Foram encontradas 380 questões.
Patrícia mora em uma casa alugada e o proprietário reajusta anualmente o valor do aluguel considerando o reajuste anual do salário-mínimo vigente.
Considerando que o reajuste do salário-mínimo tenha sido de 7% e o novo aluguel será de R$ 845,30, o valor do aluguel de Patrícia, antes do reajuste, era:
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Em certo vestibular para ingresso na universidade pública registrou-se a inscrição de 100 voluntários para trabalhar no dia de aplicação das provas. Sabe-se que 30 dessas pessoas inscreveram-se para fiscal de sala, 20 para fiscal de corredor e apenas 10 se inscreveram para as duas funções. Os demais voluntários inscreveram-se em outras funções. Considerando que um candidato seja escolhido aleatoriamente nesse conjunto de 100 pessoas, a probabilidade de que o indivíduo escolhido seja voluntário para a função de fiscal de sala ou para a função de fiscal de corredor é igual a:
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Certo agricultor de médio porte possui uma propriedade com área total de 36 hectares. Este ano ele pretende cultivar milho, quiabo e jiló na propriedade e dividiu a área para os plantios da seguinte forma: a parte correspondente ao milho terá o triplo da área da parte em que será plantado quiabo que, por sua vez, terá o dobro da área da parte correspondente ao jiló. Sendo a área total de plantio de 36 hectares, a área em que se irá plantar quiabo é de:
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“Dado o padrão de construção da sequência numérica: 2, 6, 24, 72, 288, 864, 3456, ___________.” Assinale a alternativa que apresenta o próximo termo desta sequência, de modo que o padrão seja mantido.
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Determinado gerente de produção decidiu dividir o trabalho de catalogação de 1.800 processos entre 4 servidores em partes inversamente proporcionais ao tempo de serviço de cada servidor. Os servidores têm 2, 3, 5 e 6 anos de serviço, respectivamente. Quantos processos serão catalogados por cada servidor, respectivamente?
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Nos últimos anos, o emprego informal vem crescendo no Brasil, principalmente nas grandes cidades. Uma pesquisa de trabalho de conclusão de curso apresentada por um estudante de administração mostra que somente 42% dos 4.250 trabalhadores não autônomos de um certo município da região Sudeste do país tem registro em carteira de trabalho. Considerando este dado da pesquisa, o número de trabalhadores informais não autônomos deste município é:
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Não aconselho envelhecer
Aos moços dou um conselho: não fiquem velhos. Verdade que as opções são poucas – ou morrer, ou lutar contra a velhice.
E morrer não seria opção, mas entrega; e a luta? Bem, a luta resulta sempre numa batalha perdida e inglória.
Entre os processos cruéis da natureza, é a velhice o mais cruel. Implacável, insidiosa, ataca por todos os lados, abre a porta
a todas as moléstias mortais. Pensando bem, é uma espécie de HIV a longo prazo. Te ataca o coração, o pulmão, todas as demais
vísceras – a tripa, o fígado, o que nos abatedouros se chama o arrasto. E mais a fiação arterial e venosa, e a coluna! E não falei
na atividade cerebral. E também esqueci os ossos, a infame osteoporose, que te rói os ossos pelo tutano, deixando-os como
frágeis cascas de ovos. E então basta um pequeno escorregão na banheira para deixar um fêmur fraturado.
Os moços compadecidos, os quarentões assustados e os próprios velhos, apelando para tudo, inventaram ultimamente
essas bobagens de “terceira idade”, clubes e associações que trabalham contra o isolamento e as tristezas da velhice. Mas não
se iluda, velho, meu amigo e colega. Ninguém está acreditando naquilo. Você já viu na TV um quadro de propaganda dessa falsa
recuperação de terceira idade? Um velho e uma velha, vestidos à moda dos anos trinta, tentando dançar um tango argentino?
É patético, embora a maioria dos moços apenas o considere docemente ridículo.
Diz-se que já se consegue muito na luta contra a velhice. Ginástica, dieta, malhação, corrida etc. Cirurgia plástica. Ah, já pensaram
no tormento de uma bela mulher, atriz, dama do soçaite, cortesã, que viva da e para a sua beleza, ao descobrir as primeiras rugas, a
flacidez do mento, daquela sutil rede de outras pequenas rugas que rodeiam os lábios? O Dr. Pitanguy opera e os seus colegas de mérito
variável também operam. Mas, por mais famosos, competentes e mágicos que sejam os cirurgiões plásticos, só fazem mágicas, não
fazem milagres. Esticam a pele sobre os músculos flácidos, fazem um peeling, que é uma espécie de raladura na cútis, fica lindo a
princípio, mas, como toda mágica, não dura muito. E aí têm que começar tudo outra vez, as cicatrizes já não se escondem tão bem
atrás das orelhas ou no couro cabeludo que, aparado, vai encurtando, deixando as pacientes com testas enormes, quase uma calvície.
E nem falei em calvície que, mercê de Deus, ataca mais os homens que as mulheres!
Você contempla no espelho, vê as rugas do seu rosto, do seu pescoço, como se olhasse uma máscara que se desfaz. Vê bem, sabe
como está velho, embora não sinta que está velho. Sua alma, seus sentimentos, sua cabeça, nada disso confirma a palavra ou a imagem
do espelho. Mas os outros só veem de você o que o espelho vê.
E ao par disso as cãs, quer dizer, os cabelos brancos? Bem, os cabelos, pintam-se. Mas vocês já descobriram que, por mais
excelentes sejam o cabeleireiro e as tinturas, o cabelo pintado fica sempre gritantemente diverso do natural? Pensei sobre isso
e acabei descobrindo: o cabelo nosso, a natureza lhe dá cor de fio em fio, cada fio na sua tonalidade, uns mais claros, outros
mais escuros: o conjunto toma esse colorido inimitável, que profissional nenhum pode obter, já que lhe é impossível tingir fio
por fio. E, daí, essas senhoras de comas tão louras, tão ruivas, tão castanhas e negras, não iludirem nunca, darem mesmo a
impressão de que usam perucas.
E, no final de tudo, vem o envelhecimento da cabeça, da inteligência, das ideias, da alma – da chamada psiquê. O velho
tenta se equiparar às audácias dos jovens, até mesmo excedê-las – mas a si próprio não se convence. Sabe que as suas ideias
são as do seu tempo, fruto do que leu, viu e acumulou; e isso pode ser camuflado, mas não pode ser modificado. Dizem que as
células cerebrais não se renovam, como as demais células do corpo – será verdade? Até mesmo as ideias dos gênios mortos
envelhecem; e diante das ideias de um Nietzsche, de um Freud, tem que se dar o desconto do tempo e das mudanças. Contudo,
o pior mesmo é quando você, com honesta sinceridade, lamenta diante de alguém os estragos que lhe traz a velhice, e isso
alguém protesta com veemência: “Eu queria, quando chegar à sua idade, ter essa sua lucidez!”
Lucidez? O que é que eu esperava? Que você já estivesse caduco?
(QUEIROZ, Raquel (1995) Não aconselho envelhecer. In Falso mar, falso mundo. São Paulo: Arx, 2002.)
Considere as reproduções de trechos abaixo e assinale a alternativa cujo verbo sublinhado se refere a um sujeito indeterminado.
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Não aconselho envelhecer
Aos moços dou um conselho: não fiquem velhos. Verdade que as opções são poucas – ou morrer, ou lutar contra a velhice.
E morrer não seria opção, mas entrega; e a luta? Bem, a luta resulta sempre numa batalha perdida e inglória.
Entre os processos cruéis da natureza, é a velhice o mais cruel. Implacável, insidiosa, ataca por todos os lados, abre a porta
a todas as moléstias mortais. Pensando bem, é uma espécie de HIV a longo prazo. Te ataca o coração, o pulmão, todas as demais
vísceras – a tripa, o fígado, o que nos abatedouros se chama o arrasto. E mais a fiação arterial e venosa, e a coluna! E não falei
na atividade cerebral. E também esqueci os ossos, a infame osteoporose, que te rói os ossos pelo tutano, deixando-os como
frágeis cascas de ovos. E então basta um pequeno escorregão na banheira para deixar um fêmur fraturado.
Os moços compadecidos, os quarentões assustados e os próprios velhos, apelando para tudo, inventaram ultimamente
essas bobagens de “terceira idade”, clubes e associações que trabalham contra o isolamento e as tristezas da velhice. Mas não
se iluda, velho, meu amigo e colega. Ninguém está acreditando naquilo. Você já viu na TV um quadro de propaganda dessa falsa
recuperação de terceira idade? Um velho e uma velha, vestidos à moda dos anos trinta, tentando dançar um tango argentino?
É patético, embora a maioria dos moços apenas o considere docemente ridículo.
Diz-se que já se consegue muito na luta contra a velhice. Ginástica, dieta, malhação, corrida etc. Cirurgia plástica. Ah, já pensaram
no tormento de uma bela mulher, atriz, dama do soçaite, cortesã, que viva da e para a sua beleza, ao descobrir as primeiras rugas, a
flacidez do mento, daquela sutil rede de outras pequenas rugas que rodeiam os lábios? O Dr. Pitanguy opera e os seus colegas de mérito
variável também operam. Mas, por mais famosos, competentes e mágicos que sejam os cirurgiões plásticos, só fazem mágicas, não
fazem milagres. Esticam a pele sobre os músculos flácidos, fazem um peeling, que é uma espécie de raladura na cútis, fica lindo a
princípio, mas, como toda mágica, não dura muito. E aí têm que começar tudo outra vez, as cicatrizes já não se escondem tão bem
atrás das orelhas ou no couro cabeludo que, aparado, vai encurtando, deixando as pacientes com testas enormes, quase uma calvície.
E nem falei em calvície que, mercê de Deus, ataca mais os homens que as mulheres!
Você contempla no espelho, vê as rugas do seu rosto, do seu pescoço, como se olhasse uma máscara que se desfaz. Vê bem, sabe
como está velho, embora não sinta que está velho. Sua alma, seus sentimentos, sua cabeça, nada disso confirma a palavra ou a imagem
do espelho. Mas os outros só veem de você o que o espelho vê.
E ao par disso as cãs, quer dizer, os cabelos brancos? Bem, os cabelos, pintam-se. Mas vocês já descobriram que, por mais
excelentes sejam o cabeleireiro e as tinturas, o cabelo pintado fica sempre gritantemente diverso do natural? Pensei sobre isso
e acabei descobrindo: o cabelo nosso, a natureza lhe dá cor de fio em fio, cada fio na sua tonalidade, uns mais claros, outros
mais escuros: o conjunto toma esse colorido inimitável, que profissional nenhum pode obter, já que lhe é impossível tingir fio
por fio. E, daí, essas senhoras de comas tão louras, tão ruivas, tão castanhas e negras, não iludirem nunca, darem mesmo a
impressão de que usam perucas.
E, no final de tudo, vem o envelhecimento da cabeça, da inteligência, das ideias, da alma – da chamada psiquê. O velho
tenta se equiparar às audácias dos jovens, até mesmo excedê-las – mas a si próprio não se convence. Sabe que as suas ideias
são as do seu tempo, fruto do que leu, viu e acumulou; e isso pode ser camuflado, mas não pode ser modificado. Dizem que as
células cerebrais não se renovam, como as demais células do corpo – será verdade? Até mesmo as ideias dos gênios mortos
envelhecem; e diante das ideias de um Nietzsche, de um Freud, tem que se dar o desconto do tempo e das mudanças. Contudo,
o pior mesmo é quando você, com honesta sinceridade, lamenta diante de alguém os estragos que lhe traz a velhice, e isso
alguém protesta com veemência: “Eu queria, quando chegar à sua idade, ter essa sua lucidez!”
Lucidez? O que é que eu esperava? Que você já estivesse caduco?
(QUEIROZ, Raquel (1995) Não aconselho envelhecer. In Falso mar, falso mundo. São Paulo: Arx, 2002.)
Embora por vezes seja possível ver-se frente a vocábulos de significado desconhecido em razão de seu parco uso na comunicação comum, o entendimento da significação das palavras no texto constitui uma competência essencial para a assimilação de sua mensagem. O contexto é fundamental nesses casos, pois pode permitir que certo verbete de conceito desconhecido seja adequadamente compreendido. Considere, portanto, o termo “cãs” (6º§). É correto dizer que, ao considerar o contexto em que se insere, o termo sublinhado pode ter seu significado correto identificado como:
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Não aconselho envelhecer
Aos moços dou um conselho: não fiquem velhos. Verdade que as opções são poucas – ou morrer, ou lutar contra a velhice.
E morrer não seria opção, mas entrega; e a luta? Bem, a luta resulta sempre numa batalha perdida e inglória.
Entre os processos cruéis da natureza, é a velhice o mais cruel. Implacável, insidiosa, ataca por todos os lados, abre a porta
a todas as moléstias mortais. Pensando bem, é uma espécie de HIV a longo prazo. Te ataca o coração, o pulmão, todas as demais
vísceras – a tripa, o fígado, o que nos abatedouros se chama o arrasto. E mais a fiação arterial e venosa, e a coluna! E não falei
na atividade cerebral. E também esqueci os ossos, a infame osteoporose, que te rói os ossos pelo tutano, deixando-os como
frágeis cascas de ovos. E então basta um pequeno escorregão na banheira para deixar um fêmur fraturado.
Os moços compadecidos, os quarentões assustados e os próprios velhos, apelando para tudo, inventaram ultimamente
essas bobagens de “terceira idade”, clubes e associações que trabalham contra o isolamento e as tristezas da velhice. Mas não
se iluda, velho, meu amigo e colega. Ninguém está acreditando naquilo. Você já viu na TV um quadro de propaganda dessa falsa
recuperação de terceira idade? Um velho e uma velha, vestidos à moda dos anos trinta, tentando dançar um tango argentino?
É patético, embora a maioria dos moços apenas o considere docemente ridículo.
Diz-se que já se consegue muito na luta contra a velhice. Ginástica, dieta, malhação, corrida etc. Cirurgia plástica. Ah, já pensaram
no tormento de uma bela mulher, atriz, dama do soçaite, cortesã, que viva da e para a sua beleza, ao descobrir as primeiras rugas, a
flacidez do mento, daquela sutil rede de outras pequenas rugas que rodeiam os lábios? O Dr. Pitanguy opera e os seus colegas de mérito
variável também operam. Mas, por mais famosos, competentes e mágicos que sejam os cirurgiões plásticos, só fazem mágicas, não
fazem milagres. Esticam a pele sobre os músculos flácidos, fazem um peeling, que é uma espécie de raladura na cútis, fica lindo a
princípio, mas, como toda mágica, não dura muito. E aí têm que começar tudo outra vez, as cicatrizes já não se escondem tão bem
atrás das orelhas ou no couro cabeludo que, aparado, vai encurtando, deixando as pacientes com testas enormes, quase uma calvície.
E nem falei em calvície que, mercê de Deus, ataca mais os homens que as mulheres!
Você contempla no espelho, vê as rugas do seu rosto, do seu pescoço, como se olhasse uma máscara que se desfaz. Vê bem, sabe
como está velho, embora não sinta que está velho. Sua alma, seus sentimentos, sua cabeça, nada disso confirma a palavra ou a imagem
do espelho. Mas os outros só veem de você o que o espelho vê.
E ao par disso as cãs, quer dizer, os cabelos brancos? Bem, os cabelos, pintam-se. Mas vocês já descobriram que, por mais
excelentes sejam o cabeleireiro e as tinturas, o cabelo pintado fica sempre gritantemente diverso do natural? Pensei sobre isso
e acabei descobrindo: o cabelo nosso, a natureza lhe dá cor de fio em fio, cada fio na sua tonalidade, uns mais claros, outros
mais escuros: o conjunto toma esse colorido inimitável, que profissional nenhum pode obter, já que lhe é impossível tingir fio
por fio. E, daí, essas senhoras de comas tão louras, tão ruivas, tão castanhas e negras, não iludirem nunca, darem mesmo a
impressão de que usam perucas.
E, no final de tudo, vem o envelhecimento da cabeça, da inteligência, das ideias, da alma – da chamada psiquê. O velho
tenta se equiparar às audácias dos jovens, até mesmo excedê-las – mas a si próprio não se convence. Sabe que as suas ideias
são as do seu tempo, fruto do que leu, viu e acumulou; e isso pode ser camuflado, mas não pode ser modificado. Dizem que as
células cerebrais não se renovam, como as demais células do corpo – será verdade? Até mesmo as ideias dos gênios mortos
envelhecem; e diante das ideias de um Nietzsche, de um Freud, tem que se dar o desconto do tempo e das mudanças. Contudo,
o pior mesmo é quando você, com honesta sinceridade, lamenta diante de alguém os estragos que lhe traz a velhice, e isso
alguém protesta com veemência: “Eu queria, quando chegar à sua idade, ter essa sua lucidez!”
Lucidez? O que é que eu esperava? Que você já estivesse caduco?
(QUEIROZ, Raquel (1995) Não aconselho envelhecer. In Falso mar, falso mundo. São Paulo: Arx, 2002.)
Considere o trecho “O velho tenta se equiparar às audácias dos jovens, até mesmo excedê-las [...]” (7º§). É correto dizer que o verbo “equiparar”, no contexto em que se insere e em relação à sua predicação verbal, é corretamente classificado como:
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Não aconselho envelhecer
Aos moços dou um conselho: não fiquem velhos. Verdade que as opções são poucas – ou morrer, ou lutar contra a velhice.
E morrer não seria opção, mas entrega; e a luta? Bem, a luta resulta sempre numa batalha perdida e inglória.
Entre os processos cruéis da natureza, é a velhice o mais cruel. Implacável, insidiosa, ataca por todos os lados, abre a porta
a todas as moléstias mortais. Pensando bem, é uma espécie de HIV a longo prazo. Te ataca o coração, o pulmão, todas as demais
vísceras – a tripa, o fígado, o que nos abatedouros se chama o arrasto. E mais a fiação arterial e venosa, e a coluna! E não falei
na atividade cerebral. E também esqueci os ossos, a infame osteoporose, que te rói os ossos pelo tutano, deixando-os como
frágeis cascas de ovos. E então basta um pequeno escorregão na banheira para deixar um fêmur fraturado.
Os moços compadecidos, os quarentões assustados e os próprios velhos, apelando para tudo, inventaram ultimamente
essas bobagens de “terceira idade”, clubes e associações que trabalham contra o isolamento e as tristezas da velhice. Mas não
se iluda, velho, meu amigo e colega. Ninguém está acreditando naquilo. Você já viu na TV um quadro de propaganda dessa falsa
recuperação de terceira idade? Um velho e uma velha, vestidos à moda dos anos trinta, tentando dançar um tango argentino?
É patético, embora a maioria dos moços apenas o considere docemente ridículo.
Diz-se que já se consegue muito na luta contra a velhice. Ginástica, dieta, malhação, corrida etc. Cirurgia plástica. Ah, já pensaram
no tormento de uma bela mulher, atriz, dama do soçaite, cortesã, que viva da e para a sua beleza, ao descobrir as primeiras rugas, a
flacidez do mento, daquela sutil rede de outras pequenas rugas que rodeiam os lábios? O Dr. Pitanguy opera e os seus colegas de mérito
variável também operam. Mas, por mais famosos, competentes e mágicos que sejam os cirurgiões plásticos, só fazem mágicas, não
fazem milagres. Esticam a pele sobre os músculos flácidos, fazem um peeling, que é uma espécie de raladura na cútis, fica lindo a
princípio, mas, como toda mágica, não dura muito. E aí têm que começar tudo outra vez, as cicatrizes já não se escondem tão bem
atrás das orelhas ou no couro cabeludo que, aparado, vai encurtando, deixando as pacientes com testas enormes, quase uma calvície.
E nem falei em calvície que, mercê de Deus, ataca mais os homens que as mulheres!
Você contempla no espelho, vê as rugas do seu rosto, do seu pescoço, como se olhasse uma máscara que se desfaz. Vê bem, sabe
como está velho, embora não sinta que está velho. Sua alma, seus sentimentos, sua cabeça, nada disso confirma a palavra ou a imagem
do espelho. Mas os outros só veem de você o que o espelho vê.
E ao par disso as cãs, quer dizer, os cabelos brancos? Bem, os cabelos, pintam-se. Mas vocês já descobriram que, por mais
excelentes sejam o cabeleireiro e as tinturas, o cabelo pintado fica sempre gritantemente diverso do natural? Pensei sobre isso
e acabei descobrindo: o cabelo nosso, a natureza lhe dá cor de fio em fio, cada fio na sua tonalidade, uns mais claros, outros
mais escuros: o conjunto toma esse colorido inimitável, que profissional nenhum pode obter, já que lhe é impossível tingir fio
por fio. E, daí, essas senhoras de comas tão louras, tão ruivas, tão castanhas e negras, não iludirem nunca, darem mesmo a
impressão de que usam perucas.
E, no final de tudo, vem o envelhecimento da cabeça, da inteligência, das ideias, da alma – da chamada psiquê. O velho
tenta se equiparar às audácias dos jovens, até mesmo excedê-las – mas a si próprio não se convence. Sabe que as suas ideias
são as do seu tempo, fruto do que leu, viu e acumulou; e isso pode ser camuflado, mas não pode ser modificado. Dizem que as
células cerebrais não se renovam, como as demais células do corpo – será verdade? Até mesmo as ideias dos gênios mortos
envelhecem; e diante das ideias de um Nietzsche, de um Freud, tem que se dar o desconto do tempo e das mudanças. Contudo,
o pior mesmo é quando você, com honesta sinceridade, lamenta diante de alguém os estragos que lhe traz a velhice, e isso
alguém protesta com veemência: “Eu queria, quando chegar à sua idade, ter essa sua lucidez!”
Lucidez? O que é que eu esperava? Que você já estivesse caduco?
(QUEIROZ, Raquel (1995) Não aconselho envelhecer. In Falso mar, falso mundo. São Paulo: Arx, 2002.)
Quando a um radical se adicionam simultaneamente um prefixo e um sufixo (morfemas não autônomos acrescidos ao início e ao fim, respectivamente), tem-se um processo de formação de palavras conhecido como parassíntese ou derivação parassintética.
Um exemplo desse fenômeno no texto se dá sublinhado em:
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