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Texto II:
O Cão e o Lobo
1 Um lobo muito magro e faminto, todo pele e ossos, pôs-se um dia a filosofar sobre as
tristezas da vida. E nisso estava quando lhe surge pela frente um cão — mas um cão e tanto,
gordo, forte, de pelo fino e lustroso.
Espicaçado pela fome, o lobo teve ímpeto de
5 atirar-se a ele. A prudência, entretanto, cochichou-lhe
ao ouvido: “Cuidado! Quem se mete a lutar com um
cão desses sai perdendo”.
O lobo aproximou-se do cão com toda a
cautela e disse:
10 — Bravos! Palavra de honra que nunca vi um
cão mais gordo nem mais forte. Que pernas rijas, que
pelo macio! Vê-se que o amigo se trata...
— É verdade! — respondeu o cão. Confesso
que tenho tratamento de fidalgo. Mas, amigo lobo,
15 suponho que você pode levar a mesma boa vida que
levo.
― Como?
— Basta que abandone esse viver errante,
esses hábitos selvagens e se civilize, como eu.
20 — Explique-me lá isso por miúdo, pediu o lobo com um brilho de esperança nos olhos.
— É fácil. Eu apresento você ao meu senhor. Ele, está claro, simpatiza-se e dá a você o mesmo tratamento que dá a mim: bons ossos de galinha, nacos de carne, um canil com palha
macia. Além disso, agrados, mimos a toda hora, palmadas amigas, um nome.
— Aceito! — respondeu o lobo. Quem não deixará uma vida miserável como esta por uma de 25 regalos assim?
— Em troca disso — continuou o cão — você guardará o terreiro, não deixando entrar
ladrões nem vagabundos. Agradará ao senhor e à sua família, sacudindo a cauda e lambendo a mão de todos.
— Fechado! — resolveu o lobo e emparelhando-se com o cachorro partiu a caminho
30 da casa. Logo, porém, notou que o cachorro estava de coleira.
— Que diabo é isso que você tem no pescoço?
— É a coleira.
— E para que serve?
— Para me prenderem à corrente.
35 — Então não é livre, não vai para onde quer, como eu?
— Nem sempre. Passo às vezes vários dias preso, conforme a veneta do meu senhor. Mas
que tem isso, se a comida é boa e vem à hora certa?
O lobo entreparou, refletiu e disse:
— Sabe do que mais? Até logo! Prefiro viver magro e faminto, porém livre e dono do meu
40 focinho, a viver gordo e liso como você, mas de coleira ao pescoço. Fique-se lá com a sua gordura de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre.
E afundou no mato.

LOBATO, Monteiro, in Fábulas: O Cão e o Lobo. Brasiliense, São Paulo, 2002, p. 29
Fonte da imagem Disponível: < http://www.iejusa.com.br/mundoinfantil/fabulasbrasileiras.php>. Acesso em 04 de out. de 2019.
No texto II, ocorre, em certo momento, uma mudança radical no desenlace dos acontecimentos. A passagem que ilustra essa transformação é
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Texto I:

Ilustração de Jean-Claude R. Alphen
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca com o homem de cavanhaque.
20 O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: s vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen. João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
Texto II:
O Cão e o Lobo
1 Um lobo muito magro e faminto, todo pele e ossos, pôs-se um dia a filosofar sobre as
tristezas da vida. E nisso estava quando lhe surge pela frente um cão — mas um cão e tanto,
gordo, forte, de pelo fino e lustroso.
Espicaçado pela fome, o lobo teve ímpeto de
5 atirar-se a ele. A prudência, entretanto, cochichou-lhe
ao ouvido: “Cuidado! Quem se mete a lutar com um
cão desses sai perdendo”.
O lobo aproximou-se do cão com toda a
cautela e disse:
10 — Bravos! Palavra de honra que nunca vi um
cão mais gordo nem mais forte. Que pernas rijas, que
pelo macio! Vê-se que o amigo se trata...
— É verdade! — respondeu o cão. Confesso
que tenho tratamento de fidalgo. Mas, amigo lobo,
15 suponho que você pode levar a mesma boa vida que
levo.
― Como?
— Basta que abandone esse viver errante,
esses hábitos selvagens e se civilize, como eu.
20 — Explique-me lá isso por miúdo, pediu o lobo com um brilho de esperança nos olhos.
— É fácil. Eu apresento você ao meu senhor. Ele, está claro, simpatiza-se e dá a você o mesmo tratamento que dá a mim: bons ossos de galinha, nacos de carne, um canil com palha
macia. Além disso, agrados, mimos a toda hora, palmadas amigas, um nome.
— Aceito! — respondeu o lobo. Quem não deixará uma vida miserável como esta por uma de 25 regalos assim?
— Em troca disso — continuou o cão — você guardará o terreiro, não deixando entrar
ladrões nem vagabundos. Agradará ao senhor e à sua família, sacudindo a cauda e lambendo a mão de todos.
— Fechado! — resolveu o lobo e emparelhando-se com o cachorro partiu a caminho
30 da casa. Logo, porém, notou que o cachorro estava de coleira.
— Que diabo é isso que você tem no pescoço?
— É a coleira.
— E para que serve?
— Para me prenderem à corrente.
35 — Então não é livre, não vai para onde quer, como eu?
— Nem sempre. Passo às vezes vários dias preso, conforme a veneta do meu senhor. Mas
que tem isso, se a comida é boa e vem à hora certa?
O lobo entreparou, refletiu e disse:
— Sabe do que mais? Até logo! Prefiro viver magro e faminto, porém livre e dono do meu
40 focinho, a viver gordo e liso como você, mas de coleira ao pescoço. Fique-se lá com a sua gordura de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre.
E afundou no mato.

LOBATO, Monteiro, in Fábulas: O Cão e o Lobo. Brasiliense, São Paulo, 2002, p. 29
Fonte da imagem Disponível: < http://www.iejusa.com.br/mundoinfantil/fabulasbrasileiras.php>. Acesso em 04 de out. de 2019.
Comparando-se os textos I e II, percebe-se que tanto a mãe de João quanto o lobo não abrem mão de certos valores, que são, respectivamente,
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Texto I:

Ilustração de Jean-Claude R. Alphen
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca com o homem de cavanhaque.
20 O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: s vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen. João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
No trecho “A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas (que botavam ovos de verdade).” (linha 79), os parênteses, de acordo com o contexto, indicam um (a)
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Texto I:

Ilustração de Jean-Claude R. Alphen
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca com o homem de cavanhaque.
20 O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: s vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen. João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
No decorrer da história, em “quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um ‘no entanto’ nas histórias)” (linha 55), o narrador faz uma ressalva que demonstra
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Texto I:

Ilustração de Jean-Claude R. Alphen
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca com o homem de cavanhaque.
20 O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: s vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen. João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
As repetições “eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó” (linha 3) e “Ele era muito grande, muitíssimo grande, muitíssimo grandíssimo!” (linhas 29 e 30) sugerem que o narrador
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Texto I:

Ilustração de Jean-Claude R. Alphen
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca com o homem de cavanhaque.
20 O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: s vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen. João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
Na construção das frases abaixo, foram empregados recursos expressivos que geram efeitos de sentido semelhantes. A passagem em que ocorre um efeito de sentido diferente dos demais é
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Texto I:

Ilustração de Jean-Claude R. Alphen
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca com o homem de cavanhaque.
20 O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: s vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen. João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
Na passagem “O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio” (linha 19), a palavra em destaque relaciona as palavras “voltou” e “casa”, estabelecendo uma relação de sentido equivalente ao do termo sublinhado em
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Texto I:

Ilustração de Jean-Claude R. Alphen
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca com o homem de cavanhaque.
20 O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: s vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen. João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
Na frase “— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou.” (linha 7), usou-se a vírgula pelo mesmo motivo em que foi usada na passagem
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Texto I:

Ilustração de Jean-Claude R. Alphen
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca com o homem de cavanhaque.
20 O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: s vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen. João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
Na frase dita pela mãe a João “— O que você fez desta vez?” (linha 64), existe o pressuposto de que
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Texto I:

Ilustração de Jean-Claude R. Alphen
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca com o homem de cavanhaque.
20 O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: s vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen. João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
Segundo o verbete do Dicionário Michaelis on-line:
Intertextualidade:
Superposição de um texto literário em relação a um ou mais textos anteriores.
Processo de produção de um texto literário que parte de vários outros e com eles se imbrica.
Disponível : <http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=intertextualidade>, Acesso em 01 de out de 2019
O texto I desta prova revela intertextualidade com o conto de fadas “João e o pé de feijão”. A passagem que confirma essa superposição de texto é
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