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4127188 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia as estrofes iniciais do poema “Saudades”, de Álvares de Azevedo, para responder à questão.

 

Foi por ti que num sonho de ventura
A flor da mocidade consumi,
E às primaveras disse adeus tão cedo
E na idade do amor envelheci!

Vinte anos! derramei-os gota a gota
Num abismo de dor e esquecimento…
De fogosas visões nutri meu peito…
Vinte anos!… não vivi um só momento!
Contudo, no passado uma esperança!

Tanto amor e ventura prometia,
E uma virgem tão doce, tão divina
Nos sonhos junto a mim adormecia!…

(Álvares de Azevedo. Lira dos Vinte Anos. 1994)

 

Uma característica do ultrarromantismo presente no poema é

 

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4127106 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o texto para responder à questão.

 

E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a fervilhar, a crescer um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro e multiplicar-se como larvas no esterco.

(Aluísio Azevedo. O Cortiço)

 

O trecho sugere que o grupo humano que compõe o cortiço em formação

 

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4127101 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Alberto Caeiro “é o poeta que foge para o campo, pois, sendo poeta e nada mais, poeta por natureza, deve procurar viver simplesmente como as flores, os regatos, as fontes, os prados etc., que são felizes apenas porque, faltando- lhes a capacidade de pensar, não sabem que o são”.

 

(Massaud Moisés. A literatura portuguesa, 1999. Adaptado)

 

Os versos de Alberto Caeiro que exemplificam a análise apresentada são:

 

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4127095 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia trecho do Favelário Nacional, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.

 

Prosopopeia

Quem sou eu para te cantar, favela,
que cantas em mim e para ninguém a noite inteira de sexta
e a noite inteira de sábado
e nos desconheces, como igualmente não te conhecemos?
Sei apenas do teu mau cheiro: baixou em mim, na viração,
direto, rápido, telegrama nasal
anunciando morte… melhor, tua vida.

(Carlos Drummond de Andrade. Poesia. 2002)

 

Uma característica da literatura modernista que se evidencia no poema são os versos

 

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4126926 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o texto, para responder à questão.

Em pé, no meio do espaço que formava a grande abóboda de árvores, encostado a um velho tronco decepado pelo raio, via-se um índio na flor da idade. Uma simples túnica de algodão, a que os indígenas chamavam aimará, apertada à cintura por uma faixa de penas escarlates, caia-lhe dos ombros até o meio da perna, e desenhava o talhe delgado e esbelto com um junco selvagem. […] Ali, por entre a folhagem, distinguia-se as ondulações felinas de um dorso negro, brilhante, marchetado de pardo; às vezes, viam-se brilhar na sombra dos raios vítreos e pálidos, que se semelhavam a reflexos de alguma cristalização de rocha, ferida pela luz do sol.

(José de Alencar. O guarani. São Paulo: Ática, 1996, p. 14. www.dominiopublico.gov.br/download/. Acesso em 24.08.2024. Adaptado)

 

É correto afirmar que esse texto é representativo do

 

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4126925 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o poema a seguir para responder à questão.

Profundamente

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

– Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.

Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa

Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

(Manuel Bandeira. Libertinagem. In: Estrela da Vida Inteira.

Introdução de Gilda e Antonio Candido Mello e Sousa. 16. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, p. 11-112)

 

A respeito do texto “Profundamente”, do poeta modernista Manuel Bandeira, assinale a alternativa correta.

 

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4126824 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Para responder à questão, leia o soneto do poeta árcade Silva Alvarenga (1749-1814).

 

Lisandra bela, Ninfa sem brandura,d
Que te escondes de mim nas ondas frias:d
Que mal te fiz, que tantas tiranias
Usas comigo, Ninfa Ingrata e dura?

Por ti não passo toda a noite escuraa e
Entre saudosos ais, entre agonias?a e
Não passo nesta praia os longos diasb
A chamar por Lisandra com ternura?b

Já rouca sinto a voz de te bradar
De cima desta rocha cavernosa,c
Onde as salgadas ondas vêm quebrar.c

Mas tu, mais dura que ela e rigorosa,
De mim te escondes no profundo mar,
Sem te mover de um triste a voz saudosa.

(Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005)

 

Uma característica da estética árcade presente nesse soneto é

 

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4126741 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Para responder à questão, leia o soneto do poeta árcade Silva Alvarenga (1749-1814).

Eu vi Marfida sobre a mão formosa
Estar em doce sono descansando,b
Quando o sol para a terra ia inclinando
Os brandos lírios, a vermelha rosa.d

Eu vi Cupido a aljava¹ vigorosa
Prostrar²-lhe aos pés e, as asas levantando,
Com leve som está-la adormentando³
E refrescar-lhe a maçã calmosa4.

“Ó quanto injusto és, cruel Cupido!”,
Então clamei, de pranto lastimoso
Deixando o triste rosto umedecido.c

“A quem zomba de ti buscas repouso,
E a mim, que ao teu poder estou rendido,
Fazes que viva triste e cuidadoso6.”a e

(Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005)

¹ Cupido: deus do amor, representado com asas e provido de arco e flechas,
para acertar os corações.
² aljava: estojo em que se guardam flechas.
3 prostrar: lançar.
4 adormentando: fazendo dormir.
5 maçã calmosa: rosto aquecido.
6 cuidadoso: angustiado.

 

Uma característica da estética árcade presente nesse soneto é

 

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4126734 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Para responder à questão, leia o trecho do romance O guarani, do escritor José de Alencar.

Tudo era água e céu. A inundação tinha coberto as margens do rio até onde a vista podia alcançar. A tempestade continuava ainda ao longo de toda a cordilheira, que aparecia coberta por um nevoeiro escuro; mas o céu, azul e límpido, sorria mirando-se no espelho das águas.d A cúpula da palmeira, em que se achavam Peri e Cecília, parecia uma ilha de verdura¹ banhando-se nas águas da corrente; as palmas² que se abriam formavam no centro um berço mimoso³a, onde os dois amigos, estreitando-se, pediam ao céu para ambos uma só morte, pois uma só era a sua vida.

— Podemos morrer, meu amigo! disse ela com uma expressão sublime.

Peri estremeceu; ainda nessa hora suprema seu espírito revoltava-se contra aquela ideia, e não podia conceber que a vida de sua senhora tivesse de perecer como a de um simples mortal.

— Não! exclamou ele. Tu não podes morrer.

A menina sorriu docemente.

— Olha! disse ela com a sua voz maviosa4, a água sobe, sobe...

— Que importa! Peri vencerá a água, como venceu a todos os teus inimigos.

— Se fosse um inimigo, tu o vencerias, Peri. Mas é Deus... É o seu poder infinito!

Então passou-se sobre esse vasto deserto de água e céu uma cena estupenda, heroica, sobre-humana.e Peri alucinado suspendeu-se aos cipós que se entrelaçavam pelos ramos das árvores já cobertas de água, e com esforço desesperado cingindo5 o tronco da palmeira nos seus braços hirtos6, abalou-o até as raízes. Luta terrível, espantosa: luta da vida contra a matéria; luta do homem contra a terra; luta da força contra a imobilidade. Ambos, árvore e homem, embalançaram-se no seio das águas: a haste oscilou; as raízes desprenderam-se da terra já minada profundamente pela torrente. Peri estava de novo sentado junto de sua senhora quase inanimada: e, tomando-a nos braços, disse-lhe com um acento de ventura suprema: — Tu viverás!...b

Cecília abriu os olhos, e vendo seu amigo junto dela, ouvindo ainda suas palavras, sentiu o enlevo que deve ser o gozo da vida eterna. Ela embebeu os olhos nos olhos de seu amigo, e lânguida7 reclinou a loura fronte. O hálito ardente de Peri bafejou-lhe a face. Fez-se no semblante da virgem um ninho de castos8 rubores e límpidos sorrisos:os lábios abriram como as asas purpúreas de um beijo soltando o vooc. A palmeira arrastada pela torrente impetuosa fugia... E sumiu-se no horizonte.

(José de Alencar. O guarani, 1999. Adaptado)

¹ ilha de verdura: ilha verde.
2 palmas: folhas da palmeira.
3 mimoso: gracioso.
4 maviosa: comovente.
5 cingindo: envolvendo fortemente.
6 hirtos: fortes.
7 lânguida: debilitada.
8 castos: inocentes, puros.

 

A descrição idealizada da figura feminina, traço recorrente da estética romântica, está bem exemplificada no seguinte trecho:

 

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4126727 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ITA
Orgão: ITA
Provas:

Parabolicamará

Gilberto Gil

 

Antes mundo era pequeno

Porque Terra era grande

Hoje mundo é muito grande

Porque Terra é pequena

Do tamanho da antena parabolicamará

Ê , volta do mundo, camará 1

Ê , ê , mundo dá volta, camará

Antes longe era distante

Perto, só quando dava

Quando muito, ali defronte

E o horizonte acabava

Hoje lá trás dos montes, den de casa, camará

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

De jangada leva uma eternidade

De saveiro 2 leva uma encarnação

Pela onda luminosa

Leva o tempo de um raio

Tempo que levava Rosa

Pra aprumar o balaio

Quando sentia que o balaio ia escorregar

 

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

Esse tempo nunca passa

Não é de ontem nem de hoje

Mora no som da cabaça

Nem tá preso nem foge

No instante que tange o berimbau, meu camará

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo da volta, camará

De jangada leva uma eternidade

De saveiro leva uma encarnação

De avião, o tempo de uma saudade

Esse tempo não tem rédea

Vem nas asas do vento

O momento da tragédia

Chico, Ferreira e Bento

Só souberam na hora do destino apresentar

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

 

Glossário:

1 forma reduzida como os jogadores de capoeira, luta-dança afrobrasileira, usam se chamar, enquanto dançam e cantam.

2 embarcação de pouco fundo e boca larga, um a dois mastros, usada para transporte de pessoal e carga ou para pescar.

 

FONTE: GIL, Gilberto. Parabolicamara.1992. Disponível em: https://gilbertogil.com.br/noticias/producoes/detalhes/parabolicamara/

 

Na canção, o tempo é concebido sob diversas perspectivas. Em quais versos nota-se a representação de tempo como metáfora para rapidez?

 

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