Foram encontradas 50 questões.
- Lógica ProposicionalEquivalências Lógicas
- Lógica ProposicionalNegação de Proposições CompostasLeis de De Morgan
- Lógica ProposicionalQuantificadores Lógicos
Seja a proposição “Algum relatório está atrasado e todos os prazos foram estendidos”. A negação dessa proposição é dada por:
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Um investidor deseja diversificar sua carteira aplicando em 4 das 8 criptomoedas mais promissoras do mercado. No entanto,
ele decidiu que duas criptomoedas específicas (A e B) não podem ser escolhidas juntas, pois são muito voláteis e representam um
risco elevado se combinadas. O total de maneiras diferentes que esse investidor pode selecionar as 4 criptomoedas é igual a:
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Uma cidade, que em 2020 tinha 150.000 habitantes, tem experimentado um crescimento populacional constante de 3.500
habitantes por ano. Mantendo essa taxa de crescimento, a população estimada desta cidade em 2035 será igual a:
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Em um mapa, a distância entre duas cidades é de 5 cm. Sabe-se que a escala do mapa é de 1:2.000.000. A distância real entre
essas duas cidades, em quilômetros, é igual a:
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Em um levantamento sobre hábitos de consumo, 40% dos entrevistados afirmam comprar produtos orgânicos (O), 30% afirmam comprar produtos recicláveis (R) e 15% afirmam comprar ambos.
A porcentagem de entrevistados que compram produtos orgânicos ou recicláveis é igual a:
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
- SintaxeConectivos
- Interpretação de TextosSubstituição/Reescritura de Texto
Nem os mortos resistem
Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais
de sua esperança.
Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e
suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que
cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa
saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço,
o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais
sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito
menos economia com as gemas dos ovos.
Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas
pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica
redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em
vasilha, a ser dividida com os outros.
O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear
lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar
o pudim inteiro para o prato.
Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca
da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
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Nem os mortos resistem
Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais
de sua esperança.
Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e
suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que
cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa
saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço,
o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais
sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito
menos economia com as gemas dos ovos.
Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas
pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica
redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em
vasilha, a ser dividida com os outros.
O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear
lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar
o pudim inteiro para o prato.
Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca
da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
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Nem os mortos resistem
Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais
de sua esperança.
Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e
suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que
cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa
saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço,
o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais
sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito
menos economia com as gemas dos ovos.
Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas
pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica
redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em
vasilha, a ser dividida com os outros.
O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear
lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar
o pudim inteiro para o prato.
Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca
da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
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Nem os mortos resistem
Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais
de sua esperança.
Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e
suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que
cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa
saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço,
o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais
sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito
menos economia com as gemas dos ovos.
Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas
pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica
redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em
vasilha, a ser dividida com os outros.
O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear
lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar
o pudim inteiro para o prato.
Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca
da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
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Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais
de sua esperança.
Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e
suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que
cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa
saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço,
o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais
sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito
menos economia com as gemas dos ovos.
Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas
pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica
redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em
vasilha, a ser dividida com os outros.
O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear
lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar
o pudim inteiro para o prato.
Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca
da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
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