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Foram encontradas 60 questões.

Um jornal é lido por muita gente, em muitos lugares; o que ele diz precisa interessar, senão a todos, pelo menos a um certo número de pessoas. Mas o que me brota espontaneamente da máquina, hoje, não interessa a ninguém, salvo a mim mesmo. O leitor, portanto, faça o obséquio de mudar de coluna. Trata-se de um gato.

Não é a primeira vez que o tomo para objeto de escrita. Há tempos, contei de Inácio e de sua convivência. Inácio estava na graça do crescimento, e suas atitudes faziam descobrir um encanto novo no encanto imemorial dos gatos. Mas Inácio desapareceu − e sua falta é mais importante para mim do que as reformas do ministério.

Gatos somem no Rio de Janeiro. Dizia-se que o fenômeno se relacionava com a indústria doméstica das cuícas, localizada nos morros. Agora ouço dizer que se relaciona com a vida cara e a escassez de alimentos. À falta de uma fatia de vitela, há indivíduos que se consolam comendo carne de gato, caça tão esquiva quanto a outra.

O fato sociológico ou econômico me escapa. Não é a sorte geral dos gatos que me preocupa. Concentro-me em Inácio, em seu destino não sabido.

Eram duas da madrugada quando o pintor Reis Júnior, que passeia a essa hora com o seu cachimbo e o seu cão, me bateu à porta, noticioso. Em suas andanças, vira um gato cor de ouro como Inácio − cor incomum em gatos comuns − e se dispunha a ajudar-me na captura. Lá fomos sob o vento da praia, em seu encalço. E no lugar indicado, pequeno jardim fronteiro a um edifício, estava o gato. A luz não dava para identificá-lo, e ele se recusou à intimidade. Chamados afetuosos não o comoveram; tentativas de aproximação se frustraram. Ele fugia sempre, para voltar se nos via distantes. Amava.

Seria iníquo apartá-lo do alvo de sua obstinada contemplação, a poucos metros. Desistimos. Se for Inácio, pensei, dentro de um ou dois dias estará de volta. Não voltou.

Um gato vive um pouco nas poltronas, no cimento ao sol, no telhado sob a lua. Vive também sobre a mesa do escritório, e o salto preciso que ele dá para atingi-la é mais do que impulso para a cultura. É o movimento civilizado de um organismo plenamente ajustado às leis físicas, e que não carece de suplemento de informação. Livros e papéis, sim, beneficiam-se com a sua presteza austera. Mais do que a coruja, o gato é símbolo e guardião da vida intelectual.

Depois que sumiu Inácio, esses pedaços da casa se desvalorizaram. Falta-lhes a nota grave e macia de Inácio. É extraordinário como o gato “funciona” em uma casa: em silêncio, indiferente, mas adesivo e cheio de personalidade. Se se agravar a mediocridade destas crônicas, os senhores estão avisados: é falta de Inácio. Se tinham alguma coisa aproveitável era a presença de Inácio a meu lado, sua crítica muda, através dos olhos de topázio que longamente me fitavam, aprovando algum trecho feliz, ou através do sono profundo, que antecipava a reação provável dos leitores.

Poderia botar anúncio no jornal. Para quê? Ninguém está pensando em achar gatos. Se Inácio estiver vivo e não sequestrado, voltará sem explicações. É próprio do gato sair sem pedir licença, voltar sem dar satisfação. Se o roubaram, é homenagem a seu charme pessoal, misto de circunspeção e leveza; tratem-no bem, nesse caso, para justificar o roubo, e ainda porque maltratar animais é uma forma de desonestidade. Finalmente, se tiver de voltar, gostaria que o fizesse por conta própria, com suas patas; com a altivez, a serenidade e a elegância dos gatos.

(ANDRADE, Carlos Drummond. Cadeira de balanço. São Paulo: Companhia das Letras, 2020)

Uma característica recorrente do gênero “crônica” que pode ser observada no texto é

 

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2232094 Ano: 2022
Disciplina: Educação Artística
Banca: FCC
Orgão: SEDU-ES

A linha conceitual da Arte-Educação como Disciplina se tornou conhecida no Brasil através da Proposta Triangular de Ana Mae Barbosa [...], a qual propõe o ensino da arte calcado no fazer artístico, na história da arte e na análise de obras de arte (BARBOSA, 2002).

A proposta metodológica dos PCN/Arte se fundamenta basicamente na Proposta Triangular, estabelecendo três eixos de aprendizagem norteadores: “produzir, apreciar e contextualizar” (BRASIL, 1998, p. 49).

É observável a correspondência entre as propostas. Sendo o primeiro termo de cada relação referente à metodologia triangular e o segundo termo referente aos PCNs, conectam as duas séries de termos correta e respectivamente:

 

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2232093 Ano: 2022
Disciplina: Educação Artística
Banca: FCC
Orgão: SEDU-ES

Em seu texto, MAKUNAIMA, O MEU AVÔ EM MIM!, o artista Jaider Esbell questiona o sequestro simbólico de Makunaimî, ancestral comum a vários povos indígenas, por produções culturais brancas tanto na etnologia quanto na literatura, como se lê no trecho a seguir:

Significativamente, Makunaima é envolvido nas leituras que são propostas por diversos influentes sobre o caráter duvidoso do brasileiro. Isso está relacionado também com a Semana de Arte Moderna de 1922, tempo de quase um século quando surgimos com mais essa demanda. O hoje e o futuro dessa gente-nação de identidade desafiadora, beirando o fantástico, de onde mesmo lhe é proposto com arte. Pena Mário não estar mais aqui para ver e sentir esses outros lados dos movimentos. Mas não tem problema, suas crias, que também o sou, estão por aqui.

Ao falar de Makunaima, Esbell se refere, mais especificamente, a “Macunaíma: o herói sem nenhum caráter”. O autor desta obra e sua fonte inspiração é:

 

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2232092 Ano: 2022
Disciplina: Artes Cênicas
Banca: FCC
Orgão: SEDU-ES

Brecht tira do palco tudo que possa esconder que o que ele faz ali é teatro: o público tem que ver os refletores e as gambiarras, como acontecem os efeitos, para que eles não sejam entendidos como mágicas, mas como trabalhos feitos por homens.

Este excerto de um texto sobre o dramaturgo alemão Bertold Brecht explica que um princípio de sua produção é opor-se a qualquer efeito

 

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2232091 Ano: 2022
Disciplina: Educação Artística
Banca: FCC
Orgão: SEDU-ES

Considere a imagem abaixo.

Enunciado 3353819-1

O trabalho “Abyssal”, realizado em 2010, de Regina Silveira, opera por meio de uma anamorfose: o observador que adentra o salão em que a instalação está montada percebe um primeiro desenho de linhas aplicado no chão em vinil adesivo, mas ao posicionar-se em um determinado ponto e altura predeterminados no espaço é que o desenho se mostra como uma imagem coerente, que funciona como se o desenho das janelas das paredes se repetisse em patamares inferiores, desestabilizando o observador pela ilusão provocada: a de ausência do chão.

A partir da descrição deste trabalho, a definição que mais se aproxima do procedimento gráfico utilizado é:

 

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2232090 Ano: 2022
Disciplina: Educação Artística
Banca: FCC
Orgão: SEDU-ES

Os Pomeranos são um grupo diaspórico europeu que chegou à América do Sul no século XIX.

O video “Silent film: in search of a pomeran house” (Filme silencioso: em busca de uma casa pomerana) parte do projeto JUNTAMENTZ, da artista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Raquel Garbelotti, realizado entre 2006 e 2008, apresenta diversos registros fotográficos de casas localizadas no Estado do Espírito Santo, em que duas colaboradoras de origem pomerana apontam elementos arquitetônicos e características na tentativa de definir a tipologia destas construções.

Sobre este trabalho, Garbelotti escreve em sua tese de doutorado:

A arquitetura indicada como pomerana nas imagens do Silent Film também é muito parecida com a das casas de roça brasileiras, embora algumas das casas tenham elementos mais europeus. [...] elas [as colaboradoras] descrevem porque a casa de cada imagem é ou não pomerana ou porque poderia ser. Portanto, existem situações de dúvida. As imagens, assim como os textos, pouco revelam do que é “ser pomerano”. O “cercamento” nunca é realizado por completo.

De acordo com o excerto acima, verifica-se que:

 

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2232089 Ano: 2022
Disciplina: Educação Artística
Banca: FCC
Orgão: SEDU-ES

O espaço central do Centro Pompidou, maior complexo de arte em Paris, guarda uma obra do artista Victor Vasarely, uma imagem que retrata o presidente francês George Pompidou, criador da instituição. Em 2005, o artista brasileiro Marepe criou uma intervenção para este espaço, posicionando uma imagem similar em técnica, tamanho e estilo ao lado do retrato de Pompidou. Apesar das semelhanças, tratava-se de um retrato de Tiburtino Peixoto, o avô de Marepe, ou “Bubu”, como era chamado pela família e conhecidos. A aproximação entre figuras aparentemente tão distantes

 

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2232088 Ano: 2022
Disciplina: Educação Artística
Banca: FCC
Orgão: SEDU-ES

Considere a imagem abaixo.

Enunciado 3353814-1

A imagem circulou pela rede como meme a partir de um acontecimento político: a remoção de uma estátua que homenageava uma personagem histórica importante para a da cidade de Bristol, na Inglaterra. A imagem, composta por dois momentos de uma narrativa, mostra em um primeiro momento parte da população da cidade arrastando a estátua para jogá-la no fundo do rio e, em um segundo momento, a reação expressiva e receosa de uma segunda estátua, que homenageia uma personagem histórica importante para a cidade de São Paulo. A associação entre os dois monumentos se explica por conta de ambas serem

 

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2232087 Ano: 2022
Disciplina: Educação Artística
Banca: FCC
Orgão: SEDU-ES

Fotografar é, em essência, um ato de não intervenção. [...] A pessoa que interfere não pode registrar. A pessoa que registra não pode interferir.

Essa afirmação da crítica e escritora estadunidense Susan Sontag pode resumir um dilema trabalhado e problematizado no cinema em diversos filmes, EXCETO em:

 

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2232086 Ano: 2022
Disciplina: Educação Artística
Banca: FCC
Orgão: SEDU-ES

A obra Independência ou morte!, de Pedro Américo, foi realizada na tradição das pinturas de história, ao representar a proclamação da independência do Brasil. O pesquisador Kleber Amâncio, ao analisar a obra, na qual figuram D. Pedro I, em torno de quarenta figuras, cavaleiros civis e militares e alguns populares, questiona:

Mas e os negros, onde se encontram? Afinal compunham, àquela altura, uma porcentagem significativa da população. Como era possível excluí-los daquele processo?

Tal questionamento se funda na observação de que a presença de pessoas negras na obra de Pedro Américo é

 

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