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4198922 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Ibest
Orgão: CRBM-5
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Texto para a questão.

Um caso constrangedor envolvendo o veterano jornalista belga Peter Vandermeersh ilustrou os perigos

associados ao uso indiscriminado de ferramentas de inteligência artificial (IA) na produção de conteúdo jornalístico.

Chefe das operações irlandesas do Mediahuis, um dos principais grupos de mídia na Europa, ele foi suspenso de suas

funções em março após uma investigação interna constatar que incorporou a seus textos falsas declarações entre

aspas atribuídas a especialistas, que foram geradas erroneamente por programas como ChatGPT, Perplexity e Google

NotebookLM.

Dezenas de declarações presentes em 15 textos publicados por Vandermeersh não correspondiam a fontes

verificáveis e sete fontes citadas nos artigos negaram veementemente ter proferido aquelas palavras. “Existem

citações que não podem ser encontradas nas publicações das quais Vandermeersch afirma tê-las obtido, como

estudos científicos e notícias”, informou o jornal NRC (do qual Vandermeersch já foi editor-chefe), responsável pela

investigação. O jornalista reconheceu os equívocos e afirmou ter caído na “armadilha das alucinações”, termo usado

para descrever erros gerados por IA, ao confiar excessivamente nas ferramentas sem verificar o conteúdo replicado.

“Perdi muitos minutos do meu tempo procurando onde eu poderia ter dito alguma besteira sobre

‘conhecimento imersivo’”, queixou-se Emily Bell, diretora do Centro Tow de Jornalismo Digital da Universidade

Columbia, nos Estados Unidos, uma das vítimas das alucinações disseminadas por Vandermeersh. Usando

ferramentas de IA do Google, Bell encontrou frases muito semelhantes em um discurso feito por outra pessoa. Seu

nome também foi mencionado nesse discurso, mas em outro contexto, o que pode ser a origem da alucinação. O

episódio evidencia um paradoxo da IA generativa: a tecnologia é capaz de produzir textos verossímeis, mas não há

garantia de que sejam verdadeiros. Isso coloca em xeque princípios fundamentais do jornalismo profissional, como

a verificação e a precisão dos fatos transmitidos ao público.

O tema tem sido abordado em estudos que investigam como jornalistas que cobrem assuntos científicos estão

lidando com a incorporação da IA em suas rotinas de trabalho. Um artigo publicado em dezembro no Sage Journals

por seis pesquisadores da área de comunicação evidenciou uma ampla adoção das ferramentas de IA por repórteres

especializados em ciência em tarefas corriqueiras, como transcrição de gravações e apoio à escrita. Nas entrevistas

com os profissionais de imprensa, também foram relatadas preocupações com a confiabilidade das informações e

com a compatibilidade do uso de IA com valores jornalísticos, como responsabilidade e ética. A maioria ainda é

cautelosa ao utilizar a tecnologia em tarefas mais sofisticadas, como a análise de dados.

A adoção da inteligência artificial nas redações, segundo a pesquisa, varia entre países. Os autores se

debruçaram sobre três deles: Brasil, Índia e Reino Unido. Jornalistas científicos britânicos mostraram certa resistência

ao uso avançado das ferramentas, enquanto brasileiros e indianos indicaram ser mais flexíveis. Uma particularidade

dos brasileiros é que adotam amplamente as ferramentas para traduzir textos e apoiar a escrita em um segundo

idioma. Entre os benefícios propiciados pela IA, os entrevistados destacam o aumento da eficiência e o acesso

facilitado à informação e, entre os perigos, a possibilidade de disseminar desinformação e a eliminação de postos de

trabalho, que são cada vez mais escassos no jornalismo.

Mônica Manir. A armadilha das alucinações. In: Revista Pesquisa Fapesp, 21/4/2026. Internet: https://revistapesquisa.fapesp.br/a-armadilha-das-alucinacoes/ (adaptado)

No último parágrafo, a autora do texto
 

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4198921 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Ibest
Orgão: CRBM-5
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Texto para a questão.

Um caso constrangedor envolvendo o veterano jornalista belga Peter Vandermeersh ilustrou os perigos

associados ao uso indiscriminado de ferramentas de inteligência artificial (IA) na produção de conteúdo jornalístico.

Chefe das operações irlandesas do Mediahuis, um dos principais grupos de mídia na Europa, ele foi suspenso de suas

funções em março após uma investigação interna constatar que incorporou a seus textos falsas declarações entre

aspas atribuídas a especialistas, que foram geradas erroneamente por programas como ChatGPT, Perplexity e Google

NotebookLM.

Dezenas de declarações presentes em 15 textos publicados por Vandermeersh não correspondiam a fontes

verificáveis e sete fontes citadas nos artigos negaram veementemente ter proferido aquelas palavras. “Existem

citações que não podem ser encontradas nas publicações das quais Vandermeersch afirma tê-las obtido, como

estudos científicos e notícias”, informou o jornal NRC (do qual Vandermeersch já foi editor-chefe), responsável pela

investigação. O jornalista reconheceu os equívocos e afirmou ter caído na “armadilha das alucinações”, termo usado

para descrever erros gerados por IA, ao confiar excessivamente nas ferramentas sem verificar o conteúdo replicado.

“Perdi muitos minutos do meu tempo procurando onde eu poderia ter dito alguma besteira sobre

‘conhecimento imersivo’”, queixou-se Emily Bell, diretora do Centro Tow de Jornalismo Digital da Universidade

Columbia, nos Estados Unidos, uma das vítimas das alucinações disseminadas por Vandermeersh. Usando

ferramentas de IA do Google, Bell encontrou frases muito semelhantes em um discurso feito por outra pessoa. Seu

nome também foi mencionado nesse discurso, mas em outro contexto, o que pode ser a origem da alucinação. O

episódio evidencia um paradoxo da IA generativa: a tecnologia é capaz de produzir textos verossímeis, mas não há

garantia de que sejam verdadeiros. Isso coloca em xeque princípios fundamentais do jornalismo profissional, como

a verificação e a precisão dos fatos transmitidos ao público.

O tema tem sido abordado em estudos que investigam como jornalistas que cobrem assuntos científicos estão

lidando com a incorporação da IA em suas rotinas de trabalho. Um artigo publicado em dezembro no Sage Journals

por seis pesquisadores da área de comunicação evidenciou uma ampla adoção das ferramentas de IA por repórteres

especializados em ciência em tarefas corriqueiras, como transcrição de gravações e apoio à escrita. Nas entrevistas

com os profissionais de imprensa, também foram relatadas preocupações com a confiabilidade das informações e

com a compatibilidade do uso de IA com valores jornalísticos, como responsabilidade e ética. A maioria ainda é

cautelosa ao utilizar a tecnologia em tarefas mais sofisticadas, como a análise de dados.

A adoção da inteligência artificial nas redações, segundo a pesquisa, varia entre países. Os autores se

debruçaram sobre três deles: Brasil, Índia e Reino Unido. Jornalistas científicos britânicos mostraram certa resistência

ao uso avançado das ferramentas, enquanto brasileiros e indianos indicaram ser mais flexíveis. Uma particularidade

dos brasileiros é que adotam amplamente as ferramentas para traduzir textos e apoiar a escrita em um segundo

idioma. Entre os benefícios propiciados pela IA, os entrevistados destacam o aumento da eficiência e o acesso

facilitado à informação e, entre os perigos, a possibilidade de disseminar desinformação e a eliminação de postos de

trabalho, que são cada vez mais escassos no jornalismo.

Mônica Manir. A armadilha das alucinações. In: Revista Pesquisa Fapesp, 21/4/2026. Internet: https://revistapesquisa.fapesp.br/a-armadilha-das-alucinacoes/ (adaptado)

Em termos de sentido, “textos verossímeis" (linha 18) são textos
 

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4198920 Ano: 2026
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Um caso constrangedor envolvendo o veterano jornalista belga Peter Vandermeersh ilustrou os perigos

associados ao uso indiscriminado de ferramentas de inteligência artificial (IA) na produção de conteúdo jornalístico.

Chefe das operações irlandesas do Mediahuis, um dos principais grupos de mídia na Europa, ele foi suspenso de suas

funções em março após uma investigação interna constatar que incorporou a seus textos falsas declarações entre

aspas atribuídas a especialistas, que foram geradas erroneamente por programas como ChatGPT, Perplexity e Google

NotebookLM.

Dezenas de declarações presentes em 15 textos publicados por Vandermeersh não correspondiam a fontes

verificáveis e sete fontes citadas nos artigos negaram veementemente ter proferido aquelas palavras. “Existem

citações que não podem ser encontradas nas publicações das quais Vandermeersch afirma tê-las obtido, como

estudos científicos e notícias”, informou o jornal NRC (do qual Vandermeersch já foi editor-chefe), responsável pela

investigação. O jornalista reconheceu os equívocos e afirmou ter caído na “armadilha das alucinações”, termo usado

para descrever erros gerados por IA, ao confiar excessivamente nas ferramentas sem verificar o conteúdo replicado.

“Perdi muitos minutos do meu tempo procurando onde eu poderia ter dito alguma besteira sobre

‘conhecimento imersivo’”, queixou-se Emily Bell, diretora do Centro Tow de Jornalismo Digital da Universidade

Columbia, nos Estados Unidos, uma das vítimas das alucinações disseminadas por Vandermeersh. Usando

ferramentas de IA do Google, Bell encontrou frases muito semelhantes em um discurso feito por outra pessoa. Seu

nome também foi mencionado nesse discurso, mas em outro contexto, o que pode ser a origem da alucinação. O

episódio evidencia um paradoxo da IA generativa: a tecnologia é capaz de produzir textos verossímeis, mas não há

garantia de que sejam verdadeiros. Isso coloca em xeque princípios fundamentais do jornalismo profissional, como

a verificação e a precisão dos fatos transmitidos ao público.

O tema tem sido abordado em estudos que investigam como jornalistas que cobrem assuntos científicos estão

lidando com a incorporação da IA em suas rotinas de trabalho. Um artigo publicado em dezembro no Sage Journals

por seis pesquisadores da área de comunicação evidenciou uma ampla adoção das ferramentas de IA por repórteres

especializados em ciência em tarefas corriqueiras, como transcrição de gravações e apoio à escrita. Nas entrevistas

com os profissionais de imprensa, também foram relatadas preocupações com a confiabilidade das informações e

com a compatibilidade do uso de IA com valores jornalísticos, como responsabilidade e ética. A maioria ainda é

cautelosa ao utilizar a tecnologia em tarefas mais sofisticadas, como a análise de dados.

A adoção da inteligência artificial nas redações, segundo a pesquisa, varia entre países. Os autores se

debruçaram sobre três deles: Brasil, Índia e Reino Unido. Jornalistas científicos britânicos mostraram certa resistência

ao uso avançado das ferramentas, enquanto brasileiros e indianos indicaram ser mais flexíveis. Uma particularidade

dos brasileiros é que adotam amplamente as ferramentas para traduzir textos e apoiar a escrita em um segundo

idioma. Entre os benefícios propiciados pela IA, os entrevistados destacam o aumento da eficiência e o acesso

facilitado à informação e, entre os perigos, a possibilidade de disseminar desinformação e a eliminação de postos de

trabalho, que são cada vez mais escassos no jornalismo.

Mônica Manir. A armadilha das alucinações. In: Revista Pesquisa Fapesp, 21/4/2026. Internet: https://revistapesquisa.fapesp.br/a-armadilha-das-alucinacoes/ (adaptado)

Assinale a alternativa em que a reescrita subsequente ao trecho do texto reproduzido é gramaticalmente correta quanto ao uso ou não do sinal indicativo de crase, sem prejuízo das ideias originais do texto.
 

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associados ao uso indiscriminado de ferramentas de inteligência artificial (IA) na produção de conteúdo jornalístico.

Chefe das operações irlandesas do Mediahuis, um dos principais grupos de mídia na Europa, ele foi suspenso de suas

funções em março após uma investigação interna constatar que incorporou a seus textos falsas declarações entre

aspas atribuídas a especialistas, que foram geradas erroneamente por programas como ChatGPT, Perplexity e Google

NotebookLM.

Dezenas de declarações presentes em 15 textos publicados por Vandermeersh não correspondiam a fontes

verificáveis e sete fontes citadas nos artigos negaram veementemente ter proferido aquelas palavras. “Existem

citações que não podem ser encontradas nas publicações das quais Vandermeersch afirma tê-las obtido, como

estudos científicos e notícias”, informou o jornal NRC (do qual Vandermeersch já foi editor-chefe), responsável pela

investigação. O jornalista reconheceu os equívocos e afirmou ter caído na “armadilha das alucinações”, termo usado

para descrever erros gerados por IA, ao confiar excessivamente nas ferramentas sem verificar o conteúdo replicado.

“Perdi muitos minutos do meu tempo procurando onde eu poderia ter dito alguma besteira sobre

‘conhecimento imersivo’”, queixou-se Emily Bell, diretora do Centro Tow de Jornalismo Digital da Universidade

Columbia, nos Estados Unidos, uma das vítimas das alucinações disseminadas por Vandermeersh. Usando

ferramentas de IA do Google, Bell encontrou frases muito semelhantes em um discurso feito por outra pessoa. Seu

nome também foi mencionado nesse discurso, mas em outro contexto, o que pode ser a origem da alucinação. O

episódio evidencia um paradoxo da IA generativa: a tecnologia é capaz de produzir textos verossímeis, mas não há

garantia de que sejam verdadeiros. Isso coloca em xeque princípios fundamentais do jornalismo profissional, como

a verificação e a precisão dos fatos transmitidos ao público.

O tema tem sido abordado em estudos que investigam como jornalistas que cobrem assuntos científicos estão

lidando com a incorporação da IA em suas rotinas de trabalho. Um artigo publicado em dezembro no Sage Journals

por seis pesquisadores da área de comunicação evidenciou uma ampla adoção das ferramentas de IA por repórteres

especializados em ciência em tarefas corriqueiras, como transcrição de gravações e apoio à escrita. Nas entrevistas

com os profissionais de imprensa, também foram relatadas preocupações com a confiabilidade das informações e

com a compatibilidade do uso de IA com valores jornalísticos, como responsabilidade e ética. A maioria ainda é

cautelosa ao utilizar a tecnologia em tarefas mais sofisticadas, como a análise de dados.

A adoção da inteligência artificial nas redações, segundo a pesquisa, varia entre países. Os autores se

debruçaram sobre três deles: Brasil, Índia e Reino Unido. Jornalistas científicos britânicos mostraram certa resistência

ao uso avançado das ferramentas, enquanto brasileiros e indianos indicaram ser mais flexíveis. Uma particularidade

dos brasileiros é que adotam amplamente as ferramentas para traduzir textos e apoiar a escrita em um segundo

idioma. Entre os benefícios propiciados pela IA, os entrevistados destacam o aumento da eficiência e o acesso

facilitado à informação e, entre os perigos, a possibilidade de disseminar desinformação e a eliminação de postos de

trabalho, que são cada vez mais escassos no jornalismo.

Mônica Manir. A armadilha das alucinações. In: Revista Pesquisa Fapesp, 21/4/2026. Internet: https://revistapesquisa.fapesp.br/a-armadilha-das-alucinacoes/ (adaptado)

Com base nas relações de coesão e coerência estabelecidas entre as orações no segundo parágrafo do texto, é correto interpretar que o trecho “ao confiar excessivamente nas ferramentas sem verificar o conteúdo replicado” (linha 12) transmite circunstância de
 

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associados ao uso indiscriminado de ferramentas de inteligência artificial (IA) na produção de conteúdo jornalístico.

Chefe das operações irlandesas do Mediahuis, um dos principais grupos de mídia na Europa, ele foi suspenso de suas

funções em março após uma investigação interna constatar que incorporou a seus textos falsas declarações entre

aspas atribuídas a especialistas, que foram geradas erroneamente por programas como ChatGPT, Perplexity e Google

NotebookLM.

Dezenas de declarações presentes em 15 textos publicados por Vandermeersh não correspondiam a fontes

verificáveis e sete fontes citadas nos artigos negaram veementemente ter proferido aquelas palavras. “Existem

citações que não podem ser encontradas nas publicações das quais Vandermeersch afirma tê-las obtido, como

estudos científicos e notícias”, informou o jornal NRC (do qual Vandermeersch já foi editor-chefe), responsável pela

investigação. O jornalista reconheceu os equívocos e afirmou ter caído na “armadilha das alucinações”, termo usado

para descrever erros gerados por IA, ao confiar excessivamente nas ferramentas sem verificar o conteúdo replicado.

“Perdi muitos minutos do meu tempo procurando onde eu poderia ter dito alguma besteira sobre

‘conhecimento imersivo’”, queixou-se Emily Bell, diretora do Centro Tow de Jornalismo Digital da Universidade

Columbia, nos Estados Unidos, uma das vítimas das alucinações disseminadas por Vandermeersh. Usando

ferramentas de IA do Google, Bell encontrou frases muito semelhantes em um discurso feito por outra pessoa. Seu

nome também foi mencionado nesse discurso, mas em outro contexto, o que pode ser a origem da alucinação. O

episódio evidencia um paradoxo da IA generativa: a tecnologia é capaz de produzir textos verossímeis, mas não há

garantia de que sejam verdadeiros. Isso coloca em xeque princípios fundamentais do jornalismo profissional, como

a verificação e a precisão dos fatos transmitidos ao público.

O tema tem sido abordado em estudos que investigam como jornalistas que cobrem assuntos científicos estão

lidando com a incorporação da IA em suas rotinas de trabalho. Um artigo publicado em dezembro no Sage Journals

por seis pesquisadores da área de comunicação evidenciou uma ampla adoção das ferramentas de IA por repórteres

especializados em ciência em tarefas corriqueiras, como transcrição de gravações e apoio à escrita. Nas entrevistas

com os profissionais de imprensa, também foram relatadas preocupações com a confiabilidade das informações e

com a compatibilidade do uso de IA com valores jornalísticos, como responsabilidade e ética. A maioria ainda é

cautelosa ao utilizar a tecnologia em tarefas mais sofisticadas, como a análise de dados.

A adoção da inteligência artificial nas redações, segundo a pesquisa, varia entre países. Os autores se

debruçaram sobre três deles: Brasil, Índia e Reino Unido. Jornalistas científicos britânicos mostraram certa resistência

ao uso avançado das ferramentas, enquanto brasileiros e indianos indicaram ser mais flexíveis. Uma particularidade

dos brasileiros é que adotam amplamente as ferramentas para traduzir textos e apoiar a escrita em um segundo

idioma. Entre os benefícios propiciados pela IA, os entrevistados destacam o aumento da eficiência e o acesso

facilitado à informação e, entre os perigos, a possibilidade de disseminar desinformação e a eliminação de postos de

trabalho, que são cada vez mais escassos no jornalismo.

Mônica Manir. A armadilha das alucinações. In: Revista Pesquisa Fapesp, 21/4/2026. Internet: https://revistapesquisa.fapesp.br/a-armadilha-das-alucinacoes/ (adaptado)

No segundo parágrafo do texto, o pronome átono presente em ‘tê-las obtido’ (linha 9) refere-se a
 

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associados ao uso indiscriminado de ferramentas de inteligência artificial (IA) na produção de conteúdo jornalístico.

Chefe das operações irlandesas do Mediahuis, um dos principais grupos de mídia na Europa, ele foi suspenso de suas

funções em março após uma investigação interna constatar que incorporou a seus textos falsas declarações entre

aspas atribuídas a especialistas, que foram geradas erroneamente por programas como ChatGPT, Perplexity e Google

NotebookLM.

Dezenas de declarações presentes em 15 textos publicados por Vandermeersh não correspondiam a fontes

verificáveis e sete fontes citadas nos artigos negaram veementemente ter proferido aquelas palavras. “Existem

citações que não podem ser encontradas nas publicações das quais Vandermeersch afirma tê-las obtido, como

estudos científicos e notícias”, informou o jornal NRC (do qual Vandermeersch já foi editor-chefe), responsável pela

investigação. O jornalista reconheceu os equívocos e afirmou ter caído na “armadilha das alucinações”, termo usado

para descrever erros gerados por IA, ao confiar excessivamente nas ferramentas sem verificar o conteúdo replicado.

“Perdi muitos minutos do meu tempo procurando onde eu poderia ter dito alguma besteira sobre

‘conhecimento imersivo’”, queixou-se Emily Bell, diretora do Centro Tow de Jornalismo Digital da Universidade

Columbia, nos Estados Unidos, uma das vítimas das alucinações disseminadas por Vandermeersh. Usando

ferramentas de IA do Google, Bell encontrou frases muito semelhantes em um discurso feito por outra pessoa. Seu

nome também foi mencionado nesse discurso, mas em outro contexto, o que pode ser a origem da alucinação. O

episódio evidencia um paradoxo da IA generativa: a tecnologia é capaz de produzir textos verossímeis, mas não há

garantia de que sejam verdadeiros. Isso coloca em xeque princípios fundamentais do jornalismo profissional, como

a verificação e a precisão dos fatos transmitidos ao público.

O tema tem sido abordado em estudos que investigam como jornalistas que cobrem assuntos científicos estão

lidando com a incorporação da IA em suas rotinas de trabalho. Um artigo publicado em dezembro no Sage Journals

por seis pesquisadores da área de comunicação evidenciou uma ampla adoção das ferramentas de IA por repórteres

especializados em ciência em tarefas corriqueiras, como transcrição de gravações e apoio à escrita. Nas entrevistas

com os profissionais de imprensa, também foram relatadas preocupações com a confiabilidade das informações e

com a compatibilidade do uso de IA com valores jornalísticos, como responsabilidade e ética. A maioria ainda é

cautelosa ao utilizar a tecnologia em tarefas mais sofisticadas, como a análise de dados.

A adoção da inteligência artificial nas redações, segundo a pesquisa, varia entre países. Os autores se

debruçaram sobre três deles: Brasil, Índia e Reino Unido. Jornalistas científicos britânicos mostraram certa resistência

ao uso avançado das ferramentas, enquanto brasileiros e indianos indicaram ser mais flexíveis. Uma particularidade

dos brasileiros é que adotam amplamente as ferramentas para traduzir textos e apoiar a escrita em um segundo

idioma. Entre os benefícios propiciados pela IA, os entrevistados destacam o aumento da eficiência e o acesso

facilitado à informação e, entre os perigos, a possibilidade de disseminar desinformação e a eliminação de postos de

trabalho, que são cada vez mais escassos no jornalismo.

Mônica Manir. A armadilha das alucinações. In: Revista Pesquisa Fapesp, 21/4/2026. Internet: https://revistapesquisa.fapesp.br/a-armadilha-das-alucinacoes/ (adaptado)

Conclui-se do texto que
 

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