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Leia os textos IV e V e responda aos itens de 18 a 21.
Texto IV

Disponível em:< http://tirinhasdofreeky.blogspot.com/2012/02/tirinha-004-sol-ou-chuva.html?m=1> Acesso em 10 Outubro 2019.
Quadrinho 1:
(Zum, Zum, Zum)
Ai, que calor! Que sol é este? Bem que poderia chover...
Quadrinho 2:
(Kraboom!)
Mas que raios de chuva é esta?! Caramba!
Quadrinho 3:
Tá bom! Não reclamo mais...
Texto V

Disponível em:< http://dragoesdegaragem.com/wp-content/uploads/2016/12/cientirinhas49_450.jpg> Acesso em 10 Outubro 2019.
No trecho do texto V: “Na verdade esse cheiro vem de compostos químicos exalados por plantas e bactérias no solo”, o termo em destaque poderia ser substituído por qual alternativa, sem interferir no sentido da frase?
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- Interpretação de TextosPressupostos e Subentendidos
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros TextuaisQuadrinhos
Leia os textos IV e V e responda aos itens de 18 a 21.
Texto IV

Disponível em:< http://tirinhasdofreeky.blogspot.com/2012/02/tirinha-004-sol-ou-chuva.html?m=1> Acesso em 10 Outubro 2019.
Quadrinho 1:
(Zum, Zum, Zum)
Ai, que calor! Que sol é este? Bem que poderia chover...
Quadrinho 2:
(Kraboom!)
Mas que raios de chuva é esta?! Caramba!
Quadrinho 3:
Tá bom! Não reclamo mais...
Texto V

Disponível em:< http://dragoesdegaragem.com/wp-content/uploads/2016/12/cientirinhas49_450.jpg> Acesso em 10 Outubro 2019.
Sobre os textos IV e V, leia as afirmações abaixo.
I. Os dois textos apresentam humor e ironia.
II. Os dois textos apresentam subjetividade.
III. O texto V apresenta ironia, enquanto o texto IV, além de humor, apresenta informatividade.
IV. No texto V, enquanto uma personagem discorre sobre a chuva de modo mais afetivo no primeiro quadrinho, a outra se refere ao fenômeno a partir de termos científicos no segundo quadrinho.
V. No último quadrinho do texto IV, a personagem demonstra um sentimento de conformidade. Já no texto V, o sentimento que uma das personagens exibe é de encantamento.
Está correto o que se afirma em:
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Texto III
SONETO XXXII
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.
Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles
Perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!
Guilherme de Almeida
Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos Acesso em 10 Outubro 2019.
Após a leitura dos textos I, II e III, é possível identificar um tema recorrente dentre eles. Em alguns, como parte da ideia central, em outros, como uma das ideias secundárias que contribuem na construção da temática principal. No que se refere a esse tópico comum, bem como a outros elementos que caracterizam esses textos, é incorreto afirmar:
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- SintaxeColocação PronominalPronomes Oblíquos ÁtonosPróclise
- SintaxeColocação PronominalPronomes Oblíquos ÁtonosMesóclise
- SintaxeColocação PronominalPronomes Oblíquos ÁtonosÊnclise
Texto III
SONETO XXXII
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.
Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles
Perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!
Guilherme de Almeida
Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos Acesso em 10 Outubro 2019.
Sobre a colocação pronominal, assinale a alternativa que completa corretamente a sentença a seguir: O pronome em destaque em
“Foram-se embora e não voltaram mais” (última estrofe) está na posição de:
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Texto III
SONETO XXXII
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.
Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles
Perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!
Guilherme de Almeida
Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos Acesso em 10 Outubro 2019.
Leia os fragmentos extraídos do texto III:
I. Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada.
II. E hoje sei, pensando neles,
que são barcos de ouro os meus ideais.
III. Foram-se embora e não voltaram mais!
Assinale a alternativa correta quanto à constituição das orações que compõem os períodos:
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Texto III
SONETO XXXII
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.
Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles
Perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!
Guilherme de Almeida
Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos Acesso em 10 Outubro 2019.
Com base na leitura e interpretação do texto III, marque a alternativa que melhor transmite a ideia principal do soneto de Guilherme de Almeida.
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Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.
Texto II
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
01 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.
Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos
35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:
bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.
Para evitar repetições, o autor do texto II emprega diferentes formas para referir-se a Curitiba. Qual das alternativas a seguir não apresenta expressão do texto com essa finalidade?
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Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.
Texto II
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
01 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.
Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos
35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:
bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.
Relacione as colunas de acordo com a classificação das orações subordinadas abaixo:
( ) “Choveu tanto aqui que até caiu[...]”. (linhas 1-2).
( ) “De dizer algo quando não se tem nada a dizer.” (linhas 5-6)
( ) “Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar: vai fazer sol? Ou será que vai chover? Se bem que essa pergunta é retórica”. (linhas 8-10).
( ) “O fato é que por vezes somos fechados, como o tempo”. (linhas 50-51)
I. Oração subordinada adverbial causal
II. Oração subordinada adverbial comparativa
III. Oração subordinada adverbial concessiva
IV. Oração subordinada adverbial consecutiva
V. Oração subordinada adverbial temporal
Assinale a alternativa que corresponde ao completamento correto dos parênteses de cima para baixo:
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Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.
Texto II
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
01 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.
Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos
35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:
bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.
Analise o trecho a seguir:
“a cidade foi crescendo e ficando metida demais” (linha 37)
Assinale a alternativa que contenha a afirmação correta sobre a função da conjunção destacada no fragmento.
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Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.
Texto II
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
01 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.
Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos
35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:
bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.
Nas alternativas a seguir, as orações introduzidas pelo termo “que” são subordinadas substantivas, exceto:
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