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A ameaça da canção de ninar
Betty Milan
Quem dorme aceita se retirar da realidade e ficar indefeso. Essa retirada, sem a qual nós não vivemos, pode ser angustiante e deve ser facilitada. Por isso, espera-se de uma canção de ninar que seja apaziguadora. No entanto, ainda hoje, no Brasil, ouve-se a canção aterradora com a qual eu fui criada.
Tive o desprazer de constatar isso ligando a Rede Globo e vendo um ator que a cantava, enquanto segurava um bebê nos braços: "Dorme, nenê, que a cuca vem pegar / Papai foi pra roça / Mamãe foi passear". O rosto do ator era bonito e o bebê, comovente — dois anjos. Mas, sem ter consciência do que fazia, o ator ameaçava a criança. Dizia-lhe que o pai e a mãe estavam ausentes, e, caso ela não dormisse, a cuca a levaria.
Popularmente, a cuca é uma velha feia parecida com um jacaré. Segundo o Aurélio, um bicho-papão, um papa-gente. E, de acordo com Monteiro Lobato, uma bruxa com as unhas compridas como as de um gavião.
Como explicar a vigência de uma canção de ninar tão assustadora, se não pelo sadismo dos adultos em relação às crianças? Um sadismo cujas consequências podem ser nefastas. A educação começa no berço, com as primeiras palavras, que tanto podem abrir quanto fechar os nossos caminhos. Isso significa que o educador — o pai, a mãe ou outra pessoa — precisa atentar para o que diz. Em vez de fazer menção à cuca, por que não escolher, por exemplo, uma canção de ninar como a dos Beatles, Good Night? "Hora de dizer boa-noite / Boa noite, durma bem / O sol agora apagou a sua luz / Boa noite, durma bem". Uma canção que associa o sono à desaparição do sol, fazendo dele um fenômeno natural.
Ninguém é obrigado a procriar. A obrigação está fora de moda. Mas quem tiver filho precisa se ocupar dele durante a infância com devoção e inteligência, contrariando os hábitos, se preciso for. A vida não é fácil e, para evitar dificuldades futuras, a prevenção é sempre melhor do que o tratamento. Nós só nos esquecemos disso porque não somos educados para ser felizes, e sim para repetir o que os outros fizeram sem se questionar.
Veja, 24 de agosto de 2011 – p. 120.
Em relação à educação das crianças,
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2450394
Ano: 2013
Disciplina: Engenharia de Alimentos
Banca: COTEC
Orgão: Pref. Cônego Marinho-MG
Disciplina: Engenharia de Alimentos
Banca: COTEC
Orgão: Pref. Cônego Marinho-MG
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Assinale os fatores que interferem no dimensionamento de área de uma unidade de alimentação e nutrição (UAN).
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A ameaça da canção de ninar
Betty Milan
Quem dorme aceita se retirar da realidade e ficar indefeso. Essa retirada, sem a qual nós não vivemos, pode ser angustiante e deve ser facilitada. Por isso, espera-se de uma canção de ninar que seja apaziguadora. No entanto, ainda hoje, no Brasil, ouve-se a canção aterradora com a qual eu fui criada.
Tive o desprazer de constatar isso ligando a Rede Globo e vendo um ator que a cantava, enquanto segurava um bebê nos braços: "Dorme, nenê, que a cuca vem pegar / Papai foi pra roça / Mamãe foi passear". O rosto do ator era bonito e o bebê, comovente — dois anjos. Mas, sem ter consciência do que fazia, o ator ameaçava a criança. Dizia-lhe que o pai e a mãe estavam ausentes, e, caso ela não dormisse, a cuca a levaria.
Popularmente, a cuca é uma velha feia parecida com um jacaré. Segundo o Aurélio, um bicho-papão, um papa-gente. E, de acordo com Monteiro Lobato, uma bruxa com as unhas compridas como as de um gavião.
Como explicar a vigência de uma canção de ninar tão assustadora, se não pelo sadismo dos adultos em relação às crianças? Um sadismo cujas consequências podem ser nefastas. A educação começa no berço, com as primeiras palavras, que tanto podem abrir quanto fechar os nossos caminhos. Isso significa que o educador — o pai, a mãe ou outra pessoa — precisa atentar para o que diz. Em vez de fazer menção à cuca, por que não escolher, por exemplo, uma canção de ninar como a dos Beatles, Good Night? "Hora de dizer boa-noite / Boa noite, durma bem / O sol agora apagou a sua luz / Boa noite, durma bem". Uma canção que associa o sono à desaparição do sol, fazendo dele um fenômeno natural.
Ninguém é obrigado a procriar. A obrigação está fora de moda. Mas quem tiver filho precisa se ocupar dele durante a infância com devoção e inteligência, contrariando os hábitos, se preciso for. A vida não é fácil e, para evitar dificuldades futuras, a prevenção é sempre melhor do que o tratamento. Nós só nos esquecemos disso porque não somos educados para ser felizes, e sim para repetir o que os outros fizeram sem se questionar.
Veja, 24 de agosto de 2011 – p. 120.
A autora alude a uma canção da sua infância
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Sobre as carnes, NÃO é correto afirmar:
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A ameaça da canção de ninar
Betty Milan
Quem dorme aceita se retirar da realidade e ficar indefeso. Essa retirada, sem a qual nós não vivemos, pode ser angustiante e deve ser facilitada. Por isso, espera-se de uma canção de ninar que seja apaziguadora. No entanto, ainda hoje, no Brasil, ouve-se a canção aterradora com a qual eu fui criada.
Tive o desprazer de constatar isso ligando a Rede Globo e vendo um ator que a cantava, enquanto segurava um bebê nos braços: "Dorme, nenê, que a cuca vem pegar / Papai foi pra roça / Mamãe foi passear". O rosto do ator era bonito e o bebê, comovente — dois anjos. Mas, sem ter consciência do que fazia, o ator ameaçava a criança. Dizia-lhe que o pai e a mãe estavam ausentes, e, caso ela não dormisse, a cuca a levaria.
Popularmente, a cuca é uma velha feia parecida com um jacaré. Segundo o Aurélio, um bicho-papão, um papa-gente. E, de acordo com Monteiro Lobato, uma bruxa com as unhas compridas como as de um gavião.
Como explicar a vigência de uma canção de ninar tão assustadora, se não pelo sadismo dos adultos em relação às crianças? Um sadismo cujas consequências podem ser nefastas. A educação começa no berço, com as primeiras palavras, que tanto podem abrir quanto fechar os nossos caminhos. Isso significa que o educador — o pai, a mãe ou outra pessoa — precisa atentar para o que diz. Em vez de fazer menção à cuca, por que não escolher, por exemplo, uma canção de ninar como a dos Beatles, Good Night? "Hora de dizer boa-noite / Boa noite, durma bem / O sol agora apagou a sua luz / Boa noite, durma bem". Uma canção que associa o sono à desaparição do sol, fazendo dele um fenômeno natural.
Ninguém é obrigado a procriar. A obrigação está fora de moda. Mas quem tiver filho precisa se ocupar dele durante a infância com devoção e inteligência, contrariando os hábitos, se preciso for. A vida não é fácil e, para evitar dificuldades futuras, a prevenção é sempre melhor do que o tratamento. Nós só nos esquecemos disso porque não somos educados para ser felizes, e sim para repetir o que os outros fizeram sem se questionar.
Veja, 24 de agosto de 2011 – p. 120.
Nas palavras a seguir, retiradas do texto, a acentuação gráfica das palavras obedece à mesma regra de acentuação ditada pela Norma Padrão, EXCETO em
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