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2263001 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Piracicaba-SP

Atravesso um continente, me afasto de casa oito mil quilômetros, venho parar no Canadá. A vida aqui continua quase exatamente como lá, recebo as mesmas mensagens, leio as mesmas duras notícias, cumpro com disciplina as demandas da existência virtual. Ocupo um novo espaço, mas não desocupo o espaço prévio, não me desobrigo das urgências que não cessam, não escapo das estridências do meu cotidiano. Sem nem sair de casa, percorra o mundo inteiro, era o que nos prometia a utopia tecnológica. A realidade com que nos deparamos, percebo agora, é quase oposta: nem percorrendo o mundo inteiro, você conseguirá sair de casa.

Estava tomado por certa inquietude quando concebi este texto. Sentia a aguda dificuldade em fazer de uma viagem uma viagem, de me alienar dos meus lugares habituais, de me deixar visitar por novas paisagens e novos pensamentos. Caminhar pelas ruas de Montreal, como fiz por algumas horas na primeira tarde, me garantia ao menos a desconexão necessária, mas não chegava a me sossegar. São cada vez mais parecidas as ruas do mundo, era o que eu observava de novo. Os centros das grandes cidades, antigas ou modernas, ricas ou pobres, oferecem em diferentes fachadas as mesmas lojas, quase os mesmos restaurantes, os mesmos produtos em distintas embalagens. O capitalismo, que nos prometia variedade, tem sofrido de uma profunda falta de imaginação, ou melhor, tem sofrido de um conglomerado de multinacionais que limita toda a diversidade.

No quarto do hotel, com o celular à parte, também não adiantava me recolher. Ligar a televisão, como fiz na esperança de imergir por um momento em alguma cultura local, foi de uma previsível inutilidade. Em quase todos os canais não encontrava mais que programas conhecidos, em versões originais ou adaptadas, homens e mulheres encerrados numa casa em convivência banal, cantores fantasiados, pessoas lançadas nuas em terra selvagem. No jornal, notícias sobre os ataques russos na Ucrânia e a reação indignada da Casa Branca. Acabei me deixando ficar por alguns minutos num jogo de hóquei, que trazia lá sua singularidade bruta.

(Disponível em https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2022/05/07/nem-percorrendo-o-mundo-inteiro-voce-conseguira-sair-de-casa.htm. Acesso em 08.05.2022. Adaptado)

No trecho do 1º parágrafo – A realidade com que nos deparamos, percebo agora, é quase oposta: nem percorrendo o mundo inteiro, você conseguirá sair de casa –, os dois pontos foram empregados a fim de introduzir uma

 

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2263000 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Piracicaba-SP

Atravesso um continente, me afasto de casa oito mil quilômetros, venho parar no Canadá. A vida aqui continua quase exatamente como lá, recebo as mesmas mensagens, leio as mesmas duras notícias, cumpro com disciplina as demandas da existência virtual. Ocupo um novo espaço, mas não desocupo o espaço prévio, não me desobrigo das urgências que não cessam, não escapo das estridências do meu cotidiano. Sem nem sair de casa, percorra o mundo inteiro, era o que nos prometia a utopia tecnológica. A realidade com que nos deparamos, percebo agora, é quase oposta: nem percorrendo o mundo inteiro, você conseguirá sair de casa.

Estava tomado por certa inquietude quando concebi este texto. Sentia a aguda dificuldade em fazer de uma viagem uma viagem, de me alienar dos meus lugares habituais, de me deixar visitar por novas paisagens e novos pensamentos. Caminhar pelas ruas de Montreal, como fiz por algumas horas na primeira tarde, me garantia ao menos a desconexão necessária, mas não chegava a me sossegar. São cada vez mais parecidas as ruas do mundo, era o que eu observava de novo. Os centros das grandes cidades, antigas ou modernas, ricas ou pobres, oferecem em diferentes fachadas as mesmas lojas, quase os mesmos restaurantes, os mesmos produtos em distintas embalagens. O capitalismo, que nos prometia variedade, tem sofrido de uma profunda falta de imaginação, ou melhor, tem sofrido de um conglomerado de multinacionais que limita toda a diversidade.

No quarto do hotel, com o celular à parte, também não adiantava me recolher. Ligar a televisão, como fiz na esperança de imergir por um momento em alguma cultura local, foi de uma previsível inutilidade. Em quase todos os canais não encontrava mais que programas conhecidos, em versões originais ou adaptadas, homens e mulheres encerrados numa casa em convivência banal, cantores fantasiados, pessoas lançadas nuas em terra selvagem. No jornal, notícias sobre os ataques russos na Ucrânia e a reação indignada da Casa Branca. Acabei me deixando ficar por alguns minutos num jogo de hóquei, que trazia lá sua singularidade bruta.

(Disponível em https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2022/05/07/nem-percorrendo-o-mundo-inteiro-voce-conseguira-sair-de-casa.htm. Acesso em 08.05.2022. Adaptado)

De acordo com o texto, é possível afirmar que, em Montreal, o autor

 

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2262999 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Piracicaba-SP

Atravesso um continente, me afasto de casa oito mil quilômetros, venho parar no Canadá. A vida aqui continua quase exatamente como lá, recebo as mesmas mensagens, leio as mesmas duras notícias, cumpro com disciplina as demandas da existência virtual. Ocupo um novo espaço, mas não desocupo o espaço prévio, não me desobrigo das urgências que não cessam, não escapo das estridências do meu cotidiano. Sem nem sair de casa, percorra o mundo inteiro, era o que nos prometia a utopia tecnológica. A realidade com que nos deparamos, percebo agora, é quase oposta: nem percorrendo o mundo inteiro, você conseguirá sair de casa.

Estava tomado por certa inquietude quando concebi este texto. Sentia a aguda dificuldade em fazer de uma viagem uma viagem, de me alienar dos meus lugares habituais, de me deixar visitar por novas paisagens e novos pensamentos. Caminhar pelas ruas de Montreal, como fiz por algumas horas na primeira tarde, me garantia ao menos a desconexão necessária, mas não chegava a me sossegar. São cada vez mais parecidas as ruas do mundo, era o que eu observava de novo. Os centros das grandes cidades, antigas ou modernas, ricas ou pobres, oferecem em diferentes fachadas as mesmas lojas, quase os mesmos restaurantes, os mesmos produtos em distintas embalagens. O capitalismo, que nos prometia variedade, tem sofrido de uma profunda falta de imaginação, ou melhor, tem sofrido de um conglomerado de multinacionais que limita toda a diversidade.

No quarto do hotel, com o celular à parte, também não adiantava me recolher. Ligar a televisão, como fiz na esperança de imergir por um momento em alguma cultura local, foi de uma previsível inutilidade. Em quase todos os canais não encontrava mais que programas conhecidos, em versões originais ou adaptadas, homens e mulheres encerrados numa casa em convivência banal, cantores fantasiados, pessoas lançadas nuas em terra selvagem. No jornal, notícias sobre os ataques russos na Ucrânia e a reação indignada da Casa Branca. Acabei me deixando ficar por alguns minutos num jogo de hóquei, que trazia lá sua singularidade bruta.

(Disponível em https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2022/05/07/nem-percorrendo-o-mundo-inteiro-voce-conseguira-sair-de-casa.htm. Acesso em 08.05.2022. Adaptado)

De acordo com o texto, é possível afirmar que, para o autor,

 

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2262998 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Piracicaba-SP

Se não chega a surpreender, é de consternar o anúncio de que casos de depressão estão em alta no Brasil. Nada menos que 11,3% dos que aqui vivem, mais de 24 milhões de pessoas, relatam diagnóstico médico desse transtorno mental.

Aferiu-se o dado na versão 2021 da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, segundo reportou o jornal O Estado de S. Paulo. Antes se conheciam 10% de prevalência, conforme a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019; em 2013, eram 7,6%.

A estatística ultrapassa aquilo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) registra para o Brasil, 5,3%. Supera, também, a proporção de casos nos Estados Unidos, de 8,4% da população acima de 18 anos (critérios díspares, contudo, podem prejudicar a comparação).

De toda maneira, constata-se número elevado e crescente de brasileiros padecendo de uma doença que pode ser incapacitante. De acordo com a OMS, a depressão está entre as principais causas de faltas no trabalho e, ao lado da ansiedade, provoca prejuízo econômico mundial de US$ 1 trilhão anual.

As causas do crescimento, aqui, não são triviais de elucidar. Perdas de pessoas próximas, emprego e renda durante a pandemia de Covid-19 surgem como principais suspeitos.

A Vigitel apontou ainda aumento no abuso de álcool, que atinge 18,3% da população, e restrição da atividade física (48,2% exercitam-se menos do que seria desejável). Ambos os fatores contribuem para depressões e também podem derivar da pandemia.

Por fim, e paradoxalmente, não se exclui que parte da alta resulte de fenômeno sociocultural positivo: redução do preconceito. Hoje soa menos constrangedor admitir-se deprimido e buscar tratamento, o que leva ao acréscimo de registros.

Tampouco se descarta que haja erros de diagnóstico. Por falta de treinamento ou especialização, alguns médicos podem estar identificando a patologia de modo equivocado, tratando como doenças o que talvez não sejam mais que infelicidades cotidianas e medicando-as de forma precipitada.

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/04/brasil-deprimido.shtml/. Acesso em 07.05.2022. Adaptado)

Assinale a alternativa em que o trecho do 2º parágrafo – Antes se conheciam 10% de prevalência – foi reescrito de acordo com a norma-padrão de concordância verbal.

 

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2262997 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Piracicaba-SP

Se não chega a surpreender, é de consternar o anúncio de que casos de depressão estão em alta no Brasil. Nada menos que 11,3% dos que aqui vivem, mais de 24 milhões de pessoas, relatam diagnóstico médico desse transtorno mental.

Aferiu-se o dado na versão 2021 da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, segundo reportou o jornal O Estado de S. Paulo. Antes se conheciam 10% de prevalência, conforme a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019; em 2013, eram 7,6%.

A estatística ultrapassa aquilo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) registra para o Brasil, 5,3%. Supera, também, a proporção de casos nos Estados Unidos, de 8,4% da população acima de 18 anos (critérios díspares, contudo, podem prejudicar a comparação).

De toda maneira, constata-se número elevado e crescente de brasileiros padecendo de uma doença que pode ser incapacitante. De acordo com a OMS, a depressão está entre as principais causas de faltas no trabalho e, ao lado da ansiedade, provoca prejuízo econômico mundial de US$ 1 trilhão anual.

As causas do crescimento, aqui, não são triviais de elucidar. Perdas de pessoas próximas, emprego e renda durante a pandemia de Covid-19 surgem como principais suspeitos.

A Vigitel apontou ainda aumento no abuso de álcool, que atinge 18,3% da população, e restrição da atividade física (48,2% exercitam-se menos do que seria desejável). Ambos os fatores contribuem para depressões e também podem derivar da pandemia.

Por fim, e paradoxalmente, não se exclui que parte da alta resulte de fenômeno sociocultural positivo: redução do preconceito. Hoje soa menos constrangedor admitir-se deprimido e buscar tratamento, o que leva ao acréscimo de registros.

Tampouco se descarta que haja erros de diagnóstico. Por falta de treinamento ou especialização, alguns médicos podem estar identificando a patologia de modo equivocado, tratando como doenças o que talvez não sejam mais que infelicidades cotidianas e medicando-as de forma precipitada.

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/04/brasil-deprimido.shtml/. Acesso em 07.05.2022. Adaptado)

Assinale a alternativa que apresenta um trecho do texto reescrito de acordo com a norma-padrão de regência verbal.

 

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2262996 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Piracicaba-SP

Se não chega a surpreender, é de consternar o anúncio de que casos de depressão estão em alta no Brasil. Nada menos que 11,3% dos que aqui vivem, mais de 24 milhões de pessoas, relatam diagnóstico médico desse transtorno mental.

Aferiu-se o dado na versão 2021 da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, segundo reportou o jornal O Estado de S. Paulo. Antes se conheciam 10% de prevalência, conforme a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019; em 2013, eram 7,6%.

A estatística ultrapassa aquilo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) registra para o Brasil, 5,3%. Supera, também, a proporção de casos nos Estados Unidos, de 8,4% da população acima de 18 anos (critérios díspares, contudo, podem prejudicar a comparação).

De toda maneira, constata-se número elevado e crescente de brasileiros padecendo de uma doença que pode ser incapacitante. De acordo com a OMS, a depressão está entre as principais causas de faltas no trabalho e, ao lado da ansiedade, provoca prejuízo econômico mundial de US$ 1 trilhão anual.

As causas do crescimento, aqui, não são triviais de elucidar. Perdas de pessoas próximas, emprego e renda durante a pandemia de Covid-19 surgem como principais suspeitos.

A Vigitel apontou ainda aumento no abuso de álcool, que atinge 18,3% da população, e restrição da atividade física (48,2% exercitam-se menos do que seria desejável). Ambos os fatores contribuem para depressões e também podem derivar da pandemia.

Por fim, e paradoxalmente, não se exclui que parte da alta resulte de fenômeno sociocultural positivo: redução do preconceito. Hoje soa menos constrangedor admitir-se deprimido e buscar tratamento, o que leva ao acréscimo de registros.

Tampouco se descarta que haja erros de diagnóstico. Por falta de treinamento ou especialização, alguns médicos podem estar identificando a patologia de modo equivocado, tratando como doenças o que talvez não sejam mais que infelicidades cotidianas e medicando-as de forma precipitada.

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/04/brasil-deprimido.shtml/. Acesso em 07.05.2022. Adaptado)

Assinale a alternativa que substitui, corretamente e sem alteração de sentido, o fragmento em destaque no trecho do 1º parágrafo – Se não chega a surpreender, é de consternar o anúncio de que casos de depressão estão em alta no Brasil.

 

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2262995 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Piracicaba-SP

Se não chega a surpreender, é de consternar o anúncio de que casos de depressão estão em alta no Brasil. Nada menos que 11,3% dos que aqui vivem, mais de 24 milhões de pessoas, relatam diagnóstico médico desse transtorno mental.

Aferiu-se o dado na versão 2021 da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, segundo reportou o jornal O Estado de S. Paulo. Antes se conheciam 10% de prevalência, conforme a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019; em 2013, eram 7,6%.

A estatística ultrapassa aquilo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) registra para o Brasil, 5,3%. Supera, também, a proporção de casos nos Estados Unidos, de 8,4% da população acima de 18 anos (critérios díspares, contudo, podem prejudicar a comparação).

De toda maneira, constata-se número elevado e crescente de brasileiros padecendo de uma doença que pode ser incapacitante. De acordo com a OMS, a depressão está entre as principais causas de faltas no trabalho e, ao lado da ansiedade, provoca prejuízo econômico mundial de US$ 1 trilhão anual.

As causas do crescimento, aqui, não são triviais de elucidar. Perdas de pessoas próximas, emprego e renda durante a pandemia de Covid-19 surgem como principais suspeitos.

A Vigitel apontou ainda aumento no abuso de álcool, que atinge 18,3% da população, e restrição da atividade física (48,2% exercitam-se menos do que seria desejável). Ambos os fatores contribuem para depressões e também podem derivar da pandemia.

Por fim, e paradoxalmente, não se exclui que parte da alta resulte de fenômeno sociocultural positivo: redução do preconceito. Hoje soa menos constrangedor admitir-se deprimido e buscar tratamento, o que leva ao acréscimo de registros.

Tampouco se descarta que haja erros de diagnóstico. Por falta de treinamento ou especialização, alguns médicos podem estar identificando a patologia de modo equivocado, tratando como doenças o que talvez não sejam mais que infelicidades cotidianas e medicando-as de forma precipitada.

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/04/brasil-deprimido.shtml/. Acesso em 07.05.2022. Adaptado)

Assinale a alternativa que substitui, corretamente e sem alteração de sentido, o termo em destaque no trecho do 5º parágrafo – As causas do crescimento, aqui, não são triviais de elucidar.

 

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2262994 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Piracicaba-SP

Se não chega a surpreender, é de consternar o anúncio de que casos de depressão estão em alta no Brasil. Nada menos que 11,3% dos que aqui vivem, mais de 24 milhões de pessoas, relatam diagnóstico médico desse transtorno mental.

Aferiu-se o dado na versão 2021 da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, segundo reportou o jornal O Estado de S. Paulo. Antes se conheciam 10% de prevalência, conforme a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019; em 2013, eram 7,6%.

A estatística ultrapassa aquilo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) registra para o Brasil, 5,3%. Supera, também, a proporção de casos nos Estados Unidos, de 8,4% da população acima de 18 anos (critérios díspares, contudo, podem prejudicar a comparação).

De toda maneira, constata-se número elevado e crescente de brasileiros padecendo de uma doença que pode ser incapacitante. De acordo com a OMS, a depressão está entre as principais causas de faltas no trabalho e, ao lado da ansiedade, provoca prejuízo econômico mundial de US$ 1 trilhão anual.

As causas do crescimento, aqui, não são triviais de elucidar. Perdas de pessoas próximas, emprego e renda durante a pandemia de Covid-19 surgem como principais suspeitos.

A Vigitel apontou ainda aumento no abuso de álcool, que atinge 18,3% da população, e restrição da atividade física (48,2% exercitam-se menos do que seria desejável). Ambos os fatores contribuem para depressões e também podem derivar da pandemia.

Por fim, e paradoxalmente, não se exclui que parte da alta resulte de fenômeno sociocultural positivo: redução do preconceito. Hoje soa menos constrangedor admitir-se deprimido e buscar tratamento, o que leva ao acréscimo de registros.

Tampouco se descarta que haja erros de diagnóstico. Por falta de treinamento ou especialização, alguns médicos podem estar identificando a patologia de modo equivocado, tratando como doenças o que talvez não sejam mais que infelicidades cotidianas e medicando-as de forma precipitada.

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/04/brasil-deprimido.shtml/. Acesso em 07.05.2022. Adaptado)

No fragmento – A estatística ultrapassa aquilo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) registra para o Brasil, 5,3%. Supera, também, a proporção de casos nos Estados Unidos, de 8,4% da população acima de 18 anos (critérios díspares, contudo, podem prejudicar a comparação) –, o trecho em destaque apresenta

 

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2262993 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Piracicaba-SP

Se não chega a surpreender, é de consternar o anúncio de que casos de depressão estão em alta no Brasil. Nada menos que 11,3% dos que aqui vivem, mais de 24 milhões de pessoas, relatam diagnóstico médico desse transtorno mental.

Aferiu-se o dado na versão 2021 da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, segundo reportou o jornal O Estado de S. Paulo. Antes se conheciam 10% de prevalência, conforme a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019; em 2013, eram 7,6%.

A estatística ultrapassa aquilo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) registra para o Brasil, 5,3%. Supera, também, a proporção de casos nos Estados Unidos, de 8,4% da população acima de 18 anos (critérios díspares, contudo, podem prejudicar a comparação).

De toda maneira, constata-se número elevado e crescente de brasileiros padecendo de uma doença que pode ser incapacitante. De acordo com a OMS, a depressão está entre as principais causas de faltas no trabalho e, ao lado da ansiedade, provoca prejuízo econômico mundial de US$ 1 trilhão anual.

As causas do crescimento, aqui, não são triviais de elucidar. Perdas de pessoas próximas, emprego e renda durante a pandemia de Covid-19 surgem como principais suspeitos.

A Vigitel apontou ainda aumento no abuso de álcool, que atinge 18,3% da população, e restrição da atividade física (48,2% exercitam-se menos do que seria desejável). Ambos os fatores contribuem para depressões e também podem derivar da pandemia.

Por fim, e paradoxalmente, não se exclui que parte da alta resulte de fenômeno sociocultural positivo: redução do preconceito. Hoje soa menos constrangedor admitir-se deprimido e buscar tratamento, o que leva ao acréscimo de registros.

Tampouco se descarta que haja erros de diagnóstico. Por falta de treinamento ou especialização, alguns médicos podem estar identificando a patologia de modo equivocado, tratando como doenças o que talvez não sejam mais que infelicidades cotidianas e medicando-as de forma precipitada.

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/04/brasil-deprimido.shtml/. Acesso em 07.05.2022. Adaptado)

No trecho do 1º parágrafo – Nada menos que 11,3% dos que aqui vivem, mais de 24 milhões de pessoas, relatam diagnóstico médico desse transtorno mental. – a expressão realçada foi empregada a fim de se

 

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2262992 Ano: 2022
Disciplina: Português
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Se não chega a surpreender, é de consternar o anúncio de que casos de depressão estão em alta no Brasil. Nada menos que 11,3% dos que aqui vivem, mais de 24 milhões de pessoas, relatam diagnóstico médico desse transtorno mental.

Aferiu-se o dado na versão 2021 da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, segundo reportou o jornal O Estado de S. Paulo. Antes se conheciam 10% de prevalência, conforme a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019; em 2013, eram 7,6%.

A estatística ultrapassa aquilo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) registra para o Brasil, 5,3%. Supera, também, a proporção de casos nos Estados Unidos, de 8,4% da população acima de 18 anos (critérios díspares, contudo, podem prejudicar a comparação).

De toda maneira, constata-se número elevado e crescente de brasileiros padecendo de uma doença que pode ser incapacitante. De acordo com a OMS, a depressão está entre as principais causas de faltas no trabalho e, ao lado da ansiedade, provoca prejuízo econômico mundial de US$ 1 trilhão anual.

As causas do crescimento, aqui, não são triviais de elucidar. Perdas de pessoas próximas, emprego e renda durante a pandemia de Covid-19 surgem como principais suspeitos.

A Vigitel apontou ainda aumento no abuso de álcool, que atinge 18,3% da população, e restrição da atividade física (48,2% exercitam-se menos do que seria desejável). Ambos os fatores contribuem para depressões e também podem derivar da pandemia.

Por fim, e paradoxalmente, não se exclui que parte da alta resulte de fenômeno sociocultural positivo: redução do preconceito. Hoje soa menos constrangedor admitir-se deprimido e buscar tratamento, o que leva ao acréscimo de registros.

Tampouco se descarta que haja erros de diagnóstico. Por falta de treinamento ou especialização, alguns médicos podem estar identificando a patologia de modo equivocado, tratando como doenças o que talvez não sejam mais que infelicidades cotidianas e medicando-as de forma precipitada.

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/04/brasil-deprimido.shtml/. Acesso em 07.05.2022. Adaptado)

De acordo com o texto, é possível afirmar que

 

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