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Foram encontradas 39 questões.

1503417 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.


Texto II


"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"

01 Choveu tanto aqui

Que até caiu

Outro pingo no ï

(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)

05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se

tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,

“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de

mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:

vai fazer sol? Ou será que vai chover?

10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E

que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é

tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.

Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.

Tá bom, as ruins também.

15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num

mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já

tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.

Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair

estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar

20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era

ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da

Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de

cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.

Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim

25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os

portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e

disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.

Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.

Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e

30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e

umidade sobre nossas cabeças.

E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.

Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:

adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos

35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família

tinha o seu bufo de estimação.

Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os

sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste

verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e

40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é

em essência: água. Muita água.

Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já

dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:

bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito

45 tão família, tão apegado aos seus.

Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que

muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.

Como o tempo.

Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que

50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como

o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele

existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."

"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se

tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai

55 chover?"


Fernando Martins


Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Assinale a alternativa que contém a assertiva correta sobre o emprego do acento grave em “Em meio àquele brejo” (linha 28).

 

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1503416 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.


Texto II


"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"

01 Choveu tanto aqui

Que até caiu

Outro pingo no ï

(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)

05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se

tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,

“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de

mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:

vai fazer sol? Ou será que vai chover?

10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E

que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é

tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.

Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.

Tá bom, as ruins também.

15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num

mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já

tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.

Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair

estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar

20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era

ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da

Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de

cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.

Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim

25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os

portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e

disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.

Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.

Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e

30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e

umidade sobre nossas cabeças.

E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.

Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:

adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos

35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família

tinha o seu bufo de estimação.

Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os

sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste

verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e

40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é

em essência: água. Muita água.

Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já

dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:

bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito

45 tão família, tão apegado aos seus.

Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que

muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.

Como o tempo.

Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que

50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como

o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele

existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."

"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se

tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai

55 chover?"


Fernando Martins


Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

No que tange especificamente à Regência Verbal, de acordo com a norma-padrão, é correto afirmar que a oração em destaque em: “E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos” (linha 32) apresenta o verbo “lembrar”:

 

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1503415 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
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Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.


Texto II


"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"

01 Choveu tanto aqui

Que até caiu

Outro pingo no ï

(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)

05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se

tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,

“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de

mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:

vai fazer sol? Ou será que vai chover?

10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E

que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é

tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.

Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.

Tá bom, as ruins também.

15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num

mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já

tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.

Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair

estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar

20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era

ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da

Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de

cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.

Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim

25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os

portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e

disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.

Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.

Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e

30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e

umidade sobre nossas cabeças.

E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.

Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:

adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos

35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família

tinha o seu bufo de estimação.

Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os

sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste

verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e

40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é

em essência: água. Muita água.

Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já

dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:

bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito

45 tão família, tão apegado aos seus.

Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que

muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.

Como o tempo.

Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que

50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como

o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele

existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."

"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se

tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai

55 chover?"


Fernando Martins


Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Leia as assertivas sobre o texto II a seguir:

I. O texto apresenta registro bastante informal e em tom de conversa com o leitor, tal como se pode observar em: “Tá de brincadeira?!” (linha 16) e “deu ruim” (linha 21), formas relacionadas à coloquialidade.

II. A ideia central do texto é definir o termo “lazarento”, no contexto de uso dos curitibanos. Logo, para esclarecer essa particularidade regional ao leitor que não é local, o autor dá vários exemplos de situações em que o termo pode ser empregado, tais como: “Nosso clima é mesmo lazarento” (linha 15) ou “sem querer ofender… lazarento!” (linha 22).

III. Para fundamentar seu argumento a respeito do clima curitibano, o qual é mais nublado que o de Londres, o autor cita a informação obtida por meio da ferramenta virtual da Embratur, usada na época da Copa do Mundo de 2014.

IV. A finalidade do texto é apresentar o ponto de vista do autor sobre o clima curitibano, conforme se pode constatar pelo título do texto. No entanto, o autor aborda muito mais a forma de comportamento dos moradores de Curitiba do que o clima propriamente dito, o que torna o texto contraditório.

V. O texto apresenta comentários repletos de ironia e/ou humor, conforme se pode perceber em: “Perdeu, cara-pálida” (linha 27) e “acreditem, ele existe!” (linhas 51 e 52).

Está correto o que se afirma em:

 

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1503414 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.


Texto II


"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"

01 Choveu tanto aqui

Que até caiu

Outro pingo no ï

(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)

05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se

tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,

“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de

mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:

vai fazer sol? Ou será que vai chover?

10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E

que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é

tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.

Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.

Tá bom, as ruins também.

15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num

mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já

tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.

Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair

estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar

20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era

ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da

Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de

cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.

Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim

25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os

portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e

disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.

Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.

Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e

30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e

umidade sobre nossas cabeças.

E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.

Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:

adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos

35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família

tinha o seu bufo de estimação.

Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os

sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste

verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e

40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é

em essência: água. Muita água.

Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já

dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:

bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito

45 tão família, tão apegado aos seus.

Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que

muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.

Como o tempo.

Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que

50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como

o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele

existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."

"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se

tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai

55 chover?"


Fernando Martins


Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

De acordo com o texto II e levando em consideração os vocábulos destacados no texto – lazarento (linha 12), vina, penal, loki, piá, japona, daís (linha 13) – marque a assertiva correta.

 

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Questão presente nas seguintes provas
1503413 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.


Texto II


"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"

01 Choveu tanto aqui

Que até caiu

Outro pingo no ï

(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)

05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se

tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,

“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de

mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:

vai fazer sol? Ou será que vai chover?

10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E

que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é

tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.

Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.

Tá bom, as ruins também.

15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num

mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já

tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.

Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair

estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar

20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era

ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da

Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de

cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.

Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim

25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os

portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e

disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.

Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.

Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e

30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e

umidade sobre nossas cabeças.

E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.

Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:

adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos

35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família

tinha o seu bufo de estimação.

Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os

sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste

verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e

40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é

em essência: água. Muita água.

Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já

dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:

bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito

45 tão família, tão apegado aos seus.

Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que

muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.

Como o tempo.

Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que

50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como

o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele

existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."

"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se

tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai

55 chover?"


Fernando Martins


Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Assinale a afirmativa que descreve uma das principais ideias defendidas no texto II.

 

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Questão presente nas seguintes provas
1503412 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto I e responda aos itens de 1 a 4.


Texto I

A menina e a tempestade

01 A garota costumava caminhar todos os dias até a escola. Uma tarde de tempestade, ela

começou a demorar muito; os ventos sopravam cada vez com mais força, os trovões e raios

sacudiam a vizinhança.

A mãe, preocupada, telefonou para a escola, e informaram que a menina já havia saído.

05 Ao ver que ela não chegava, colocou uma capa de chuva, e saiu – imaginando que a filha

devia estar paralisada de medo, escondida talvez na casa de um vizinho, chorando, e esperando

a tempestade passar.

Para sua tranquilidade, assim que dobrou a esquina, viu a menina andando lentamente

em direção a casa; mas parava cada vez que caía um raio, olhava para o céu, e sorria.

10 A mãe chegou correndo, colocou a menina debaixo de sua capa, e perguntou por que ela

tinha demorado tanto.

“Você não está vendo os flashes?”, disse a criança. “Deus está tirando fotos de mim”.



Paulo Coelho

Disponível em:<http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/2010/07/08/a-menina-e-a-tempestade/> Acesso em 10 Outubro 2019.

O fragmento “Ao ver que ela não chegava, colocou uma capa de chuva, e saiu – imaginando que a filha devia estar paralisada de medo, escondida talvez na casa de um vizinho, chorando, esperando a tempestade passar.” (linhas 5 - 7) apresenta:

 

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1503411 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto I e responda aos itens de 1 a 4.


Texto I

A menina e a tempestade

01 A garota costumava caminhar todos os dias até a escola. Uma tarde de tempestade, ela

começou a demorar muito; os ventos sopravam cada vez com mais força, os trovões e raios

sacudiam a vizinhança.

A mãe, preocupada, telefonou para a escola, e informaram que a menina já havia saído.

05 Ao ver que ela não chegava, colocou uma capa de chuva, e saiu – imaginando que a filha

devia estar paralisada de medo, escondida talvez na casa de um vizinho, chorando, e esperando

a tempestade passar.

Para sua tranquilidade, assim que dobrou a esquina, viu a menina andando lentamente

em direção a casa; mas parava cada vez que caía um raio, olhava para o céu, e sorria.

10 A mãe chegou correndo, colocou a menina debaixo de sua capa, e perguntou por que ela

tinha demorado tanto.

“Você não está vendo os flashes?”, disse a criança. “Deus está tirando fotos de mim”.



Paulo Coelho

Disponível em:<http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/2010/07/08/a-menina-e-a-tempestade/> Acesso em 10 Outubro 2019.

Leia os fragmentos do texto I a seguir:

I. “Ao ver que ela não chegava” (linha 5)

II. “imaginando que a filha devia estar paralisada de medo” (linhas 5-6)

III. “assim que dobrou a esquina” (linha 8)

IV. “mas parava cada vez que caía um raio” (linha 9)

V. “e perguntou por que ela tinha demorado tanto”. (linhas 10-11)

Quais fragmentos possuem elementos coesivos em negrito de mesmo valor do destacado em:

“[...] informaram que a menina já havia saído” (linha 4)?

 

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1503410 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto I e responda aos itens de 1 a 4.


Texto I

A menina e a tempestade

01 A garota costumava caminhar todos os dias até a escola. Uma tarde de tempestade, ela

começou a demorar muito; os ventos sopravam cada vez com mais força, os trovões e raios

sacudiam a vizinhança.

A mãe, preocupada, telefonou para a escola, e informaram que a menina já havia saído.

05 Ao ver que ela não chegava, colocou uma capa de chuva, e saiu – imaginando que a filha

devia estar paralisada de medo, escondida talvez na casa de um vizinho, chorando, e esperando

a tempestade passar.

Para sua tranquilidade, assim que dobrou a esquina, viu a menina andando lentamente

em direção a casa; mas parava cada vez que caía um raio, olhava para o céu, e sorria.

10 A mãe chegou correndo, colocou a menina debaixo de sua capa, e perguntou por que ela

tinha demorado tanto.

“Você não está vendo os flashes?”, disse a criança. “Deus está tirando fotos de mim”.



Paulo Coelho

Disponível em:<http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/2010/07/08/a-menina-e-a-tempestade/> Acesso em 10 Outubro 2019.

Com base no texto I, marque a alternativa que melhor expressa a conclusão do texto.

 

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1503409 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto I e responda aos itens de 1 a 4.


Texto I

A menina e a tempestade

01 A garota costumava caminhar todos os dias até a escola. Uma tarde de tempestade, ela

começou a demorar muito; os ventos sopravam cada vez com mais força, os trovões e raios

sacudiam a vizinhança.

A mãe, preocupada, telefonou para a escola, e informaram que a menina já havia saído.

05 Ao ver que ela não chegava, colocou uma capa de chuva, e saiu – imaginando que a filha

devia estar paralisada de medo, escondida talvez na casa de um vizinho, chorando, e esperando

a tempestade passar.

Para sua tranquilidade, assim que dobrou a esquina, viu a menina andando lentamente

em direção a casa; mas parava cada vez que caía um raio, olhava para o céu, e sorria.

10 A mãe chegou correndo, colocou a menina debaixo de sua capa, e perguntou por que ela

tinha demorado tanto.

“Você não está vendo os flashes?”, disse a criança. “Deus está tirando fotos de mim”.



Paulo Coelho

Disponível em:<http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/2010/07/08/a-menina-e-a-tempestade/> Acesso em 10 Outubro 2019.

O texto I apresenta um fato ocorrido sob as perspectivas da mãe e da filha. Em relação à impressão das duas personagens, as palavras que melhor expressam a reação da mãe e da filha, respectivamente, são:

 

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