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- Gestão de ProcessosOrganizações, Sistemas e Métodos
- PODC: Processo OrganizacionalProcesso Administrativo: OrganizaçãoEstrutura Organizacional
Considere uma empresa que denota mudanças rápidas nas necessidades e demandas dos clientes, sendo o aprendizado e a inovação
essenciais para sua competitividade no mercado e, para tal, identifica os processos centrais em torno dos quais a estrutura é criada.
Gerentes e funcionários têm acesso a treinamentos, ferramentas e autoridade para tomar decisões; os limites interdepartamentais
são inexistentes, sendo as equipes autodirigidas e com liberdade para pensar de forma criativa e flexibilidade para resolver os desafios; a cultura é de confiança e a colaboração tem foco em melhorias contínuas. Considerando o contexto apresentado, podemos
inferir que a empresa adota a estrutura organizacional:
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A comunicação organizacional deve ser considerada como uma área abrangente e complexa, não como uma simples transmissão
de informações e entendida em suas dimensões humana, instrumental e estratégica, pois ela se constitui em parte inerente à natureza das organizações formadas por seres humanos que se comunicam entre si e por meio de processos interativos, viabilizam o
sistema funcional, ou seja, sem comunicação as organizações não existiriam. Considerando a comunicação como parte integrante
da gestão e fator de resultados que agregam valores à organização, ela é valorizada em todos os sentidos e conta com altos investimentos; nesse sentido, a comunicação organizacional
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- Gestão de ProcessosOrganizações, Sistemas e Métodos
- PODC: Processo OrganizacionalProcesso Administrativo: OrganizaçãoEstrutura Organizacional
Decidida a realização de qualquer trabalho, torna-se necessário a análise administrativa, processo de trabalho, dinâmico e permanente, que tem como objetivo efetuar diagnósticos situacionais das causas e estudar soluções integradas para os problemas administrativos, envolvendo, portanto, a responsabilidade básica de planejar mudanças, aperfeiçoando clima e estrutura organizacionais, assim como processos e métodos de trabalho. São considerados processos e métodos de trabalho em uma análise administrativa:
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- Gestão de ProcessosOrganizações, Sistemas e Métodos
- Gestão Estratégica
- PODC: Processo OrganizacionalProcesso Administrativo: OrganizaçãoEstrutura Organizacional
- PODC: Processo OrganizacionalProcesso Administrativo: OrganizaçãoEstratégia Organizacional
O manual de procedimentos, que descreve as atividades que interessam os diversos órgãos da empresa e explicita como elas
devem ser desenvolvidas, deve evidenciar os seguintes objetivos; analise-os.
I. Comunicar aos gerentes interessados de todos os níveis as linhas de autoridade da empresa.
II. Proporcionar, por intermédio de um ou mais departamentos, métodos que possibilitem a execução uniforme dos serviços.
III. Atribuir aos departamentos competência para definir as informações que serão incluídas no manual.
IV. Coordenar os esforços de todos, para que sejam atingidos os propósitos gerais da empresa.
Está correto o que se afirma apenas em
I. Comunicar aos gerentes interessados de todos os níveis as linhas de autoridade da empresa.
II. Proporcionar, por intermédio de um ou mais departamentos, métodos que possibilitem a execução uniforme dos serviços.
III. Atribuir aos departamentos competência para definir as informações que serão incluídas no manual.
IV. Coordenar os esforços de todos, para que sejam atingidos os propósitos gerais da empresa.
Está correto o que se afirma apenas em
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- Gestão Estratégica
- PODC: Processo OrganizacionalProcesso Administrativo: PlanejamentoPlanejamento Estratégico, Tático e Operacional
A primeira das funções administrativas – o planejamento, é um processo de estabelecer objetivos e definir a maneira como
alcançá-los. O planejamento é feito por meio de planos. O administrador deve saber lidar com diferentes tipos de planos, os
quais podem incluir períodos de longo a curto prazo, assim como podem envolver a organização inteira, uma divisão, um
departamento, ou uma tarefa. O planejamento é uma função administrativa que se distribui entre todos os níveis organizacionais. Embora o seu conceito seja exatamente o mesmo, em cada nível organizacional, o planejamento apresenta características diferentes; analise-as.
I. O planejamento estratégico é orientado para o futuro: seu horizonte de tempo é o longo prazo. Durante o curso do planejamento, a consideração dos problemas atuais é dada apenas em função dos obstáculos e das barreiras que eles possam provocar para um desejado lugar no futuro. É mais voltado para os problemas do futuro que os de hoje.
II. O planejamento estratégico é uma forma de aprendizagem organizacional: como está orientado para a adaptação da organização ao contexto ambiental, o planejamento constitui uma tentativa constante de aprender a ajustar-se a um ambiente complexo, competitivo e mutável.
III. O planejamento tático é compreensivo: ele envolve a organização como uma totalidade, abarcando todos os seus recursos, no sentido de obter efeitos sinergísticos de todas as capacidades e potencialidades da organização. A resposta estratégica da organização envolve um comportamento global, compreensivo e sistêmico.
IV. O planejamento tático é um processo de construção de consenso: dada a diversidade de interesses e necessidades dos parceiros envolvidos, o planejamento oferece um meio de atender na direção futura que melhor convenha a todos.
Está correto o que se afirma apenas em
I. O planejamento estratégico é orientado para o futuro: seu horizonte de tempo é o longo prazo. Durante o curso do planejamento, a consideração dos problemas atuais é dada apenas em função dos obstáculos e das barreiras que eles possam provocar para um desejado lugar no futuro. É mais voltado para os problemas do futuro que os de hoje.
II. O planejamento estratégico é uma forma de aprendizagem organizacional: como está orientado para a adaptação da organização ao contexto ambiental, o planejamento constitui uma tentativa constante de aprender a ajustar-se a um ambiente complexo, competitivo e mutável.
III. O planejamento tático é compreensivo: ele envolve a organização como uma totalidade, abarcando todos os seus recursos, no sentido de obter efeitos sinergísticos de todas as capacidades e potencialidades da organização. A resposta estratégica da organização envolve um comportamento global, compreensivo e sistêmico.
IV. O planejamento tático é um processo de construção de consenso: dada a diversidade de interesses e necessidades dos parceiros envolvidos, o planejamento oferece um meio de atender na direção futura que melhor convenha a todos.
Está correto o que se afirma apenas em
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2978921
Ano: 2023
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: Consulplan
Orgão: CREFITO-4
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: Consulplan
Orgão: CREFITO-4
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Existe uma nova realidade social determinada, dentre outros fatores, pelo aumento da expectativa de vida e do maior tempo
de permanência das pessoas em atividade laboral. A forma como as organizações lidam com aspectos da segurança no
trabalho e saúde de seus empregados é cada vez mais um ponto de atenção na sociedade moderna. Especificamente, a saúde
mental dos empregados passou a receber mais destaque dentro das práticas de sustentabilidade das organizações, sendo
item essencial para o avanço de suas agendas ESG (
Environmental Social and Governance
). Sobre as medidas que podem ser
adotadas pelas empresas no cuidado com a saúde mental, analise as possibilidades a seguir.
I. Promover pesquisas para identificar como as pessoas estão se sentindo no trabalho.
II. Incluir na programação da SIPAT temas e atividades referentes à ergonomia e uso de EPIs.
III. Oferecer rodas de conversas com os empregados e falar sobre o assunto corporativamente de forma aberta, incentivando as pessoas a expor seus problemas pessoais e emocionais.
IV. Abrir espaços de discussão sobre o tema, aderindo, por exemplo, a campanhas nacionais como a do Setembro Amarelo, visando desconstruir estigmas e preconceitos sobre questões de saúde mental.
V. Cultivar um espaço seguro e de acolhimento para os empregados, voltado tanto à prevenção quanto ao encaminhamento de questões relacionadas à saúde mental, oferecendo ajuda aos que necessitam de apoio.
Está correto o que se afirma apenas em
I. Promover pesquisas para identificar como as pessoas estão se sentindo no trabalho.
II. Incluir na programação da SIPAT temas e atividades referentes à ergonomia e uso de EPIs.
III. Oferecer rodas de conversas com os empregados e falar sobre o assunto corporativamente de forma aberta, incentivando as pessoas a expor seus problemas pessoais e emocionais.
IV. Abrir espaços de discussão sobre o tema, aderindo, por exemplo, a campanhas nacionais como a do Setembro Amarelo, visando desconstruir estigmas e preconceitos sobre questões de saúde mental.
V. Cultivar um espaço seguro e de acolhimento para os empregados, voltado tanto à prevenção quanto ao encaminhamento de questões relacionadas à saúde mental, oferecendo ajuda aos que necessitam de apoio.
Está correto o que se afirma apenas em
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A lixeira
Um dia, quando lhe perguntarem onde é que nasceu, a moça poderá responder, sorrindo: “na lixeira”. Pois realmente foi
ali que a jogaram, entre cascas de banana e borra de café, para que não vivesse; e foi dali que a retiraram, viva, para que desse
testemunho: até numa lixeira a vida pode começar.
O suposto nascimento anterior, num quarto, não vale para essa menina da rua Pedro América; ele se consumou na clandestinidade, a contragosto da mãe, talvez sem que o pai tivesse notícia, e mesmo sem que a mãe tivesse notícia do pai. Não era desejado, não
veio precedido de amor, mas de vergonha, medo, angústia, recriminação. Quem nasce sob tais condições negativas é como se não
nascesse, e a lixeira foi o instrumento providencial que ocorreu à mãe dessa menina errada, para anular, em escala individual, o efeito
da explosão demográfica. Enquanto não se decide a construção de crematórios para os que acabam regularmente, aí está, para os que
começam irregularmente, o incinerador do lixo doméstico. Nem seria preciso queimar a menina, com os demais detritos da casa. A
morte viria logo – necessária, oportuna, benfazeja.
Mas, naquele dia, a lixeira reagiu de forma imprevista, abstendo-se de cumprir a missão que já tantas mães solteiras, desesperadas ou não, lhe confiaram. Ficou surda aos argumentos sociais, morais e econômicos que demonstram a inconveniência de salvar-se
uma vida de origem equívoca e de custeio incerto. Guardou a menina como lixeira pode guardar, sem qualquer cuidado higiênico ou
resquício de conforto, mas guardou-a. Não lhe abafou o chorinho com o desmoronamento de um pacote de restos de cozinha, ou a
queda de uma lata vazia de pessegada sobre a cabeça. Na verdade, estimulou-a a chorar e bradar, dando-lhe ar pútrido e temperatura
de fornalha, para que melhor protestasse e atraísse, pelo sofrimento revoltado, a atenção do faxineiro.
E chegou o faxineiro e tirou daquelas entranhas estranhas a recém-nascida, como o obstetra faz o parto. Estava nascendo,
na porcaria, uma criança; e outro menino não nasceu, faz muito tempo, num cocho de comida de animais, no estábulo, entre
o farelo e o milho? A lixeira pode fazer as vezes de maternidade, berçário moderno para a vida que quer manifestar-se de
qualquer modo e não encontra outra saída. O obscuro humanitarismo, a piedade e a simpatia dessa lixeira, não salvaram, criaram a
vida. Foi lá que a criança verdadeiramente nasceu, quando os seres humanos, a ordem econômica e os últimos preconceitos
lhe negaram ou lhe impediram a existência.
A menina, mais tarde, poderá dizer com alegria reconhecida: “devo a vida a uma lixeira, foi nela que vim ao mundo”. E nós
também devemos alguma coisa a essa lixeira: a lição de respeito à vida.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Caminhos de João Brandão. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1970. p. 97-98.)
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A lixeira
Um dia, quando lhe perguntarem onde é que nasceu, a moça poderá responder, sorrindo: “na lixeira”. Pois realmente foi
ali que a jogaram, entre cascas de banana e borra de café, para que não vivesse; e foi dali que a retiraram, viva, para que desse
testemunho: até numa lixeira a vida pode começar.
O suposto nascimento anterior, num quarto, não vale para essa menina da rua Pedro América; ele se consumou na clandestinidade, a contragosto da mãe, talvez sem que o pai tivesse notícia, e mesmo sem que a mãe tivesse notícia do pai. Não era desejado, não
veio precedido de amor, mas de vergonha, medo, angústia, recriminação. Quem nasce sob tais condições negativas é como se não
nascesse, e a lixeira foi o instrumento providencial que ocorreu à mãe dessa menina errada, para anular, em escala individual, o efeito
da explosão demográfica. Enquanto não se decide a construção de crematórios para os que acabam regularmente, aí está, para os que
começam irregularmente, o incinerador do lixo doméstico. Nem seria preciso queimar a menina, com os demais detritos da casa. A
morte viria logo – necessária, oportuna, benfazeja.
Mas, naquele dia, a lixeira reagiu de forma imprevista, abstendo-se de cumprir a missão que já tantas mães solteiras, desesperadas ou não, lhe confiaram. Ficou surda aos argumentos sociais, morais e econômicos que demonstram a inconveniência de salvar-se
uma vida de origem equívoca e de custeio incerto. Guardou a menina como lixeira pode guardar, sem qualquer cuidado higiênico ou
resquício de conforto, mas guardou-a. Não lhe abafou o chorinho com o desmoronamento de um pacote de restos de cozinha, ou a
queda de uma lata vazia de pessegada sobre a cabeça. Na verdade, estimulou-a a chorar e bradar, dando-lhe ar pútrido e temperatura
de fornalha, para que melhor protestasse e atraísse, pelo sofrimento revoltado, a atenção do faxineiro.
E chegou o faxineiro e tirou daquelas entranhas estranhas a recém-nascida, como o obstetra faz o parto. Estava nascendo,
na porcaria, uma criança; e outro menino não nasceu, faz muito tempo, num cocho de comida de animais, no estábulo, entre
o farelo e o milho? A lixeira pode fazer as vezes de maternidade, berçário moderno para a vida que quer manifestar-se de
qualquer modo e não encontra outra saída. O obscuro humanitarismo, a piedade e a simpatia dessa lixeira, não salvaram, criaram a
vida. Foi lá que a criança verdadeiramente nasceu, quando os seres humanos, a ordem econômica e os últimos preconceitos
lhe negaram ou lhe impediram a existência.
A menina, mais tarde, poderá dizer com alegria reconhecida: “devo a vida a uma lixeira, foi nela que vim ao mundo”. E nós
também devemos alguma coisa a essa lixeira: a lição de respeito à vida.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Caminhos de João Brandão. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1970. p. 97-98.)
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A lixeira
Um dia, quando lhe perguntarem onde é que nasceu, a moça poderá responder, sorrindo: “na lixeira”. Pois realmente foi
ali que a jogaram, entre cascas de banana e borra de café, para que não vivesse; e foi dali que a retiraram, viva, para que desse
testemunho: até numa lixeira a vida pode começar.
O suposto nascimento anterior, num quarto, não vale para essa menina da rua Pedro América; ele se consumou na clandestinidade, a contragosto da mãe, talvez sem que o pai tivesse notícia, e mesmo sem que a mãe tivesse notícia do pai. Não era desejado, não
veio precedido de amor, mas de vergonha, medo, angústia, recriminação. Quem nasce sob tais condições negativas é como se não
nascesse, e a lixeira foi o instrumento providencial que ocorreu à mãe dessa menina errada, para anular, em escala individual, o efeito
da explosão demográfica. Enquanto não se decide a construção de crematórios para os que acabam regularmente, aí está, para os que
começam irregularmente, o incinerador do lixo doméstico. Nem seria preciso queimar a menina, com os demais detritos da casa. A
morte viria logo – necessária, oportuna, benfazeja.
Mas, naquele dia, a lixeira reagiu de forma imprevista, abstendo-se de cumprir a missão que já tantas mães solteiras, desesperadas ou não, lhe confiaram. Ficou surda aos argumentos sociais, morais e econômicos que demonstram a inconveniência de salvar-se
uma vida de origem equívoca e de custeio incerto. Guardou a menina como lixeira pode guardar, sem qualquer cuidado higiênico ou
resquício de conforto, mas guardou-a. Não lhe abafou o chorinho com o desmoronamento de um pacote de restos de cozinha, ou a
queda de uma lata vazia de pessegada sobre a cabeça. Na verdade, estimulou-a a chorar e bradar, dando-lhe ar pútrido e temperatura
de fornalha, para que melhor protestasse e atraísse, pelo sofrimento revoltado, a atenção do faxineiro.
E chegou o faxineiro e tirou daquelas entranhas estranhas a recém-nascida, como o obstetra faz o parto. Estava nascendo,
na porcaria, uma criança; e outro menino não nasceu, faz muito tempo, num cocho de comida de animais, no estábulo, entre
o farelo e o milho? A lixeira pode fazer as vezes de maternidade, berçário moderno para a vida que quer manifestar-se de
qualquer modo e não encontra outra saída. O obscuro humanitarismo, a piedade e a simpatia dessa lixeira, não salvaram, criaram a
vida. Foi lá que a criança verdadeiramente nasceu, quando os seres humanos, a ordem econômica e os últimos preconceitos
lhe negaram ou lhe impediram a existência.
A menina, mais tarde, poderá dizer com alegria reconhecida: “devo a vida a uma lixeira, foi nela que vim ao mundo”. E nós
também devemos alguma coisa a essa lixeira: a lição de respeito à vida.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Caminhos de João Brandão. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1970. p. 97-98.)
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A lixeira
Um dia, quando lhe perguntarem onde é que nasceu, a moça poderá responder, sorrindo: “na lixeira”. Pois realmente foi
ali que a jogaram, entre cascas de banana e borra de café, para que não vivesse; e foi dali que a retiraram, viva, para que desse
testemunho: até numa lixeira a vida pode começar.
O suposto nascimento anterior, num quarto, não vale para essa menina da rua Pedro América; ele se consumou na clandestinidade, a contragosto da mãe, talvez sem que o pai tivesse notícia, e mesmo sem que a mãe tivesse notícia do pai. Não era desejado, não
veio precedido de amor, mas de vergonha, medo, angústia, recriminação. Quem nasce sob tais condições negativas é como se não
nascesse, e a lixeira foi o instrumento providencial que ocorreu à mãe dessa menina errada, para anular, em escala individual, o efeito
da explosão demográfica. Enquanto não se decide a construção de crematórios para os que acabam regularmente, aí está, para os que
começam irregularmente, o incinerador do lixo doméstico. Nem seria preciso queimar a menina, com os demais detritos da casa. A
morte viria logo – necessária, oportuna, benfazeja.
Mas, naquele dia, a lixeira reagiu de forma imprevista, abstendo-se de cumprir a missão que já tantas mães solteiras, desesperadas ou não, lhe confiaram. Ficou surda aos argumentos sociais, morais e econômicos que demonstram a inconveniência de salvar-se
uma vida de origem equívoca e de custeio incerto. Guardou a menina como lixeira pode guardar, sem qualquer cuidado higiênico ou
resquício de conforto, mas guardou-a. Não lhe abafou o chorinho com o desmoronamento de um pacote de restos de cozinha, ou a
queda de uma lata vazia de pessegada sobre a cabeça. Na verdade, estimulou-a a chorar e bradar, dando-lhe ar pútrido e temperatura
de fornalha, para que melhor protestasse e atraísse, pelo sofrimento revoltado, a atenção do faxineiro.
E chegou o faxineiro e tirou daquelas entranhas estranhas a recém-nascida, como o obstetra faz o parto. Estava nascendo,
na porcaria, uma criança; e outro menino não nasceu, faz muito tempo, num cocho de comida de animais, no estábulo, entre
o farelo e o milho? A lixeira pode fazer as vezes de maternidade, berçário moderno para a vida que quer manifestar-se de
qualquer modo e não encontra outra saída. O obscuro humanitarismo, a piedade e a simpatia dessa lixeira, não salvaram, criaram a
vida. Foi lá que a criança verdadeiramente nasceu, quando os seres humanos, a ordem econômica e os últimos preconceitos
lhe negaram ou lhe impediram a existência.
A menina, mais tarde, poderá dizer com alegria reconhecida: “devo a vida a uma lixeira, foi nela que vim ao mundo”. E nós
também devemos alguma coisa a essa lixeira: a lição de respeito à vida.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Caminhos de João Brandão. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1970. p. 97-98.)
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