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Foram encontradas 60 questões.

4230319 Ano: 2026
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPE-ES
Leia o caso a seguir.

Uma comunidade formada por descendentes de imigrantes europeus que chegaram ao Brasil no século XIX preservou, ao longo de gerações, uma variedade linguística própria. Em razão de sua relevância para a memória, a história e a identidade do grupo, essa língua foi reconhecida pelo município como patrimônio cultural imaterial. Com o objetivo de obter reconhecimento em âmbito nacional e promover ações de valorização, seus representantes pretendem solicitar sua inclusão no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). Nesse contexto, um levantamento sociolinguístico identificou que a maioria dos falantes é bilíngue em português e constatou a interrupção da transmissão da língua às novas gerações, já que atualmente nenhuma criança a aprende.

Com base no caso, analise as afirmativas a seguir sobre os critérios considerados para a inclusão de línguas no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL).  

I. A quantidade de falantes bilíngues é um dado relevante para o diagnóstico sociolinguístico realizado no processo de inventário, mas não impede sua inclusão no INDL.
II. O reconhecimento da variedade linguística como patrimônio cultural imaterial pelo município constitui requisito prévio indispensável para sua inclusão no INDL.
III. A interrupção da transmissão intergeracional da língua constitui um indicador de redução de sua vitalidade linguística, o que lhe confere prioridade para inclusão no INDL.

Está correto o que se afirma em
 

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4230318 Ano: 2026
Disciplina: Sociologia
Banca: FGV
Orgão: MPE-ES
Leia o trecho a seguir.

Em cidades com histórias muito diferentes, o centro histórico é um fragmento fundamental da memória pública. Quando se reivindica um espaço histórico, recupera-se uma interpretação específica da história, do ponto de vista de um grupo social específico. E assim, os grupos que conseguiram recuperar um espaço histórico e impor sua interpretação de uma narrativa da história pública também reivindicam o espaço físico dessa narrativa. No mais simples sentido material, um grupo pode proteger sua própria área, excluindo outros grupos, ao reivindicar o ambiente construído. Em Nova York, Boston e Filadélfia, grupos de classe média criaram leis que protegiam o ambiente construído contra a reestruturação das cidades. Queriam defender o espaço físico do centro como memória da cultura do passado e como instrumento contrário aos marginais que ocupavam as ruas e destruíram os prédios do centro.

Adaptado de ZUKIN, Sharon. “Paisagens do século XXI: notas sobre a mudança social e o espaço urbano”. In: Arantes, A. O espaço da diferença. Campinas, Papirus, 2000, pp. 109-110.  

Com base no trecho, é correto afirmar que a preservação dos centros urbanos responde a
 

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4230317 Ano: 2026
Disciplina: Geografia
Banca: FGV
Orgão: MPE-ES
Leia o trecho a seguir.

Análise da espacialidade do Ofício das Paneleiras de Goiabeiras ajuda a reconhecer que essa manifestação cultural não está limitada a um local geográfico específico, mas é parte integrante da vida e da identidade de uma comunidade que se estende para além das fronteiras físicas. A utilização de um Sistema de Informação Geográfica (SIG) possibilita a integração de diversos elementos do espaço, viabilizando uma análise dinâmica da atuação das Paneleiras de Goiabeiras. Entender os locais onde essa manifestação cultural se desenvolve é de extrema relevância para desvendar o comportamento e a influência dessas mulheres no contexto geográfico em que vivem. Desde a obtenção da matériaprima até a comercialização dos produtos artesanais, a identificação dos locais de atuação revela o alcance e o impacto das Paneleiras dentro da cidade de Vitória.

Adaptado de ANTÔNIO, Giovanna. O georreferenciamento dos bens registrados como um instrumento de preservação do patrimônio intangível no licenciamento ambiental. Dissertação de mestrado do IPHAN, 2024, pp.77-80.

Com base no trecho, o georreferenciamento contribui para
 

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4230316 Ano: 2026
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPE-ES
Analise as afirmativas a seguir sobre os elementos que fundamentam o reconhecimento do congo no Espírito Santo como patrimônio cultural imaterial.

I. Os bens materiais associados ao congo, como vestimentas, estandartes, bandeiras e mastros, constituem suportes de sua dimensão imaterial e são reconhecidos pelos detentores como parte integrante de seu patrimônio cultural.
II. O valor referencial do congo fundamenta-se na permanência da prática ao longo do tempo sem alterações, sendo a preservação de sua forma original seu principal elemento constitutivo, como a ritualização da Fincada do Mastro.
III. A referência cultural do congo reside em seu reconhecimento, pelas comunidades, como parte de sua identidade, sendo mantida por sua prática e transmissão nas bandas, frequentemente vinculadas a famílias.

Está correto o que se afirma em
 

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4230315 Ano: 2026
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPE-ES
Leia o trecho a seguir.

Marcel Mauss propôs-se mostrar primeiramente que a troca se apresenta nas sociedades primitivas menos em forma de transações que de dons recíprocos, e em seguida que estes dons recíprocos ocupam um espaço muito mais importante nessas sociedades que na nossa. Finalmente que esta forma primitiva das trocas não tem somente, nem essencialmente, caráter econômico, mas coloca-nos em face do que chama, numa expressão feliz, “um fato social total”, isto é, dotado de significação simultaneamente social e religiosa, mágica e econômica, utilitária e sentimental, jurídica e moral.

Adaptado de LÉVI-STRAUSS, Claude. La sociologie française”. In: Gurvitch, G. (org.). La sociologie au XX -esiècle. Paris: PUF, 1947, p. 61.

Com base no trecho, é correto afirmar que Marcel Mauss desenvolveu sua noção de troca a partir das ideias de
 

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4230314 Ano: 2026
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPE-ES
Leia o trecho a seguir.

Antigamente, muitos coletivos indígenas sentiam vergonha de sêlo. Agora “todo mundo quer ser índio”. Antigamente, os especialistas no “processo histórico” diziam que a “condição camponesa” era o devir histórico inexorável e, portanto, a verdade das sociedades indígenas supunha um “modelo “a-histórico”. Mas os índios começam a reivindicar e terminam por obter o reconhecimento constitucional de um estatuto diferenciado permanente dentro da chamada “comunhão nacional”. E então, eles implementam ambiciosos projetos de retradicionalização marcados por um autonomismo “culturalista” que, por instrumentalista e etnicizante, não é menos primordialista nem menos naturalizante. Algumas comunidades rurais do país estão reassumindo sua condição indígena, em um processo de transfiguração étnica.

Adaptado de Entrevista de Eduardo Viveiros de Castros concedida à edição do livro Povos Indígenas no Brasil, Instituto Socioambiental (ISA), 2006.
Com base no trecho, é correto afirmar que ser indígena é
 

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4230313 Ano: 2026
Disciplina: Antropologia
Banca: FGV
Orgão: MPE-ES
Leia o trecho a seguir.

A relação de estranheza entre as chamadas sociedades subdesenvolvidas e a civilização mecânica consiste sobretudo no fato de nelas encontrar o seu próprio produto, ou, mais precisamente, a contrapartida da destruição que ela instaurou para estabelecer sua própria realidade. Ao enfrentar os problemas da industrialização nos países subdesenvolvidos, a civilização ocidental encontrou ali, pela primeira vez, a imagem distorcida, como se congelada por séculos, da destruição que teve que operar para existir.

Adaptado de LÉVI-STRAUSS, Claude. Anthropologie structurale. Paris: Plon, 1958.

Com base no trecho, é correto afirmar que a construção da identidade cultural é marcada por
 

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4230312 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FGV
Orgão: MPE-ES
Leia o trecho a seguir.

Os interesses imperiais da antropologia aplicada anglo-saxã não significam que devamos excluir qualquer ideia de aplicação antropológica da problemática concernente às minorias. Ao contrário, significa que este tipo de intervenção não pode ser encarado sem questionar a própria situação minoritária e sem se situar no campo político que a constitui. Deve-se considerar o peso das responsabilidades éticas do antropólogo diante das ameaças que as políticas de “modernização” e “abertura” impõem à dignidade social. Por ética antropológica entendo aqui o engajamento em enunciar o impensado e em se contrapor aos efeitos perversos dessas políticas no cerne das relações e das situações sociais concretas em que se constrói a prática antropológica, e não uma simples adesão genérica ao humanitarismo vitimista convencional.

Adaptado de ALBERT, Bruce. Antropologia aplicada ou “antropologia implicada”? Etnografia, minorias e desenvolvimento. Revista de @ntropologia da UFSCar, 14 (2), 2022 p. 199. 

Com base no trecho, assinale a opção que apresenta corretamente a concepção do autor sobre a Antropologia aplicada.
 

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4230311 Ano: 2026
Disciplina: Sociologia
Banca: FGV
Orgão: MPE-ES
Leia os trechos a seguir.

I. Quando praticada por membros da cultura que se propõe estudar, a antropologia perde sua natureza específica e se torna semelhante à arqueologia e história. Pois a antropologia é a ciência da cultura vista de fora e, por isso, a primeira preocupação das pessoas conscientes de sua existência e originalidade deve ser reivindicar o direito de se observar a si mesmas, de dentro. A antropologia sobreviverá num mundo em mudança deixando-se perecer para renascer em novos moldes.

Adaptado de Lévi-Strauss, Claude. Anthropology: Its achievements and future. Current Anthropology 7, nº 3, 1966, p. 126. 

II. Entre intelectuais indígenas, percebemos uma clara convergência de interesses em sua nova atitude para com o legado dos antropólogos. Autodefesa e autorrepresentação caminham juntas quando os índios se dão conta de que conhecimento é poder e que a escrita é uma poderosa tecnologia para acumular conhecimento. A pletora de livros escritos não poderia ser uma demonstração mais concreta da adoção da escrita por povos tidos como atados para sempre à oralidade. Por que, então, deixar a sabedoria de seu mundo unicamente em mãos forasteiras? Portanto, a antropologia não perecerá, apenas se tornará mais diversificada e atraente.

Adaptado de RAMOS, Alcida. Intelectuais indígenas abraçam a antropologia. Ela ainda será a mesma? Anuário antropológico, v.48, n.1, 2023.

Com base nos trechos, assinale a opção que interpreta corretamente as perspectivas dos autores sobre os efeitos da autoetnografia para a Antropologia.
 

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4230310 Ano: 2026
Disciplina: Legislação do Ministério Público
Banca: FGV
Orgão: MPE-ES
Leia o caso a seguir.

No município de Vila Velha (ES), uma construtora obteve autorização preliminar para construir edifícios residenciais em área central reconhecida por seu valor histórico e urbanístico, marcada por edificações do início do século XX e práticas culturais tradicionais. Foram identificados indícios de descaracterização da paisagem urbana sem estudos prévios de impacto sobre o patrimônio cultural. Em decorrência disso, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo instaurou procedimento para apuração dos fatos. Considerando a complexidade da questão, foi solicitado o apoio do Centro de Apoio Operacional da Defesa do Meio Ambiente, de Bens e Direitos de Valor Artístico, Estético, Histórico, Turístico, Paisagístico e Urbanístico (CAOA).

Considerando as atribuições institucionais do CAOA, assinale a opção que descreve corretamente sua atuação no caso.
 

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