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Foram encontradas 128 questões.

3500486 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Instituto Access
Orgão: Câm. Itaguaçu-ES
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Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.

O Brasil pode liderar a transição para

uma bioeconomia circular

O Brasil é a nação de maior biodiversidade do planeta, com 15% a 20% da quantidade de espécies estimadas. De acordo com dados do Governo Federal, há cerca de 116 mil espécies animais e 46 mil espécies vegetais catalogadas, dispersas pelos biomas terrestres e ecossistemas marinhos. Apesar de parecerem dados expressivos, calcula-se que esses números representem apenas um pequeno percentual da diversidade do país, já que a identidade de centenas de milhares de outros organismos permanece um mistério.

Grande parte dessa biodiversidade, no entanto, antes mesmo de ser conhecida, está ameaçada por atividades humanas não sustentáveis. A devastação descontrolada da Amazônia, por exemplo, faz com que estejamos num momento em que a taxa de destruição é muito mais rápida que a velocidade de descoberta de novas espécies.

É um cenário de corrida contra o tempo, pois a cada vez que uma área é desmatada, destruímos parte da biodiversidade que nunca mais conheceremos – uma vez perdida, provavelmente o será para sempre. Isso porque muitas espécies são encontradas somente em determinada região do globo, e em mais nenhuma. São as espécies endêmicas, que requerem atenção quanto a sua preservação. No Brasil, há preocupação especial com a Mata Atlântica e o Cerrado, biomas classificados como hotspots de biodiversidade por serem regiões com níveis excepcionais de endemismo e graves percentuais de perda de hábitat.

Para além do impacto ambiental, a perda de nossa biodiversidade e a ignorância a respeito dela precisam ser analisadas do ponto de vista dos possíveis impactos econômicos e das oportunidades de desenvolvimento desperdiçadas. Atividades essenciais para a economia brasileira, como a agropecuária e a produção de alimentos e bebidas, são altamente dependentes do equilíbrio da natureza. É um contrassenso expandir essas atividades sem considerar as consequências da perda de diversidade nesses sistemas produtivos no médio e longo prazo.

A biodiversidade também deve ser considerada um ativo para alavancar o desenvolvimento econômico e social no Brasil. Ao desconhecer seu potencial, deixamos de produzir novos bioprodutos, como medicamentos, suplementos alimentares, biocombustíveis e cosméticos, entre outros.

É nesse contexto que nas últimas décadas o mundo vem discutindo oportunidades para passar à era da bioeconomia. Antes de mais nada, é preciso ressaltar que o termo bioeconomia pode ter muitos significados, dependendo do interlocutor. Aquela que pode beneficiar o Brasil de forma significativa é a que faz uso de recursos naturais em conjunto com novas tecnologias para criar produtos e serviços mais sustentáveis, sem prejuízo da biodiversidade. No caso brasileiro, um país com atuação consolidada no agronegócio, também é interessante incorporar conceitos da economia circular à bioeconomia. O modelo de bioeconomia circular irá gerar cadeias produtivas com menos desperdício, por meio da implantação de sistemas econômicos de ciclos fechados que aproveitam matérias-primas de forma mais completa, pois os resíduos gerados em um processo passam a ser matéria-prima na produção de novos produtos, agregando valor à cadeia como um todo.

Contudo, hoje, mesmo levando em conta o que já se conhece, há pouquíssimos estudos aprofundados que nos permitem usufruir de todas as potencialidades de nossa biodiversidade. Por exemplo, se olharmos para cadeias produtivas de frutos nativos como açaí, macaúba, cambuci, uvaia, jabuticaba ou licuri, vamos identificar uma gama de resíduos com uma diversidade química ainda pouco explorada, que por sua vez poderia ser fonte para obtenção de novos bioprodutos e derivados sintéticos. Essas potencialidades, no entanto, só serão desvendadas com o estímulo à pesquisa e à experimentação científica.

Tais estudos fundamentais, que vão da classificação de novos microrganismos, animais e plantas a pesquisas direcionadas a aplicações industriais, podem constituir a base do desenvolvimento sustentável descentralizado e duradouro com potencial de impactar economias locais, já que a biodiversidade varia de um bioma para o outro. Por exemplo, a produção de insumos de alto valor agregado na Amazônia por meio de empreendimentos de base biotecnológica pode aumentar a geração de empregos e a demanda pela profissionalização da população local, minimizando efeitos migratórios para grandes centros.

A abundância de recursos naturais põe o país numa posição privilegiada para assumir um papel de liderança mundial na era da bioeconomia. Dificilmente, porém, novos medicamentos e inovações biotecnológicas surgirão enquanto a biodiversidade brasileira não for pesquisada e financiada de forma sistemática e contínua, com visão multidisciplinar e investimentos de longo prazo. Somente o fomento da pesquisa científica, além do investimento em infraestrutura e educação, darão ao país a oportunidade de se transformar num importante agente na produção de bioprodutos de alto valor agregado. Assim, a exploração racional de nossos recursos naturais pode se somar à nossa já consolidada produção de commodities, dando suporte ao desenvolvimento tecnológico.

(Ayla Sant’Ana da Silva, pesquisadora do Instituto Nacional de Tecnologia e docente

do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica da UFRJ.

https://www1.folha.uol.com.br/blogs/ciencia-fundamental/2023/01/o-brasil-pode-

liderar- a-transicao-para-uma-bioeconomia-circular.shtml. 5.jan.2023)

Pelo seu objetivo, em relação à tipologia, o texto é eminentemente

 

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3500485 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Instituto Access
Orgão: Câm. Itaguaçu-ES
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Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.

O Brasil pode liderar a transição para

uma bioeconomia circular

O Brasil é a nação de maior biodiversidade do planeta, com 15% a 20% da quantidade de espécies estimadas. De acordo com dados do Governo Federal, há cerca de 116 mil espécies animais e 46 mil espécies vegetais catalogadas, dispersas pelos biomas terrestres e ecossistemas marinhos. Apesar de parecerem dados expressivos, calcula-se que esses números representem apenas um pequeno percentual da diversidade do país, já que a identidade de centenas de milhares de outros organismos permanece um mistério.

Grande parte dessa biodiversidade, no entanto, antes mesmo de ser conhecida, está ameaçada por atividades humanas não sustentáveis. A devastação descontrolada da Amazônia, por exemplo, faz com que estejamos num momento em que a taxa de destruição é muito mais rápida que a velocidade de descoberta de novas espécies.

É um cenário de corrida contra o tempo, pois a cada vez que uma área é desmatada, destruímos parte da biodiversidade que nunca mais conheceremos – uma vez perdida, provavelmente o será para sempre. Isso porque muitas espécies são encontradas somente em determinada região do globo, e em mais nenhuma. São as espécies endêmicas, que requerem atenção quanto a sua preservação. No Brasil, há preocupação especial com a Mata Atlântica e o Cerrado, biomas classificados como hotspots de biodiversidade por serem regiões com níveis excepcionais de endemismo e graves percentuais de perda de hábitat.

Para além do impacto ambiental, a perda de nossa biodiversidade e a ignorância a respeito dela precisam ser analisadas do ponto de vista dos possíveis impactos econômicos e das oportunidades de desenvolvimento desperdiçadas. Atividades essenciais para a economia brasileira, como a agropecuária e a produção de alimentos e bebidas, são altamente dependentes do equilíbrio da natureza. É um contrassenso expandir essas atividades sem considerar as consequências da perda de diversidade nesses sistemas produtivos no médio e longo prazo.

A biodiversidade também deve ser considerada um ativo para alavancar o desenvolvimento econômico e social no Brasil. Ao desconhecer seu potencial, deixamos de produzir novos bioprodutos, como medicamentos, suplementos alimentares, biocombustíveis e cosméticos, entre outros.

É nesse contexto que nas últimas décadas o mundo vem discutindo oportunidades para passar à era da bioeconomia. Antes de mais nada, é preciso ressaltar que o termo bioeconomia pode ter muitos significados, dependendo do interlocutor. Aquela que pode beneficiar o Brasil de forma significativa é a que faz uso de recursos naturais em conjunto com novas tecnologias para criar produtos e serviços mais sustentáveis, sem prejuízo da biodiversidade. No caso brasileiro, um país com atuação consolidada no agronegócio, também é interessante incorporar conceitos da economia circular à bioeconomia. O modelo de bioeconomia circular irá gerar cadeias produtivas com menos desperdício, por meio da implantação de sistemas econômicos de ciclos fechados que aproveitam matérias-primas de forma mais completa, pois os resíduos gerados em um processo passam a ser matéria-prima na produção de novos produtos, agregando valor à cadeia como um todo.

Contudo, hoje, mesmo levando em conta o que já se conhece, há pouquíssimos estudos aprofundados que nos permitem usufruir de todas as potencialidades de nossa biodiversidade. Por exemplo, se olharmos para cadeias produtivas de frutos nativos como açaí, macaúba, cambuci, uvaia, jabuticaba ou licuri, vamos identificar uma gama de resíduos com uma diversidade química ainda pouco explorada, que por sua vez poderia ser fonte para obtenção de novos bioprodutos e derivados sintéticos. Essas potencialidades, no entanto, só serão desvendadas com o estímulo à pesquisa e à experimentação científica.

Tais estudos fundamentais, que vão da classificação de novos microrganismos, animais e plantas a pesquisas direcionadas a aplicações industriais, podem constituir a base do desenvolvimento sustentável descentralizado e duradouro com potencial de impactar economias locais, já que a biodiversidade varia de um bioma para o outro. Por exemplo, a produção de insumos de alto valor agregado na Amazônia por meio de empreendimentos de base biotecnológica pode aumentar a geração de empregos e a demanda pela profissionalização da população local, minimizando efeitos migratórios para grandes centros.

A abundância de recursos naturais põe o país numa posição privilegiada para assumir um papel de liderança mundial na era da bioeconomia. Dificilmente, porém, novos medicamentos e inovações biotecnológicas surgirão enquanto a biodiversidade brasileira não for pesquisada e financiada de forma sistemática e contínua, com visão multidisciplinar e investimentos de longo prazo. Somente o fomento da pesquisa científica, além do investimento em infraestrutura e educação, darão ao país a oportunidade de se transformar num importante agente na produção de bioprodutos de alto valor agregado. Assim, a exploração racional de nossos recursos naturais pode se somar à nossa já consolidada produção de commodities, dando suporte ao desenvolvimento tecnológico.

(Ayla Sant’Ana da Silva, pesquisadora do Instituto Nacional de Tecnologia e docente

do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica da UFRJ.

https://www1.folha.uol.com.br/blogs/ciencia-fundamental/2023/01/o-brasil-pode-

liderar- a-transicao-para-uma-bioeconomia-circular.shtml. 5.jan.2023)

Em relação à leitura do texto e suas possíveis inferências, analise as afirmativas a seguir:

I. Em função das ações humanas não sustentáveis, é possível que espécies nem venham a ser conhecidas, pois serão extintas antes.

II. A associação da bioeconomia ao processo de exploração da biodiversidade é fundamental para que esta não seja prejudicada, além de propiciar bons resultados financeiros para o Brasil.

III. Há a necessidade de investimento em pesquisa e estudos acerca da biodiversidade, de modo a evitar que a tecnologia se apodere da exploração da biodiversidade e, assim, a prejudique.

Assinale

 

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3500484 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Instituto Access
Orgão: Câm. Itaguaçu-ES
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Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.

James Webb e Artemis inauguram

nova era para a Nasa em 2022

Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.

Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha, ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.

A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.

A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de onda. Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.

A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.

Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.

O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.

O investimento estimado para seu desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronograma sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiro Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.

O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.

O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.

De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.

Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.

O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.

A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.

Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.

Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.

A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.

O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.

Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.

A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.

Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.

(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-

artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)

Em antecessor, há

 

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3500483 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Instituto Access
Orgão: Câm. Itaguaçu-ES
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Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.

James Webb e Artemis inauguram

nova era para a Nasa em 2022

Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.

Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha, ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.

A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.

A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de onda. Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.

A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.

Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.

O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.

O investimento estimado para seu desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronograma sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiro Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.

O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.

O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.

De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.

Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.

O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.

A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.

Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.

Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.

A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.

O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.

Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.

A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.

Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.

(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-

artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)

...instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha...

O plural de “luz infravermelha” seria corretamente “luzes infravermelhas”.

Entretanto, nem sempre o plural acontece como no exemplo acima.

Em relação a isso, assinale a alternativa em que o plural não tenha sido feito corretamente.

 

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James Webb e Artemis inauguram

nova era para a Nasa em 2022

Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.

Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha, ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.

A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.

A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de onda. Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.

A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.

Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.

O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.

O investimento estimado para seu desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronograma sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiro Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.

O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.

O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.

De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.

Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.

O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.

A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.

Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.

Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.

A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.

O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.

Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.

A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.

Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.

(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-

artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)

Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.

No período acima, empregou-se corretamente o acento indicativo de crase com a palavra “terra”. Assinale a alternativa em que isso não tenha ocorrido.

 

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3500481 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Instituto Access
Orgão: Câm. Itaguaçu-ES
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Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.

James Webb e Artemis inauguram

nova era para a Nasa em 2022

Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.

Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha, ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.

A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.

A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de onda. Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.

A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.

Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.

O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.

O investimento estimado para seu desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronograma sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiro Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.

O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.

O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.

De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.

Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.

O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.

A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.

Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.

Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.

A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.

O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.

Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.

A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.

Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.

(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-

artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)

A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba (1), na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis (2) foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais (3), o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.

Os termos sublinhados no período acima desempenham função sintática, respectivamente, de

 

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3500480 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Instituto Access
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James Webb e Artemis inauguram

nova era para a Nasa em 2022

Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.

Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha, ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.

A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.

A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de onda. Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.

A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.

Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.

O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.

O investimento estimado para seu desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronograma sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiro Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.

O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.

O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.

De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.

Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.

O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.

A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.

Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.

Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.

A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.

O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.

Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.

A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.

Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.

(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-

artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)

Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial.

A segunda oração do período acima, em relação à oração principal, apresenta circunstância de

 

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3500479 Ano: 2023
Disciplina: Português
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James Webb e Artemis inauguram

nova era para a Nasa em 2022

Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.

Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha, ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.

A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.

A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de onda. Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.

A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.

Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.

O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.

O investimento estimado para seu desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronograma sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiro Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.

O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.

O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.

De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.

Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.

O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.

A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.

Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.

Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.

A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.

O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.

Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.

A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.

Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.

(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-

artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)

Mas isso só o futuro poderá dizer.

Assinale a alternativa em que a alteração do período acima não tenha provocado grave alteração de sentido.

 

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3500478 Ano: 2023
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Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.

James Webb e Artemis inauguram

nova era para a Nasa em 2022

Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.

Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha, ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.

A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.

A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de ondaA). Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longeB), por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.

A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.

Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.

O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.

O investimento estimado para seuC) desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronograma sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiroD) Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.

O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.

O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.

De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.

Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.

O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.

A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.

Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.

Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.

A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.

O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.

Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.

A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.

Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.

(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-

artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)

Assinale a alternativa em que a palavra indicada, no texto, exerça papel adjetivo.

 

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3500477 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Instituto Access
Orgão: Câm. Itaguaçu-ES
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Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.

James Webb e Artemis inauguram

nova era para a Nasa em 2022

Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.

Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelhaA), ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.

A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.

A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de onda. Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópioB) não consegue detectar.

A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.

Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.

O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.

O investimento estimado para seu desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronogramaC) sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiro Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.

O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.

O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.

De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.

Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.

O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.

A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.

Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautasD) à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.

Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.

A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.

O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.

Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.

A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.

Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.

(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-

artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)

Assinale a alternativa em que a palavra indicada, no texto, não tenha sido formada por composição.

 

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