Foram encontradas 5.086 questões.
Leia as estrofes iniciais do poema “Saudades”, de Álvares de Azevedo, para responder à questão.
Foi por ti que num sonho de ventura
A flor da mocidade consumi,
E às primaveras disse adeus tão cedo
E na idade do amor envelheci!
Vinte anos! derramei-os gota a gota
Num abismo de dor e esquecimento…
De fogosas visões nutri meu peito…
Vinte anos!… não vivi um só momento!
Contudo, no passado uma esperança!
Tanto amor e ventura prometia,
E uma virgem tão doce, tão divina
Nos sonhos junto a mim adormecia!…
Uma característica do ultrarromantismo presente no poema é
Provas
Leia o texto para responder à questão.
E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a fervilhar, a crescer um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro e multiplicar-se como larvas no esterco.
O trecho sugere que o grupo humano que compõe o cortiço em formação
Provas
Alberto Caeiro “é o poeta que foge para o campo, pois, sendo poeta e nada mais, poeta por natureza, deve procurar viver simplesmente como as flores, os regatos, as fontes, os prados etc., que são felizes apenas porque, faltando- lhes a capacidade de pensar, não sabem que o são”.
Os versos de Alberto Caeiro que exemplificam a análise apresentada são:
Provas
Leia trecho do Favelário Nacional, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.
Prosopopeia
Quem sou eu para te cantar, favela,
que cantas em mim e para ninguém a noite inteira de sexta
e a noite inteira de sábado
e nos desconheces, como igualmente não te conhecemos?
Sei apenas do teu mau cheiro: baixou em mim, na viração,
direto, rápido, telegrama nasal
anunciando morte… melhor, tua vida.
Uma característica da literatura modernista que se evidencia no poema são os versos
Provas
Leia o texto, para responder à questão.
Em pé, no meio do espaço que formava a grande abóboda de árvores, encostado a um velho tronco decepado pelo raio, via-se um índio na flor da idade. Uma simples túnica de algodão, a que os indígenas chamavam aimará, apertada à cintura por uma faixa de penas escarlates, caia-lhe dos ombros até o meio da perna, e desenhava o talhe delgado e esbelto com um junco selvagem. […] Ali, por entre a folhagem, distinguia-se as ondulações felinas de um dorso negro, brilhante, marchetado de pardo; às vezes, viam-se brilhar na sombra dos raios vítreos e pálidos, que se semelhavam a reflexos de alguma cristalização de rocha, ferida pela luz do sol.
É correto afirmar que esse texto é representativo do
Provas
Leia o poema a seguir para responder à questão.
Profundamente
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.
No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
– Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.
A respeito do texto “Profundamente”, do poeta modernista Manuel Bandeira, assinale a alternativa correta.
Provas
Para responder à questão, leia o soneto do poeta árcade Silva Alvarenga (1749-1814).
Que mal te fiz, que tantas tiranias
Usas comigo, Ninfa Ingrata e dura?
Já rouca sinto a voz de te bradar
Mas tu, mais dura que ela e rigorosa,
De mim te escondes no profundo mar,
Sem te mover de um triste a voz saudosa.
Uma característica da estética árcade presente nesse soneto é
Provas
Para responder à questão, leia o soneto do poeta árcade Silva Alvarenga (1749-1814).
Eu vi Cupido a aljava¹ vigorosa
Prostrar²-lhe aos pés e, as asas levantando,
Com leve som está-la adormentando³
E refrescar-lhe a maçã calmosa4.
“Ó quanto injusto és, cruel Cupido!”,
“A quem zomba de ti buscas repouso,
¹ Cupido: deus do amor, representado com asas e provido de arco e flechas,
para acertar os corações.
² aljava: estojo em que se guardam flechas.
3 prostrar: lançar.
4 adormentando: fazendo dormir.
5 maçã calmosa: rosto aquecido.
6 cuidadoso: angustiado.
Uma característica da estética árcade presente nesse soneto é
Provas
Para responder à questão, leia o trecho do romance O guarani, do escritor José de Alencar.
Tudo era água e céu. A inundação tinha coberto as margens do rio até onde a vista podia alcançar.
— Podemos morrer, meu amigo! disse ela com uma expressão sublime.
Peri estremeceu; ainda nessa hora suprema seu espírito revoltava-se contra aquela ideia, e não podia conceber que a vida de sua senhora tivesse de perecer como a de um simples mortal.
— Não! exclamou ele. Tu não podes morrer.
A menina sorriu docemente.
— Olha! disse ela com a sua voz maviosa4, a água sobe, sobe...
— Que importa! Peri vencerá a água, como venceu a todos os teus inimigos.
— Se fosse um inimigo, tu o vencerias, Peri. Mas é Deus... É o seu poder infinito!
Cecília abriu os olhos, e vendo seu amigo junto dela, ouvindo ainda suas palavras, sentiu o enlevo que deve ser o gozo da vida eterna. Ela embebeu os olhos nos olhos de seu amigo, e lânguida7 reclinou a loura fronte. O hálito ardente de Peri bafejou-lhe a face.
¹ ilha de verdura: ilha verde.
2 palmas: folhas da palmeira.
3 mimoso: gracioso.
4 maviosa: comovente.
5 cingindo: envolvendo fortemente.
6 hirtos: fortes.
7 lânguida: debilitada.
8 castos: inocentes, puros.
A descrição idealizada da figura feminina, traço recorrente da estética romântica, está bem exemplificada no seguinte trecho:
Provas
Parabolicamará
Gilberto Gil
Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje mundo é muito grande
Porque Terra é pequena
Do tamanho da antena parabolicamará
Ê , volta do mundo, camará 1
Ê , ê , mundo dá volta, camará
Antes longe era distante
Perto, só quando dava
Quando muito, ali defronte
E o horizonte acabava
Hoje lá trás dos montes, den de casa, camará
Ê , volta do mundo, camará
Ê , ê , mundo dá volta, camará
De jangada leva uma eternidade
De saveiro 2 leva uma encarnação
Pela onda luminosa
Leva o tempo de um raio
Tempo que levava Rosa
Pra aprumar o balaio
Quando sentia que o balaio ia escorregar
Ê , volta do mundo, camará
Ê , ê , mundo dá volta, camará
Esse tempo nunca passa
Não é de ontem nem de hoje
Mora no som da cabaça
Nem tá preso nem foge
No instante que tange o berimbau, meu camará
Ê , volta do mundo, camará
Ê , ê , mundo da volta, camará
De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação
De avião, o tempo de uma saudade
Esse tempo não tem rédea
Vem nas asas do vento
O momento da tragédia
Chico, Ferreira e Bento
Só souberam na hora do destino apresentar
Ê , volta do mundo, camará
Ê , ê , mundo dá volta, camará
Glossário:
1 forma reduzida como os jogadores de capoeira, luta-dança afrobrasileira, usam se chamar, enquanto dançam e cantam.
2 embarcação de pouco fundo e boca larga, um a dois mastros, usada para transporte de pessoal e carga ou para pescar.
Na canção, o tempo é concebido sob diversas perspectivas. Em quais versos nota-se a representação de tempo como metáfora para rapidez?
Provas
Caderno Container