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4198582 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: UERJ
Orgão: UERJ
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O machismo das ausências

Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite. Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de uma mesma pergunta: “você já sofreu machismo no meio literário?”

Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente, com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos “nãos” que nem chegam a ser ditos porque nem precisa.

O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de indicação a prêmios. No esquecimento.

Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens, por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.

Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher. A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos cabe.

Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.

Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção.

Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras, mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.

Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.

Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem.

São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9% dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar atenção.

VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/. Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

As figuras de linguagem são recursos empregados para dar mais expressividade às ideias no texto; entre elas, a metáfora. O trecho que se configura como metafórico é:
 

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4198581 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: UERJ
Orgão: UERJ
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O machismo das ausências

Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite. Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de uma mesma pergunta: “você já sofreu machismo no meio literário?”

Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente, com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos “nãos” que nem chegam a ser ditos porque nem precisa.

O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de indicação a prêmios. No esquecimento.

Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens, por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.

Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher. A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos cabe.

Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.

Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção.

Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras, mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.

Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.

Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem.

São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9% dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar atenção.

VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/. Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

Como estratégia persuasiva, a autora busca uma aproximação maior com o leitor por meio da interlocução direta. No texto, essa estratégia se constrói pelo emprego do(a):
 

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4198580 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: UERJ
Orgão: UERJ
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O machismo das ausências

Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite. Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de uma mesma pergunta: “você já sofreu machismo no meio literário?”

Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente, com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos “nãos” que nem chegam a ser ditos porque nem precisa.

O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de indicação a prêmios. No esquecimento.

Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens, por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.

Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher. A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos cabe.

Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.

Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção.

Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras, mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.

Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.

Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem.

São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9% dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar atenção.

VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/. Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

O título “O machismo das ausências” refere-se à(ao):
 

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4198579 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: UERJ
Orgão: UERJ
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O machismo das ausências

Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite. Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de uma mesma pergunta: “você já sofreu machismo no meio literário?”

Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente, com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos “nãos” que nem chegam a ser ditos porque nem precisa.

O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de indicação a prêmios. No esquecimento.

Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens, por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.

Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher. A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos cabe.

Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.

Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção.

Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras, mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.

Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.

Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem.

São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9% dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar atenção.

VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/. Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

A autora busca convencer o leitor de que existe machismo na literatura, apresentando fatos e opiniões. O trecho que apresenta uma avaliação pessoal explícita da autora, configurando-se como opinião, é:
 

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4198578 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: UERJ
Orgão: UERJ
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O machismo das ausências

Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite. Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de uma mesma pergunta: “você já sofreu machismo no meio literário?”

Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente, com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos “nãos” que nem chegam a ser ditos porque nem precisa.

O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de indicação a prêmios. No esquecimento.

Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens, por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.

Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher. A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos cabe.

Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.

Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção.

Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras, mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.

Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.

Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem.

São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9% dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar atenção.

VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/. Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

De acordo com o texto, o machismo na literatura manifesta-se bem antes do mercado editorial, pois as mulheres:
 

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4198577 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: UERJ
Orgão: UERJ
Com base no texto apresentado, responda à questão.

Misoginia disfarçada de autoajuda

Liberdade de expressão é bem diferente do ódio às mulheres, bandeira de grupos adeptos da Supremacia Masculinista

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou a pesquisa Visível e Invisível, que mostrou o

crescimento de todas as formas de violência contra a mulher em 2022. Apenas nesse ano, mais de

18,6 milhões de mulheres de 16 anos ou mais foram agredidas verbal ou fisicamente. Se todas

buscassem o apoio do Estado, estaríamos falando de um estádio de futebol lotado com mais de 50 mil

pessoas diariamente.

A pesquisa também mostrou que 33,4% das mulheres brasileiras já sofreram violência física ou sexual

provocada por um companheiro ou ex-companheiro íntimo ao longo da vida, resultado bastante

superior à média mundial, estimada em 27%, segundo a Organização Mundial da Saúde. Também na

última semana, a atriz e humorista Livia La Gatto foi ameaçada de morte após postar uma paródia que

zombava de perfis masculinistas nas redes sociais. Thiago Schutz, influencer que se autointitula

“coach de masculinidade” e liderança do movimento Redpill, escreveu: “Você tem 24 horas para retirar

seu conteúdo sobre mim. Depois disso é processo ou bala. Você escolhe.” Mas, afinal, o que isso tem

a ver com o crescimento da violência de gênero no Brasil? E o que a difusão desses grupos

extremistas diz sobre o Brasil de hoje?

O termo Redpill faz referência a uma cena do filme de ficção científica Matrix, no qual o protagonista

tem a escolha de tomar uma pílula azul e continuar vivendo na ilusão, ou tomar a pílula vermelha e

descobrir a realidade. Segundo o movimento masculinista, a realidade seria um mundo em que as

mulheres são privilegiadas, interesseiras e aproveitadoras, e os redpills, os homens que se opõem a

esse sistema que favoreceria mulheres. Segundo a pesquisadora Michele Prado, autora do

livro Redpill – radicalização e extremismo, essa é uma metáfora muito utilizada pela extrema direita em

todo o mundo.

De modo geral, o movimento masculinista prega, por meio de discursos de ódio, a submissão feminina

e o resgate da virilidade masculina, valorizando um ideal de comportamento violento e predador dos

homens, que teriam perdido sua posição no topo da cadeia alimentar. As dicas e ensinamentos para

os seguidores, disseminados em vídeos, livros e cursos, variam de pregações sobre os propósitos

masculinos serem superiores aos femininos, não estabelecer relacionamentos amorosos e até como

controlar a libido para não ficar refém das mulheres.

No Brasil, um estudo da ONG Safernet mostrou a expansão de grupos que propagam crimes de ódio

nas redes. Entre 2021 e 2022, as denúncias de misoginia tiveram aumento de 184%, as de

intolerância religiosa, de 522%, e as de xenofobia, de 821%. Considerando os anos eleitorais, a

central brasileira da organização denuncia o crescimento constante dos crimes de ódio desde 2018.

Não parece surpresa, portanto, que estejamos noticiando o crescimento acentuado de diferentes

formas de violência física e sexual contra mulheres. O indicador de desigualdade de gênero do Fórum

Econômico Mundial, o Global Gender Gap Report, colocou o Brasil, em sua edição mais recente, no

94º lugar em uma lista de 146 países. Em 2013, ocupávamos a 62ª posição. O Brasil piorou para nós

mulheres quando a busca pela igualdade de gênero tornou-se um problema para parcela da

população e dos grupos políticos no poder.

Não há, portanto, como dissociar a ascensão da extrema direita no Brasil do momento que vivemos.

Ao mesmo tempo em que o movimento feminista foi galgando conquistas fundamentais para os

direitos e a proteção das mulheres, tal como a Lei Maria da Penha, a reação dos movimentos

ultraconservadores tem sido no sentido de tentar anular essas conquistas. E essa reação não ocorreu

apenas no mundo virtual. Reverberou na política pública, quando um Ministério da Família foi criado e

praticamente zerou os recursos orçamentários voltados às políticas de enfrentamento à violência

contra a mulher. Traduziu-se em um deslocamento da política pública federal, que deixou de olhar

para a mulher como sujeito de direitos e passou a priorizar a família, ainda que esta fosse, muitas

vezes, a fonte da violência (8 em cada 10 feminicídios no Brasil foram praticados pelo parceiro íntimo

da vítima). Materializou-se na vida doméstica, com o crescimento exponencial da violência dentro de

casa.

Disfarçada de autoajuda, a misoginia presente nas falas de influencers de grupos masculinistas tem

resultados práticos nas vidas das mulheres: 7,4 milhões de mulheres foram agredidas fisicamente com

tapas, socos e chutes no ano passado. Isso equivale a catorze agressões físicas por minuto. Outras

3,4 milhões foram espancadas ou sofreram tentativas de estrangulamento, e 3,3 milhões sofreram

ameaças com faca ou arma de fogo. Esse é o resultado de uma sociedade que retrocede em relação

aos direitos das mulheres e não prioriza políticas focadas na equidade de gênero. Uma sociedade

que, pouco a pouco, vai se tornando permissiva ao transformar em liberdade de expressão o ódio às

mulheres.

Samira Bueno. 2023. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/misoginia-disfarcada-de-autoajuda/. Acesso em: 21 jan. 2026 (adaptado).

O texto aborda a misoginia, que significa ódio ou aversão às mulheres. Nele, a autora defende a tese, reforçada no título e no subtítulo, de que o(s):

 

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4198836 Ano: 2026
Disciplina: TI - Desenvolvimento de Sistemas
Banca: UERJ
Orgão: UERJ

Observe o código abaixo:

import javax.swing.*;
import java.awt.event.*;
public class TesteEventos {
    private static int contador = 0;
    public static void main(String[] args) {
        JFrame frame = new JFrame();
        JButton botao = new JButton("Executar");
        botao.addActionListener(e -> {
            contador++;
            System.out.print(contador);
        });
        botao.addActionListener(e -> {
            contador++;
            System.out.print(contador);
        });
        frame.add(botao);
        frame.setSize(200, 200);
        frame.setDefaultCloseOperation(JFrame.EXIT_ON_CLOSE);
        frame.setVisible(true);
    }
}

Em aplicações Java com interface gráfica, componentes podem reagir às ações do usuário por meio do registro de objetos ouvintes (listeners), cujos métodos são executados sempre que um evento ocorre. Se o código apresentado estiver em execução, caso o usuário acione o botão duas vezes, a tela do console exibirá a seguinte saída:

Questão Anulada

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4198835 Ano: 2026
Disciplina: Engenharia Mecânica
Banca: UERJ
Orgão: UERJ
Provas:
Em transmissões mecânicas por engrenagens cilíndricas, o tipo de dentado influencia diretamente os esforços transmitidos aos eixos e o dimensionamento dos mancais. Considerando engrenagens cilíndricas de dentes retos, helicoidais simples e helicoidais do tipo espinha de peixe, é correto afirmar que:
Questão Anulada

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4198834 Ano: 2026
Disciplina: Legislação Estadual e Distrital
Banca: UERJ
Orgão: UERJ
Provas:
Além do aperfeiçoamento profissional e acadêmico permanentes, por meio do programa CAPACIT UERJ, a progressão funcional do servidor técnico-administrativo da UERJ atenderá aos requisitos de interstício mínimo de:
Questão Anulada

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4198833 Ano: 2026
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: UERJ
Orgão: UERJ
Provas:
As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável:
Questão Anulada

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