Foram encontradas 5.194 questões.
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. Paraíso-SC
O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 1 a 12.
Os vergonhosos 'zoológicos humanos' que existiram na Europa até 1958
Segundo cronistas espanhóis como Antonio Solís e Rivadeneyra (1610-1686), além de aves, feras e animais peçonhentos, havia "um cômodo onde viviam os bufões e outros vermes do palácio que serviam para entreter o rei, como monstros, anões, corcundas e outros erros da natureza".
A descrição lembra a tradição dos espetáculos de aberrações que datam do século XVI.
A essa altura, as deficiências físicas não eram mais consideradas maus presságios ou temidas como evidência de espíritos malignos, então as "monstruosidades" médicas se tornaram componentes padrão dos shows itinerantes.
Mas, talvez, um precursor mais apropriado para o que continuaria acontecendo mais de quatro séculos depois das primeiras viagens da era dos descobrimentos, tenha sido a incorporação que o cardeal italiano Hipólito de Médici fez ao zoológico da família.
Em pleno Renascimento italiano, ele se gabava de ter, além de todos os tipos de animais exóticos, vários "selvagens" que falavam mais de 20 línguas, entre mouros, tártaros, indianos, turcos e africanos.
Ele havia dado um passo além na desumanização daqueles que eram diferentes: à grotesca exibição de pessoas nascidas com alguma deficiência física, ele acrescentou a posse de humanos de outras terras cuja aparência e costumes eram distintos dos da Europa.
O auge desse tipo de desumanização aconteceria, no entanto, centenas de anos depois, quando as sociedades ocidentais desenvolveram um apetite por exibir "espécimes" humanos exóticos que eram enviados a Paris, Nova York, Londres ou Berlim para o interesse e deleite do público.
O que começou como uma curiosidade por parte dos observadores se transformou em uma pseudociência macabra em meados do século XIX, com os pesquisadores em busca de evidências físicas para sua teoria racial.
Milhões de pessoas visitaram os "zoológicos humanos" criados como parte de grandes feiras internacionais.
Nelas, era possível ver aldeias inteiras com habitantes levados de lugares distantes e pagos para representar danças de guerra ou rituais religiosos diante de seus senhores coloniais.
Assim, foi criado um sentido do "outro" em relação aos povos estrangeiros, o que ajudou a legitimar sua dominação.
Os vergonhosos 'zoológicos humanos' que existiram na Europa até 1958 (msn.com). Adaptado.
A versificação ou metrificação é um recurso estilístico empregado por vários poetas, cuja essência não se encontra, fundamentalmente, relacionada à ideia de poesia, mas de versificação.
Assinale a opção CORRETA quanto às definições apresentadas.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
[15 setembro]
Este ano parece que remoçou o aniversário da Independência. Também os aniversários envelhecem ou adoecem, até que se desvanecem ou perecem. O dia 7 por ora está muito criança.
Grito do Ipiranga? Isso era bom antes de um nobre amigo, que veio reclamar pela Gazeta de Notícias contra essa lenda de meio século.
Segundo o ilustrado paulista não houve nem grito nem Ipiranga.
Houve algumas palavras, entre elas a Independência ou Morte, — as quais todas foram proferidas em lugar diferente das margens do Ipiranga.
Pondera o meu amigo que não convém, a tão curta distância, desnaturar a verdade dos fatos.
Ninguém ignora a que estado reduziram a História Romana alguns autores alemães, cuja pena, semelhante a uma picareta, desbastou os inventos de dezoito séculos, não nos deixando mais que uma certa porção de sucessos exatos.
Certamente é belo que Lucrécia haja dado um exemplo de castidade às senhoras de todos os tempos; mas se os escavadores modernos me provarem que Lucrécia é uma ficção e Tarquínio uma hipótese, nem por isso deixa de haver castidade... e pretendentes.
O caso do Ipiranga data de ontem. Durante cinquenta e quatro anos temos vindo a repetir uma coisa que o dito meu amigo declara não ter existido.
Minha opinião é que a lenda é melhor do que a história autêntica. A lenda resumia todo o fato da independência nacional, ao passo que a versão exata o reduz a uma coisa vaga e anônima.
Tenha paciência o meu ilustrado amigo. Eu prefiro o grito do Ipiranga; é mais sumário, mais bonito e mais genérico.
Joaquim Maria Machado de Assis. História de quinze dias. Internet: <www.dominiopublico.gov.br>.
A partir da leitura desse fragmento da crônica de Machado de Assis, publicada em 1876, julgue o item e faça o que se pede no item que é do tipo C.
No texto, as referências à história romana denotam que a obra de Machado de Assis tem como uma de suas características a
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
[15 setembro]
Este ano parece que remoçou o aniversário da Independência. Também os aniversários envelhecem ou adoecem, até que se desvanecem ou perecem. O dia 7 por ora está muito criança.
Grito do Ipiranga? Isso era bom antes de um nobre amigo, que veio reclamar pela Gazeta de Notícias contra essa lenda de meio século.
Segundo o ilustrado paulista não houve nem grito nem Ipiranga.
Houve algumas palavras, entre elas a Independência ou Morte, — as quais todas foram proferidas em lugar diferente das margens do Ipiranga.
Pondera o meu amigo que não convém, a tão curta distância, desnaturar a verdade dos fatos.
Ninguém ignora a que estado reduziram a História Romana alguns autores alemães, cuja pena, semelhante a uma picareta, desbastou os inventos de dezoito séculos, não nos deixando mais que uma certa porção de sucessos exatos.
Certamente é belo que Lucrécia haja dado um exemplo de castidade às senhoras de todos os tempos; mas se os escavadores modernos me provarem que Lucrécia é uma ficção e Tarquínio uma hipótese, nem por isso deixa de haver castidade... e pretendentes.
O caso do Ipiranga data de ontem. Durante cinquenta e quatro anos temos vindo a repetir uma coisa que o dito meu amigo declara não ter existido.
Minha opinião é que a lenda é melhor do que a história autêntica. A lenda resumia todo o fato da independência nacional, ao passo que a versão exata o reduz a uma coisa vaga e anônima.
Tenha paciência o meu ilustrado amigo. Eu prefiro o grito do Ipiranga; é mais sumário, mais bonito e mais genérico.
Joaquim Maria Machado de Assis. História de quinze
dias. Internet: <www.dominiopublico.gov.br>.
A partir da leitura desse fragmento da crônica de Machado de Assis, publicada em 1876, julgue o item e faça o que se pede no item que é do tipo C.
O narrador estabelece uma contradição ao defender que o “grito do Ipiranga” é “mais sumário, mais bonito e mais genérico”, e, ao mesmo tempo, reconhecer que esse grito possa não ter ocorrido de fato.
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[15 setembro]
Este ano parece que remoçou o aniversário da Independência. Também os aniversários envelhecem ou adoecem, até que se desvanecem ou perecem. O dia 7 por ora está muito criança.
Grito do Ipiranga? Isso era bom antes de um nobre amigo, que veio reclamar pela Gazeta de Notícias contra essa lenda de meio século.
Segundo o ilustrado paulista não houve nem grito nem Ipiranga.
Houve algumas palavras, entre elas a Independência ou Morte, — as quais todas foram proferidas em lugar diferente das margens do Ipiranga.
Pondera o meu amigo que não convém, a tão curta distância, desnaturar a verdade dos fatos.
Ninguém ignora a que estado reduziram a História Romana alguns autores alemães, cuja pena, semelhante a uma picareta, desbastou os inventos de dezoito séculos, não nos deixando mais que uma certa porção de sucessos exatos.
Certamente é belo que Lucrécia haja dado um exemplo de castidade às senhoras de todos os tempos; mas se os escavadores modernos me provarem que Lucrécia é uma ficção e Tarquínio uma hipótese, nem por isso deixa de haver castidade... e pretendentes.
O caso do Ipiranga data de ontem. Durante cinquenta e quatro anos temos vindo a repetir uma coisa que o dito meu amigo declara não ter existido.
Minha opinião é que a lenda é melhor do que a história autêntica. A lenda resumia todo o fato da independência nacional, ao passo que a versão exata o reduz a uma coisa vaga e anônima.
Tenha paciência o meu ilustrado amigo. Eu prefiro o grito do Ipiranga; é mais sumário, mais bonito e mais genérico.
Joaquim Maria Machado de Assis. História de quinze
dias. Internet: <www.dominiopublico.gov.br>.
A partir da leitura desse fragmento da crônica de Machado de Assis, publicada em 1876, julgue o item e faça o que se pede no item que é do tipo C.
Na segunda metade do século XIX, o interesse pelos mitos fundadores do Brasil apresentou-se na ficção romântica a partir de uma revisão crítica e desmistificadora de grandes eventos históricos, como revoluções, batalhas e gestos políticos.
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[15 setembro]
Este ano parece que remoçou o aniversário da Independência. Também os aniversários envelhecem ou adoecem, até que se desvanecem ou perecem. O dia 7 por ora está muito criança.
Grito do Ipiranga? Isso era bom antes de um nobre amigo, que veio reclamar pela Gazeta de Notícias contra essa lenda de meio século.
Segundo o ilustrado paulista não houve nem grito nem Ipiranga.
Houve algumas palavras, entre elas a Independência ou Morte, — as quais todas foram proferidas em lugar diferente das margens do Ipiranga.
Pondera o meu amigo que não convém, a tão curta distância, desnaturar a verdade dos fatos.
Ninguém ignora a que estado reduziram a História Romana alguns autores alemães, cuja pena, semelhante a uma picareta, desbastou os inventos de dezoito séculos, não nos deixando mais que uma certa porção de sucessos exatos.
Certamente é belo que Lucrécia haja dado um exemplo de castidade às senhoras de todos os tempos; mas se os escavadores modernos me provarem que Lucrécia é uma ficção e Tarquínio uma hipótese, nem por isso deixa de haver castidade... e pretendentes.
O caso do Ipiranga data de ontem. Durante cinquenta e quatro anos temos vindo a repetir uma coisa que o dito meu amigo declara não ter existido.
Minha opinião é que a lenda é melhor do que a história autêntica. A lenda resumia todo o fato da independência nacional, ao passo que a versão exata o reduz a uma coisa vaga e anônima.
Tenha paciência o meu ilustrado amigo. Eu prefiro o grito do Ipiranga; é mais sumário, mais bonito e mais genérico.
Joaquim Maria Machado de Assis. História de quinze
dias. Internet: <www.dominiopublico.gov.br>.
A partir da leitura desse fragmento da crônica de Machado de Assis, publicada em 1876, julgue o item e faça o que se pede no item, que é do tipo C.
O diálogo do narrador com as ideias de “um nobre amigo”, veiculadas por meio do jornal “Gazeta de Notícias”, confirma a definição de crônica como um gênero textual que faz parte ao mesmo tempo das esferas literária e jornalística.
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[15 setembro]
Este ano parece que remoçou o aniversário da Independência. Também os aniversários envelhecem ou adoecem, até que se desvanecem ou perecem. O dia 7 por ora está muito criança.
Grito do Ipiranga? Isso era bom antes de um nobre amigo, que veio reclamar pela Gazeta de Notícias contra essa lenda de meio século.
Segundo o ilustrado paulista não houve nem grito nem Ipiranga.
Houve algumas palavras, entre elas a Independência ou Morte, — as quais todas foram proferidas em lugar diferente das margens do Ipiranga.
Pondera o meu amigo que não convém, a tão curta distância, desnaturar a verdade dos fatos.
Ninguém ignora a que estado reduziram a História Romana alguns autores alemães, cuja pena, semelhante a uma picareta, desbastou os inventos de dezoito séculos, não nos deixando mais que uma certa porção de sucessos exatos.
Certamente é belo que Lucrécia haja dado um exemplo de castidade às senhoras de todos os tempos; mas se os escavadores modernos me provarem que Lucrécia é uma ficção e Tarquínio uma hipótese, nem por isso deixa de haver castidade... e pretendentes.
O caso do Ipiranga data de ontem. Durante cinquenta e quatro anos temos vindo a repetir uma coisa que o dito meu amigo declara não ter existido.
Minha opinião é que a lenda é melhor do que a história autêntica. A lenda resumia todo o fato da independência nacional, ao passo que a versão exata o reduz a uma coisa vaga e anônima.
Tenha paciência o meu ilustrado amigo. Eu prefiro o grito do Ipiranga; é mais sumário, mais bonito e mais genérico.
Joaquim Maria Machado de Assis. História de quinze
dias. Internet: <www.dominiopublico.gov.br>.
A partir da leitura desse fragmento da crônica de Machado de Assis, publicada em 1876, julgue o item e faça o que se pede no item que é do tipo C.
No texto, o fato de o narrador considerar a Independência do Brasil uma “criança” justifica-se pelas controvérsias que envolvem o relato de como ela teria sido proclamada.
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Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem,
acontece a Inconfidência.
E diz o Vigário ao Poeta:
“Escreva-me aquela letra
do versinho de Vergílio...
E dá-lhe o papel e a pena.
E diz o Poeta ao Vigário,
com dramática prudência:
“Tenha meus dedos cortados,
antes que tal verso escrevam...
LIBERDADE, AINDA QUE TARDE,
ouve-se em redor da mesa.
E a bandeira já está viva,
e sobe, na noite imensa.
E os seus tristes inventores
já são réus — pois se atreveram
a falar em Liberdade
(que ninguém sabe o que seja).
Através de grossas portas,
sentem-se luzes acesas,
— e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras.
“Que estão fazendo, tão tarde?
Que escrevem, conversam, pensam?
Mostram livros proibidos?
Leem notícias nas Gazetas?
Terão recebido cartas
de potências estrangeiras?”
(Antiguidades de Nimes
em Vila Rica suspensas!
Cavalo de La Fayette
saltando vastas fronteiras!
Ó vitórias, festas, flores
das lutas da Independência!
Liberdade — essa palavra
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!)
E a vizinhança não dorme:
murmura, imagina, inventa.
Não fica bandeira escrita,
mas fica escrita a sentença.
Cecília Meireles. Obra poética. Nova Aguilar: Rio de Janeiro, 1977.
Considerando o fragmento do poema de Cecília Meireles apresentado, que compõe a obra Romanceiro da Inconfidência, publicada em 1953, julgue o próximo item.
Os poemas do Romanceiro da Inconfidência contêm elementos característicos da forma clássica pastoril, à maneira do Arcadismo, o que fica evidente nas imagens descritas nesse fragmento.
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Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem,
acontece a Inconfidência.
E diz o Vigário ao Poeta:
“Escreva-me aquela letra
do versinho de Vergílio...
E dá-lhe o papel e a pena.
E diz o Poeta ao Vigário,
com dramática prudência:
“Tenha meus dedos cortados,
antes que tal verso escrevam...
LIBERDADE, AINDA QUE TARDE,
ouve-se em redor da mesa.
E a bandeira já está viva,
e sobe, na noite imensa.
E os seus tristes inventores
já são réus — pois se atreveram
a falar em Liberdade
(que ninguém sabe o que seja).
Através de grossas portas,
sentem-se luzes acesas,
— e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras.
“Que estão fazendo, tão tarde?
Que escrevem, conversam, pensam?
Mostram livros proibidos?
Leem notícias nas Gazetas?
Terão recebido cartas
de potências estrangeiras?”
(Antiguidades de Nimes
em Vila Rica suspensas!
Cavalo de La Fayette
saltando vastas fronteiras!
Ó vitórias, festas, flores
das lutas da Independência!
Liberdade — essa palavra
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!)
E a vizinhança não dorme:
murmura, imagina, inventa.
Não fica bandeira escrita,
mas fica escrita a sentença.
Cecília Meireles. Obra poética. Nova Aguilar: Rio de Janeiro, 1977.
Considerando o fragmento do poema de Cecília Meireles apresentado, que compõe a obra Romanceiro da Inconfidência, publicada em 1953, julgue o próximo item.
Um dos eventos históricos a que se refere o poema é a criação do lema da bandeira do movimento de inconfidência: “LIBERDADE, AINDA QUE TARDE”.
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Orgão: UnB
Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem,
acontece a Inconfidência.
E diz o Vigário ao Poeta:
“Escreva-me aquela letra
do versinho de Vergílio...
E dá-lhe o papel e a pena.
E diz o Poeta ao Vigário,
com dramática prudência:
“Tenha meus dedos cortados,
antes que tal verso escrevam...
LIBERDADE, AINDA QUE TARDE,
ouve-se em redor da mesa.
E a bandeira já está viva,
e sobe, na noite imensa.
E os seus tristes inventores
já são réus — pois se atreveram
a falar em Liberdade
(que ninguém sabe o que seja).
Através de grossas portas,
sentem-se luzes acesas,
— e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras.
“Que estão fazendo, tão tarde?
Que escrevem, conversam, pensam?
Mostram livros proibidos?
Leem notícias nas Gazetas?
Terão recebido cartas
de potências estrangeiras?”
(Antiguidades de Nimes
em Vila Rica suspensas!
Cavalo de La Fayette
saltando vastas fronteiras!
Ó vitórias, festas, flores
das lutas da Independência!
Liberdade — essa palavra
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!)
E a vizinhança não dorme:
murmura, imagina, inventa.
Não fica bandeira escrita,
mas fica escrita a sentença.
Cecília Meireles. Obra poética. Nova Aguilar: Rio de Janeiro, 1977.
Considerando o fragmento do poema de Cecília Meireles apresentado, que compõe a obra Romanceiro da Inconfidência, publicada em 1953, julgue o próximo item.
O vocabulário, a métrica e o sistema de rimas utilizados nesse poema de Cecília Meireles sinalizam sua recusa à apropriação da linguagem popular, conforme propuseram as diferentes gerações modernistas.
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Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem,
acontece a Inconfidência.
E diz o Vigário ao Poeta:
“Escreva-me aquela letra
do versinho de Vergílio...
E dá-lhe o papel e a pena.
E diz o Poeta ao Vigário,
com dramática prudência:
“Tenha meus dedos cortados,
antes que tal verso escrevam...
LIBERDADE, AINDA QUE TARDE,
ouve-se em redor da mesa.
E a bandeira já está viva,
e sobe, na noite imensa.
E os seus tristes inventores
já são réus — pois se atreveram
a falar em Liberdade
(que ninguém sabe o que seja).
Através de grossas portas,
sentem-se luzes acesas,
— e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras.
“Que estão fazendo, tão tarde?
Que escrevem, conversam, pensam?
Mostram livros proibidos?
Leem notícias nas Gazetas?
Terão recebido cartas
de potências estrangeiras?”
(Antiguidades de Nimes
em Vila Rica suspensas!
Cavalo de La Fayette
saltando vastas fronteiras!
Ó vitórias, festas, flores
das lutas da Independência!
Liberdade — essa palavra
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!)
E a vizinhança não dorme:
murmura, imagina, inventa.
Não fica bandeira escrita,
mas fica escrita a sentença.
Cecília Meireles. Obra poética. Nova Aguilar: Rio de Janeiro, 1977.
Considerando o fragmento do poema de Cecília Meireles apresentado, que compõe a obra Romanceiro da Inconfidência, publicada em 1953, julgue o próximo item.
No poema, é recontado fato histórico brasileiro por meio de um ponto de vista não oficial, o que se evidencia nos versos “Atrás de portas fechadas” (primeiro verso da primeira estrofe) e “Através de grossas portas” (primeiro verso da segunda estrofe).
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