Foram encontradas 52 questões.
Considere o fragmento literário a seguir, ao responder às questões 7 e 8.
Campo geral
Em todo dia, também, arrastavam os bichos matados, por caça. O coelhinho tinha toca na borda da mata, saía só no escurecer, queria comer, queria brincar, sessepe, serelé, coelhinho da silva, remexendo com a boquinha de muitos jeitos, esticava pinotes e sentava a bundinha no chão, cismado, as orelhas dele estremeciam constantemente. Devia de ter o companheiro, marido ou mulher, ou irmão, que agora esperava lá na beira do mato, onde eles moravam, sozim. [...] Mais que matavam eram os tatus, tanto tatu lá, por tudo. Tatu de morada era o que assistia num buraco exato, a gente podia abrir com ferramenta, então-se via: o caminho comprido debaixo do chão, todo formando voltas de ziguezague. Aí tinha outros buracos, deixados, não eram mais moradia de tatu, ou eram só de acaso, ou prontos de lado, para eles temperarem de escapulir. Tão gordotes, tão espertos ― e estavam assim só para morrer, o povo ia acabar com todos? O tatu correndo sopressado dos cachorros, fazia aquele barulhinho com o casculho dele, as chapas arrepiadas, pobrezinho ― quase um assovio. Ecô! ― os cachorros mascaravam de um demônio. Tatu corria com o rabozinho levantado ― abre que abria, cavouca o buraco e empruma suas escamas de uma só vez, entrando lá, tão depressa, tão depressa ― e Miguilim ansiava para ver quando o tatu conseguia fugir a salvo.
(ROSA, João Guimarães. Campo geral. In: . Manuelzão e Miguilim (Corpo de baile). 11. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 40-41. Adaptado.)
Na novela “Campo geral”, de Guimarães Rosa, os fatos são narrados a partir da consciência infantil do protagonista Miguilim. Nesse trecho da obra, o comentário sobre o costume sertanejo da caça de coelhos e tatus indica:
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- Interpretação de TextosFiguras e Vícios de LinguagemFiguras de LinguagemComparação (Figura de Linguagem)
- Interpretação de TextosFiguras e Vícios de LinguagemFiguras de LinguagemEufemismo
- Interpretação de TextosFiguras e Vícios de LinguagemFiguras de LinguagemHipérbole
- Interpretação de TextosFiguras e Vícios de LinguagemFiguras de LinguagemIronia
As questões 4 e 5 são relativas à charge que segue.

(Disponivel em https://www.diariodocentrodomundo.com.br/charge-os-empreendedores/. Acesso em: 25 fev.2020.)
Em relação ao texto como um todo, o título “Os empreendedores” assume, predominantemente, um sentido de:
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Com base na leitura do poema a seguir, responda às questões 5 e 6.
Não vou mais lavar os pratos
Não vou mais lavar os pratos.
Nem vou limpar a poeira dos móveis.
Sinto muito. Comecei a ler. Abri outro dia um livro
e uma semana depois decidi.
Não levo mais o lixo para a lixeira. Nem arrumo
a bagunça das folhas que caem no quintal.
Sinto muito.
Depois de ler percebi
a estética dos pratos, a estética dos traços, a ética,
A estática.
Olho minhas mãos quando mudam a página
dos livros, mãos bem mais macias que antes
e sinto que posso começar a ser a todo instante.
Sinto.
Qualquer coisa.
Não vou mais lavar. Nem levar. Seus tapetes
para lavar a seco. Tenho os olhos rasos d’água.
Sinto muito. Agora que comecei a ler quero entender.
O porquê, por quê? e o porquê.
Existem coisas. Eu li, e li, e li. Eu até sorri.
E deixei o feijão queimar...
Olha que feijão sempre demora para ficar pronto.
Considere que os tempos são outros...
[...]
Depois de tantos anos alfabetizada, aprendi a ler.
Depois de tanto tempo juntos, aprendi a separar
meu tênis do seu sapato,
minha gaveta das suas gravatas,
meu perfume do seu cheiro.
Minha tela da sua moldura.
Sendo assim, não lavo mais nada, e olho a sujeira
no fundo do copo.
Sempre chega o momento
de sacudir,
de investir,
de traduzir.
Não lavo mais pratos.
Li a assinatura da minha lei áurea
escrita em negro maiúsculo,
em letras tamanho 18, espaço duplo.
(SOBRAL, Cristiane. Cadernos negros 23: poemas afro-brasileiros, 2000.Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/24-textos-das-autoras/932-cristiane-sobral-nao-vou-mais-lavar-os-pratos. Acesso em: 12 jul.2020.)
Em “O porquê, por quê?”, é CORRETO identificar, respectivamente:
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- Interpretação de TextosInferência Textual
- Interpretação de TextosPressupostos e Subentendidos
- Interpretação de TextosVariação da LinguagemTemas e Figuras
As questões 4 e 5 são relativas à charge que segue.

(Disponivel em https://www.diariodocentrodomundo.com.br/charge-os-empreendedores/. Acesso em: 25 fev.2020.)
A reflexão crítica despertada pela charge aponta principalmente para um quadro de:
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Com base na leitura do poema a seguir, responda às questões 5 e 6.
Não vou mais lavar os pratos
Não vou mais lavar os pratos.
Nem vou limpar a poeira dos móveis.
Sinto muito. Comecei a ler. Abri outro dia um livro
e uma semana depois decidi.
Não levo mais o lixo para a lixeira. Nem arrumo
a bagunça das folhas que caem no quintal.
Sinto muito.
Depois de ler percebi
a estética dos pratos, a estética dos traços, a ética,
A estática.
Olho minhas mãos quando mudam a página
dos livros, mãos bem mais macias que antes
e sinto que posso começar a ser a todo instante.
Sinto.
Qualquer coisa.
Não vou mais lavar. Nem levar. Seus tapetes
para lavar a seco. Tenho os olhos rasos d’água.
Sinto muito. Agora que comecei a ler quero entender.
O porquê, por quê? e o porquê.
Existem coisas. Eu li, e li, e li. Eu até sorri.
E deixei o feijão queimar...
Olha que feijão sempre demora para ficar pronto.
Considere que os tempos são outros...
[...]
Depois de tantos anos alfabetizada, aprendi a ler.
Depois de tanto tempo juntos, aprendi a separar
meu tênis do seu sapato,
minha gaveta das suas gravatas,
meu perfume do seu cheiro.
Minha tela da sua moldura.
Sendo assim, não lavo mais nada, e olho a sujeira
no fundo do copo.
Sempre chega o momento
de sacudir,
de investir,
de traduzir.
Não lavo mais pratos.
Li a assinatura da minha lei áurea
escrita em negro maiúsculo,
em letras tamanho 18, espaço duplo.
(SOBRAL, Cristiane. Cadernos negros 23: poemas afro-brasileiros, 2000.Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/24-textos-das-autoras/932-cristiane-sobral-nao-vou-mais-lavar-os-pratos. Acesso em: 12 jul.2020.)
No poema, o duplo processo de mobilização, ao mesmo tempo pragmático e subjetivo, que o ato de leitura provoca sobre a autora, é confirmado, RESPECTIVAMENTE, pelos seguintes fatores:
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Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 3.
-
A batalha que mexeu com o rap nacional
-
Toda sexta à noite, um grupo ligava uma caixa de som e juntava rimadores na Praça da Estação, em Belo Horizonte. Era 2007. Ali começavam a acontecer batalhas de rap que reuniam poucas pessoas, umas 30, para fazer um concurso de rimas em que apenas um saía vencedor. Nascem daí um dos eventos de Hip Hop mais reconhecidos atualmente no país, o Duelo de MCs, e o grupo que o produz, o Família de Rua.
Douglas Din, morador da Vila Santana do Cafezal, no Aglomerado da Serra, tinha 16 anos quando conheceu o Duelo, que ainda estava no início. “Eu tinha um objetivo muito simples, que era me aliviar da atmosfera de violência que eu vivia na periferia. Quando eu vi as pessoas ali, comecei a ampliar a minha noção de mundo”, diz. O Duelo fez diferença no caminho de Douglas Din. Em 2011, ele gravou sua primeira música no CD “Som que vem das ruas” junto com outros 22 artistas, produção do Família de Rua, e venceu duas edições do Duelo de MCs Nacional, em 2012 e 2013. Até a avó dele, Marlene, entrou na roda para participar do clipe “Mestre Sem Cerimônia”, que narra o momento de preparação de um rapper para a noite de batalha.
[...]
A coragem de fazer o rap de rua dá ao Duelo o título de “ícone da resistência popular e de ocupação da cidade”, nas palavras da MC e escritora Bárbara Sweet. Deu também visibilidade nacional a Belo Horizonte na área do freestyle (rima livre e improvisada). “O palco do viaduto é sagrado para todo mundo no Hip Hop. Encontro MCs em São Paulo, Curitiba, Teresina que me falam ‘meu sonho é rimar no Duelo’. Porque vê pelo Youtube um público muito atento e participativo. São poucas as batalhas no Brasil que têm essa magnitude”, avalia Bárbara. Sweet é uma das referências do Hip Hop na capital mineira. No Duelo, ela passou por batalhas pesadas, de teor machista, e estudou para inserir o feminismo nas suas rimas e na sua postura como artista. Hoje, ela destaca que a presença de mais mulheres, como Clara Lima, tem melhorado o ambiente das rimas. Ela elogia a baixa tolerância que a Família de Rua tem com preconceitos deste tipo, atitude que não é comum em outras batalhas pelo país.
Pedro Valentim, integrante do Família de Rua desde o início do coletivo, explica que as opressões se tornaram uma preocupação desde que os MCs e o público começaram a colocar a questão. As próprias batalhas passaram a ser lugares para conscientização. “Na cultura Hip Hop não cabe nenhum desses preconceitos. No palco, os MCs têm liberdade de dizer o que querem, mas serão analisados. Toda vez que um MC se manifesta de maneira machista, homofóbica e racista, a gente se posiciona na sequência”, diz. Foram quatro gerações de rappers envolvidos e formados desta forma, conta Pedro Valentim.
[...]
Além do resultado para o movimento Hip Hop, o Duelo passou a ser também um exemplo de resistência urbana. O evento acontece em um palco de concreto já existente embaixo do Viaduto Santa Tereza, lugar de moradia de muitas pessoas em situação de rua, e a atitude de ocupar o local mexeu com a política da cidade. De um lado, boicotes do poder institucional; de outro, a juventude, que passou a se inspirar e multiplicar a ação. A psicanalista Joanna Ângelo Ladeira, integrante do Real da Rua, lembra que há dez anos a prática de ocupar o espaço público com cultura era bem menor em BH. “O Duelo deu mostras de que é possível proporcionar um encontro entre jovens dos mais variados lugares de forma pacífica. Isso tem uma grande influência no que a cidade passou a fazer especialmente depois de 2013”, rememora. Durante os grandes protestos de junho daquele ano, o viaduto virou lugar de assembleias e reuniões políticas.
-
(DOTTA, Daniella. Site Brasil de Fato. 01/09/2017. https://www.brasildefatomg.com.br/2017/09/01/a-batalha-que-mexeu-com-o-rap-nacional-10- anos-de-duelo-de-mcs. Acesso em: 10 jul.2020. Adaptado.)
Em cada um dos seguintes itens, constata-se um período composto por subordinação, EXCETO em:
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- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros TextuaisArtigo de Opinião
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros TextuaisEditorial
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros TextuaisNotícia
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros TextuaisReportagem
Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 3.
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A batalha que mexeu com o rap nacional
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Toda sexta à noite, um grupo ligava uma caixa de som e juntava rimadores na Praça da Estação, em Belo Horizonte. Era 2007. Ali começavam a acontecer batalhas de rap que reuniam poucas pessoas, umas 30, para fazer um concurso de rimas em que apenas um saía vencedor. Nascem daí um dos eventos de Hip Hop mais reconhecidos atualmente no país, o Duelo de MCs, e o grupo que o produz, o Família de Rua.
Douglas Din, morador da Vila Santana do Cafezal, no Aglomerado da Serra, tinha 16 anos quando conheceu o Duelo, que ainda estava no início. “Eu tinha um objetivo muito simples, que era me aliviar da atmosfera de violência que eu vivia na periferia. Quando eu vi as pessoas ali, comecei a ampliar a minha noção de mundo”, diz. O Duelo fez diferença no caminho de Douglas Din. Em 2011, ele gravou sua primeira música no CD “Som que vem das ruas” junto com outros 22 artistas, produção do Família de Rua, e venceu duas edições do Duelo de MCs Nacional, em 2012 e 2013. Até a avó dele, Marlene, entrou na roda para participar do clipe “Mestre Sem Cerimônia”, que narra o momento de preparação de um rapper para a noite de batalha.
[...]
A coragem de fazer o rap de rua dá ao Duelo o título de “ícone da resistência popular e de ocupação da cidade”, nas palavras da MC e escritora Bárbara Sweet. Deu também visibilidade nacional a Belo Horizonte na área do freestyle (rima livre e improvisada). “O palco do viaduto é sagrado para todo mundo no Hip Hop. Encontro MCs em São Paulo, Curitiba, Teresina que me falam ‘meu sonho é rimar no Duelo’. Porque vê pelo Youtube um público muito atento e participativo. São poucas as batalhas no Brasil que têm essa magnitude”, avalia Bárbara. Sweet é uma das referências do Hip Hop na capital mineira. No Duelo, ela passou por batalhas pesadas, de teor machista, e estudou para inserir o feminismo nas suas rimas e na sua postura como artista. Hoje, ela destaca que a presença de mais mulheres, como Clara Lima, tem melhorado o ambiente das rimas. Ela elogia a baixa tolerância que a Família de Rua tem com preconceitos deste tipo, atitude que não é comum em outras batalhas pelo país.
Pedro Valentim, integrante do Família de Rua desde o início do coletivo, explica que as opressões se tornaram uma preocupação desde que os MCs e o público começaram a colocar a questão. As próprias batalhas passaram a ser lugares para conscientização. “Na cultura Hip Hop não cabe nenhum desses preconceitos. No palco, os MCs têm liberdade de dizer o que querem, mas serão analisados. Toda vez que um MC se manifesta de maneira machista, homofóbica e racista, a gente se posiciona na sequência”, diz. Foram quatro gerações de rappers envolvidos e formados desta forma, conta Pedro Valentim.
[...]
Além do resultado para o movimento Hip Hop, o Duelo passou a ser também um exemplo de resistência urbana. O evento acontece em um palco de concreto já existente embaixo do Viaduto Santa Tereza, lugar de moradia de muitas pessoas em situação de rua, e a atitude de ocupar o local mexeu com a política da cidade. De um lado, boicotes do poder institucional; de outro, a juventude, que passou a se inspirar e multiplicar a ação. A psicanalista Joanna Ângelo Ladeira, integrante do Real da Rua, lembra que há dez anos a prática de ocupar o espaço público com cultura era bem menor em BH. “O Duelo deu mostras de que é possível proporcionar um encontro entre jovens dos mais variados lugares de forma pacífica. Isso tem uma grande influência no que a cidade passou a fazer especialmente depois de 2013”, rememora. Durante os grandes protestos de junho daquele ano, o viaduto virou lugar de assembleias e reuniões políticas.
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(DOTTA, Daniella. Site Brasil de Fato. 01/09/2017. https://www.brasildefatomg.com.br/2017/09/01/a-batalha-que-mexeu-com-o-rap-nacional-10- anos-de-duelo-de-mcs. Acesso em: 10 jul.2020. Adaptado.)
Quanto ao gênero discursivo, é CERTO classificar o texto acima como:
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Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 3.
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A batalha que mexeu com o rap nacional
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Toda sexta à noite, um grupo ligava uma caixa de som e juntava rimadores na Praça da Estação, em Belo Horizonte. Era 2007. Ali começavam a acontecer batalhas de rap que reuniam poucas pessoas, umas 30, para fazer um concurso de rimas em que apenas um saía vencedor. Nascem daí um dos eventos de Hip Hop mais reconhecidos atualmente no país, o Duelo de MCs, e o grupo que o produz, o Família de Rua.
Douglas Din, morador da Vila Santana do Cafezal, no Aglomerado da Serra, tinha 16 anos quando conheceu o Duelo, que ainda estava no início. “Eu tinha um objetivo muito simples, que era me aliviar da atmosfera de violência que eu vivia na periferia. Quando eu vi as pessoas ali, comecei a ampliar a minha noção de mundo”, diz. O Duelo fez diferença no caminho de Douglas Din. Em 2011, ele gravou sua primeira música no CD “Som que vem das ruas” junto com outros 22 artistas, produção do Família de Rua, e venceu duas edições do Duelo de MCs Nacional, em 2012 e 2013. Até a avó dele, Marlene, entrou na roda para participar do clipe “Mestre Sem Cerimônia”, que narra o momento de preparação de um rapper para a noite de batalha.
[...]
A coragem de fazer o rap de rua dá ao Duelo o título de “ícone da resistência popular e de ocupação da cidade”, nas palavras da MC e escritora Bárbara Sweet. Deu também visibilidade nacional a Belo Horizonte na área do freestyle (rima livre e improvisada). “O palco do viaduto é sagrado para todo mundo no Hip Hop. Encontro MCs em São Paulo, Curitiba, Teresina que me falam ‘meu sonho é rimar no Duelo’. Porque vê pelo Youtube um público muito atento e participativo. São poucas as batalhas no Brasil que têm essa magnitude”, avalia Bárbara. Sweet é uma das referências do Hip Hop na capital mineira. No Duelo, ela passou por batalhas pesadas, de teor machista, e estudou para inserir o feminismo nas suas rimas e na sua postura como artista. Hoje, ela destaca que a presença de mais mulheres, como Clara Lima, tem melhorado o ambiente das rimas. Ela elogia a baixa tolerância que a Família de Rua tem com preconceitos deste tipo, atitude que não é comum em outras batalhas pelo país.
Pedro Valentim, integrante do Família de Rua desde o início do coletivo, explica que as opressões se tornaram uma preocupação desde que os MCs e o público começaram a colocar a questão. As próprias batalhas passaram a ser lugares para conscientização. “Na cultura Hip Hop não cabe nenhum desses preconceitos. No palco, os MCs têm liberdade de dizer o que querem, mas serão analisados. Toda vez que um MC se manifesta de maneira machista, homofóbica e racista, a gente se posiciona na sequência”, diz. Foram quatro gerações de rappers envolvidos e formados desta forma, conta Pedro Valentim.
[...]
Além do resultado para o movimento Hip Hop, o Duelo passou a ser também um exemplo de resistência urbana. O evento acontece em um palco de concreto já existente embaixo do Viaduto Santa Tereza, lugar de moradia de muitas pessoas em situação de rua, e a atitude de ocupar o local mexeu com a política da cidade. De um lado, boicotes do poder institucional; de outro, a juventude, que passou a se inspirar e multiplicar a ação. A psicanalista Joanna Ângelo Ladeira, integrante do Real da Rua, lembra que há dez anos a prática de ocupar o espaço público com cultura era bem menor em BH. “O Duelo deu mostras de que é possível proporcionar um encontro entre jovens dos mais variados lugares de forma pacífica. Isso tem uma grande influência no que a cidade passou a fazer especialmente depois de 2013”, rememora. Durante os grandes protestos de junho daquele ano, o viaduto virou lugar de assembleias e reuniões políticas.
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(DOTTA, Daniella. Site Brasil de Fato. 01/09/2017. https://www.brasildefatomg.com.br/2017/09/01/a-batalha-que-mexeu-com-o-rap-nacional-10- anos-de-duelo-de-mcs. Acesso em: 10 jul.2020. Adaptado.)
No texto, destaca-se o papel das manifestações culturais como instrumento de emancipação social a partir dos seguintes aspectos:
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- Interpretação de TextosInferência Textual
- Interpretação de TextosPressupostos e Subentendidos
- Interpretação de TextosVariação da LinguagemTemas e Figuras
A questão 4 é relativa ao cartum que segue.

(ITURRUSGARAI, Adão. Folha de São Paulo. 17/05/2020. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/cartum/cartunsdiarios/#17/5/2020. Acesso em: 11 jul.2020. Adaptado.)
A frase “Essa é a sua opinião!”, proferida pelo personagem que está à direita, remete a:
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- MorfologiaConjunçõesClassificação das ConjunçõesConjunções CoordenativasConjunções coordenativas adversativas
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 3.
A empregada doméstica e a desigualdade de raça e gênero
Em uma palestra na Universidade Federal da Bahia no ano de 2017, a ativista de direitos humanos norte-americana Angela Davis declarou: quando uma mulher negra se move, toda a estrutura da sociedade se move com ela. Por “estrutura”, ela se refere à base da pirâmide social capitalista, lugar comumente ocupado por mulheres negras, pelo menos desde o início da colonização europeia e da escravização de povos africanos. Nesse sentido, a luta contra o racismo não pode ser dissociada da revisão dessa estrutura piramidal como padrão do nosso sistema econômico-social. É difícil imaginar uma sociedade saudável enquanto houver a dominação de uma classe sobre outra, de uma raça sobre outra ou de um gênero sobre outro. Por esse motivo, os movimentos antirracista, feminista e de classe precisam apoiar-se. No fim, todos lutam contra um inimigo em comum: o patriarcado capitalista.
[...]
Conforme a filósofa Djamila Ribeiro, enquanto mulheres brancas são vistas como frágeis, mulheres negras são tidas como detentoras de uma grande habilidade para suportar a dor física e emocional, motivo pelo qual não foram poupadas dos castigos cruéis e degradantes da escravidão. Quando mulheres brancas lutavam pelo direito ao voto, ex-escravas negras reivindicavam ainda condições básicas de dignidade. Muito antes de mulheres brancas conquistarem espaço para trabalhar, mulheres negras já tinham sua força de trabalho massivamente explorada.
No Brasil, onde nunca houve uma política oficial de segregação racial (na direção oposta ao que ocorreu nos EUA e na África do Sul, por exemplo), as camadas que formam os grupos raciais são mais difíceis de identificar. A promoção da miscigenação e a ausência de leis determinando direitos diferentes para negros e brancos dá a falsa impressão de que no Brasil o racismo é mais brando ou até inexistente. Alguns dados históricos, no entanto, desmistificam essa ideia. O Brasil é o país que mais recebeu escravos nas Américas e foi o último a abolir a escravidão, em 1888. Logo, o racismo está nas bases da formação da sociedade brasileira. De acordo com dados de 2019, cerca de 56% da população do país é negra, ou seja, mais da metade. Por outro lado, pessoas negras estão muito longe de ser a maioria nas universidades e nos cargos de poder. Além disso, uma pessoa negra é assassinada a cada 23 minutos no Brasil. Enquanto a Constituição determina que todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza, a hierarquia piramidal da sociedade brasileira insiste em mostrar o contrário.
A desigualdade racial é ainda mais marcante quando analisada sob o enfoque de gênero. O abismo vai além dos âmbitos educacionais e laborais, mas passa também pelas tarefas mais básicas do cotidiano. Lógico seria se cada um fosse responsável por lavar o seu próprio banheiro. Na prática, porém, quase sempre há uma mulher negra encarregada desse serviço. Que todos limpem os próprios banheiros pode parecer uma ideia simples de pôr em prática. Contudo, ela implica uma mudança cultural radical. É muito comum que nas casas das famílias brasileiras de classe média e rica (em sua grande maioria formadas por pessoas brancas) haja uma empregada que trabalha diariamente encarregando-se dos serviços domésticos. Em geral, a empregada faz todo o serviço de limpeza e cozinha, além de cuidar das crianças. Ela geralmente ganha um salário mínimo ou não muito mais do que isso. Ela geralmente é negra.
(OLIVEIRA, Andreia H. Robert de. Site Justificando. 25/05/2020. Disponível em: https://www.justificando.com/2020/05/25/a-empregada-domestica-e-a-desigualdade-de-raca-e-genero/. Acesso em: 13 jul.2020. Adaptado.)
Marque a alternativa em que o conectivo em destaque NÃO apresenta função adversativa:
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