Magna Concursos

Foram encontradas 1.695 questões.

Assinale a alternativa em que a palavra apresenta erro de acentuação gráfica, de acordo com as regras do acordo ortogrófico vigente.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Assinale a alternativa em que uma das orações da sentença exprime sentido temporal.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O clube

― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…

― E gordos…

― Você está enorme.

― Você também.

― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.

― É o que eu sempre digo: comida È bom e alimenta.

― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?

― Você não se lembra? Não há mais criados.

― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.

― Mas eu vivo só para estas reuniões.

― Eu também. Não há mais nada.

― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.

― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.

― Ali se sentava o… Como era mesmo?

― O Gastão.

― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…

― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escãndalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar ótimo. Nunca o perdoei.

― É engraçado. Não consigo me lembrar…

― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.

― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.

― Ali, sentava o doutor Malvino.

― Camarões com molho de nata.

― Não. Musse de salmão.

― Exato. Divina. E do lado dele…

― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer.

Coração.

― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.

― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…

― Lamentável, lamentável.

― E quando morreu o Parreirinha?

― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.

― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.

― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.

― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]

― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.

― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.

― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…

― Cuidado. Assim. Epa.

― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.

― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.

― Olha a garrafa!

― Caiu embaixo da mesa.

― O fogo já chegou no chão.

― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.

― Salva as panquecas! Salva as panquecas!

― Tarde demais.

― Acho que devíamos chamar alguém para…

― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguám aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.

― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?

― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.

― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.

― Ai.

― Hein?

― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?

― Bisque de lagosta.

― Pena, pena. Enfim…

― O pior é morrer assim, queimado.

― Você preferia como?

― Pelo menos mal-passado.

LuÌs Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.

Considere a seguinte sentença, retirada do texto: “Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.” Em relação às classes gramaticais, as palavras “já”, “meus”, “menos” e “comida” são, respectivamente:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O clube

― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…

― E gordos…

― Você está enorme.

― Você também.

― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.

― É o que eu sempre digo: comida È bom e alimenta.

― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?

― Você não se lembra? Não há mais criados.

― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.

― Mas eu vivo só para estas reuniões.

― Eu também. Não há mais nada.

― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.

― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.

― Ali se sentava o… Como era mesmo?

― O Gastão.

― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…

― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escãndalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar ótimo. Nunca o perdoei.

― É engraçado. Não consigo me lembrar…

― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.

― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.

― Ali, sentava o doutor Malvino.

― Camarões com molho de nata.

― Não. Musse de salmão.

― Exato. Divina. E do lado dele…

― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer.

Coração.

― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.

― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…

― Lamentável, lamentável.

― E quando morreu o Parreirinha?

― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.

― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.

― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.

― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]

― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.

― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.

― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…

― Cuidado. Assim. Epa.

― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.

― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.

― Olha a garrafa!

― Caiu embaixo da mesa.

― O fogo já chegou no chão.

― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.

― Salva as panquecas! Salva as panquecas!

― Tarde demais.

― Acho que devíamos chamar alguém para…

― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguám aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.

― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?

― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.

― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.

― Ai.

― Hein?

― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?

― Bisque de lagosta.

― Pena, pena. Enfim…

― O pior é morrer assim, queimado.

― Você preferia como?

― Pelo menos mal-passado.

LuÌs Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.

Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:

I. “Sempre fomos incompreendidos.”

II. “Pensamos em recorrer à Justiça, lembra?”

Nas sentenças dadas, os verbos “ser” e “recorrer” apresentam, respectivamente, as regências:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O clube

― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…

― E gordos…

― Você está enorme.

― Você também.

― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.

― É o que eu sempre digo: comida È bom e alimenta.

― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?

― Você não se lembra? Não há mais criados.

― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.

― Mas eu vivo só para estas reuniões.

― Eu também. Não há mais nada.

― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.

― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.

― Ali se sentava o… Como era mesmo?

― O Gastão.

― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…

― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escãndalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar ótimo. Nunca o perdoei.

― É engraçado. Não consigo me lembrar…

― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.

― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.

― Ali, sentava o doutor Malvino.

― Camarões com molho de nata.

― Não. Musse de salmão.

― Exato. Divina. E do lado dele…

― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer.

Coração.

― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.

― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…

― Lamentável, lamentável.

― E quando morreu o Parreirinha?

― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.

― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.

― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.

― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]

― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.

― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.

― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…

― Cuidado. Assim. Epa.

― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.

― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.

― Olha a garrafa!

― Caiu embaixo da mesa.

― O fogo já chegou no chão.

― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.

― Salva as panquecas! Salva as panquecas!

― Tarde demais.

― Acho que devíamos chamar alguém para…

― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguám aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.

― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?

― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.

― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.

― Ai.

― Hein?

― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?

― Bisque de lagosta.

― Pena, pena. Enfim…

― O pior é morrer assim, queimado.

― Você preferia como?

― Pelo menos mal-passado.

LuÌs Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.

Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:

I. “Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.”

II. “Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?”

III. “― Acho que devíamos chamar alguém para…”

IV. “Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?”

V. “― Cuidado com esse fósforo.”

Nas sentenças dadas, observam-se diferentes tipos de pronomes. Aquela que apresenta apenas um pronome, sendo este do tipo demonstrativo, é a:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O clube

― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…

― E gordos…

― Você está enorme.

― Você também.

― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.

― É o que eu sempre digo: comida È bom e alimenta.

― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?

― Você não se lembra? Não há mais criados.

― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.

― Mas eu vivo só para estas reuniões.

― Eu também. Não há mais nada.

― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.

― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.

― Ali se sentava o… Como era mesmo?

― O Gastão.

― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…

― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escãndalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar ótimo. Nunca o perdoei.

― É engraçado. Não consigo me lembrar…

― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.

― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.

― Ali, sentava o doutor Malvino.

― Camarões com molho de nata.

― Não. Musse de salmão.

― Exato. Divina. E do lado dele…

― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer.

Coração.

― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.

― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…

― Lamentável, lamentável.

― E quando morreu o Parreirinha?

― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.

― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.

― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.

― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]

― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.

― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.

― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…

― Cuidado. Assim. Epa.

― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.

― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.

― Olha a garrafa!

― Caiu embaixo da mesa.

― O fogo já chegou no chão.

― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.

― Salva as panquecas! Salva as panquecas!

― Tarde demais.

― Acho que devíamos chamar alguém para…

― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguám aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.

― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?

― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.

― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.

― Ai.

― Hein?

― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?

― Bisque de lagosta.

― Pena, pena. Enfim…

― O pior é morrer assim, queimado.

― Você preferia como?

― Pelo menos mal-passado.

LuÌs Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.

Considere o seguinte excerto: “Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta.” No contexto em que ocorre, a palavra “atravessada” está em relação direta de concordância com:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O clube

― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…

― E gordos…

― Você está enorme.

― Você também.

― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.

― É o que eu sempre digo: comida È bom e alimenta.

― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?

― Você não se lembra? Não há mais criados.

― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.

― Mas eu vivo só para estas reuniões.

― Eu também. Não há mais nada.

― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.

― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.

― Ali se sentava o… Como era mesmo?

― O Gastão.

― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…

― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escãndalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar ótimo. Nunca o perdoei.

― É engraçado. Não consigo me lembrar…

― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.

― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.

― Ali, sentava o doutor Malvino.

― Camarões com molho de nata.

― Não. Musse de salmão.

― Exato. Divina. E do lado dele…

― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer.

Coração.

― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.

― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…

― Lamentável, lamentável.

― E quando morreu o Parreirinha?

― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.

― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.

― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.

― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]

― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.

― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.

― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…

― Cuidado. Assim. Epa.

― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.

― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.

― Olha a garrafa!

― Caiu embaixo da mesa.

― O fogo já chegou no chão.

― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.

― Salva as panquecas! Salva as panquecas!

― Tarde demais.

― Acho que devíamos chamar alguém para…

― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguám aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.

― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?

― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.

― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.

― Ai.

― Hein?

― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?

― Bisque de lagosta.

― Pena, pena. Enfim…

― O pior é morrer assim, queimado.

― Você preferia como?

― Pelo menos mal-passado.

LuÌs Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.

Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:

I. “― Você não se lembra? Não há mais criados.”

II. “― Ali se sentava o… Como era mesmo?”

III. “― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…”

Nas sentenças dadas, a palavra “se” atua como conjunção condicional apenas em:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O clube

― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…

― E gordos…

― Você está enorme.

― Você também.

― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.

― É o que eu sempre digo: comida È bom e alimenta.

― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?

― Você não se lembra? Não há mais criados.

― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.

― Mas eu vivo só para estas reuniões.

― Eu também. Não há mais nada.

― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.

― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.

― Ali se sentava o… Como era mesmo?

― O Gastão.

― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…

― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escãndalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar ótimo. Nunca o perdoei.

― É engraçado. Não consigo me lembrar…

― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.

― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.

― Ali, sentava o doutor Malvino.

― Camarões com molho de nata.

― Não. Musse de salmão.

― Exato. Divina. E do lado dele…

― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer.

Coração.

― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.

― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…

― Lamentável, lamentável.

― E quando morreu o Parreirinha?

― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.

― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.

― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.

― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]

― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.

― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.

― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…

― Cuidado. Assim. Epa.

― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.

― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.

― Olha a garrafa!

― Caiu embaixo da mesa.

― O fogo já chegou no chão.

― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.

― Salva as panquecas! Salva as panquecas!

― Tarde demais.

― Acho que devíamos chamar alguém para…

― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguám aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.

― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?

― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.

― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.

― Ai.

― Hein?

― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?

― Bisque de lagosta.

― Pena, pena. Enfim…

― O pior é morrer assim, queimado.

― Você preferia como?

― Pelo menos mal-passado.

LuÌs Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.

No excerto “Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.”, um dos personagens relembra o enterro de um dos membros do clube. Dado o comportamento dos membros em relação á comida, neste contexto, a ação de salivar junto ao caixão remete ao ato de:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O clube

― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…

― E gordos…

― Você está enorme.

― Você também.

― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.

― É o que eu sempre digo: comida È bom e alimenta.

― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?

― Você não se lembra? Não há mais criados.

― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.

― Mas eu vivo só para estas reuniões.

― Eu também. Não há mais nada.

― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.

― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.

― Ali se sentava o… Como era mesmo?

― O Gastão.

― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…

― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escãndalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar ótimo. Nunca o perdoei.

― É engraçado. Não consigo me lembrar…

― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.

― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.

― Ali, sentava o doutor Malvino.

― Camarões com molho de nata.

― Não. Musse de salmão.

― Exato. Divina. E do lado dele…

― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer.

Coração.

― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.

― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…

― Lamentável, lamentável.

― E quando morreu o Parreirinha?

― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.

― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.

― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.

― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]

― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.

― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.

― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…

― Cuidado. Assim. Epa.

― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.

― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.

― Olha a garrafa!

― Caiu embaixo da mesa.

― O fogo já chegou no chão.

― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.

― Salva as panquecas! Salva as panquecas!

― Tarde demais.

― Acho que devíamos chamar alguém para…

― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguám aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.

― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?

― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.

― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.

― Ai.

― Hein?

― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?

― Bisque de lagosta.

― Pena, pena. Enfim…

― O pior é morrer assim, queimado.

― Você preferia como?

― Pelo menos mal-passado.

LuÌs Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.

No texto “O clube”, de Luís Fernando Verissimo, o sentido cõmico é construído em função da forma como os personagens se comportam em relação á comida. O excerto em que se pode depreender o clímax do texto é:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3369505 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. Rio Claro-SP

Em qual das seguintes situações da língua portuguesa NÃO se utiliza a crase?

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas