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4260821 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas
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Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão

As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial?

Por Leonardo Assis, pesquisador do Laboratório de Cultura, Informação e Sociedade da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP

Nos últimos anos, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para ocupar um papel crescente na produção da informação. O primeiro impacto desse fenômeno foi percebido no campo da comunicação científica. A partir de 2022, artigos, resumos, revisões de literatura e diferentes tipos de textos passaram a ser produzidos com auxílio desses sistemas, inaugurando um novo momento na história da produção do conhecimento.

Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.

Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 700 bibliotecas públicas procurou compreender como essas instituições estão lidando com materiais produzidos por inteligência artificial. Os resultados revelaram um cenário de incertezas. Algumas bibliotecas declararam não aceitar esse tipo de material em seus acervos. Outras ainda tentam entender como identificar, avaliar e organizar essas produções.

A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.

A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?

Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.

O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.

Ao longo da história, inúmeras obras foram preservadas porque determinados grupos sociais lhes atribuíram relevância intelectual, religiosa, política, científica ou simbólica. Bibliotecas não preservam apenas autores. Bibliotecas preservam significados.

Também é importante reconhecer que a produção intelectual contemporânea já ocorre em ambientes profundamente mediados por tecnologias. Editores de texto corrigem frases automaticamente.

Softwares sugerem estruturas narrativas. Programas editam imagens. Algoritmos organizam conteúdos e influenciam processos criativos. A inteligência artificial não inaugura essa mediação tecnológica da cultura. Ela amplia sua escala e sua capacidade de intervenção.

Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.

Se determinadas produções passarem a influenciar comunidades, formar opiniões, registrar experiências, expressar identidades ou representar momentos históricos específicos, elas inevitavelmente se tornarão objetos de interesse para bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória. Nesse ponto, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. O que está em jogo é a própria construção do valor cultural.

Uma obra não se torna relevante apenas porque foi produzida por um ser humano. Ela se torna relevante quando uma sociedade passa a reconhecê-la como importante para compreender o mundo, transmitir conhecimentos, construir identidades ou preservar memórias. Por essa razão, a questão central não parece repousar na aceitação ou rejeição desses materiais. A questão central está em compreender quais deles serão capazes de adquirir significado social ao longo do tempo.

Bibliotecas sempre preservaram aquilo que diferentes sociedades consideraram relevante para sua memória e para sua produção simbólica. O desafio colocado pela inteligência artificial é decidir se algumas dessas novas produções também serão reconhecidas dessa forma.

No fundo, essa não é apenas uma discussão do campo dos Estudos da Informação. É uma discussão da própria sociedade sobre confiança, legitimidade, memória e cultura. O que estamos debatendo não é apenas a presença da inteligência artificial nas bibliotecas, mas quais produções serão consideradas significativas para nossa experiência coletiva e, consequentemente, dignas de serem preservadas para as próximas gerações.

Talvez o verdadeiro desafio não seja descobrir se uma inteligência artificial pode produzir uma obra. O desafio talvez seja compreender quais produções geradas por inteligência artificial a sociedade decidirá transformar em patrimônio cultural.

Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/ Acesso em 15 ago. 2026. (Adaptado)

No trecho “O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais.”, a palavra destacada em negrito é escrita com o acento em razão de ser:
 

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4260820 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas
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As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial?

Por Leonardo Assis, pesquisador do Laboratório de Cultura, Informação e Sociedade da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP

Nos últimos anos, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para ocupar um papel crescente na produção da informação. O primeiro impacto desse fenômeno foi percebido no campo da comunicação científica. A partir de 2022, artigos, resumos, revisões de literatura e diferentes tipos de textos passaram a ser produzidos com auxílio desses sistemas, inaugurando um novo momento na história da produção do conhecimento.

Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.

Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 700 bibliotecas públicas procurou compreender como essas instituições estão lidando com materiais produzidos por inteligência artificial. Os resultados revelaram um cenário de incertezas. Algumas bibliotecas declararam não aceitar esse tipo de material em seus acervos. Outras ainda tentam entender como identificar, avaliar e organizar essas produções.

A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.

A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?

Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.

O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.

Ao longo da história, inúmeras obras foram preservadas porque determinados grupos sociais lhes atribuíram relevância intelectual, religiosa, política, científica ou simbólica. Bibliotecas não preservam apenas autores. Bibliotecas preservam significados.

Também é importante reconhecer que a produção intelectual contemporânea já ocorre em ambientes profundamente mediados por tecnologias. Editores de texto corrigem frases automaticamente.

Softwares sugerem estruturas narrativas. Programas editam imagens. Algoritmos organizam conteúdos e influenciam processos criativos. A inteligência artificial não inaugura essa mediação tecnológica da cultura. Ela amplia sua escala e sua capacidade de intervenção.

Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.

Se determinadas produções passarem a influenciar comunidades, formar opiniões, registrar experiências, expressar identidades ou representar momentos históricos específicos, elas inevitavelmente se tornarão objetos de interesse para bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória. Nesse ponto, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. O que está em jogo é a própria construção do valor cultural.

Uma obra não se torna relevante apenas porque foi produzida por um ser humano. Ela se torna relevante quando uma sociedade passa a reconhecê-la como importante para compreender o mundo, transmitir conhecimentos, construir identidades ou preservar memórias. Por essa razão, a questão central não parece repousar na aceitação ou rejeição desses materiais. A questão central está em compreender quais deles serão capazes de adquirir significado social ao longo do tempo.

Bibliotecas sempre preservaram aquilo que diferentes sociedades consideraram relevante para sua memória e para sua produção simbólica. O desafio colocado pela inteligência artificial é decidir se algumas dessas novas produções também serão reconhecidas dessa forma.

No fundo, essa não é apenas uma discussão do campo dos Estudos da Informação. É uma discussão da própria sociedade sobre confiança, legitimidade, memória e cultura. O que estamos debatendo não é apenas a presença da inteligência artificial nas bibliotecas, mas quais produções serão consideradas significativas para nossa experiência coletiva e, consequentemente, dignas de serem preservadas para as próximas gerações.

Talvez o verdadeiro desafio não seja descobrir se uma inteligência artificial pode produzir uma obra. O desafio talvez seja compreender quais produções geradas por inteligência artificial a sociedade decidirá transformar em patrimônio cultural.

Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/ Acesso em 15 ago. 2026. (Adaptado)

No texto apresentado, o autor questiona a ideia de que a simples recusa de obras produzidas por inteligência artificial seja suficiente para orientar a constituição dos acervos. A partir dessa perspectiva, é correto afirmar que para ele:
 

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4260819 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IF-SUL Minas
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As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial?

Por Leonardo Assis, pesquisador do Laboratório de Cultura, Informação e Sociedade da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP

Nos últimos anos, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para ocupar um papel crescente na produção da informação. O primeiro impacto desse fenômeno foi percebido no campo da comunicação científica. A partir de 2022, artigos, resumos, revisões de literatura e diferentes tipos de textos passaram a ser produzidos com auxílio desses sistemas, inaugurando um novo momento na história da produção do conhecimento.

Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.

Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 700 bibliotecas públicas procurou compreender como essas instituições estão lidando com materiais produzidos por inteligência artificial. Os resultados revelaram um cenário de incertezas. Algumas bibliotecas declararam não aceitar esse tipo de material em seus acervos. Outras ainda tentam entender como identificar, avaliar e organizar essas produções.

A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.

A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?

Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.

O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.

Ao longo da história, inúmeras obras foram preservadas porque determinados grupos sociais lhes atribuíram relevância intelectual, religiosa, política, científica ou simbólica. Bibliotecas não preservam apenas autores. Bibliotecas preservam significados.

Também é importante reconhecer que a produção intelectual contemporânea já ocorre em ambientes profundamente mediados por tecnologias. Editores de texto corrigem frases automaticamente.

Softwares sugerem estruturas narrativas. Programas editam imagens. Algoritmos organizam conteúdos e influenciam processos criativos. A inteligência artificial não inaugura essa mediação tecnológica da cultura. Ela amplia sua escala e sua capacidade de intervenção.

Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.

Se determinadas produções passarem a influenciar comunidades, formar opiniões, registrar experiências, expressar identidades ou representar momentos históricos específicos, elas inevitavelmente se tornarão objetos de interesse para bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória. Nesse ponto, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. O que está em jogo é a própria construção do valor cultural.

Uma obra não se torna relevante apenas porque foi produzida por um ser humano. Ela se torna relevante quando uma sociedade passa a reconhecê-la como importante para compreender o mundo, transmitir conhecimentos, construir identidades ou preservar memórias. Por essa razão, a questão central não parece repousar na aceitação ou rejeição desses materiais. A questão central está em compreender quais deles serão capazes de adquirir significado social ao longo do tempo.

Bibliotecas sempre preservaram aquilo que diferentes sociedades consideraram relevante para sua memória e para sua produção simbólica. O desafio colocado pela inteligência artificial é decidir se algumas dessas novas produções também serão reconhecidas dessa forma.

No fundo, essa não é apenas uma discussão do campo dos Estudos da Informação. É uma discussão da própria sociedade sobre confiança, legitimidade, memória e cultura. O que estamos debatendo não é apenas a presença da inteligência artificial nas bibliotecas, mas quais produções serão consideradas significativas para nossa experiência coletiva e, consequentemente, dignas de serem preservadas para as próximas gerações.

Talvez o verdadeiro desafio não seja descobrir se uma inteligência artificial pode produzir uma obra. O desafio talvez seja compreender quais produções geradas por inteligência artificial a sociedade decidirá transformar em patrimônio cultural.

Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/ Acesso em 15 ago. 2026. (Adaptado)

No trecho “A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.”, a palavra destacada em negrito pode ser substituída sem perda de sentido e mantendo-se a estrutura da língua portuguesa padrão em sua modalidade escrita por:
 

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4260818 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IF-SUL Minas
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As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial?

Por Leonardo Assis, pesquisador do Laboratório de Cultura, Informação e Sociedade da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP

Nos últimos anos, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para ocupar um papel crescente na produção da informação. O primeiro impacto desse fenômeno foi percebido no campo da comunicação científica. A partir de 2022, artigos, resumos, revisões de literatura e diferentes tipos de textos passaram a ser produzidos com auxílio desses sistemas, inaugurando um novo momento na história da produção do conhecimento.

Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.

Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 700 bibliotecas públicas procurou compreender como essas instituições estão lidando com materiais produzidos por inteligência artificial. Os resultados revelaram um cenário de incertezas. Algumas bibliotecas declararam não aceitar esse tipo de material em seus acervos. Outras ainda tentam entender como identificar, avaliar e organizar essas produções.

A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.

A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?

Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.

O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.

Ao longo da história, inúmeras obras foram preservadas porque determinados grupos sociais lhes atribuíram relevância intelectual, religiosa, política, científica ou simbólica. Bibliotecas não preservam apenas autores. Bibliotecas preservam significados.

Também é importante reconhecer que a produção intelectual contemporânea já ocorre em ambientes profundamente mediados por tecnologias. Editores de texto corrigem frases automaticamente.

Softwares sugerem estruturas narrativas. Programas editam imagens. Algoritmos organizam conteúdos e influenciam processos criativos. A inteligência artificial não inaugura essa mediação tecnológica da cultura. Ela amplia sua escala e sua capacidade de intervenção.

Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.

Se determinadas produções passarem a influenciar comunidades, formar opiniões, registrar experiências, expressar identidades ou representar momentos históricos específicos, elas inevitavelmente se tornarão objetos de interesse para bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória. Nesse ponto, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. O que está em jogo é a própria construção do valor cultural.

Uma obra não se torna relevante apenas porque foi produzida por um ser humano. Ela se torna relevante quando uma sociedade passa a reconhecê-la como importante para compreender o mundo, transmitir conhecimentos, construir identidades ou preservar memórias. Por essa razão, a questão central não parece repousar na aceitação ou rejeição desses materiais. A questão central está em compreender quais deles serão capazes de adquirir significado social ao longo do tempo.

Bibliotecas sempre preservaram aquilo que diferentes sociedades consideraram relevante para sua memória e para sua produção simbólica. O desafio colocado pela inteligência artificial é decidir se algumas dessas novas produções também serão reconhecidas dessa forma.

No fundo, essa não é apenas uma discussão do campo dos Estudos da Informação. É uma discussão da própria sociedade sobre confiança, legitimidade, memória e cultura. O que estamos debatendo não é apenas a presença da inteligência artificial nas bibliotecas, mas quais produções serão consideradas significativas para nossa experiência coletiva e, consequentemente, dignas de serem preservadas para as próximas gerações.

Talvez o verdadeiro desafio não seja descobrir se uma inteligência artificial pode produzir uma obra. O desafio talvez seja compreender quais produções geradas por inteligência artificial a sociedade decidirá transformar em patrimônio cultural.

Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/ Acesso em 15 ago. 2026. (Adaptado)

O texto lido é:
 

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4260817 Ano: 2026
Disciplina: Pedagogia
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas
Em um curso de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional, é identificado que há barreiras dificultando que um estudante público-alvo da Educação Especial acompanhe uma atividade de um componente técnico. As instruções são predominantemente apresentadas por meio de textos extensos e explicações orais, enquanto parte das atividades exige que o estudante demonstre procedimentos e conhecimentos por formas específicas de comunicação. Considerando as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Profissional e Tecnológica, a legislação de inclusão e os princípios de acessibilidade educacional, analise as assertivas a seguir:

I. A garantia da inclusão exige a substituição dos objetivos e das competências profissionais do componente por atividades simplificadas sempre que as formas convencionais de comunicação constituírem barreiras ao estudante.
II. A acessibilidade comunicacional deve ser providenciada pelo professor do AEE, cabendo ao docente do componente técnico manter os procedimentos de ensino e avaliação conforme aplicados aos demais estudantes.
III. A adequação pode envolver diferentes formas de apresentação das informações, estratégias pedagógicas, recursos de acessibilidade e possibilidades de expressão e demonstração da aprendizagem, considerando as necessidades específicas do estudante e preservando os objetivos e as competências profissionais que estruturam sua formação.
IV. A utilização de recursos e estratégias diferenciadas caracteriza alteração do perfil profissional de conclusão do curso, pois estudantes com deficiência não podem ser submetidos aos mesmos referenciais formativos da EPT.

Quais estão corretas?
 

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Uma instituição de ensino da Rede Federal passa a utilizar uma plataforma digital para disponibilizar materiais didáticos, atividades avaliativas e conteúdo de suas disciplinas. Após a implementação, alguns estudantes relatam dificuldades para acessar e utilizar determinados recursos da plataforma, embora todos tenham recebido login e senha e tenham acesso aos mesmos materiais. Considerando os princípios de acessibilidade, inclusão educacional e uso de recursos tecnológicos no processo de ensino e aprendizagem, analise as assertivas a seguir:

I. A acessibilidade digital deve ser considerada desde o planejamento pedagógico, de modo que recursos, materiais e estratégias possam contemplar diferentes formas de participação e expressão dos estudantes.
II. Diante de dificuldades de acesso aos conteúdos digitais, a instituição deve priorizar a adaptação do estudante à plataforma já existente.
III. Recursos de TA e outras estratégias de acessibilidade devem ser utilizados para reduzir ou eliminar barreiras, favorecendo a autonomia, a participação e o acesso do estudante às atividades educacionais.
IV. A existência de recursos tecnológicos na instituição indica que as condições de acessibilidade foram asseguradas, ainda que alguns alunos não consigam utilizá-la, o que é previsto que aconteça.

Quais estão corretas?
 

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4260815 Ano: 2026
Disciplina: Pedagogia
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas
A TA pode constituir importante recurso para ampliar a autonomia, a participação e o acesso do estudante às atividades educacionais. Nesse contexto, considerando os princípios da inclusão, da acessibilidade e da TA, analise as situações apresentadas a seguir:

I. Um estudante apresenta dificuldade para acessar determinado conteúdo devido a uma barreira de comunicação, então a equipe pedagógica considera recursos que possibilitem diferentes formas de acesso às informações e de expressão do conhecimento.
II. Uma instituição disponibiliza determinado recurso tecnológico a um estudante considerando apenas o fato de que ele possui um diagnóstico que, em geral, está associado ao uso desse tipo de tecnologia.
III. Qualquer recurso tecnológico disponível na instituição é utilizado prioritariamente por estudantes com deficiência, por serem medidas de acessibilidade por excelência.

Quais estão corretas?
 

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4260814 Ano: 2026
Disciplina: Pedagogia
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas
Um estudante de um curso técnico apresenta dificuldade para acessar determinado conteúdo disponibilizado exclusivamente em formato digital. Após análise pedagógica, a equipe identifica a necessidade de utilização de recurso tecnológico que permita acesso ao conteúdo e maior autonomia na realização das atividades. Considerando a acessibilidade educacional, assinale a alternativa correta sobre a Tecnologia Assistiva (TA).
 

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4260813 Ano: 2026
Disciplina: Pedagogia
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas
Com base nas discussões apresentadas por Pachevitch et al. (2024) acerca da SRM na perspectiva da Educação Inclusiva, analise as assertivas a seguir:

I. A constituição das SRM está relacionada à reorganização da oferta da Educação Especial, de modo que o atendimento especializado possa contribuir para a participação e a aprendizagem dos estudantes no ensino comum.
II. A organização do atendimento na SRM requer a identificação das necessidades educacionais do estudante e a disponibilização de recursos, estratégias e procedimentos pedagógicos específicos, podendo o trabalho desenvolvido nesse espaço assumir organização própria em relação às atividades realizadas na classe comum.
III. Os recursos e estratégias desenvolvidos no atendimento nas SRM devem favorecer a participação do estudante nos diferentes espaços e situações educacionais.
IV. A implantação das SRM tem sua efetividade atrelada à sua integração à organização pedagógica da escola e da superação de concepções que restrinjam a inclusão ao atendimento especializado ofertado nesse espaço.

Quais estão corretas?
 

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4260812 Ano: 2026
Disciplina: Pedagogia
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas
A partir da discussão desenvolvida por Pachevitch et al. (2024), analise as assertivas a seguir, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

( ) A aproximação entre Educação Especial e Educação Inclusiva envolve uma mudança na compreensão do atendimento educacional, uma vez que as respostas às necessidades dos estudantes passam a ser pensadas em articulação com as condições oferecidas pelo contexto escolar e não apenas a partir das características individuais apresentadas por eles.
( ) A manutenção da especificidade da Educação Especial é compatível com a perspectiva inclusiva quando seus recursos e conhecimentos são mobilizados em favor da participação e da aprendizagem no ensino comum.
( ) A consolidação da Educação Inclusiva demanda uma compreensão ampliada da atuação educacional, considerando que as condições de participação e aprendizagem resultam também das relações estabelecidas entre o estudante e o contexto educacional.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
 

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