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A saudade é azul
Por Adriana Antunes
Abro as janelas e os dias seguem cinzas. Confesso que já gostei mais de dias assim. Hoje
prefiro claridade e calor. Prefiro azul. O mundo é azul nas .... . Dias atrás relembrei um
ensinamento do tempo da escola, mas que havia esquecido, de que não existe céu. O céu é
apenas um fenômeno. Esse azul que vemos é a luz que se perdeu. É a ponta azul do espectro
que vemos. Mas a parte científica não tem poesia. Os dias azuis são mais oníricos e
melancólicos, pois nos remetem aos lugares mais distantes. O azul é a cor da saudade das
distâncias que nunca alcançaremos. O azul é a distância entre nós.
Tenho lido Simone Weil, volta e meia. E ela diz, numa de suas explicações filosóficas, que
aqueles que não se amam nunca se separam. Daí, penso neste azul que nos separa de amigos
queridos. Estamos todos carentes de amizades. Todos sem tempo e sem espaço para uma
conversa. Há um azul que nos distancia da adolescência, quando viver só fazia sentido se
compartilhado com os amigos. Depois, em algum ponto da vida adulta, isso se perde. Um azul
.... nos separa de quem fomos. Nos separa uns dos outros também. Talvez eu esteja
melancolicamente azul nesta crônica. O longe se infiltra mesmo que estejamos próximos.
Afinal, nós também mal conhecemos nossas distâncias e profundezas. Assim, vestimos lonjuras
e nos mantemos distantes, sejam por coisas ditas ou não ditas.
Minha casa de infância era azul. Uma casa que não existe mais e até mesmo em sonhos
ela começa a desaparecer. Deve ser a idade. Nunca estive tão longe do começo. Guardo a
imagem como uma memória cintilante na cianotipia do tempo. Vejo algumas fotos daquela
época e o longe se torna perto, ao mesmo tempo que os dois não são o mesmo lugar. Os dias
cinzas se sucedem e eu me lembro do azul do mar.
Uma vez, numa época complicada, estava dentro do mar e senti como se eu fizesse parte
do todo. Uma sensação estranha e sem vocabulário. Para Deleuze, que tanto amo, um devir.
Há coisas em nós que são um mistério insondável e tentar explicar não reproduz os abismos.
Há quem ainda prefira o inverno, assim como o eu de antes. Hoje atravesso a estação ___
espera do azul. E pensar que ele nem começou ainda. Eu nasci no inverno. Mas o azul da
distância só vem com o tempo, com a descoberta da tristeza, da melancolia, da perda. A
saudade é feita de .... do tempo. E é azul. Lembro de meus amigos que ___ tempos não vejo,
não abraço. Mas como diz Rebeca Solnit, certos afetos só continuam existindo em nós enquanto
perdidos e outros não se perdem porque permanecem distantes.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2026/06/a-saudade-e-azul-cmqfm2azy009p012tf5834oau.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
I. A autora reflete que aquilo que aprendeu na escola não consegue abarcar a dimensão sentimental do que vem a ser a cor do céu.
II. Dentre as reflexões estabelecidas pelo texto, conclui-se que a cor azul se relaciona a distâncias físicas e concretas.
III. Com a passagem do tempo, a lembrança que a autora tem de sua casa de infância começa a se apagar, e as fotos a aproximam daquele local.
Quais estão corretas?
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- Educação InfantilConcepções de Educação Infantil
- Educação InfantilO Cuidar na Educação Infantil
- Temas Educacionais PedagógicosTendências Pedagógicas
I. As práticas de cuidado na Educação Infantil devem ser compreendidas como procedimentos técnicos e rotineiros, dissociados das intencionalidades pedagógicas, uma vez que seu objetivo principal é atender às necessidades físicas das crianças.
PORQUE
II. A indissociabilidade entre cuidar e educar na Educação Infantil implica que o professor, ao planejar as interações diárias com as crianças, considere que cada gesto de cuidado é também um ato educativo, pois revela valores, atitudes e concepções sobre a infância que marcam a experiência escolar.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
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- Educação InfantilConcepções de Educação Infantil
- História da Educação BrasileiraEducação como Processo de Construção Histórica
A infância, conforme demonstrado pelos estudos de Philippe Ariès, é uma invenção moderna, uma vez que, na sociedade medieval, as crianças eram percebidas como adultos em miniatura e participavam das mesmas atividades que os adultos, sem que houvesse uma fase específica dedicada à sua educação e cuidado diferenciados (1ª parte). As primeiras instituições destinadas ao atendimento de crianças no Brasil foram criadas sob uma lógica assistencial e de custódia, voltadas prioritariamente para os filhos das classes populares, enquanto as crianças das elites recebiam educação em outros espaços (2ª parte). A promulgação da Constituição Federal de 1988 garantiu automaticamente a universalização do atendimento em creches e pré-escolas em todo o território nacional, como forma de diminuir as desigualdades regionais, assegurando vagas para todas as crianças de zero a seis anos (3ª parte).
Quais partes estão corretas?
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I. A metodologia de projetos na Educação Infantil fundamenta-se em uma concepção de criança como sujeito ativo, protagonista e construtor de significados, o que exige do professor uma postura de mediador, rompendo com a lógica de planejamentos que reduzem a experiência infantil à execução de tarefas.
PORQUE
II. O trabalho com projetos na Educação Infantil fundamenta-se no reconhecimento da criança como sujeito protagonista, que constrói conhecimentos por meio de investigações orientadas por suas curiosidades, exigindo do professor uma postura de escuta atenta e planejamento flexível que se ajusta aos percursos construídos coletivamente.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
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- Avaliação Educacional
- Educação Infantil
- Práticas Avaliativas: Sujeitos, Objetos e Métodos da Avaliação
( ) A abordagem avaliativa proposta por Hoffmann rompe com a lógica da verificação pontual de desempenhos e propõe que o educador adote uma postura investigativa, documentando as trajetórias singulares das crianças por meio de acompanhamento atento e produção de memoriais descritivos.
( ) O estigma gerado por práticas avaliativas classificatórias pode levar a equipe escolar a desconsiderar os progressos já alcançados pela criança, fixando-se em padrões de desempenho que desrespeitam a singularidade dos processos de aprendizagem.
( ) O ciclo proposto por Hoffmann – que articula planejamento, ação, reflexão e replanejamento – prescinde da formação continuada dos professores, uma vez que a capacidade de observar e interpretar as manifestações infantis é inerente à prática docente.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
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- Planejamento na EducaçãoNíveis e tipos de planejamentoPlanejamento Educacional
- Políticas Educacionais
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