Foram encontradas 179 questões.
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
- SemânticaSinônimos e Antônimos
- Interpretação de Textos
REDES SOCIAIS
Antissocial
Por Ruy Castro, em 22/05/20
No mínimo, três ou quatro por dia. São os convites eletrônicos que recebo para me
tornar “amigo” de fulano ou para “fazer parte de sua rede profissional”. São convites amáveis,
endereçados a mim pelo primeiro nome. Mas, apesar do tratamento personalizado, têm um ar
de mensagem disparada a 100 ou 200 pessoas ao mesmo tempo. Sempre que recebo esses
convites, embatuco. Não tenho Facebook, nem sei como funciona, e as únicas redes profissionais
a que pertenço são as empresas a que presto serviços como escritor ou jornalista. Não sei, por
exemplo, qual é a “rede profissional” de um querido amigo que, aos 70 anos, nunca teve uma
carteira de trabalho assinada, nem acordou como assalariado um único dia em sua vida – e ele
me convidou a me juntar à sua “rede”.
Como não sei para que servem essas redes, também não sei o que responder e, pior,
temo que tais mensagens sejam pegadinhas marotas contendo vírus. Assim, ou as apago ou
deixo que morram de velhice na lista de mensagens. O problema é que, com isso, posso estar
passando por esnobe ou antissocial para quem se deu ao trabalho de me convidar a ser seu
“amigo” ou juntar-me à sua “rede”. O ridículo é que os que me convidam a tornar-me “amigo”
deles já são meus amigos. Têm meu telefone, sabem onde moro, já saímos juntos para
pândegas, discutimos futebol, fomos até sócios no passado e, se calhar, um tomou a namorada
do outro e vice-versa. Então, por que tal formalismo engessado?
Acredito que os programadores dessas maravilhas eletrônicas tenham pouca prática de
vida real. Por serem muito jovens e já terem nascido com um mouse na mão, talvez não saibam
que as relações humanas podem se formar a partir de um encontro casual, um aperto de mão,
um brilho no olhar.
Disponível em: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed695_antissocial Acesso em 22 abr. 20
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Como tenho inveja das amendoeiras
Enviado por Zuenir Ventura, 12.01.2013, 09h45m
Zuenir Ventura
Telefonei um dia para Rubem — o Velho Braga, que hoje faria 100 anos — perguntando-
lhe por que tinha feito das amendoeiras uma de suas musas inspiradoras, se nem brasileiras elas
eram, mas indianas, como eu acabara de saber.
Discutia-se então a revelação de que, das 600 mil árvores existentes no Rio, 84% eram de
origem exótica, e apenas 16%, nativas. Daí que a Fundação Parques e Jardins, à medida que as
estrangeiras fossem morrendo, iria substituí-las por espécimes da Mata Atlântica. Não se tratava de
xenofobia, como podia parecer; era para poupar o ecossistema da cidade, que, segundo os técnicos,
se ressentia com a invasão estrangeira. O exotismo no caso era nocivo. [...]
Rubem Braga não caía nessas pegadinhas. Não usava as plantas apenas para fazer crônicas
poéticas. Era amante e grande conhecedor de sua alma e humores. Não é à toa que plantou um dos
mais surpreendentes jardins suspensos da cidade que o filho Roberto e a nora Maria do Carmo
fazem questão de manter e cuidar até hoje.
Sua resposta foi que as amendoeiras eram “árvores desentoadas”. Nunca estão de acordo
entre si. Não se vestem nem se despem por igual. Eram como a gente: cada uma envelhecia com a
idade, conforme o dia de nascimento — com a vantagem de que a cada ano fenecem, mas também
renascem.
A partir de então passei a olhar as amendoeiras de minha rua com inveja. Fiquei
imaginando como seria bom chegar a cada junho, mês em que nasci, com o cabelo caindo, a pele
enrugada, mas podendo me refugiar em casa aguardando a muda.
Um ano depois faria minha rentrée triunfal, novinho em folha, pronto para admirar as
mulheres que, segundo Rubem, em janeiro, sob a influência do verão, “sentem o coração lânguido,
e se espreguiçam de um modo especial; começam a dizer uma coisa e param no meio, seus olhos
brilham devagar, elas ficam olhando as folhas das amendoeiras como se tivessem acabado de
descobrir um estranho passarinho”.
Meu sonho não seria a imortalidade. Nada de estender a vida, como muitos desejam. Se eu
pudesse escolher, eu preferiria esticar a juventude. Que a existência humana continuasse limitada
aos 70/80 anos, tudo bem, mas que, durante o tempo de duração, eu pudesse compartilhar com as
amendoeiras de minha rua o milagre da renovação — todos os anos.
Disponível em: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2013/01/12/como-tenho-inveja-das-amendoeiras-por-zuenir-ventura-482051.asp Acesso em: 30 abr. 20
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Como tenho inveja das amendoeiras
Enviado por Zuenir Ventura, 12.01.2013, 09h45m
Zuenir Ventura
Telefonei um dia para Rubem — o Velho Braga, que hoje faria 100 anos — perguntando-
lhe por que tinha feito das amendoeiras uma de suas musas inspiradoras, se nem brasileiras elas
eram, mas indianas, como eu acabara de saber.
Discutia-se então a revelação de que, das 600 mil árvores existentes no Rio, 84% eram de
origem exótica, e apenas 16%, nativas. Daí que a Fundação Parques e Jardins, à medida que as
estrangeiras fossem morrendo, iria substituí-las por espécimes da Mata Atlântica. Não se tratava de
xenofobia, como podia parecer; era para poupar o ecossistema da cidade, que, segundo os técnicos,
se ressentia com a invasão estrangeira. O exotismo no caso era nocivo. [...]
Rubem Braga não caía nessas pegadinhas. Não usava as plantas apenas para fazer crônicas
poéticas. Era amante e grande conhecedor de sua alma e humores. Não é à toa que plantou um dos
mais surpreendentes jardins suspensos da cidade que o filho Roberto e a nora Maria do Carmo
fazem questão de manter e cuidar até hoje.
Sua resposta foi que as amendoeiras eram “árvores desentoadas”. Nunca estão de acordo
entre si. Não se vestem nem se despem por igual. Eram como a gente: cada uma envelhecia com a
idade, conforme o dia de nascimento — com a vantagem de que a cada ano fenecem, mas também
renascem.
A partir de então passei a olhar as amendoeiras de minha rua com inveja. Fiquei
imaginando como seria bom chegar a cada junho, mês em que nasci, com o cabelo caindo, a pele
enrugada, mas podendo me refugiar em casa aguardando a muda.
Um ano depois faria minha rentrée triunfal, novinho em folha, pronto para admirar as
mulheres que, segundo Rubem, em janeiro, sob a influência do verão, “sentem o coração lânguido,
e se espreguiçam de um modo especial; começam a dizer uma coisa e param no meio, seus olhos
brilham devagar, elas ficam olhando as folhas das amendoeiras como se tivessem acabado de
descobrir um estranho passarinho”.
Meu sonho não seria a imortalidade. Nada de estender a vida, como muitos desejam. Se eu
pudesse escolher, eu preferiria esticar a juventude. Que a existência humana continuasse limitada
aos 70/80 anos, tudo bem, mas que, durante o tempo de duração, eu pudesse compartilhar com as
amendoeiras de minha rua o milagre da renovação — todos os anos.
Disponível em: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2013/01/12/como-tenho-inveja-das-amendoeiras-por-zuenir-ventura-482051.asp Acesso em: 30 abr. 20
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- As expressões que preenchem corretamente as lacunas acima são
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