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4126926 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o texto, para responder à questão.

Em pé, no meio do espaço que formava a grande abóboda de árvores, encostado a um velho tronco decepado pelo raio, via-se um índio na flor da idade. Uma simples túnica de algodão, a que os indígenas chamavam aimará, apertada à cintura por uma faixa de penas escarlates, caia-lhe dos ombros até o meio da perna, e desenhava o talhe delgado e esbelto com um junco selvagem. […] Ali, por entre a folhagem, distinguia-se as ondulações felinas de um dorso negro, brilhante, marchetado de pardo; às vezes, viam-se brilhar na sombra dos raios vítreos e pálidos, que se semelhavam a reflexos de alguma cristalização de rocha, ferida pela luz do sol.

(José de Alencar. O guarani. São Paulo: Ática, 1996, p. 14. www.dominiopublico.gov.br/download/. Acesso em 24.08.2024. Adaptado)

 

É correto afirmar que esse texto é representativo do

 

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4126925 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o poema a seguir para responder à questão.

Profundamente

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

– Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.

Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa

Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

(Manuel Bandeira. Libertinagem. In: Estrela da Vida Inteira.

Introdução de Gilda e Antonio Candido Mello e Sousa. 16. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, p. 11-112)

 

A respeito do texto “Profundamente”, do poeta modernista Manuel Bandeira, assinale a alternativa correta.

 

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4126824 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Para responder à questão, leia o soneto do poeta árcade Silva Alvarenga (1749-1814).

 

Lisandra bela, Ninfa sem brandura,d
Que te escondes de mim nas ondas frias:d
Que mal te fiz, que tantas tiranias
Usas comigo, Ninfa Ingrata e dura?

Por ti não passo toda a noite escuraa e
Entre saudosos ais, entre agonias?a e
Não passo nesta praia os longos diasb
A chamar por Lisandra com ternura?b

Já rouca sinto a voz de te bradar
De cima desta rocha cavernosa,c
Onde as salgadas ondas vêm quebrar.c

Mas tu, mais dura que ela e rigorosa,
De mim te escondes no profundo mar,
Sem te mover de um triste a voz saudosa.

(Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005)

 

Uma característica da estética árcade presente nesse soneto é

 

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4126741 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Para responder à questão, leia o soneto do poeta árcade Silva Alvarenga (1749-1814).

Eu vi Marfida sobre a mão formosa
Estar em doce sono descansando,b
Quando o sol para a terra ia inclinando
Os brandos lírios, a vermelha rosa.d

Eu vi Cupido a aljava¹ vigorosa
Prostrar²-lhe aos pés e, as asas levantando,
Com leve som está-la adormentando³
E refrescar-lhe a maçã calmosa4.

“Ó quanto injusto és, cruel Cupido!”,
Então clamei, de pranto lastimoso
Deixando o triste rosto umedecido.c

“A quem zomba de ti buscas repouso,
E a mim, que ao teu poder estou rendido,
Fazes que viva triste e cuidadoso6.”a e

(Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005)

¹ Cupido: deus do amor, representado com asas e provido de arco e flechas,
para acertar os corações.
² aljava: estojo em que se guardam flechas.
3 prostrar: lançar.
4 adormentando: fazendo dormir.
5 maçã calmosa: rosto aquecido.
6 cuidadoso: angustiado.

 

Uma característica da estética árcade presente nesse soneto é

 

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4126734 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Para responder à questão, leia o trecho do romance O guarani, do escritor José de Alencar.

Tudo era água e céu. A inundação tinha coberto as margens do rio até onde a vista podia alcançar. A tempestade continuava ainda ao longo de toda a cordilheira, que aparecia coberta por um nevoeiro escuro; mas o céu, azul e límpido, sorria mirando-se no espelho das águas.d A cúpula da palmeira, em que se achavam Peri e Cecília, parecia uma ilha de verdura¹ banhando-se nas águas da corrente; as palmas² que se abriam formavam no centro um berço mimoso³a, onde os dois amigos, estreitando-se, pediam ao céu para ambos uma só morte, pois uma só era a sua vida.

— Podemos morrer, meu amigo! disse ela com uma expressão sublime.

Peri estremeceu; ainda nessa hora suprema seu espírito revoltava-se contra aquela ideia, e não podia conceber que a vida de sua senhora tivesse de perecer como a de um simples mortal.

— Não! exclamou ele. Tu não podes morrer.

A menina sorriu docemente.

— Olha! disse ela com a sua voz maviosa4, a água sobe, sobe...

— Que importa! Peri vencerá a água, como venceu a todos os teus inimigos.

— Se fosse um inimigo, tu o vencerias, Peri. Mas é Deus... É o seu poder infinito!

Então passou-se sobre esse vasto deserto de água e céu uma cena estupenda, heroica, sobre-humana.e Peri alucinado suspendeu-se aos cipós que se entrelaçavam pelos ramos das árvores já cobertas de água, e com esforço desesperado cingindo5 o tronco da palmeira nos seus braços hirtos6, abalou-o até as raízes. Luta terrível, espantosa: luta da vida contra a matéria; luta do homem contra a terra; luta da força contra a imobilidade. Ambos, árvore e homem, embalançaram-se no seio das águas: a haste oscilou; as raízes desprenderam-se da terra já minada profundamente pela torrente. Peri estava de novo sentado junto de sua senhora quase inanimada: e, tomando-a nos braços, disse-lhe com um acento de ventura suprema: — Tu viverás!...b

Cecília abriu os olhos, e vendo seu amigo junto dela, ouvindo ainda suas palavras, sentiu o enlevo que deve ser o gozo da vida eterna. Ela embebeu os olhos nos olhos de seu amigo, e lânguida7 reclinou a loura fronte. O hálito ardente de Peri bafejou-lhe a face. Fez-se no semblante da virgem um ninho de castos8 rubores e límpidos sorrisos:os lábios abriram como as asas purpúreas de um beijo soltando o vooc. A palmeira arrastada pela torrente impetuosa fugia... E sumiu-se no horizonte.

(José de Alencar. O guarani, 1999. Adaptado)

¹ ilha de verdura: ilha verde.
2 palmas: folhas da palmeira.
3 mimoso: gracioso.
4 maviosa: comovente.
5 cingindo: envolvendo fortemente.
6 hirtos: fortes.
7 lânguida: debilitada.
8 castos: inocentes, puros.

 

A descrição idealizada da figura feminina, traço recorrente da estética romântica, está bem exemplificada no seguinte trecho:

 

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4126727 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ITA
Orgão: ITA
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Parabolicamará

Gilberto Gil

 

Antes mundo era pequeno

Porque Terra era grande

Hoje mundo é muito grande

Porque Terra é pequena

Do tamanho da antena parabolicamará

Ê , volta do mundo, camará 1

Ê , ê , mundo dá volta, camará

Antes longe era distante

Perto, só quando dava

Quando muito, ali defronte

E o horizonte acabava

Hoje lá trás dos montes, den de casa, camará

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

De jangada leva uma eternidade

De saveiro 2 leva uma encarnação

Pela onda luminosa

Leva o tempo de um raio

Tempo que levava Rosa

Pra aprumar o balaio

Quando sentia que o balaio ia escorregar

 

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

Esse tempo nunca passa

Não é de ontem nem de hoje

Mora no som da cabaça

Nem tá preso nem foge

No instante que tange o berimbau, meu camará

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo da volta, camará

De jangada leva uma eternidade

De saveiro leva uma encarnação

De avião, o tempo de uma saudade

Esse tempo não tem rédea

Vem nas asas do vento

O momento da tragédia

Chico, Ferreira e Bento

Só souberam na hora do destino apresentar

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

 

Glossário:

1 forma reduzida como os jogadores de capoeira, luta-dança afrobrasileira, usam se chamar, enquanto dançam e cantam.

2 embarcação de pouco fundo e boca larga, um a dois mastros, usada para transporte de pessoal e carga ou para pescar.

 

FONTE: GIL, Gilberto. Parabolicamara.1992. Disponível em: https://gilbertogil.com.br/noticias/producoes/detalhes/parabolicamara/

 

Na canção, o tempo é concebido sob diversas perspectivas. Em quais versos nota-se a representação de tempo como metáfora para rapidez?

 

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4126726 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ITA
Orgão: ITA
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Parabolicamará

Gilberto Gil

 

Antes mundo era pequeno

Porque Terra era grande

Hoje mundo é muito grande

Porque Terra é pequena

Do tamanho da antena parabolicamará

Ê , volta do mundo, camará 1

Ê , ê , mundo dá volta, camará

Antes longe era distante

Perto, só quando dava

Quando muito, ali defronte

E o horizonte acabava

Hoje lá trás dos montes, den de casa, camará

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

De jangada leva uma eternidade

De saveiro 2 leva uma encarnação

Pela onda luminosa

Leva o tempo de um raio

Tempo que levava Rosa

Pra aprumar o balaio

Quando sentia que o balaio ia escorregar

 

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

Esse tempo nunca passa

Não é de ontem nem de hoje

Mora no som da cabaça

Nem tá preso nem foge

No instante que tange o berimbau, meu camará

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo da volta, camará

De jangada leva uma eternidade

De saveiro leva uma encarnação

De avião, o tempo de uma saudade

Esse tempo não tem rédea

Vem nas asas do vento

O momento da tragédia

Chico, Ferreira e Bento

Só souberam na hora do destino apresentar

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

 

Glossário:

1 forma reduzida como os jogadores de capoeira, luta-dança afrobrasileira, usam se chamar, enquanto dançam e cantam.

2 embarcação de pouco fundo e boca larga, um a dois mastros, usada para transporte de pessoal e carga ou para pescar.

 

FONTE: GIL, Gilberto. Parabolicamara.1992. Disponível em: https://gilbertogil.com.br/noticias/producoes/detalhes/parabolicamara/

 

Sabendo que a autoria e publicação da canção se deu no início da década de 1990, considere as assertivas, que expressam leituras a partir da letra. Em seguida, assinale a alternativa CORRETA.

 

I. Os cinco primeiros versos evidenciam os impactos da globalização na organização do espaço geográfico mundial.

 

II. Como crítica social, a letra aponta para a desvalorização da cultura regional, impactada pelo processo de globalização.

 

III. A evolução dos meios de comunicação alterou a percepção espaço-temporal, reduzindo as distâncias e aumentando a velocidade e a fluidez das informações.

 

IV. A metáfora da antena parabólica representa a integração de diversas regiões do globo, atuando na diminuição das distâncias, o que tornou a Terra pequena.

 

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4126725 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ITA
Orgão: ITA
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“Encarnando o espírito de resignação do eterno amor feminino, despedem-se primeiro duas mulheres: uma mãe e uma esposa, que sofrem com a ausência antecipada dos entes queridos. Elas simbolizam os sentimentos íntimos das famílias dos navegantes, o aspecto emocional do povo português. Criam a atmosfera de anseio e insegurança popular diante dos perigos da viagem. Representam a voz do sentimento, saída dos movimentos espontâneos do coração feminino. [...]As próprias montanhas se emocionam, enquanto a areia da praia se inunda com as lágrimas dos parentes.”

Fonte: TEIXEIRA, Ivan. Os Lusíadas: episódios. Cotia: Ateliê Editorial, 1999.

 

A análise acima se refere a um dos mais notáveis episódios da epopeia de Luís de Camões. Assinale o excerto que pertence a esse episódio.

 

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4126724 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ITA
Orgão: ITA
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NAVIO NEGREIRO

VI

 

Existe um povo que a bandeira empresta

P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...

E deixa-a transformar-se nessa festa

Em manto impuro de bacante fria!...

Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,

Que impudente na gávea tripudia?

Silêncio. Musa... chora, e chora tanto

Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...

 

Auriverde pendão de minha terra,

Que a brisa do Brasil beija e balança,

Estandarte que a luz do sol encerra

E as promessas divinas da esperança...

Tu que, da liberdade após a guerra,

Foste hasteado dos heróis na lança

Antes te houvessem roto na batalha,

Que servires a um povo de mortalha!...

 

Fonte: ALVES, Castro. O navio negreiro. In: Os Escravos. São Paulo: Martin Claret, 2003.

 

A respeito do poema e do estilo de Castro Alves, assinale a alternativa INCORRETA.

 

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3899712 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IDESG
Orgão: Pref. Nova Venécia-ES
Provas:
“Macunaíma e Antropofagia apresentam elementos coincidentes dentro de uma mesma postura estética de nacionalismo crítico. Ambos incluem o Brasil numa realidade sul-americana e tropical; filiando-o ao Sol ou à Vei, ambos valorizam o primitivismo e o lazer. O Manifesto Antropófago é, contudo, um texto-programa e Macunaíma tem suas propostas estéticas integradas num todo ficcional. Mário de Andrade, sem estar vinculado à Antropofagia, faz na realidade um crivo crítico na assimilação de elementos, tão diversificados, que se adequariam à literatura e à realidade brasileira.”

(Fonte: LOPEZ, Telê Porto Ancona. Macunaíma: a margem e o texto. São Paulo: HUCITEC, Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo, 1974.)

A qual movimento literário brasileiro são associadas as obras de que tratam o trecho apresentado?
 

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