“Estamos desenvolvendo estudos sobre aquisição bilíngue bimodal por crianças Kodas e por
crianças surdas com implante coclear (IC) que possuem acesso irrestrito ou restrito à língua de sinais, e que
receberam e ativaram o IC precocemente (entre 2 e 4 anos de idade). As crianças surdas com IC, filhas de pais
surdos, possuem acesso irrestrito à língua de sinais, enquanto que, as crianças surdas com IC, filhas de pais
ouvintes, possuem um acesso restrito à língua de sinais (a exposição à língua de sinais geralmente é menor, pois
os pais estão iniciando a aprendizagem da língua de sinais, e a criança interage com usuários da língua de sinais
em outros contextos fora do lar). Dessa forma, para essas crianças o processo de aquisição da linguagem ocorre
desde o nascimento ou muito cedo, por meio da língua de sinais e o atraso no início do processo de aquisição da
linguagem é evitado. Nesses casos, a criança surda tem a oportunidade de desenvolver-se linguisticamente de
forma esperada (normal), pois entre o período de diagnóstico da perda auditiva e realização da cirurgia para
colocação do IC, ativação do mesmo, mapeamento (regulagens) e 'real acesso' à língua oral a criança tem acesso
à língua de sinais por meio de interações com nativos ou não-nativos fluentes.” (QUADROS, 2016)
Quando a pesquisadora faz uso do conceito de normalidade em relação a criança surda que recebeu implante
coclear ela pretende:
Segundo o Decreto 5.626 de 2005: Artigo 2º Para os fins deste Decreto considera-se pessoa
surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências
visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras. Artigo 14º As
instituições federais de ensino devem garantir, obrigatoriamente, às pessoas surdas acesso à comunicação, à
informação e à educação nos processos seletivos, nas atividades e nos conteúdos curriculares desenvolvidos em
todos os níveis, etapas e modalidades de educação, desde a educação infantil até à superior. (Inciso 1º Para
garantir o atendimento educacional especializado e o acesso previsto no caput, as instituições federais de ensino
devem: III - prover as escolas com: b) tradutor e intérprete de Líbras - Língua Portuguesa;
Texto 1 - “Um grupo de pessoas se mobilizou pacificamente na manhã desta sexta-feira (29), em frente ao Paço
Municipal de Sorocaba, para criticar a ausência de intérpretes de libras nas salas de aula das escolas da rede
municipal de ensino. Os participantes, que revezaram o microfone para falar do problema, alegam que os
estudantes surdos não têm conseguido acompanhar o conteúdo desde o início oficial do ano letivo, em 5 de
fevereiro. “Não estamos pedindo esmola, apenas o que é de direito”, constava em um dos cartazes exibidos na
mobilização”. Notícia extraída do Jornal O Cruzeiro no dia 29/03/2019.
Texto 2 – (Imagem) Entenda como Imagem 1 segregação, 2 inclusão, 3 integração e 4 exclusão:
“A LIBRAS como toda língua humana terá sua singularidade em nível de maturação e de
desenvolvimento social. Sendo ela reconhecida como língua, isso se deu devido a seu desenvolvimento ocorrer
por meio dos mesmos processos de qualquer outra língua, pois são esses processos inerentes às línguas,
independentemente da modalidade na qual elas se desenvolvem. Esse estatuto de língua é muito importante para
os surdos pois durante séculos as línguas viso espaciais foram vistas apenas como linguagem. No decorrer da
história os estudos elaborados por meio dos conceitos de Saussure (1977), Merleau-Ponty (1990), Chomsky
(2008), Piaget (1964), e Wallon (1975), embora tenham sido concebidos por diferentes olhares, acabaram
possibilitando maior clareza, por meio da intertextualidade, ao tema. Cada teórico com suas análises se compara
às peças de um quebra-cabeça, cujo todo permite a compreensão das partes, sendo que ao tratarem do tema
acabam Inter textualizando-se, o que faz do mesmo algo universalizado. Essa universalização é o que dá o caráter
dicotômico da linguagem; e nesse aspecto, o biológico influencia o social e vice-versa. Por meio desse dinamismo
muitos consideram a linguagem um fenômeno natural e a língua humana um fenômeno social. Sendo que na
dicotomia das línguas, devemos conceber que toda língua será uma linguagem, mas nem toda linguagem, será
uma língua. Isso porque as línguas são a maturação da linguagem e deste modo, sendo a língua humana uma
linguagem, será ela também expressão do pensamento humano por essência de forma complexa. Deste modo, a
linguagem humana está intimamente ligada ao pensamento humano, possibilitando assim o desdobramento de
uma língua natural. Para La Taille (1992, p.44) "a linguagem nutre e conduz o pensamento". Já segundo Lent
(2005, p.625) "a primeira tarefa linguística do cérebro se confunde com os mecanismos do pensamento humano",
logo pensamento e linguagem se tornam em nível de indivíduo, algo uníssono e Inter independente.” (GARCIA,
2012). Segundo o texto:
As apontações na língua de sinais, usadas no sintagma nominal, com um nome com referência ausente, é
dêitica, pois esses sinais localizam o sinalizante fora da localização do referente. Portanto, há uma relação de
correferência com o nome que nomeia a localização apontada. Desse modo, também é considerada:
O sistema de escrita para escrever a língua de sinais é conhecido pelo nome SingWriting (SW). Isso foi um
fato histórico à comunidade surda, pois a língua de sinais era considerada uma língua ágrafa. Nesse sentido,
para Strobel, a escrita de sinais é um artefato cultural no âmbito (de/da/do(s)):