Foram encontradas 358.940 questões.
Para responder à questão, Ieia o texto abaixo.
Ferramentas de inteligência artificial em registros de
violência contra a mulher
A Polícia Civil começou a adotar, em todas as
delegacias do Estado, um serviço de digitalização e análise
por inteligência artificial (lA) com base no Formulário
Nacional de Avaliação de Risco (Fonar). O recurso permite
identificar sinais de perigo no ambiente doméstico, avaliar
a gravidade das situações e auxiliar a atuação policial com
mais rapidez na prevenção de novas agressões às
mulheres. A ferramenta foi lançada pelo Departamento de
Tecnologia da Informação Policial (DTIP).
Atualmente o Fonar é preenchido quando a vítima
registra ocorrência em uma delegacia física ou na Delegacia
Online (DOL). Na Polícia Civil gaúcha, o Fonar está
disponível no módulo Ocorrência do Sistema de Polícia
Judiciária (SPJ) e na DOL. No atendimento presencial, o
Fonar pode ser completado pelo policial civil diretamente
no SPJ (forma já difundida), ou preenchido de forma híbrida
(documento impresso e sistema). Impresso, o formulário
será respondido pela vítima à caneta. Depois, será
escaneado e, caso necessário, será complementado com as
respostas dos policiais diretamente no SPJ, com apoio de
inteligência artificial. A ferramenta atuará como recurso
interpretativo das respostas no processo de digitalização.
Como resultado, todas as respostas geradas no
contexto de violência doméstica e familiar no Estado serão
armazenadas de forma mais adequada e estruturada. Elas
irão compor ferramentas estatísticas, relatórios, mapas e
outros documentos, a fim de subsidiar decisões e políticas
públicas nos âmbitos estadual e nacional, de forma a
ampliar as ações da Secretaria da Segurança Pública,
oferecendo mais proteção às vítimas.
A digitalização do formulário auxiliará os policiais na
coleta e na análise de dados gerados durante o registro de
ocorrências. Compreender melhor os crimes relacionados
à Lei Maria da Penha permite identificar fatores de risco,
bem como apontar sua gravidade.
Para a diretora da Divisão de Sistemas do DTIP e da
DOL, o Fonar é um avanço estratégico na proteção de
mulheres no Brasil. A Polícia Civil vem aprimorando suas
atividades com tecnologia e, agora, concretiza a aplicação
da IA ao seu principal sistema, auxiliando a prestação do
serviço policial, fortalecendo a utilização de instrumentos
que qualificam as políticas públicas relacionadas à
proteção às mulheres. "A ferramenta vem trazer mais
proteção, prevenção e cuidado com as mulheres. A vítima
responde ao formulário no seu tempo e, com o novo
sistema, a análise, a interpretação e a estruturação dos
dados podem facilltar o atendimento, além de agilizar o
encaminhamento ao judiciário. A digitalização e a análise
fortalecem ainda o compartilhamento de informações e a
atuação integrada das forças de segurança", disse.
O documento é parte da Política Judiciária Nacional
de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e das
políticas públicas implementadas pelo Conselho Nacional
do Ministério Público. Foi instituído em 2020 por uma
resolução que definiu a finalidade e as formas de aplicação
e destinação. É composto por questões objetivas e
subjetivas. Deve ser preferencialmente aplicado pela
Polícia Civil no registro da ocorrência ou, em sua
impossibilidade, pelo Ministério Público ou pelo Poder
Judiciário, por ocasião do primeiro atendimento à mulher
em situação de violência doméstica e familiar.
Apos a coleta dos dados, o formulário passa a
integrar inquéritos e procedimentos relacionados aos
crimes, subsidiando pedidos de Medidas Protetivas de
Urgência (MPU), medidas cautelares, bem como outros
encaminhamentos da rede de proteção para gestão
integrada dos riscos.
Adaptado de: https://estado.rs.gov.brlpolicia-civil-vai-usar-ferramenta-de-lntelígencia-a rtificial-em- reg istros-de-violencia-contra-a-mu lher-apartir-de-segunda-1 1.
(1ª parte): A utilização da tecnología vísa não apenas qualificar o atendimento imediato à vítima, mas tambem alÍmentar bancos de dados destinados à elaboração de estatístícas, relatórios e políticas públicas de segurança.
(2ª parte): A ferramenta de IA atua de maneira autônoma na prevenção de agressões e no encaminhamento de medidas protetivas, dispensando a interuenção do Poder Judiciário nesses procedimentos.
(3ª parte): A digitalização por IA permite que respostas fornecidas de forma manuscrita pela vítima sejam estruturadas e interpretadas, conferindo maior agilidade ao fluxo de informações.
Pode-se afirmar que:
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Ferramentas de inteligência artificial em registros de
violência contra a mulher
A Polícia Civil começou a adotar, em todas as
delegacias do Estado, um serviço de digitalização e análise
por inteligência artificial (lA) com base no Formulário
Nacional de Avaliação de Risco (Fonar). O recurso permite
identificar sinais de perigo no ambiente doméstico, avaliar
a gravidade das situações e auxiliar a atuação policial com
mais rapidez na prevenção de novas agressões às
mulheres. A ferramenta foi lançada pelo Departamento de
Tecnologia da Informação Policial (DTIP).
Atualmente o Fonar é preenchido quando a vítima
registra ocorrência em uma delegacia física ou na Delegacia
Online (DOL). Na Polícia Civil gaúcha, o Fonar está
disponível no módulo Ocorrência do Sistema de Polícia
Judiciária (SPJ) e na DOL. No atendimento presencial, o
Fonar pode ser completado pelo policial civil diretamente
no SPJ (forma já difundida), ou preenchido de forma híbrida
(documento impresso e sistema). Impresso, o formulário
será respondido pela vítima à caneta. Depois, será
escaneado e, caso necessário, será complementado com as
respostas dos policiais diretamente no SPJ, com apoio de
inteligência artificial. A ferramenta atuará como recurso
interpretativo das respostas no processo de digitalização.
Como resultado, todas as respostas geradas no
contexto de violência doméstica e familiar no Estado serão
armazenadas de forma mais adequada e estruturada. Elas
irão compor ferramentas estatísticas, relatórios, mapas e
outros documentos, a fim de subsidiar decisões e políticas
públicas nos âmbitos estadual e nacional, de forma a
ampliar as ações da Secretaria da Segurança Pública,
oferecendo mais proteção às vítimas.
A digitalização do formulário auxiliará os policiais na
coleta e na análise de dados gerados durante o registro de
ocorrências. Compreender melhor os crimes relacionados
à Lei Maria da Penha permite identificar fatores de risco,
bem como apontar sua gravidade.
Para a diretora da Divisão de Sistemas do DTIP e da
DOL, o Fonar é um avanço estratégico na proteção de
mulheres no Brasil. A Polícia Civil vem aprimorando suas
atividades com tecnologia e, agora, concretiza a aplicação
da IA ao seu principal sistema, auxiliando a prestação do
serviço policial, fortalecendo a utilização de instrumentos
que qualificam as políticas públicas relacionadas à
proteção às mulheres. "A ferramenta vem trazer mais
proteção, prevenção e cuidado com as mulheres. A vítima
responde ao formulário no seu tempo e, com o novo
sistema, a análise, a interpretação e a estruturação dos
dados podem facilltar o atendimento, além de agilizar o
encaminhamento ao judiciário. A digitalização e a análise
fortalecem ainda o compartilhamento de informações e a
atuação integrada das forças de segurança", disse.
O documento é parte da Política Judiciária Nacional
de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e das
políticas públicas implementadas pelo Conselho Nacional
do Ministério Público. Foi instituído em 2020 por uma
resolução que definiu a finalidade e as formas de aplicação
e destinação. É composto por questões objetivas e
subjetivas. Deve ser preferencialmente aplicado pela
Polícia Civil no registro da ocorrência ou, em sua
impossibilidade, pelo Ministério Público ou pelo Poder
Judiciário, por ocasião do primeiro atendimento à mulher
em situação de violência doméstica e familiar.
Apos a coleta dos dados, o formulário passa a
integrar inquéritos e procedimentos relacionados aos
crimes, subsidiando pedidos de Medidas Protetivas de
Urgência (MPU), medidas cautelares, bem como outros
encaminhamentos da rede de proteção para gestão
integrada dos riscos.
Adaptado de: https://estado.rs.gov.brlpolicia-civil-vai-usar-ferramenta-de-lntelígencia-a rtificial-em- reg istros-de-violencia-contra-a-mu lher-apartir-de-segunda-1 1.
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Ferramentas de inteligência artificial em registros de
violência contra a mulher
A Polícia Civil começou a adotar, em todas as
delegacias do Estado, um serviço de digitalização e análise
por inteligência artificial (lA) com base no Formulário
Nacional de Avaliação de Risco (Fonar). O recurso permite
identificar sinais de perigo no ambiente doméstico, avaliar
a gravidade das situações e auxiliar a atuação policial com
mais rapidez na prevenção de novas agressões às
mulheres. A ferramenta foi lançada pelo Departamento de
Tecnologia da Informação Policial (DTIP).
Atualmente o Fonar é preenchido quando a vítima
registra ocorrência em uma delegacia física ou na Delegacia
Online (DOL). Na Polícia Civil gaúcha, o Fonar está
disponível no módulo Ocorrência do Sistema de Polícia
Judiciária (SPJ) e na DOL. No atendimento presencial, o
Fonar pode ser completado pelo policial civil diretamente
no SPJ (forma já difundida), ou preenchido de forma híbrida
(documento impresso e sistema). Impresso, o formulário
será respondido pela vítima à caneta. Depois, será
escaneado e, caso necessário, será complementado com as
respostas dos policiais diretamente no SPJ, com apoio de
inteligência artificial. A ferramenta atuará como recurso
interpretativo das respostas no processo de digitalização.
Como resultado, todas as respostas geradas no
contexto de violência doméstica e familiar no Estado serão
armazenadas de forma mais adequada e estruturada. Elas
irão compor ferramentas estatísticas, relatórios, mapas e
outros documentos, a fim de subsidiar decisões e políticas
públicas nos âmbitos estadual e nacional, de forma a
ampliar as ações da Secretaria da Segurança Pública,
oferecendo mais proteção às vítimas.
A digitalização do formulário auxiliará os policiais na
coleta e na análise de dados gerados durante o registro de
ocorrências. Compreender melhor os crimes relacionados
à Lei Maria da Penha permite identificar fatores de risco,
bem como apontar sua gravidade.
Para a diretora da Divisão de Sistemas do DTIP e da
DOL, o Fonar é um avanço estratégico na proteção de
mulheres no Brasil. A Polícia Civil vem aprimorando suas
atividades com tecnologia e, agora, concretiza a aplicação
da IA ao seu principal sistema, auxiliando a prestação do
serviço policial, fortalecendo a utilização de instrumentos
que qualificam as políticas públicas relacionadas à
proteção às mulheres. "A ferramenta vem trazer mais
proteção, prevenção e cuidado com as mulheres. A vítima
responde ao formulário no seu tempo e, com o novo
sistema, a análise, a interpretação e a estruturação dos
dados podem facilltar o atendimento, além de agilizar o
encaminhamento ao judiciário. A digitalização e a análise
fortalecem ainda o compartilhamento de informações e a
atuação integrada das forças de segurança", disse.
O documento é parte da Política Judiciária Nacional
de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e das
políticas públicas implementadas pelo Conselho Nacional
do Ministério Público. Foi instituído em 2020 por uma
resolução que definiu a finalidade e as formas de aplicação
e destinação. É composto por questões objetivas e
subjetivas. Deve ser preferencialmente aplicado pela
Polícia Civil no registro da ocorrência ou, em sua
impossibilidade, pelo Ministério Público ou pelo Poder
Judiciário, por ocasião do primeiro atendimento à mulher
em situação de violência doméstica e familiar.
Apos a coleta dos dados, o formulário passa a
integrar inquéritos e procedimentos relacionados aos
crimes, subsidiando pedidos de Medidas Protetivas de
Urgência (MPU), medidas cautelares, bem como outros
encaminhamentos da rede de proteção para gestão
integrada dos riscos.
Adaptado de: https://estado.rs.gov.brlpolicia-civil-vai-usar-ferramenta-de-lntelígencia-a rtificial-em- reg istros-de-violencia-contra-a-mu lher-apartir-de-segunda-1 1.
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No debate sobre educação, cidadania e políticas públicas, a
escola deixa de ser vista apenas como espaço de transmissão
quando assume função pública mais ampla.
Assinale a alternativa correta.
Assinale a alternativa correta.
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No Programa Estadual de Saúde Ocupacional do Servidor
Público, a noção de público-alvo e o próprio sentido do
programa afastam uma leitura restrita à perícia ou ao
afastamento funcional. O programa:
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A universidade do WhatsApp e seus doutores honorários
Há instituições que levam séculos para consolidar
prestígio. Erguem bibliotecas, formam quadros, publicam
pesquisas, sustentam debates, revisam conclusões, aceitam
objeções e, com algum pudor, chamam de conhecimento
aquilo que sobrevive ao teste do tempo, da crítica e da
evidência. Já a universidade do WhatsApp resolveu encurtar
caminho. Seu campus cabe no bolso, seu vestibular consiste
em entrar num grupo e sua titulação é concedida em ritmo
admiravelmente generoso: basta encaminhar com convicção.
10. Ali, ninguém perde tempo com metodologia, bibliografia
ou dúvida honesta. A dúvida, naquela república de certezas
instantâneas, é vista quase como um desvio de caráter. O
verdadeiro aluno aplicado não pergunta “de onde veio isso?”,
mas “para quantas pessoas posso mandar antes do almoço?”.
E o verdadeiro mestre não se distingue pela consistência do
argumento, e sim pelo tom do áudio. Se fala pausado, com voz
grave e indignação calculada, já adquire a autoridade de um
catedrático. Se acrescenta a expressão “isso a mídia não
mostra”, alcança, sem concurso público, a condição de doutor
honorário.
21. Trata-se de uma instituição notável. Seu corpo docente é
formado por especialistas em tudo, desde vacinas até
geopolítica, passando por dieta, educação infantil, código
penal, mercado financeiro e escatologia de fim de semana. O
curioso é que essa erudição enciclopédica não nasce de anos
de estudo, mas de um fenômeno mais moderno e mais
econômico: a familiaridade. O sujeito ouviu três vídeos,
recebeu quatro artes com letras garrafais e, de repente, não
apenas possui opinião formada, como também passa a
considerar suspeita qualquer pessoa que tenha lido além da
conta.
32. Na universidade do WhatsApp, a velocidade substituiu a
verificação. Uma informação já não precisa ser sólida, basta
ser urgente. Se vier acompanhada de caixa alta, trilha de
alarme moral e uma promessa de segredo revelado, ganha
imediatamente o estatuto de tese. O que antes exigia fonte,
contexto e comparação agora se resolve com uma frase curta,
preferencialmente apocalíptica, seguida daquela chantagem
afetiva tão eficiente quanto intelectualmente desastrosa:
“repasse antes que apaguem”. O medo faz o serviço que a
razão recusaria fazer.
42. O mais intrigante, porém, não é a existência da
desinformação. Isso seria até banal. O mais intrigante é o
prestígio emocional que ela adquire. A mensagem falsa
raramente chega sozinha. Ela vem embrulhada em
pertencimento. Compartilhar certos conteúdos virou, para
muita gente, uma forma de identidade. Não se encaminha
apenas uma notícia duvidosa. Encaminha-se um modo de
estar no mundo, uma senha de grupo, uma medalha invisível
de quem acredita ter percebido o que os outros, pobres
mortais, ainda não viram. A vaidade, quando encontra
conexão estável e baixa autocrítica, torna-se uma plataforma
de transmissão.
54. Nesse ambiente, o conhecimento perde uma de suas
virtudes mais nobres: a humildade. O pesquisador sério sabe
que saber custa caro. Exige tempo, revisão, recuo, correção,
desapego à própria primeira impressão. Já o doutor honorário
do aplicativo opera segundo outra pedagogia: a da certeza
sem lastro. Ele não investiga para compreender. Conclui para
se sentir superior. E, uma vez instalado nesse pequeno trono
de convicções recicladas, passa a tratar o incômodo dos fatos
como se fosse perseguição.
63. O problema é que a mentira em escala industrial não
produz apenas equívocos. Produz consequências. Ela
desorganiza decisões, corrói a confiança pública, ridiculariza a
prudência e recompensa a performance da certeza. Aos
poucos, cria-se uma cultura em que estudar parece arrogância
e checar parece fraqueza. A ignorância, desde que
pronunciada com segurança, ganha aplauso de auditório.
70. Talvez por isso a lição mais urgente do nosso tempo seja
também uma das mais antigas: informação não vira verdade
por circular depressa, nem opinião ganha valor porque veio
acompanhada de intimidade digital. O primeiro sinal de
inteligência continua sendo a disposição de examinar,
comparar e, se necessário, dizer uma frase hoje quase
revolucionária: “não sei ainda”. Porque o antídoto contra a
universidade do WhatsApp não é decorar mais slogans. É
reaprender a difícil elegância de pensar antes de encaminhar.
Fonte: Banca Elaboradora
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A universidade do WhatsApp e seus doutores honorários
Há instituições que levam séculos para consolidar
prestígio. Erguem bibliotecas, formam quadros, publicam
pesquisas, sustentam debates, revisam conclusões, aceitam
objeções e, com algum pudor, chamam de conhecimento
aquilo que sobrevive ao teste do tempo, da crítica e da
evidência. Já a universidade do WhatsApp resolveu encurtar
caminho. Seu campus cabe no bolso, seu vestibular consiste
em entrar num grupo e sua titulação é concedida em ritmo
admiravelmente generoso: basta encaminhar com convicção.
10. Ali, ninguém perde tempo com metodologia, bibliografia
ou dúvida honesta. A dúvida, naquela república de certezas
instantâneas, é vista quase como um desvio de caráter. O
verdadeiro aluno aplicado não pergunta “de onde veio isso?”,
mas “para quantas pessoas posso mandar antes do almoço?”.
E o verdadeiro mestre não se distingue pela consistência do
argumento, e sim pelo tom do áudio. Se fala pausado, com voz
grave e indignação calculada, já adquire a autoridade de um
catedrático. Se acrescenta a expressão “isso a mídia não
mostra”, alcança, sem concurso público, a condição de doutor
honorário.
21. Trata-se de uma instituição notável. Seu corpo docente é
formado por especialistas em tudo, desde vacinas até
geopolítica, passando por dieta, educação infantil, código
penal, mercado financeiro e escatologia de fim de semana. O
curioso é que essa erudição enciclopédica não nasce de anos
de estudo, mas de um fenômeno mais moderno e mais
econômico: a familiaridade. O sujeito ouviu três vídeos,
recebeu quatro artes com letras garrafais e, de repente, não
apenas possui opinião formada, como também passa a
considerar suspeita qualquer pessoa que tenha lido além da
conta.
32. Na universidade do WhatsApp, a velocidade substituiu a
verificação. Uma informação já não precisa ser sólida, basta
ser urgente. Se vier acompanhada de caixa alta, trilha de
alarme moral e uma promessa de segredo revelado, ganha
imediatamente o estatuto de tese. O que antes exigia fonte,
contexto e comparação agora se resolve com uma frase curta,
preferencialmente apocalíptica, seguida daquela chantagem
afetiva tão eficiente quanto intelectualmente desastrosa:
“repasse antes que apaguem”. O medo faz o serviço que a
razão recusaria fazer.
42. O mais intrigante, porém, não é a existência da
desinformação. Isso seria até banal. O mais intrigante é o
prestígio emocional que ela adquire. A mensagem falsa
raramente chega sozinha. Ela vem embrulhada em
pertencimento. Compartilhar certos conteúdos virou, para
muita gente, uma forma de identidade. Não se encaminha
apenas uma notícia duvidosa. Encaminha-se um modo de
estar no mundo, uma senha de grupo, uma medalha invisível
de quem acredita ter percebido o que os outros, pobres
mortais, ainda não viram. A vaidade, quando encontra
conexão estável e baixa autocrítica, torna-se uma plataforma
de transmissão.
54. Nesse ambiente, o conhecimento perde uma de suas
virtudes mais nobres: a humildade. O pesquisador sério sabe
que saber custa caro. Exige tempo, revisão, recuo, correção,
desapego à própria primeira impressão. Já o doutor honorário
do aplicativo opera segundo outra pedagogia: a da certeza
sem lastro. Ele não investiga para compreender. Conclui para
se sentir superior. E, uma vez instalado nesse pequeno trono
de convicções recicladas, passa a tratar o incômodo dos fatos
como se fosse perseguição.
63. O problema é que a mentira em escala industrial não
produz apenas equívocos. Produz consequências. Ela
desorganiza decisões, corrói a confiança pública, ridiculariza a
prudência e recompensa a performance da certeza. Aos
poucos, cria-se uma cultura em que estudar parece arrogância
e checar parece fraqueza. A ignorância, desde que
pronunciada com segurança, ganha aplauso de auditório.
70. Talvez por isso a lição mais urgente do nosso tempo seja
também uma das mais antigas: informação não vira verdade
por circular depressa, nem opinião ganha valor porque veio
acompanhada de intimidade digital. O primeiro sinal de
inteligência continua sendo a disposição de examinar,
comparar e, se necessário, dizer uma frase hoje quase
revolucionária: “não sei ainda”. Porque o antídoto contra a
universidade do WhatsApp não é decorar mais slogans. É
reaprender a difícil elegância de pensar antes de encaminhar.
Fonte: Banca Elaboradora
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Reduzida
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
A universidade do WhatsApp e seus doutores honorários
Há instituições que levam séculos para consolidar
prestígio. Erguem bibliotecas, formam quadros, publicam
pesquisas, sustentam debates, revisam conclusões, aceitam
objeções e, com algum pudor, chamam de conhecimento
aquilo que sobrevive ao teste do tempo, da crítica e da
evidência. Já a universidade do WhatsApp resolveu encurtar
caminho. Seu campus cabe no bolso, seu vestibular consiste
em entrar num grupo e sua titulação é concedida em ritmo
admiravelmente generoso: basta encaminhar com convicção.
10. Ali, ninguém perde tempo com metodologia, bibliografia
ou dúvida honesta. A dúvida, naquela república de certezas
instantâneas, é vista quase como um desvio de caráter. O
verdadeiro aluno aplicado não pergunta “de onde veio isso?”,
mas “para quantas pessoas posso mandar antes do almoço?”.
E o verdadeiro mestre não se distingue pela consistência do
argumento, e sim pelo tom do áudio. Se fala pausado, com voz
grave e indignação calculada, já adquire a autoridade de um
catedrático. Se acrescenta a expressão “isso a mídia não
mostra”, alcança, sem concurso público, a condição de doutor
honorário.
21. Trata-se de uma instituição notável. Seu corpo docente é
formado por especialistas em tudo, desde vacinas até
geopolítica, passando por dieta, educação infantil, código
penal, mercado financeiro e escatologia de fim de semana. O
curioso é que essa erudição enciclopédica não nasce de anos
de estudo, mas de um fenômeno mais moderno e mais
econômico: a familiaridade. O sujeito ouviu três vídeos,
recebeu quatro artes com letras garrafais e, de repente, não
apenas possui opinião formada, como também passa a
considerar suspeita qualquer pessoa que tenha lido além da
conta.
32. Na universidade do WhatsApp, a velocidade substituiu a
verificação. Uma informação já não precisa ser sólida, basta
ser urgente. Se vier acompanhada de caixa alta, trilha de
alarme moral e uma promessa de segredo revelado, ganha
imediatamente o estatuto de tese. O que antes exigia fonte,
contexto e comparação agora se resolve com uma frase curta,
preferencialmente apocalíptica, seguida daquela chantagem
afetiva tão eficiente quanto intelectualmente desastrosa:
“repasse antes que apaguem”. O medo faz o serviço que a
razão recusaria fazer.
42. O mais intrigante, porém, não é a existência da
desinformação. Isso seria até banal. O mais intrigante é o
prestígio emocional que ela adquire. A mensagem falsa
raramente chega sozinha. Ela vem embrulhada em
pertencimento. Compartilhar certos conteúdos virou, para
muita gente, uma forma de identidade. Não se encaminha
apenas uma notícia duvidosa. Encaminha-se um modo de
estar no mundo, uma senha de grupo, uma medalha invisível
de quem acredita ter percebido o que os outros, pobres
mortais, ainda não viram. A vaidade, quando encontra
conexão estável e baixa autocrítica, torna-se uma plataforma
de transmissão.
54. Nesse ambiente, o conhecimento perde uma de suas
virtudes mais nobres: a humildade. O pesquisador sério sabe
que saber custa caro. Exige tempo, revisão, recuo, correção,
desapego à própria primeira impressão. Já o doutor honorário
do aplicativo opera segundo outra pedagogia: a da certeza
sem lastro. Ele não investiga para compreender. Conclui para
se sentir superior. E, uma vez instalado nesse pequeno trono
de convicções recicladas, passa a tratar o incômodo dos fatos
como se fosse perseguição.
63. O problema é que a mentira em escala industrial não
produz apenas equívocos. Produz consequências. Ela
desorganiza decisões, corrói a confiança pública, ridiculariza a
prudência e recompensa a performance da certeza. Aos
poucos, cria-se uma cultura em que estudar parece arrogância
e checar parece fraqueza. A ignorância, desde que
pronunciada com segurança, ganha aplauso de auditório.
70. Talvez por isso a lição mais urgente do nosso tempo seja
também uma das mais antigas: informação não vira verdade
por circular depressa, nem opinião ganha valor porque veio
acompanhada de intimidade digital. O primeiro sinal de
inteligência continua sendo a disposição de examinar,
comparar e, se necessário, dizer uma frase hoje quase
revolucionária: “não sei ainda”. Porque o antídoto contra a
universidade do WhatsApp não é decorar mais slogans. É
reaprender a difícil elegância de pensar antes de encaminhar.
Fonte: Banca Elaboradora
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A universidade do WhatsApp e seus doutores honorários
Há instituições que levam séculos para consolidar
prestígio. Erguem bibliotecas, formam quadros, publicam
pesquisas, sustentam debates, revisam conclusões, aceitam
objeções e, com algum pudor, chamam de conhecimento
aquilo que sobrevive ao teste do tempo, da crítica e da
evidência. Já a universidade do WhatsApp resolveu encurtar
caminho. Seu campus cabe no bolso, seu vestibular consiste
em entrar num grupo e sua titulação é concedida em ritmo
admiravelmente generoso: basta encaminhar com convicção.
10. Ali, ninguém perde tempo com metodologia, bibliografia
ou dúvida honesta. A dúvida, naquela república de certezas
instantâneas, é vista quase como um desvio de caráter. O
verdadeiro aluno aplicado não pergunta “de onde veio isso?”,
mas “para quantas pessoas posso mandar antes do almoço?”.
E o verdadeiro mestre não se distingue pela consistência do
argumento, e sim pelo tom do áudio. Se fala pausado, com voz
grave e indignação calculada, já adquire a autoridade de um
catedrático. Se acrescenta a expressão “isso a mídia não
mostra”, alcança, sem concurso público, a condição de doutor
honorário.
21. Trata-se de uma instituição notável. Seu corpo docente é
formado por especialistas em tudo, desde vacinas até
geopolítica, passando por dieta, educação infantil, código
penal, mercado financeiro e escatologia de fim de semana. O
curioso é que essa erudição enciclopédica não nasce de anos
de estudo, mas de um fenômeno mais moderno e mais
econômico: a familiaridade. O sujeito ouviu três vídeos,
recebeu quatro artes com letras garrafais e, de repente, não
apenas possui opinião formada, como também passa a
considerar suspeita qualquer pessoa que tenha lido além da
conta.
32. Na universidade do WhatsApp, a velocidade substituiu a
verificação. Uma informação já não precisa ser sólida, basta
ser urgente. Se vier acompanhada de caixa alta, trilha de
alarme moral e uma promessa de segredo revelado, ganha
imediatamente o estatuto de tese. O que antes exigia fonte,
contexto e comparação agora se resolve com uma frase curta,
preferencialmente apocalíptica, seguida daquela chantagem
afetiva tão eficiente quanto intelectualmente desastrosa:
“repasse antes que apaguem”. O medo faz o serviço que a
razão recusaria fazer.
42. O mais intrigante, porém, não é a existência da
desinformação. Isso seria até banal. O mais intrigante é o
prestígio emocional que ela adquire. A mensagem falsa
raramente chega sozinha. Ela vem embrulhada em
pertencimento. Compartilhar certos conteúdos virou, para
muita gente, uma forma de identidade. Não se encaminha
apenas uma notícia duvidosa. Encaminha-se um modo de
estar no mundo, uma senha de grupo, uma medalha invisível
de quem acredita ter percebido o que os outros, pobres
mortais, ainda não viram. A vaidade, quando encontra
conexão estável e baixa autocrítica, torna-se uma plataforma
de transmissão.
54. Nesse ambiente, o conhecimento perde uma de suas
virtudes mais nobres: a humildade. O pesquisador sério sabe
que saber custa caro. Exige tempo, revisão, recuo, correção,
desapego à própria primeira impressão. Já o doutor honorário
do aplicativo opera segundo outra pedagogia: a da certeza
sem lastro. Ele não investiga para compreender. Conclui para
se sentir superior. E, uma vez instalado nesse pequeno trono
de convicções recicladas, passa a tratar o incômodo dos fatos
como se fosse perseguição.
63. O problema é que a mentira em escala industrial não
produz apenas equívocos. Produz consequências. Ela
desorganiza decisões, corrói a confiança pública, ridiculariza a
prudência e recompensa a performance da certeza. Aos
poucos, cria-se uma cultura em que estudar parece arrogância
e checar parece fraqueza. A ignorância, desde que
pronunciada com segurança, ganha aplauso de auditório.
70. Talvez por isso a lição mais urgente do nosso tempo seja
também uma das mais antigas: informação não vira verdade
por circular depressa, nem opinião ganha valor porque veio
acompanhada de intimidade digital. O primeiro sinal de
inteligência continua sendo a disposição de examinar,
comparar e, se necessário, dizer uma frase hoje quase
revolucionária: “não sei ainda”. Porque o antídoto contra a
universidade do WhatsApp não é decorar mais slogans. É
reaprender a difícil elegância de pensar antes de encaminhar.
Fonte: Banca Elaboradora
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A universidade do WhatsApp e seus doutores honorários
Há instituições que levam séculos para consolidar
prestígio. Erguem bibliotecas, formam quadros, publicam
pesquisas, sustentam debates, revisam conclusões, aceitam
objeções e, com algum pudor, chamam de conhecimento
aquilo que sobrevive ao teste do tempo, da crítica e da
evidência. Já a universidade do WhatsApp resolveu encurtar
caminho. Seu campus cabe no bolso, seu vestibular consiste
em entrar num grupo e sua titulação é concedida em ritmo
admiravelmente generoso: basta encaminhar com convicção.
10. Ali, ninguém perde tempo com metodologia, bibliografia
ou dúvida honesta. A dúvida, naquela república de certezas
instantâneas, é vista quase como um desvio de caráter. O
verdadeiro aluno aplicado não pergunta “de onde veio isso?”,
mas “para quantas pessoas posso mandar antes do almoço?”.
E o verdadeiro mestre não se distingue pela consistência do
argumento, e sim pelo tom do áudio. Se fala pausado, com voz
grave e indignação calculada, já adquire a autoridade de um
catedrático. Se acrescenta a expressão “isso a mídia não
mostra”, alcança, sem concurso público, a condição de doutor
honorário.
21. Trata-se de uma instituição notável. Seu corpo docente é
formado por especialistas em tudo, desde vacinas até
geopolítica, passando por dieta, educação infantil, código
penal, mercado financeiro e escatologia de fim de semana. O
curioso é que essa erudição enciclopédica não nasce de anos
de estudo, mas de um fenômeno mais moderno e mais
econômico: a familiaridade. O sujeito ouviu três vídeos,
recebeu quatro artes com letras garrafais e, de repente, não
apenas possui opinião formada, como também passa a
considerar suspeita qualquer pessoa que tenha lido além da
conta.
32. Na universidade do WhatsApp, a velocidade substituiu a
verificação. Uma informação já não precisa ser sólida, basta
ser urgente. Se vier acompanhada de caixa alta, trilha de
alarme moral e uma promessa de segredo revelado, ganha
imediatamente o estatuto de tese. O que antes exigia fonte,
contexto e comparação agora se resolve com uma frase curta,
preferencialmente apocalíptica, seguida daquela chantagem
afetiva tão eficiente quanto intelectualmente desastrosa:
“repasse antes que apaguem”. O medo faz o serviço que a
razão recusaria fazer.
42. O mais intrigante, porém, não é a existência da
desinformação. Isso seria até banal. O mais intrigante é o
prestígio emocional que ela adquire. A mensagem falsa
raramente chega sozinha. Ela vem embrulhada em
pertencimento. Compartilhar certos conteúdos virou, para
muita gente, uma forma de identidade. Não se encaminha
apenas uma notícia duvidosa. Encaminha-se um modo de
estar no mundo, uma senha de grupo, uma medalha invisível
de quem acredita ter percebido o que os outros, pobres
mortais, ainda não viram. A vaidade, quando encontra
conexão estável e baixa autocrítica, torna-se uma plataforma
de transmissão.
54. Nesse ambiente, o conhecimento perde uma de suas
virtudes mais nobres: a humildade. O pesquisador sério sabe
que saber custa caro. Exige tempo, revisão, recuo, correção,
desapego à própria primeira impressão. Já o doutor honorário
do aplicativo opera segundo outra pedagogia: a da certeza
sem lastro. Ele não investiga para compreender. Conclui para
se sentir superior. E, uma vez instalado nesse pequeno trono
de convicções recicladas, passa a tratar o incômodo dos fatos
como se fosse perseguição.
63. O problema é que a mentira em escala industrial não
produz apenas equívocos. Produz consequências. Ela
desorganiza decisões, corrói a confiança pública, ridiculariza a
prudência e recompensa a performance da certeza. Aos
poucos, cria-se uma cultura em que estudar parece arrogância
e checar parece fraqueza. A ignorância, desde que
pronunciada com segurança, ganha aplauso de auditório.
70. Talvez por isso a lição mais urgente do nosso tempo seja
também uma das mais antigas: informação não vira verdade
por circular depressa, nem opinião ganha valor porque veio
acompanhada de intimidade digital. O primeiro sinal de
inteligência continua sendo a disposição de examinar,
comparar e, se necessário, dizer uma frase hoje quase
revolucionária: “não sei ainda”. Porque o antídoto contra a
universidade do WhatsApp não é decorar mais slogans. É
reaprender a difícil elegância de pensar antes de encaminhar.
Fonte: Banca Elaboradora
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