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Um dos lugares-comuns do pensamento político é o de que o sistema democrático exige a descentralização do poder.
Democracia não é só o governo do povo, mas o governo do povo a partir de sua comunidade. Esse é um dos argumentos clássicos para o voto distrital: o eleitor fortalece seu poder,(a) ao associá-lo(a) ao de seus vizinhos. Em países de boa tradição democrática, esses vizinhos discutem, dentro dos comitês dos partidos,(b) mas também fora deles,(b) suas idéias com os candidatos.(c) Embora isso(c) não signifique voto imperativo — inaceitável em qualquer situação —, o parlamentar escolhido(d) sabe que há o eleitor múltiplo e bem identificado, ao qual(d) deverá dar explicações periódicas. Se a esse sistema se vincula a possibilidade do recall, do contramandato, cresce a legitimidade do instituto da representação parlamentar.
O fato é que, com voto distrital ou não, tornou-se inadiável a discussão em torno do sistema federativo. Quem conhece o Brasil fora das campanhas eleitorais sabe das profundas diferenças entre os estados.
Mauro Santayana. Jornal do Brasil, 24/11/2006.
Acerca das relações lógico-sintáticas do texto acima, assinale a opção incorreta.
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Um fator a ser revisto no MERCOSUL é o foco:(a) não adianta debater uma agenda mirabolante, com 40 ou 50 temas.
É preciso focar as ações de modo pragmático, com as seguintes prioridades: concluir a união aduaneira; eliminar barreiras jurídicas e monetárias;(b) facilitar os negócios entre as empresas dos países-membros e obter financiamentos em nome do bloco no Banco Mundial, para ampliar a infra-estrutura regional, o que(c) até agora sequer foi pleiteado. As questões alfandegária e fitossanitária devem ser harmonizadas o mais rapidamente possível, pois não haverá bloco econômico viável enquanto houver entrave no intercâmbio entre os Estados-membros.
Finalmente, é preciso considerar que, no mundo globalizado, as relações externas afetam o cotidiano das empresas e das pessoas.
O atual impasse no MERCOSUL só será superado se(d) os empresários se(d) organizarem na defesa de seus interesses e direitos, por meio da informação e da mobilização da sociedade sobre as implicações internas das decisões tomadas em fóruns internacionais.
Abram Szajman. O Globo, 26/11/2006 (com adaptações).
Em relação ao texto acima, assinale a opção correta.
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Assinale a opção que apresenta fragmento de texto gramaticalmente correto.
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O terreno da ética é o próprio chão onde estão fincadas as bases de uma sociedade. Essa construção é feita todos os dias. Há algo de imaterial em todos os edifícios políticos.
Eles não estão aí por obra divina. Precisam ser reforçados permanentemente, por meio de atos significativos em que as pessoas reconheçam o interesse público. É isso que mantém a ordem pública, e não somente, nem, sobretudo, a força policial.
Se as pessoas deixam de acreditar em uma ética subjacente ao dia-a-dia em um código de conduta que rege a ação dos políticos, pode-se prever que todo o edifício da sociedade estará ameaçado.
O Globo, 30/11/2006, p. 6 (com adaptações).
Acerca das relações lógico-sintáticas textuais, as opções seguintes apresentam propostas de associação, mediante o emprego de conjunção, entre períodos sintáticos do texto acima.
Assinale a opção que apresenta proposta de associação incorreta.
| período | conjunção | período |
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Assinale a opção em que o fragmento de texto apresenta erro gramatical.
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A ética é o dia-a-dia de uma sociedade. Sociedades não existem no abstrato: elas precisam de alguma espécie de cimento que mantenha as suas peças bem-ajustadas e sólidas. Antigamente, esse cimento era fornecido pelos valores religiosos. Uma das diferenças entre o Ocidente moderno e os países islâmicos é que lá o cimento continua a ser religioso; enquanto aqui, chegou-se à conclusão de que era melhor laicizar a política, deixando as crenças para a consciência ou a convicção de cada um.
E assim, o que nos mantém unidos em torno deste ou daquele projeto político é a idéia — concreta ou difusa — de uma ética; de um tipo de comportamento que preste homenagem a certos princípios. Esses princípios poderiam ser resumidos em um só: o da coisa pública.
O Globo, 30/11/2006, p. 6 (com adaptações).
Em relação às idéias do texto acima, assinale a opção correta.
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Caro eleitor,
Nos últimos meses, a campanha política mobilizou vivamente os brasileiros. No primeiro turno, foram alcançadas marcas extraordinárias: além do alto índice de comparecimento às urnas e de uma irrepreensível votação, em que tudo aconteceu de forma tranqüila e organizada, a apuração dos resultados foi rápida e segura, o que coloca o Brasil como modelo nessa área.
Amanhã serão definidos os nomes do presidente da República e dos governadores de alguns estados. O país, mais do que nunca, conta com você.
Democracia é algo que lhe diz respeito(a) e que se aperfeiçoa(b) no dia-a-dia. É como uma construção bem-preparada, erguida sobre fortes alicerces. Esses alicerces são exatamente os votos de todos os cidadãos.
Quanto mais fiel você for no exercício do(c) direito de definir os representantes, mais sólidas serão(d) as bases da nossa democracia. Por isso, é essencial que você valorize essa escolha, elegendo, de modo consciente, o candidato que julgar com mais condições para conduzir os destinos do país e de seu estado.
Você estará determinando o Brasil que teremos nos próximos quatro anos. Estará definindo o amanhã, o seu próprio bem-estar e de sua família, o crescimento geral, a melhoria do emprego, da habitação, da saúde e segurança públicas, do transporte, o preço dos alimentos. O momento é decisivo e em suas mãos — entenda bem, em suas mãos — está depositada a confiança em dias felizes.
Compareça, participe. Não se omita, não transfira a outros uma escolha que é sua. Pense e vote com a firmeza de quem sabe o que está fazendo, com a responsabilidade de quem realmente compreende a importância de sua atitude para o progresso da nação brasileira. Esta é a melhor contribuição que você poderá dar a sua Pátria.
Ministro Marco Aurélio de Mello. Pronunciamento oficial. Internet: <www.tse.gov.br> (com adaptações).
Assinale a opção em que a substituição sugerida prejudica a correção gramatical do texto.
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A cidade estivera(a) agitada por motivos de ordem técnica e politécnica. Outrossim, era a véspera da eleição de um senador para preencher a vaga do finado Aristides Lobo.
Dous candidatos e dous partidos disputavam a palma com alma. Vá de rima; sempre é melhor que disputá-la a cacete, cabeça ou navalha, como se usava antigamente. A garrucha era empregada no interior. Um dia, apareceu a Lei Saraiva, destinada a fazer eleições sinceras e sossegadas. Estas passaram a ser de um só grau. Oh! ainda agora me não esqueceram(b) os discursos que ouvi, nem os artigos que li(b) por esses tempos atrás pedindo a eleição direta! A eleição direta era a salvação pública. Muitos explicavam: direta e censitária.
Eu, pobre rapaz sem experiência, ficava embasbacado quando ouvia dizer que todo o mal das eleições estava no método; mas, não tendo outra escola, acreditava que sim, e esperava a lei.
A lei chegou. Assisti às suas estréias, e ainda me lembro que na minha seção ouviam-se voar as moscas. Um dos eleitores veio a mim e por sinais me fez compreender que estava entusiasmado com a diferença entre aquele sossego e os tumultos do outro método. Eu, também por sinais, achei que tinha razão, e contei-lhe(c) algumas eleições antigas. Nisto o secretário começou a suspirar flebilmente os nomes dos eleitores. Presentes, posto que censitários, poucos. Os chamados iam na ponta dos pés até à urna, onde depositavam uma cédula, depois de examinada pelo presidente da mesa; em seguida assinavam silenciosamente os nomes na relação dos eleitores, saíam com as cautelas usadas em quarto de moribundo. A convicção é que se tinha achado a panacéia(d) universal.
Machado de Assis. Op. Cit., p. 706.
Em relação ao texto, assinale a opção correta.
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Falei de esquisitices. Aqui está uma, que prova ao mesmo tempo a capacidade política deste povo e a grande observação dos seus legisladores. Refiro-me ao processo eleitoral. Assisti a uma eleição que aqui se fez em fins de novembro. Como em toda a parte, este povo andou em busca da verdade eleitoral. Reformou muito e sempre; esbarrava-se, porém, diante de vícios e paixões, que as leis não podem eliminar. Vários processos foram experimentados, todos deixados ao cabo de alguns anos. É curioso que alguns deles coincidissem com os nossos de um e de outro mundo. Os males não eram gerais, mas eram grandes. Havia eleições boas e pacíficas, mas a violência, a corrupção e a fraude inutilizavam em algumas partes as leis e os esforços leais dos governos. Votos(I) vendidos, votos inventados, votos destruídos, era difícil alcançar que todas as eleições fossem puras e seguras. Para a violência havia aqui uma classe de homens, felizmente extinta, a que chamam pela língua do país, kapangas ou kapengas. Eram esbirros(II) particulares, assalariados para amedrontar os eleitores e, quando fosse preciso, quebrar as urnas e as cabeças. Às vezes quebravam só as cabeças e metiam nas urnas maços de cédulas. Estas cédulas eram depois apuradas com as outras, pela razão especiosa de que mais valia atribuir a um candidato algum pequeno saldo de votos que tirar-lhe os que deveras lhe foram dados(III) pela vontade soberana do país. A corrupção(IV) era menor que a fraude; mas a fraude(IV) tinha todas as formas. Enfim, muitos eleitores, tomados de susto ou de descrença, não acudiam às urnas.
Machado de Assis. A semana. Obra completa, v. III. Rio de Janeiro: Aguilar, 1973, p. 757.
De acordo com o texto, julgue os itens a seguir.
I A reiteração da palavra “votos” confere ênfase à idéia apresentada no período.
II Pelos sentidos do texto, conclui-se que a palavra “esbirros” está sendo empregada com o mesmo significado que tem atualmente a palavra capanga.
III A expressão “lhe foram dados” pode, sem prejuízo para a correção gramatical do período, ser substituída por foram dados a ele.
IV A palavra “corrupção” está sendo empregada como sinônima de “fraude”.
A quantidade de itens certos é igual a
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Falei de esquisitices. Aqui está uma,(a) que prova ao mesmo tempo a capacidade política deste povo e a grande observação dos seus legisladores. Refiro-me ao processo eleitoral. Assisti a uma eleição que aqui se fez(b) em fins de novembro. Como em toda a parte, este povo andou em busca da verdade eleitoral. Reformou muito e sempre; esbarrava-se,(c) porém, diante de vícios e paixões,(d) que as leis não podem eliminar. Vários processos foram experimentados, todos deixados ao cabo de alguns anos. É curioso que alguns deles coincidissem com os nossos de um e de outro mundo. Os males não eram gerais, mas eram grandes. Havia eleições boas e pacíficas, mas a violência, a corrupção e a fraude inutilizavam em algumas partes as leis e os esforços leais dos governos. Votos vendidos, votos inventados, votos destruídos, era difícil alcançar que todas as eleições fossem puras e seguras. Para a violência havia aqui uma classe de homens, felizmente extinta, a que chamam pela língua do país, kapangas ou kapengas. Eram esbirros particulares, assalariados para amedrontar os eleitores e, quando fosse preciso, quebrar as urnas e as cabeças. Às vezes quebravam só as cabeças e metiam nas urnas maços de cédulas. Estas cédulas eram depois apuradas com as outras, pela razão especiosa de que mais valia atribuir a um candidato algum pequeno saldo de votos que tirar-lhe os que deveras lhe foram dados pela vontade soberana do país. A corrupção era menor que a fraude; mas a fraude tinha todas as formas. Enfim, muitos eleitores, tomados de susto ou de descrença, não acudiam às urnas.
Machado de Assis. A semana. Obra completa, v. III. Rio de Janeiro: Aguilar, 1973, p. 757.
Em relação ao texto, assinale a opção incorreta.
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