Foram encontradas 548 questões.
Considere a crônica a seguir, escrita por Rubem Braga, para responder à questão.
Boa educação
Um jornal está fazendo uma campanha a favor das boas maneiras. Eu não sou propriamente o que se
convencionou chamar “uma dama”, e até hoje um amigo meu ri muito quando lembra que fui fazer uma
reportagem perigosa e difícil confiando em minha simpatia pessoal, quando, em seu entender, o meu tipo é mais
daqueles que inspiram a outras pessoas a frase “não sei, mas não vou com a cara daquele sujeito”. No fundo,
está visto, sou uma flor. Mas a questão que se levanta não é de fundo, é exatamente de forma.
O jornal tem razão, o carioca, outrora alegre e gentil, virou grosseiro e irritadiço. Sai de casa pela manhã
como se não vivesse entre um povo cristão em uma cidade bonita, sai disposto a enfrentar sua batalha do Rio
de Janeiro de todo o dia. Mantém para com o colega de bonde, ônibus ou lotação uma atitude de “neutralidade
antipática” e para com o motorista ou cobrador de “beligerância em potencial”. Não cede o lugar a nenhuma
senhora e defende a tese de que todas as senhoras e senhoritas vão à cidade apenas comprar um carretel de
linha: e quando cede o lugar a uma bonita acha que adquiriu com isso o direito de ser louca e imediatamente
amado pela mesma.
O chofer considera a todo colega um “barbeiro” e todo pedestre um débil mental com propensão ao
suicídio. O garçom irrita-se porque o freguês tem a ousadia de lhe pedir alguma coisa e cada freguês acredita
ter o privilégio de ser servido em primeiro lugar. Em resumo: o próximo, a quem outrora chamávamos de
“cavalheiro”, é hoje “um palhaço”.
Há muitas explicações para isso; a crise é a principal. Mas essa crise é também uma crise de confiança.
Um homem que se disponha a ser delicado acaba suspeito. E um sujeito que “não se impõe”, isto é, não tem
importância, podemos tranquilamente tratá-lo com desaforo. Quanto às damas, elas se habituaram a ver em
qualquer gesto de cortesia uma tentativa de abordagem.
Qual é o remédio? Eu proporia uma série de exemplos vindos do alto, isto é, do governo. Não digo que o
funcionário atrás do guichê fosse obrigado a nos receber com um sorriso encantador, nem que os rapazes do
Socorro Urgente saltassem do carro com saquinhos de jujuba na mão para distribuir pelos transeuntes – mas
também não precisavam rosnar nem dar pancadas antes de saber o que há. Esses são os exemplos que nos
dá, diariamente, o Poder Executivo; quanto ao Legislativo… Mas sejamos delicados; não falemos dessas coisas.
(“Boa educação”, de Rubem Braga, com adaptações).
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Boa educação
Um jornal está fazendo uma campanha a favor das boas maneiras. Eu não sou propriamente o que se
convencionou chamar “uma dama”, e até hoje um amigo meu ri muito quando lembra que fui fazer uma
reportagem perigosa e difícil confiando em minha simpatia pessoal, quando, em seu entender, o meu tipo é mais
daqueles que inspiram a outras pessoas a frase “não sei, mas não vou com a cara daquele sujeito”. No fundo,
está visto, sou uma flor. Mas a questão que se levanta não é de fundo, é exatamente de forma.
O jornal tem razão, o carioca, outrora alegre e gentil, virou grosseiro e irritadiço. Sai de casa pela manhã
como se não vivesse entre um povo cristão em uma cidade bonita, sai disposto a enfrentar sua batalha do Rio
de Janeiro de todo o dia. Mantém para com o colega de bonde, ônibus ou lotação uma atitude de “neutralidade
antipática” e para com o motorista ou cobrador de “beligerância em potencial”. Não cede o lugar a nenhuma
senhora e defende a tese de que todas as senhoras e senhoritas vão à cidade apenas comprar um carretel de
linha: e quando cede o lugar a uma bonita acha que adquiriu com isso o direito de ser louca e imediatamente
amado pela mesma.
O chofer considera a todo colega um “barbeiro” e todo pedestre um débil mental com propensão ao
suicídio. O garçom irrita-se porque o freguês tem a ousadia de lhe pedir alguma coisa e cada freguês acredita
ter o privilégio de ser servido em primeiro lugar. Em resumo: o próximo, a quem outrora chamávamos de
“cavalheiro”, é hoje “um palhaço”.
Há muitas explicações para isso; a crise é a principal. Mas essa crise é também uma crise de confiança.
Um homem que se disponha a ser delicado acaba suspeito. E um sujeito que “não se impõe”, isto é, não tem
importância, podemos tranquilamente tratá-lo com desaforo. Quanto às damas, elas se habituaram a ver em
qualquer gesto de cortesia uma tentativa de abordagem.
Qual é o remédio? Eu proporia uma série de exemplos vindos do alto, isto é, do governo. Não digo que o
funcionário atrás do guichê fosse obrigado a nos receber com um sorriso encantador, nem que os rapazes do
Socorro Urgente saltassem do carro com saquinhos de jujuba na mão para distribuir pelos transeuntes – mas
também não precisavam rosnar nem dar pancadas antes de saber o que há. Esses são os exemplos que nos
dá, diariamente, o Poder Executivo; quanto ao Legislativo… Mas sejamos delicados; não falemos dessas coisas.
(“Boa educação”, de Rubem Braga, com adaptações).
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reportagem perigosa e difícil confiando em minha simpatia pessoal, quando, em seu entender, o meu tipo é mais
daqueles que inspiram a outras pessoas a frase “não sei, mas não vou com a cara daquele sujeito”. No fundo,
está visto, sou uma flor. Mas a questão que se levanta não é de fundo, é exatamente de forma.
O jornal tem razão, o carioca, outrora alegre e gentil, virou grosseiro e irritadiço. Sai de casa pela manhã
como se não vivesse entre um povo cristão em uma cidade bonita, sai disposto a enfrentar sua batalha do Rio
de Janeiro de todo o dia. Mantém para com o colega de bonde, ônibus ou lotação uma atitude de “neutralidade
antipática” e para com o motorista ou cobrador de “beligerância em potencial”. Não cede o lugar a nenhuma
senhora e defende a tese de que todas as senhoras e senhoritas vão à cidade apenas comprar um carretel de
linha: e quando cede o lugar a uma bonita acha que adquiriu com isso o direito de ser louca e imediatamente
amado pela mesma.
O chofer considera a todo colega um “barbeiro” e todo pedestre um débil mental com propensão ao
suicídio. O garçom irrita-se porque o freguês tem a ousadia de lhe pedir alguma coisa e cada freguês acredita
ter o privilégio de ser servido em primeiro lugar. Em resumo: o próximo, a quem outrora chamávamos de
“cavalheiro”, é hoje “um palhaço”.
Há muitas explicações para isso; a crise é a principal. Mas essa crise é também uma crise de confiança.
Um homem que se disponha a ser delicado acaba suspeito. E um sujeito que “não se impõe”, isto é, não tem
importância, podemos tranquilamente tratá-lo com desaforo. Quanto às damas, elas se habituaram a ver em
qualquer gesto de cortesia uma tentativa de abordagem.
Qual é o remédio? Eu proporia uma série de exemplos vindos do alto, isto é, do governo. Não digo que o
funcionário atrás do guichê fosse obrigado a nos receber com um sorriso encantador, nem que os rapazes do
Socorro Urgente saltassem do carro com saquinhos de jujuba na mão para distribuir pelos transeuntes – mas
também não precisavam rosnar nem dar pancadas antes de saber o que há. Esses são os exemplos que nos
dá, diariamente, o Poder Executivo; quanto ao Legislativo… Mas sejamos delicados; não falemos dessas coisas.
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reportagem perigosa e difícil confiando em minha simpatia pessoal, quando, em seu entender, o meu tipo é mais
daqueles que inspiram a outras pessoas a frase “não sei, mas não vou com a cara daquele sujeito”. No fundo,
está visto, sou uma flor. Mas a questão que se levanta não é de fundo, é exatamente de forma.
O jornal tem razão, o carioca, outrora alegre e gentil, virou grosseiro e irritadiço. Sai de casa pela manhã
como se não vivesse entre um povo cristão em uma cidade bonita, sai disposto a enfrentar sua batalha do Rio
de Janeiro de todo o dia. Mantém para com o colega de bonde, ônibus ou lotação uma atitude de “neutralidade
antipática” e para com o motorista ou cobrador de “beligerância em potencial”. Não cede o lugar a nenhuma
senhora e defende a tese de que todas as senhoras e senhoritas vão à cidade apenas comprar um carretel de
linha: e quando cede o lugar a uma bonita acha que adquiriu com isso o direito de ser louca e imediatamente
amado pela mesma.
O chofer considera a todo colega um “barbeiro” e todo pedestre um débil mental com propensão ao
suicídio. O garçom irrita-se porque o freguês tem a ousadia de lhe pedir alguma coisa e cada freguês acredita
ter o privilégio de ser servido em primeiro lugar. Em resumo: o próximo, a quem outrora chamávamos de
“cavalheiro”, é hoje “um palhaço”.
Há muitas explicações para isso; a crise é a principal. Mas essa crise é também uma crise de confiança.
Um homem que se disponha a ser delicado acaba suspeito. E um sujeito que “não se impõe”, isto é, não tem
importância, podemos tranquilamente tratá-lo com desaforo. Quanto às damas, elas se habituaram a ver em
qualquer gesto de cortesia uma tentativa de abordagem.
Qual é o remédio? Eu proporia uma série de exemplos vindos do alto, isto é, do governo. Não digo que o
funcionário atrás do guichê fosse obrigado a nos receber com um sorriso encantador, nem que os rapazes do
Socorro Urgente saltassem do carro com saquinhos de jujuba na mão para distribuir pelos transeuntes – mas
também não precisavam rosnar nem dar pancadas antes de saber o que há. Esses são os exemplos que nos
dá, diariamente, o Poder Executivo; quanto ao Legislativo… Mas sejamos delicados; não falemos dessas coisas.
(“Boa educação”, de Rubem Braga, com adaptações).
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Boa educação
Um jornal está fazendo uma campanha a favor das boas maneiras. Eu não sou propriamente o que se
convencionou chamar “uma dama”, e até hoje um amigo meu ri muito quando lembra que fui fazer uma
reportagem perigosa e difícil confiando em minha simpatia pessoal, quando, em seu entender, o meu tipo é mais
daqueles que inspiram a outras pessoas a frase “não sei, mas não vou com a cara daquele sujeito”. No fundo,
está visto, sou uma flor. Mas a questão que se levanta não é de fundo, é exatamente de forma.
O jornal tem razão, o carioca, outrora alegre e gentil, virou grosseiro e irritadiço. Sai de casa pela manhã
como se não vivesse entre um povo cristão em uma cidade bonita, sai disposto a enfrentar sua batalha do Rio
de Janeiro de todo o dia. Mantém para com o colega de bonde, ônibus ou lotação uma atitude de “neutralidade
antipática” e para com o motorista ou cobrador de “beligerância em potencial”. Não cede o lugar a nenhuma
senhora e defende a tese de que todas as senhoras e senhoritas vão à cidade apenas comprar um carretel de
linha: e quando cede o lugar a uma bonita acha que adquiriu com isso o direito de ser louca e imediatamente
amado pela mesma.
O chofer considera a todo colega um “barbeiro” e todo pedestre um débil mental com propensão ao
suicídio. O garçom irrita-se porque o freguês tem a ousadia de lhe pedir alguma coisa e cada freguês acredita
ter o privilégio de ser servido em primeiro lugar. Em resumo: o próximo, a quem outrora chamávamos de
“cavalheiro”, é hoje “um palhaço”.
Há muitas explicações para isso; a crise é a principal. Mas essa crise é também uma crise de confiança.
Um homem que se disponha a ser delicado acaba suspeito. E um sujeito que “não se impõe”, isto é, não tem
importância, podemos tranquilamente tratá-lo com desaforo. Quanto às damas, elas se habituaram a ver em
qualquer gesto de cortesia uma tentativa de abordagem.
Qual é o remédio? Eu proporia uma série de exemplos vindos do alto, isto é, do governo. Não digo que o
funcionário atrás do guichê fosse obrigado a nos receber com um sorriso encantador, nem que os rapazes do
Socorro Urgente saltassem do carro com saquinhos de jujuba na mão para distribuir pelos transeuntes – mas
também não precisavam rosnar nem dar pancadas antes de saber o que há. Esses são os exemplos que nos
dá, diariamente, o Poder Executivo; quanto ao Legislativo… Mas sejamos delicados; não falemos dessas coisas.
(“Boa educação”, de Rubem Braga, com adaptações).
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Considere a crônica a seguir, escrita por Rubem Braga, para responder à questão.
Boa educação
Um jornal está fazendo uma campanha a favor das boas maneiras. Eu não sou propriamente o que se
convencionou chamar “uma dama”, e até hoje um amigo meu ri muito quando lembra que fui fazer uma
reportagem perigosa e difícil confiando em minha simpatia pessoal, quando, em seu entender, o meu tipo é mais
daqueles que inspiram a outras pessoas a frase “não sei, mas não vou com a cara daquele sujeito”. No fundo,
está visto, sou uma flor. Mas a questão que se levanta não é de fundo, é exatamente de forma.
O jornal tem razão, o carioca, outrora alegre e gentil, virou grosseiro e irritadiço. Sai de casa pela manhã
como se não vivesse entre um povo cristão em uma cidade bonita, sai disposto a enfrentar sua batalha do Rio
de Janeiro de todo o dia. Mantém para com o colega de bonde, ônibus ou lotação uma atitude de “neutralidade
antipática” e para com o motorista ou cobrador de “beligerância em potencial”. Não cede o lugar a nenhuma
senhora e defende a tese de que todas as senhoras e senhoritas vão à cidade apenas comprar um carretel de
linha: e quando cede o lugar a uma bonita acha que adquiriu com isso o direito de ser louca e imediatamente
amado pela mesma.
O chofer considera a todo colega um “barbeiro” e todo pedestre um débil mental com propensão ao
suicídio. O garçom irrita-se porque o freguês tem a ousadia de lhe pedir alguma coisa e cada freguês acredita
ter o privilégio de ser servido em primeiro lugar. Em resumo: o próximo, a quem outrora chamávamos de
“cavalheiro”, é hoje “um palhaço”.
Há muitas explicações para isso; a crise é a principal. Mas essa crise é também uma crise de confiança.
Um homem que se disponha a ser delicado acaba suspeito. E um sujeito que “não se impõe”, isto é, não tem
importância, podemos tranquilamente tratá-lo com desaforo. Quanto às damas, elas se habituaram a ver em
qualquer gesto de cortesia uma tentativa de abordagem.
Qual é o remédio? Eu proporia uma série de exemplos vindos do alto, isto é, do governo. Não digo que o
funcionário atrás do guichê fosse obrigado a nos receber com um sorriso encantador, nem que os rapazes do
Socorro Urgente saltassem do carro com saquinhos de jujuba na mão para distribuir pelos transeuntes – mas
também não precisavam rosnar nem dar pancadas antes de saber o que há. Esses são os exemplos que nos
dá, diariamente, o Poder Executivo; quanto ao Legislativo… Mas sejamos delicados; não falemos dessas coisas.
(“Boa educação”, de Rubem Braga, com adaptações).
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Considere a crônica a seguir, escrita por Rubem Braga, para responder à questão.
Boa educação
Um jornal está fazendo uma campanha a favor das boas maneiras. Eu não sou propriamente o que se
convencionou chamar “uma dama”, e até hoje um amigo meu ri muito quando lembra que fui fazer uma
reportagem perigosa e difícil confiando em minha simpatia pessoal, quando, em seu entender, o meu tipo é mais
daqueles que inspiram a outras pessoas a frase “não sei, mas não vou com a cara daquele sujeito”. No fundo,
está visto, sou uma flor. Mas a questão que se levanta não é de fundo, é exatamente de forma.
O jornal tem razão, o carioca, outrora alegre e gentil, virou grosseiro e irritadiço. Sai de casa pela manhã
como se não vivesse entre um povo cristão em uma cidade bonita, sai disposto a enfrentar sua batalha do Rio
de Janeiro de todo o dia. Mantém para com o colega de bonde, ônibus ou lotação uma atitude de “neutralidade
antipática” e para com o motorista ou cobrador de “beligerância em potencial”. Não cede o lugar a nenhuma
senhora e defende a tese de que todas as senhoras e senhoritas vão à cidade apenas comprar um carretel de
linha: e quando cede o lugar a uma bonita acha que adquiriu com isso o direito de ser louca e imediatamente
amado pela mesma.
O chofer considera a todo colega um “barbeiro” e todo pedestre um débil mental com propensão ao
suicídio. O garçom irrita-se porque o freguês tem a ousadia de lhe pedir alguma coisa e cada freguês acredita
ter o privilégio de ser servido em primeiro lugar. Em resumo: o próximo, a quem outrora chamávamos de
“cavalheiro”, é hoje “um palhaço”.
Há muitas explicações para isso; a crise é a principal. Mas essa crise é também uma crise de confiança.
Um homem que se disponha a ser delicado acaba suspeito. E um sujeito que “não se impõe”, isto é, não tem
importância, podemos tranquilamente tratá-lo com desaforo. Quanto às damas, elas se habituaram a ver em
qualquer gesto de cortesia uma tentativa de abordagem.
Qual é o remédio? Eu proporia uma série de exemplos vindos do alto, isto é, do governo. Não digo que o
funcionário atrás do guichê fosse obrigado a nos receber com um sorriso encantador, nem que os rapazes do
Socorro Urgente saltassem do carro com saquinhos de jujuba na mão para distribuir pelos transeuntes – mas
também não precisavam rosnar nem dar pancadas antes de saber o que há. Esses são os exemplos que nos
dá, diariamente, o Poder Executivo; quanto ao Legislativo… Mas sejamos delicados; não falemos dessas coisas.
(“Boa educação”, de Rubem Braga, com adaptações).
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Considere a crônica a seguir, escrita por Rubem Braga, para responder à questão.
Boa educação
Um jornal está fazendo uma campanha a favor das boas maneiras. Eu não sou propriamente o que se
convencionou chamar “uma dama”, e até hoje um amigo meu ri muito quando lembra que fui fazer uma
reportagem perigosa e difícil confiando em minha simpatia pessoal, quando, em seu entender, o meu tipo é mais
daqueles que inspiram a outras pessoas a frase “não sei, mas não vou com a cara daquele sujeito”. No fundo,
está visto, sou uma flor. Mas a questão que se levanta não é de fundo, é exatamente de forma.
O jornal tem razão, o carioca, outrora alegre e gentil, virou grosseiro e irritadiço. Sai de casa pela manhã
como se não vivesse entre um povo cristão em uma cidade bonita, sai disposto a enfrentar sua batalha do Rio
de Janeiro de todo o dia. Mantém para com o colega de bonde, ônibus ou lotação uma atitude de “neutralidade
antipática” e para com o motorista ou cobrador de “beligerância em potencial”. Não cede o lugar a nenhuma
senhora e defende a tese de que todas as senhoras e senhoritas vão à cidade apenas comprar um carretel de
linha: e quando cede o lugar a uma bonita acha que adquiriu com isso o direito de ser louca e imediatamente
amado pela mesma.
O chofer considera a todo colega um “barbeiro” e todo pedestre um débil mental com propensão ao
suicídio. O garçom irrita-se porque o freguês tem a ousadia de lhe pedir alguma coisa e cada freguês acredita
ter o privilégio de ser servido em primeiro lugar. Em resumo: o próximo, a quem outrora chamávamos de
“cavalheiro”, é hoje “um palhaço”.
Há muitas explicações para isso; a crise é a principal. Mas essa crise é também uma crise de confiança.
Um homem que se disponha a ser delicado acaba suspeito. E um sujeito que “não se impõe”, isto é, não tem
importância, podemos tranquilamente tratá-lo com desaforo. Quanto às damas, elas se habituaram a ver em
qualquer gesto de cortesia uma tentativa de abordagem.
Qual é o remédio? Eu proporia uma série de exemplos vindos do alto, isto é, do governo. Não digo que o
funcionário atrás do guichê fosse obrigado a nos receber com um sorriso encantador, nem que os rapazes do
Socorro Urgente saltassem do carro com saquinhos de jujuba na mão para distribuir pelos transeuntes – mas
também não precisavam rosnar nem dar pancadas antes de saber o que há. Esses são os exemplos que nos
dá, diariamente, o Poder Executivo; quanto ao Legislativo… Mas sejamos delicados; não falemos dessas coisas.
(“Boa educação”, de Rubem Braga, com adaptações).
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Questão presente nas seguintes provas
Considere a crônica a seguir, escrita por Rubem Braga, para responder à questão.
Boa educação
Um jornal está fazendo uma campanha a favor das boas maneiras. Eu não sou propriamente o que se
convencionou chamar “uma dama”, e até hoje um amigo meu ri muito quando lembra que fui fazer uma
reportagem perigosa e difícil confiando em minha simpatia pessoal, quando, em seu entender, o meu tipo é mais
daqueles que inspiram a outras pessoas a frase “não sei, mas não vou com a cara daquele sujeito”. No fundo,
está visto, sou uma flor. Mas a questão que se levanta não é de fundo, é exatamente de forma.
O jornal tem razão, o carioca, outrora alegre e gentil, virou grosseiro e irritadiço. Sai de casa pela manhã
como se não vivesse entre um povo cristão em uma cidade bonita, sai disposto a enfrentar sua batalha do Rio
de Janeiro de todo o dia. Mantém para com o colega de bonde, ônibus ou lotação uma atitude de “neutralidade
antipática” e para com o motorista ou cobrador de “beligerância em potencial”. Não cede o lugar a nenhuma
senhora e defende a tese de que todas as senhoras e senhoritas vão à cidade apenas comprar um carretel de
linha: e quando cede o lugar a uma bonita acha que adquiriu com isso o direito de ser louca e imediatamente
amado pela mesma.
O chofer considera a todo colega um “barbeiro” e todo pedestre um débil mental com propensão ao
suicídio. O garçom irrita-se porque o freguês tem a ousadia de lhe pedir alguma coisa e cada freguês acredita
ter o privilégio de ser servido em primeiro lugar. Em resumo: o próximo, a quem outrora chamávamos de
“cavalheiro”, é hoje “um palhaço”.
Há muitas explicações para isso; a crise é a principal. Mas essa crise é também uma crise de confiança.
Um homem que se disponha a ser delicado acaba suspeito. E um sujeito que “não se impõe”, isto é, não tem
importância, podemos tranquilamente tratá-lo com desaforo. Quanto às damas, elas se habituaram a ver em
qualquer gesto de cortesia uma tentativa de abordagem.
Qual é o remédio? Eu proporia uma série de exemplos vindos do alto, isto é, do governo. Não digo que o
funcionário atrás do guichê fosse obrigado a nos receber com um sorriso encantador, nem que os rapazes do
Socorro Urgente saltassem do carro com saquinhos de jujuba na mão para distribuir pelos transeuntes – mas
também não precisavam rosnar nem dar pancadas antes de saber o que há. Esses são os exemplos que nos
dá, diariamente, o Poder Executivo; quanto ao Legislativo… Mas sejamos delicados; não falemos dessas coisas.
(“Boa educação”, de Rubem Braga, com adaptações).
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Considere a crônica a seguir, escrita por Cecília Meireles, para responder à questão.
O fim do mundo
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de
modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas
mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu,
responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.
Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos
apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete. Mas, uma noite, levantaram-me da cama,
enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa.
Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me,
de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que
caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um
cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me
causava medo nenhum.
Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez
eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças? Passou-se muito tempo.
Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido.
Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada
coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.
Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria
de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou
inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.
O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que
uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos ou tão leais.
Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os
cofres públicos – além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso
saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
(“O fim do mundo”, por Cecília Meireles, com adaptações)
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