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4115450 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
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Recado pro bolsinho da camisa

 

Lourenço Diaféria

 

Não sei como você se chama, garoto, mas te vi um dia atravessando o viaduto de concreto.

 

Caía chuvisco.

 

Teus cabelos estavam ensopados e a camisa de brim grudada no teu corpo magro e ágil como flecha disparada pelo arco do trabalho.

 

Você corria saltando no reflexo do asfalto molhado, como bolinha de gude rolada na infância.

 

Não deu tempo para perguntar teu nome. Tuas pernas finas tinham pressa. Você carregava a maleta de mão com fecho cromado, e dentro dela havia o peso da responsabilidade de papéis sérios e urgentes, que deveriam chegar a um ponto qualquer da Cidade, antes que se fechassem os guichês e portarias.

 

Outra vez te vi, garoto.

 

Fazia então um sol redondo e cheio pendurado no travessão do espaço.

 

Outra vez, teus cabelos úmidos de suor, a camisa de brim manchada, as calças rústicas mostrando a marca da barra que tua mãe soltou de noite, fio por fio, com um sorriso e um orgulho:

 

– O moleque está crescendo!

Não sei como você se chama, garoto.

 

Te conheço de vista escalando os edifícios, alpinista de elevadores, abridor de picadas na multidão, ponta de lança rompedor nesta briga de foice que são as ruas da Cidade.

 

Garoto que cresce sob o sol e chuva carregando na maleta cheques, duplicatas, títulos, recibos, cartas, telegramas, tutu, bufunfa, grana e um retrato da menina que te espera na lanchonete.

 

Teu nome é: gente.

 

Inventaram outro nome enrolado para dizer que você é garoto do batente.

 

Office-boy.

 

Guri que finta banco, escritório, repartição, fila, balcão, pedido de certidão, imposto a pagar, taxa de conservação, título no protesto e que mata no peito e baixa no terreno quando encontra os olhos da garota da caixa, que pergunta de modo muito legal:

 

– Tem dois cruzeiros trocados?

 

Moleque valente que acorda cedo, engole café com pão, fala tchau mesmo, vai pro ponto do ônibus ou estação, se pendura na condução, se vira mais que pião, tem sua turma, conta vantagem, lê jornal na banca, esquenta a marmita, discute a seleção, e depois do almoço bebe um refrigerante gelado e pede uma esfirra com limão.

 

E depois toca de novo a zunir pela Cidade, conhecido em tudo que é esquina, oi daqui, oi dali, até que a tarde chega e o garoto sai correndo de volta pra casa, vestir o guarda-pó, apanhar a esferográfica, enfiar os cadernos na sacola e enfrentar a escola, o sono, a voz do professor, o quadro-negro, a equação de duas incógnitas, depois de ter passado o dia inteiro gastando sola.

 

Guri, teu nome é: - gente.

 

Menino de escritório, menino do batente, que agarra o trabalho com unhas e dentes, sem você a Cidade amanheceria paralisada como bicho enorme ao qual houvessem cortado as pernas.

 

Pois bem: este recado não é para ser entregue a ninguém, a não ser a você mesmo.

 

Se quiser, guarde-o no bolsinho da camisa.

 

Um dia, quando você estiver completamente crescido, quando tiver bigodes, telefones, papéis importantes para preencher, alguns cabelos brancos; e sua mãe não precisar (ou não puder mais) desmanchar a  barra de suas calças que ficaram curtas; quando você tiver de dar ordens de serviço a outros garotos da Cidade, saberá que, para chegar a qualquer lugar, o segredo é não desistir no meio do caminho.

 

Mas não se esqueça nunca de que as oportunidades não apenas se recebem ou se conquistam.

As oportunidades também devem ser oferecidas para que as pessoas pequenas saibam que seu nome é: - gente.

 

No futebol da vida, garoto, a parada é dura e a bola, dividida. Jogue o jogo mais limpo que você tiver. Jogue sério.

 

Não afrouxe se o passe recebido parecer longo demais.

 

Os mais bonitos gols da vida são marcados pelos que acreditam na força de seu pique.

 

Ponha esse recado no bolsinho da camisa, guri.

 

Um dia você descobrirá que a vida nem sempre é a conquista da taça.

 

A vida é participar do campeonato.

 

Vai nela, garotão!

 

(Antologia da crônica brasileira - de Machado de Assis a Lourenço

Diaféria. São Paulo: Moderna, 2005.p.196-9.)

Fonte: Livro-Português: Linguagem, 3/ William Roberto Cereja, Thereza Cochar

Magalhães, 11.ed - São Paulo: Saraiva, 2016. p.35-7. 

 

"Não deu tempo para perguntar teu nome. Tuas pernas finas tinham pressa. Você carregava a maleta de mão com fecho cromado, e dentro dela havia o peso da responsabilidade de papéis sérios e urgentes, que deveriam chegar a um ponto qualquer da Cidade, antes que se fechassem os guichês e portarias."

 

Acerca do tipo textual fragmento acima, pode-se dizer que ele é

 

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4115449 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
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Recado pro bolsinho da camisa

 

Lourenço Diaféria

 

Não sei como você se chama, garoto, mas te vi um dia atravessando o viaduto de concreto.

 

Caía chuvisco.

 

Teus cabelos estavam ensopados e a camisa de brim grudada no teu corpo magro e ágil como flecha disparada pelo arco do trabalho.

 

Você corria saltando no reflexo do asfalto molhado, como bolinha de gude rolada na infância.

 

Não deu tempo para perguntar teu nome. Tuas pernas finas tinham pressa. Você carregava a maleta de mão com fecho cromado, e dentro dela havia o peso da responsabilidade de papéis sérios e urgentes, que deveriam chegar a um ponto qualquer da Cidade, antes que se fechassem os guichês e portarias.

 

Outra vez te vi, garoto.

 

Fazia então um sol redondo e cheio pendurado no travessão do espaço.

 

Outra vez, teus cabelos úmidos de suor, a camisa de brim manchada, as calças rústicas mostrando a marca da barra que tua mãe soltou de noite, fio por fio, com um sorriso e um orgulho:

 

– O moleque está crescendo!

Não sei como você se chama, garoto.

 

Te conheço de vista escalando os edifícios, alpinista de elevadores, abridor de picadas na multidão, ponta de lança rompedor nesta briga de foice que são as ruas da Cidade.

 

Garoto que cresce sob o sol e chuva carregando na maleta cheques, duplicatas, títulos, recibos, cartas, telegramas, tutu, bufunfa, grana e um retrato da menina que te espera na lanchonete.

 

Teu nome é: gente.

 

Inventaram outro nome enrolado para dizer que você é garoto do batente.

 

Office-boy.

 

Guri que finta banco, escritório, repartição, fila, balcão, pedido de certidão, imposto a pagar, taxa de conservação, título no protesto e que mata no peito e baixa no terreno quando encontra os olhos da garota da caixa, que pergunta de modo muito legal:

 

– Tem dois cruzeiros trocados?

 

Moleque valente que acorda cedo, engole café com pão, fala tchau mesmo, vai pro ponto do ônibus ou estação, se pendura na condução, se vira mais que pião, tem sua turma, conta vantagem, lê jornal na banca, esquenta a marmita, discute a seleção, e depois do almoço bebe um refrigerante gelado e pede uma esfirra com limão.

 

E depois toca de novo a zunir pela Cidade, conhecido em tudo que é esquina, oi daqui, oi dali, até que a tarde chega e o garoto sai correndo de volta pra casa, vestir o guarda-pó, apanhar a esferográfica, enfiar os cadernos na sacola e enfrentar a escola, o sono, a voz do professor, o quadro-negro, a equação de duas incógnitas, depois de ter passado o dia inteiro gastando sola.

 

Guri, teu nome é: - gente.

 

Menino de escritório, menino do batente, que agarra o trabalho com unhas e dentes, sem você a Cidade amanheceria paralisada como bicho enorme ao qual houvessem cortado as pernas.

 

Pois bem: este recado não é para ser entregue a ninguém, a não ser a você mesmo.

 

Se quiser, guarde-o no bolsinho da camisa.

 

Um dia, quando você estiver completamente crescido, quando tiver bigodes, telefones, papéis importantes para preencher, alguns cabelos brancos; e sua mãe não precisar (ou não puder mais) desmanchar a  barra de suas calças que ficaram curtas; quando você tiver de dar ordens de serviço a outros garotos da Cidade, saberá que, para chegar a qualquer lugar, o segredo é não desistir no meio do caminho.

 

Mas não se esqueça nunca de que as oportunidades não apenas se recebem ou se conquistam.

As oportunidades também devem ser oferecidas para que as pessoas pequenas saibam que seu nome é: - gente.

 

No futebol da vida, garoto, a parada é dura e a bola, dividida. Jogue o jogo mais limpo que você tiver. Jogue sério.

 

Não afrouxe se o passe recebido parecer longo demais.

 

Os mais bonitos gols da vida são marcados pelos que acreditam na força de seu pique.

 

Ponha esse recado no bolsinho da camisa, guri.

 

Um dia você descobrirá que a vida nem sempre é a conquista da taça.

 

A vida é participar do campeonato.

 

Vai nela, garotão!

 

(Antologia da crônica brasileira - de Machado de Assis a Lourenço

Diaféria. São Paulo: Moderna, 2005.p.196-9.)

Fonte: Livro-Português: Linguagem, 3/ William Roberto Cereja, Thereza Cochar

Magalhães, 11.ed - São Paulo: Saraiva, 2016. p.35-7. 

 

Assinale a opção em que o termo sublinhado é o sujeito da oração.

 

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4115448 Ano: 2023
Disciplina: Português
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Recado pro bolsinho da camisa

 

Lourenço Diaféria

 

Não sei como você se chama, garoto, mas te vi um dia atravessando o viaduto de concreto.

 

Caía chuvisco.

 

Teus cabelos estavam ensopados e a camisa de brim grudada no teu corpo magro e ágil como flecha disparada pelo arco do trabalho.

 

Você corria saltando no reflexo do asfalto molhado, como bolinha de gude rolada na infância.

 

Não deu tempo para perguntar teu nome. Tuas pernas finas tinham pressa. Você carregava a maleta de mão com fecho cromado, e dentro dela havia o peso da responsabilidade de papéis sérios e urgentes, que deveriam chegar a um ponto qualquer da Cidade, antes que se fechassem os guichês e portarias.

 

Outra vez te vi, garoto.

 

Fazia então um sol redondo e cheio pendurado no travessão do espaço.

 

Outra vez, teus cabelos úmidos de suor, a camisa de brim manchada, as calças rústicas mostrando a marca da barra que tua mãe soltou de noite, fio por fio, com um sorriso e um orgulho:

 

– O moleque está crescendo!

Não sei como você se chama, garoto.

 

Te conheço de vista escalando os edifícios, alpinista de elevadores, abridor de picadas na multidão, ponta de lança rompedor nesta briga de foice que são as ruas da Cidade.

 

Garoto que cresce sob o sol e chuva carregando na maleta cheques, duplicatas, títulos, recibos, cartas, telegramas, tutu, bufunfa, grana e um retrato da menina que te espera na lanchonete.

 

Teu nome é: gente.

 

Inventaram outro nome enrolado para dizer que você é garoto do batente.

 

Office-boy.

 

Guri que finta banco, escritório, repartição, fila, balcão, pedido de certidão, imposto a pagar, taxa de conservação, título no protesto e que mata no peito e baixa no terreno quando encontra os olhos da garota da caixa, que pergunta de modo muito legal:

 

– Tem dois cruzeiros trocados?

 

Moleque valente que acorda cedo, engole café com pão, fala tchau mesmo, vai pro ponto do ônibus ou estação, se pendura na condução, se vira mais que pião, tem sua turma, conta vantagem, lê jornal na banca, esquenta a marmita, discute a seleção, e depois do almoço bebe um refrigerante gelado e pede uma esfirra com limão.

 

E depois toca de novo a zunir pela Cidade, conhecido em tudo que é esquina, oi daqui, oi dali, até que a tarde chega e o garoto sai correndo de volta pra casa, vestir o guarda-pó, apanhar a esferográfica, enfiar os cadernos na sacola e enfrentar a escola, o sono, a voz do professor, o quadro-negro, a equação de duas incógnitas, depois de ter passado o dia inteiro gastando sola.

 

Guri, teu nome é: - gente.

 

Menino de escritório, menino do batente, que agarra o trabalho com unhas e dentes, sem você a Cidade amanheceria paralisada como bicho enorme ao qual houvessem cortado as pernas.

 

Pois bem: este recado não é para ser entregue a ninguém, a não ser a você mesmo.

 

Se quiser, guarde-o no bolsinho da camisa.

 

Um dia, quando você estiver completamente crescido, quando tiver bigodes, telefones, papéis importantes para preencher, alguns cabelos brancos; e sua mãe não precisar (ou não puder mais) desmanchar a  barra de suas calças que ficaram curtas; quando você tiver de dar ordens de serviço a outros garotos da Cidade, saberá que, para chegar a qualquer lugar, o segredo é não desistir no meio do caminho.

 

Mas não se esqueça nunca de que as oportunidades não apenas se recebem ou se conquistam.

As oportunidades também devem ser oferecidas para que as pessoas pequenas saibam que seu nome é: - gente.

 

No futebol da vida, garoto, a parada é dura e a bola, dividida. Jogue o jogo mais limpo que você tiver. Jogue sério.

 

Não afrouxe se o passe recebido parecer longo demais.

 

Os mais bonitos gols da vida são marcados pelos que acreditam na força de seu pique.

 

Ponha esse recado no bolsinho da camisa, guri.

 

Um dia você descobrirá que a vida nem sempre é a conquista da taça.

 

A vida é participar do campeonato.

 

Vai nela, garotão!

 

(Antologia da crônica brasileira - de Machado de Assis a Lourenço

Diaféria. São Paulo: Moderna, 2005.p.196-9.)

Fonte: Livro-Português: Linguagem, 3/ William Roberto Cereja, Thereza Cochar

Magalhães, 11.ed - São Paulo: Saraiva, 2016. p.35-7. 

 

Assinale a opção em que o autor do texto emprega um vocativo no trecho selecionado.

 

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4115447 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Marinha
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Recado pro bolsinho da camisa

 

Lourenço Diaféria

 

Não sei como você se chama, garoto, mas te vi um dia atravessando o viaduto de concreto.

 

Caía chuvisco.

 

Teus cabelos estavam ensopados e a camisa de brim grudada no teu corpo magro e ágil como flecha disparada pelo arco do trabalho.

 

Você corria saltando no reflexo do asfalto molhado, como bolinha de gude rolada na infância.

 

Não deu tempo para perguntar teu nome. Tuas pernas finas tinham pressa. Você carregava a maleta de mão com fecho cromado, e dentro dela havia o peso da responsabilidade de papéis sérios e urgentes, que deveriam chegar a um ponto qualquer da Cidade, antes que se fechassem os guichês e portarias.

 

Outra vez te vi, garoto.

 

Fazia então um sol redondo e cheio pendurado no travessão do espaço.

 

Outra vez, teus cabelos úmidos de suor, a camisa de brim manchada, as calças rústicas mostrando a marca da barra que tua mãe soltou de noite, fio por fio, com um sorriso e um orgulho:

 

– O moleque está crescendo!

Não sei como você se chama, garoto.

 

Te conheço de vista escalando os edifícios, alpinista de elevadores, abridor de picadas na multidão, ponta de lança rompedor nesta briga de foice que são as ruas da Cidade.

 

Garoto que cresce sob o sol e chuva carregando na maleta cheques, duplicatas, títulos, recibos, cartas, telegramas, tutu, bufunfa, grana e um retrato da menina que te espera na lanchonete.

 

Teu nome é: gente.

 

Inventaram outro nome enrolado para dizer que você é garoto do batente.

 

Office-boy.

 

Guri que finta banco, escritório, repartição, fila, balcão, pedido de certidão, imposto a pagar, taxa de conservação, título no protesto e que mata no peito e baixa no terreno quando encontra os olhos da garota da caixa, que pergunta de modo muito legal:

 

– Tem dois cruzeiros trocados?

 

Moleque valente que acorda cedo, engole café com pão, fala tchau mesmo, vai pro ponto do ônibus ou estação, se pendura na condução, se vira mais que pião, tem sua turma, conta vantagem, lê jornal na banca, esquenta a marmita, discute a seleção, e depois do almoço bebe um refrigerante gelado e pede uma esfirra com limão.

 

E depois toca de novo a zunir pela Cidade, conhecido em tudo que é esquina, oi daqui, oi dali, até que a tarde chega e o garoto sai correndo de volta pra casa, vestir o guarda-pó, apanhar a esferográfica, enfiar os cadernos na sacola e enfrentar a escola, o sono, a voz do professor, o quadro-negro, a equação de duas incógnitas, depois de ter passado o dia inteiro gastando sola.

 

Guri, teu nome é: - gente.

 

Menino de escritório, menino do batente, que agarra o trabalho com unhas e dentes, sem você a Cidade amanheceria paralisada como bicho enorme ao qual houvessem cortado as pernas.

 

Pois bem: este recado não é para ser entregue a ninguém, a não ser a você mesmo.

 

Se quiser, guarde-o no bolsinho da camisa.

 

Um dia, quando você estiver completamente crescido, quando tiver bigodes, telefones, papéis importantes para preencher, alguns cabelos brancos; e sua mãe não precisar (ou não puder mais) desmanchar a  barra de suas calças que ficaram curtas; quando você tiver de dar ordens de serviço a outros garotos da Cidade, saberá que, para chegar a qualquer lugar, o segredo é não desistir no meio do caminho.

 

Mas não se esqueça nunca de que as oportunidades não apenas se recebem ou se conquistam.

As oportunidades também devem ser oferecidas para que as pessoas pequenas saibam que seu nome é: - gente.

 

No futebol da vida, garoto, a parada é dura e a bola, dividida. Jogue o jogo mais limpo que você tiver. Jogue sério.

 

Não afrouxe se o passe recebido parecer longo demais.

 

Os mais bonitos gols da vida são marcados pelos que acreditam na força de seu pique.

 

Ponha esse recado no bolsinho da camisa, guri.

 

Um dia você descobrirá que a vida nem sempre é a conquista da taça.

 

A vida é participar do campeonato.

 

Vai nela, garotão!

 

(Antologia da crônica brasileira - de Machado de Assis a Lourenço

Diaféria. São Paulo: Moderna, 2005.p.196-9.)

Fonte: Livro-Português: Linguagem, 3/ William Roberto Cereja, Thereza Cochar

Magalhães, 11.ed - São Paulo: Saraiva, 2016. p.35-7. 

 

Observe o termo destacado no trecho:

 

"Você carregava a maleta de mão com fecho cromado, e dentro dela havia o peso da responsabilidade de papéis sérios e urgentes [...]"

 

Assinale a opção em que a formação de plural do termo apresentado NÃO segue a mesma regra que resultou no termo em destaque no trecho acima.

 

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4115446 Ano: 2023
Disciplina: Português
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Recado pro bolsinho da camisa

 

Lourenço Diaféria

 

Não sei como você se chama, garoto, mas te vi um dia atravessando o viaduto de concreto.

 

Caía chuvisco.

 

Teus cabelos estavam ensopados e a camisa de brim grudada no teu corpo magro e ágil como flecha disparada pelo arco do trabalho.

 

Você corria saltando no reflexo do asfalto molhado, como bolinha de gude rolada na infância.

 

Não deu tempo para perguntar teu nome. Tuas pernas finas tinham pressa. Você carregava a maleta de mão com fecho cromado, e dentro dela havia o peso da responsabilidade de papéis sérios e urgentes, que deveriam chegar a um ponto qualquer da Cidade, antes que se fechassem os guichês e portarias.

 

Outra vez te vi, garoto.

 

Fazia então um sol redondo e cheio pendurado no travessão do espaço.

 

Outra vez, teus cabelos úmidos de suor, a camisa de brim manchada, as calças rústicas mostrando a marca da barra que tua mãe soltou de noite, fio por fio, com um sorriso e um orgulho:

 

– O moleque está crescendo!

Não sei como você se chama, garoto.

 

Te conheço de vista escalando os edifícios, alpinista de elevadores, abridor de picadas na multidão, ponta de lança rompedor nesta briga de foice que são as ruas da Cidade.

 

Garoto que cresce sob o sol e chuva carregando na maleta cheques, duplicatas, títulos, recibos, cartas, telegramas, tutu, bufunfa, grana e um retrato da menina que te espera na lanchonete.

 

Teu nome é: gente.

 

Inventaram outro nome enrolado para dizer que você é garoto do batente.

 

Office-boy.

 

Guri que finta banco, escritório, repartição, fila, balcão, pedido de certidão, imposto a pagar, taxa de conservação, título no protesto e que mata no peito e baixa no terreno quando encontra os olhos da garota da caixa, que pergunta de modo muito legal:

 

– Tem dois cruzeiros trocados?

 

Moleque valente que acorda cedo, engole café com pão, fala tchau mesmo, vai pro ponto do ônibus ou estação, se pendura na condução, se vira mais que pião, tem sua turma, conta vantagem, lê jornal na banca, esquenta a marmita, discute a seleção, e depois do almoço bebe um refrigerante gelado e pede uma esfirra com limão.

 

E depois toca de novo a zunir pela Cidade, conhecido em tudo que é esquina, oi daqui, oi dali, até que a tarde chega e o garoto sai correndo de volta pra casa, vestir o guarda-pó, apanhar a esferográfica, enfiar os cadernos na sacola e enfrentar a escola, o sono, a voz do professor, o quadro-negro, a equação de duas incógnitas, depois de ter passado o dia inteiro gastando sola.

 

Guri, teu nome é: - gente.

 

Menino de escritório, menino do batente, que agarra o trabalho com unhas e dentes, sem você a Cidade amanheceria paralisada como bicho enorme ao qual houvessem cortado as pernas.

 

Pois bem: este recado não é para ser entregue a ninguém, a não ser a você mesmo.

 

Se quiser, guarde-o no bolsinho da camisa.

 

Um dia, quando você estiver completamente crescido, quando tiver bigodes, telefones, papéis importantes para preencher, alguns cabelos brancos; e sua mãe não precisar (ou não puder mais) desmanchar a  barra de suas calças que ficaram curtas; quando você tiver de dar ordens de serviço a outros garotos da Cidade, saberá que, para chegar a qualquer lugar, o segredo é não desistir no meio do caminho.

 

Mas não se esqueça nunca de que as oportunidades não apenas se recebem ou se conquistam.

As oportunidades também devem ser oferecidas para que as pessoas pequenas saibam que seu nome é: - gente.

 

No futebol da vida, garoto, a parada é dura e a bola, dividida. Jogue o jogo mais limpo que você tiver. Jogue sério.

 

Não afrouxe se o passe recebido parecer longo demais.

 

Os mais bonitos gols da vida são marcados pelos que acreditam na força de seu pique.

 

Ponha esse recado no bolsinho da camisa, guri.

 

Um dia você descobrirá que a vida nem sempre é a conquista da taça.

 

A vida é participar do campeonato.

 

Vai nela, garotão!

 

(Antologia da crônica brasileira - de Machado de Assis a Lourenço

Diaféria. São Paulo: Moderna, 2005.p.196-9.)

Fonte: Livro-Português: Linguagem, 3/ William Roberto Cereja, Thereza Cochar

Magalhães, 11.ed - São Paulo: Saraiva, 2016. p.35-7. 

 

Analise os seguintes trechos:

"Você corria saltando no reflexo do asfalto molhado, como bolinha de gude rolada na infância."

"Não deu tempo para perguntar teu nome. Tuas pernas finas tinham pressa."

Identifique as figuras de linguagem empregadas pelo autor nas passagens destacadas.

 

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Recado pro bolsinho da camisa

 

Lourenço Diaféria

 

Não sei como você se chama, garoto, mas te vi um dia atravessando o viaduto de concreto.

 

Caía chuvisco.

 

Teus cabelos estavam ensopados e a camisa de brim grudada no teu corpo magro e ágil como flecha disparada pelo arco do trabalho.

 

Você corria saltando no reflexo do asfalto molhado, como bolinha de gude rolada na infância.

 

Não deu tempo para perguntar teu nome. Tuas pernas finas tinham pressa. Você carregava a maleta de mão com fecho cromado, e dentro dela havia o peso da responsabilidade de papéis sérios e urgentes, que deveriam chegar a um ponto qualquer da Cidade, antes que se fechassem os guichês e portarias.

 

Outra vez te vi, garoto.

 

Fazia então um sol redondo e cheio pendurado no travessão do espaço.

 

Outra vez, teus cabelos úmidos de suor, a camisa de brim manchada, as calças rústicas mostrando a marca da barra que tua mãe soltou de noite, fio por fio, com um sorriso e um orgulho:

 

– O moleque está crescendo!

Não sei como você se chama, garoto.

 

Te conheço de vista escalando os edifícios, alpinista de elevadores, abridor de picadas na multidão, ponta de lança rompedor nesta briga de foice que são as ruas da Cidade.

 

Garoto que cresce sob o sol e chuva carregando na maleta cheques, duplicatas, títulos, recibos, cartas, telegramas, tutu, bufunfa, grana e um retrato da menina que te espera na lanchonete.

 

Teu nome é: gente.

 

Inventaram outro nome enrolado para dizer que você é garoto do batente.

 

Office-boy.

 

Guri que finta banco, escritório, repartição, fila, balcão, pedido de certidão, imposto a pagar, taxa de conservação, título no protesto e que mata no peito e baixa no terreno quando encontra os olhos da garota da caixa, que pergunta de modo muito legal:

 

– Tem dois cruzeiros trocados?

 

Moleque valente que acorda cedo, engole café com pão, fala tchau mesmo, vai pro ponto do ônibus ou estação, se pendura na condução, se vira mais que pião, tem sua turma, conta vantagem, lê jornal na banca, esquenta a marmita, discute a seleção, e depois do almoço bebe um refrigerante gelado e pede uma esfirra com limão.

 

E depois toca de novo a zunir pela Cidade, conhecido em tudo que é esquina, oi daqui, oi dali, até que a tarde chega e o garoto sai correndo de volta pra casa, vestir o guarda-pó, apanhar a esferográfica, enfiar os cadernos na sacola e enfrentar a escola, o sono, a voz do professor, o quadro-negro, a equação de duas incógnitas, depois de ter passado o dia inteiro gastando sola.

 

Guri, teu nome é: - gente.

 

Menino de escritório, menino do batente, que agarra o trabalho com unhas e dentes, sem você a Cidade amanheceria paralisada como bicho enorme ao qual houvessem cortado as pernas.

 

Pois bem: este recado não é para ser entregue a ninguém, a não ser a você mesmo.

 

Se quiser, guarde-o no bolsinho da camisa.

 

Um dia, quando você estiver completamente crescido, quando tiver bigodes, telefones, papéis importantes para preencher, alguns cabelos brancos; e sua mãe não precisar (ou não puder mais) desmanchar a  barra de suas calças que ficaram curtas; quando você tiver de dar ordens de serviço a outros garotos da Cidade, saberá que, para chegar a qualquer lugar, o segredo é não desistir no meio do caminho.

 

Mas não se esqueça nunca de que as oportunidades não apenas se recebem ou se conquistam.

As oportunidades também devem ser oferecidas para que as pessoas pequenas saibam que seu nome é: - gente.

 

No futebol da vida, garoto, a parada é dura e a bola, dividida. Jogue o jogo mais limpo que você tiver. Jogue sério.

 

Não afrouxe se o passe recebido parecer longo demais.

 

Os mais bonitos gols da vida são marcados pelos que acreditam na força de seu pique.

 

Ponha esse recado no bolsinho da camisa, guri.

 

Um dia você descobrirá que a vida nem sempre é a conquista da taça.

 

A vida é participar do campeonato.

 

Vai nela, garotão!

 

(Antologia da crônica brasileira - de Machado de Assis a Lourenço

Diaféria. São Paulo: Moderna, 2005.p.196-9.)

Fonte: Livro-Português: Linguagem, 3/ William Roberto Cereja, Thereza Cochar

Magalhães, 11.ed - São Paulo: Saraiva, 2016. p.35-7. 

 

Assinale a opção cm que se fez corretamente a passagem do discurso direto empregado nos trechos para um discurso indireto.

 

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Não sei como você se chama, garoto, mas te vi um dia atravessando o viaduto de concreto.

 

Caía chuvisco.

 

Teus cabelos estavam ensopados e a camisa de brim grudada no teu corpo magro e ágil como flecha disparada pelo arco do trabalho.

 

Você corria saltando no reflexo do asfalto molhado, como bolinha de gude rolada na infância.

 

Não deu tempo para perguntar teu nome. Tuas pernas finas tinham pressa. Você carregava a maleta de mão com fecho cromado, e dentro dela havia o peso da responsabilidade de papéis sérios e urgentes, que deveriam chegar a um ponto qualquer da Cidade, antes que se fechassem os guichês e portarias.

 

Outra vez te vi, garoto.

 

Fazia então um sol redondo e cheio pendurado no travessão do espaço.

 

Outra vez, teus cabelos úmidos de suor, a camisa de brim manchada, as calças rústicas mostrando a marca da barra que tua mãe soltou de noite, fio por fio, com um sorriso e um orgulho:

 

– O moleque está crescendo!

Não sei como você se chama, garoto.

 

Te conheço de vista escalando os edifícios, alpinista de elevadores, abridor de picadas na multidão, ponta de lança rompedor nesta briga de foice que são as ruas da Cidade.

 

Garoto que cresce sob o sol e chuva carregando na maleta cheques, duplicatas, títulos, recibos, cartas, telegramas, tutu, bufunfa, grana e um retrato da menina que te espera na lanchonete.

 

Teu nome é: gente.

 

Inventaram outro nome enrolado para dizer que você é garoto do batente.

 

Office-boy.

 

Guri que finta banco, escritório, repartição, fila, balcão, pedido de certidão, imposto a pagar, taxa de conservação, título no protesto e que mata no peito e baixa no terreno quando encontra os olhos da garota da caixa, que pergunta de modo muito legal:

 

– Tem dois cruzeiros trocados?

 

Moleque valente que acorda cedo, engole café com pão, fala tchau mesmo, vai pro ponto do ônibus ou estação, se pendura na condução, se vira mais que pião, tem sua turma, conta vantagem, lê jornal na banca, esquenta a marmita, discute a seleção, e depois do almoço bebe um refrigerante gelado e pede uma esfirra com limão.

 

E depois toca de novo a zunir pela Cidade, conhecido em tudo que é esquina, oi daqui, oi dali, até que a tarde chega e o garoto sai correndo de volta pra casa, vestir o guarda-pó, apanhar a esferográfica, enfiar os cadernos na sacola e enfrentar a escola, o sono, a voz do professor, o quadro-negro, a equação de duas incógnitas, depois de ter passado o dia inteiro gastando sola.

 

Guri, teu nome é: - gente.

 

Menino de escritório, menino do batente, que agarra o trabalho com unhas e dentes, sem você a Cidade amanheceria paralisada como bicho enorme ao qual houvessem cortado as pernas.

 

Pois bem: este recado não é para ser entregue a ninguém, a não ser a você mesmo.

 

Se quiser, guarde-o no bolsinho da camisa.

 

Um dia, quando você estiver completamente crescido, quando tiver bigodes, telefones, papéis importantes para preencher, alguns cabelos brancos; e sua mãe não precisar (ou não puder mais) desmanchar a  barra de suas calças que ficaram curtas; quando você tiver de dar ordens de serviço a outros garotos da Cidade, saberá que, para chegar a qualquer lugar, o segredo é não desistir no meio do caminho.

 

Mas não se esqueça nunca de que as oportunidades não apenas se recebem ou se conquistam.

As oportunidades também devem ser oferecidas para que as pessoas pequenas saibam que seu nome é: - gente.

 

No futebol da vida, garoto, a parada é dura e a bola, dividida. Jogue o jogo mais limpo que você tiver. Jogue sério.

 

Não afrouxe se o passe recebido parecer longo demais.

 

Os mais bonitos gols da vida são marcados pelos que acreditam na força de seu pique.

 

Ponha esse recado no bolsinho da camisa, guri.

 

Um dia você descobrirá que a vida nem sempre é a conquista da taça.

 

A vida é participar do campeonato.

 

Vai nela, garotão!

 

(Antologia da crônica brasileira - de Machado de Assis a Lourenço

Diaféria. São Paulo: Moderna, 2005.p.196-9.)

Fonte: Livro-Português: Linguagem, 3/ William Roberto Cereja, Thereza Cochar

Magalhães, 11.ed - São Paulo: Saraiva, 2016. p.35-7. 

 

O autor constrói o texto de forma a aproximá-lo de uma linguagem mais informal, ligada à oralidade, o que acarreta a presença de alguns desvios da norma gramatical vigente. Assinale a opção em que a norma padrão da escrita formal foi respeitada.

 

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Questão presente nas seguintes provas
4115443 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
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Recado pro bolsinho da camisa

 

Lourenço Diaféria

 

Não sei como você se chama, garoto, mas te vi um dia atravessando o viaduto de concreto.

 

Caía chuvisco.

 

Teus cabelos estavam ensopados e a camisa de brim grudada no teu corpo magro e ágil como flecha disparada pelo arco do trabalho.

 

Você corria saltando no reflexo do asfalto molhado, como bolinha de gude rolada na infância.

 

Não deu tempo para perguntar teu nome. Tuas pernas finas tinham pressa. Você carregava a maleta de mão com fecho cromado, e dentro dela havia o peso da responsabilidade de papéis sérios e urgentes, que deveriam chegar a um ponto qualquer da Cidade, antes que se fechassem os guichês e portarias.

 

Outra vez te vi, garoto.

 

Fazia então um sol redondo e cheio pendurado no travessão do espaço.

 

Outra vez, teus cabelos úmidos de suor, a camisa de brim manchada, as calças rústicas mostrando a marca da barra que tua mãe soltou de noite, fio por fio, com um sorriso e um orgulho:

 

– O moleque está crescendo!

Não sei como você se chama, garoto.

 

Te conheço de vista escalando os edifícios, alpinista de elevadores, abridor de picadas na multidão, ponta de lança rompedor nesta briga de foice que são as ruas da Cidade.

 

Garoto que cresce sob o sol e chuva carregando na maleta cheques, duplicatas, títulos, recibos, cartas, telegramas, tutu, bufunfa, grana e um retrato da menina que te espera na lanchonete.

 

Teu nome é: gente.

 

Inventaram outro nome enrolado para dizer que você é garoto do batente.

 

Office-boy.

 

Guri que finta banco, escritório, repartição, fila, balcão, pedido de certidão, imposto a pagar, taxa de conservação, título no protesto e que mata no peito e baixa no terreno quando encontra os olhos da garota da caixa, que pergunta de modo muito legal:

 

– Tem dois cruzeiros trocados?

 

Moleque valente que acorda cedo, engole café com pão, fala tchau mesmo, vai pro ponto do ônibus ou estação, se pendura na condução, se vira mais que pião, tem sua turma, conta vantagem, lê jornal na banca, esquenta a marmita, discute a seleção, e depois do almoço bebe um refrigerante gelado e pede uma esfirra com limão.

 

E depois toca de novo a zunir pela Cidade, conhecido em tudo que é esquina, oi daqui, oi dali, até que a tarde chega e o garoto sai correndo de volta pra casa, vestir o guarda-pó, apanhar a esferográfica, enfiar os cadernos na sacola e enfrentar a escola, o sono, a voz do professor, o quadro-negro, a equação de duas incógnitas, depois de ter passado o dia inteiro gastando sola.

 

Guri, teu nome é: - gente.

 

Menino de escritório, menino do batente, que agarra o trabalho com unhas e dentes, sem você a Cidade amanheceria paralisada como bicho enorme ao qual houvessem cortado as pernas.

 

Pois bem: este recado não é para ser entregue a ninguém, a não ser a você mesmo.

 

Se quiser, guarde-o no bolsinho da camisa.

 

Um dia, quando você estiver completamente crescido, quando tiver bigodes, telefones, papéis importantes para preencher, alguns cabelos brancos; e sua mãe não precisar (ou não puder mais) desmanchar a  barra de suas calças que ficaram curtas; quando você tiver de dar ordens de serviço a outros garotos da Cidade, saberá que, para chegar a qualquer lugar, o segredo é não desistir no meio do caminho.

 

Mas não se esqueça nunca de que as oportunidades não apenas se recebem ou se conquistam.

As oportunidades também devem ser oferecidas para que as pessoas pequenas saibam que seu nome é: - gente.

 

No futebol da vida, garoto, a parada é dura e a bola, dividida. Jogue o jogo mais limpo que você tiver. Jogue sério.

 

Não afrouxe se o passe recebido parecer longo demais.

 

Os mais bonitos gols da vida são marcados pelos que acreditam na força de seu pique.

 

Ponha esse recado no bolsinho da camisa, guri.

 

Um dia você descobrirá que a vida nem sempre é a conquista da taça.

 

A vida é participar do campeonato.

 

Vai nela, garotão!

 

(Antologia da crônica brasileira - de Machado de Assis a Lourenço

Diaféria. São Paulo: Moderna, 2005.p.196-9.)

Fonte: Livro-Português: Linguagem, 3/ William Roberto Cereja, Thereza Cochar

Magalhães, 11.ed - São Paulo: Saraiva, 2016. p.35-7. 

 

Assinale a opção em que o termo ou expressão sugerida pode substituir o termo ou expressão em destaque no trecho, mantendo o valor semântico da oração.

 

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Questão presente nas seguintes provas
4115442 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
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Recado pro bolsinho da camisa

 

Lourenço Diaféria

 

Não sei como você se chama, garoto, mas te vi um dia atravessando o viaduto de concreto.

 

Caía chuvisco.

 

Teus cabelos estavam ensopados e a camisa de brim grudada no teu corpo magro e ágil como flecha disparada pelo arco do trabalho.

 

Você corria saltando no reflexo do asfalto molhado, como bolinha de gude rolada na infância.

 

Não deu tempo para perguntar teu nome. Tuas pernas finas tinham pressa. Você carregava a maleta de mão com fecho cromado, e dentro dela havia o peso da responsabilidade de papéis sérios e urgentes, que deveriam chegar a um ponto qualquer da Cidade, antes que se fechassem os guichês e portarias.

 

Outra vez te vi, garoto.

 

Fazia então um sol redondo e cheio pendurado no travessão do espaço.

 

Outra vez, teus cabelos úmidos de suor, a camisa de brim manchada, as calças rústicas mostrando a marca da barra que tua mãe soltou de noite, fio por fio, com um sorriso e um orgulho:

 

– O moleque está crescendo!

Não sei como você se chama, garoto.

 

Te conheço de vista escalando os edifícios, alpinista de elevadores, abridor de picadas na multidão, ponta de lança rompedor nesta briga de foice que são as ruas da Cidade.

 

Garoto que cresce sob o sol e chuva carregando na maleta cheques, duplicatas, títulos, recibos, cartas, telegramas, tutu, bufunfa, grana e um retrato da menina que te espera na lanchonete.

 

Teu nome é: gente.

 

Inventaram outro nome enrolado para dizer que você é garoto do batente.

 

Office-boy.

 

Guri que finta banco, escritório, repartição, fila, balcão, pedido de certidão, imposto a pagar, taxa de conservação, título no protesto e que mata no peito e baixa no terreno quando encontra os olhos da garota da caixa, que pergunta de modo muito legal:

 

– Tem dois cruzeiros trocados?

 

Moleque valente que acorda cedo, engole café com pão, fala tchau mesmo, vai pro ponto do ônibus ou estação, se pendura na condução, se vira mais que pião, tem sua turma, conta vantagem, lê jornal na banca, esquenta a marmita, discute a seleção, e depois do almoço bebe um refrigerante gelado e pede uma esfirra com limão.

 

E depois toca de novo a zunir pela Cidade, conhecido em tudo que é esquina, oi daqui, oi dali, até que a tarde chega e o garoto sai correndo de volta pra casa, vestir o guarda-pó, apanhar a esferográfica, enfiar os cadernos na sacola e enfrentar a escola, o sono, a voz do professor, o quadro-negro, a equação de duas incógnitas, depois de ter passado o dia inteiro gastando sola.

 

Guri, teu nome é: - gente.

 

Menino de escritório, menino do batente, que agarra o trabalho com unhas e dentes, sem você a Cidade amanheceria paralisada como bicho enorme ao qual houvessem cortado as pernas.

 

Pois bem: este recado não é para ser entregue a ninguém, a não ser a você mesmo.

 

Se quiser, guarde-o no bolsinho da camisa.

 

Um dia, quando você estiver completamente crescido, quando tiver bigodes, telefones, papéis importantes para preencher, alguns cabelos brancos; e sua mãe não precisar (ou não puder mais) desmanchar a  barra de suas calças que ficaram curtas; quando você tiver de dar ordens de serviço a outros garotos da Cidade, saberá que, para chegar a qualquer lugar, o segredo é não desistir no meio do caminho.

 

Mas não se esqueça nunca de que as oportunidades não apenas se recebem ou se conquistam.

As oportunidades também devem ser oferecidas para que as pessoas pequenas saibam que seu nome é: - gente.

 

No futebol da vida, garoto, a parada é dura e a bola, dividida. Jogue o jogo mais limpo que você tiver. Jogue sério.

 

Não afrouxe se o passe recebido parecer longo demais.

 

Os mais bonitos gols da vida são marcados pelos que acreditam na força de seu pique.

 

Ponha esse recado no bolsinho da camisa, guri.

 

Um dia você descobrirá que a vida nem sempre é a conquista da taça.

 

A vida é participar do campeonato.

 

Vai nela, garotão!

 

(Antologia da crônica brasileira - de Machado de Assis a Lourenço

Diaféria. São Paulo: Moderna, 2005.p.196-9.)

Fonte: Livro-Português: Linguagem, 3/ William Roberto Cereja, Thereza Cochar

Magalhães, 11.ed - São Paulo: Saraiva, 2016. p.35-7. 

 

A crônica de Lourenço Diaféria é permeada por referências metafóricas, que relacionam. situações cotidianas do protagonista com termos advindos do futebol. Os trechos selecionados a seguir contêm exemplos disso, EXCETO:

 

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4115441 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
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Recado pro bolsinho da camisa

 

Lourenço Diaféria

 

Não sei como você se chama, garoto, mas te vi um dia atravessando o viaduto de concreto.

 

Caía chuvisco.

 

Teus cabelos estavam ensopados e a camisa de brim grudada no teu corpo magro e ágil como flecha disparada pelo arco do trabalho.

 

Você corria saltando no reflexo do asfalto molhado, como bolinha de gude rolada na infância.

 

Não deu tempo para perguntar teu nome. Tuas pernas finas tinham pressa. Você carregava a maleta de mão com fecho cromado, e dentro dela havia o peso da responsabilidade de papéis sérios e urgentes, que deveriam chegar a um ponto qualquer da Cidade, antes que se fechassem os guichês e portarias.

 

Outra vez te vi, garoto.

 

Fazia então um sol redondo e cheio pendurado no travessão do espaço.

 

Outra vez, teus cabelos úmidos de suor, a camisa de brim manchada, as calças rústicas mostrando a marca da barra que tua mãe soltou de noite, fio por fio, com um sorriso e um orgulho:

 

– O moleque está crescendo!

Não sei como você se chama, garoto.

 

Te conheço de vista escalando os edifícios, alpinista de elevadores, abridor de picadas na multidão, ponta de lança rompedor nesta briga de foice que são as ruas da Cidade.

 

Garoto que cresce sob o sol e chuva carregando na maleta cheques, duplicatas, títulos, recibos, cartas, telegramas, tutu, bufunfa, grana e um retrato da menina que te espera na lanchonete.

 

Teu nome é: gente.

 

Inventaram outro nome enrolado para dizer que você é garoto do batente.

 

Office-boy.

 

Guri que finta banco, escritório, repartição, fila, balcão, pedido de certidão, imposto a pagar, taxa de conservação, título no protesto e que mata no peito e baixa no terreno quando encontra os olhos da garota da caixa, que pergunta de modo muito legal:

 

– Tem dois cruzeiros trocados?

 

Moleque valente que acorda cedo, engole café com pão, fala tchau mesmo, vai pro ponto do ônibus ou estação, se pendura na condução, se vira mais que pião, tem sua turma, conta vantagem, lê jornal na banca, esquenta a marmita, discute a seleção, e depois do almoço bebe um refrigerante gelado e pede uma esfirra com limão.

 

E depois toca de novo a zunir pela Cidade, conhecido em tudo que é esquina, oi daqui, oi dali, até que a tarde chega e o garoto sai correndo de volta pra casa, vestir o guarda-pó, apanhar a esferográfica, enfiar os cadernos na sacola e enfrentar a escola, o sono, a voz do professor, o quadro-negro, a equação de duas incógnitas, depois de ter passado o dia inteiro gastando sola.

 

Guri, teu nome é: - gente.

 

Menino de escritório, menino do batente, que agarra o trabalho com unhas e dentes, sem você a Cidade amanheceria paralisada como bicho enorme ao qual houvessem cortado as pernas.

 

Pois bem: este recado não é para ser entregue a ninguém, a não ser a você mesmo.

 

Se quiser, guarde-o no bolsinho da camisa.

 

Um dia, quando você estiver completamente crescido, quando tiver bigodes, telefones, papéis importantes para preencher, alguns cabelos brancos; e sua mãe não precisar (ou não puder mais) desmanchar a  barra de suas calças que ficaram curtas; quando você tiver de dar ordens de serviço a outros garotos da Cidade, saberá que, para chegar a qualquer lugar, o segredo é não desistir no meio do caminho.

 

Mas não se esqueça nunca de que as oportunidades não apenas se recebem ou se conquistam.

As oportunidades também devem ser oferecidas para que as pessoas pequenas saibam que seu nome é: - gente.

 

No futebol da vida, garoto, a parada é dura e a bola, dividida. Jogue o jogo mais limpo que você tiver. Jogue sério.

 

Não afrouxe se o passe recebido parecer longo demais.

 

Os mais bonitos gols da vida são marcados pelos que acreditam na força de seu pique.

 

Ponha esse recado no bolsinho da camisa, guri.

 

Um dia você descobrirá que a vida nem sempre é a conquista da taça.

 

A vida é participar do campeonato.

 

Vai nela, garotão!

 

(Antologia da crônica brasileira - de Machado de Assis a Lourenço

Diaféria. São Paulo: Moderna, 2005.p.196-9.)

Fonte: Livro-Português: Linguagem, 3/ William Roberto Cereja, Thereza Cochar

Magalhães, 11.ed - São Paulo: Saraiva, 2016. p.35-7. 

 

Sobre o texto é INCORRETO afirmar que

 

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