Foram encontradas 300 questões.
Leia o texto do escritor angolano Pepetela para responder à questão:
Os balanços
Quero falar dos balanços que as instituições e os poderes políticos, desde governos a comissões de moradores de
prédios, fazem anualmente. Felizmente para nós, pobres
cidadãos que deles dependemos, os balanços são sempre
positivos. Por isso não compreendo como podemos ficar descontentes ou andar sempre macambúzios1, de bolsos furados.
Se tudo corre sempre bem e os balanços foram favoráveis, por que resmungamos com a carestia da vida, ou a opacidade do futuro? Nós, os pequenos, somos incuravelmente
pessimistas, caso para psiquiatria. Pois então não ouvimos
as notas positivas emanadas dos balanços? Até mesmo uma
comissão criada para um programa que desconseguiu de
resolver apresenta balanço positivo e abre champanhe na
hora de prestar contas (verbais, porque as monetárias ficam
só para alguns, os mesmos de sempre). Somos pessimistas
e ingratos, invejosos de os ver sempre a beber champanhe.
Desconfiamos dos que apresentam os balanços, os nossos
chefes bem-amados. É evidente, merecemos o inferno em
que vivemos, sem champanhe.
Divirto-me muito a ouvir ou ler o balanço feito a visitas
ao estrangeiro de membros do Governo ou delegações de
qualquer tipo, desportivas, diplomáticas ou culturais. As viagens são sempre positivas, alcançando resultados de que só
o futuro mostrará a magnitude. Como temos fraca memória,
no futuro nunca lembramos os termos de referência dessas
visitas positivas.
Ultimamente surgiram balanços em muitos jornais. Partindo do princípio que a década acabou agora (os matemáticos
que resolvam definitivamente essa maka2, pois parece que
é só para o ano), fez-se o balanço da década. Como esses
jornais se concentram no Norte (ou seguindo os interesses
do Norte), finalmente encontramos balanços negativos. Terrorismo, guerras, crises financeiras e econômicas constantes, desemprego em alta, suicídios de ricos (raríssimos, mas
servem de índice), tímidas prisões de uns poucos corruptos,
enfim, tudo desgraças. Para esses jornais, a primeira década
desse milênio é para esquecer.
Pois eu faço um balanço positivo. Por uma vez tinha de
ser. Nesta década gozamos finalmente de paz. E o país até
cresce muito, apesar dos disparates. Andamos na contramão, já é mania de ser diferente...
(Pepetela. Crónicas Maldispostas. 2015. Adaptado)
Vocabulário:
1macambúzios: tristonhos, taciturnos
2maka: cisão, desentendimento
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Os balanços
Quero falar dos balanços que as instituições e os poderes políticos, desde governos a comissões de moradores de
prédios, fazem anualmente. Felizmente para nós, pobres
cidadãos que deles dependemos, os balanços são sempre
positivos. Por isso não compreendo como podemos ficar descontentes ou andar sempre macambúzios1, de bolsos furados.
Se tudo corre sempre bem e os balanços foram favoráveis, por que resmungamos com a carestia da vida, ou a opacidade do futuro? Nós, os pequenos, somos incuravelmente
pessimistas, caso para psiquiatria. Pois então não ouvimos
as notas positivas emanadas dos balanços? Até mesmo uma
comissão criada para um programa que desconseguiu de
resolver apresenta balanço positivo e abre champanhe na
hora de prestar contas (verbais, porque as monetárias ficam
só para alguns, os mesmos de sempre). Somos pessimistas
e ingratos, invejosos de os ver sempre a beber champanhe.
Desconfiamos dos que apresentam os balanços, os nossos
chefes bem-amados. É evidente, merecemos o inferno em
que vivemos, sem champanhe.
Divirto-me muito a ouvir ou ler o balanço feito a visitas
ao estrangeiro de membros do Governo ou delegações de
qualquer tipo, desportivas, diplomáticas ou culturais. As viagens são sempre positivas, alcançando resultados de que só
o futuro mostrará a magnitude. Como temos fraca memória,
no futuro nunca lembramos os termos de referência dessas
visitas positivas.
Ultimamente surgiram balanços em muitos jornais. Partindo do princípio que a década acabou agora (os matemáticos
que resolvam definitivamente essa maka2, pois parece que
é só para o ano), fez-se o balanço da década. Como esses
jornais se concentram no Norte (ou seguindo os interesses
do Norte), finalmente encontramos balanços negativos. Terrorismo, guerras, crises financeiras e econômicas constantes, desemprego em alta, suicídios de ricos (raríssimos, mas
servem de índice), tímidas prisões de uns poucos corruptos,
enfim, tudo desgraças. Para esses jornais, a primeira década
desse milênio é para esquecer.
Pois eu faço um balanço positivo. Por uma vez tinha de
ser. Nesta década gozamos finalmente de paz. E o país até
cresce muito, apesar dos disparates. Andamos na contramão, já é mania de ser diferente...
(Pepetela. Crónicas Maldispostas. 2015. Adaptado)
Vocabulário:
1macambúzios: tristonhos, taciturnos
2maka: cisão, desentendimento
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com:
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Os balanços
Quero falar dos balanços que as instituições e os poderes políticos, desde governos a comissões de moradores de
prédios, fazem anualmente. Felizmente para nós, pobres
cidadãos que deles dependemos, os balanços são sempre
positivos. Por isso não compreendo como podemos ficar descontentes ou andar sempre macambúzios1, de bolsos furados.
Se tudo corre sempre bem e os balanços foram favoráveis, por que resmungamos com a carestia da vida, ou a opacidade do futuro? Nós, os pequenos, somos incuravelmente
pessimistas, caso para psiquiatria. Pois então não ouvimos
as notas positivas emanadas dos balanços? Até mesmo uma
comissão criada para um programa que desconseguiu de
resolver apresenta balanço positivo e abre champanhe na
hora de prestar contas (verbais, porque as monetárias ficam
só para alguns, os mesmos de sempre). Somos pessimistas
e ingratos, invejosos de os ver sempre a beber champanhe.
Desconfiamos dos que apresentam os balanços, os nossos
chefes bem-amados. É evidente, merecemos o inferno em
que vivemos, sem champanhe.
Divirto-me muito a ouvir ou ler o balanço feito a visitas
ao estrangeiro de membros do Governo ou delegações de
qualquer tipo, desportivas, diplomáticas ou culturais. As viagens são sempre positivas, alcançando resultados de que só
o futuro mostrará a magnitude. Como temos fraca memória,
no futuro nunca lembramos os termos de referência dessas
visitas positivas.
Ultimamente surgiram balanços em muitos jornais. Partindo do princípio que a década acabou agora (os matemáticos
que resolvam definitivamente essa maka2, pois parece que
é só para o ano), fez-se o balanço da década. Como esses
jornais se concentram no Norte (ou seguindo os interesses
do Norte), finalmente encontramos balanços negativos. Terrorismo, guerras, crises financeiras e econômicas constantes, desemprego em alta, suicídios de ricos (raríssimos, mas
servem de índice), tímidas prisões de uns poucos corruptos,
enfim, tudo desgraças. Para esses jornais, a primeira década
desse milênio é para esquecer.
Pois eu faço um balanço positivo. Por uma vez tinha de
ser. Nesta década gozamos finalmente de paz. E o país até
cresce muito, apesar dos disparates. Andamos na contramão, já é mania de ser diferente...
(Pepetela. Crónicas Maldispostas. 2015. Adaptado)
Vocabulário:
1macambúzios: tristonhos, taciturnos
2maka: cisão, desentendimento
• Quero falar dos balanços que as instituições e os poderes políticos, desde governos a comissões de moradores de prédios, fazem anualmente. (1º parágrafo)
• … por que resmungamos com a carestia da vida, ou a opacidade do futuro? (2º parágrafo)
• Ultimamente surgiram balanços em muitos jornais. (4º parágrafo)
O par de preposições “desde ... a” e as preposições “com” e “em” estabelecem, correta e respectivamente, relações de sentido de:
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Os balanços
Quero falar dos balanços que as instituições e os poderes políticos, desde governos a comissões de moradores de
prédios, fazem anualmente. Felizmente para nós, pobres
cidadãos que deles dependemos, os balanços são sempre
positivos. Por isso não compreendo como podemos ficar descontentes ou andar sempre macambúzios1, de bolsos furados.
Se tudo corre sempre bem e os balanços foram favoráveis, por que resmungamos com a carestia da vida, ou a opacidade do futuro? Nós, os pequenos, somos incuravelmente
pessimistas, caso para psiquiatria. Pois então não ouvimos
as notas positivas emanadas dos balanços? Até mesmo uma
comissão criada para um programa que desconseguiu de
resolver apresenta balanço positivo e abre champanhe na
hora de prestar contas (verbais, porque as monetárias ficam
só para alguns, os mesmos de sempre). Somos pessimistas
e ingratos, invejosos de os ver sempre a beber champanhe.
Desconfiamos dos que apresentam os balanços, os nossos
chefes bem-amados. É evidente, merecemos o inferno em
que vivemos, sem champanhe.
Divirto-me muito a ouvir ou ler o balanço feito a visitas
ao estrangeiro de membros do Governo ou delegações de
qualquer tipo, desportivas, diplomáticas ou culturais. As viagens são sempre positivas, alcançando resultados de que só
o futuro mostrará a magnitude. Como temos fraca memória,
no futuro nunca lembramos os termos de referência dessas
visitas positivas.
Ultimamente surgiram balanços em muitos jornais. Partindo do princípio que a década acabou agora (os matemáticos
que resolvam definitivamente essa maka2, pois parece que
é só para o ano), fez-se o balanço da década. Como esses
jornais se concentram no Norte (ou seguindo os interesses
do Norte), finalmente encontramos balanços negativos. Terrorismo, guerras, crises financeiras e econômicas constantes, desemprego em alta, suicídios de ricos (raríssimos, mas
servem de índice), tímidas prisões de uns poucos corruptos,
enfim, tudo desgraças. Para esses jornais, a primeira década
desse milênio é para esquecer.
Pois eu faço um balanço positivo. Por uma vez tinha de
ser. Nesta década gozamos finalmente de paz. E o país até
cresce muito, apesar dos disparates. Andamos na contramão, já é mania de ser diferente...
(Pepetela. Crónicas Maldispostas. 2015. Adaptado)
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1macambúzios: tristonhos, taciturnos
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Os balanços
Quero falar dos balanços que as instituições e os poderes políticos, desde governos a comissões de moradores de
prédios, fazem anualmente. Felizmente para nós, pobres
cidadãos que deles dependemos, os balanços são sempre
positivos. Por isso não compreendo como podemos ficar descontentes ou andar sempre macambúzios1, de bolsos furados.
Se tudo corre sempre bem e os balanços foram favoráveis, por que resmungamos com a carestia da vida, ou a opacidade do futuro? Nós, os pequenos, somos incuravelmente
pessimistas, caso para psiquiatria. Pois então não ouvimos
as notas positivas emanadas dos balanços? Até mesmo uma
comissão criada para um programa que desconseguiu de
resolver apresenta balanço positivo e abre champanhe na
hora de prestar contas (verbais, porque as monetárias ficam
só para alguns, os mesmos de sempre). Somos pessimistas
e ingratos, invejosos de os ver sempre a beber champanhe.
Desconfiamos dos que apresentam os balanços, os nossos
chefes bem-amados. É evidente, merecemos o inferno em
que vivemos, sem champanhe.
Divirto-me muito a ouvir ou ler o balanço feito a visitas
ao estrangeiro de membros do Governo ou delegações de
qualquer tipo, desportivas, diplomáticas ou culturais. As viagens são sempre positivas, alcançando resultados de que só
o futuro mostrará a magnitude. Como temos fraca memória,
no futuro nunca lembramos os termos de referência dessas
visitas positivas.
Ultimamente surgiram balanços em muitos jornais. Partindo do princípio que a década acabou agora (os matemáticos
que resolvam definitivamente essa maka2, pois parece que
é só para o ano), fez-se o balanço da década. Como esses
jornais se concentram no Norte (ou seguindo os interesses
do Norte), finalmente encontramos balanços negativos. Terrorismo, guerras, crises financeiras e econômicas constantes, desemprego em alta, suicídios de ricos (raríssimos, mas
servem de índice), tímidas prisões de uns poucos corruptos,
enfim, tudo desgraças. Para esses jornais, a primeira década
desse milênio é para esquecer.
Pois eu faço um balanço positivo. Por uma vez tinha de
ser. Nesta década gozamos finalmente de paz. E o país até
cresce muito, apesar dos disparates. Andamos na contramão, já é mania de ser diferente...
(Pepetela. Crónicas Maldispostas. 2015. Adaptado)
Vocabulário:
1macambúzios: tristonhos, taciturnos
2maka: cisão, desentendimento
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Os balanços
Quero falar dos balanços que as instituições e os poderes políticos, desde governos a comissões de moradores de
prédios, fazem anualmente. Felizmente para nós, pobres
cidadãos que deles dependemos, os balanços são sempre
positivos. Por isso não compreendo como podemos ficar descontentes ou andar sempre macambúzios1, de bolsos furados.
Se tudo corre sempre bem e os balanços foram favoráveis, por que resmungamos com a carestia da vida, ou a opacidade do futuro? Nós, os pequenos, somos incuravelmente
pessimistas, caso para psiquiatria. Pois então não ouvimos
as notas positivas emanadas dos balanços? Até mesmo uma
comissão criada para um programa que desconseguiu de
resolver apresenta balanço positivo e abre champanhe na
hora de prestar contas (verbais, porque as monetárias ficam
só para alguns, os mesmos de sempre). Somos pessimistas
e ingratos, invejosos de os ver sempre a beber champanhe.
Desconfiamos dos que apresentam os balanços, os nossos
chefes bem-amados. É evidente, merecemos o inferno em
que vivemos, sem champanhe.
Divirto-me muito a ouvir ou ler o balanço feito a visitas
ao estrangeiro de membros do Governo ou delegações de
qualquer tipo, desportivas, diplomáticas ou culturais. As viagens são sempre positivas, alcançando resultados de que só
o futuro mostrará a magnitude. Como temos fraca memória,
no futuro nunca lembramos os termos de referência dessas
visitas positivas.
Ultimamente surgiram balanços em muitos jornais. Partindo do princípio que a década acabou agora (os matemáticos
que resolvam definitivamente essa maka2, pois parece que
é só para o ano), fez-se o balanço da década. Como esses
jornais se concentram no Norte (ou seguindo os interesses
do Norte), finalmente encontramos balanços negativos. Terrorismo, guerras, crises financeiras e econômicas constantes, desemprego em alta, suicídios de ricos (raríssimos, mas
servem de índice), tímidas prisões de uns poucos corruptos,
enfim, tudo desgraças. Para esses jornais, a primeira década
desse milênio é para esquecer.
Pois eu faço um balanço positivo. Por uma vez tinha de
ser. Nesta década gozamos finalmente de paz. E o país até
cresce muito, apesar dos disparates. Andamos na contramão, já é mania de ser diferente...
(Pepetela. Crónicas Maldispostas. 2015. Adaptado)
Vocabulário:
1macambúzios: tristonhos, taciturnos
2maka: cisão, desentendimento
• Felizmente para nós, pobres cidadãos que deles dependemos... (1º parágrafo)
• Pois então não ouvimos as notas positivas emanadas dos balanços? (2º parágrafo)
• … alcançando resultados de que só o futuro mostrará a magnitude. (3º parágrafo)
• Nesta década gozamos finalmente de paz. (5º parágrafo)
No contexto em que estão empregados, os termos destacados significam, correta e respectivamente:
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Quero falar dos balanços que as instituições e os poderes políticos, desde governos a comissões de moradores de
prédios, fazem anualmente. Felizmente para nós, pobres
cidadãos que deles dependemos, os balanços são sempre
positivos. Por isso não compreendo como podemos ficar descontentes ou andar sempre macambúzios1, de bolsos furados.
Se tudo corre sempre bem e os balanços foram favoráveis, por que resmungamos com a carestia da vida, ou a opacidade do futuro? Nós, os pequenos, somos incuravelmente
pessimistas, caso para psiquiatria. Pois então não ouvimos
as notas positivas emanadas dos balanços? Até mesmo uma
comissão criada para um programa que desconseguiu de
resolver apresenta balanço positivo e abre champanhe na
hora de prestar contas (verbais, porque as monetárias ficam
só para alguns, os mesmos de sempre). Somos pessimistas
e ingratos, invejosos de os ver sempre a beber champanhe.
Desconfiamos dos que apresentam os balanços, os nossos
chefes bem-amados. É evidente, merecemos o inferno em
que vivemos, sem champanhe.
Divirto-me muito a ouvir ou ler o balanço feito a visitas
ao estrangeiro de membros do Governo ou delegações de
qualquer tipo, desportivas, diplomáticas ou culturais. As viagens são sempre positivas, alcançando resultados de que só
o futuro mostrará a magnitude. Como temos fraca memória,
no futuro nunca lembramos os termos de referência dessas
visitas positivas.
Ultimamente surgiram balanços em muitos jornais. Partindo do princípio que a década acabou agora (os matemáticos
que resolvam definitivamente essa maka2, pois parece que
é só para o ano), fez-se o balanço da década. Como esses
jornais se concentram no Norte (ou seguindo os interesses
do Norte), finalmente encontramos balanços negativos. Terrorismo, guerras, crises financeiras e econômicas constantes, desemprego em alta, suicídios de ricos (raríssimos, mas
servem de índice), tímidas prisões de uns poucos corruptos,
enfim, tudo desgraças. Para esses jornais, a primeira década
desse milênio é para esquecer.
Pois eu faço um balanço positivo. Por uma vez tinha de
ser. Nesta década gozamos finalmente de paz. E o país até
cresce muito, apesar dos disparates. Andamos na contramão, já é mania de ser diferente...
(Pepetela. Crónicas Maldispostas. 2015. Adaptado)
Vocabulário:
1macambúzios: tristonhos, taciturnos
2maka: cisão, desentendimento
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Os balanços
Quero falar dos balanços que as instituições e os poderes políticos, desde governos a comissões de moradores de
prédios, fazem anualmente. Felizmente para nós, pobres
cidadãos que deles dependemos, os balanços são sempre
positivos. Por isso não compreendo como podemos ficar descontentes ou andar sempre macambúzios1, de bolsos furados.
Se tudo corre sempre bem e os balanços foram favoráveis, por que resmungamos com a carestia da vida, ou a opacidade do futuro? Nós, os pequenos, somos incuravelmente
pessimistas, caso para psiquiatria. Pois então não ouvimos
as notas positivas emanadas dos balanços? Até mesmo uma
comissão criada para um programa que desconseguiu de
resolver apresenta balanço positivo e abre champanhe na
hora de prestar contas (verbais, porque as monetárias ficam
só para alguns, os mesmos de sempre). Somos pessimistas
e ingratos, invejosos de os ver sempre a beber champanhe.
Desconfiamos dos que apresentam os balanços, os nossos
chefes bem-amados. É evidente, merecemos o inferno em
que vivemos, sem champanhe.
Divirto-me muito a ouvir ou ler o balanço feito a visitas
ao estrangeiro de membros do Governo ou delegações de
qualquer tipo, desportivas, diplomáticas ou culturais. As viagens são sempre positivas, alcançando resultados de que só
o futuro mostrará a magnitude. Como temos fraca memória,
no futuro nunca lembramos os termos de referência dessas
visitas positivas.
Ultimamente surgiram balanços em muitos jornais. Partindo do princípio que a década acabou agora (os matemáticos
que resolvam definitivamente essa maka2, pois parece que
é só para o ano), fez-se o balanço da década. Como esses
jornais se concentram no Norte (ou seguindo os interesses
do Norte), finalmente encontramos balanços negativos. Terrorismo, guerras, crises financeiras e econômicas constantes, desemprego em alta, suicídios de ricos (raríssimos, mas
servem de índice), tímidas prisões de uns poucos corruptos,
enfim, tudo desgraças. Para esses jornais, a primeira década
desse milênio é para esquecer.
Pois eu faço um balanço positivo. Por uma vez tinha de
ser. Nesta década gozamos finalmente de paz. E o país até
cresce muito, apesar dos disparates. Andamos na contramão, já é mania de ser diferente...
(Pepetela. Crónicas Maldispostas. 2015. Adaptado)
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Quero falar dos balanços que as instituições e os poderes políticos, desde governos a comissões de moradores de
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cidadãos que deles dependemos, os balanços são sempre
positivos. Por isso não compreendo como podemos ficar descontentes ou andar sempre macambúzios1, de bolsos furados.
Se tudo corre sempre bem e os balanços foram favoráveis, por que resmungamos com a carestia da vida, ou a opacidade do futuro? Nós, os pequenos, somos incuravelmente
pessimistas, caso para psiquiatria. Pois então não ouvimos
as notas positivas emanadas dos balanços? Até mesmo uma
comissão criada para um programa que desconseguiu de
resolver apresenta balanço positivo e abre champanhe na
hora de prestar contas (verbais, porque as monetárias ficam
só para alguns, os mesmos de sempre). Somos pessimistas
e ingratos, invejosos de os ver sempre a beber champanhe.
Desconfiamos dos que apresentam os balanços, os nossos
chefes bem-amados. É evidente, merecemos o inferno em
que vivemos, sem champanhe.
Divirto-me muito a ouvir ou ler o balanço feito a visitas
ao estrangeiro de membros do Governo ou delegações de
qualquer tipo, desportivas, diplomáticas ou culturais. As viagens são sempre positivas, alcançando resultados de que só
o futuro mostrará a magnitude. Como temos fraca memória,
no futuro nunca lembramos os termos de referência dessas
visitas positivas.
Ultimamente surgiram balanços em muitos jornais. Partindo do princípio que a década acabou agora (os matemáticos
que resolvam definitivamente essa maka2, pois parece que
é só para o ano), fez-se o balanço da década. Como esses
jornais se concentram no Norte (ou seguindo os interesses
do Norte), finalmente encontramos balanços negativos. Terrorismo, guerras, crises financeiras e econômicas constantes, desemprego em alta, suicídios de ricos (raríssimos, mas
servem de índice), tímidas prisões de uns poucos corruptos,
enfim, tudo desgraças. Para esses jornais, a primeira década
desse milênio é para esquecer.
Pois eu faço um balanço positivo. Por uma vez tinha de
ser. Nesta década gozamos finalmente de paz. E o país até
cresce muito, apesar dos disparates. Andamos na contramão, já é mania de ser diferente...
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Medidas contra as bets são muito tímidas
O governo endureceu as regras para a publicidade das
apostas esportivas. Todas as propagandas de bets deverão
agora exibir advertências informando que apostar pode causar dependência, faz perder dinheiro e não é investimento.
Também ficam proibidas peças publicitárias que associem as
apostas a sucesso financeiro, fonte de renda ou enriquecimento fácil. As medidas representam um avanço e mostram
que o Estado reconhece, de forma clara, os riscos de uma
atividade que nem deveria ter sido legalizada. Nesse sentido,
as medidas do governo são muito tímidas.
Nos últimos anos, o mercado de apostas online cresceu
sem freios. Enquanto a regulamentação patinava, empresas
se instalaram no País e multiplicaram patrocínios a clubes,
campeonatos e programas esportivos. Também transformaram influenciadores, atletas e celebridades em vitrines permanentes de um negócio apresentado como entretenimento
inofensivo. O tsunami veio com a Copa do Mundo. Hoje, as
pesquisas mostram o aumento do endividamento das famílias, o crescimento dos casos de ludopatia, a pressão sobre o
Sistema Único de Saúde (SUS) e até o adiamento do ingresso de jovens no ensino superior.
Trata-se de impor à publicidade das bets limites proporcionais aos danos que elas provocam. Foi essa lógica que
orientou, ao longo das últimas décadas, a restrição à propaganda de cigarros. Ninguém proibiu o consumo. O que se
reconheceu foi que produtos capazes de causar prejuízos
dessa dimensão à saúde pública não poderiam continuar
sendo promovidos como símbolos de sucesso, diversão ou
qualidade de vida.
No segundo semestre, o Supremo Tribunal Federal (STF)
deverá retomar o julgamento das ações que questionam a
constitucionalidade da Lei das Bets. Entre os temas em
debate estão a proteção de grupos vulneráveis, como beneficiários de programas sociais, e os limites de uma atividade que, segundo a Procuradoria-Geral da República, possui
caráter predatório e compromete direitos fundamentais. O
presidente do STF já associou o avanço das apostas ao
crime organizado e classificou o tema como um grave problema social e de segurança pública. Suas declarações indicam
que o tribunal dificilmente será permissivo.
O julgamento, porém, ainda está distante, e seu resultado é incerto. Até lá, governo e Congresso não têm desculpa para continuar adiando restrições muito mais severas à
publicidade das bets. Não basta alertar sobre os riscos de
uma atividade reconhecidamente nociva enquanto sua publicidade continua ocupando estádios, transmissões esportivas,
redes sociais e a rotina dos brasileiros quase sem limitações.
O aviso institucional é bem-vindo, mas a tolerância já passou
da hora de acabar.
(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.07.2026. Adaptado)
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