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No mês de novembro de 2021, 32% do faturamento de uma loja foram com artigos para presente. Em dezembro do mesmo ano, devido à proximidade do Natal, o faturamento desses artigos dobrou, com relação ao mês anterior. Sabendo-se que o faturamento total de novembro de 2021 foi de R$ 20.525,00, qual será o faturamento para dezembro de 2022, com artigos para presente, se o resultado do ano anterior se repetir?

 

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Dada a sequência lógica 2, -1, 4, 2, 6, 5, 8,..., verifica-se que o próximo termo é

 

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Os dados retirados do site do Ministério da Saúde do Estado de Goiás, relacionados à campanha de vacinação contra a COVID-19, em uma determinada data, foram organizados em uma tabela de modo que, nas linhas, estão representados os municípios e, nas colunas, o total de doses aplicadas (A), o total de doses distribuídas (B), o percentual de doses utilizadas (C) e a população geral do município (D), respectivamente, como mostrado a seguir.

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MUNICÍP I O

A

B

C

D

ABADIÂNIA

31.760

42.308

75,07

19.729

ALEXÂNIA

55.399

57.382

96,54

27.677

ANÁPOLIS

778.266

862.562

90,23

387.553

GOIANÁPOLIS

24.178

26.323

91,85

11.125

PIRENÓPOLIS

52.670

55.292

95,26

25.274

TEREZÓPOLIS DE GOIÁS

15.486

19.334

80,1

7.978

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Dessa forma, constata-se que o número médio de doses aplicadas, por pessoa, no município de Anápolis, foi aproximadamente de

 

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Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.

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Escravidão e o mito da benevolência

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01--Certa vez um etnologista disse que "o caminho do progresso é cheio de aventuras, rupturas e escândalos".

02--Devemos, assim, começar examinando o maior de todos os escândalos, aquele que ultrapassou qualquer

03--outro na história da humanidade: a escravização dos povos negro-africanos.

04--No Brasil, é a escravidão que define a qualidade, a extensão e a intensidade da relação física e espiritual

05--dos filhos de três continentes que aqui se encontraram, confrontando um ao outro no esforço épico de

06--edificar um novo país, com suas características próprias, tanto na composição étnica do seu povo quanto

07--na especificidade do seu espírito.

08--A chamada "descoberta" do Brasil pelos portugueses, em 1500, nos assinala o ponto de partida. A

09--exploração da nova terra se iniciou com o aparecimento da raça negra fertilizando o solo brasileiro com

10--suas lágrimas, seu sangue, seu suor e seu martírio na escravidão. Por volta de 1530, os africanos, trazidos

11--sob correntes, já aparecem exercendo seu papel de "força de trabalho". Em 1535, o comércio escravo para

12--o Brasil estava regularmente constituído e organizado e, rapidamente, aumentaria em proporções

13--enormes. Como primeira atividade significativa da colônia portuguesa, as plantações de cana-de-açúcar se

14--espalhavam pelas costas do nordeste, especialmente nos estados da Bahia e Pernambuco. Só a Bahia, lá

15--por 1587, tinha cerca de 47 engenhos de cana-de-açúcar, fato que bem ilustra a velocidade expansionista

16--da indústria açucareira desenvolvida com o uso da força muscular africana. Uma canção de trabalho

17--incluída no artigo de Zora Seljan, “A poesia negra popular no Brasil”, nos fornece o sentido do ritmo dos

18--engenhos de açúcar:

19----------Solo: Engenho novo está p'ra moer!

20----------Côro: Trabalhar até morrer!

21----------Ô trabalhar, ô trabalhar, olé! Trabalhar até morrer!

-------[...]

22--O papel do negro escravizado foi decisivo para o começo da história econômica de um país fundado, como

23--era o caso do Brasil, sob o signo do parasitismo imperialista. Sem o escravo, a estrutura econômica do

24--país jamais teria existido. O africano escravizado construiu as fundações da nova sociedade com a flexão e

25--a quebra da sua espinha dorsal, quando ao mesmo tempo seu trabalho significava a própria espinha dorsal

26--daquela colônia. Ele plantou, alimentou e colheu a riqueza material do país para o desfrute exclusivo da

27--aristocracia branca. Tanto nas plantações de cana-de-açúcar e café e na mineração, quanto nas cidades, o

28--africano incorporava as mãos e os pés das classes dirigentes que não se “autodegradavam” em ocupações

29--vis como aquelas do trabalho braçal. A nobilitante ocupação das classes dirigentes - os latifundiários, os

30--comerciantes, os sacerdotes católicos - consistia no exercício da indolência, no cultivo da ignorância, do

31--preconceito, e na prática da mais licenciosa luxúria.

32--Durante séculos, por mais incrível que pareça, esse duro e ignóbil sistema escravocrata desfrutou a fama,

33--sobretudo no estrangeiro, de ser uma instituição benigna, de caráter humano. Isso graças ao colonialismo

34--português que permanentemente adotou formas de comportamento muito específicas para disfarçar sua

35--fundamental violência e crueldade. A mentira e a dissimulação foram recursos utilizados nesse sentido. A

36--consciência do mundo guarda bem viva a lembrança do colonialista Portugal encobrindo sua natureza

37--racista e espoliadora através de estratagemas como: a) designação de "Províncias de Ultramar" para

38--Angola, Moçambique e Guiné-Bissau; b) as leis do chamado indigenato, proscrevendo, entre outras

39--indignidades, a assimilação das populações africanas à cultura e identidade portuguesas. Essa rabulice

40--colonizadora pretendia imprimir o selo de legalidade, benevolência e generosidade civilizadora à sua

41--atuação no território africano. Porém, todas essas e outras dissimulações oficiais não conseguiram encobrir

42--a realidade, que consistia no saque de terras e povos e na repressão e negação de suas culturas - ambos

43--sustentados e realizados, não pelo artifício jurídico, mas sim pela força militar imperialista.

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NASCIMENTO, Abdias do. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. 3. ed. São Paulo: Perspectivas,

2016. p. 57-60. (Adaptado).

O constituinte modalizador “por mais incrível que pareça” (linha 32) é usado, no texto, para caracterizar o fato relatado na oração “esse duro e ignóbil sistema escravocrata desfrutou a fama” (linhas 32-33) como

 

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Leia o texto a seguir para responder às questões de 13 a 15.

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Desobjetos

-

01--O menino que era esquerdo viu no meio do quintal um pente.

02--O pente estava próximo de não ser mais um pente. Estaria mais perto

03--de ser uma folha dentada. Dentada um tanto que já se havia incluído

04--no chão que nem uma pedra um caramujo um sapo. Era alguma coisa

05--nova o pente. O chão teria comido logo um pouco de seus dentes.

06--Camadas de areia e formigas roeram seu organismo. Se é que um pente

07--tem organismo.

08--O fato é que o pente estava sem costela. Não se poderia mais dizer se

09--aquela coisa fora um pente ou um leque. As cores a chifre de que fora

10--feito o pente deram lugar a um esverdeado musgo. Acho que os bichos

11--do lugar mijavam muito naquele desobjeto. O fato é que o pente

12--perdera sua personalidade. Estava encostado às raízes de uma árvore e

13--não servia mais nem pra pentear macaco. O menino que era esquerdo

14--e tinha cacoete pra poeta, justamente ele enxergara o pente naquele

15--estado terminal. E o menino deu pra imaginar que o pente, naquele

16--estado, já estaria incorporado à natureza como um rio, um osso, um

17--lagarto. Eu acho que as árvores colaboravam na solidão daquele pente.

-

BARROS, Manoel de. Memórias inventadas. São Paulo: Planeta do Brasil, 2008. p. 27.

No trecho “o fato é que o pente perdera a sua personalidade” (versos 11-12), o evento verbal enunciado, sob o ponto de vista do narrador, dá-se

 

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Leia o texto a seguir para responder às questões de 13 a 15.

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Desobjetos

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01--O menino que era esquerdo viu no meio do quintal um pente.

02--O pente estava próximo de não ser mais um pente. Estaria mais perto

03--de ser uma folha dentada. Dentada um tanto que já se havia incluído

04--no chão que nem uma pedra um caramujo um sapo. Era alguma coisa

05--nova o pente. O chão teria comido logo um pouco de seus dentes.

06--Camadas de areia e formigas roeram seu organismo. Se é que um pente

07--tem organismo.

08--O fato é que o pente estava sem costela. Não se poderia mais dizer se

09--aquela coisa fora um pente ou um leque. As cores a chifre de que fora

10--feito o pente deram lugar a um esverdeado musgo. Acho que os bichos

11--do lugar mijavam muito naquele desobjeto. O fato é que o pente

12--perdera sua personalidade. Estava encostado às raízes de uma árvore e

13--não servia mais nem pra pentear macaco. O menino que era esquerdo

14--e tinha cacoete pra poeta, justamente ele enxergara o pente naquele

15--estado terminal. E o menino deu pra imaginar que o pente, naquele

16--estado, já estaria incorporado à natureza como um rio, um osso, um

17--lagarto. Eu acho que as árvores colaboravam na solidão daquele pente.

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BARROS, Manoel de. Memórias inventadas. São Paulo: Planeta do Brasil, 2008. p. 27.

O texto busca, de forma poética,

 

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Leia o texto a seguir para responder às questões de 13 a 15.

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Desobjetos

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01--O menino que era esquerdo viu no meio do quintal um pente.

02--O pente estava próximo de não ser mais um pente. Estaria mais perto

03--de ser uma folha dentada. Dentada um tanto que já se havia incluído

04--no chão que nem uma pedra um caramujo um sapo. Era alguma coisa

05--nova o pente. O chão teria comido logo um pouco de seus dentes.

06--Camadas de areia e formigas roeram seu organismo. Se é que um pente

07--tem organismo.

08--O fato é que o pente estava sem costela. Não se poderia mais dizer se

09--aquela coisa fora um pente ou um leque. As cores a chifre de que fora

10--feito o pente deram lugar a um esverdeado musgo. Acho que os bichos

11--do lugar mijavam muito naquele desobjeto. O fato é que o pente

12--perdera sua personalidade. Estava encostado às raízes de uma árvore e

13--não servia mais nem pra pentear macaco. O menino que era esquerdo

14--e tinha cacoete pra poeta, justamente ele enxergara o pente naquele

15--estado terminal. E o menino deu pra imaginar que o pente, naquele

16--estado, já estaria incorporado à natureza como um rio, um osso, um

17--lagarto. Eu acho que as árvores colaboravam na solidão daquele pente.

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BARROS, Manoel de. Memórias inventadas. São Paulo: Planeta do Brasil, 2008. p. 27.

No verso 11, o termo “desobjeto”, usado para atender necessidades poéticas e semânticas, é um exemplo de

 

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Leia o texto a seguir para responder às questões de 7 a 12.

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Difíceis identidades contemporâneas

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01--Às vezes, nossa existência nos pesa. Mesmo que por algum tempo tenhamos vontade de nos livrar das

02--necessidades ligadas a ela, de tirarmos férias de nós mesmos para tomar fôlego, descansar. Embora

03--nossas condições de vida sejam, decerto, melhores do que as de nossos ancestrais, elas não nos eximem

04--do essencial que consiste em dar significado e valor à existência, em nos sentirmos ligados aos outros, em

05--experimentar o sentimento de ter um lugar no seio do vínculo social. A individualização do sentido, ao

06--libertar das tradições ou dos valores comuns, desvincula de toda autoridade. Cada um se torna seu próprio

07--dono e só precisa prestar contas a si mesmo.

08--O desmantelamento do vínculo social isola cada indivíduo e o entrega à sua liberdade, à fruição de sua

10--autonomia ou, ao contrário, a seu sentimento de insuficiência, a seu fracasso pessoal. O indivíduo que não

11--dispõe de recursos interiores sólidos para se ajustar, dar significados e valores aos acontecimentos, que

12--não tem autoconfiança suficiente, sente-se ainda mais vulnerável e é obrigado a firmar-se por si mesmo, já

13--que não encontra apoio na comunidade. Muitas vezes ele mergulha em um clima de tensão, de inquietude,

14--de dúvida, que torna difícil sua vida. Nem sempre ele consegue encontrar prazer em viver.

15--Muitos de nossos contemporâneos aspiram ao alívio da pressão que pesa em seus ombros, à suspensão

16--do esforço constante para continuar sendo eles mesmos ao longo do tempo e das circunstâncias, sempre à

17--altura das exigências para consigo mesmos e para com os outros. Mesmo quando nenhuma dificuldade

18--pesa, pode emergir a tentação de desligar-se de si mesmo – nem que seja por algum tempo – para fugir

19--das rotinas e preocupações. Qualquer desobrigação é bem-vinda; ela permite desapegar-se por um

20--instante.

21--Em uma sociedade onde se impõem a flexibilidade, a urgência, a agilidade, a concorrência, a eficácia etc.,

22--ser si mesmo já não é algo evidente, visto que a todo instante urge expor-se ao mundo, adaptar-se às

23--circunstâncias, assumir a autonomia, estar à altura dos acontecimentos. Já não basta nascer ou crescer, é

24--preciso construir-se permanentemente, manter-se mobilizado, dar sentido à vida, fundamentar suas ações

25--nos valores.

24--A tarefa de individuação é árdua, sobretudo quando se trata de ser exatamente si mesmo. Encontrar os

25--suportes de sua autonomia e bastar-se a si mesmo não são um dado evidente. Nem todos os indivíduos

26--dispõem das mesmas capacidades. “Se as exigências morais se abrandaram, as coerções psíquicas

27--invadiram o cenário social: a emancipação e ação alargam desmedidamente a responsabilidade individual,

28--elas aguçam a consciência de ser tão somente si mesmo [...]. Por isso, a insuficiência é para a pessoa

29--contemporânea o que o conflito era para a primeira metade do século XX” (EHRENBERG, 1998: 276). O

30--indivíduo fica doravante sem orientação para se construir, ou melhor, se vê diante de muitas possiblidades

31--e entregue a seus recursos pessoais. Essa falta de apoio social e ausência de regulação exterior nem

32--sempre facilitam o acesso à autonomia. No entanto, todo indivíduo é responsável por si próprio, mesmo que

33--lhe faltem meios econômicos e, sobretudo, simbólicos para assumir uma liberdade que não escolheu, mas

34--que lhe é outorgada pelo contexto democrático de nossas sociedades. E, nessa busca, ele está sozinho.

35--Ele já não dispõe à sua volta, como outrora, de um quadro político para se afirmar em uma luta comum, já

36--não é mais apoiado por uma cultura de classe e por um destino compartilhado com outros.

37--Estar sob sua própria autoridade implica recursos interiores continuamente renovados, pois ela é fonte de

38--inquietação, de aflição e mobiliza um esforço constante. A identidade tornou-se uma noção essencial para o

39--questionamento de cada indivíduo e de nossas sociedades, mas hoje ela está em crise e alimenta uma

40--“incerteza radical quanto à continuidade e à consistência de si mesmo” (GAUCHET, 2004: 257). A

41--transparência desapareceu entre as diferentes formas de socialização e de subjetividade. Manter seu lugar

42--no seio do vínculo social implica uma tensão, um esforço.

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LE BRETON, David. Desaparecer de si: uma tentação contemporânea. Rio de Janeiro: Vozes, 2018. p. 9-11 (Adaptado).

Considere o uso do item “que” no trecho: “Muitas vezes ele mergulha em um clima de tensão, de inquietude, de dúvida, que torna difícil sua vida” (linhas 13-14). Em qual construção o elemento “que” é usado com a mesma função?

 

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Leia o texto a seguir para responder às questões de 7 a 12.

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Difíceis identidades contemporâneas

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01--Às vezes, nossa existência nos pesa. Mesmo que por algum tempo tenhamos vontade de nos livrar das

02--necessidades ligadas a ela, de tirarmos férias de nós mesmos para tomar fôlego, descansar. Embora

03--nossas condições de vida sejam, decerto, melhores do que as de nossos ancestrais, elas não nos eximem

04--do essencial que consiste em dar significado e valor à existência, em nos sentirmos ligados aos outros, em

05--experimentar o sentimento de ter um lugar no seio do vínculo social. A individualização do sentido, ao

06--libertar das tradições ou dos valores comuns, desvincula de toda autoridade. Cada um se torna seu próprio

07--dono e só precisa prestar contas a si mesmo.

08--O desmantelamento do vínculo social isola cada indivíduo e o entrega à sua liberdade, à fruição de sua

10--autonomia ou, ao contrário, a seu sentimento de insuficiência, a seu fracasso pessoal. O indivíduo que não

11--dispõe de recursos interiores sólidos para se ajustar, dar significados e valores aos acontecimentos, que

12--não tem autoconfiança suficiente, sente-se ainda mais vulnerável e é obrigado a firmar-se por si mesmo, já

13--que não encontra apoio na comunidade. Muitas vezes ele mergulha em um clima de tensão, de inquietude,

14--de dúvida, que torna difícil sua vida. Nem sempre ele consegue encontrar prazer em viver.

15--Muitos de nossos contemporâneos aspiram ao alívio da pressão que pesa em seus ombros, à suspensão

16--do esforço constante para continuar sendo eles mesmos ao longo do tempo e das circunstâncias, sempre à

17--altura das exigências para consigo mesmos e para com os outros. Mesmo quando nenhuma dificuldade

18--pesa, pode emergir a tentação de desligar-se de si mesmo – nem que seja por algum tempo – para fugir

19--das rotinas e preocupações. Qualquer desobrigação é bem-vinda; ela permite desapegar-se por um

20--instante.

21--Em uma sociedade onde se impõem a flexibilidade, a urgência, a agilidade, a concorrência, a eficácia etc.,

22--ser si mesmo já não é algo evidente, visto que a todo instante urge expor-se ao mundo, adaptar-se às

23--circunstâncias, assumir a autonomia, estar à altura dos acontecimentos. Já não basta nascer ou crescer, é

24--preciso construir-se permanentemente, manter-se mobilizado, dar sentido à vida, fundamentar suas ações

25--nos valores.

24--A tarefa de individuação é árdua, sobretudo quando se trata de ser exatamente si mesmo. Encontrar os

25--suportes de sua autonomia e bastar-se a si mesmo não são um dado evidente. Nem todos os indivíduos

26--dispõem das mesmas capacidades. “Se as exigências morais se abrandaram, as coerções psíquicas

27--invadiram o cenário social: a emancipação e ação alargam desmedidamente a responsabilidade individual,

28--elas aguçam a consciência de ser tão somente si mesmo [...]. Por isso, a insuficiência é para a pessoa

29--contemporânea o que o conflito era para a primeira metade do século XX” (EHRENBERG, 1998: 276). O

30--indivíduo fica doravante sem orientação para se construir, ou melhor, se vê diante de muitas possiblidades

31--e entregue a seus recursos pessoais. Essa falta de apoio social e ausência de regulação exterior nem

32--sempre facilitam o acesso à autonomia. No entanto, todo indivíduo é responsável por si próprio, mesmo que

33--lhe faltem meios econômicos e, sobretudo, simbólicos para assumir uma liberdade que não escolheu, mas

34--que lhe é outorgada pelo contexto democrático de nossas sociedades. E, nessa busca, ele está sozinho.

35--Ele já não dispõe à sua volta, como outrora, de um quadro político para se afirmar em uma luta comum, já

36--não é mais apoiado por uma cultura de classe e por um destino compartilhado com outros.

37--Estar sob sua própria autoridade implica recursos interiores continuamente renovados, pois ela é fonte de

38--inquietação, de aflição e mobiliza um esforço constante. A identidade tornou-se uma noção essencial para o

39--questionamento de cada indivíduo e de nossas sociedades, mas hoje ela está em crise e alimenta uma

40--“incerteza radical quanto à continuidade e à consistência de si mesmo” (GAUCHET, 2004: 257). A

41--transparência desapareceu entre as diferentes formas de socialização e de subjetividade. Manter seu lugar

42--no seio do vínculo social implica uma tensão, um esforço.

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LE BRETON, David. Desaparecer de si: uma tentação contemporânea. Rio de Janeiro: Vozes, 2018. p. 9-11 (Adaptado).

O constituinte sintático intercalado pelos sinais de travessão “– nem que seja por algum tempo –” (linha 18) realiza a seguinte função:

 

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Difíceis identidades contemporâneas

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01--Às vezes, nossa existência nos pesa. Mesmo que por algum tempo tenhamos vontade de nos livrar das

02--necessidades ligadas a ela, de tirarmos férias de nós mesmos para tomar fôlego, descansar. Embora

03--nossas condições de vida sejam, decerto, melhores do que as de nossos ancestrais, elas não nos eximem

04--do essencial que consiste em dar significado e valor à existência, em nos sentirmos ligados aos outros, em

05--experimentar o sentimento de ter um lugar no seio do vínculo social. A individualização do sentido, ao

06--libertar das tradições ou dos valores comuns, desvincula de toda autoridade. Cada um se torna seu próprio

07--dono e só precisa prestar contas a si mesmo.

08--O desmantelamento do vínculo social isola cada indivíduo e o entrega à sua liberdade, à fruição de sua

10--autonomia ou, ao contrário, a seu sentimento de insuficiência, a seu fracasso pessoal. O indivíduo que não

11--dispõe de recursos interiores sólidos para se ajustar, dar significados e valores aos acontecimentos, que

12--não tem autoconfiança suficiente, sente-se ainda mais vulnerável e é obrigado a firmar-se por si mesmo, já

13--que não encontra apoio na comunidade. Muitas vezes ele mergulha em um clima de tensão, de inquietude,

14--de dúvida, que torna difícil sua vida. Nem sempre ele consegue encontrar prazer em viver.

15--Muitos de nossos contemporâneos aspiram ao alívio da pressão que pesa em seus ombros, à suspensão

16--do esforço constante para continuar sendo eles mesmos ao longo do tempo e das circunstâncias, sempre à

17--altura das exigências para consigo mesmos e para com os outros. Mesmo quando nenhuma dificuldade

18--pesa, pode emergir a tentação de desligar-se de si mesmo – nem que seja por algum tempo – para fugir

19--das rotinas e preocupações. Qualquer desobrigação é bem-vinda; ela permite desapegar-se por um

20--instante.

21--Em uma sociedade onde se impõem a flexibilidade, a urgência, a agilidade, a concorrência, a eficácia etc.,

22--ser si mesmo já não é algo evidente, visto que a todo instante urge expor-se ao mundo, adaptar-se às

23--circunstâncias, assumir a autonomia, estar à altura dos acontecimentos. Já não basta nascer ou crescer, é

24--preciso construir-se permanentemente, manter-se mobilizado, dar sentido à vida, fundamentar suas ações

25--nos valores.

24--A tarefa de individuação é árdua, sobretudo quando se trata de ser exatamente si mesmo. Encontrar os

25--suportes de sua autonomia e bastar-se a si mesmo não são um dado evidente. Nem todos os indivíduos

26--dispõem das mesmas capacidades. “Se as exigências morais se abrandaram, as coerções psíquicas

27--invadiram o cenário social: a emancipação e ação alargam desmedidamente a responsabilidade individual,

28--elas aguçam a consciência de ser tão somente si mesmo [...]. Por isso, a insuficiência é para a pessoa

29--contemporânea o que o conflito era para a primeira metade do século XX” (EHRENBERG, 1998: 276). O

30--indivíduo fica doravante sem orientação para se construir, ou melhor, se vê diante de muitas possiblidades

31--e entregue a seus recursos pessoais. Essa falta de apoio social e ausência de regulação exterior nem

32--sempre facilitam o acesso à autonomia. No entanto, todo indivíduo é responsável por si próprio, mesmo que

33--lhe faltem meios econômicos e, sobretudo, simbólicos para assumir uma liberdade que não escolheu, mas

34--que lhe é outorgada pelo contexto democrático de nossas sociedades. E, nessa busca, ele está sozinho.

35--Ele já não dispõe à sua volta, como outrora, de um quadro político para se afirmar em uma luta comum, já

36--não é mais apoiado por uma cultura de classe e por um destino compartilhado com outros.

37--Estar sob sua própria autoridade implica recursos interiores continuamente renovados, pois ela é fonte de

38--inquietação, de aflição e mobiliza um esforço constante. A identidade tornou-se uma noção essencial para o

39--questionamento de cada indivíduo e de nossas sociedades, mas hoje ela está em crise e alimenta uma

40--“incerteza radical quanto à continuidade e à consistência de si mesmo” (GAUCHET, 2004: 257). A

41--transparência desapareceu entre as diferentes formas de socialização e de subjetividade. Manter seu lugar

42--no seio do vínculo social implica uma tensão, um esforço.

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LE BRETON, David. Desaparecer de si: uma tentação contemporânea. Rio de Janeiro: Vozes, 2018. p. 9-11 (Adaptado).

Considerando o modo de organização linguística e textual, “Difíceis identidades contemporâneas”, de David Le Breton, é um texto predominantemente

 

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