Foram encontradas 35 questões.
Analise as afirmativas abaixo sobre as distinções
entre a língua falada e escrita.
1. O emprego das redundâncias, a exemplo de “subir para cima” e “descer para baixo”, são formas aceitas comumente na língua escrita, com sentido de enfatizar o enunciado.
2. A norma padrão, mais formalizada, adota a língua escrita como parâmetro. Nessa medida, busca a referência nos escritores consagrados.
3. A língua falada, por ser espontânea e por não respeitar a norma culta, não deve nem pode influenciar a evolução linguística de determinado povo.
4. Falar e escrever bem supõe o emprego da norma culta, segundo a Linguística. Logo, deve-se desprezar a fala.
5. Tanto a língua falada quanto a escrita, para a Linguística, devem obedecer à adequação, ou seja, a situação comunicacional do falante.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
1. O emprego das redundâncias, a exemplo de “subir para cima” e “descer para baixo”, são formas aceitas comumente na língua escrita, com sentido de enfatizar o enunciado.
2. A norma padrão, mais formalizada, adota a língua escrita como parâmetro. Nessa medida, busca a referência nos escritores consagrados.
3. A língua falada, por ser espontânea e por não respeitar a norma culta, não deve nem pode influenciar a evolução linguística de determinado povo.
4. Falar e escrever bem supõe o emprego da norma culta, segundo a Linguística. Logo, deve-se desprezar a fala.
5. Tanto a língua falada quanto a escrita, para a Linguística, devem obedecer à adequação, ou seja, a situação comunicacional do falante.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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Texto 3
Além do já mencionado estímulo ininterrupto à elevação do grau de letramento dos alunos e da prática da reflexão linguística a partir de certa fase do percurso escolar, cabe também ao professor de língua apresentar os valores sociais atribuídos a cada variedade linguística. Como cada um de nós sabe muito bem, a língua é frequentemente usada na prática da discriminação, da exclusão social. O preconceito linguístico vivo e atuante é uma realidade inegável no Brasil (Bagno, 1999; 2000). Explicitar, explicar e combater esse preconceito é uma das tarefas incontornáveis da educação linguística.
Talvez possamos atribuir parte do preconceito linguístico (que existe em todas as culturas ocidentais) ao vigor da já mencionada crença (de inspiração platônica) na existência de uma língua “essencial”, que vive num mundo apenas inteligível, imaterial, fora do alcance dos nossos sentidos. (…)
No caso específico da língua, esse ideal é sempre situado num passado remoto e nebuloso, enquanto a situação contemporânea de suposta “decadência” é sempre analisada com pessimismo. (…)
Uma vez consciente dessa situação problemática, o professor que quiser contribuir para desconstruí-la deverá tentar se apoderar dos resultados oferecidos pela pesquisa sociolinguística e pelas teorias linguísticas de inspiração não essencialista. Já está mais do que provado que, do ponto de vista exclusivamente científico, não existe erro em língua, o que existe é variação e mudança, e a variação e a mudança não são “acidentes de percurso”, muito pelo contrário, elas são constitutivas da natureza mesma de todas as língua humanas vivas.
BAGNO, Marcos; STUBBS, Michael; GAGNÉ, Gilles – Língua Materna, letramento, variação & ensino, ed. Parábola, São Paulo, 2002, p. 73.
Texto 4
Os romanos, quando ocupavam uma nova província conquistada, garantiam que os postos administrativos, burocráticos e militares fossem preenchidos, na medida do possível, por cidadãos da classe “urbana”. Mas o imenso contingente de agricultores, comerciantes de ninharias e de bens fundamentais, artesãos, prostitutas, cozinheiros etc., que passavam, afinal, a constituir a massa da nova população romana no local era indubitavelmente composto por pessoas sem educação, com poucos meios. Gente das camadas populares, que falava latim vulgar. (…) Eram os trabalhadores braçais que construíam os famosos aquedutos e estradas dos romanos, e não os engenheiros que os projetavam, os que levavam para os cantos mais remotos do Império o latim de verdade.
Linguisticamente, somos todos filhos das camadas mais humildes dos falantes de latim, língua que é rica e complexa exatamente por ter todo esse repertório de formas, níveis, estilos e recursos. Como qualquer grande idioma de uma sociedade complexa, o latim era muitos latins; e o latim da maioria não era exatamente o dos gramáticos.
GALINDO, Caetano W. – Latim em pó – Um passeio pela formação do nosso português, Cia da Letras, S. Paulo, 2022, p. 81.
( ) Os dois textos valorizam as variantes linguísticas. O primeiro, no entanto, aborda a situação do educador; o segundo, por sua feita, analisa o ponto de vista histórico.
( ) O texto 4 divide a língua entre a falada pelas pessoas comuns e a língua dos gramáticos. O texto 3 traz a língua essencial como referência e a única que deve ser ensinada nas escolas.
( ) O autor do texto 4, ao afirmar que o latim era muitos latins, está se referindo às variedades linguísticas.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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Texto 4
Os romanos, quando ocupavam uma nova província
conquistada, garantiam que os postos administrativos, burocráticos e militares fossem preenchidos, na
medida do possível, por cidadãos da classe “urbana”.
Mas o imenso contingente de agricultores, comerciantes de ninharias e de bens fundamentais, artesãos,
prostitutas, cozinheiros etc., que passavam, afinal, a
constituir a massa da nova população romana no local
era indubitavelmente composto por pessoas sem
educação, com poucos meios. Gente das camadas
populares, que falava latim vulgar. (…) Eram os trabalhadores braçais que construíam os famosos aquedutos e estradas dos romanos, e não os engenheiros que
os projetavam, os que levavam para os cantos mais
remotos do Império o latim de verdade.
Linguisticamente, somos todos filhos das camadas
mais humildes dos falantes de latim, língua que é rica
e complexa exatamente por ter todo esse repertório
de formas, níveis, estilos e recursos. Como qualquer
grande idioma de uma sociedade complexa, o latim
era muitos latins; e o latim da maioria não era exatamente o dos gramáticos.
GALINDO, Caetano W. – Latim em pó – Um passeio pela formação
do nosso português, Cia da Letras, S. Paulo, 2022, p. 81.
1. O primeiro período do texto 4 é basicamente informativo.
2. Ao se referir a trabalhadores braçais, no final do primeiro parágrafo, o autor busca depreciar esta camada inculta da população.
3. O latim vulgar, ligado às camadas populares, não era o dos gramáticos.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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Texto 4
Os romanos, quando ocupavam uma nova província
conquistada, garantiam que os postos administrativos, burocráticos e militares fossem preenchidos, na
medida do possível, por cidadãos da classe “urbana”.
Mas o imenso contingente de agricultores, comerciantes de ninharias e de bens fundamentais, artesãos,
prostitutas, cozinheiros etc., que passavam, afinal, a
constituir a massa da nova população romana no local
era indubitavelmente composto por pessoas sem
educação, com poucos meios. Gente das camadas
populares, que falava latim vulgar. (…) Eram os trabalhadores braçais que construíam os famosos aquedutos e estradas dos romanos, e não os engenheiros que
os projetavam, os que levavam para os cantos mais
remotos do Império o latim de verdade.
Linguisticamente, somos todos filhos das camadas
mais humildes dos falantes de latim, língua que é rica
e complexa exatamente por ter todo esse repertório
de formas, níveis, estilos e recursos. Como qualquer
grande idioma de uma sociedade complexa, o latim
era muitos latins; e o latim da maioria não era exatamente o dos gramáticos.
GALINDO, Caetano W. – Latim em pó – Um passeio pela formação
do nosso português, Cia da Letras, S. Paulo, 2022, p. 81.
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Texto 3
Além do já mencionado estímulo ininterrupto à elevação do grau de letramento dos alunos e da prática da
reflexão linguística a partir de certa fase do percurso
escolar, cabe também ao professor de língua apresentar os valores sociais atribuídos a cada variedade
linguística. Como cada um de nós sabe muito bem, a
língua é frequentemente usada na prática da discriminação, da exclusão social. O preconceito linguístico
vivo e atuante é uma realidade inegável no Brasil
(Bagno, 1999; 2000). Explicitar, explicar e combater
esse preconceito é uma das tarefas incontornáveis da
educação linguística.
Talvez possamos atribuir parte do preconceito linguístico (que existe em todas as culturas ocidentais)
ao vigor da já mencionada crença (de inspiração platônica) na existência de uma língua “essencial”, que
vive num mundo apenas inteligível, imaterial, fora do
alcance dos nossos sentidos. (…)
No caso específico da língua, esse ideal é sempre
situado num passado remoto e nebuloso, enquanto
a situação contemporânea de suposta “decadência” é
sempre analisada com pessimismo. (…)
Uma vez consciente dessa situação problemática, o
professor que quiser contribuir para desconstruí-la
deverá tentar se apoderar dos resultados oferecidos
pela pesquisa sociolinguística e pelas teorias linguísticas de inspiração não essencialista. Já está mais do
que provado que, do ponto de vista exclusivamente
científico, não existe erro em língua, o que existe é
variação e mudança, e a variação e a mudança não são
“acidentes de percurso”, muito pelo contrário, elas são
constitutivas da natureza mesma de todas as língua
humanas vivas.
BAGNO, Marcos; STUBBS, Michael; GAGNÉ, Gilles – Língua Materna,
letramento, variação & ensino, ed. Parábola, São Paulo, 2002, p. 73.
1. O texto é argumentativo, porque o autor busca mostrar seu ponto de vista a fim de convencer o leitor ao empregar argumentos.
2. O texto é totalmente expositivo, à medida que busca mostrar a situação da educação linguística com o objetivo de deixar o leitor tomar livremente uma posição.
3. O texto é um artigo científico, extremamente técnico, voltado a um público específico.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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Texto 3
Além do já mencionado estímulo ininterrupto à elevação do grau de letramento dos alunos e da prática da
reflexão linguística a partir de certa fase do percurso
escolar, cabe também ao professor de língua apresentar os valores sociais atribuídos a cada variedade
linguística. Como cada um de nós sabe muito bem, a
língua é frequentemente usada na prática da discriminação, da exclusão social. O preconceito linguístico
vivo e atuante é uma realidade inegável no Brasil
(Bagno, 1999; 2000). Explicitar, explicar e combater
esse preconceito é uma das tarefas incontornáveis da
educação linguística.
Talvez possamos atribuir parte do preconceito linguístico (que existe em todas as culturas ocidentais)
ao vigor da já mencionada crença (de inspiração platônica) na existência de uma língua “essencial”, que
vive num mundo apenas inteligível, imaterial, fora do
alcance dos nossos sentidos. (…)
No caso específico da língua, esse ideal é sempre
situado num passado remoto e nebuloso, enquanto
a situação contemporânea de suposta “decadência” é
sempre analisada com pessimismo. (…)
Uma vez consciente dessa situação problemática, o
professor que quiser contribuir para desconstruí-la
deverá tentar se apoderar dos resultados oferecidos
pela pesquisa sociolinguística e pelas teorias linguísticas de inspiração não essencialista. Já está mais do
que provado que, do ponto de vista exclusivamente
científico, não existe erro em língua, o que existe é
variação e mudança, e a variação e a mudança não são
“acidentes de percurso”, muito pelo contrário, elas são
constitutivas da natureza mesma de todas as língua
humanas vivas.
BAGNO, Marcos; STUBBS, Michael; GAGNÉ, Gilles – Língua Materna,
letramento, variação & ensino, ed. Parábola, São Paulo, 2002, p. 73.
1. O autor afirma que a língua é usada com frequência para a prática do preconceito, da discriminação. No entanto, não aponta atitudes para combater esse problema.
2. Segundo o autor, não há erro em língua, mas variações linguísticas do ponto de vista estritamente científico.
3. Além do ponto de vista científico, há outro, que considera a existência de uma língua “essencial”.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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Texto 3
Além do já mencionado estímulo ininterrupto à elevação do grau de letramento dos alunos e da prática da
reflexão linguística a partir de certa fase do percurso
escolar, cabe também ao professor de língua apresentar os valores sociais atribuídos a cada variedade
linguística. Como cada um de nós sabe muito bem, a
língua é frequentemente usada na prática da discriminação, da exclusão social. O preconceito linguístico
vivo e atuante é uma realidade inegável no Brasil
(Bagno, 1999; 2000). Explicitar, explicar e combater
esse preconceito é uma das tarefas incontornáveis da
educação linguística.
Talvez possamos atribuir parte do preconceito linguístico (que existe em todas as culturas ocidentais)
ao vigor da já mencionada crença (de inspiração platônica) na existência de uma língua “essencial”, que
vive num mundo apenas inteligível, imaterial, fora do
alcance dos nossos sentidos. (…)
No caso específico da língua, esse ideal é sempre
situado num passado remoto e nebuloso, enquanto
a situação contemporânea de suposta “decadência” é
sempre analisada com pessimismo. (…)
Uma vez consciente dessa situação problemática, o
professor que quiser contribuir para desconstruí-la
deverá tentar se apoderar dos resultados oferecidos
pela pesquisa sociolinguística e pelas teorias linguísticas de inspiração não essencialista. Já está mais do
que provado que, do ponto de vista exclusivamente
científico, não existe erro em língua, o que existe é
variação e mudança, e a variação e a mudança não são
“acidentes de percurso”, muito pelo contrário, elas são
constitutivas da natureza mesma de todas as língua
humanas vivas.
BAGNO, Marcos; STUBBS, Michael; GAGNÉ, Gilles – Língua Materna,
letramento, variação & ensino, ed. Parábola, São Paulo, 2002, p. 73.
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Texto 2
Há mais coisas em comum no reino paulista do que
imagina nossa vã filosofia. A semana foi prova dessa
verdade. Entrevistados pelo gordo Jô Soares, os
também gordos Sérgio Motta, vulgo Serjão, e Delfim
Netto provaram que têm algo em parceria além dos
dois tt.
Ambos contribuem para o enriquecimento da língua
portuguesa. O dono das telecomunicações lembrou-
-se do verbo malufar, “que significa roubar”, rimou. O
outro não deixou por menos. Criou o neologismo
mottar (com dois tt, prestem atenção). Quer dizer
vazar informações no mercado e depois dizer que se
enganou. É o caso das tarifas telefônicas. O ministro
falou em alta. Provocou especulações na bolsa. “Muita
gente ganhou dinheiro”, jura Delfim.
No dia seguinte, Jô comentava a elegância criativa dos
dois. (…)
SQUARISI, DAD - Português com humor, 2001, ed. Correio Braziliense, p. 81.
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Texto 2
Há mais coisas em comum no reino paulista do que
imagina nossa vã filosofia. A semana foi prova dessa
verdade. Entrevistados pelo gordo Jô Soares, os
também gordos Sérgio Motta, vulgo Serjão, e Delfim
Netto provaram que têm algo em parceria além dos
dois tt.
Ambos contribuem para o enriquecimento da língua
portuguesa. O dono das telecomunicações lembrou-
-se do verbo malufar, “que significa roubar”, rimou. O
outro não deixou por menos. Criou o neologismo
mottar (com dois tt, prestem atenção). Quer dizer
vazar informações no mercado e depois dizer que se
enganou. É o caso das tarifas telefônicas. O ministro
falou em alta. Provocou especulações na bolsa. “Muita
gente ganhou dinheiro”, jura Delfim.
No dia seguinte, Jô comentava a elegância criativa dos
dois. (…)
SQUARISI, DAD - Português com humor, 2001, ed. Correio Braziliense, p. 81.
1. O que há em comum entre os dois entrevistados é apenas a repetição do grafema t nos nomes.
2. O que há em comum entre os dois entrevistados é o fato de seus nomes tornarem-se neologismos.
3. Os dois neologismos verbais de primeira conjugação possuem significados distintos.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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Texto 1
A Kombi, se o leitor não sabe devo adverti-lo, pertence
à história pessoal de cada jornalista esportivo. Há dois
tipos de jornalistas: os que viajam e os que não viajam.
Os esportivos pertencem ao primeiro tipo. A Kombi já
define a viagem: ela será lenta, intestinal, suada, poeirenta e muito sonora. Imaginei que não haveria mais
Kombi na minha vida. A última eu mesmo a aluguei e saí
a dirigi-la como um rolador de tonel. Mas Campos fica a
quatro horas do rio e o Almir é um excelente motorista
de Kombi: acomodamos tudo atrás, sentamos um ao
lado do outro, bem-humorados, dispostos e ressequidos
por uma cerveja que tardava. E viajamos 30 minutos.
A Kombi andou de um lado para o outro, fomos para
o acostamento. Fazia quarenta graus, o sol estava em
cima, o pó embaixo do pneu furado. No borracheiro,
dois quilômetros adiante, se podia ver a câmara
enrugada, com duas bolas, saindo de dentro do pneu
novo. Bebemos a cerveja, mas foi preciso afastar com
a palma da mão o lençol de moscas que recobria o
balcão. O próximo pneu seria à noite, num lançante
da serra: desciam caminhões em banguela (em ponto
morto), lá estávamos nós, estômago na mão, no
acostamento da contramão que era o único existente.
Campos apareceu aos poucos, já de madrugada escondida entre canaviais e o cheiro forte da cana cortada e
deixada no chão apodrecendo. É um cheiro doce por
vezes, mas dolorosamente azedo quase sempre.
Ruy Carlos Ostermann, Correio do Povo, 08/11/1977
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