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Foram encontradas 52 questões.

3514441 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FUNEC-MG
Orgão: FUNEC-MG
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Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 3.

A empregada doméstica e a desigualdade de raça e gênero

Em uma palestra na Universidade Federal da Bahia no ano de 2017, a ativista de direitos humanos norte-americana Angela Davis declarou: quando uma mulher negra se move, toda a estrutura da sociedade se move com ela. Por “estrutura”, ela se refere à base da pirâmide social capitalista, lugar comumente ocupado por mulheres negras, pelo menos desde o início da colonização europeia e da escravização de povos africanos. Nesse sentido, a luta contra o racismo não pode ser dissociada da revisão dessa estrutura piramidal como padrão do nosso sistema econômico-social. É difícil imaginar uma sociedade saudável enquanto houver a dominação de uma classe sobre outra, de uma raça sobre outra ou de um gênero sobre outro. Por esse motivo, os movimentos antirracista, feminista e de classe precisam apoiar-se. No fim, todos lutam contra um inimigo em comum: o patriarcado capitalista.

[...]

Conforme a filósofa Djamila Ribeiro, enquanto mulheres brancas são vistas como frágeis, mulheres negras são tidas como detentoras de uma grande habilidade para suportar a dor física e emocional, motivo pelo qual não foram poupadas dos castigos cruéis e degradantes da escravidão. Quando mulheres brancas lutavam pelo direito ao voto, ex-escravas negras reivindicavam ainda condições básicas de dignidade. Muito antes de mulheres brancas conquistarem espaço para trabalhar, mulheres negras já tinham sua força de trabalho massivamente explorada.

No Brasil, onde nunca houve uma política oficial de segregação racial (na direção oposta ao que ocorreu nos EUA e na África do Sul, por exemplo), as camadas que formam os grupos raciais são mais difíceis de identificar. A promoção da miscigenação e a ausência de leis determinando direitos diferentes para negros e brancos dá a falsa impressão de que no Brasil o racismo é mais brando ou até inexistente. Alguns dados históricos, no entanto, desmistificam essa ideia. O Brasil é o país que mais recebeu escravos nas Américas e foi o último a abolir a escravidão, em 1888. Logo, o racismo está nas bases da formação da sociedade brasileira. De acordo com dados de 2019, cerca de 56% da população do país é negra, ou seja, mais da metade. Por outro lado, pessoas negras estão muito longe de ser a maioria nas universidades e nos cargos de poder. Além disso, uma pessoa negra é assassinada a cada 23 minutos no Brasil. Enquanto a Constituição determina que todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza, a hierarquia piramidal da sociedade brasileira insiste em mostrar o contrário.

A desigualdade racial é ainda mais marcante quando analisada sob o enfoque de gênero. O abismo vai além dos âmbitos educacionais e laborais, mas passa também pelas tarefas mais básicas do cotidiano. Lógico seria se cada um fosse responsável por lavar o seu próprio banheiro. Na prática, porém, quase sempre há uma mulher negra encarregada desse serviço. Que todos limpem os próprios banheiros pode parecer uma ideia simples de pôr em prática. Contudo, ela implica uma mudança cultural radical. É muito comum que nas casas das famílias brasileiras de classe média e rica (em sua grande maioria formadas por pessoas brancas) haja uma empregada que trabalha diariamente encarregando-se dos serviços domésticos. Em geral, a empregada faz todo o serviço de limpeza e cozinha, além de cuidar das crianças. Ela geralmente ganha um salário mínimo ou não muito mais do que isso. Ela geralmente é negra.

(OLIVEIRA, Andreia H. Robert de. Site Justificando. 25/05/2020. Disponível em: https://www.justificando.com/2020/05/25/a-empregada-domestica-e-a-desigualdade-de-raca-e-genero/. Acesso em: 13 jul.2020. Adaptado.)

O ponto de vista defendido pela autora é o de que:

 

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3505820 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FUNEC-MG
Orgão: FUNEC-MG
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Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 3.

A empregada doméstica e a desigualdade de raça e gênero

Em uma palestra na Universidade Federal da Bahia no ano de 2017, a ativista de direitos humanos norte-americana Angela Davis declarou: quando uma mulher negra se move, toda a estrutura da sociedade se move com ela. Por “estrutura”, ela se refere à base da pirâmide social capitalista, lugar comumente ocupado por mulheres negras, pelo menos desde o início da colonização europeia e da escravização de povos africanos. Nesse sentido, a luta contra o racismo não pode ser dissociada da revisão dessa estrutura piramidal como padrão do nosso sistema econômico-social. É difícil imaginar uma sociedade saudável enquanto houver a dominação de uma classe sobre outra, de uma raça sobre outra ou de um gênero sobre outro. Por esse motivo, os movimentos antirracista, feminista e de classe precisam apoiar-se. No fim, todos lutam contra um inimigo em comum: o patriarcado capitalista.

[...]

Conforme a filósofa Djamila Ribeiro, enquanto mulheres brancas são vistas como frágeis, mulheres negras são tidas como detentoras de uma grande habilidade para suportar a dor física e emocional, motivo pelo qual não foram poupadas dos castigos cruéis e degradantes da escravidão. Quando mulheres brancas lutavam pelo direito ao voto, ex-escravas negras reivindicavam ainda condições básicas de dignidade. Muito antes de mulheres brancas conquistarem espaço para trabalhar, mulheres negras já tinham sua força de trabalho massivamente explorada.

No Brasil, onde nunca houve uma política oficial de segregação racial (na direção oposta ao que ocorreu nos EUA e na África do Sul, por exemplo), as camadas que formam os grupos raciais são mais difíceis de identificar. A promoção da miscigenação e a ausência de leis determinando direitos diferentes para negros e brancos dá a falsa impressão de que no Brasil o racismo é mais brando ou até inexistente. Alguns dados históricos, no entanto, desmistificam essa ideia. O Brasil é o país que mais recebeu escravos nas Américas e foi o último a abolir a escravidão, em 1888. Logo, o racismo está nas bases da formação da sociedade brasileira. De acordo com dados de 2019, cerca de 56% da população do país é negra, ou seja, mais da metade. Por outro lado, pessoas negras estão muito longe de ser a maioria nas universidades e nos cargos de poder. Além disso, uma pessoa negra é assassinada a cada 23 minutos no Brasil. Enquanto a Constituição determina que todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza, a hierarquia piramidal da sociedade brasileira insiste em mostrar o contrário.

A desigualdade racial é ainda mais marcante quando analisada sob o enfoque de gênero. O abismo vai além dos âmbitos educacionais e laborais, mas passa também pelas tarefas mais básicas do cotidiano. Lógico seria se cada um fosse responsável por lavar o seu próprio banheiro. Na prática, porém, quase sempre há uma mulher negra encarregada desse serviço. Que todos limpem os próprios banheiros pode parecer uma ideia simples de pôr em prática. Contudo, ela implica uma mudança cultural radical. É muito comum que nas casas das famílias brasileiras de classe média e rica (em sua grande maioria formadas por pessoas brancas) haja uma empregada que trabalha diariamente encarregando-se dos serviços domésticos. Em geral, a empregada faz todo o serviço de limpeza e cozinha, além de cuidar das crianças. Ela geralmente ganha um salário mínimo ou não muito mais do que isso. Ela geralmente é negra.

(OLIVEIRA, Andreia H. Robert de. Site Justificando. 25/05/2020. Disponível em: https://www.justificando.com/2020/05/25/a-empregada-domestica-e-a-desigualdade-de-raca-e-genero/. Acesso em: 13 jul.2020. Adaptado.)

Quanto à tipologia, é CORRETO afirmar que o texto classifica-se como, predominantemente:

 

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