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Analise o trecho a seguir, retirado da nona proposição do texto “Ideia de uma História Universal Com um Propósito Cosmopolita”, de Immanuel Kant:
“Um ensaio filosófico que procure elaborar toda a história mundial segundo um plano da Natureza, em vista da perfeita associação civil no gênero humano, deve considerar-se não só como possível, mas também como fomentando esse propósito da Natureza. É decerto um anúncio estranho e, quanto à aparência, incongruente querer conceber a história segundo uma ideia de como deveria ser o curso do mundo, se houvesse de se ajustar a certos fins racionais; parece que, num tal intento, apenas poderia vir à luz uma novela. Mas se a Natureza, por suposição, mesmo no jogo da liberdade humana, não procede sem plano e meta final, semelhante ideia poderia ser muito útil; e embora sejamos míopes para divisarmos o mecanismo secreto do seu dispositivo, essa ideia poderia, contudo, servir-nos de fio condutor para representar como sistema pelo menos em conjunto, um acervo, aliás sem plano, das acções humanas. Com efeito, se partirmos da história grega – como aquela pela qual se nos conservou ou, pelo menos, se deve autenticar toda a outra história mais antiga ou coetânea; se seguirmos a sua influência na formação e na desintegração do corpo político do povo romano, que absorveu o Estado grego, e a influência daquele sobre os bárbaros que, por seu turno, destruíram o Estado romano, e assim sucessivamente até aos nossos dias; se, além disso, acrescentarmos episodicamente a história política dos outros povos, cujo conhecimento chegou gradualmente até nós por intermédio dessas nações ilustradas: descobrir-se-á um curso regular da melhoria da constituição estatal na nossa parte do mundo (que, provavelmente, algum dia dará leis a todas as outras)”.
Com base no trecho acima e no sistema filosófico kantiano, analise as assertivas a seguir:
I. A liberdade humana não impede Kant de admitir a possibilidade de um desenvolvimento histórico guiado por um propósito natural implícito.
II. O progresso histórico é garantido pelas revoluções políticas, que representam, segundo Kant, rupturas inconciliáveis com qualquer plano racional da Natureza.
III. A história humana, mesmo em sua aparência caótica e acidental, pode ser interpretada racionalmente a partir da hipótese de um plano teleológico da Natureza.
IV. Kant rejeita por completo a ideia de que o curso da história possa estar vinculado a uma finalidade racional, considerando essa hipótese fictícia e inútil.
V. A razão humana, embora limitada, pode supor a presença na história de progresso gradual rumo à realização das potencialidades morais do gênero humano.
Quais estão corretas?
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Analise o trecho a seguir:
“Quanto ao que concerne o mal moral, o problema parece mais difícil de ser resolvido. Se as ações dos homens não são sempre o que deveriam ser, sua vontade é a responsável. O homem escolhe livremente suas decisões e é por ser livre que é capaz de fazer mal. A questão é, portanto, saber como um Deus perfeito pôde doar-nos o livre-arbítrio, ou seja, uma vontade capaz de fazer o mal.
Assim colocado, o problema volta a ser saber se e em que medida a vontade livre pode ser contada entre o número dos bens. A resposta para essa questão não poderia ser diferente da que concerne aos objetos corporais. No mundo dos corpos, há muitas coisas das quais podemos fazer mau uso; isso não é razão para dizer que elas são más e que Deus não deveria tê-las nos dado, pois, tomadas em si mesmas, elas são bens. Por que não haveria na alma bens do mesmo gênero, ou seja, dos quais poderíamos fazer mau uso e que, contudo, uma vez que são bens, não podem ter sido dados a nós senão pelo autor de todo bem? É uma grave diminuição para um corpo humano ser privado de suas mãos; as mãos são algo bom e útil; contudo, aquele que comete com elas ações criminosas ou vergonhosas usa-as mal” (Gilson, 2007).
Com base na leitura do trecho acima e no conhecimento do pensamento de Santo Agostinho, analise as seguintes assertivas:
I. O livre-arbítrio, embora seja um dom divino, não é um bem absoluto; ele é um bem intermediário, cujo valor depende do uso que o homem dele faz.
II. O mal moral, segundo Santo Agostinho, não deriva de Deus, mas do mau uso da vontade livre pelo próprio homem.
III. A vontade livre é boa por natureza e necessária para a vida virtuosa, mesmo sendo potencialmente perigosa, pois pode inclinar-se ao mal.
IV. A existência do mal comprova que Deus não poderia ser o autor do livre-arbítrio, já que um dom verdadeiramente divino não deveria permitir o mal.
V. Assim como os órgãos corporais, que podem ser mal utilizados, a vontade também pode ser pervertida, mas continua sendo um bem criado por Deus.
Quais estão corretas?
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Sobre a articulação entre ética, física e epistemologia no pensamento de Epicuro, filósofo helenístico, analise as assertivas abaixo:
I. A ética do “filósofo dos jardins” propõe a busca da eliminação do medo como condição para a felicidade. O medo deve ser dissolvido pelo conhecimento racional das causas naturais e pelo esclarecimento quanto à natureza da alma e da morte.
II. A Física de Epicuro não tem apenas função teórica. Ela também é, de certo modo, terapêutica: conhecer que tudo se reduz a átomos e ao vazio ajuda o indivíduo a se libertar dos temores em relação às divindades religiosas ou em relação àqueles de fundo metafísico.
III. A teoria do conhecimento epicurista sustenta que os sentidos são enganosos, e, por isso, a razão pura deve ser o único critério válido de verdade e ação.
IV. O ideal ético epicurista do prazer, compreendido como aponia e ataraxia, não é incompatível com a prudência e a virtude, que são instrumentos para o cálculo racional da melhor forma de vida.
Quais estão INCORRETAS?
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Analise o trecho a seguir, retirado e adaptado do Livro I, da “Política” de Aristóteles.
“E o porquê de o homem ser um animal político em maior medida que qualquer abelha ou animal gregário, é evidente. Pois como dizemos, a natureza não produz nada sem propósito; apenas o homem, dentre os animais, possui o logos. É assim que a voz pode configurar dor ou prazer e, deste modo, outros animais inferiores também a possuem (já que a sua natureza própria foi levada até o ponto de perceberem o que é doloroso ou prazeroso e transmitirem isto uns aos outros), enquanto o logos existe para tornar manifesto o vantajoso e o ruim, assim como o justo e o injusto; pois isto é o que faz o que é próprio ao homem e o diferencia dos outros animais: que ele sozinho tenha a percepção do bem e do mal, do justo e do injusto, etc. E é a comunidade dessas percepções que produz a família e a polis” (1253a10-18).
A partir da leitura do trecho acima e dos pressupostos filosóficos de Aristóteles, analise as assertivas a seguir:
I. O filósofo distingue a linguagem (logos) da simples voz, atribuindo à primeira a função de transmitir emoções básicas e garantir a sobrevivência.
II. A linguagem é o fundamento racional da vida em comunidade, pois permite ao homem deliberar sobre valores morais compartilhados pelos cidadãos, como o justo e o injusto.
III. A natureza social e política do homem se fundamenta em sua capacidade de construir coletivamente significados éticos, o que o diferencia de outros animais gregários.
IV. Aristóteles não deixa de aceitar que outros animais também possuam linguagem articulada (logos), mas limitada às emoções simples de prazer e dor.
Quais estão corretas?
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Com base nas proposições desenvolvidas por Judith Butler em “Problemas de Gênero” (2018) e “Desfazendo Gênero” (2022), assinale a alternativa que melhor expressa a articulação entre performatividade, crítica ontológica e política do reconhecimento na constituição do sujeito de gênero no interior da teoria queer.
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Com base na concepção de “poder”, do filósofo Michel Foucault, analise o trecho a seguir:
Para Michel Foucault, o poder não é uma entidade unitária, nem um bem a ser possuído, mas uma relação histórica, contingente e ____________, que se exerce entre sujeitos e se manifesta em práticas, discursos e instituições. Ao invés de se localizar exclusivamente no ____________, o poder circula em múltiplos pontos do corpo social, configurando uma rede dinâmica de ações sobre ações. Por isso, não pode ser reduzido apenas à função de repressão: ele é também ____________, pois produz saberes, verdades e subjetividades. A análise do poder, nesse sentido, exige a consideração de suas condições de emergência, seus instrumentos, seus campos de aplicação e os efeitos que produz em uma dada ____________ ao deslocar o foco da soberania para os dispositivos disciplinares e biopolíticos.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
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A partir do entendimento das bases conceituais da “Teoria do Agir Comunicativo”, de Jüngen Habermas, analise o trecho a seguir:
“Para Habermas, a modernidade é marcada por um processo ambivalente de racionalização. Enquanto o(a) ____________ constitui o espaço simbólico de socialização, cultura e construção de sentido, está progressivamente ameaçado pela ____________, processo pelo qual os mecanismos sistêmicos — como dinheiro e poder — passam a organizar as relações interpessoais. A proposta habermasiana para resistir a esse processo patológico está ancorada na noção de ____________, forma de interação na qual os participantes, por meio da linguagem, buscam um entendimento mútuo orientado por pretensões de validade como verdade, correção normativa, sinceridade e inteligibilidade”.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
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Analise o trecho abaixo, retirado de “História da Filosofia”, sobre a dialética hegeliana:
“Dialética: O único método em grau de garantir o conhecimento científico do absoluto e de elevar assim a filosofia à ciência, é, segundo Hegel, o método dialético, por meio do qual a verdade pode finalmente receber a forma rigorosa do sistema da cientificidade. A dialética nascera no ambiente da Escola de Eléia, principalmente com Zenão, e na grecidade havia alcançado seus vértices com Platão; na era moderna, fora retomada por Kant, que, porém, a privara de verdadeiro valor cognoscitivo. Hegel se remete à dialética clássica, mas conferindo movimento e dinamicidade às essências e aos conceitos universais que, já descobertos pelos antigos, haviam, porém, permanecido com eles em uma espécie de repouso rígido, quase solidificados. O coração da dialética se torna, assim, o movimento, e precisamente o movimento circular ou em espiral, com ritmo triádico. Os três momentos do movimento dialético são: 1) a tese, que é o momento abstrato ou intelectivo; 2) a antítese, que é o momento dialético (em sentido estrito) ou negativamente racional; 3) a síntese, que é o momento especulativo ou positivamente racional” (Reale; Antiseri, 2005, v. 5).
Com base no trecho da obra de Reale e Antiseri e na compreensão sobre a filosofia hegeliana e a dialética, assinale a alternativa correta.
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Com base no pensamento de São Tomás de Aquino, é INCORRETO afirmar que:
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Sobre a definição de justiça apresentada por Sócrates em “A República”, de Platão, assinale a alternativa correta.
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