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Foram encontradas 45 questões.

2274627 Ano: 2013
Disciplina: Zootecnia
Banca: UFV
Orgão: UFV

No método de derrubamento, o bovino não deve ser jogado no chão, mas tombado gradualmente sobre uma base de proteção que pode ser feita de palha prensada, turfa, lona operatória especial com enchimento de espuma, grânulos de poliestirol ou ar sob pressão e, até mesmo, sobre um colchão de espuma em desuso. É CORRETO afirmar que a base de proteção tem como objetivo evitar danos:

 

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2274626 Ano: 2013
Disciplina: Veterinária
Banca: UFV
Orgão: UFV

Observe as figuras abaixo:

Enunciado 2952355-1

As figuras 1, 2 e 3 representam, respectivamente:

 

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2274625 Ano: 2013
Disciplina: Zootecnia
Banca: UFV
Orgão: UFV

A alternativa que apresenta APENAS os materiais utilizados para a anestesia diagnóstica das claudicações dos equinos é:

 

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2274624 Ano: 2013
Disciplina: Veterinária
Banca: UFV
Orgão: UFV

Para a realização do exame de citologia de rotina do sangue (hemograma) em bovinos e equinos, deve ser utilizado o tubo de vácuo:

 

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2274623 Ano: 2013
Disciplina: Zootecnia
Banca: UFV
Orgão: UFV

Um cabresto para condução de gado novo e vacas recomendado por Rosenberger (1993), deve ser feito de:

 

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Na Bienal do Rio, futebol e literatura entram em campo juntos

Com abertura marcada para quinta-feira, dia 29, a 16ª edição da Bienal do Livro do Rio tem como maior novidade um espaço dedicado a debates sobre futebol e literatura. Em um aquecimento para os bate-papos, escritores, jornalistas e pesquisadores falam sobre a relação entre o mundo das letras e o esporte das multidões no Brasil

por Leonardo Cazes

Os caminhos do futebol e da literatura nunca se cruzaram muito no Brasil. Apesar de não faltarem escritores apaixonados pelo esporte, há um consenso de que, com exceção da crônica, a produção literária sobre o tema ainda é pequena se comparada com o tamanho da devoção do país pelo universo da bola. Mas, às vésperas da Copa do Mundo de 2014, houve uma mudança nesse quadro: novos romances engrossam a lista de obras sobre o tema e a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa na quinta-feira, terá um espaço exclusivo, o Placar Literário, para falar de futebol em suas múltiplas dimensões. O próprio mercado editorial parece estar fazendo as pazes com o esporte, pois nunca se lançou tantos livros sobre jogadores, clubes e campeonatos, ressalta João Máximo, jornalista do GLOBO e curador do espaço.

Historicamente, a relação entre futebol e as letras nunca foi propriamente tranquila. Bernardo Buarque de Hollanda, professor da Escola Superior de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que conversará com José Miguel Wisnik sobre “Amor e ódio na arquibancada”, no dia 1º de setembro, às 16h30m, destaca alguns momentos emblemáticos. O primeiro foi no final da década de 1910, quando o Brasil viveu um grande boom do esporte após a conquista do campeonato Sul-americano, em 1919, com uma vitória de 1 a 0 sobre o Uruguai no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. O título coincidiu com uma série de greves gerais e a organização do movimento operário, de onde sairiam os futuros ídolos esportivos.

— Os intelectuais e simpatizantes dos movimentos anarquistas e comunistas associam o futebol à fábrica de estratégias de distração dos trabalhadores pelas classes dirigentes, disseminando um profundo ceticismo sobre o esporte, tal como aparece na obra de Lima Barreto no início dos anos 1920 — afirma o professor.

Falsos inimigos da bola

A antipatia de Lima Barreto será, inclusive, tema de uma das mesas do Placar Literário. No dia 2 de setembro, às 18h30m, Dênis de Moraes, biógrafo de Graciliano Ramos, e Joel Rufino dos Santos participarão do debate “Graça e Lima, os falsos inimigos da bola”. Máximo conta que a rejeição de ambos ao esporte foi mal interpretada. No caso de Barreto, que chegou a fundar uma liga contra o futebol, sua raiva era justificada pelo caráter elitista da atividade na época. O primeiro clube a aceitar amplamente os negros em sua equipe, por exemplo, foi o Vasco da Gama, na década de 1920. Em 1914, o Fluminense chegou a escalar um jogador negro, Carlos Alberto, mas o obrigou a entrar em campo utilizando pó-de-arroz no rosto para disfarçar a sua cor. É daí que vem o apelido que o tricolor carrega até hoje.

— O Lima Barreto não foi contra o futebol, ele foi contra uma instituição que marginalizava os negros na sociedade, como ele. Ele chegou a esculhambar o próprio presidente da República que era contra a convocação de negros e mulatos para a seleção. Outra grande lenda que corre até hoje é que Graciliano Ramos previu que o futebol não vingaria no Brasil. Esse artigo que ele escreveu no início dos anos 1920, com o pseudônimo de J. Calisto, foi publicado num jornal de Palmeira dos Índios (AL). Na época, tentava-se introduzir o futebol na cidade, imitando os grandes centros onde ele já era popular. Quando Graciliano diz que o futebol não ia vingar aqui, ele se referia à cidade, não ao país — defende Máximo.

O principal retrato desta época é o livro “O negro no futebol brasileiro”, de Mário Filho, lançado em 1947. Para o escritor e jornalista Sérgio Rodrigues, este é o grande romance sobre futebol escrito no país, apesar de não ser uma obra de ficção. Rodrigues, que lança em setembro “O drible” (Companhia das Letras), afirma que o livro de Mário Filho é um “romance de não ficção”, pegando emprestado a expressão com que Truman Capote definia o seu “A sangue frio”, clássico do new journalism americano. O escritor chama a atenção para a linguagem de crônica e a enorme galeria de personagens e suas histórias apresentados na obra.

Bernardo Buarque de Hollanda enumera outras obras sobre futebol pouco conhecidas, como “Água-mãe”, publicada em 1941, de José Lins do Rêgo. Ela narra a melancólica trajetória de um craque dos gramados que é esquecido quando se contunde e se vê obrigado a abandonar o campo. Hollanda cita ainda “O sol escuro”, lançado em 1967, de Macedo Miranda, e o conto “O dia em que o Brasil perdeu a Copa”, de Paulo Perdigão, em 1975. O texto de Perdigão ficou mais conhecido por sua adaptação cinematográfica feita por Jorge Furtado e Anna Azevedo.

Apesar dos exemplos, o número é modesto. Sérgio Rodrigues, que participará da mesa “Gols de letra: dois romances” com Hélio de la Peña no dia 31 de agosto, às 18h30m, faz uma comparação com outros países e esportes para mostrar que o descompasso entre a paixão nacional e a produção literária não é só coisa nossa.

— Os casos são mesmo escassos, principalmente quando se leva em conta a força do futebol no país. Só não sei se faz muito sentido esse raciocínio que busca paralelos simplistas entre cultura esportiva e cultura literária. Não conheço o grande romance italiano de Fórmula 1 ou o grande romance japonês de sumô. Talvez porque o esporte seja um sistema narrativo completo, que não só prescinde de novas linguagens como tende até a rejeitá-las — diz o escritor.

(Disponível em: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa. Acesso em: 27 ago. 2013. Adaptado.)

" — Os casos são mesmo escassos, principalmente quando se leva em conta a força do futebol no país. Só não sei se faz muito sentido esse raciocínio que busca paralelos simplistas entre cultura esportiva e cultura literária. Não conheço o grande romance italiano de Fórmula 1 ou o grande romance japonês de sumô. Talvez porque o esporte seja um sistema narrativo completo, que não só prescinde de novas linguagens como tende até a rejeitá-las — diz o escritor." (§ 9)

Na passagem acima, os travessões foram usados, respectivamente, para:

 

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Na Bienal do Rio, futebol e literatura entram em campo juntos

Com abertura marcada para quinta-feira, dia 29, a 16ª edição da Bienal do Livro do Rio tem como maior novidade um espaço dedicado a debates sobre futebol e literatura. Em um aquecimento para os bate-papos, escritores, jornalistas e pesquisadores falam sobre a relação entre o mundo das letras e o esporte das multidões no Brasil

por Leonardo Cazes

Os caminhos do futebol e da literatura nunca se cruzaram muito no Brasil. Apesar de não faltarem escritores apaixonados pelo esporte, há um consenso de que, com exceção da crônica, a produção literária sobre o tema ainda é pequena se comparada com o tamanho da devoção do país pelo universo da bola. Mas, às vésperas da Copa do Mundo de 2014, houve uma mudança nesse quadro: novos romances engrossam a lista de obras sobre o tema e a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa na quinta-feira, terá um espaço exclusivo, o Placar Literário, para falar de futebol em suas múltiplas dimensões. O próprio mercado editorial parece estar fazendo as pazes com o esporte, pois nunca se lançou tantos livros sobre jogadores, clubes e campeonatos, ressalta João Máximo, jornalista do GLOBO e curador do espaço.

Historicamente, a relação entre futebol e as letras nunca foi propriamente tranquila. Bernardo Buarque de Hollanda, professor da Escola Superior de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que conversará com José Miguel Wisnik sobre “Amor e ódio na arquibancada”, no dia 1º de setembro, às 16h30m, destaca alguns momentos emblemáticos. O primeiro foi no final da década de 1910, quando o Brasil viveu um grande boom do esporte após a conquista do campeonato Sul-americano, em 1919, com uma vitória de 1 a 0 sobre o Uruguai no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. O título coincidiu com uma série de greves gerais e a organização do movimento operário, de onde sairiam os futuros ídolos esportivos.

— Os intelectuais e simpatizantes dos movimentos anarquistas e comunistas associam o futebol à fábrica de estratégias de distração dos trabalhadores pelas classes dirigentes, disseminando um profundo ceticismo sobre o esporte, tal como aparece na obra de Lima Barreto no início dos anos 1920 — afirma o professor.

Falsos inimigos da bola

A antipatia de Lima Barreto será, inclusive, tema de uma das mesas do Placar Literário. No dia 2 de setembro, às 18h30m, Dênis de Moraes, biógrafo de Graciliano Ramos, e Joel Rufino dos Santos participarão do debate “Graça e Lima, os falsos inimigos da bola”. Máximo conta que a rejeição de ambos ao esporte foi mal interpretada. No caso de Barreto, que chegou a fundar uma liga contra o futebol, sua raiva era justificada pelo caráter elitista da atividade na época. O primeiro clube a aceitar amplamente os negros em sua equipe, por exemplo, foi o Vasco da Gama, na década de 1920. Em 1914, o Fluminense chegou a escalar um jogador negro, Carlos Alberto, mas o obrigou a entrar em campo utilizando pó-de-arroz no rosto para disfarçar a sua cor. É daí que vem o apelido que o tricolor carrega até hoje.

— O Lima Barreto não foi contra o futebol, ele foi contra uma instituição que marginalizava os negros na sociedade, como ele. Ele chegou a esculhambar o próprio presidente da República que era contra a convocação de negros e mulatos para a seleção. Outra grande lenda que corre até hoje é que Graciliano Ramos previu que o futebol não vingaria no Brasil. Esse artigo que ele escreveu no início dos anos 1920, com o pseudônimo de J. Calisto, foi publicado num jornal de Palmeira dos Índios (AL). Na época, tentava-se introduzir o futebol na cidade, imitando os grandes centros onde ele já era popular. Quando Graciliano diz que o futebol não ia vingar aqui, ele se referia à cidade, não ao país — defende Máximo.

O principal retrato desta época é o livro “O negro no futebol brasileiro”, de Mário Filho, lançado em 1947. Para o escritor e jornalista Sérgio Rodrigues, este é o grande romance sobre futebol escrito no país, apesar de não ser uma obra de ficção. Rodrigues, que lança em setembro “O drible” (Companhia das Letras), afirma que o livro de Mário Filho é um “romance de não ficção”, pegando emprestado a expressão com que Truman Capote definia o seu “A sangue frio”, clássico do new journalism americano. O escritor chama a atenção para a linguagem de crônica e a enorme galeria de personagens e suas histórias apresentados na obra.

Bernardo Buarque de Hollanda enumera outras obras sobre futebol pouco conhecidas, como “Água-mãe”, publicada em 1941, de José Lins do Rêgo. Ela narra a melancólica trajetória de um craque dos gramados que é esquecido quando se contunde e se vê obrigado a abandonar o campo. Hollanda cita ainda “O sol escuro”, lançado em 1967, de Macedo Miranda, e o conto “O dia em que o Brasil perdeu a Copa”, de Paulo Perdigão, em 1975. O texto de Perdigão ficou mais conhecido por sua adaptação cinematográfica feita por Jorge Furtado e Anna Azevedo.

Apesar dos exemplos, o número é modesto. Sérgio Rodrigues, que participará da mesa “Gols de letra: dois romances” com Hélio de la Peña no dia 31 de agosto, às 18h30m, faz uma comparação com outros países e esportes para mostrar que o descompasso entre a paixão nacional e a produção literária não é só coisa nossa.

— Os casos são mesmo escassos, principalmente quando se leva em conta a força do futebol no país. Só não sei se faz muito sentido esse raciocínio que busca paralelos simplistas entre cultura esportiva e cultura literária. Não conheço o grande romance italiano de Fórmula 1 ou o grande romance japonês de sumô. Talvez porque o esporte seja um sistema narrativo completo, que não só prescinde de novas linguagens como tende até a rejeitá-las — diz o escritor.

(Disponível em: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa. Acesso em: 27 ago. 2013. Adaptado.)

"Apesar de não faltarem escritores apaixonados pelo esporte, há um consenso de que, com exceção da crônica, a produção literária sobre o tema ainda é pequena se comparada com o tamanho da devoção do país pelo universo da bola." (§ 1)

Na passagem acima, a palavra sublinhada é empregada para introduzir uma ideia de:

 

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Na Bienal do Rio, futebol e literatura entram em campo juntos

Com abertura marcada para quinta-feira, dia 29, a 16ª edição da Bienal do Livro do Rio tem como maior novidade um espaço dedicado a debates sobre futebol e literatura. Em um aquecimento para os bate-papos, escritores, jornalistas e pesquisadores falam sobre a relação entre o mundo das letras e o esporte das multidões no Brasil

por Leonardo Cazes

Os caminhos do futebol e da literatura nunca se cruzaram muito no Brasil. Apesar de não faltarem escritores apaixonados pelo esporte, há um consenso de que, com exceção da crônica, a produção literária sobre o tema ainda é pequena se comparada com o tamanho da devoção do país pelo universo da bola. Mas, às vésperas da Copa do Mundo de 2014, houve uma mudança nesse quadro: novos romances engrossam a lista de obras sobre o tema e a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa na quinta-feira, terá um espaço exclusivo, o Placar Literário, para falar de futebol em suas múltiplas dimensões. O próprio mercado editorial parece estar fazendo as pazes com o esporte, pois nunca se lançou tantos livros sobre jogadores, clubes e campeonatos, ressalta João Máximo, jornalista do GLOBO e curador do espaço.

Historicamente, a relação entre futebol e as letras nunca foi propriamente tranquila. Bernardo Buarque de Hollanda, professor da Escola Superior de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que conversará com José Miguel Wisnik sobre “Amor e ódio na arquibancada”, no dia 1º de setembro, às 16h30m, destaca alguns momentos emblemáticos. O primeiro foi no final da década de 1910, quando o Brasil viveu um grande boom do esporte após a conquista do campeonato Sul-americano, em 1919, com uma vitória de 1 a 0 sobre o Uruguai no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. O título coincidiu com uma série de greves gerais e a organização do movimento operário, de onde sairiam os futuros ídolos esportivos.

— Os intelectuais e simpatizantes dos movimentos anarquistas e comunistas associam o futebol à fábrica de estratégias de distração dos trabalhadores pelas classes dirigentes, disseminando um profundo ceticismo sobre o esporte, tal como aparece na obra de Lima Barreto no início dos anos 1920 — afirma o professor.

Falsos inimigos da bola

A antipatia de Lima Barreto será, inclusive, tema de uma das mesas do Placar Literário. No dia 2 de setembro, às 18h30m, Dênis de Moraes, biógrafo de Graciliano Ramos, e Joel Rufino dos Santos participarão do debate “Graça e Lima, os falsos inimigos da bola”. Máximo conta que a rejeição de ambos ao esporte foi mal interpretada. No caso de Barreto, que chegou a fundar uma liga contra o futebol, sua raiva era justificada pelo caráter elitista da atividade na época. O primeiro clube a aceitar amplamente os negros em sua equipe, por exemplo, foi o Vasco da Gama, na década de 1920. Em 1914, o Fluminense chegou a escalar um jogador negro, Carlos Alberto, mas o obrigou a entrar em campo utilizando pó-de-arroz no rosto para disfarçar a sua cor. É daí que vem o apelido que o tricolor carrega até hoje.

— O Lima Barreto não foi contra o futebol, ele foi contra uma instituição que marginalizava os negros na sociedade, como ele. Ele chegou a esculhambar o próprio presidente da República que era contra a convocação de negros e mulatos para a seleçãoA. Outra grande lenda que corre até hoje é que Graciliano Ramos previu que o futebol não vingaria no Brasil. Esse artigo que ele escreveu no início dos anos 1920, com o pseudônimo de J. Calisto, foi publicado num jornal de Palmeira dos Índios (AL). Na época, tentava-se introduzir o futebol na cidade, imitando os grandes centros onde ele já era popular. Quando Graciliano diz que o futebol não ia vingar aqui, ele se referia à cidade, não ao país — defende Máximo.

O principal retrato desta época é o livro “O negro no futebol brasileiro”, de Mário Filho, lançado em 1947. Para o escritor e jornalista Sérgio Rodrigues, este é o grande romance sobre futebol escrito no país, apesar de não ser uma obra de ficção. Rodrigues, que lança em setembro “O drible” (Companhia das Letras), afirma que o livro de Mário Filho é um “romance de não ficção”, pegando emprestado a expressão com que Truman Capote definia o seu “A sangue frio”, clássico do new journalism americano. O escritor chama a atenção para a linguagem de crônica e a enorme galeria de personagens e suas histórias apresentados na obra.

Bernardo Buarque de Hollanda enumera outras obras sobre futebol pouco conhecidas, como “Água-mãe”, publicada em 1941, de José Lins do Rêgo. Ela narra a melancólica trajetória de um craque dos gramados que é esquecido quando se contunde e se vê obrigado a abandonar o campo. Hollanda cita ainda “O sol escuro”, lançado em 1967, de Macedo Miranda, e o conto “O dia em que o Brasil perdeu a Copa”, de Paulo Perdigão, em 1975. O texto de Perdigão ficou mais conhecido por sua adaptação cinematográfica feita por Jorge Furtado e Anna Azevedo.

Apesar dos exemplos, o número é modesto. Sérgio Rodrigues, que participará da mesa “Gols de letra: dois romances” com Hélio de la Peña no dia 31 de agosto, às 18h30m, faz uma comparação com outros países e esportes para mostrar que o descompasso entre a paixão nacional e a produção literária não é só coisa nossa.

— Os casos são mesmo escassos, principalmente quando se leva em conta a força do futebol no país. Só não sei se faz muito sentido esse raciocínio que busca paralelos simplistas entre cultura esportiva e cultura literária. Não conheço o grande romance italiano de Fórmula 1 ou o grande romance japonês de sumô. Talvez porque o esporte seja um sistema narrativo completo, que não só prescinde de novas linguagens como tende até a rejeitá-las — diz o escritor.

(Disponível em: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa. Acesso em: 27 ago. 2013. Adaptado.)

Assinale a alternativa em que a substituição da palavra sublinhada pela expressão dada entre parênteses acarreta mudança de sentido:

 

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Na Bienal do Rio, futebol e literatura entram em campo juntos

Com abertura marcada para quinta-feira, dia 29, a 16ª edição da Bienal do Livro do Rio tem como maior novidade um espaço dedicado a debates sobre futebol e literatura. Em um aquecimento para os bate-papos, escritores, jornalistas e pesquisadores falam sobre a relação entre o mundo das letras e o esporte das multidões no Brasil

por Leonardo Cazes

Os caminhos do futebol e da literatura nunca se cruzaram muito no Brasil. Apesar de não faltarem escritores apaixonados pelo esporte, há um consenso de que, com exceção da crônica, a produção literária sobre o tema ainda é pequena se comparada com o tamanho da devoção do país pelo universo da bola. Mas, às vésperas da Copa do Mundo de 2014, houve uma mudança nesse quadro: novos romances engrossam a lista de obras sobre o tema e a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa na quinta-feira, terá um espaço exclusivo, o Placar Literário, para falar de futebol em suas múltiplas dimensões. O próprio mercado editorial parece estar fazendo as pazes com o esporte, pois nunca se lançou tantos livros sobre jogadores, clubes e campeonatos, ressalta João Máximo, jornalista do GLOBO e curador do espaço.

Historicamente, a relação entre futebol e as letras nunca foi propriamente tranquila. Bernardo Buarque de Hollanda, professor da Escola Superior de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que conversará com José Miguel Wisnik sobre “Amor e ódio na arquibancada”, no dia 1º de setembro, às 16h30m, destaca alguns momentos emblemáticos. O primeiro foi no final da década de 1910, quando o Brasil viveu um grande boom do esporte após a conquista do campeonato Sul-americano, em 1919, com uma vitória de 1 a 0 sobre o Uruguai no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. O título coincidiu com uma série de greves gerais e a organização do movimento operário, de onde sairiam os futuros ídolos esportivos.

— Os intelectuais e simpatizantes dos movimentos anarquistas e comunistas associam o futebol à fábrica de estratégias de distração dos trabalhadores pelas classes dirigentes, disseminando um profundo ceticismo sobre o esporte, tal como aparece na obra de Lima Barreto no início dos anos 1920 — afirma o professor.

Falsos inimigos da bola

A antipatia de Lima Barreto será, inclusive, tema de uma das mesas do Placar Literário. No dia 2 de setembro, às 18h30m, Dênis de Moraes, biógrafo de Graciliano Ramos, e Joel Rufino dos Santos participarão do debate “Graça e Lima, os falsos inimigos da bola”. Máximo conta que a rejeição de ambos ao esporte foi mal interpretada. No caso de Barreto, que chegou a fundar uma liga contra o futebol, sua raiva era justificada pelo caráter elitista da atividade na época. O primeiro clube a aceitar amplamente os negros em sua equipe, por exemplo, foi o Vasco da Gama, na década de 1920. Em 1914, o Fluminense chegou a escalar um jogador negro, Carlos Alberto, mas o obrigou a entrar em campo utilizando pó-de-arroz no rosto para disfarçar a sua cor. É daí que vem o apelido que o tricolor carrega até hoje.

— O Lima Barreto não foi contra o futebol, ele foi contra uma instituição que marginalizava os negros na sociedade, como ele. Ele chegou a esculhambar o próprio presidente da República que era contra a convocação de negros e mulatos para a seleção. Outra grande lenda que corre até hoje é que Graciliano Ramos previu que o futebol não vingaria no Brasil. Esse artigo que ele escreveu no início dos anos 1920, com o pseudônimo de J. Calisto, foi publicado num jornal de Palmeira dos Índios (AL). Na época, tentava-se introduzir o futebol na cidade, imitando os grandes centros onde ele já era popular. Quando Graciliano diz que o futebol não ia vingar aqui, ele se referia à cidade, não ao país — defende Máximo.

O principal retrato desta época é o livro “O negro no futebol brasileiro”, de Mário Filho, lançado em 1947. Para o escritor e jornalista Sérgio Rodrigues, este é o grande romance sobre futebol escrito no país, apesar de não ser uma obra de ficção. Rodrigues, que lança em setembro “O drible” (Companhia das Letras), afirma que o livro de Mário Filho é um “romance de não ficção”, pegando emprestado a expressão com que Truman Capote definia o seu “A sangue frio”, clássico do new journalism americano. O escritor chama a atenção para a linguagem de crônica e a enorme galeria de personagens e suas histórias apresentados na obra.

Bernardo Buarque de Hollanda enumera outras obras sobre futebol pouco conhecidas, como “Água-mãe”, publicada em 1941, de José Lins do Rêgo. Ela narra a melancólica trajetória de um craque dos gramados que é esquecido quando se contunde e se vê obrigado a abandonar o campo. Hollanda cita ainda “O sol escuro”, lançado em 1967, de Macedo Miranda, e o conto “O dia em que o Brasil perdeu a Copa”, de Paulo Perdigão, em 1975. O texto de Perdigão ficou mais conhecido por sua adaptação cinematográfica feita por Jorge Furtado e Anna Azevedo.

Apesar dos exemplos, o número é modesto. Sérgio Rodrigues, que participará da mesa “Gols de letra: dois romances” com Hélio de la Peña no dia 31 de agosto, às 18h30m, faz uma comparação com outros países e esportes para mostrar que o descompasso entre a paixão nacional e a produção literária não é só coisa nossa.

— Os casos são mesmo escassos, principalmente quando se leva em conta a força do futebol no país. Só não sei se faz muito sentido esse raciocínio que busca paralelos simplistas entre cultura esportiva e cultura literária. Não conheço o grande romance italiano de Fórmula 1 ou o grande romance japonês de sumô. Talvez porque o esporte seja um sistema narrativo completo, que não só prescinde de novas linguagens como tende até a rejeitá-las — diz o escritor.

(Disponível em: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa. Acesso em: 27 ago. 2013. Adaptado.)

“A antipatia de Lima Barreto será, inclusive, tema de uma das mesas do Placar Literário.” (§ 4)

Nessa informação, a palavra sublinhada é CORRETAMENTE substituída, sem mudança de sentido, por:

 

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Na Bienal do Rio, futebol e literatura entram em campo juntos

Com abertura marcada para quinta-feira, dia 29, a 16ª edição da Bienal do Livro do Rio tem como maior novidade um espaço dedicado a debates sobre futebol e literatura. Em um aquecimento para os bate-papos, escritores, jornalistas e pesquisadores falam sobre a relação entre o mundo das letras e o esporte das multidões no Brasil

por Leonardo Cazes

Os caminhos do futebol e da literatura nunca se cruzaram muito no Brasil. Apesar de não faltarem escritores apaixonados pelo esporte, há um consenso de que, com exceção da crônica, a produção literária sobre o tema ainda é pequena se comparada com o tamanho da devoção do país pelo universo da bola. Mas, às vésperas da Copa do Mundo de 2014, houve uma mudança nesse quadro: novos romances engrossam a lista de obras sobre o tema e a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa na quinta-feira, terá um espaço exclusivo, o Placar Literário, para falar de futebol em suas múltiplas dimensõesB. O próprio mercado editorial parece estar fazendo as pazes com o esporte, pois nunca se lançou tantos livros sobre jogadores, clubes e campeonatos, ressalta João Máximo, jornalista do GLOBO e curador do espaço.

Historicamente, a relação entre futebol e as letras nunca foi propriamente tranquila. Bernardo Buarque de Hollanda, professor da Escola Superior de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que conversará com José Miguel Wisnik sobre “Amor e ódio na arquibancada”, no dia 1º de setembro, às 16h30m, destaca alguns momentos emblemáticos. O primeiro foi no final da década de 1910, quando o Brasil viveu um grande boom do esporte após a conquista do campeonato Sul-americano, em 1919, com uma vitória de 1 a 0 sobre o Uruguai no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. O título coincidiu com uma série de greves gerais e a organização do movimento operário, de onde sairiam os futuros ídolos esportivos.

— Os intelectuais e simpatizantes dos movimentos anarquistas e comunistas associam o futebol à fábrica de estratégias de distração dos trabalhadores pelas classes dirigentes, disseminando um profundo ceticismo sobre o esporte, tal como aparece na obra de Lima Barreto no início dos anos 1920 — afirma o professor.

Falsos inimigos da bola

A antipatia de Lima Barreto será, inclusive, tema de uma das mesas do Placar Literário. No dia 2 de setembro, às 18h30m, Dênis de Moraes, biógrafo de Graciliano Ramos, e Joel Rufino dos Santos participarão do debate “Graça e Lima, os falsos inimigos da bola”. Máximo conta que a rejeição de ambos ao esporte foi mal interpretada. No caso de Barreto, que chegou a fundar uma liga contra o futebol, sua raiva era justificada pelo caráter elitista da atividade na época. O primeiro clube a aceitar amplamente os negros em sua equipe, por exemplo, foi o Vasco da Gama, na década de 1920. Em 1914, o Fluminense chegou a escalar um jogador negro, Carlos Alberto, mas o obrigou a entrar em campo utilizando pó-de-arroz no rosto para disfarçar a sua cor. É daí que vem o apelido que o tricolor carrega até hoje.

— O Lima Barreto não foi contra o futebol, ele foi contra uma instituição que marginalizava os negros na sociedade, como ele. Ele chegou a esculhambar o próprio presidente da República que era contra a convocação de negros e mulatos para a seleção. Outra grande lenda que corre até hoje é que Graciliano Ramos previu que o futebol não vingaria no Brasil. Esse artigo que ele escreveu no início dos anos 1920, com o pseudônimo de J. Calisto, foi publicado num jornal de Palmeira dos Índios (AL). Na época, tentava-se introduzir o futebol na cidade, imitando os grandes centros onde ele já era popular. Quando Graciliano diz que o futebol não ia vingar aqui, ele se referia à cidade, não ao país — defende Máximo.

O principal retrato desta época é o livro “O negro no futebol brasileiro”, de Mário Filho, lançado em 1947. Para o escritor e jornalista Sérgio Rodrigues, este é o grande romance sobre futebol escrito no país, apesar de não ser uma obra de ficção. Rodrigues, que lança em setembro “O drible” (Companhia das Letras), afirma que o livro de Mário Filho é um “romance de não ficção”, pegando emprestado a expressão com que Truman Capote definia o seu “A sangue frio”, clássico do new journalism americano. O escritor chama a atenção para a linguagem de crônica e a enorme galeria de personagens e suas histórias apresentados na obra.

Bernardo Buarque de Hollanda enumera outras obras sobre futebol pouco conhecidas, como “Água-mãe”, publicada em 1941, de José Lins do Rêgo. Ela narra a melancólica trajetória de um craque dos gramados que é esquecido quando se contunde e se vê obrigado a abandonar o campo. Hollanda cita ainda “O sol escuro”, lançado em 1967, de Macedo Miranda, e o conto “O dia em que o Brasil perdeu a Copa”, de Paulo Perdigão, em 1975. O texto de Perdigão ficou mais conhecido por sua adaptação cinematográfica feita por Jorge Furtado e Anna Azevedo.

Apesar dos exemplos, o número é modesto. Sérgio Rodrigues, que participará da mesa “Gols de letra: dois romances” com Hélio de la Peña no dia 31 de agosto, às 18h30m, faz uma comparação com outros países e esportes para mostrar que o descompasso entre a paixão nacional e a produção literária não é só coisa nossa.

— Os casos são mesmo escassos, principalmente quando se leva em conta a força do futebol no país. Só não sei se faz muito sentido esse raciocínio que busca paralelos simplistas entre cultura esportiva e cultura literária. Não conheço o grande romance italiano de Fórmula 1 ou o grande romance japonês de sumô. Talvez porque o esporte seja um sistema narrativo completo, que não só prescinde de novas linguagens como tende até a rejeitá-las — diz o escritor.

(Disponível em: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa. Acesso em: 27 ago. 2013. Adaptado.)

Dentre as passagens do texto transcritas abaixo, assinale aquela em que a associação entre o pronome relativo sublinhado e o seu referente dado entre parênteses é feita de forma INCORRETA:

 

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