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Considerando o disposto no Decreto n.º 3.551/2000, julgue os itens a seguir.
I Além de instituir o registro de bens culturais de natureza imaterial, o referido decreto cria o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI).
II O Livro de Registro dos Saberes, o Livro de Registro das Celebrações, o Livro de Registro das Formas de Expressão e o Livro de Registro dos Lugares são os quatro livros em que são inscritos os registros dos bens culturais imateriais.
III Os detentores do bem cultural, tais como indígenas e quilombolas, são partes legítimas para provocar a instauração de um processo de registro.
Assinale a opção correta.
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Algumas formas de expressão oral são comuns e podem ser usadas por comunidades inteiras, enquanto outras se restringem a grupos sociais específicos, talvez apenas a homens ou mulheres, ou somente aos idosos.”
https://ich.unesco.org/en/oral-traditions-and-expressions-00053- adaptado. Acessado em 09/11/2025.
O Piauí tem muitas tradições, mitos e lendas que são passados de gerações em gerações. São exemplos de tradições orais, mitos e lendas em Teresina:
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GUIDON, Niède. Peintures rupestres de Várzea Grande: Piauí, Brésil. Paris: Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, 1975., p.42. (Adaptado).
No que diz respeito à epistemologia apresentada por Guidon, é correto afirmar que
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GONÇALVES, Maria Alice Rezende. A vida lúdica de uma comunidade de Candomblé no Cubango: um estudo sobre a categoria "brincadeira". Cadernos CERU, v. 10, 1999., p. 48s. (Adaptado).
Com base no texto, sobre as diferentes formas de lidar com o tempo, é correto afirmar que
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Sancionada em julho de 2025, a Lei n.º 15.161/2025 institui o Dia Nacional do Coco de Roda, da Ciranda e da Mazurca, a ser celebrado anualmente no dia 26 de julho em todo o território nacional, reconhecendo e valorizando essas importantes manifestações da cultura popular brasileira. Sobre o Coco de Roda, em específico, Cascudo (2001) descreve-o como:
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Se antes a escola era um espaço que trazia o conhecimento para os indígenas e tínhamos que aceitar, hoje os indígenas querem compartilhar seus conhecimentos. (...) Eles querem construir essas relações de respeito entre os conhecimentos promovendo o diálogo intercultural.
Os indígenas não ensinam ninguém, eles aprendem, aí o outro também aprende. Então essa ideia de ir à escola para aprender é porque lá tem alguém que ensina. Mas nessa relação de quem ensina, existe a negação do aprender, porque um ensina e outro aprende. Não existe a construção intercultural. Na interculturalidade nós trocamos ideias e construímos o que é melhor para nossa sociedade. Então, me parece que tem um abismo entre os indígenas e os não indígenas porque não tem essa compreensão da prática intercultural vivencial."
(Ferreira Kaingang, 2024, p. 836, 844, 847-848.)
"O que são os conhecimentos para os coletivos Kaingang? Como se produz conhecimentos a partir da relação que se faz com esses seres que o mundo eurorreferenciado não considera humanos e são fundamentais para produção do conhecimento para eles?
O professor D. Cardoso [...] é enfático em afirmar constantemente: 'Eu aprendi com o rio, aprendi com a corrente de água; ela me ensina quando está acordada. A água acorda, ela dorme, tem fluxo, ela traz o movimento, o tempo, uma série de conhecimentos, ela pode ser remédio!'.
O sistema Kaingang é muito mais aberto ao outro, à alteridade radical, aos seres extra-humanos. Constitui-se como um mundo em que se percebe e se produz a partir de constantes e intensas relações entre os existentes do cosmos. Estamos diante, pois, de uma sócio-cosmo-ontologia instável, em contínua transformação e de criação de seus corpos e de suas pessoas."
(Baptista da Silva, 2022, p. 10.)
Com base nos trechos selecionados dos textos de Bruno Ferreira Kaingang e Sergio Baptista da Silva, que discutem a cosmologia, a educação e a alteridade no contexto Kaingang, registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__) O conhecimento Kaingang é relacional e se produz nas interações entre humanos e extra-humanos, em um sistema aberto à alteridade e em contínua transformação.
(__) A reciprocidade é princípio central da cosmologia e da educação Kaingang, pois expressa interdependência, trocas e compromissos entre todos os seres do cosmos.
(__) A escola, segundo Ferreira Kaingang, deve manter a lógica unidirecional do ensino, na qual o professor é o portador do saber e o aluno o receptor do conhecimento.
(__) A educação intercultural proposta pelos autores se baseia na troca e na construção conjunta de saberes, em que aprender é um processo mútuo e não hierárquico.
(__) Para os Kaingang, o conhecimento é prática vivencial e relacional, vinculada à cosmologia e às experiências de reciprocidade com o mundo natural e espiritual.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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I. A educação escolar indígena deve ser específica, bilíngue e intercultural, garantindo o direito de cada povo de ensinar e aprender em sua própria língua, conforme seus processos culturais e modos de conhecer.
II. A formação de professores indígenas deve articular os saberes comunitários e os conhecimentos acadêmicos, promovendo o diálogo entre diferentes formas de ensinar e aprender, de modo a assegurar a qualidade e a coerência dos processos formativos.
III. A organização das escolas indígenas deve respeitar a estrutura administrativa e curricular das escolas urbanas, sem considerar a autonomia comunitária ou o calendário cultural de cada povo.
IV. A interculturalidade na educação indígena visa reafirmar as identidades étnicas e valorizar as línguas e ciências dos povos indígenas, promovendo o diálogo com os conhecimentos da sociedade nacional e o acesso às informações que ela valoriza.
V. A docência indígena é compreendida como prática social, política e comunitária, que envolve o compromisso com a memória, a língua e a continuidade das tradições de cada povo.
É correto o que se afirma em:
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Para o Estado brasileiro, só é possível a coexistência de culturas dentro de uma unidade social e política quando imaginada como fato passageiro e controlado, um resultado imediato da guerra de conquista ou de suas reverberações posteriores. É a localização de uma pessoa de um lado ou do outro dessa clivagem cultural que irá, desde o início, definir a sua condição de educador e aprendiz, de superior ou subalterno, em suma, de tutor e tutelado. [...] O tutor, católico e civilizado, supostamente europeizado, e o tutelado, índio, negro ou notoriamente mestiço, presumidamente primitivo e selvagem, foram os componentes essenciais da sociedade brasileira.
Ao considerar as culturas indígenas como parte da nação brasileira, a Constituição de 1988 veio, logicamente, a abolir a tutela, introduzindo algo absolutamente novo nas relações entre os indígenas e os demais cidadãos brasileiros. O abandono de uma perspectiva civilizatória na Constituição de 1988 implica que a estruturação da ordem jurídica e administrativa não possa mais fazer-se baseada na absoluta supremacia das tradições ocidentais. Isso abre um espaço importantíssimo para a valorização e o fortalecimento das culturas indígenas. (...) Tudo isso aponta para formas novas de realização da cidadania, em que o paternalismo não tenha mais lugar. Os confrontos que irão se seguir decorrem da dificuldade da sociedade em despojar-se de tal imagem, que tem atrás de si uma longa história, e ainda pode servir a perspectivas tutelares de alguns grupos sociais."
(Oliveira, 2016, p. 309-314)
Com base na análise de João Pacheco de Oliveira sobre a formação histórica do regime tutelar e sua relação com a construção da nação brasileira, é correto afirmar que:
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Sobre a relação entre xamanismo e conhecimento na cultura yanomami, é correto afirmar que:
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Grosso modo, isso sugere não existir o que chamamos de natureza humana independente da cultura. [...] Como nosso sistema nervoso central − e principalmente a maldição e glória que o coroam, o neocórtex − cresceu, em sua maior parte, em interação com a cultura, ele é incapaz de dirigir nosso comportamento ou organizar nossa experiência sem a orientação fornecida por sistemas de símbolos significantes. [...] Para obter a informação adicional necessária para agir, fomos forçados a depender cada vez mais de fontes culturais − o fundo acumulado de símbolos significantes. Assim, é na carreira do homem, em seu curso característico, que podemos discernir, embora difusamente, sua natureza, e, apesar de a cultura ser apenas um elemento na determinação desse curso, ela não é o menos importante.
Por estranho que pareça − embora, num segundo momento, não tão estranho −, muitos de nossos sujeitos parecem compreender isso mais claramente que nós mesmos, os antropólogos. Em Java, por exemplo, onde executei grande parte do meu trabalho, as pessoas diziam com tranquilidade: "ser humano é ser javanês". [...] Ser humano não é apenas respirar, mas controlar a respiração pelas técnicas do ioga, de forma a ouvir literalmente, na inspiração e na expiração, a voz de Deus pronunciar o seu próprio nome − "hu Allah". Não é apenas falar, mas emitir as palavras e frases apropriadas, nas situações sociais apropriadas, no tom de voz apropriado e com a indireção evasiva adequada. Não é apenas comer: é preferir certos alimentos, cozidos de certas maneiras, e seguir uma etiqueta rígida à mesa ao consumi-los. Não é apenas sentir, mas sentir certas emoções distintamente javanesas − "paciência", "desprendimento", "resignação", "respeito".
Aqui, ser humano certamente não é ser qualquer homem; é ser uma espécie particular de homem, e sem dúvida os homens diferem − "outros campos", dizem os javaneses, "outros gafanhotos". (...) O caso é que há maneiras diferentes e, mudando agora para a perspectiva antropológica, é na revisão e na análise sistemática dessas maneiras − a bravura do índio das planícies, a obsessão do hindu, o racionalismo do francês, o anarquismo berbere, o otimismo americano (para citar uma série de etiquetas que eu não gostaria de defender como tais) — que poderemos encontrar o que é ser um homem, ou o que ele pode ser."
(Geertz, 2008, p. 35)
Em "O impacto do conceito de cultura sobre o conceito de homem" (2008), Clifford Geertz discute a importância de compreender a teia de significados que a cultura abarca para entender o que constitui o ser humano. Com base no trecho selecionado, registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__) A tarefa do antropólogo consiste em identificar o que é concreto, particular e circunstancial em cada cultura, ao invés de buscar o que é universal na experiência humana.
(__) A cultura é um ornamento da existência humana, um acréscimo circunstancial à natureza, sem papel essencial na constituição do homem.
(__) Não há uma natureza humana independente da cultura, esta constitui condição essencial da existência e base da especificidade da espécie.
(__) O relativismo, segundo essa perspectiva, pressupõe que cada cultura possui sistemas próprios de significados que devem ser interpretados em seus próprios termos.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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