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PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE
Os agentes públicos, ante a aplicação ____ teoria
do órgão (ou da imputação volitiva), atuam represen-
tando a Administração Pública, vale dizer, a vontade do
agente público se confunde com a do Estado, poder-
dever conferido ____ ele pelo ordenamento jurídico.
Não se trata, portanto, de uma relação de mandato,
haja vista a impossibilidade de o Estado manifestar sua
vontade senão pela atuação do próprio agente público.
Não se trata, de igual modo, de uma relação de repre-
sentação, uma vez que o Estado é sujeito de direito, ou
seja, pessoa jurídica de direito público interno, dotada
de personalidade jurídica, capaz de responder ____
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, nos termos do art. 37, § 6o, da Constituição
Federal de 1988.
Se o agente público presenta a Administração
Pública, é evidente que sua atuação deve estar alinhada
com o princípio fundamental republicano (art. 1o da
Constituição Federal de 1988), no qual a Administração
Pública deve servir à sociedade, em detrimento de uma
Administração Patrimonial, em que os cargos públicos
são tidos como “propriedade” do soberano, e, conse-
quentemente, os agentes públicos agem para garantir
a proteção e os interesses desse soberano e dos seus
“apadrinhados”, e não o interesse público.
Servir à res publica, assim, significa atuar de modo
impessoal, sem preferências, favoritismos, corporati-
vismos, mas também sem perseguições, sectarismos,
acossamentos.
A expressão “imparcialidade” representa o antônimo
da expressão “parcialidade”. Ser parcial significa possuir
um interesse específico, logo, quem é parcial, natural-
mente terá a tendência a proteger o seu interesse. O
próprio conceito de “parte”, para fins processuais,
indica se tratar de um sujeito parcial, uma vez que
possui interesse específico que a decisão lhe seja favo-
rável.
O agente público, principalmente aquele dotado de
poder de decisão, não pode agir visando a proteger seus
interesses pessoais ou mesmo dos administrados; ao
revés, deve estar interessado, apenas, em aplicar o
ordenamento jurídico e prestar um bom serviço público.
É importante destacar que a imparcialidade não se
confunde com a neutralidade. Ser neutro significa
distanciar-se absolutamente do objeto de análise,
evitando levar em consideração as experiências de
vida, as memórias, ____ é uma utopia.
Adaptado de: PAULA, E. L. N. de. Reforma Administrativa: novos princípios da Administração Pública. Revista do TCU, n. 146, 2020, p. 38-40. Disponível em: https://revista.tcu.gov.br/ojs/index.php/RTCU/issue/view/91. Acesso em: 07 jul. 2026.
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PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE
Os agentes públicos, ante a aplicação ____ teoria
do órgão (ou da imputação volitiva), atuam represen-
tando a Administração Pública, vale dizer, a vontade do
agente público se confunde com a do Estado, poder-
dever conferido ____ ele pelo ordenamento jurídico.
Não se trata, portanto, de uma relação de mandato,
haja vista a impossibilidade de o Estado manifestar sua
vontade senão pela atuação do próprio agente público.
Não se trata, de igual modo, de uma relação de repre-
sentação, uma vez que o Estado é sujeito de direito, ou
seja, pessoa jurídica de direito público interno, dotada
de personalidade jurídica, capaz de responder ____
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, nos termos do art. 37, § 6o, da Constituição
Federal de 1988.
Se o agente público presenta a Administração
Pública, é evidente que sua atuação deve estar alinhada
com o princípio fundamental republicano (art. 1o da
Constituição Federal de 1988), no qual a Administração
Pública deve servir à sociedade, em detrimento de uma
Administração Patrimonial, em que os cargos públicos
são tidos como “propriedade” do soberano, e, conse-
quentemente, os agentes públicos agem para garantir
a proteção e os interesses desse soberano e dos seus
“apadrinhados”, e não o interesse público.
Servir à res publica, assim, significa atuar de modo
impessoal, sem preferências, favoritismos, corporati-
vismos, mas também sem perseguições, sectarismos,
acossamentos.
A expressão “imparcialidade” representa o antônimo
da expressão “parcialidade”. Ser parcial significa possuir
um interesse específico, logo, quem é parcial, natural-
mente terá a tendência a proteger o seu interesse. O
próprio conceito de “parte”, para fins processuais,
indica se tratar de um sujeito parcial, uma vez que
possui interesse específico que a decisão lhe seja favo-
rável.
O agente público, principalmente aquele dotado de
poder de decisão, não pode agir visando a proteger seus
interesses pessoais ou mesmo dos administrados; ao
revés, deve estar interessado, apenas, em aplicar o
ordenamento jurídico e prestar um bom serviço público.
É importante destacar que a imparcialidade não se
confunde com a neutralidade. Ser neutro significa
distanciar-se absolutamente do objeto de análise,
evitando levar em consideração as experiências de
vida, as memórias, ____ é uma utopia.
Adaptado de: PAULA, E. L. N. de. Reforma Administrativa: novos princípios da Administração Pública. Revista do TCU, n. 146, 2020, p. 38-40. Disponível em: https://revista.tcu.gov.br/ojs/index.php/RTCU/issue/view/91. Acesso em: 07 jul. 2026.
Associe corretamente o bloco inferior ao superior.
( ) poder-dever (l. 04-05)
( ) imparcialidade (l. 30)
( ) ordenamento (l. 42)
( ) absolutamente (l. 45)
(1) Constituída por composição por justaposição, sem alteração significativa dos elementos formadores.
(2) Constituída por prefixo com sentido de negação e por sufixo formador de substantivo abstrato a partir de adjetivo.
(3) Constituída por sufixo formador de substantivo a partir de verbo.
(4) Constituída por sufixo formador de advérbio a partir de adjetivo.
(5) Constituída por composição por aglutinação, com alteração fonética de um dos elementos formadores.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
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PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE
Os agentes públicos, ante a aplicação ____ teoria
do órgão (ou da imputação volitiva), atuam represen-
tando a Administração Pública, vale dizer, a vontade do
agente público se confunde com a do Estado, poder-
dever conferido ____ ele pelo ordenamento jurídico.
Não se trata, portanto, de uma relação de mandato,
haja vista a impossibilidade de o Estado manifestar sua
vontade senão pela atuação do próprio agente público.
Não se trata, de igual modo, de uma relação de repre-
sentação, uma vez que o Estado é sujeito de direito, ou
seja, pessoa jurídica de direito público interno, dotada
de personalidade jurídica, capaz de responder ____
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, nos termos do art. 37, § 6o, da Constituição
Federal de 1988.
Se o agente público presenta a Administração
Pública, é evidente que sua atuação deve estar alinhada
com o princípio fundamental republicano (art. 1o da
Constituição Federal de 1988), no qual a Administração
Pública deve servir à sociedade, em detrimento de uma
Administração Patrimonial, em que os cargos públicos
são tidos como “propriedade” do soberano, e, conse-
quentemente, os agentes públicos agem para garantir
a proteção e os interesses desse soberano e dos seus
“apadrinhados”, e não o interesse público.
Servir à res publica, assim, significa atuar de modo
impessoal, sem preferências, favoritismos, corporati-
vismos, mas também sem perseguições, sectarismos,
acossamentos.
A expressão “imparcialidade” representa o antônimo
da expressão “parcialidade”. Ser parcial significa possuir
um interesse específico, logo, quem é parcial, natural-
mente terá a tendência a proteger o seu interesse. O
próprio conceito de “parte”, para fins processuais,
indica se tratar de um sujeito parcial, uma vez que
possui interesse específico que a decisão lhe seja favo-
rável.
O agente público, principalmente aquele dotado de
poder de decisão, não pode agir visando a proteger seus
interesses pessoais ou mesmo dos administrados; ao
revés, deve estar interessado, apenas, em aplicar o
ordenamento jurídico e prestar um bom serviço público.
É importante destacar que a imparcialidade não se
confunde com a neutralidade. Ser neutro significa
distanciar-se absolutamente do objeto de análise,
evitando levar em consideração as experiências de
vida, as memórias, ____ é uma utopia.
Adaptado de: PAULA, E. L. N. de. Reforma Administrativa: novos princípios da Administração Pública. Revista do TCU, n. 146, 2020, p. 38-40. Disponível em: https://revista.tcu.gov.br/ojs/index.php/RTCU/issue/view/91. Acesso em: 07 jul. 2026.
I - Os verbos atuam (l. 02) e se confunde (l. 04), empregados no primeiro parágrafo, estão conjugados no presente do indicativo.
II - As formas verbais causarem (l. 13) e seja (l. 36) estão conjugadas no mesmo tempo e modo verbal.
III - A forma verbal terá (l. 33) está conjugada no futuro do presente do indicativo.
Quais estão corretas?
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PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE
Os agentes públicos, ante a aplicação ____ teoria
do órgão (ou da imputação volitiva), atuam represen-
tando a Administração Pública, vale dizer, a vontade do
agente público se confunde com a do Estado, poder-
dever conferido ____ ele pelo ordenamento jurídico.
Não se trata, portanto, de uma relação de mandato,
haja vista a impossibilidade de o Estado manifestar sua
vontade senão pela atuação do próprio agente público.
Não se trata, de igual modo, de uma relação de repre-
sentação, uma vez que o Estado é sujeito de direito, ou
seja, pessoa jurídica de direito público interno, dotada
de personalidade jurídica, capaz de responder ____
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, nos termos do art. 37, § 6o, da Constituição
Federal de 1988.
Se o agente público presenta a Administração
Pública, é evidente que sua atuação deve estar alinhada
com o princípio fundamental republicano (art. 1o da
Constituição Federal de 1988), no qual a Administração
Pública deve servir à sociedade, em detrimento de uma
Administração Patrimonial, em que os cargos públicos
são tidos como “propriedade” do soberano, e, conse-
quentemente, os agentes públicos agem para garantir
a proteção e os interesses desse soberano e dos seus
“apadrinhados”, e não o interesse público.
Servir à res publica, assim, significa atuar de modo
impessoal, sem preferências, favoritismos, corporati-
vismos, mas também sem perseguições, sectarismos,
acossamentos.
A expressão “imparcialidade” representa o antônimo
da expressão “parcialidade”. Ser parcial significa possuir
um interesse específico, logo, quem é parcial, natural-
mente terá a tendência a proteger o seu interesse. O
próprio conceito de “parte”, para fins processuais,
indica se tratar de um sujeito parcial, uma vez que
possui interesse específico que a decisão lhe seja favo-
rável.
O agente público, principalmente aquele dotado de
poder de decisão, não pode agir visando a proteger seus
interesses pessoais ou mesmo dos administrados; ao
revés, deve estar interessado, apenas, em aplicar o
ordenamento jurídico e prestar um bom serviço público.
É importante destacar que a imparcialidade não se
confunde com a neutralidade. Ser neutro significa
distanciar-se absolutamente do objeto de análise,
evitando levar em consideração as experiências de
vida, as memórias, ____ é uma utopia.
Adaptado de: PAULA, E. L. N. de. Reforma Administrativa: novos princípios da Administração Pública. Revista do TCU, n. 146, 2020, p. 38-40. Disponível em: https://revista.tcu.gov.br/ojs/index.php/RTCU/issue/view/91. Acesso em: 07 jul. 2026.
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O homem de Neandertal tinha uma caixa craniana
maior do que __ nossa e, presumivelmente, um cérebro
mais desenvolvido. Mas não tinha uma linguagem.
Usava instrumentos de pedra, dominava o fogo, enter-
rava seus mortos e vivia em comunidades como as
nossas, talvez um pouco menos selvagens. Mas só se
comunicava com os outros com grunhidos e tapas no
ouvido. Pela aparência, estava mais bem preparado
para dominar o planeta do que nós. Além do crânio
enorme, tinha ombros maiores, mais músculos e ossos
mais fortes. Mas não falava, embora tivesse todo o
equipamento necessário.
Hoje, especula-se que era o cérebro que atrapalhava.
A gestação na mulher de Neandertal durava mais
tempo, o que significava que o cérebro já nascia pronto
e, em vez de ter a infância prolongada e protegida que
literalmente faz __ nossa cabeça, o guri de Neandertal
recebia seu tacape na saída do útero e já ia caçar.
Sabe-se que o embrião humano reproduz, no ventre,
toda a evolução da espécie, e tem um momento na
gestação em que nosso cérebro fica tão completo
quanto o do feto de Neandertal. Mas aí começa um
processo de depuração, de eliminação de células e
modificação de circuitos, que continua no período
pós-natal, e é esta adaptação que nos permite falar.
Ou seja, a linguagem é o produto de uma carência
programada do cérebro, o poder da fala uma compen-
sação pelos neurônios perdidos. O homem de Neandertal
era evoluído demais, tinha o cérebro tão acabado que
não precisava da linguagem, mas sem a linguagem foi
um fracasso social. Não durou nem oitenta mil anos, e
com aqueles ombros.
Foi a linguagem que permitiu ao modelo seguinte
dos pré-homens se organizar, conceitualizar e transmitir
informações – e mentir. Isto é, civilizar-se. Ou então –
se você prefere a tese de que a Natureza sabe o que
quer, e o próprio Darwin estava sendo usado como
despiste quando propôs que tudo era por acaso – o
objetivo da evolução era dar uma voz ao mundo. Dar
um nome __ coisas e uma retórica aos elementos,
que antes da linguagem rugiam de frustração com
a incapacidade da fala. Tudo na Natureza – os vulcões,
os vendavais, os terremotos e as bestas – seria uma
dificuldade de expressão.
Tentando e errando, tudo que a Natureza quer é
que falem por ela, que sejam o poeta que ela, por mais
que se esforce, não consegue ser. No fim é que será a
palavra. Nem que seja a palavra “Fim”.
Adaptado de: VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias da vida pública. 266 crônicas datadas. Porto Alegre: L&PM, 1995.
( ) A vírgula da linha 34 está sendo empregada para separar orações coordenadas.
( ) Os travessões das linhas 42 e 43 estão sendo empregados para inserir uma fala do narrador.
( ) A inserção de vírgula antes de “Fim” (l. 48) não incorre em erro nem em alteração de sentido.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
- SintaxeConectivos
- Interpretação de TextosCoesão e Coerência
O homem de Neandertal tinha uma caixa craniana
maior do que __ nossa e, presumivelmente, um cérebro
mais desenvolvido. Mas não tinha uma linguagem.
Usava instrumentos de pedra, dominava o fogo, enter-
rava seus mortos e vivia em comunidades como as
nossas, talvez um pouco menos selvagens. Mas só se
comunicava com os outros com grunhidos e tapas no
ouvido. Pela aparência, estava mais bem preparado
para dominar o planeta do que nós. Além do crânio
enorme, tinha ombros maiores, mais músculos e ossos
mais fortes. Mas não falava, embora tivesse todo o
equipamento necessário.
Hoje, especula-se que era o cérebro que atrapalhava.
A gestação na mulher de Neandertal durava mais
tempo, o que significava que o cérebro já nascia pronto
e, em vez de ter a infância prolongada e protegida que
literalmente faz __ nossa cabeça, o guri de Neandertal
recebia seu tacape na saída do útero e já ia caçar.
Sabe-se que o embrião humano reproduz, no ventre,
toda a evolução da espécie, e tem um momento na
gestação em que nosso cérebro fica tão completo
quanto o do feto de Neandertal. Mas aí começa um
processo de depuração, de eliminação de células e
modificação de circuitos, que continua no período
pós-natal, e é esta adaptação que nos permite falar.
Ou seja, a linguagem é o produto de uma carência
programada do cérebro, o poder da fala uma compen-
sação pelos neurônios perdidos. O homem de Neandertal
era evoluído demais, tinha o cérebro tão acabado que
não precisava da linguagem, mas sem a linguagem foi
um fracasso social. Não durou nem oitenta mil anos, e
com aqueles ombros.
Foi a linguagem que permitiu ao modelo seguinte
dos pré-homens se organizar, conceitualizar e transmitir
informações – e mentir. Isto é, civilizar-se. Ou então –
se você prefere a tese de que a Natureza sabe o que
quer, e o próprio Darwin estava sendo usado como
despiste quando propôs que tudo era por acaso – o
objetivo da evolução era dar uma voz ao mundo. Dar
um nome __ coisas e uma retórica aos elementos,
que antes da linguagem rugiam de frustração com
a incapacidade da fala. Tudo na Natureza – os vulcões,
os vendavais, os terremotos e as bestas – seria uma
dificuldade de expressão.
Tentando e errando, tudo que a Natureza quer é
que falem por ela, que sejam o poeta que ela, por mais
que se esforce, não consegue ser. No fim é que será a
palavra. Nem que seja a palavra “Fim”.
Adaptado de: VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias da vida pública. 266 crônicas datadas. Porto Alegre: L&PM, 1995.
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O homem de Neandertal tinha uma caixa craniana
maior do que __ nossa e, presumivelmente, um cérebro
mais desenvolvido. Mas não tinha uma linguagem.
Usava instrumentos de pedra, dominava o fogo, enter-
rava seus mortos e vivia em comunidades como as
nossas, talvez um pouco menos selvagens. Mas só se
comunicava com os outros com grunhidos e tapas no
ouvido. Pela aparência, estava mais bem preparado
para dominar o planeta do que nós. Além do crânio
enorme, tinha ombros maiores, mais músculos e ossos
mais fortes. Mas não falava, embora tivesse todo o
equipamento necessário.
Hoje, especula-se que era o cérebro que atrapalhava.
A gestação na mulher de Neandertal durava mais
tempo, o que significava que o cérebro já nascia pronto
e, em vez de ter a infância prolongada e protegida que
literalmente faz __ nossa cabeça, o guri de Neandertal
recebia seu tacape na saída do útero e já ia caçar.
Sabe-se que o embrião humano reproduz, no ventre,
toda a evolução da espécie, e tem um momento na
gestação em que nosso cérebro fica tão completo
quanto o do feto de Neandertal. Mas aí começa um
processo de depuração, de eliminação de células e
modificação de circuitos, que continua no período
pós-natal, e é esta adaptação que nos permite falar.
Ou seja, a linguagem é o produto de uma carência
programada do cérebro, o poder da fala uma compen-
sação pelos neurônios perdidos. O homem de Neandertal
era evoluído demais, tinha o cérebro tão acabado que
não precisava da linguagem, mas sem a linguagem foi
um fracasso social. Não durou nem oitenta mil anos, e
com aqueles ombros.
Foi a linguagem que permitiu ao modelo seguinte
dos pré-homens se organizar, conceitualizar e transmitir
informações – e mentir. Isto é, civilizar-se. Ou então –
se você prefere a tese de que a Natureza sabe o que
quer, e o próprio Darwin estava sendo usado como
despiste quando propôs que tudo era por acaso – o
objetivo da evolução era dar uma voz ao mundo. Dar
um nome __ coisas e uma retórica aos elementos,
que antes da linguagem rugiam de frustração com
a incapacidade da fala. Tudo na Natureza – os vulcões,
os vendavais, os terremotos e as bestas – seria uma
dificuldade de expressão.
Tentando e errando, tudo que a Natureza quer é
que falem por ela, que sejam o poeta que ela, por mais
que se esforce, não consegue ser. No fim é que será a
palavra. Nem que seja a palavra “Fim”.
Adaptado de: VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias da vida pública. 266 crônicas datadas. Porto Alegre: L&PM, 1995.
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O homem de Neandertal tinha uma caixa craniana
maior do que __ nossa e, presumivelmente, um cérebro
mais desenvolvido. Mas não tinha uma linguagem.
Usava instrumentos de pedra, dominava o fogo, enter-
rava seus mortos e vivia em comunidades como as
nossas, talvez um pouco menos selvagens. Mas só se
comunicava com os outros com grunhidos e tapas no
ouvido. Pela aparência, estava mais bem preparado
para dominar o planeta do que nós. Além do crânio
enorme, tinha ombros maiores, mais músculos e ossos
mais fortes. Mas não falava, embora tivesse todo o
equipamento necessário.
Hoje, especula-se que era o cérebro que atrapalhava.
A gestação na mulher de Neandertal durava mais
tempo, o que significava que o cérebro já nascia pronto
e, em vez de ter a infância prolongada e protegida que
literalmente faz __ nossa cabeça, o guri de Neandertal
recebia seu tacape na saída do útero e já ia caçar.
Sabe-se que o embrião humano reproduz, no ventre,
toda a evolução da espécie, e tem um momento na
gestação em que nosso cérebro fica tão completo
quanto o do feto de Neandertal. Mas aí começa um
processo de depuração, de eliminação de células e
modificação de circuitos, que continua no período
pós-natal, e é esta adaptação que nos permite falar.
Ou seja, a linguagem é o produto de uma carência
programada do cérebro, o poder da fala uma compen-
sação pelos neurônios perdidos. O homem de Neandertal
era evoluído demais, tinha o cérebro tão acabado que
não precisava da linguagem, mas sem a linguagem foi
um fracasso social. Não durou nem oitenta mil anos, e
com aqueles ombros.
Foi a linguagem que permitiu ao modelo seguinte
dos pré-homens se organizar, conceitualizar e transmitir
informações – e mentir. Isto é, civilizar-se. Ou então –
se você prefere a tese de que a Natureza sabe o que
quer, e o próprio Darwin estava sendo usado como
despiste quando propôs que tudo era por acaso – o
objetivo da evolução era dar uma voz ao mundo. Dar
um nome __ coisas e uma retórica aos elementos,
que antes da linguagem rugiam de frustração com
a incapacidade da fala. Tudo na Natureza – os vulcões,
os vendavais, os terremotos e as bestas – seria uma
dificuldade de expressão.
Tentando e errando, tudo que a Natureza quer é
que falem por ela, que sejam o poeta que ela, por mais
que se esforce, não consegue ser. No fim é que será a
palavra. Nem que seja a palavra “Fim”.
Adaptado de: VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias da vida pública. 266 crônicas datadas. Porto Alegre: L&PM, 1995.
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