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Foram encontradas 280 questões.

197630 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Pref. Arapiraca-AL
Orgão: Pref. Arapiraca-AL

ATENÇÃO: Leia o texto abaixo para responder as questões de 8 a 9.


CONTINHO

Era uma vez um menino triste, magro e barrigudinho, do sertão de Pernambuco. Na soalheira danada de meio-dia, ele estava sentado na poeira do caminho, imaginando bobagem, quando passou um gordo vigário a cavalo:

- Você aí, menino, para onde vai essa estrada?

- Ela não vai não: nós é que vamos nela.

- Engraçadinho duma figa! Como se chama?

- Eu não me chamo não, os outros é que me chamam de Zé.


(Paulo Mendes Campos. Crônica 1. São Paulo: Ática, 2002.p.76)

No texto, há a construção de um estereótipo de um sertanejo nordestino. Dentre as características dele, aponte aquela que NÃO contribui para a construção desse estereótipo:

 

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197629 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Pref. Arapiraca-AL
Orgão: Pref. Arapiraca-AL
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No âmbito da linguagem, a metáfora consiste em nomear um conceito de um dado domínio de conhecimento pelo emprego de uma palavra usual em outro domínio. Desse modo, assinale a opção que não apresenta expressão de uso metafórico:

 

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ATENÇÃO: Leia o texto abaixo para responder as questões de 8 a 10.


ANEDOTA


Um músico mambembe resolve ganhar algum dinheiro tocando sanfona no meio da praça. Aparece um

fiscal e o interrompe:

– Você tem licença?

– Não.

5 – Então me acompanhe.

– Claro. E que música o senhor vai cantar?


Brasil: almanaque de cultura popular. São Paulo, n. 97, maio 2007.

No que diz respeito aos elementos linguísticos do texto, aponte a afirmação INCORRETA:

 

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197627 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Pref. Arapiraca-AL
Orgão: Pref. Arapiraca-AL
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ATENÇÃO: Leia o texto abaixo para responder as questões de 9 a 12.


A MULHER E A PATROA


Há homens que têm patroa. Ela sempre está em casa quando ele chega do trabalho. O jantar é

rapidamente servido à mesa. Ela recebe um apertão na bochecha. A patroa pode ser jovem e bonita, mas

tem uma atitude subserviente, o que lhe confere um certo ar robusto, como se fosse uma senhora de muitos

anos atrás.

5 Há homens que têm mulher. Uma mulher que está em casa na hora que pode, às vezes chega antes

dele, às vezes depois. Sua casa não é sua jaula nem seu fogão é industrial. A mulher beija seu marido na boca

quando o encontra no fim do dia e recebe dele o melhor dos abraços. A mulher pode ser robusta e até meio

feia, mas sua independência lhe confere um ar de garota, regente de si mesma.

Há homens que têm patroa, e mesmo que ela tenha tido apenas um filho, ou um casal, parece que

10 gerou uma ninhada, tanto as crianças a solicitam e ela lhes é devota. A patroa é uma santa, muito boa esposa

e muito boa mãe, tão boa que é assim que o marido a chama quando não a chama de patroa: mãezinha.

Há homens que têm mulher. Minha mulher, Suzana. Minha mulher, Cristina. Minha mulher, Tereza.

Mulheres que têm nome, que só são chamadas de mãe pelos filhos, que não arrastam os pés pela casa nem

confiscam o salário do marido, porque elas têm o dela. Não mandam nos caras, não obedecem os caras:

15 convivem com eles.

Há homens que têm patroa. Vou ligar pra patroa. Vou perguntar pra patroa. Vou buscar a patroa. É

carinho, dizem. s vezes, é deboche. Quase sempre é muito cafona.

Há homens que têm mulher. Vou ligar para minha mulher. Vou perguntar para minha mulher. Vou

buscar minha mulher. Não há subordinação consentida ou disfarçada. Não há patrões nem empregados. Há

20 algo sexy no ar.

Há homens que têm patroa.

Há homens que têm mulher.

E há mulheres que escolhem o que querem ser.

Martha Medeiros

Disponível em: http://saiavip.com.br/a-mulher-e-a-patroa/

Acessado em 29/03/2018

Em Língua Portuguesa, a variação linguística é inegável, principalmente ao se levar em consideração as diversas situações de comunicação, o que perpassa a escolha adequada do gênero de texto, do registro linguístico, do vocabulário específico para cada referente, além da adequação ao interlocutor. Visto que no texto as formas “patroa” e “mulher” não possuem o mesmo conteúdo semântico, assinale a opção que demonstra CORRETA interpretação acerca da variação “pra” e “para” nas construções “Vou ligar pra patroa” e “Vou ligar para minha mulher”.

 

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197626 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Pref. Arapiraca-AL
Orgão: Pref. Arapiraca-AL
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ATENÇÃO: Leia o texto abaixo para responder as questões de 1 a 5.

QUEM TEM MEDO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?

A preocupação de muitas pessoas a respeito da inteligência artificial reside no fenômeno chamado

de ‘singularidade’. Esse conceito se refere ao momento em que as inteligências artificiais (IAs) estarão tão

desenvolvidas a ponto de superarem os próprios seres humanos. Talvez, devido à influência da ficção, as

especulações a respeito do futuro pós-singularidade sejam sempre negativas. Mesmo porque, se os

5 computadores se tornassem mais inteligentes do que nós, perceberiam facilmente que a raça humana não é

tão benéfica para o planeta nem para as outras espécies, além de ser inútil para os robôs, uma vez que é

menos eficiente em todos os tipos de tarefas.

Então, o que impediria os robôs de nos escravizarem ou de dizimarem a nossa espécie? Será que as

máquinas seriam fiéis às três leis da robótica de Isaac Asimov, descritas no clássico Eu, Robô, de 1950? São

10 elas: “Um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal; os robôs devem

obedecer às ordens dos humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a primeira

lei; um robô deve proteger sua própria existência, desde que não entre em conflito com as leis anteriores.”

Apesar de alguns cientistas e, principalmente, entusiastas da tecnologia calcularem que, dentro de

algumas décadas, atingiremos a singularidade, outra ala da ciência se mostra cética à chegada desse

15 momento.

O cofundador da Microsoft, Paul Allen, publicou um texto na revista MIT Technology

Review elencando uma série de argumentos contrários à chegada próxima da singularidade. Ele aponta que

precisamos levar em conta a necessidade de desenvolvimento também na área da cognição humana, que

ainda está muito atrás do desenvolvimento da ciência na área da computação. Além disso, a história da

20 ciência mostra que o avanço tecnológico não caminha em ritmo constante e em uma linha reta, muito menos

em uma eterna curva exponencial.

A BBC publicou reportagem sobre um trabalho da Universidade de Oxford que verificou quão

suscetível à automação cada emprego está nos próximos 20 anos. Alguns estão listados na tabela abaixo:

Enunciado 4707392-1

Devemos entrar em pânico? A história das Revoluções Industriais mostra que, sim, esses são

25 períodos difíceis para quem os vive. Mas é certo que novas formas de emprego surgirão e, aos poucos, a

sociedade irá se adaptar a elas. Além disso, as inteligências artificiais também trarão diversos benefícios, que

tornarão a nossa vida um pouco mais fácil e nos permitirão abrir mão de fazer determinadas tarefas (que IAs

podem executar) para nos dedicarmos a outras.


Disponível em: http://cienciahoje.org.br/artigo/quem-tem-medo-da-inteligencia-artificial/ Acessado em: 29/03/2019

Levando em consideração os elementos e a estrutura que compõem o referido texto, pode-se afirmar que o mesmo é considerado um exemplar do gênero:

 

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197625 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Pref. Arapiraca-AL
Orgão: Pref. Arapiraca-AL

No que diz respeito à ordem e à colocação das palavras na oração, os adjetivos, algumas vezes, podem ser colocados antes ou depois dos nomes que acompanham. Assinale a opção que NÃO apresenta a mesma restrição do adjetivo “atropelados” em “animais atropelados”:

 

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197624 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Pref. Arapiraca-AL
Orgão: Pref. Arapiraca-AL
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Identifique, na oração a seguir, o emprego do verbo “haver” e o seu padrão de concordância, respectivamente e, em seguida, assinale a opção CORRETA:

Os agricultores houveram do patrão o legado da terra.

 

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Atenção: Leia o texto abaixo para responder as questões de 1 a 10.


UM APÓLOGO


Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

- Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?

- Deixe-me, senhora.

- Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre

5 que me der na cabeça.

- Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada

qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

- Mas você é orgulhosa.

- Decerto que sou.

10 - Mas por quê?

- É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

- Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?

- Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...

- Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu

15 faço e mando...

- Também os batedores vão adiante do imperador.

- Você é imperador?

- Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai

fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...

20 Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma

baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da

agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano

adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana - para dar a isto uma

cor poética. E dizia a agulha:

25 - Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo;

eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima.

A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa como

quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se

também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic plic-plic da agulha no

30 pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no

quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho,

para dar algum ponto necessário. E quando compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava

daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:

35 - Ora agora, diga-me quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é

que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio

das mucamas? Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre

agulha:

40 - Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha

de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: - Também eu tenho servido de

agulha a muita linha ordinária!

Machado de Assis. Disponível em: http://contobrasileiro.com.br/um-apologo-conto-de-machado-de-assis/ Acessado em 29/03/2019

De acordo com a temática geral tratada no texto e, de modo metafórico, considerando as relações existentes em um ambiente de trabalho, aponte a opção que NÃO corresponde a uma ideia presente no texto:

 

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197622 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Pref. Arapiraca-AL
Orgão: Pref. Arapiraca-AL
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ATENÇÃO: Leia o texto abaixo para responder as questões de 1 a 5.

QUEM TEM MEDO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?

A preocupação de muitas pessoas a respeito da inteligência artificial reside no fenômeno chamado

de ‘singularidade’. Esse conceito se refere ao momento em que as inteligências artificiais (IAs) estarão tão

desenvolvidas a ponto de superarem os próprios seres humanos. Talvez, devido à influência da ficção, as

especulações a respeito do futuro pós-singularidade sejam sempre negativas. Mesmo porque, se os

5 computadores se tornassem mais inteligentes do que nós, perceberiam facilmente que a raça humana não é

tão benéfica para o planeta nem para as outras espécies, além de ser inútil para os robôs, uma vez que é

menos eficiente em todos os tipos de tarefas.

Então, o que impediria os robôs de nos escravizarem ou de dizimarem a nossa espécie? Será que as

máquinas seriam fiéis às três leis da robótica de Isaac Asimov, descritas no clássico Eu, Robô, de 1950? São

10 elas: “Um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal; os robôs devem

obedecer às ordens dos humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a primeira

lei; um robô deve proteger sua própria existência, desde que não entre em conflito com as leis anteriores.”

Apesar de alguns cientistas e, principalmente, entusiastas da tecnologia calcularem que, dentro de

algumas décadas, atingiremos a singularidade, outra ala da ciência se mostra cética à chegada desse

15 momento.

O cofundador da Microsoft, Paul Allen, publicou um texto na revista MIT Technology

Review elencando uma série de argumentos contrários à chegada próxima da singularidade. Ele aponta que

precisamos levar em conta a necessidade de desenvolvimento também na área da cognição humana, que

ainda está muito atrás do desenvolvimento da ciência na área da computação. Além disso, a história da

20 ciência mostra que o avanço tecnológico não caminha em ritmo constante e em uma linha reta, muito menos

em uma eterna curva exponencial.

A BBC publicou reportagem sobre um trabalho da Universidade de Oxford que verificou quão

suscetível à automação cada emprego está nos próximos 20 anos. Alguns estão listados na tabela abaixo:

Enunciado 4707394-1

Devemos entrar em pânico? A história das Revoluções Industriais mostra que, sim, esses são

25 períodos difíceis para quem os vive. Mas é certo que novas formas de emprego surgirão e, aos poucos, a

sociedade irá se adaptar a elas. Além disso, as inteligências artificiais também trarão diversos benefícios, que

tornarão a nossa vida um pouco mais fácil e nos permitirão abrir mão de fazer determinadas tarefas (que IAs

podem executar) para nos dedicarmos a outras.


Disponível em: http://cienciahoje.org.br/artigo/quem-tem-medo-da-inteligencia-artificial/ Acessado em: 29/03/2019

Acerca dos valores semânticos dos conectivos e seus funcionamentos no texto, marque a opção que demonstra, com bases nos exemplos retirados de Neves (2018), a mesma relação lógico-semântica do conectivo “ou” no período “Um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal” (L.10):

 

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Atenção: Leia o texto abaixo para responder as questões de 1 a 3.

E POR FALAR EM LADRÃO DE GALINHAS...

Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia.

- Que vida mansa, heim, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai

para cadeia!

- Não era para mim não. Era para vender.

5 - Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!

- Mas eu vendia mais caro.

- Mais caro?

- Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas não. E que as do galinheiro

botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.

10 - Mas eram as mesmas galinhas, safado.

- Os ovos das minhas eu pintava.

- Que grande pilantra...

Mas já havia um certo respeito no tom do delegado.

- Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...

15 - Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e

ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos

outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.

- E o que você faz com o lucro do seu negócio?

- Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três

20 ministros. Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do

governo e superfaturo os preços.

O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não

queria uma almofada. Depois perguntou:

- Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?

25 - Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no

exterior.

- E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?

- s vezes. Sabe como é.

- Não sei não, excelência. Me explique.

30 - É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa.

Do risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo.

Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora. Fui preso, finalmente.

Vou para a cadeia. É uma experiência nova.

- O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.

35 - Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!

- Sim. Mas primário, e com esses antecedentes...


Luis Fernando Veríssimo

Disponível em: https://www.pensador.com/textos_de_luis_fernando_verissimo/ Acessado em: 26/03/2019

No texto, é possível notar uma mudança de comportamento do delegado em relação ao ladrão de galinhas. Essa mudança, que ocorre de modo gradual, é evidenciada pelo modo de o delegado tratar o ladrão. Aponte a opção que expõe a sequência CORRETA quanto à mudança de tratamento do delegado para se referir ao ladrão:

 

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