TEXTO 01
Saúde mental: especialistas alertam
para a perigosa ‘epidemia de diagnósticos’
Ao longo de boa parte do século XX, recaía sobre
o sofrimento psíquico alta dose de desconhecimento e
preconceito, e o tormento era logo alojado no escaninho
da inadequação social, da fraqueza e até do desvio moral.
Quem deixasse entrever uma instabilidade emocional mais
profunda não raro se via afastado da vida em sociedade e
acabava internado num hospital.( ) A ciência então evoluiu, encontrando formas eficazes de duelar contra os males da mente, que ganharam nomenclaturas hoje tão difundidas – depressão, ansiedade e outros tantos transtornos.
( ) Os especialistas têm observado um efeito colateral: o diagnóstico dessas doenças disparou de forma preocupante. Uma ala séria da medicina mundial afirma haver
aí excessos tanto por parte dos profissionais, que estariam se
precipitando ao prescrever remédios de tarja preta sem uma
observação mais consistente do paciente, como por parte de
pessoas que, diante de cansaço, estresse e tristeza, recorrem
por conta própria a ansiolíticos e antidepressivos – sobretudo a turma jovem. Um dos mais respeitados estudiosos
do tema, o psiquiatra Luis Augusto Rohde, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, lançou um alerta sobre a
questão que reverberou no meio médico. “As condições de
saúde mental não funcionam como um teste de gravidez,
com resultado positivo ou negativo. O ponto de corte é sempre em alguma medida , arbitrário”, afirma ele, que diz estar
em curso uma epidemia dos “diagnósticos fast-food”, fruto
de consultas rápidas e inexperiência. “Quando o médico
não tem formação adequada, há o risco de indicar remédios
inadequados que podem levar à dependência”, enfatiza. (...)
“Existe uma confusão muito grande sobre o que é , de fato,
um transtorno mental e o que faz parte das tensões normais
da vida”, observa Miriam Gorender, diretora da Associação
Brasileira de Psiquiatria. (...)
Em seu best-seller Nação Dopamina, a psiquiatra
Anna Lembke, da Universidade de Stanford, descreve o
mundo de hoje em um desequilíbrio crônico entre prazer e dor, no qual as pessoas, cercadas de estímulos recompensadores, tendem a rejeitar o desconforto. É nesse
ponto que se abre a brecha para o que o filósofo francês
Michel Foucault ( 1926 – 1984) chamou de “medicalização
da vida”, referindo-se à propensão humana de transformar
sentimentos e emoções em condições médicas. “Nem toda
criança agitada tem TDAH, assim como nem todo adulto distraído está doente”, resume o neuropediatra Mauro
Muszkat. Nada como ciência elevada, bons médicos e sensatez para navegar em meio à tamanha complexidade e
manter a mente saudável.
(veja.abril.com.br/saúde/saúde-mental-especialistas-alertam
-para-a-perigosa-epidemia-de-diagnosticos/textoadaptado.
Acesso em: 7 fev. 2026)
I. O verbo da oração: “A ciência então evoluiu” é intransitivo.
II. (...) “alta dose de desconhecimento e preconceito “ tem a função sintática de complemento verbal do verbo “recaía”.
III. A expressão “As condições de saúde mental” é o sujeito de todo o período onde está localizado.
IV. A expressão “Ao longo de boa parte do século XX” tem a função sintática de adjunto adverbial de lugar.
Marque a alternativa correta:
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