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Foram encontradas 50 questões.

4236820 Ano: 2026
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: IDIB
Orgão: Pref. Tibau-RN
Seja a proposição “Algum relatório está atrasado e todos os prazos foram estendidos”. A negação dessa proposição é dada por:
 

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4236819 Ano: 2026
Disciplina: Matemática
Banca: IDIB
Orgão: Pref. Tibau-RN
Um investidor deseja diversificar sua carteira aplicando em 4 das 8 criptomoedas mais promissoras do mercado. No entanto, ele decidiu que duas criptomoedas específicas (A e B) não podem ser escolhidas juntas, pois são muito voláteis e representam um risco elevado se combinadas. O total de maneiras diferentes que esse investidor pode selecionar as 4 criptomoedas é igual a:
 

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4236818 Ano: 2026
Disciplina: Matemática
Banca: IDIB
Orgão: Pref. Tibau-RN
Uma cidade, que em 2020 tinha 150.000 habitantes, tem experimentado um crescimento populacional constante de 3.500 habitantes por ano. Mantendo essa taxa de crescimento, a população estimada desta cidade em 2035 será igual a:
 

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4236817 Ano: 2026
Disciplina: Matemática
Banca: IDIB
Orgão: Pref. Tibau-RN
Em um mapa, a distância entre duas cidades é de 5 cm. Sabe-se que a escala do mapa é de 1:2.000.000. A distância real entre essas duas cidades, em quilômetros, é igual a:
 

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4236816 Ano: 2026
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: IDIB
Orgão: Pref. Tibau-RN

Em um levantamento sobre hábitos de consumo, 40% dos entrevistados afirmam comprar produtos orgânicos (O), 30% afirmam comprar produtos recicláveis (R) e 15% afirmam comprar ambos.

A porcentagem de entrevistados que compram produtos orgânicos ou recicláveis é igual a:

 

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4236815 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IDIB
Orgão: Pref. Tibau-RN
Nem os mortos resistem
       Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais de sua esperança.
      Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
       Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
      A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
     Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
     Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
     Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço, o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
     Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
    Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
      Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
   Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito menos economia com as gemas dos ovos.
      Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
      Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em vasilha, a ser dividida com os outros.
     O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
      A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar o pudim inteiro para o prato.
     Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
       Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
      Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
      Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
     Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
     Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
Considerando o período “Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice”, a transformação da estrutura sintática, com preservação das relações semânticas e da organização lógico-discursiva, pode ser realizada da seguinte forma:
 

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4236814 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IDIB
Orgão: Pref. Tibau-RN
Nem os mortos resistem
       Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais de sua esperança.
      Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
       Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
      A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
     Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
     Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
     Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço, o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
     Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
    Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
      Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
   Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito menos economia com as gemas dos ovos.
      Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
      Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em vasilha, a ser dividida com os outros.
     O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
      A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar o pudim inteiro para o prato.
     Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
       Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
      Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
      Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
     Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
     Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
Na frase “Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza”, a expressão “por que” aparece escrita de forma separada e sem acento. Considerando as regras da norma-padrão e o sentido construído no contexto, é correto afirmar que essa grafia se justifica pelo fato de que a expressão:
 

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4236813 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IDIB
Orgão: Pref. Tibau-RN
Nem os mortos resistem
       Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais de sua esperança.
      Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
       Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
      A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
     Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
     Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
     Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço, o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
     Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
    Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
      Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
   Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito menos economia com as gemas dos ovos.
      Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
      Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em vasilha, a ser dividida com os outros.
     O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
      A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar o pudim inteiro para o prato.
     Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
       Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
      Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
      Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
     Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
     Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
No período “Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.”, a organização das relações de regência nominal e verbal revela um arranjo sintático em que:
 

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4236812 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IDIB
Orgão: Pref. Tibau-RN
Nem os mortos resistem
       Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais de sua esperança.
      Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
       Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
      A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
     Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
     Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
     Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço, o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
     Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
    Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
      Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
   Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito menos economia com as gemas dos ovos.
      Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
      Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em vasilha, a ser dividida com os outros.
     O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
      A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar o pudim inteiro para o prato.
     Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
       Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
      Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
      Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
     Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
     Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
No trecho “Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.”, quanto à colocação pronominal das duas ocorrências de “se”, observa-se que sua posição no período decorre de um condicionamento sintático que:
 

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4236811 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IDIB
Orgão: Pref. Tibau-RN
Nem os mortos resistem
       Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais de sua esperança.
      Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
       Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
      A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
     Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
     Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
     Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço, o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
     Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
    Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
      Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
   Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito menos economia com as gemas dos ovos.
      Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
      Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em vasilha, a ser dividida com os outros.
     O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
      A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar o pudim inteiro para o prato.
     Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
       Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
      Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
      Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
     Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
     Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
No período “Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu.”, a análise dos mecanismos de flexão nominal e verbal empregados na construção do enunciado evidencia que:
 

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