Foram encontradas 50 questões.
Quem sabe Deus está ouvindo
Outro dia eu estava distraído, chupando
um caju na varanda, e fiquei com a castanha na
mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia
um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me
dar conta do que fazia.
Na semana seguinte a empregada me
chamou a atenção: a castanha estava brotando.
Alguma coisa verde saía da terra, em forma de
concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e
vi que durante a noite aquela coisa verde lançara
para o ar um caule com pequenas folhas. É
impressionante a rapidez com que essa plantinha
cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a
empregada regava com especial carinho a planta,
e caçoei dela:
— Você vai criar um cajueiro aí?
Embaraçada, ela confessou: tinha de
arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava
com pena.
— Mas é melhor arrancar logo, não é?
Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer:
silêncio criminoso — mas confesso que havia
nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não
tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma
tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns
centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o
culpado, com meu gesto leviano de enterrar a
castanha, mas isto a empregada não sabe: ela
pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a
plantinha com a minha mão — disso eu não seria
capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o
fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não
pensarei mais no caso; mas que o faça com sua
mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua
linda plantinha seremos dois deuses contrários,
mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela,
o da Morte.
Hoje pela manhã ela começou a me dizer
alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” —
mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se
completou. Agora mesmo ela voltou da feira;
trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou
para ele a mudinha. Veio me mostrar:
— Eu comprei um vaso.
— Ahn...
Depois de um silêncio, eu disse:
— Cajueiro sente muito a mudança,
morre à toa...
Ela olhou a plantinha e disse com
convicção:
— Esse aqui não vai morrer, não senhor.
Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer
com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela
espera, talvez, que eu o leve para o quintal de
algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo.
Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse
pela compra do vaso e ficara aliviada com minha
indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu
disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas
por dizer:
— Ainda vou chupar muito caju desse
cajueiro!
Ela riu muito, depois ficou séria, levou o
vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala,
disse baixo, com certa gravidade:
— É capaz mesmo, seu Rubem; quem
sabe Deus está ouvindo o que o senhor está
dizendo...
Mas eu acho, sem falsa modéstia, que
Deus deve andar muito ocupado com as bombas
de hidrogênio e outros assuntos maiores.
BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960.
Disponível em <
https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>.
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Quem sabe Deus está ouvindo
Outro dia eu estava distraído, chupando
um caju na varanda, e fiquei com a castanha na
mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia
um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me
dar conta do que fazia.
Na semana seguinte a empregada me
chamou a atenção: a castanha estava brotando.
Alguma coisa verde saía da terra, em forma de
concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e
vi que durante a noite aquela coisa verde lançara
para o ar um caule com pequenas folhas. É
impressionante a rapidez com que essa plantinha
cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a
empregada regava com especial carinho a planta,
e caçoei dela:
— Você vai criar um cajueiro aí?
Embaraçada, ela confessou: tinha de
arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava
com pena.
— Mas é melhor arrancar logo, não é?
Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer:
silêncio criminoso — mas confesso que havia
nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não
tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma
tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns
centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o
culpado, com meu gesto leviano de enterrar a
castanha, mas isto a empregada não sabe: ela
pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a
plantinha com a minha mão — disso eu não seria
capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o
fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não
pensarei mais no caso; mas que o faça com sua
mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua
linda plantinha seremos dois deuses contrários,
mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela,
o da Morte.
Hoje pela manhã ela começou a me dizer
alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” —
mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se
completou. Agora mesmo ela voltou da feira;
trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou
para ele a mudinha. Veio me mostrar:
— Eu comprei um vaso.
— Ahn...
Depois de um silêncio, eu disse:
— Cajueiro sente muito a mudança,
morre à toa...
Ela olhou a plantinha e disse com
convicção:
— Esse aqui não vai morrer, não senhor.
Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer
com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela
espera, talvez, que eu o leve para o quintal de
algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo.
Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse
pela compra do vaso e ficara aliviada com minha
indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu
disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas
por dizer:
— Ainda vou chupar muito caju desse
cajueiro!
Ela riu muito, depois ficou séria, levou o
vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala,
disse baixo, com certa gravidade:
— É capaz mesmo, seu Rubem; quem
sabe Deus está ouvindo o que o senhor está
dizendo...
Mas eu acho, sem falsa modéstia, que
Deus deve andar muito ocupado com as bombas
de hidrogênio e outros assuntos maiores.
BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960.
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Outro dia eu estava distraído, chupando
um caju na varanda, e fiquei com a castanha na
mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia
um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me
dar conta do que fazia.
Na semana seguinte a empregada me
chamou a atenção: a castanha estava brotando.
Alguma coisa verde saía da terra, em forma de
concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e
vi que durante a noite aquela coisa verde lançara
para o ar um caule com pequenas folhas. É
impressionante a rapidez com que essa plantinha
cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a
empregada regava com especial carinho a planta,
e caçoei dela:
— Você vai criar um cajueiro aí?
Embaraçada, ela confessou: tinha de
arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava
com pena.
— Mas é melhor arrancar logo, não é?
Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer:
silêncio criminoso — mas confesso que havia
nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não
tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma
tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns
centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o
culpado, com meu gesto leviano de enterrar a
castanha, mas isto a empregada não sabe: ela
pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a
plantinha com a minha mão — disso eu não seria
capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o
fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não
pensarei mais no caso; mas que o faça com sua
mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua
linda plantinha seremos dois deuses contrários,
mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela,
o da Morte.
Hoje pela manhã ela começou a me dizer
alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” —
mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se
completou. Agora mesmo ela voltou da feira;
trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou
para ele a mudinha. Veio me mostrar:
— Eu comprei um vaso.
— Ahn...
Depois de um silêncio, eu disse:
— Cajueiro sente muito a mudança,
morre à toa...
Ela olhou a plantinha e disse com
convicção:
— Esse aqui não vai morrer, não senhor.
Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer
com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela
espera, talvez, que eu o leve para o quintal de
algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo.
Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse
pela compra do vaso e ficara aliviada com minha
indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu
disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas
por dizer:
— Ainda vou chupar muito caju desse
cajueiro!
Ela riu muito, depois ficou séria, levou o
vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala,
disse baixo, com certa gravidade:
— É capaz mesmo, seu Rubem; quem
sabe Deus está ouvindo o que o senhor está
dizendo...
Mas eu acho, sem falsa modéstia, que
Deus deve andar muito ocupado com as bombas
de hidrogênio e outros assuntos maiores.
BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960.
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Outro dia eu estava distraído, chupando
um caju na varanda, e fiquei com a castanha na
mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia
um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me
dar conta do que fazia.
Na semana seguinte a empregada me
chamou a atenção: a castanha estava brotando.
Alguma coisa verde saía da terra, em forma de
concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e
vi que durante a noite aquela coisa verde lançara
para o ar um caule com pequenas folhas. É
impressionante a rapidez com que essa plantinha
cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a
empregada regava com especial carinho a planta,
e caçoei dela:
— Você vai criar um cajueiro aí?
Embaraçada, ela confessou: tinha de
arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava
com pena.
— Mas é melhor arrancar logo, não é?
Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer:
silêncio criminoso — mas confesso que havia
nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não
tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma
tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns
centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o
culpado, com meu gesto leviano de enterrar a
castanha, mas isto a empregada não sabe: ela
pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a
plantinha com a minha mão — disso eu não seria
capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o
fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não
pensarei mais no caso; mas que o faça com sua
mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua
linda plantinha seremos dois deuses contrários,
mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela,
o da Morte.
Hoje pela manhã ela começou a me dizer
alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” —
mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se
completou. Agora mesmo ela voltou da feira;
trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou
para ele a mudinha. Veio me mostrar:
— Eu comprei um vaso.
— Ahn...
Depois de um silêncio, eu disse:
— Cajueiro sente muito a mudança,
morre à toa...
Ela olhou a plantinha e disse com
convicção:
— Esse aqui não vai morrer, não senhor.
Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer
com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela
espera, talvez, que eu o leve para o quintal de
algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo.
Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse
pela compra do vaso e ficara aliviada com minha
indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu
disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas
por dizer:
— Ainda vou chupar muito caju desse
cajueiro!
Ela riu muito, depois ficou séria, levou o
vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala,
disse baixo, com certa gravidade:
— É capaz mesmo, seu Rubem; quem
sabe Deus está ouvindo o que o senhor está
dizendo...
Mas eu acho, sem falsa modéstia, que
Deus deve andar muito ocupado com as bombas
de hidrogênio e outros assuntos maiores.
BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960.
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Considerando as funcionalidades presentes no
programa Microsoft Word, o botão ilustrado na
imagem a seguir, que pode ser acessado por meio
da guia Design, no grupo Plano de Fundo da
Página, está associado à opção:


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Os navegadores de internet, também conhecidos
como browsers, são programas utilizados para
acessar e visualizar páginas na web. Qual dos
aplicativos mencionados abaixo foi criado pela
Microsoft para navegação na internet?
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Indique a alternativa que apresenta o atalho de
teclado do Windows que realiza a exclusão de
um arquivo ou pasta, sem enviá-lo para a Lixeira:
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- Sistemas OperacionaisWindowsFuncionalidades do WindowsGerenciamento de Arquivos e PastasWindows Explorer
Analise a imagem a seguir, que relaciona os
principais campos do explorador de arquivos do
sistema operacional Windows e assinale a
alternativa que descreve o nome do componente
destacado:

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Qual é o nome da ferramenta do Windows que
possibilita que o usuário ajuste as configurações
do computador, como relógio e região, aparência
e personalização?
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3940843
Ano: 2025
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. Varginha-MG
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. Varginha-MG
Provas:
A posse é a aceitação expressa das atribuições, deveres e responsabilidades, inerentes ao cargo
público, com o compromisso de bem servir, formalizada com assinatura do termo pela autoridade
competente e pelo empossado.
Com base na Lei Municipal nº 2.673/1995, analise os itens a seguir sobre o ato de posse e assinale a alternativa correta:
I - A posse ocorrerá no prazo de 120 (cento e vinte) dias, contados da publicação do ato de provimento.
II - A posse poderá ser dada mediante procuração específica.
III - No ato da posse, o servidor apresentará declaração de bens e valores que constituem seu patrimônio e declaração quanto ao exercício ou não de outro cargo, emprego ou função pública.
Com base na Lei Municipal nº 2.673/1995, analise os itens a seguir sobre o ato de posse e assinale a alternativa correta:
I - A posse ocorrerá no prazo de 120 (cento e vinte) dias, contados da publicação do ato de provimento.
II - A posse poderá ser dada mediante procuração específica.
III - No ato da posse, o servidor apresentará declaração de bens e valores que constituem seu patrimônio e declaração quanto ao exercício ou não de outro cargo, emprego ou função pública.
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