Foram encontradas 210 questões.
Leia o texto a seguir para responder a questão:
Uma viagem de saudades
Ela saíra aos dezessete anos, trinta anos atrás. Deixou
noivo e uma promessa de emigrarem juntos para a América
logo que voltasse da viagem que duraria três meses. Ia
conhecer o pai, que, por causa de uma hipótese de traição,
tinha jurado nunca mais voltar à ilha Brava.
Dos três meses iniciais a ausência durou trinta anos e
três dias. Voltava agora. Intacta. Para casar com o primeiro
namorado, moço bonito, branco e de cabelo fino; tão fino
como qualquer francês. Voltava e nunca mais, em nome de
coisa nenhuma, se separariam.
Contou-me todos os sonhos da sua juventude, os segredos, os jogos partilhados com o noivo, as esperanças e as
certezas.
Era a primeira vez, naqueles anos todos, que falava do
assunto e abria o coração, porque dantes não valia a pena.
Mas agora que estava tão perto da ilha Brava, só lhe
apetecia falar dele, dele e mais dele e da certeza de se
casarem que sempre guardou.
Disse-me o nome do homem e teve que o repetir umas
duas vezes para eu o ligar à pessoa que conhecia, atarracado pelos anos e pelas gorduras, careca, avermelhado
pelo grogue*.
Não disse nada à rapariga de dezessete anos, que estava à minha frente trinta anos depois.
Ela casara em França, foi feliz, foi infeliz, viveu e
morreu como todos nós nesses anos todos; mas era como
se o tempo lhe tivesse poupado o coração; como se a esperança não tivesse sofrido um lanho* que fosse, enquanto
estivera ausente.
Podia ter-lhe dito que voltasse para a França, para junto
da filha e dos netos e que esquecesse os antigos amores que
só devem existir na lembrança guardada, mas fiquei calado
e nem pude sorrir para ela e desejar-lhe sorte quando se levantou do caixote para embarcar no Furna a caminho da sua
ilha e do seu homem.
Nunca mais a vi. Nem gostaria de a ter visto. Para que
saber de anseios sem resposta.
(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)
*Grogue: aguardente.
**Lanho: ferimento.
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Uma viagem de saudades
Ela saíra aos dezessete anos, trinta anos atrás. Deixou
noivo e uma promessa de emigrarem juntos para a América
logo que voltasse da viagem que duraria três meses. Ia
conhecer o pai, que, por causa de uma hipótese de traição,
tinha jurado nunca mais voltar à ilha Brava.
Dos três meses iniciais a ausência durou trinta anos e
três dias. Voltava agora. Intacta. Para casar com o primeiro
namorado, moço bonito, branco e de cabelo fino; tão fino
como qualquer francês. Voltava e nunca mais, em nome de
coisa nenhuma, se separariam.
Contou-me todos os sonhos da sua juventude, os segredos, os jogos partilhados com o noivo, as esperanças e as
certezas.
Era a primeira vez, naqueles anos todos, que falava do
assunto e abria o coração, porque dantes não valia a pena.
Mas agora que estava tão perto da ilha Brava, só lhe
apetecia falar dele, dele e mais dele e da certeza de se
casarem que sempre guardou.
Disse-me o nome do homem e teve que o repetir umas
duas vezes para eu o ligar à pessoa que conhecia, atarracado pelos anos e pelas gorduras, careca, avermelhado
pelo grogue*.
Não disse nada à rapariga de dezessete anos, que estava à minha frente trinta anos depois.
Ela casara em França, foi feliz, foi infeliz, viveu e
morreu como todos nós nesses anos todos; mas era como
se o tempo lhe tivesse poupado o coração; como se a esperança não tivesse sofrido um lanho* que fosse, enquanto
estivera ausente.
Podia ter-lhe dito que voltasse para a França, para junto
da filha e dos netos e que esquecesse os antigos amores que
só devem existir na lembrança guardada, mas fiquei calado
e nem pude sorrir para ela e desejar-lhe sorte quando se levantou do caixote para embarcar no Furna a caminho da sua
ilha e do seu homem.
Nunca mais a vi. Nem gostaria de a ter visto. Para que
saber de anseios sem resposta.
(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)
*Grogue: aguardente.
**Lanho: ferimento.
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Uma viagem de saudades
Ela saíra aos dezessete anos, trinta anos atrás. Deixou
noivo e uma promessa de emigrarem juntos para a América
logo que voltasse da viagem que duraria três meses. Ia
conhecer o pai, que, por causa de uma hipótese de traição,
tinha jurado nunca mais voltar à ilha Brava.
Dos três meses iniciais a ausência durou trinta anos e
três dias. Voltava agora. Intacta. Para casar com o primeiro
namorado, moço bonito, branco e de cabelo fino; tão fino
como qualquer francês. Voltava e nunca mais, em nome de
coisa nenhuma, se separariam.
Contou-me todos os sonhos da sua juventude, os segredos, os jogos partilhados com o noivo, as esperanças e as
certezas.
Era a primeira vez, naqueles anos todos, que falava do
assunto e abria o coração, porque dantes não valia a pena.
Mas agora que estava tão perto da ilha Brava, só lhe
apetecia falar dele, dele e mais dele e da certeza de se
casarem que sempre guardou.
Disse-me o nome do homem e teve que o repetir umas
duas vezes para eu o ligar à pessoa que conhecia, atarracado pelos anos e pelas gorduras, careca, avermelhado
pelo grogue*.
Não disse nada à rapariga de dezessete anos, que estava à minha frente trinta anos depois.
Ela casara em França, foi feliz, foi infeliz, viveu e
morreu como todos nós nesses anos todos; mas era como
se o tempo lhe tivesse poupado o coração; como se a esperança não tivesse sofrido um lanho* que fosse, enquanto
estivera ausente.
Podia ter-lhe dito que voltasse para a França, para junto
da filha e dos netos e que esquecesse os antigos amores que
só devem existir na lembrança guardada, mas fiquei calado
e nem pude sorrir para ela e desejar-lhe sorte quando se levantou do caixote para embarcar no Furna a caminho da sua
ilha e do seu homem.
Nunca mais a vi. Nem gostaria de a ter visto. Para que
saber de anseios sem resposta.
(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)
*Grogue: aguardente.
**Lanho: ferimento.
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Uma viagem de saudades
Ela saíra aos dezessete anos, trinta anos atrás. Deixou
noivo e uma promessa de emigrarem juntos para a América
logo que voltasse da viagem que duraria três meses. Ia
conhecer o pai, que, por causa de uma hipótese de traição,
tinha jurado nunca mais voltar à ilha Brava.
Dos três meses iniciais a ausência durou trinta anos e
três dias. Voltava agora. Intacta. Para casar com o primeiro
namorado, moço bonito, branco e de cabelo fino; tão fino
como qualquer francês. Voltava e nunca mais, em nome de
coisa nenhuma, se separariam.
Contou-me todos os sonhos da sua juventude, os segredos, os jogos partilhados com o noivo, as esperanças e as
certezas.
Era a primeira vez, naqueles anos todos, que falava do
assunto e abria o coração, porque dantes não valia a pena.
Mas agora que estava tão perto da ilha Brava, só lhe
apetecia falar dele, dele e mais dele e da certeza de se
casarem que sempre guardou.
Disse-me o nome do homem e teve que o repetir umas
duas vezes para eu o ligar à pessoa que conhecia, atarracado pelos anos e pelas gorduras, careca, avermelhado
pelo grogue*.
Não disse nada à rapariga de dezessete anos, que estava à minha frente trinta anos depois.
Ela casara em França, foi feliz, foi infeliz, viveu e
morreu como todos nós nesses anos todos; mas era como
se o tempo lhe tivesse poupado o coração; como se a esperança não tivesse sofrido um lanho* que fosse, enquanto
estivera ausente.
Podia ter-lhe dito que voltasse para a França, para junto
da filha e dos netos e que esquecesse os antigos amores que
só devem existir na lembrança guardada, mas fiquei calado
e nem pude sorrir para ela e desejar-lhe sorte quando se levantou do caixote para embarcar no Furna a caminho da sua
ilha e do seu homem.
Nunca mais a vi. Nem gostaria de a ter visto. Para que
saber de anseios sem resposta.
(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)
*Grogue: aguardente.
**Lanho: ferimento.
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Leia o texto a seguir para responder a questão:
Brasil precisa abraçar a velhice
O Brasil não escapa à urgência de aceitar-se velho.
Projeções recentes do IBGE deixam evidente que, se não
começar a se ajustar agora à nova configuração etária que
se molda de forma acelerada, o país corre o risco de ver
estruturas sociais debilitadas colapsarem. Até 2030 — ou
seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos
do que crianças. Pouco tempo depois, em 2046, os 60 formarão a maior fatia populacional do país, chegando a 28%,
quase o dobro do percentual atual.
Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso
será, sem dúvidas, um desafio. E não faltam sinais de que o
Brasil resiste a enfrentar a “verdade das coisas”. No campo
da saúde, a falta de profissionais especializados é gritante. A estimativa do Conselho Federal de Medicina é de que
seriam necessários mais 29 mil geriatras para dar suporte
à atual população idosa conforme as recomendações da
Organização Mundial da Saúde (OMS) — hoje são apenas
2.670 profissionais, contra 48.650 pediatras.
Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos,
em todas as suas formas. Em 2023, foram registradas
390 queixas de denúncias de violência contra os mais velhos
por dia, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos
Humanos. Considerando o fato de que os filhos são os principais agressores, ao menos a metade deles, é razoável afirmar que o número real de vítimas é muito maior.
Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é
mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência
psicológica, passando por abusos físicos e financeiros. Diante de um compilado tão diverso de agressões, a adequação
das estruturas de segurança e de suporte às vítimas deve ser
prioridade. Delegacias especializadas, agentes qualificados e
refúgio aos vulneráveis — quase sempre pessoas que também sofrem com a autonomia comprometida — estão entre
as demandas de agora.
Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o
mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos
a lazer e cultura. Tudo isso considerando as especificidades de um país diverso e continental: os idosos que vivem
hoje em favelas, como as fluminenses, têm dificuldades de
chegar aos serviços do Estado que não sobem o morro, por
exemplo. Abraçar a velhice exige do Brasil planejamento e,
sobretudo, ação. O país, infelizmente, tem perdido a oportunidade de usufruir da longevidade conquistada de uma
forma mais justa e sustentável.
(Editorial, 29.04.2025. Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)
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Brasil precisa abraçar a velhice
O Brasil não escapa à urgência de aceitar-se velho.
Projeções recentes do IBGE deixam evidente que, se não
começar a se ajustar agora à nova configuração etária que
se molda de forma acelerada, o país corre o risco de ver
estruturas sociais debilitadas colapsarem. Até 2030 — ou
seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos
do que crianças. Pouco tempo depois, em 2046, os 60 formarão a maior fatia populacional do país, chegando a 28%,
quase o dobro do percentual atual.
Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso
será, sem dúvidas, um desafio. E não faltam sinais de que o
Brasil resiste a enfrentar a “verdade das coisas”. No campo
da saúde, a falta de profissionais especializados é gritante. A estimativa do Conselho Federal de Medicina é de que
seriam necessários mais 29 mil geriatras para dar suporte
à atual população idosa conforme as recomendações da
Organização Mundial da Saúde (OMS) — hoje são apenas
2.670 profissionais, contra 48.650 pediatras.
Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos,
em todas as suas formas. Em 2023, foram registradas
390 queixas de denúncias de violência contra os mais velhos
por dia, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos
Humanos. Considerando o fato de que os filhos são os principais agressores, ao menos a metade deles, é razoável afirmar que o número real de vítimas é muito maior.
Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é
mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência
psicológica, passando por abusos físicos e financeiros. Diante de um compilado tão diverso de agressões, a adequação
das estruturas de segurança e de suporte às vítimas deve ser
prioridade. Delegacias especializadas, agentes qualificados e
refúgio aos vulneráveis — quase sempre pessoas que também sofrem com a autonomia comprometida — estão entre
as demandas de agora.
Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o
mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos
a lazer e cultura. Tudo isso considerando as especificidades de um país diverso e continental: os idosos que vivem
hoje em favelas, como as fluminenses, têm dificuldades de
chegar aos serviços do Estado que não sobem o morro, por
exemplo. Abraçar a velhice exige do Brasil planejamento e,
sobretudo, ação. O país, infelizmente, tem perdido a oportunidade de usufruir da longevidade conquistada de uma
forma mais justa e sustentável.
(Editorial, 29.04.2025. Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)
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Brasil precisa abraçar a velhice
O Brasil não escapa à urgência de aceitar-se velho.
Projeções recentes do IBGE deixam evidente que, se não
começar a se ajustar agora à nova configuração etária que
se molda de forma acelerada, o país corre o risco de ver
estruturas sociais debilitadas colapsarem. Até 2030 — ou
seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos
do que crianças. Pouco tempo depois, em 2046, os 60 formarão a maior fatia populacional do país, chegando a 28%,
quase o dobro do percentual atual.
Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso
será, sem dúvidas, um desafio. E não faltam sinais de que o
Brasil resiste a enfrentar a “verdade das coisas”. No campo
da saúde, a falta de profissionais especializados é gritante. A estimativa do Conselho Federal de Medicina é de que
seriam necessários mais 29 mil geriatras para dar suporte
à atual população idosa conforme as recomendações da
Organização Mundial da Saúde (OMS) — hoje são apenas
2.670 profissionais, contra 48.650 pediatras.
Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos,
em todas as suas formas. Em 2023, foram registradas
390 queixas de denúncias de violência contra os mais velhos
por dia, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos
Humanos. Considerando o fato de que os filhos são os principais agressores, ao menos a metade deles, é razoável afirmar que o número real de vítimas é muito maior.
Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é
mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência
psicológica, passando por abusos físicos e financeiros. Diante de um compilado tão diverso de agressões, a adequação
das estruturas de segurança e de suporte às vítimas deve ser
prioridade. Delegacias especializadas, agentes qualificados e
refúgio aos vulneráveis — quase sempre pessoas que também sofrem com a autonomia comprometida — estão entre
as demandas de agora.
Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o
mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos
a lazer e cultura. Tudo isso considerando as especificidades de um país diverso e continental: os idosos que vivem
hoje em favelas, como as fluminenses, têm dificuldades de
chegar aos serviços do Estado que não sobem o morro, por
exemplo. Abraçar a velhice exige do Brasil planejamento e,
sobretudo, ação. O país, infelizmente, tem perdido a oportunidade de usufruir da longevidade conquistada de uma
forma mais justa e sustentável.
(Editorial, 29.04.2025. Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)
• ... o país corre o risco de ver estruturas sociais debilitadas colapsarem. (1º parágrafo)
• Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso será, sem dúvidas, um desafio. (2º parágrafo)
• Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência psicológica... (4º parágrafo)
Conforme o contexto em que estão empregados, os termos destacados significam, correta e respectivamente,
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Brasil precisa abraçar a velhice
O Brasil não escapa à urgência de aceitar-se velho.
Projeções recentes do IBGE deixam evidente que, se não
começar a se ajustar agora à nova configuração etária que
se molda de forma acelerada, o país corre o risco de ver
estruturas sociais debilitadas colapsarem. Até 2030 — ou
seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos
do que crianças. Pouco tempo depois, em 2046, os 60 formarão a maior fatia populacional do país, chegando a 28%,
quase o dobro do percentual atual.
Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso
será, sem dúvidas, um desafio. E não faltam sinais de que o
Brasil resiste a enfrentar a “verdade das coisas”. No campo
da saúde, a falta de profissionais especializados é gritante. A estimativa do Conselho Federal de Medicina é de que
seriam necessários mais 29 mil geriatras para dar suporte
à atual população idosa conforme as recomendações da
Organização Mundial da Saúde (OMS) — hoje são apenas
2.670 profissionais, contra 48.650 pediatras.
Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos,
em todas as suas formas. Em 2023, foram registradas
390 queixas de denúncias de violência contra os mais velhos
por dia, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos
Humanos. Considerando o fato de que os filhos são os principais agressores, ao menos a metade deles, é razoável afirmar que o número real de vítimas é muito maior.
Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é
mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência
psicológica, passando por abusos físicos e financeiros. Diante de um compilado tão diverso de agressões, a adequação
das estruturas de segurança e de suporte às vítimas deve ser
prioridade. Delegacias especializadas, agentes qualificados e
refúgio aos vulneráveis — quase sempre pessoas que também sofrem com a autonomia comprometida — estão entre
as demandas de agora.
Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o
mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos
a lazer e cultura. Tudo isso considerando as especificidades de um país diverso e continental: os idosos que vivem
hoje em favelas, como as fluminenses, têm dificuldades de
chegar aos serviços do Estado que não sobem o morro, por
exemplo. Abraçar a velhice exige do Brasil planejamento e,
sobretudo, ação. O país, infelizmente, tem perdido a oportunidade de usufruir da longevidade conquistada de uma
forma mais justa e sustentável.
(Editorial, 29.04.2025. Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)
• Até 2030 — ou seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos do que crianças. (1º parágrafo)
• Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso será, sem dúvidas, um desafio. (2º parágrafo)
• Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos a lazer e cultura. (5º parágrafo)
Na organização das informações textuais, as passagens destacadas expressam, correta e respectivamente, ideias de
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Projeções recentes do IBGE deixam evidente que, se não
começar a se ajustar agora à nova configuração etária que
se molda de forma acelerada, o país corre o risco de ver
estruturas sociais debilitadas colapsarem. Até 2030 — ou
seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos
do que crianças. Pouco tempo depois, em 2046, os 60 formarão a maior fatia populacional do país, chegando a 28%,
quase o dobro do percentual atual.
Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso
será, sem dúvidas, um desafio. E não faltam sinais de que o
Brasil resiste a enfrentar a “verdade das coisas”. No campo
da saúde, a falta de profissionais especializados é gritante. A estimativa do Conselho Federal de Medicina é de que
seriam necessários mais 29 mil geriatras para dar suporte
à atual população idosa conforme as recomendações da
Organização Mundial da Saúde (OMS) — hoje são apenas
2.670 profissionais, contra 48.650 pediatras.
Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos,
em todas as suas formas. Em 2023, foram registradas
390 queixas de denúncias de violência contra os mais velhos
por dia, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos
Humanos. Considerando o fato de que os filhos são os principais agressores, ao menos a metade deles, é razoável afirmar que o número real de vítimas é muito maior.
Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é
mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência
psicológica, passando por abusos físicos e financeiros. Diante de um compilado tão diverso de agressões, a adequação
das estruturas de segurança e de suporte às vítimas deve ser
prioridade. Delegacias especializadas, agentes qualificados e
refúgio aos vulneráveis — quase sempre pessoas que também sofrem com a autonomia comprometida — estão entre
as demandas de agora.
Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o
mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos
a lazer e cultura. Tudo isso considerando as especificidades de um país diverso e continental: os idosos que vivem
hoje em favelas, como as fluminenses, têm dificuldades de
chegar aos serviços do Estado que não sobem o morro, por
exemplo. Abraçar a velhice exige do Brasil planejamento e,
sobretudo, ação. O país, infelizmente, tem perdido a oportunidade de usufruir da longevidade conquistada de uma
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se molda de forma acelerada, o país corre o risco de ver
estruturas sociais debilitadas colapsarem. Até 2030 — ou
seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos
do que crianças. Pouco tempo depois, em 2046, os 60 formarão a maior fatia populacional do país, chegando a 28%,
quase o dobro do percentual atual.
Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso
será, sem dúvidas, um desafio. E não faltam sinais de que o
Brasil resiste a enfrentar a “verdade das coisas”. No campo
da saúde, a falta de profissionais especializados é gritante. A estimativa do Conselho Federal de Medicina é de que
seriam necessários mais 29 mil geriatras para dar suporte
à atual população idosa conforme as recomendações da
Organização Mundial da Saúde (OMS) — hoje são apenas
2.670 profissionais, contra 48.650 pediatras.
Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos,
em todas as suas formas. Em 2023, foram registradas
390 queixas de denúncias de violência contra os mais velhos
por dia, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos
Humanos. Considerando o fato de que os filhos são os principais agressores, ao menos a metade deles, é razoável afirmar que o número real de vítimas é muito maior.
Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é
mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência
psicológica, passando por abusos físicos e financeiros. Diante de um compilado tão diverso de agressões, a adequação
das estruturas de segurança e de suporte às vítimas deve ser
prioridade. Delegacias especializadas, agentes qualificados e
refúgio aos vulneráveis — quase sempre pessoas que também sofrem com a autonomia comprometida — estão entre
as demandas de agora.
Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o
mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos
a lazer e cultura. Tudo isso considerando as especificidades de um país diverso e continental: os idosos que vivem
hoje em favelas, como as fluminenses, têm dificuldades de
chegar aos serviços do Estado que não sobem o morro, por
exemplo. Abraçar a velhice exige do Brasil planejamento e,
sobretudo, ação. O país, infelizmente, tem perdido a oportunidade de usufruir da longevidade conquistada de uma
forma mais justa e sustentável.
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