem amigos pessoais e tem amigos coletivos.
O fenômeno acontece quando relação não é direta,
intransferível, mas mediada por uma turma.
Atenção: o amigo coletivo difere do colega ou do
“conhecido”, que curiosamente é como chamamos
aquele que não conhecemos muito bem. Difere mais
ainda do semiconhecido, aquele que conhecemos
menos ainda. Existe uma hierarquia: o semiconhecido
está abaixo do conhecido, que vem logo abaixo do
colega, que vem antes do amigo coletivo, que precede
o amigo pessoal.
Do conhecido você sabe o nome, do amigo coletivo
você sabe o signo, do amigo pessoal você conhece o
funcionamento do intestino. Você sabe o bairro onde o
conhecido mora, do amigo coletivo você sabe a rua —
do amigo pessoal você sabe o prédio, o apartamento e
a senha do wifi — quando não sabe, adivinha.
Puristas da amizade dirão que amigos não pessoais
não podem ser chamados de amigos. Discordo. O
amigo grupal tem, sim, seu valor. Diverte, preenche,
entretém. E o mais importante: é dele que pode nascer,
um belo dia, quando menos se espera, o amigo
pessoal.
Basta chover um pouco mais. E vocês ficarem
ilhados no escritório. Ou basta um porre, uma viagem,
um acidente, um pneu furado. O que separa um amigo
coletivo de um amigo pessoal, muitas vezes, é um
perrengue. Mas pode ser uma carona — de
preferência daquelas demoradas, na hora do rush. Se
cair um temporal, melhor ainda. Entre um silêncio e
outro, você vai abrir uma chaga, e ele vai compartilhar
uma memória, você vai rebater com uma esperança,
ele vai contar um segredo. Pronto. Ali, na avenida
Brasil alagada, sob o abrigo de um palio weekend, o
amigo pessoal acaba de nascer.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2022/04/oamigo-pessoal-e-o-seu-contrario-o-amigo-coletivo.shtml. Acesso
em: 17 jun. 2026.
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O amigo pessoal e o seu contrário, o amigo
coletivo
Categoria difere do colega ou do conhecido, que
curiosamente é como chamamos quem não
conhecemos muito bem
Gregório Duvivier
Você já deve ter ouvido a expressão, em geral na
negativa. “Conheço o fulano, mas não é meu amigo
pessoal.” Gosto dessa categoria tão brasileira. Não
consigo imaginar a expressão em outras línguas. A
busca por “personal friend” no Google revela um
serviço de aluguel de amigos. Curiosamente “amigo
pessoal” em inglês é amigo profissional.
No Brasil, a categoria confunde porque pressupõe
que existam outros tipos de amigo. Parece que dá para
contrair amizade sem passar pela pessoa física. “O
fulano é meu amigo espiritual. Beltrano? Meu amigo
jurídico.”
O conceito, no entanto, faz sentido. Nem todo amigo
tem uma relação individual com você. Alguns amigos
da vida toda nunca ficaram no mano a mano. Todo o
mundo tem amigos pessoais e tem amigos coletivos.
O fenômeno acontece quando relação não é direta,
intransferível, mas mediada por uma turma.
Atenção: o amigo coletivo difere do colega ou do
“conhecido”, que curiosamente é como chamamos
aquele que não conhecemos muito bem. Difere mais
ainda do semiconhecido, aquele que conhecemos
menos ainda. Existe uma hierarquia: o semiconhecido
está abaixo do conhecido, que vem logo abaixo do
colega, que vem antes do amigo coletivo, que precede
o amigo pessoal.
Do conhecido você sabe o nome, do amigo coletivo
você sabe o signo, do amigo pessoal você conhece o
funcionamento do intestino. Você sabe o bairro onde o
conhecido mora, do amigo coletivo você sabe a rua —
do amigo pessoal você sabe o prédio, o apartamento e
a senha do wifi — quando não sabe, adivinha.
Puristas da amizade dirão que amigos não pessoais
não podem ser chamados de amigos. Discordo. O
amigo grupal tem, sim, seu valor. Diverte, preenche,
entretém. E o mais importante: é dele que pode nascer,
um belo dia, quando menos se espera, o amigo
pessoal.
Basta chover um pouco mais. E vocês ficarem
ilhados no escritório. Ou basta um porre, uma viagem,
um acidente, um pneu furado. O que separa um amigo
coletivo de um amigo pessoal, muitas vezes, é um
perrengue. Mas pode ser uma carona — de
preferência daquelas demoradas, na hora do rush. Se
cair um temporal, melhor ainda. Entre um silêncio e
outro, você vai abrir uma chaga, e ele vai compartilhar
uma memória, você vai rebater com uma esperança,
ele vai contar um segredo. Pronto. Ali, na avenida
Brasil alagada, sob o abrigo de um palio weekend, o
amigo pessoal acaba de nascer.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2022/04/oamigo-pessoal-e-o-seu-contrario-o-amigo-coletivo.shtml. Acesso
em: 17 jun. 2026.
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O amigo pessoal e o seu contrário, o amigo
coletivo
Categoria difere do colega ou do conhecido, que
curiosamente é como chamamos quem não
conhecemos muito bem
Gregório Duvivier
Você já deve ter ouvido a expressão, em geral na
negativa. “Conheço o fulano, mas não é meu amigo
pessoal.” Gosto dessa categoria tão brasileira. Não
consigo imaginar a expressão em outras línguas. A
busca por “personal friend” no Google revela um
serviço de aluguel de amigos. Curiosamente “amigo
pessoal” em inglês é amigo profissional.
No Brasil, a categoria confunde porque pressupõe
que existam outros tipos de amigo. Parece que dá para
contrair amizade sem passar pela pessoa física. “O
fulano é meu amigo espiritual. Beltrano? Meu amigo
jurídico.”
O conceito, no entanto, faz sentido. Nem todo amigo
tem uma relação individual com você. Alguns amigos
da vida toda nunca ficaram no mano a mano. Todo o
mundo tem amigos pessoais e tem amigos coletivos.
O fenômeno acontece quando relação não é direta,
intransferível, mas mediada por uma turma.
Atenção: o amigo coletivo difere do colega ou do
“conhecido”, que curiosamente é como chamamos
aquele que não conhecemos muito bem. Difere mais
ainda do semiconhecido, aquele que conhecemos
menos ainda. Existe uma hierarquia: o semiconhecido
está abaixo do conhecido, que vem logo abaixo do
colega, que vem antes do amigo coletivo, que precede
o amigo pessoal.
Do conhecido você sabe o nome, do amigo coletivo
você sabe o signo, do amigo pessoal você conhece o
funcionamento do intestino. Você sabe o bairro onde o
conhecido mora, do amigo coletivo você sabe a rua —
do amigo pessoal você sabe o prédio, o apartamento e
a senha do wifi — quando não sabe, adivinha.
Puristas da amizade dirão que amigos não pessoais
não podem ser chamados de amigos. Discordo. O
amigo grupal tem, sim, seu valor. Diverte, preenche,
entretém. E o mais importante: é dele que pode nascer,
um belo dia, quando menos se espera, o amigo
pessoal.
Basta chover um pouco mais. E vocês ficarem
ilhados no escritório. Ou basta um porre, uma viagem,
um acidente, um pneu furado. O que separa um amigo
coletivo de um amigo pessoal, muitas vezes, é um
perrengue. Mas pode ser uma carona — de
preferência daquelas demoradas, na hora do rush. Se
cair um temporal, melhor ainda. Entre um silêncio e
outro, você vai abrir uma chaga, e ele vai compartilhar
uma memória, você vai rebater com uma esperança,
ele vai contar um segredo. Pronto. Ali, na avenida
Brasil alagada, sob o abrigo de um palio weekend, o
amigo pessoal acaba de nascer.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2022/04/oamigo-pessoal-e-o-seu-contrario-o-amigo-coletivo.shtml. Acesso
em: 17 jun. 2026.
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