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Lugar das almas
Li este texto outro dia, quando especulava um interessante site da Internet:
“Meu pai, que gosta de se considerar um sujeito objetivo e pragmático, usa o termo poeta como uma espécie de xingamento. “Fulano é um poeta”, ele diz, querendo dizer “fulano é um irresponsável, um incompetente, vive fora da realidade”. A verdade é que, como já disse o grande escritor argentino Jorge Luis Borges, em tom de blague, a gente é obrigado a se relacionar com poetas – ou até mesmo com gente pior.
E no entanto meu pai tem, sim, e muito mal disfarçada, uma veia poética que sangra regularmente. Ele lê furiosamente, curte palavras charmosas e inteiramente fora de moda, faz questão de escolher expressões evocativas e nostálgicas para se referir aos objetos mais comuns. “Bacia das almas” é o nome que ele deu a uma bacia de alumínio do seu galpão de ferramentas, à qual remete todas as porcas, arruelas e para fusos para os quais não vê aplicação imediata. É na “Bacia das almas” que vão repousar, talvez para sempre, os objetos rejeitados, tortos, gastos, empenados, os que não se encaixam; é lá que viverão eles na improvável esperança de se tornarem úteis novamente, ou, quem sabe, pela primeira vez.”
Lembrei-me, enquanto lia esse texto tão sugestivo, de que o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu há muito tempo um livro chamado Brejo das Almas – nome que ele tomou emprestado de uma cidadezinha mineira. É um livro melancólico, e o título espelha bem o estado de ânimo em que se encontrava ele quando escreveu aqueles poemas. Como se vê, assim como acontece com parafusos tortos e outras tranqueiras inúteis, também conosco parece às vezes não haver outro remédio senão irmos parar numa bacia de alumínio, onde jogamos nossas almas, ou num brejo, onde elas podem atolar.
(Belisário de Lima Tenório)
Considere as afirmações abaixo.
I. No contexto em que surge, a expressão Ele lê furiosamente caracteriza bem o desagrado que marca a eventual relação do pai com os textos poéticos.
II. A denominação “bacia das almas” é apresentada, no relato do filho, como comprovação do extravasamento da veia poética do pai.
III. Fica claro, no texto, que ao se valer da expressão “bacia das almas” o pai se inspirou na expressão que deu o título ao referido livro de Drummond.
Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em
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Homem de 27 anos sofreu acidente de motocicleta com capacete, evoluindo inconsciente desde o início. Em sua avaliação inicial não são evidenciadas alterações ao exame clínico geral. O paciente está agitado e apresentase sem abertura ocular, com resposta motora sem localização de estímulos, porém sem posturas patológicas e sem resposta verbal. As pupilas são mióticas e fotorreagentes. O paciente é colocado em ventilação mecânica e a PA é 160 × 100 mmHg. A tomografia de crânio mostra hipoatenuação difusa do encéfalo com apagamento de sulcos, cisternas e do sistema ventricular, porém sem desvio de linha média. Tomografia de coluna descarta trauma e instabilidade da coluna cervical. É colocada monitoração intraparenqui-matosa de pressão intracraniana (PIC) que marca 40 mmHg.
É correto afirmar que
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Mulher de 45 anos apresentou visão borrada no olho esquerdo, sobretudo para leitura. O exame neuroftalmológico mostra anisocoria, com pupila esquerda medindo 5 mm e esquerda 3 mm. O reflexo fotomotor à direita era normal e à esquerda era lento devido a paralisia segmentar do esfíncter da pupila. A instilação de colírio de pilocarpina a 0,1% revela constrição pupilar. O restante do exame neurológico mostrava apenas arreflexia global. O diagnóstico provável é:
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Mulher de 37 anos com crises recorrentes de cefaléia unilateral, intensa, com melhora em cerca de 6 horas com analgésicos simples. O exame clínico e neurológico são normais. O critério necessário para o diagnóstico de enxaqueca sem aura é:
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A memória
A memória, por vezes, é uma maldição. Meu querido amigo Amilcar Herrera me confessou: “Eu desejaria, um dia, acordar havendo me esquecido do meu nome...” Não entendi. Esquecer o próprio nome deve ser uma experiência muito estranha. Aí ele explicou: “Quando eu me levanto e sei que meu nome é Amilcar Herrera, sei também tudo o que se espera de mim. O meu nome diz o que devo ser, o que devo pensar, o que devo falar. Meu nome é uma gaiola em que estou preso. Mas se, ao acordar, eu tiver me esquecido do meu nome, terei me esquecido também de tudo que se espera de mim. Se nada se espera de mim, estou livre para ser aquilo que nunca fui. Começarei a viver minha vida a partir de mim mesmo, e não a partir do nome que me deram e pelo qual sou conhecido.”
Entendi na hora e fiz ligação com algo que o poeta Alberto Caeiro escreveu: “Procuro despir-me do que aprendi, procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar minhas emoções verdadeiras, desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro, mas um animal humano que a natureza produziu”.
(Adaptado de Rubem Alves, Quarto de badulaques)
Considere as afirmações abaixo sobre o texto.
I. As posições de Amilcar Herrera e Alberto Caeiro são contraditórias entre si, embora digam respeito ao mesmo assunto.
II. Para Amilcar Herrera, quem perde a memória do próprio nome liberta-se das expectativas criadas em relação à sua conduta.
III Para Alberto Caeiro, o próprio processo de lembrar as coisas resulta não da natureza, mas de um aprendizado que acabou sendo imposto.
Em relação ao texto está correto o que se afirma em
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Com relação à ADEM (encefalomielite disseminada aguda), é INCORRETO afirmar que:
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A memória
A memória, por vezes, é uma maldição. Meu querido amigo Amilcar Herrera me confessou: “Eu desejaria, um dia, acordar havendo me esquecido do meu nome...” Não entendi. Esquecer o próprio nome deve ser uma experiência muito estranha. Aí ele explicou: “Quando eu me levanto e sei que meu nome é Amilcar Herrera, sei também tudo o que se espera de mim. O meu nome diz o que devo ser, o que devo pensar, o que devo falar. Meu nome é uma gaiola em que estou preso. Mas se, ao acordar, eu tiver me esquecido do meu nome, terei me esquecido também de tudo que se espera de mim. Se nada se espera de mim, estou livre para ser aquilo que nunca fui. Começarei a viver minha vida a partir de mim mesmo, e não a partir do nome que me deram e pelo qual sou conhecido.”
Entendi na hora e fiz ligação com algo que o poeta Alberto Caeiro escreveu: “Procuro despir-me do que aprendi, procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar minhas emoções verdadeiras, desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro, mas um animal humano que a natureza produziu”.
(Adaptado de Rubem Alves, Quarto de badulaques)
Caso se substitua o termo sublinhado na frase Meu nome é uma gaiola em que estou preso pelo termo ......, a expressão em que estou deverá ser substituída por ...... .
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima:
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A memória
A memória, por vezes, é uma maldição. Meu querido amigo Amilcar Herrera me confessou: “Eu desejaria, um dia, acordar havendo me esquecido do meu nome...” Não entendi. Esquecer o próprio nome deve ser uma experiência muito estranha. Aí ele explicou: “Quando eu me levanto e sei que meu nome é Amilcar Herrera, sei também tudo o que se espera de mim. O meu nome diz o que devo ser, o que devo pensar, o que devo falar. Meu nome é uma gaiola em que estou preso. Mas se, ao acordar, eu tiver me esquecido do meu nome, terei me esquecido também de tudo que se espera de mim. Se nada se espera de mim, estou livre para ser aquilo que nunca fui. Começarei a viver minha vida a partir de mim mesmo, e não a partir do nome que me deram e pelo qual sou conhecido.”
Entendi na hora e fiz ligação com algo que o poeta Alberto Caeiro escreveu: “Procuro despir-me do que aprendi, procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar minhas emoções verdadeiras, desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro, mas um animal humano que a natureza produziu”.
(Adaptado de Rubem Alves, Quarto de badulaques)
A afirmação de que a memória, por vezes, é uma maldição justifica-se, de acordo com a argumentação do texto, pelo fato de que a memória
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Com relação ao uso de drogas antiepilépticas em mulheres é correto afirmar que
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Com relação à esclerose múltipla, é INCORRETO afirmar que:
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