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De acordo com a NORMAM-212, em quais áreas, consideradas de segurança, NÃO é permitido o tráfego e fundeio de motoaquática (MA)?

 

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Com base na NORMAM-601, deverão ser observadas regras para sinalizar as estruturas offshore, de acordo com a publicação da IALA recomendação 0-139, “The Marking of Man-made Offshore Structures”. Sendo assim, assinale a opção correta.

 

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Conforme a Lei nº 9.432, de 08 de janeiro de 1997, para embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), deverão ser necessariamente brasileiros:

 

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Em conformidade com a NORMAM-601, são considerados tipos de alterações em sinais náuticos e auxílios eletrônicos à navegação, EXCETO:

 

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Conforme previsto na NORMAM-203, assinale a opção que apresenta um tipo de embarcação dispensada de Inscrição Temporária (IT).

 

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Conforme a lei nº 9.966 que dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional e dá outras providências, a Autoridade Marítima, por intermédio de suas organizações competentes, possui como atribuição:

 

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4146808 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Texto base para questão abaixo.

 

Texto IV

 

O TENENTE MÁGICO

 

Havia um Tenente que fazia mágicas. Hoje deve ser major ou coronel, se já não passou pela mágica de ir diretamente a general de pijama. Aprendeu o ofício com um mestre europeu, fez o curso completo em três “matérias”. prestidigitação, ilusionismo, e aquela outra que se refere a escapar de algemas, laços e prisões, que fez a glória de Houdine, não sei que nome tenha. Eram seus colegas de aprendizado um industrial de São Paulo e um marinheiro. O industrial de São Paulo aprendeu o bastante para fazer dinheiro fácil e abundante, hoje é grande capitalista naquela praça. O marinheiro caiu no mundo, e se já não morreu, deve estar embasbacando os papalvos de tudo quanto é porto.

 

Éramos dois aspirantes, mais o tal tenente e um capitão adventício, jogando cartas à noite no quarto de hotel. Exigíamos que o mágico se despisse, jogando apenas de cuecas - mas ainda assim a horas tantas, quando a sorte lhe era adversa, cometia com um passe inesperado o irritante prodígio de fazer desaparecer todo o baralho. Por mais que déssemos busca, não o encontrávamos - e com outro gesto seu as cartas começavam a pingar do nariz do capitão. O capitão não achava graça, mas como ganhava sempre, e nem podia ser de outro modo, estava respeitada a hierarquia.

 

Quando saíamos com ele à rua os prodígios se sucediam: éramos três ou quatro a entrar numa festa do clube local, embora só dispuséssemos de um convite: o convite era entregue por ele ao porteiro e surripiado várias vezes para ser entregue novamente. Não sei como fazia isso, mas podia ficar ali o resto da noite embromando o porteiro com a sua mágica e introduzir nos salões do clube a população da cidade inteira.

 

Fazia desaparecer tudo que lhe caía nas mãos, e os objetos surgiam nos lugares mais inesperados. Metia um ovo inteiro na boca, como se o tivesse engolido, e o capitão, sentindo brotar no bolso algo estranho, ia apalpar e espatifava num gesto brusco o ovo dentro do paletó.

 

- Mágica besta. Faz outra que eu te ensino.

 

Um dia o capitão o desafiou com a sugestão de número inédito:

 

- Um mágico já engoliu meu anel e depois devolveu.

 

- Isso é fácil, também sei fazer: me dá o anel.

 

Tomou o anel do capitão, levou-o à boca e o engoliu.

 

- Me dá meu anel - protestou o capitão, procurando-o inutilmente nos bolsos.

 

- Eu engoli. Amanhã devolvo.

 

Por mais que o capitão reclamasse, afirmava que realmente o engolira, a pedido seu. Eu não poderia jurar - o certo é que só foi devolvido no dia seguinte.

 

Tamanha era a sua versatilidade no gênero de distração a que se dedicara, que um dia o provocamos a bater a carteira de um desconhecido - especialidade em que também já se revelara um mestre. Aceito o desafio, já em termos de aposta, saímos à rua para escolher a vítima. No café da esquina ele se adiantou abruptamente e foi entrando:

 

- Com licença.

 

Deu um esbarrão num sujeito parado à porta, pediu desculpas, depois se acercou de nós exibindo disfarçadamente a carteira:

 

- Olhem aqui. Agora me paguem.

 

Restava devolvê-la. Não pretendíamos que a brincadeira fosse às últimas consequências, ficando ele com a carteira. Alheio a tudo, o cidadão já se dispunha a sair, quando o tenente mágico o abordou:

 

- Essa carteira é sua, vou lhe explicar.

 

O homem não quis saber de explicações. Reteve o tenente pelo braço, chamando-o de ladrão, e começou o bate-boca. Inutilmente procuramos intervir. Um guarda acabou surgindo, tivemos de declinar nossa qualidade de oficiais do Exército. Por pouco não fomos presos assim mesmo: era um desses casos que hoje em dia terminam em pancadaria entre civis e militares, com depredação de delegacias e tudo mais. Pusemos a culpa no capitão e demos o fora.

 

Suas mágicas atingiram o clímax no dia em que nos revelou a mais extraordinária de suas habilidades: a tal de escapar de cordas e laços, coisas assim. A demonstração consistia no seguinte: depois de amarrado fortemente numa cadeira do quarto, com voltas e mais voltas de uma corda bem segura por muitos nós, era colocado com cadeira e tudo atrás da porta aberta do armário; em menos de dois minutos se desvencilharia, mas não podíamos ver como. E realmente ficou ali estrebuchando, suando e gemendo, para ao fim de dois minutos, controlados a relógio, saltar da cadeira. Tão grande foi nosso pasmo, que deu na cabeça do capitão a estúpida vanglória de fazer o mesmo, pediu que o amarrássemos como ao outro. Obedecemos - afinal de contas ele era capitão. Pediu que saíssemos do quarto, para tentar escapar longe de nossos olhos. Saímos e fomos jantar. Depois do jantar esquecemos o homem e fomos passear pela cidade. Só tarde da noite nos lembramos e corremos ao hotel, para encontrá-lo furibundo, tombado ao chão, ainda preso à cadeira, se esgoelando a plenos pulmões e tentando tocar a campainha da parede com o pé.

 

- Miseráveis. Vocês hão de ver comigo.

 

Não vimos coisa nenhuma. No dia seguinte o tenente mágico conseguiu o prodígio de fazer desaparecer para sempre o próprio capitão.

 

(SABINO, Fernando. O homem nu. - 46º ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.) 

 

A partir do. emprego da expressão “o tal” no, fragmento “Éramos dois aspirantes, mais o tal tenente e um capitão adventício, jogando cartas à noite no quarto de hotel.” pode-se inferir que a avaliação do narrador sobre o tenente é de:

 

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4146807 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Texto base para questão abaixo.

 

Texto IV

 

O TENENTE MÁGICO

 

Havia um Tenente que fazia mágicas. Hoje deve ser major ou coronel, se já não passou pela mágica de ir diretamente a general de pijama. Aprendeu o ofício com um mestre europeu, fez o curso completo em três “matérias”. prestidigitação, ilusionismo, e aquela outra que se refere a escapar de algemas, laços e prisões, que fez a glória de Houdine, não sei que nome tenha. Eram seus colegas de aprendizado um industrial de São Paulo e um marinheiro. O industrial de São Paulo aprendeu o bastante para fazer dinheiro fácil e abundante, hoje é grande capitalista naquela praça. O marinheiro caiu no mundo, e se já não morreu, deve estar embasbacando os papalvos de tudo quanto é porto.

 

Éramos dois aspirantes, mais o tal tenente e um capitão adventício, jogando cartas à noite no quarto de hotel. Exigíamos que o mágico se despisse, jogando apenas de cuecas - mas ainda assim a horas tantas, quando a sorte lhe era adversa, cometia com um passe inesperado o irritante prodígio de fazer desaparecer todo o baralho. Por mais que déssemos busca, não o encontrávamos - e com outro gesto seu as cartas começavam a pingar do nariz do capitão. O capitão não achava graça, mas como ganhava sempre, e nem podia ser de outro modo, estava respeitada a hierarquia.

 

Quando saíamos com ele à rua os prodígios se sucediam: éramos três ou quatro a entrar numa festa do clube local, embora só dispuséssemos de um convite: o convite era entregue por ele ao porteiro e surripiado várias vezes para ser entregue novamente. Não sei como fazia isso, mas podia ficar ali o resto da noite embromando o porteiro com a sua mágica e introduzir nos salões do clube a população da cidade inteira.

 

Fazia desaparecer tudo que lhe caía nas mãos, e os objetos surgiam nos lugares mais inesperados. Metia um ovo inteiro na boca, como se o tivesse engolido, e o capitão, sentindo brotar no bolso algo estranho, ia apalpar e espatifava num gesto brusco o ovo dentro do paletó.

 

- Mágica besta. Faz outra que eu te ensino.

 

Um dia o capitão o desafiou com a sugestão de número inédito:

 

- Um mágico já engoliu meu anel e depois devolveu.

 

- Isso é fácil, também sei fazer: me dá o anel.

 

Tomou o anel do capitão, levou-o à boca e o engoliu.

 

- Me dá meu anel - protestou o capitão, procurando-o inutilmente nos bolsos.

 

- Eu engoli. Amanhã devolvo.

 

Por mais que o capitão reclamasse, afirmava que realmente o engolira, a pedido seu. Eu não poderia jurar - o certo é que só foi devolvido no dia seguinte.

 

Tamanha era a sua versatilidade no gênero de distração a que se dedicara, que um dia o provocamos a bater a carteira de um desconhecido - especialidade em que também já se revelara um mestre. Aceito o desafio, já em termos de aposta, saímos à rua para escolher a vítima. No café da esquina ele se adiantou abruptamente e foi entrando:

 

- Com licença.

 

Deu um esbarrão num sujeito parado à porta, pediu desculpas, depois se acercou de nós exibindo disfarçadamente a carteira:

 

- Olhem aqui. Agora me paguem.

 

Restava devolvê-la. Não pretendíamos que a brincadeira fosse às últimas consequências, ficando ele com a carteira. Alheio a tudo, o cidadão já se dispunha a sair, quando o tenente mágico o abordou:

 

- Essa carteira é sua, vou lhe explicar.

 

O homem não quis saber de explicações. Reteve o tenente pelo braço, chamando-o de ladrão, e começou o bate-boca. Inutilmente procuramos intervir. Um guarda acabou surgindo, tivemos de declinar nossa qualidade de oficiais do Exército. Por pouco não fomos presos assim mesmo: era um desses casos que hoje em dia terminam em pancadaria entre civis e militares, com depredação de delegacias e tudo mais. Pusemos a culpa no capitão e demos o fora.

 

Suas mágicas atingiram o clímax no dia em que nos revelou a mais extraordinária de suas habilidades: a tal de escapar de cordas e laços, coisas assim. A demonstração consistia no seguinte: depois de amarrado fortemente numa cadeira do quarto, com voltas e mais voltas de uma corda bem segura por muitos nós, era colocado com cadeira e tudo atrás da porta aberta do armário; em menos de dois minutos se desvencilharia, mas não podíamos ver como. E realmente ficou ali estrebuchando, suando e gemendo, para ao fim de dois minutos, controlados a relógio, saltar da cadeira. Tão grande foi nosso pasmo, que deu na cabeça do capitão a estúpida vanglória de fazer o mesmo, pediu que o amarrássemos como ao outro. Obedecemos - afinal de contas ele era capitão. Pediu que saíssemos do quarto, para tentar escapar longe de nossos olhos. Saímos e fomos jantar. Depois do jantar esquecemos o homem e fomos passear pela cidade. Só tarde da noite nos lembramos e corremos ao hotel, para encontrá-lo furibundo, tombado ao chão, ainda preso à cadeira, se esgoelando a plenos pulmões e tentando tocar a campainha da parede com o pé.

 

- Miseráveis. Vocês hão de ver comigo.

 

Não vimos coisa nenhuma. No dia seguinte o tenente mágico conseguiu o prodígio de fazer desaparecer para sempre o próprio capitão.

 

(SABINO, Fernando. O homem nu. - 46º ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.) 

 

Leia o trecho abaixo:

 

“Exigíamos que o mágico se despisse, jogando apenas de cuecas - mas ainda assim a horas tantas, quando a sorte lhe era adversa, cometia com um passe inesperado o irritante prodígio de fazer desaparecer todo o baralho.”

 

Quanto às informações presentes no trecho, pode-se afirmar que:

 

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4146806 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Texto base para questão abaixo.

 

Texto IV

 

O TENENTE MÁGICO

 

Havia um Tenente que fazia mágicas. Hoje deve ser major ou coronel, se já não passou pela mágica de ir diretamente a general de pijama. Aprendeu o ofício com um mestre europeu, fez o curso completo em três “matérias”. prestidigitação, ilusionismo, e aquela outra que se refere a escapar de algemas, laços e prisões, que fez a glória de Houdine, não sei que nome tenha. Eram seus colegas de aprendizado um industrial de São Paulo e um marinheiro. O industrial de São Paulo aprendeu o bastante para fazer dinheiro fácil e abundante, hoje é grande capitalista naquela praça. O marinheiro caiu no mundo, e se já não morreu, deve estar embasbacando os papalvos de tudo quanto é porto.

 

Éramos dois aspirantes, mais o tal tenente e um capitão adventício, jogando cartas à noite no quarto de hotel. Exigíamos que o mágico se despisse, jogando apenas de cuecas - mas ainda assim a horas tantas, quando a sorte lhe era adversa, cometia com um passe inesperado o irritante prodígio de fazer desaparecer todo o baralho. Por mais que déssemos busca,A) não o encontrávamos - e com outro gesto seu as cartas começavam a pingar do nariz do capitão. O capitão não achava graça, mas como ganhava sempre, e nem podia ser de outro modo, estava respeitada a hierarquia.

 

Quando saíamos com ele à rua os prodígios se sucediam: éramos três ou quatro a entrar numa festa do clube local, embora só dispuséssemos de um convite: o convite era entregue por ele ao porteiro e surripiado várias vezes para ser entregue novamente. Não sei como fazia isso, mas podia ficar ali o resto da noite embromando o porteiro com a sua mágica e introduzir nos salões do clube a população da cidade inteira.

 

Fazia desaparecer tudo que lhe caía nas mãos,B) e os objetos surgiam nos lugares mais inesperados. Metia um ovo inteiro na boca, como se o tivesse engolido, e o capitão, sentindo brotar no bolso algo estranho, ia apalpar e espatifava num gesto brusco o ovo dentro do paletó.

 

- Mágica besta. Faz outra que eu te ensino.

 

Um dia o capitão o desafiou com a sugestãoC) de número inédito:

 

- Um mágico já engoliu meu anel e depois devolveu.

 

- Isso é fácil, também sei fazer: me dá o anel.

 

Tomou o anel do capitão, levou-o à boca e o engoliu.

 

- Me dá meu anel - protestou o capitão, procurando-o inutilmente nos bolsos.

 

- Eu engoli. Amanhã devolvo.

 

Por mais que o capitão reclamasse, afirmava que realmente o engolira, a pedido seu. Eu não poderia jurar - o certo é que só foi devolvido no dia seguinte.

 

Tamanha era a sua versatilidade no gênero de distração a que se dedicara, que um dia o provocamos a bater a carteira de um desconhecido - especialidade em que também já se revelara um mestre. Aceito o desafio, já em termos de aposta, saímos à rua para escolher a vítima. No café da esquina ele se adiantou abruptamente e foi entrando:

 

- Com licença.

 

Deu um esbarrão num sujeito parado à porta, pediu desculpas, depois se acercou de nós exibindo disfarçadamente a carteira:

 

- Olhem aqui. Agora me paguem.D)

 

Restava devolvê-la. Não pretendíamos que a brincadeira fosse às últimas consequências, ficando ele com a carteira. Alheio a tudo, o cidadão já se dispunha a sair, quando o tenente mágico o abordou:

 

- Essa carteira é sua, vou lhe explicar.

 

O homem não quis saber de explicações. Reteve o tenente pelo braço, chamando-o de ladrão, e começou o bate-boca. Inutilmente procuramos intervir. Um guarda acabou surgindo, tivemos de declinar nossa qualidade de oficiais do Exército. Por pouco não fomos presos assim mesmo: era um desses casos que hoje em dia terminam em pancadaria entre civis e militares, com depredação de delegacias e tudo mais. Pusemos a culpa no capitão e demos o fora.

 

Suas mágicas atingiram o clímax no dia em que nos revelou a mais extraordinária de suas habilidades: a tal de escapar de cordas e laços, coisas assim. A demonstração consistia no seguinte: depois de amarrado fortemente numa cadeira do quarto, com voltas e mais voltas de uma corda bem segura por muitos nós, era colocado com cadeira e tudo atrás da porta aberta do armário; em menos de dois minutos se desvencilharia, mas não podíamos ver como. E realmente ficou ali estrebuchando, suando e gemendo, para ao fim de dois minutos, controlados a relógio, saltar da cadeira. Tão grande foi nosso pasmo, que deu na cabeça do capitão a estúpida vanglória de fazer o mesmo, pediu que o amarrássemos como ao outro.E) Obedecemos - afinal de contas ele era capitão. Pediu que saíssemos do quarto, para tentar escapar longe de nossos olhos. Saímos e fomos jantar. Depois do jantar esquecemos o homem e fomos passear pela cidade. Só tarde da noite nos lembramos e corremos ao hotel, para encontrá-lo furibundo, tombado ao chão, ainda preso à cadeira, se esgoelando a plenos pulmões e tentando tocar a campainha da parede com o pé.

 

- Miseráveis. Vocês hão de ver comigo.

 

Não vimos coisa nenhuma. No dia seguinte o tenente mágico conseguiu o prodígio de fazer desaparecer para sempre o próprio capitão.

 

(SABINO, Fernando. O homem nu. - 46º ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.) 

 

Assinale a opção em que o valor semântico do elemento destacado está apontado corretamente.

 

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4146805 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Texto base para questão abaixo.

 

Texto IV

 

O TENENTE MÁGICO

 

Havia um Tenente que fazia mágicas. Hoje deve ser major ou coronel, se já não passou pela mágica de ir diretamente a general de pijama. Aprendeu o ofício com um mestre europeu, fez o curso completo em três “matérias”. prestidigitação, ilusionismo, e aquela outra que se refere a escapar de algemas, laços e prisões, que fez a glória de Houdine, não sei que nome tenha. Eram seus colegas de aprendizado um industrial de São Paulo e um marinheiro. O industrial de São Paulo aprendeu o bastante para fazer dinheiro fácil e abundante, hoje é grande capitalista naquela praça. O marinheiro caiu no mundo, e se já não morreu, deve estar embasbacando os papalvos de tudo quanto é porto.

 

Éramos dois aspirantes, mais o tal tenente e um capitão adventício, jogando cartas à noite no quarto de hotel. Exigíamos que o mágico se despisse, jogando apenas de cuecas - mas ainda assim a horas tantas, quando a sorte lhe era adversa, cometia com um passe inesperado o irritante prodígio de fazer desaparecer todo o baralho. Por mais que déssemos busca, não o encontrávamos - e com outro gesto seu as cartas começavam a pingar do nariz do capitão. O capitão não achava graça, mas como ganhava sempre, e nem podia ser de outro modo, estava respeitada a hierarquia.

 

Quando saíamos com ele à rua os prodígios se sucediam: éramos três ou quatro a entrar numa festa do clube local, embora só dispuséssemos de um convite: o convite era entregue por ele ao porteiro e surripiado várias vezes para ser entregue novamente. Não sei como fazia isso, mas podia ficar ali o resto da noite embromando o porteiro com a sua mágica e introduzir nos salões do clube a população da cidade inteira.

 

Fazia desaparecer tudo que lhe caía nas mãos, e os objetos surgiam nos lugares mais inesperados. Metia um ovo inteiro na boca, como se o tivesse engolido, e o capitão, sentindo brotar no bolso algo estranho, ia apalpar e espatifava num gesto brusco o ovo dentro do paletó.

 

- Mágica besta. Faz outra que eu te ensino.

 

Um dia o capitão o desafiou com a sugestão de número inédito:

 

- Um mágico já engoliu meu anel e depois devolveu.

 

- Isso é fácil, também sei fazer: me dá o anel.

 

Tomou o anel do capitão, levou-o à boca e o engoliu.

 

- Me dá meu anel - protestou o capitão, procurando-o inutilmente nos bolsos.

 

- Eu engoli. Amanhã devolvo.

 

Por mais que o capitão reclamasse, afirmava que realmente o engolira, a pedido seu. Eu não poderia jurar - o certo é que só foi devolvido no dia seguinte.

 

Tamanha era a sua versatilidade no gênero de distração a que se dedicara, que um dia o provocamos a bater a carteira de um desconhecido - especialidade em que também já se revelara um mestre. Aceito o desafio, já em termos de aposta, saímos à rua para escolher a vítima. No café da esquina ele se adiantou abruptamente e foi entrando:

 

- Com licença.

 

Deu um esbarrão num sujeito parado à porta, pediu desculpas, depois se acercou de nós exibindo disfarçadamente a carteira:

 

- Olhem aqui. Agora me paguem.

 

Restava devolvê-la. Não pretendíamos que a brincadeira fosse às últimas consequências, ficando ele com a carteira. Alheio a tudo, o cidadão já se dispunha a sair, quando o tenente mágico o abordou:

 

- Essa carteira é sua, vou lhe explicar.

 

O homem não quis saber de explicações. Reteve o tenente pelo braço, chamando-o de ladrão, e começou o bate-boca. Inutilmente procuramos intervir. Um guarda acabou surgindo, tivemos de declinar nossa qualidade de oficiais do Exército. Por pouco não fomos presos assim mesmo: era um desses casos que hoje em dia terminam em pancadaria entre civis e militares, com depredação de delegacias e tudo mais. Pusemos a culpa no capitão e demos o fora.

 

Suas mágicas atingiram o clímax no dia em que nos revelou a mais extraordinária de suas habilidades: a tal de escapar de cordas e laços, coisas assim. A demonstração consistia no seguinte: depois de amarrado fortemente numa cadeira do quarto, com voltas e mais voltas de uma corda bem segura por muitos nós, era colocado com cadeira e tudo atrás da porta aberta do armário; em menos de dois minutos se desvencilharia, mas não podíamos ver como. E realmente ficou ali estrebuchando, suando e gemendo, para ao fim de dois minutos, controlados a relógio, saltar da cadeira. Tão grande foi nosso pasmo, que deu na cabeça do capitão a estúpida vanglória de fazer o mesmo, pediu que o amarrássemos como ao outro. Obedecemos - afinal de contas ele era capitão. Pediu que saíssemos do quarto, para tentar escapar longe de nossos olhos. Saímos e fomos jantar. Depois do jantar esquecemos o homem e fomos passear pela cidade. Só tarde da noite nos lembramos e corremos ao hotel, para encontrá-lo furibundo, tombado ao chão, ainda preso à cadeira, se esgoelando a plenos pulmões e tentando tocar a campainha da parede com o pé.

 

- Miseráveis. Vocês hão de ver comigo.

 

Não vimos coisa nenhuma. No dia seguinte o tenente mágico conseguiu o prodígio de fazer desaparecer para sempre o próprio capitão.

 

(SABINO, Fernando. O homem nu. - 46º ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.) 

 

O pronome adjetivo possessivo precede normalmente o substantivo que determina. No entanto, pode o referido pronome vir posposto ao substantivo, em conformidade com os termos grifados nos trechos a seguir: “Por mais que déssemos busca, não o encontrávamos - e com outro gesto seu as cartas começavam a pingar do nariz do capitão.” e “Por mais que o capitão reclamasse, afirmava que realmente o engolira, a pedido seu.”

 

Conforme preconizado por Celso Cunha e Lindley Cintra (2016), analise as afirmativas a seguir, e assinale a opção correta sobre o emprego adequado dos pronomes possessivos pospostos ao substantivo, sublinhados nos trechos acima.

 

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