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Observe a imagem a seguir para responder à questão.

Disponível em: https://www.instagram.com/boletimbrio/?e=22c08dbfa0b0-4b4a-afde-9d97d8c84d39&g=5. Acesso em 10/05/2026.
( ) “Passatempo” é uma palavra composta por justaposição, formada pela união de dois radicais sem alteração fonética significativa.
( ) A formação da palavra ocorre por aglutinação mantendo autonomia estrutural identificável na formação do novo termo.
( ) Houve perda de elementos fonéticos durante a formação da palavra.
( ) A palavra apresenta mais de um radical.
( ) A formação da palavra ocorre por derivação parassintética.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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Disponível em: https://www.instagram.com/boletimbrio/?e=22c08dbfa0b0-4b4a-afde-9d97d8c84d39&g=5. Acesso em 10/05/2026.
I. O enunciado mobiliza uma implicatura conversacional ao sugerir, por meio da estrutura disjuntiva "ou", que as duas opções não são necessariamente excludentes. O leitor atento infere que o programa BBB pode ser simultaneamente entretenimento e instrumento de autorreflexão.
II. A palavra "laboratório", empregada em sentido conotativo, produz efeito de ressignificação do objeto discursivo: desloca o BBB do campo do entretenimento trivial para o da observação sistemática do comportamento humano, dependendo do repertório sociocultural do leitor para ser interpretada dessa forma.
III. O significado do enunciado é integralmente determinado pela sua estrutura linguística explícita, independentemente do contexto de circulação, do suporte midiático ou dos conhecimentos prévios compartilhados entre emissor e receptor.
IV. A escolha do gênero pergunta retórica é uma estratégia enunciativa que posiciona o leitor como agente da construção de sentido, produzindo efeito de engajamento e de interpelação direta.
V. O contexto de publicação em um perfil jornalístico do Instagram (boletimbrio) integra o processo de significação: a plataforma, o público-alvo presumido e o caráter editorial da postagem orientam a interpretação do enunciado para além do que está literalmente escrito.
Após análise, conclui-se que estão corretas:
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Disponível em:
https://www.instagram.com/realmarthamedeiros/p/DXWtNxajkcQ/.
Acesso em 17/05/2026.
“Todo vexame advém da falta de timing.”
Com base nos conceitos gramaticais de frase, oração e período, analise as afirmativas a seguir e julgue-as como verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) O enunciado constitui uma frase verbal, pois apresenta verbo e sentido completo.
( ) O trecho apresenta apenas uma oração, caracterizando um período simples.
( ) O verbo “advém” funciona como núcleo da oração presente no período.
( ) O segmento “da falta de timing” constitui uma oração subordinada substantiva completiva nominal.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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Acesso em 17/05/2026.
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Acesso em 17/05/2026.
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
BBB: O ESPELHO QUE A GENTE EVITA — MAS NÃO CONSEGUE PARAR DE OLHAR
Patrícia Silva Rosas de Araújo
O que parecia improvável aconteceu: voltei a assistir ao Big Brother Brasil. Minha única referência era a estreia, em 2002. Naquele tempo, o país inteiro ficou meio hipnotizado ao ver desconhecidos topando o confinamento numa casa cenográfica, cercados por câmeras 24 horas por dia. A lógica segue a mesma até hoje: participantes isolados do mundo, convivendo sob pressão, enfrentando provas, formando alianças, votando uns nos outros e sendo eliminados semanalmente pelo público até que reste um vencedor levando um prêmio milionário.
Voltei agora meio sem querer. Procurava distração num ano que já começou pesado: conflitos internacionais que não cessam, clima eleitoral sempre turvo, alianças políticas difíceis de engolir e até a ansiedade pré-Copa do Mundo, com aquela sensação incômoda de não saber direito quem são nossos craques. 2026 mal começou e já parece cansado.
Nessas horas, a gente tenta escapar por algum canto. Eu, por exemplo, estava esperando a nova temporada de Virgin River. Veio e me decepcionou. A vida de Mel e Jack virou um acúmulo interminável de problemas. Chega uma hora em que cansa. Lembrei de Maya Angelou: "Cada pessoa merece um dia no qual nenhum problema é enfrentado, nenhuma solução é procurada." A série parece não ter entendido isso. Esse desvio todo talvez soe como justificativa. E é mesmo, um pouco. Porque, convenhamos, uma professora universitária tem uma lista infinita de tarefas: aulas, orientações, projetos, reuniões, bancas. Onde entra o BBB nisso tudo?
Entrei sem compromisso, como quem abre a janela só para ver o tempo. Mas o que encontrei não foi exatamente descanso.
A premissa é simples e cruel: coloque pessoas diferentes, algumas com histórias mal resolvidas entre si, dentro da mesma casa, sob vigilância constante e com um prêmio que pode ultrapassar os cinco milhões de reais. Pronto. Está montado o experimento social mais popular do país. E, como em todo experimento, o que aparece ali diz mais sobre nós do que gostaríamos de admitir.
Dessa edição, duas coisas têm me chamado atenção.
A primeira: casa nenhuma é neutra. Toda casa é um campo de disputa, com ou sem prêmio milionário. Convivência é negociação o tempo todo. Há sempre quem queira ordem, rotina, controle. E há quem viva melhor no improviso, tomando café na primeira caneca que aparecer, ou até num copo de extrato de tomate. Dentro de quatro paredes, essas diferenças não desaparecem, elas se amplificam. A casa vira uma panela de pressão. A gente regula o fogo como pode, mas qualquer descuido faz a válvula chiar. A segunda: somos, em grande medida, cegos para nós mesmos. Não temos muita noção do peso das nossas palavras, dos nossos silêncios, dos nossos gestos. No confinamento, isso se intensifica.
A falsa sensação de intimidade embaralha tudo. Quando os participantes saem assistem ao que fizeram lá dentro, o espanto é quase sempre o mesmo. "Eu não sou assim." "Ali dentro é diferente." “Era o jogo." E difícil sustentar a própria imagem quando ela volta editada, repetida, ampliada na tela.
Confesso que um dos momentos que mais me interessam é justamente a eliminação. Quando o participante deixa a casa e encara o mundo de novo, não tem como não lembrar do Mito da Caverna de Platão. Lá dentro, tudo parece fazer sentido. Aqui fora, a luz incomoda. Ver-se de fora exige um tipo de coragem que nem todo mundo tem.
No fim, fico com uma dúvida que não é simples: o que realmente molda o comportamento de quem está ali? É o dinheiro em jogo, capaz de justificar quase qualquer estratégia? Ou é a vigilância constante, esse olho que nunca pisca e que, paradoxalmente, parece distorcer mais do que revelar?
Talvez o desconforto venha justamente daí. O BBB não é só entretenimento. É um espelho meio cruel. E nem todo mundo gosta do que vê quando a luz acende e escuta a frase: "Quem sai hoje, é você"!
ARAÚJO, Patrícia Silva Rosas de. Fala Tu! João Pessoa, v. 1, n. 2, 2026. ISSN 3086-111X. Acesso em16/05/2026.
“Aqui fora, a luz incomoda.”
Assinale a alternativa correta quanto à análise sintática dos termos da oração.
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- SintaxeTermos Essenciais da Oração
- SintaxeConcordância
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Número
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BBB: O ESPELHO QUE A GENTE EVITA —
MAS NÃO CONSEGUE PARAR DE OLHAR
Patrícia Silva Rosas de Araújo
O que parecia improvável aconteceu: voltei
a assistir ao Big Brother Brasil. Minha única
referência era a estreia, em 2002. Naquele tempo,
o país inteiro ficou meio hipnotizado ao ver
desconhecidos topando o confinamento numa
casa cenográfica, cercados por câmeras 24 horas
por dia. A lógica segue a mesma até hoje:
participantes isolados do mundo, convivendo sob
pressão, enfrentando provas, formando alianças,
votando uns nos outros e sendo eliminados
semanalmente pelo público até que reste um
vencedor levando um prêmio milionário.
Voltei agora meio sem querer. Procurava
distração num ano que já começou pesado:
conflitos internacionais que não cessam, clima
eleitoral sempre turvo, alianças políticas difíceis de
engolir e até a ansiedade pré-Copa do Mundo,
com aquela sensação incômoda de não saber
direito quem são nossos craques. 2026 mal
começou e já parece cansado.
Nessas horas, a gente tenta escapar por
algum canto. Eu, por exemplo, estava esperando
a nova temporada de Virgin River. Veio e me
decepcionou. A vida de Mel e Jack virou um
acúmulo interminável de problemas. Chega uma
hora em que cansa. Lembrei de Maya Angelou:
"Cada pessoa merece um dia no qual nenhum
problema é enfrentado, nenhuma solução é
procurada." A série parece não ter entendido isso.
Esse desvio todo talvez soe como justificativa. E é
mesmo, um pouco. Porque, convenhamos, uma
professora universitária tem uma lista infinita de
tarefas: aulas, orientações, projetos, reuniões,
bancas. Onde entra o BBB nisso tudo?
Entrei sem compromisso, como quem abre
a janela só para ver o tempo. Mas o que encontrei
não foi exatamente descanso.
A premissa é simples e cruel: coloque
pessoas diferentes, algumas com histórias mal resolvidas entre si, dentro da mesma casa, sob
vigilância constante e com um prêmio que pode
ultrapassar os cinco milhões de reais. Pronto. Está
montado o experimento social mais popular do
país. E, como em todo experimento, o que
aparece ali diz mais sobre nós do que gostaríamos
de admitir.
Dessa edição, duas coisas têm me
chamado atenção.
A primeira: casa nenhuma é neutra. Toda
casa é um campo de disputa, com ou sem prêmio
milionário. Convivência é negociação o tempo
todo. Há sempre quem queira ordem, rotina,
controle. E há quem viva melhor no improviso,
tomando café na primeira caneca que aparecer, ou
até num copo de extrato de tomate. Dentro de
quatro paredes, essas diferenças não
desaparecem, elas se amplificam. A casa vira uma
panela de pressão. A gente regula o fogo como
pode, mas qualquer descuido faz a válvula chiar.
A segunda: somos, em grande medida, cegos para
nós mesmos. Não temos muita noção do peso das
nossas palavras, dos nossos silêncios, dos nossos
gestos. No confinamento, isso se intensifica.
A falsa sensação de intimidade embaralha
tudo. Quando os participantes saem assistem ao
que fizeram lá dentro, o espanto é quase sempre
o mesmo. "Eu não sou assim." "Ali dentro é
diferente." “Era o jogo." E difícil sustentar a própria
imagem quando ela volta editada, repetida,
ampliada na tela.
Confesso que um dos momentos que mais
me interessam é justamente a eliminação. Quando
o participante deixa a casa e encara o mundo de
novo, não tem como não lembrar do Mito da
Caverna de Platão. Lá dentro, tudo parece fazer
sentido. Aqui fora, a luz incomoda. Ver-se de fora
exige um tipo de coragem que nem todo mundo
tem.
No fim, fico com uma dúvida que não é
simples: o que realmente molda o comportamento
de quem está ali? É o dinheiro em jogo, capaz de
justificar quase qualquer estratégia? Ou é a
vigilância constante, esse olho que nunca pisca e
que, paradoxalmente, parece distorcer mais do
que revelar?
Talvez o desconforto venha justamente daí.
O BBB não é só entretenimento. É um espelho
meio cruel. E nem todo mundo gosta do que vê quando a luz acende e escuta a frase: "Quem sai
hoje, é você"!
ARAÚJO, Patrícia Silva Rosas de. Fala Tu! João Pessoa, v. 1, n. 2,
2026. ISSN 3086-111X. Acesso em16/05/2026.
I. Em “Há sempre quem queira ordem, rotina, controle”, o verbo “haver” permanece no singular por apresentar sentido de existência.
II. No trecho “A vida de Mel e Jack virou um acúmulo interminável de problemas”, o verbo poderia flexionar-se no plural (“viraram”) sem prejuízo da correção gramatical, devido ao sujeito composto.
III. Em “Nessas horas, a gente tenta escapar”, a expressão “a gente” admite, na normapadrão, concordância verbal no singular.
IV. No trecho “o que aparece ali diz mais sobre nós”, o verbo “dizer” concorda com o pronome demonstrativo “o”.
V. Em “algumas com histórias mal resolvidas entre si”, o adjetivo “resolvidas” estabelece concordância nominal com “algumas”.
Após análise, conclui-se que estão corretas:
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BBB: O ESPELHO QUE A GENTE EVITA —
MAS NÃO CONSEGUE PARAR DE OLHAR
Patrícia Silva Rosas de Araújo
O que parecia improvável aconteceu: voltei
a assistir ao Big Brother Brasil. Minha única
referência era a estreia, em 2002. Naquele tempo,
o país inteiro ficou meio hipnotizado ao ver
desconhecidos topando o confinamento numa
casa cenográfica, cercados por câmeras 24 horas
por dia. A lógica segue a mesma até hoje:
participantes isolados do mundo, convivendo sob
pressão, enfrentando provas, formando alianças,
votando uns nos outros e sendo eliminados
semanalmente pelo público até que reste um
vencedor levando um prêmio milionário.
Voltei agora meio sem querer. Procurava
distração num ano que já começou pesado:
conflitos internacionais que não cessam, clima
eleitoral sempre turvo, alianças políticas difíceis de
engolir e até a ansiedade pré-Copa do Mundo,
com aquela sensação incômoda de não saber
direito quem são nossos craques. 2026 mal
começou e já parece cansado.
Nessas horas, a gente tenta escapar por
algum canto. Eu, por exemplo, estava esperando
a nova temporada de Virgin River. Veio e me
decepcionou. A vida de Mel e Jack virou um
acúmulo interminável de problemas. Chega uma
hora em que cansa. Lembrei de Maya Angelou:
"Cada pessoa merece um dia no qual nenhum
problema é enfrentado, nenhuma solução é
procurada." A série parece não ter entendido isso.
Esse desvio todo talvez soe como justificativa. E é
mesmo, um pouco. Porque, convenhamos, uma
professora universitária tem uma lista infinita de
tarefas: aulas, orientações, projetos, reuniões,
bancas. Onde entra o BBB nisso tudo?
Entrei sem compromisso, como quem abre
a janela só para ver o tempo. Mas o que encontrei
não foi exatamente descanso.
A premissa é simples e cruel: coloque
pessoas diferentes, algumas com histórias mal resolvidas entre si, dentro da mesma casa, sob
vigilância constante e com um prêmio que pode
ultrapassar os cinco milhões de reais. Pronto. Está
montado o experimento social mais popular do
país. E, como em todo experimento, o que
aparece ali diz mais sobre nós do que gostaríamos
de admitir.
Dessa edição, duas coisas têm me
chamado atenção.
A primeira: casa nenhuma é neutra. Toda
casa é um campo de disputa, com ou sem prêmio
milionário. Convivência é negociação o tempo
todo. Há sempre quem queira ordem, rotina,
controle. E há quem viva melhor no improviso,
tomando café na primeira caneca que aparecer, ou
até num copo de extrato de tomate. Dentro de
quatro paredes, essas diferenças não
desaparecem, elas se amplificam. A casa vira uma
panela de pressão. A gente regula o fogo como
pode, mas qualquer descuido faz a válvula chiar.
A segunda: somos, em grande medida, cegos para
nós mesmos. Não temos muita noção do peso das
nossas palavras, dos nossos silêncios, dos nossos
gestos. No confinamento, isso se intensifica.
A falsa sensação de intimidade embaralha
tudo. Quando os participantes saem assistem ao
que fizeram lá dentro, o espanto é quase sempre
o mesmo. "Eu não sou assim." "Ali dentro é
diferente." “Era o jogo." E difícil sustentar a própria
imagem quando ela volta editada, repetida,
ampliada na tela.
Confesso que um dos momentos que mais
me interessam é justamente a eliminação. Quando
o participante deixa a casa e encara o mundo de
novo, não tem como não lembrar do Mito da
Caverna de Platão. Lá dentro, tudo parece fazer
sentido. Aqui fora, a luz incomoda. Ver-se de fora
exige um tipo de coragem que nem todo mundo
tem.
No fim, fico com uma dúvida que não é
simples: o que realmente molda o comportamento
de quem está ali? É o dinheiro em jogo, capaz de
justificar quase qualquer estratégia? Ou é a
vigilância constante, esse olho que nunca pisca e
que, paradoxalmente, parece distorcer mais do
que revelar?
Talvez o desconforto venha justamente daí.
O BBB não é só entretenimento. É um espelho
meio cruel. E nem todo mundo gosta do que vê quando a luz acende e escuta a frase: "Quem sai
hoje, é você"!
ARAÚJO, Patrícia Silva Rosas de. Fala Tu! João Pessoa, v. 1, n. 2,
2026. ISSN 3086-111X. Acesso em16/05/2026.
I. O texto combina marcas de oralidade e informalidade com referências culturais e filosóficas, produzindo um efeito de proximidade com o leitor sem abandonar a reflexão crítica.
II. A presença de expressões como “convenhamos” e “Voltei agora meio sem querer” evidencia um estilo discursivo subjetivo e relativamente coloquial.
III. O texto adota linguagem predominantemente técnica e impessoal, característica típica do discurso científicoacadêmico.
IV. O uso de referências como o Mito da Caverna de Platão contribui para ampliar o nível reflexivo e simbólico da argumentação.
V. A construção estilística do texto busca neutralidade absoluta, evitando posicionamentos subjetivos do enunciador.
Após análise, conclui-se que estão corretas:
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Patrícia Silva Rosas de Araújo
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a assistir ao Big Brother Brasil. Minha única
referência era a estreia, em 2002. Naquele tempo,
o país inteiro ficou meio hipnotizado ao ver
desconhecidos topando o confinamento numa
casa cenográfica, cercados por câmeras 24 horas
por dia. A lógica segue a mesma até hoje:
participantes isolados do mundo, convivendo sob
pressão, enfrentando provas, formando alianças,
votando uns nos outros e sendo eliminados
semanalmente pelo público até que reste um
vencedor levando um prêmio milionário.
Voltei agora meio sem querer. Procurava
distração num ano que já começou pesado:
conflitos internacionais que não cessam, clima
eleitoral sempre turvo, alianças políticas difíceis de
engolir e até a ansiedade pré-Copa do Mundo,
com aquela sensação incômoda de não saber
direito quem são nossos craques. 2026 mal
começou e já parece cansado.
Nessas horas, a gente tenta escapar por
algum canto. Eu, por exemplo, estava esperando
a nova temporada de Virgin River. Veio e me
decepcionou. A vida de Mel e Jack virou um
acúmulo interminável de problemas. Chega uma
hora em que cansa. Lembrei de Maya Angelou:
"Cada pessoa merece um dia no qual nenhum
problema é enfrentado, nenhuma solução é
procurada." A série parece não ter entendido isso.
Esse desvio todo talvez soe como justificativa. E é
mesmo, um pouco. Porque, convenhamos, uma
professora universitária tem uma lista infinita de
tarefas: aulas, orientações, projetos, reuniões,
bancas. Onde entra o BBB nisso tudo?
Entrei sem compromisso, como quem abre
a janela só para ver o tempo. Mas o que encontrei
não foi exatamente descanso.
A premissa é simples e cruel: coloque
pessoas diferentes, algumas com histórias mal resolvidas entre si, dentro da mesma casa, sob
vigilância constante e com um prêmio que pode
ultrapassar os cinco milhões de reais. Pronto. Está
montado o experimento social mais popular do
país. E, como em todo experimento, o que
aparece ali diz mais sobre nós do que gostaríamos
de admitir.
Dessa edição, duas coisas têm me
chamado atenção.
A primeira: casa nenhuma é neutra. Toda
casa é um campo de disputa, com ou sem prêmio
milionário. Convivência é negociação o tempo
todo. Há sempre quem queira ordem, rotina,
controle. E há quem viva melhor no improviso,
tomando café na primeira caneca que aparecer, ou
até num copo de extrato de tomate. Dentro de
quatro paredes, essas diferenças não
desaparecem, elas se amplificam. A casa vira uma
panela de pressão. A gente regula o fogo como
pode, mas qualquer descuido faz a válvula chiar.
A segunda: somos, em grande medida, cegos para
nós mesmos. Não temos muita noção do peso das
nossas palavras, dos nossos silêncios, dos nossos
gestos. No confinamento, isso se intensifica.
A falsa sensação de intimidade embaralha
tudo. Quando os participantes saem assistem ao
que fizeram lá dentro, o espanto é quase sempre
o mesmo. "Eu não sou assim." "Ali dentro é
diferente." “Era o jogo." E difícil sustentar a própria
imagem quando ela volta editada, repetida,
ampliada na tela.
Confesso que um dos momentos que mais
me interessam é justamente a eliminação. Quando
o participante deixa a casa e encara o mundo de
novo, não tem como não lembrar do Mito da
Caverna de Platão. Lá dentro, tudo parece fazer
sentido. Aqui fora, a luz incomoda. Ver-se de fora
exige um tipo de coragem que nem todo mundo
tem.
No fim, fico com uma dúvida que não é
simples: o que realmente molda o comportamento
de quem está ali? É o dinheiro em jogo, capaz de
justificar quase qualquer estratégia? Ou é a
vigilância constante, esse olho que nunca pisca e
que, paradoxalmente, parece distorcer mais do
que revelar?
Talvez o desconforto venha justamente daí.
O BBB não é só entretenimento. É um espelho
meio cruel. E nem todo mundo gosta do que vê quando a luz acende e escuta a frase: "Quem sai
hoje, é você"!
ARAÚJO, Patrícia Silva Rosas de. Fala Tu! João Pessoa, v. 1, n. 2,
2026. ISSN 3086-111X. Acesso em16/05/2026.
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BBB: O ESPELHO QUE A GENTE EVITA —
MAS NÃO CONSEGUE PARAR DE OLHAR
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a assistir ao Big Brother Brasil. Minha única
referência era a estreia, em 2002. Naquele tempo,
o país inteiro ficou meio hipnotizado ao ver
desconhecidos topando o confinamento numa
casa cenográfica, cercados por câmeras 24 horas
por dia. A lógica segue a mesma até hoje:
participantes isolados do mundo, convivendo sob
pressão, enfrentando provas, formando alianças,
votando uns nos outros e sendo eliminados
semanalmente pelo público até que reste um
vencedor levando um prêmio milionário.
Voltei agora meio sem querer. Procurava
distração num ano que já começou pesado:
conflitos internacionais que não cessam, clima
eleitoral sempre turvo, alianças políticas difíceis de
engolir e até a ansiedade pré-Copa do Mundo,
com aquela sensação incômoda de não saber
direito quem são nossos craques. 2026 mal
começou e já parece cansado.
Nessas horas, a gente tenta escapar por
algum canto. Eu, por exemplo, estava esperando
a nova temporada de Virgin River. Veio e me
decepcionou. A vida de Mel e Jack virou um
acúmulo interminável de problemas. Chega uma
hora em que cansa. Lembrei de Maya Angelou:
"Cada pessoa merece um dia no qual nenhum
problema é enfrentado, nenhuma solução é
procurada." A série parece não ter entendido isso.
Esse desvio todo talvez soe como justificativa. E é
mesmo, um pouco. Porque, convenhamos, uma
professora universitária tem uma lista infinita de
tarefas: aulas, orientações, projetos, reuniões,
bancas. Onde entra o BBB nisso tudo?
Entrei sem compromisso, como quem abre
a janela só para ver o tempo. Mas o que encontrei
não foi exatamente descanso.
A premissa é simples e cruel: coloque
pessoas diferentes, algumas com histórias mal resolvidas entre si, dentro da mesma casa, sob
vigilância constante e com um prêmio que pode
ultrapassar os cinco milhões de reais. Pronto. Está
montado o experimento social mais popular do
país. E, como em todo experimento, o que
aparece ali diz mais sobre nós do que gostaríamos
de admitir.
Dessa edição, duas coisas têm me
chamado atenção.
A primeira: casa nenhuma é neutra. Toda
casa é um campo de disputa, com ou sem prêmio
milionário. Convivência é negociação o tempo
todo. Há sempre quem queira ordem, rotina,
controle. E há quem viva melhor no improviso,
tomando café na primeira caneca que aparecer, ou
até num copo de extrato de tomate. Dentro de
quatro paredes, essas diferenças não
desaparecem, elas se amplificam. A casa vira uma
panela de pressão. A gente regula o fogo como
pode, mas qualquer descuido faz a válvula chiar.
A segunda: somos, em grande medida, cegos para
nós mesmos. Não temos muita noção do peso das
nossas palavras, dos nossos silêncios, dos nossos
gestos. No confinamento, isso se intensifica.
A falsa sensação de intimidade embaralha
tudo. Quando os participantes saem assistem ao
que fizeram lá dentro, o espanto é quase sempre
o mesmo. "Eu não sou assim." "Ali dentro é
diferente." “Era o jogo." E difícil sustentar a própria
imagem quando ela volta editada, repetida,
ampliada na tela.
Confesso que um dos momentos que mais
me interessam é justamente a eliminação. Quando
o participante deixa a casa e encara o mundo de
novo, não tem como não lembrar do Mito da
Caverna de Platão. Lá dentro, tudo parece fazer
sentido. Aqui fora, a luz incomoda. Ver-se de fora
exige um tipo de coragem que nem todo mundo
tem.
No fim, fico com uma dúvida que não é
simples: o que realmente molda o comportamento
de quem está ali? É o dinheiro em jogo, capaz de
justificar quase qualquer estratégia? Ou é a
vigilância constante, esse olho que nunca pisca e
que, paradoxalmente, parece distorcer mais do
que revelar?
Talvez o desconforto venha justamente daí.
O BBB não é só entretenimento. É um espelho
meio cruel. E nem todo mundo gosta do que vê quando a luz acende e escuta a frase: "Quem sai
hoje, é você"!
ARAÚJO, Patrícia Silva Rosas de. Fala Tu! João Pessoa, v. 1, n. 2,
2026. ISSN 3086-111X. Acesso em16/05/2026.
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