Foram encontradas 118 questões.
Texto 1
A questão da(s) norma(s)
A expressão norma culta/comum/standard designa o conjunto de fenômenos linguísticos que ocorrem habitualmente no uso dos falantes letrados em situações mais monitoradas de fala e escrita. Já a norma-padrão é um construto sócio- -histórico que serve de referência para estimular um processo de uniformização. Enquanto a primeira é a expressão viva de certos segmentos sociais em determinadas situações, a segunda é uma codificação relativamente abstrata, uma baliza extraída do uso real para servir de referência, em sociedades marcadas por acentuada dialetação, a projetos políticos de uniformização linguística.
Embora o padrão não se confunda com a norma culta/comum/standard, está mais próximo dela do que das demais normas, porque os codificadores e os que assumem o papel de seus guardiões e cultores saem dos estratos sociais usuários dessa norma. Se esse é um fator de aproximação, é também um fator de tensão porque o inexorável movimento histórico da norma culta/comum/standard tende a criar um fosso entre ela e o padrão, ficando este cada vez mais artificial e anacrônico, se não houver mecanismos socioculturais para realizar os necessários ajustes.
Cabe perguntar se o Brasil, neste início do século XXI, necessita, de fato, definir uma norma-padrão. A questão é saber se a natural diversidade linguística nacional está pondo em risco a relativa unidade das variedades cultas/comuns/standard faladas. A resposta parece ser bem clara: não há qualquer indício de risco à relativa unidade dessas variedades. Bem ao contrário: as circunstâncias históricas – ou seja, a intensa urbanização da população brasileira, as novas redes de relações que se estabelecem no espaço urbano e suas respectivas pressões niveladoras, a presença quase universal dos meios de comunicação social e a própria expansão da escolaridade – em boa medida favorecem a manutenção da relativa unidade das nossas variedades cultas/comuns/standard e criam condições para sua expansão social.
Diante desses fatos, talvez possamos abrir mão de projetos padronizadores, direcionando nossas energias para o que efetivamente interessa: de um lado a descrição e a difusão das variedades cultas/comuns/standard faladas e escritas; e, de outro, o combate sistemático aos preceitos da norma curta – preceitos dogmáticos que não encontram respaldo nem nos fatos, nem nos bons instrumentos normativos – que, em nome de uma norma padrão artificialmente fixada, ainda circula entre nós, quer na desqualificação da língua portuguesa do Brasil, quer na desqualificação dos seus falantes.
FARACO, Carlos Alberto. A. Norma culta brasileira:
desatando alguns nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. p. 73-94. [Adaptado].
Texto 2
Norma prescritiva & escrita literária
As obras dos grandes poetas e ficcionistas representam produções linguísticas em gêneros escritos bastante particulares – usar essas produções como modelo a ser descrito e/ou prescrito implicaria na omissão e desconsideração de todos os demais usos da língua. Assim, se os gramáticos podem colher, nas obras literárias, exemplos de usos “corretos” das estruturas gramaticais do idioma, também seria possível coletar, nessas mesmas obras, exemplos contrários, isto é, de usos não “exemplares”, de usos que contrariam precisamente as regras prescritas como “melhores” ou “mais recomendáveis” pelos mesmos gramáticos. As duas práticas são injustificáveis, uma vez que ambas traem o objetivo do escritor, que não é transformar-se em régua para medir os usos linguísticos de todos os demais usuários da língua, mas, sim, construir obras de arte que lhe permitam dar vazão à sua necessidade de expressão, a seu desejo de comunicação, à sua ânsia de criação.
***
A maior parte das citações extraídas de Laços de Família mostra que Cunha & Cintra, responsáveis pela Nova gramática do português contemporâneo, conseguiram realizar uma façanha e tanto: encontrar em Clarice Lispector frases banais, construções sintáticas básicas, que qualquer falante nativo de português minimamente letrado poderia escrever, não havendo necessidade de extraí-las da obra de uma escritora deste porte. É quase como se os gramáticos quisessem evitar mostrar precisamente o que há de “efeito mágico” na linguagem da ficcionista… Alguns exemplos:
Mas – quem daria dinheiro aos pobres? (p. 140)
Vivi com Daniel perto de dois anos. (p. 148)
Acerca do emprego dos pronomes ele, ela, eles, elas como objeto direto, assim se manifestam Cunha & Cintra (p. 281):
Na fala vulgar e familiar do Brasil é muito frequente o uso do pronome ele(s), ela(s) como objeto direto em frases do tipo:
Vi ele. Encontrei ela.
Embora esta construção tenha raízes antigas no idioma, pois se documenta em escritores portugueses dos séculos XIII e XIV, deve ser hoje evitada.
Só que essa construção “vulgar e familiar” que supostamente deve ser “evitada” (mas por quê? por ser uma “interferência da fala na escrita”?) ocorre em A hora da estrela, de Lispector, a mesma escritora que é chamada na gramática de Cunha & Cintra a oferecer exemplos de uso correto:
Se sei quase tudo de Macabéa é que já peguei uma vez de relance o olhar de uma nordestina amarelada. Esse relance me deu ela de corpo inteiro. (p. 57).
BAGNO, Marcos. In: CORREA, D. A.; SALEH, P. B. de O. (Org.) Práticas de letramento no ensino:
leitura, escrita e discurso. São Paulo: Parábola Editorial; Ponta Grossa, PR: UEPG, 2007. p. 28-38. [Adaptado.]
Considere os segmentos extraídos dos textos 1 e 2.
1. “Diante desses fatos, talvez possamos abrir mão de projetos padronizadores, direcionando nossas energias para o que efetivamente interessa […].” (texto 1)
2. “Assim, se os gramáticos podem colher, nas obras literárias, exemplos de usos “corretos” das estruturas gramaticais do idioma, também seria possível coletar, nessas mesmas obras, exemplos contrários […]” (texto 2)
3. “[…] Cunha & Cintra, responsáveis pela Nova gramática do português contemporâneo, conseguiram realizar uma façanha e tanto: encontrar em Clarice Lispector frases banais, construções sintáticas básicas, que qualquer falante nativo de português minimamente letrado poderia escrever […].” (texto 2)
4. “Só que essa construção “vulgar e familiar” que supostamente deve ser “evitada” […] ocorre em A hora da estrela […].” (texto 2)
Assinale a alternativa correta.
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Texto 3
Os segredos
O que acontece às vezes com minha ignorância é que ela deixa de ser sentida como uma omissão e se torna quase palpável, assim como a escuridão, a gente às vezes parece que pode ser pegada. Quando é sentida como uma omissão, pode dar a sensação de mal-estar, uma sensação de não estar a par, enfim de ignorância mesmo. Quando ela se torna quase palpável como a escuridão, ela me ofende. O que ultimamente tem-me ofendido – e é uma ofensa mesmo porque dessa eu não tenho culpa, é uma ignorância que me é imposta – o que tem ultimamente me ofendido é sentir que em vários países há cientistas que mantêm em segredo coisas que revolucionariam meu modo de ver, de viver e de saber. Por que não contam o segredo? Porque precisam dele para criar novas coisas, e porque temem que a revelação cause pânico, por ser precoce ainda.
Então eu me sinto hoje mesmo como se estivesse na Idade Média. Sou roubada de minha própria época. Mas entenderia eu o segredo se me fosse revelado? Ah, haveria, tinha de haver um modo de eu me pôr em contato com ele.
Ao mesmo tempo estou cheia de esperanças no que o segredo encerra. Estão nos tratando como criança a quem não se assusta com verdades antes do tempo. Mas a criança sente que vem uma verdade por aí, sente como um rumor que não sabe de onde vem. E eu sinto um sussurro que promete. Pelo menos sei que há segredos, que o mundo físico e psíquico seria visto por mim de um modo totalmente novo – se ao menos eu soubesse. Eu tenho que ficar com a tênue alegria mínima do condicional “se eu soubesse”. Mas tenho que ter modéstia com a alegria. Quanto mais tênue é a alegria, mais difícil e mais precioso de captá-la – e mais amado o fio quase invisível da esperança de vir a saber.
LISPECTOR, Clarice. Aprendendo a viver. Rio de Janeiro: Rocco, 2004. p. 32-33.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) no que se refere à organização das ideias desenvolvidas no texto 3.
( ) O texto apresenta um contraponto entre duas situações associadas à ignorância: a omissão (desconhecimento por responsabilidade própria) e a ofensa (desconhecimento imposto).
( ) O título “Os segredos” poderia ser substituído por “Ignorância”, sem prejuízo em seu valor de síntese da ideia principal do texto.
( ) Os segredos de que trata o texto suscitam na autora dois sentimentos distintos, simultaneamente: ela se sente ofendida pela não revelação e esperançosa em relação ao teor não revelado.
( ) A narradora sente-se triste e revoltada por ser tratada como se fosse uma criança, incapaz de perceber ou sentir o que se passa a sua volta.
( ) A esperança de ver o mundo de um modo totalmente novo suplanta o inconformismo diante da ignorância imposta.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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O texto abaixo deverá ser utilizado para responder a questão.
O que você tem a ver com a corrupção?
Dann Toledo

No dia 21 de abril de 2012, foi dado um minúsculo grande passo em direção à liberdade política em nosso país. O Dia do Basta, como a mobilização foi denominada, levou às ruas de todo o país milhares de pessoas. Em todos os estados da Federação, em diversas cidades, o povo saiu às ruas. Caras foram pintadas, músicas foram entoadas, faixas levantadas e assim foi dado um “peteleco” nas orelhas da nossa sociedade.
Todavia, ainda não conseguimos alcançar a tão sonhada e utópica mudança em nosso cenário político. Ao pensarmos em corrupção, normalmente pensamos em escândalos com nossos legisladores e com os que ocupam os cargos executivos.
Devemos levar em consideração que a corrupção, assim como a moralidade, começa dentro de nosso próprio self. Somos seres políticos e sociais, com isso, é nosso dever nos policiar em nossos pequenos atos para que assim possamos cobrar dos outros uma mudança que dantes já tenhamos, no mínimo, começado a internalizar.
Todas as vezes que pedimos favores de formas obscuras, mesmo que pensamos não haver nada de mais nisso, estamos sim sendo corruptos. O nosso tão amado jeitinho brasileiro nada mais é do que uma forma de burlarmos o sistema de regras e, com isso, nos tornarmos aquilo que dizemos repudiar; corruptos.
Uma campanha do Ministério Público, denominada “O que você tem a ver com a corrupção?”, trata justamente sobre isso: como nossos atos mais simples e muitas vezes ditos inocentes e normais podem ser atos corruptos. Pedir que o guarda de trânsito libere o carro numa blitz mesmo estando irregular, levar um atestado médico no trabalho sem que realmente tenha estado doente, falar para um colega assinar a lista de presença no colégio, faculdade ou bater teu cartão no trabalho. Tudo isso nada mais é do que corrupção.
Com tudo isso, se queremos realmente mudar o cenário de corrupção que toma conta do Brasil, devemos primeiro começar por nós mesmos, pelas nossas casas, pelos nossos atos!
Disponível em: <http://psicologia-ro.blogspot.com.br/2012/04/
o-que-voce-tem-ver-com-corrupcao.html>. Acesso em: 28 maio 2014. (Adaptado)
Leia o excerto abaixo:
“Todas as vezes que pedimos favores de formas obscuras, mesmo que pensamos não haver nada de mais nisso, estamos sim sendo corruptos. O nosso tão amado jeitinho brasileiro nada mais é do que uma forma de burlarmos o sistema de regras e, com isso, nos tornarmos aquilo que dizemos repudiar; corruptos.” (parágrafo 4)
Identifique as afirmativas corretas em relação ao excerto.
1. Há um erro de pontuação no excerto acima. O ponto e vírgula deve ser substituído pelos dois-pontos.
2. A palavra obscuras pode ser substituída por escuras, sem prejuízo de sentido.
3. Estão corretas as seguintes formas do verbo haver nos tempos futuro do pretérito, pretérito imperfeito do subjuntivo e futuro do presente, respectivamente: haveria – houvesse – haverá.
4. As palavras as, nosso e nos exercem, respectivamente, as seguintes funções dentro das frases acima: preposição, pronome e pronome.
5. O excerto acima diz que os favores obscuros são uma maneira de adaptarmos o sistema de regras do jeitinho brasileiro sem sermos corruptos.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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O texto abaixo deverá ser utilizado para responder a questão.
O que você tem a ver com a corrupção?
Dann Toledo

No dia 21 de abril de 2012, foi dado um minúsculo grande passo em direção à liberdade política em nosso país. O Dia do Basta, como a mobilização foi denominada, levou às ruas de todo o país milhares de pessoas. Em todos os estados da Federação, em diversas cidades, o povo saiu às ruas. Caras foram pintadas, músicas foram entoadas, faixas levantadas e assim foi dado um “peteleco” nas orelhas da nossa sociedade.
Todavia, ainda não conseguimos alcançar a tão sonhada e utópica mudança em nosso cenário político. Ao pensarmos em corrupção, normalmente pensamos em escândalos com nossos legisladores e com os que ocupam os cargos executivos.
Devemos levar em consideração que a corrupção, assim como a moralidade, começa dentro de nosso próprio self. Somos seres políticos e sociais, com isso, é nosso dever nos policiar em nossos pequenos atos para que assim possamos cobrar dos outros uma mudança que dantes já tenhamos, no mínimo, começado a internalizar.
Todas as vezes que pedimos favores de formas obscuras, mesmo que pensamos não haver nada de mais nisso, estamos sim sendo corruptos. O nosso tão amado jeitinho brasileiro nada mais é do que uma forma de burlarmos o sistema de regras e, com isso, nos tornarmos aquilo que dizemos repudiar; corruptos.
Uma campanha do Ministério Público, denominada “O que você tem a ver com a corrupção?”, trata justamente sobre isso: como nossos atos mais simples e muitas vezes ditos inocentes e normais podem ser atos corruptos. Pedir que o guarda de trânsito libere o carro numa blitz mesmo estando irregular, levar um atestado médico no trabalho sem que realmente tenha estado doente, falar para um colega assinar a lista de presença no colégio, faculdade ou bater teu cartão no trabalho. Tudo isso nada mais é do que corrupção.
Com tudo isso, se queremos realmente mudar o cenário de corrupção que toma conta do Brasil, devemos primeiro começar por nós mesmos, pelas nossas casas, pelos nossos atos!
Disponível em: <http://psicologia-ro.blogspot.com.br/2012/04/
o-que-voce-tem-ver-com-corrupcao.html>. Acesso em: 28 maio 2014. (Adaptado)
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) com base no texto.
( ) Na frase “O Dia do Basta, como a mobilização foi denominada, levou às ruas de todo o país milhares de pessoas.” (parágrafo 1) a oração sublinhada é uma oração apositiva.
( ) “Caras foram pintadas, músicas foram entoadas, faixas levantadas e assim foi dado um ‘peteleco’ nas orelhas da nossa sociedade.” (parágrafo 1) a oração sublinhada é uma oração coordenada sindética aditiva.
( ) Em “Tudo isso nada mais é do que corrupção.” (parágrafo 5) há uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
( ) Em “Em todos os estados da Federação, em diversas cidades, o povo saiu às ruas.” (parágrafo 1) a oração principal é “o povo saiu às ruas”.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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Do prescritivismo preconceituoso ao normativismo racional
O que aqui defendemos é um prescritivismo funcional e ilustrado, que caracterizamos por três traços: relativismo, gradação e elasticidade. Um prescritivismo relativista, que proclama a importância pragmática e simbólica da diversidade linguística, reconhece o valor de cada uma das variedades da língua e assume a convencionalidade dos padrões. Um prescritivismo graduado, que sustenta que as prescrições têm mais força e validade para certos estilos de comunicação que para outros, e inclusive que carecem de justificação para alguns, ao mesmo tempo em que defende que as exigências de conformidade à língua normativa não devem ser as mesmas para todos os falantes em todas as situações. Um prescritivismo elástico, que postula que as normas linguísticas devem se oferecer como orientações para o comportamento linguístico e não se impor como ditames imperativos para o comum dos falantes. Resumindo, um prescritivismo atento ao uso comum, e preocupado com que os padrões linguísticos não se afastem desnecessariamente dele.
Com tais pressupostos, talvez estejamos mais bem equipados para responder aos desafios de uma melhora significativa, equitativamente compartilhada, das competências linguístico-comunicativas do conjunto dos falantes, e da imprescindível e urgente democratização dos complexos instrumentos de poder e de saber que são as línguas.
MONTEAGUDO, Henrique. Variação e norma linguística: subsídios para uma (re)visão.
In: LAGARES, Xoán C.; G BAGNO, Marcos (orgs.) Políticas da norma e conflitos linguísticos. São Paulo: Parábola Editorial, 2011. p. 46. [Adaptado]
Considere as afirmativas abaixo no que se refere a aspectos linguísticos do texto.
1. O texto se inicia com uma construção enfática que atribui relevo à informação “um prescritivismo funcional e ilustrado”.
2. No primeiro período do texto, o segmento “relativismo, gradação e elasticidade” está funcionando como um aposto enumerativo.
3. Nos três períodos cujo início está, respectivamente, sublinhado no texto, há paralelismo estrutural entre os complementos dos verbos das orações adjetivas.
4. Ao final do primeiro parágrafo, a forma verbal “Resumindo” atua como uma espécie de operador que especifica o modo como o enunciado é formulado pelo autor.
5. No segundo parágrafo, a construção sublinhada em “mais bem equipados” é uma variante do item sublinhado em “melhor equipados”: a forma analítica da construção comparativa é considerada a inovadora e a forma sintética é a clássica, em conformidade com a norma padrão da língua portuguesa.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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Texto 1
A questão da(s) norma(s)
A expressão norma culta/comum/standard designa o conjunto de fenômenos linguísticos que ocorrem habitualmente no uso dos falantes letrados em situações mais monitoradas de fala e escrita. Já a norma-padrão é um construto sócio- -histórico que serve de referência para estimular um processo de uniformização. Enquanto a primeira é a expressão viva de certos segmentos sociais em determinadas situações, a segunda é uma codificação relativamente abstrata, uma baliza extraída do uso real para servir de referência, em sociedades marcadas por acentuada dialetação, a projetos políticos de uniformização linguística.
Embora o padrão não se confunda com a norma culta/comum/standard, está mais próximo dela do que das demais normas, porque os codificadores e os que assumem o papel de seus guardiões e cultores saem dos estratos sociais usuários dessa norma. Se esse é um fator de aproximação, é também um fator de tensão porque o inexorável movimento histórico da norma culta/comum/standard tende a criar um fosso entre ela e o padrão, ficando este cada vez mais artificial e anacrônico, se não houver mecanismos socioculturais para realizar os necessários ajustes.
Cabe perguntar se o Brasil, neste início do século XXI, necessita, de fato, definir uma norma-padrão. A questão é saber se a natural diversidade linguística nacional está pondo em risco a relativa unidade das variedades cultas/comuns/standard faladas. A resposta parece ser bem clara: não há qualquer indício de risco à relativa unidade dessas variedades. Bem ao contrário: as circunstâncias históricas – ou seja, a intensa urbanização da população brasileira, as novas redes de relações que se estabelecem no espaço urbano e suas respectivas pressões niveladoras, a presença quase universal dos meios de comunicação social e a própria expansão da escolaridade – em boa medida favorecem a manutenção da relativa unidade das nossas variedades cultas/comuns/standard e criam condições para sua expansão social.
Diante desses fatos, talvez possamos abrir mão de projetos padronizadores, direcionando nossas energias para o que efetivamente interessa: de um lado a descrição e a difusão das variedades cultas/comuns/standard faladas e escritas; e, de outro, o combate sistemático aos preceitos da norma curta – preceitos dogmáticos que não encontram respaldo nem nos fatos, nem nos bons instrumentos normativos – que, em nome de uma norma padrão artificialmente fixada, ainda circula entre nós, quer na desqualificação da língua portuguesa do Brasil, quer na desqualificação dos seus falantes.
FARACO, Carlos Alberto. A. Norma culta brasileira:
desatando alguns nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. p. 73-94. [Adaptado].
No que se refere a tipo e organização textual, assinale a alternativa correta em relação ao texto 1.
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O texto abaixo deverá ser utilizado para responder a questão.
O que você tem a ver com a corrupção?
Dann Toledo

No dia 21 de abril de 2012, foi dado um minúsculo grande passo em direção à liberdade política em nosso país. O Dia do Basta, como a mobilização foi denominada, levou às ruas de todo o país milhares de pessoas. Em todos os estados da Federação, em diversas cidades, o povo saiu às ruas. Caras foram pintadas, músicas foram entoadas, faixas levantadas e assim foi dado um “peteleco” nas orelhas da nossa sociedade.
Todavia, ainda não conseguimos alcançar a tão sonhada e utópica mudança em nosso cenário político. Ao pensarmos em corrupção, normalmente pensamos em escândalos com nossos legisladores e com os que ocupam os cargos executivos.
Devemos levar em consideração que a corrupção, assim como a moralidade, começa dentro de nosso próprio self. Somos seres políticos e sociais, com isso, é nosso dever nos policiar em nossos pequenos atos para que assim possamos cobrar dos outros uma mudança que dantes já tenhamos, no mínimo, começado a internalizar.
Todas as vezes que pedimos favores de formas obscuras, mesmo que pensamos não haver nada de mais nisso, estamos sim sendo corruptos. O nosso tão amado jeitinho brasileiro nada mais é do que uma forma de burlarmos o sistema de regras e, com isso, nos tornarmos aquilo que dizemos repudiar; corruptos.
Uma campanha do Ministério Público, denominada “O que você tem a ver com a corrupção?”, trata justamente sobre isso: como nossos atos mais simples e muitas vezes ditos inocentes e normais podem ser atos corruptos. Pedir que o guarda de trânsito libere o carro numa blitz mesmo estando irregular, levar um atestado médico no trabalho sem que realmente tenha estado doente, falar para um colega assinar a lista de presença no colégio, faculdade ou bater teu cartão no trabalho. Tudo isso nada mais é do que corrupção.
Com tudo isso, se queremos realmente mudar o cenário de corrupção que toma conta do Brasil, devemos primeiro começar por nós mesmos, pelas nossas casas, pelos nossos atos!
Disponível em: <http://psicologia-ro.blogspot.com.br/2012/04/
o-que-voce-tem-ver-com-corrupcao.html>. Acesso em: 28 maio 2014. (Adaptado)
Assinale a alternativa que apresenta a reescrita correta da frase abaixo, do ponto de vista da norma culta da língua portuguesa, sem prejuízo do significado da frase extraída do texto.
“Devemos levar em consideração que a corrupção, assim como a moralidade, começa dentro de nosso próprio self.” (parágrafo 3)
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Texto 5
Fala e escrita
Uma diversidade, muito sutil e falaz, é a que existe entre a fala e a escrita. […] O estudante já vem para a escola falando satisfatoriamente, embora seja em regra deficiente no registro formal do uso culto; o que ele domina plenamente é a linguagem familiar, na maioria dos casos. Como quer que seja, a técnica da língua escrita ele tem de aprender na escola. Os professores partem da ilusão de que, ensinando-a, estão ao mesmo tempo ensinando uma fala satisfatória. […]
A língua escrita se manifesta em condições muito diversas da língua oral. […] A fala se desdobra numa situação concreta, sob o estímulo de um falante ou vários falantes outros, bem individualizados. Uma e outra coisa desaparecem na língua escrita. Já aí se tem uma primeira e profunda diferença entre os dois tipos de comunicação linguística.
Depois, a escrita não reproduz fielmente a fala, como sugere a metáfora tantas vezes repetida de que “ela é a roupagem da língua oral”.
CAMARA Jr., Joaquim Mattoso. Estrutura da língua portuguesa. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1972. p. 9-10.
Assinale a alternativa correta, de acordo com o texto 5.
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Texto 8
O dia em que Maria fez Lampião tremer de amor
Dia Internacional da Mulher, dia de aniversário de Maria Bonita.
Essa menina que enjoou da boneca mais cedo do que as outras.
Essa baixinha invocada. Tipo que a gente gama pela brabeza e pelo destemor de se jogar lindamente sob o solzão estralado da existência.
Pense em uma mulher bem-resolvida, meu caro Sigmund. Melhor: uma mulher que sabia o que queria no calor da hora. Repare a enquadrada que ela dá em Virgulino:
– Como é, quer me levar ou quer que eu lhe acompanhe? – sapecou a baiana, idos de 1929, dos 18 para 19 anos, deixando Lampião, acossado, risinho amarelo fora dos beiços.
Foi a primeira cantada de uma mulher em um homem no Nordeste brasileiro. Reza a lenda e quem tiver sua realidade que não me venha botar gosto ruim na história.
O temido bandoleiro, que já havia deixado um rastro de sangue pelos sertões, estava diante de uma mulher que o fazia tremer como vara verde de canafístola:
– Como você quiser, Maria; eu também quero. Se estiver disposta a me acompanhar, vambora” – respondeu, assombrado com a danação da pequena.
E lá estava formado, com esse diálogo fumegante, o casal mais lendário do Nordwestern – Bonnie & Clyde é muito pouco, quase nada diante das aventuras desta parelha.
A moreninha mignon, olhos enfeitiçadores – charmosamente estrábicos, como amo isso! –, era a primeira fêmea a participar de um bando de cangaceiros, uma história dominada pelos homens desde que o século 18, quando o pernambucano José Gomes (1751-1776), o Cabeleira, deu início a este ramo.
O pioneirismo de Maria Gomes de Oliveira enfrentou resistência. A suspeita dos cabras de Lampião era que a presença feminina enfraqueceria o cangaço, facilitando a captura dos fora-da-lei por parte das forças policiais ou “volantes”, como eram conhecidas.
“Homem de batalha não pode andar com mulher. Se ele tem uma relação, perde a oração, e seu corpo fica como uma melancia: qualquer bala atravessa”, declarou o cangaceiro Balão.
O sociólogo e psicanalista cearense Daniel Lins, no seu livro “Lampião, o Homem que Amava as Mulheres” (ed. Annablume) mostra o contrário. A tropa ganhou mais força com a presença delas.
[…]
SÁ, Xico. Disponível em: http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/
2014/03/08/o-dia-em-que-maria-fez-lampiao-tremer-de-amor/ Acessado em 08/03/2014
Com base no texto 8, analise as afirmativas abaixo.
1. O enunciado “Essa menina que enjoou da boneca mais cedo do que as outras.” exemplifica a função ideacional, com participantes, processo e circunstância bem definidos.
2. No enunciado “Se estiver disposta a me acompanhar, vambora”, a função interacional se realiza através de um comando, suavizado pela condição hipotética que o antecede.
3. Em: “pelo destemor de se jogar” (segundo parágrafo) e “uma mulher que o fazia tremer” (quinto parágrafo), os verbos de ação destacados são elementos linguísticos que sinalizam a função interacional do texto.
4. Na passagem “Foi a primeira cantada de uma mulher em um homem no Nordeste brasileiro”, há recursos linguísticos, como advérbios e adjetivos enfáticos, que expressam a subjetividade e valoração do autor.
5. O autor faz uso de diversos elementos temporais que contribuem para a progressão cronológica do texto, como na construção “E lá estava formado, com esse diálogo fumegante, o casal mais lendário […]”.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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Texto 8
O dia em que Maria fez Lampião tremer de amor
Dia Internacional da Mulher, dia de aniversário de Maria Bonita.
Essa menina que enjoou da boneca mais cedo do que as outras.
Essa baixinha invocada. Tipo que a gente gama pela brabeza e pelo destemor de se jogar lindamente sob o solzão estralado da existência.
Pense em uma mulher bem-resolvida, meu caro Sigmund. Melhor: uma mulher que sabia o que queria no calor da hora. Repare a enquadrada que ela dá em Virgulino:
– Como é, quer me levar ou quer que eu lhe acompanhe? – sapecou a baiana, idos de 1929, dos 18 para 19 anos, deixando Lampião, acossado, risinho amarelo fora dos beiços.
Foi a primeira cantada de uma mulher em um homem no Nordeste brasileiro. Reza a lenda e quem tiver sua realidade que não me venha botar gosto ruim na história.
O temido bandoleiro, que já havia deixado um rastro de sangue pelos sertões, estava diante de uma mulher que o fazia tremer como vara verde de canafístola:
– Como você quiser, Maria; eu também quero. Se estiver disposta a me acompanhar, vambora” – respondeu, assombrado com a danação da pequena.
E lá estava formado, com esse diálogo fumegante, o casal mais lendário do Nordwestern – Bonnie & Clyde é muito pouco, quase nada diante das aventuras desta parelha.
A moreninha mignon, olhos enfeitiçadores – charmosamente estrábicos, como amo isso! –, era a primeira fêmea a participar de um bando de cangaceiros, uma história dominada pelos homens desde que o século 18, quando o pernambucano José Gomes (1751-1776), o Cabeleira, deu início a este ramo.
O pioneirismo de Maria Gomes de Oliveira enfrentou resistência. A suspeita dos cabras de Lampião era que a presença feminina enfraqueceria o cangaço, facilitando a captura dos fora-da-lei por parte das forças policiais ou “volantes”, como eram conhecidas.
“Homem de batalha não pode andar com mulher. Se ele tem uma relação, perde a oração, e seu corpo fica como uma melancia: qualquer bala atravessa”, declarou o cangaceiro Balão.
O sociólogo e psicanalista cearense Daniel Lins, no seu livro “Lampião, o Homem que Amava as Mulheres” (ed. Annablume) mostra o contrário. A tropa ganhou mais força com a presença delas.
[…]
SÁ, Xico. Disponível em: http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/
2014/03/08/o-dia-em-que-maria-fez-lampiao-tremer-de-amor/ Acessado em 08/03/2014
Analise as afirmativas abaixo, considerando o texto 8.
1. Há uma relação de comparação na construção “Bonnie & Clyde é muito pouco quase nada diante das aventuras desta parelha”, sendo que o termo “parelha” poderia ser substituído, sem prejuízo de sentido, por “casal”.
2. O texto é marcado pela intertextualidade, exigindo do leitor amplo conhecimento de mundo, como se infere pela menção aos nomes de José Gomes e de Maria Gomes de Oliveira, personagens fundamentais no enredo narrativo.
3. O texto faz uma paródia das narrativas sobre a relação amorosa de Lampião e Maria Bonita, com fins de fazer uma homenagem às mulheres no dia da mulher.
4. A construção “e quem tiver sua realidade que não me venha botar gosto ruim na história” funciona como uma espécie de aviso implícito ao leitor.
5. O texto apresenta elementos típicos da oralidade, como o uso do imperativo, de frases marcadamente expressivas, de construções e termos coloquiais.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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