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3691220 Ano: 2025
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPU

Enunciado 4443420-1

Indígenas participam de marcha após a criação do G9, durante a programação da COP16, em Cali (Colômbia), em outubro de 2024.

Em outubro de 2024, em Cali (Colômbia), no contexto da 16ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP16), organizações indígenas lançaram duas iniciativas: o “G9 da Amazônia Indígena”, uma coalizão para proteção da floresta nos nove países amazônicos, e o manifesto que pede a participação indígena na presidência da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), prevista para novembro de 2025, em Belém (Pará).

A respeito do crescente protagonismo diplomático de lideranças indígenas, as iniciativas citadas exemplificam que:

 

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3691219 Ano: 2025
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPU
Em A Sociedade contra o Estado (1974), o filósofo e etnólogo Pierre Clastres lançou as bases para uma nova antropologia política: “Os povos sem escrita não são menos adultos que as sociedades letradas. Sua história é tão profunda quanto a nossa e, a não ser por racismo, não há por que julgá-los incapazes de refletir sobre a sua própria experiência e de dar a seus problemas as soluções apropriadas. É exatamente por isso que não nos poderíamos contentar em enunciar que nas sociedades onde não se observa a relação de comando-obediência (isto é, nas sociedades sem poder político), a vida do grupo como projeto coletivo se mantém através do controle social imediato, imediatamente qualificado de apolítico. O que precisamente se entende por isso? Qual é o referente político que permite, por oposição, falar de apolítico?” (Adaptado de CLASTRES, P. A Sociedade contra o Estado: pesquisas de antropologia política. Rio de Janeiro: F. Alves, 1978, p. 16). Com base no trecho, é correto afirmar que a antropologia política defendida por Pierre Clastres:
 

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3691218 Ano: 2025
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPU
Para Sherry Ortner, o principal legado da antropologia geertziana tem sido a questão de como “os símbolos modelam os modos em que os atores sociais veem, sentem e pensam sobre o mundo ou, em outras palavras, como os símbolos operam enquanto veículos de ‘cultura’”. (Adaptado de Ortner, S. B. Teoria na antropologia desde os anos 60. In: Mana, 17(2), 2011, p. 421) Para Geertz, sistemas culturais como os calendários balineses são objeto de análise antropológica para:
 

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3691217 Ano: 2025
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPU
O Ensaio sobre a dádiva de Marcel Mauss foi publicado originalmente na revista Année Sociologique (1923-1924), sendo considerado uma obra central para a teoria antropológica. A respeito das noções de dom, troca e reciprocidade mobilizadas no ensaio citado, é correto afirmar que:
 

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3691216 Ano: 2025
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPU
Em Dois pequenos problemas com a lei terra intangível para os Kisêdjê, Marcela Coelho de Souza examina a conexão entre o povo Kisêdjê e a terra. A autora propõe o conceito de “terra intangível”, que desafia a compreensão ocidental de propriedade e posse. A autora argumenta que:
"A despeito do possessivo na expressão nossa terra, não acredito que esta ‘terra’ de que estejam falando seja mais dócil ao instituto da propriedade e à medição e delimitação que ele implica. As imagens — legais ou científicas — de terra como bem imóvel ou substrato físico são analogias muito pobres para a compreensão do que está em jogo para os Kisêdjê” (Coelho de Souza, 2017, p. 123).
A "terra intangível" para o povo Kisêdjê pode ser compreendida como:
 

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3691215 Ano: 2025
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPU
Em The Idea of a Home: A Kind of Space, Mary Douglas elabora a casa como um problema antropológico. Ela diz o seguinte: "O principal problema de uma comunidade virtual é conseguir solidariedade suficiente para proteger o bem coletivo. Se a solidariedade enfraquecer, os ataques individuais destroem a base de recursos colectivos. Embora o lar, tal como outras instituições sem fins lucrativos, seja ineficiente segundo critérios de mercado, noutro sentido é extraordinariamente eficiente. Não necessita de pessoal administrativo especializado, porque as reivindicações de justiça difundem o trabalho de organização. Os membros continuamente reivindicam recursos, mas não vão ganhar uma disputa pedindo em seu próprio nome; a reivindicação vencedora é feita em nome do bem público e em nome da justiça, que num lar é considerada um bem público. As reivindicações individuais são concedidas ou refutadas pelos mesmos motivos. A solução teórica do problema distributivo é a equidade, mas a solução prática é fazer de cada membro um vigilante do bem público e utilizar a coordenação para fazer o resto. A coordenação facilita o controle público e um elevado grau de visibilidade” (Douglas, 1991, p. 299). Nessa passagem, traduzida do inglês, Mary Douglas dialoga claramente com a teoria de:
 

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3691214 Ano: 2025
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPU
Em Rituais ontem e hoje, Mariza Peirano analisa o carnaval como um ritual que expressa as ambiguidades e os dilemas da sociedade brasileira. A autora destaca:
"O carnaval produz uma realidade que desfaz o dia a dia em um processo violento de individualização” (Peirano, 2003, p. 26).
De acordo com essa análise, o principal efeito do carnaval na sociedade brasileira consiste em:
 

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3691213 Ano: 2025
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPU
A noção de "fricção interétnica", desenvolvida por Roberto Cardoso de Oliveira, busca analisar as relações entre grupos indígenas e a sociedade nacional brasileira. Em um dos textos fundacionais do conceito, Estudo de áreas de fricção interétnica do Brasil, o autor define a fricção interétnica da seguinte forma: "Chamamos fricção interétnica o contato entre grupos tribais e segmentos da sociedade brasileira, caracterizados por seus aspectos competitivos e, no mais das vezes, conflituais, assumindo esse contato muitas vezes proporções ‘totais’, i.e., envolvendo toda a conduta tribal e não tribal que passa a ser moldada pela situação de fricção interétnica” (Oliveira, 1962, p. 86). Seguindo o autor, é correto definir a “fricção interétnica” como:
 

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3691212 Ano: 2025
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPU
No texto Populações indígenas, povos tradicionais e preservação na Amazônia, Manuela Carneiro da Cunha e Mauro de Almeida afirmam o seguinte: “Durante muito tempo, existiu entre antropólogos, conservacionistas, governantes e as próprias populações tradicionais aquilo que um antropólogo chamou, em outro contexto, de ‘mal-entendido útil’. Esse mal-entendido gira em torno do que se pode chamar de essencialização do relacionamento entre as populações tradicionais e o meio ambiente” (Cunha e Almeida, 2009, p. 13). Na base dessa essencialização está o mito:
 

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3691211 Ano: 2025
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPU
No texto O que significa tornar-se outro?, a antropóloga Aparecida Vilaça argumenta que a experiência xamânica Wari' se caracteriza pela duplicidade corporal. No texto, Vilaça afirma:
"O xamã caracteriza-se por possuir dois corpos simultâneos: um corpo humano visível pelos Wari', que se relaciona com eles normalmente, como membro de sua sociedade, e um corpo animal que ele percebe como humano, e que se relaciona com os demais animais daquela espécie também como membro da sua sociedade, que é como a sociedade Wari’" (Vilaça, 2000, p. 63).
Com base na explicação de Aparecida Vilaça, é correto afirmar que:
 

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