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Paradoxo perverso
Adolescentes infratores têm, na prática, menos acesso que os adultos ao regime semiaberto, numa inversão da lógica do sistema penal.
A notícia em si já seria chocante. Mas, na conjuntura atual, em que se discute a diminuição da maioridade penal de 18 para 16 anos, a reportagem publicada por esta Folha na quinta-feira(23) tem conotação perversa. Dos 23 mil menores infratores que cumprem algum tipo de punição no Brasil, só 10% têm acesso ao regime de semiliberdade pelo qual podem sair da instituição durante o dia para estudar ou trabalhar.
Em alguns estados, como Paraíba e Maranhão, menos de 3% dos infratores têm atendido esse direito; em Mato Grosso, não se registra caso de menor nessa situação. Seriam, talvez, infratores de alta periculosidade? A realidade é bem diferente disso. Uma minoria bastante limitada dos internos responde por crimes hediondos. Em São Paulo, por exemplo, somente 2,6% dos adolescentes foram punidos por tal tipo de transgressão. Mesmo assim, 93% deles permanecem confinados dia e noite.
Configura-se situação de rigor punitivo ainda menor - e este o paradoxo do caso - do que se vê entre infratores adultos. Destes, cerca de 35% estão, no país inteiro, no sistema semiaberto. Não se trata de regalia ou concessão motivada por alguma atitude sentimental.Tal regime se fundamenta na idéia de que, a não ser em casos de grande perigo para sociedade, há mais vantagem em ter o delinquente dedicado à atividade produtiva do que em mantê-lo preso na companhia de personalidades já deformadas pelo banditismo e pelas práticas da cadeia.
O raciocínio tem maior pertinência no caso dos adolescentes, mais capazes de absorver novas condições de trabalho e estudo. O inverso do que se verifica, portanto. Se alguém quisesse fazer blague com um assunto de máxima importância e seriedade, tantas vezes tratado com a demagogia dos que vociferam em favor do máximo rigor penal, poderia inverter as opiniões correntes. Os que defendem penas mais elevadas, vingança social extrema, dureza com o jovem infrator deveriam apoiar a atual legislação.
Quanto aos que advogam teses mais flexíveis e maior cuidado na punição aos adolescentes, talvez devessem apostar na diminuição da maioridade penal para 16 anos: haveria de ser, bizarramente, o modo de lhes oferecer mais ocasiões de cumprir sua pena no regime semiaberto, de forma mais produtiva.
Não se trata disso, por certo. Mas é de notar o quão fora da realidade estão os que, julgando necessário mais rigor contra o jovem delinquente, desconhecem as péssimas condições hoje oferecidas para que se reintegrem à sociedade, e o quão , distante está a máquina punitiva de proporcionar real aumento da segurança geral dos cidadãos.
Fonte: Folha de São Paulo, 27/4/2015.
Analise e marque a alternativa correta sobre o uso da vírgula em:
"O inverso do que se verifica, portanto."
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Depressão é grave, mas tem saída.
O poema "Tabacaria" é recheado das angústias de Álvaro de Campos, heterônimo do escritor português Fernando Pessoa. Há cerca de um ano e meio, outro Fernando se identificou tanto com o poema que, ao escutá-lo declamando em áudio, chorava. Ele estava com sintomas depressivos. Mas ainda que achasse os versos de Pessoa muito bonitos, não queria continuar toda sua vida naquela situação de sofrimento.
Fernando Barbosa de Freitas Silva, 25, é natural de Franca (SP). Entre o término do mestrado e o início do doutorado em físico-química, na Universidade de São Paulo, o rapaz percebeu que não estava dando conta de suas atividades. Aliada à mudança de fase, havia a depressão do seu pai que o afetou bastante. "A sensação era de uma inadequação à minha própria vida e aos planos que havia feito e não conseguia realizar."
Hoje a depressão não é mais ignorada ou tratada como uma "frescura". Segundo dados de 2014 da Organização Mundial de Saúde (OMS), a síndrome é a primeira causa de incapacitação entre todas as doenças médicas.
Ela afeta, em primeiro lugar, o paciente tirando seu ânimo, o sentido e a vontade de viver Mas não para por aí. Abala também familiares e amigos, que muitas vezes não sabem exatamente o que está acontecendo ou mesmo como dar apoio. E, por último, impacta setores da sociedade, como a economia, que não terá contribuição efetiva do trabalhador adoentado.
Fernando recorda que, no início, sua vontade era ficar deitado, dormir ou não fazer nada. "Chegava em casa lá pelas seis da tarde, deitava e ia até o outro dia dormindo.Também ia tomar banho para chorar em motivos específicos", desabafa.
De acordo com Jéssica de Assis Silva, mestranda em psicologia pela Universidade Federal de São Carlos, as principais características do transtorno depressivo são: fadiga, perda de energia, interesse ou prazer por fazer as coisas (chamada anedonia), alterações no sono (insônia ou hipersonia), alterações de peso (perda/ganho) chegando até a sintomas como idéias suicidas. "Sintomas presentes na maior
parte do tempo, durante pelo menos duas semanas, exigem cuidado", ressalta.
Segundo a psicóloga, "é imperativa a busca por profissionais qualificados, sendo que um trabalho conjunto com um psiquiatra trará um tratamento mais completo e de melhor prognóstico", finaliza.
Fernando, por exemplo, está fazendo psicoterapia há um ano e três meses, além de tomar um antidepressivo. A prática de exercícios físicos é outra opção que contribui para o equilíbrio do humor e a manutenção de uma rotina. "Fiz CrossFit por uns sete meses e me ajudou muito, pois dava um ânimo maior e era um momento que eu tinha para relaxar dos problemas", explica o jovem.
A psicóloga acrescenta ainda que é favorável à identificação de uma rede de apoio, seja ela familiar ou · profissional. Para Fernando, a rede de amigos tem sido fundamental. "Não podia confiar muito no meu juízo ou minha : interpretação das coisas, pois com depressão a tendência é ficar muito negativo ou ver as coisas como um problema sem solução". Contudo, ele está conseguindo encontrar algumas
respostas para seus questionamentos também pelos diálogos com as pessoas em quem confia.
E qual o balanço na luta consigo mesmo? "Sinto-me otimista, porque percebi que durante este ano aprendi a pegar a vida mais leve, a controlar menos as coisas ao meu redor, a deixar de me preocupar tanto", conclui.
Fonte: Cidade Nova, jun/15, n. 6.
Assinale a alternativa em que o termo tenha sido acentuado por regra distinta dos demais.
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Paradoxo perverso
Adolescentes infratores têm, na prática, menos acesso que os adultos ao regime semiaberto, numa inversão da lógica do sistema penal.
A notícia em si já seria chocante. Mas, na conjuntura atual, em que se discute a diminuição da maioridade penal de 18 para 16 anos, a reportagem publicada por esta Folha na quinta-feira(23) tem conotação perversa. Dos 23 mil menores infratores que cumprem algum tipo de punição no Brasil, só 10% têm acesso ao regime de semiliberdade pelo qual podem sair da instituição durante o dia para estudar ou trabalhar.
Em alguns estados, como Paraíba e Maranhão, menos de 3% dos infratores têm atendido esse direito; em Mato Grosso, não se registra caso de menor nessa situação. Seriam, talvez, infratores de alta periculosidade? A realidade é bem diferente disso. Uma minoria bastante limitada dos internos responde por crimes hediondos. Em São Paulo, por exemplo, somente 2,6% dos adolescentes foram punidos por tal tipo de transgressão. Mesmo assim, 93% deles permanecem confinados dia e noite.
Configura-se situação de rigor punitivo ainda menor - e este o paradoxo do caso - do que se vê entre infratores adultos. Destes, cerca de 35% estão, no país inteiro, no sistema semiaberto. Não se trata de regalia ou concessão motivada por alguma atitude sentimental.Tal regime se fundamenta na idéia de que, a não ser em casos de grande perigo para sociedade, há mais vantagem em ter o delinquente dedicado à atividade produtiva do que em mantê-lo preso na companhia de personalidades já deformadas pelo banditismo e pelas práticas da cadeia.
O raciocínio tem maior pertinência no caso dos adolescentes, mais capazes de absorver novas condições de trabalho e estudo. O inverso do que se verifica, portanto. Se alguém quisesse fazer blague com um assunto de máxima importância e seriedade, tantas vezes tratado com a demagogia dos que vociferam em favor do máximo rigor penal, poderia inverter as opiniões correntes. Os que defendem penas mais elevadas, vingança social extrema, dureza com o jovem infrator deveriam apoiar a atual legislação.
Quanto aos que advogam teses mais flexíveis e maior cuidado na punição aos adolescentes, talvez devessem apostar na diminuição da maioridade penal para 16 anos: haveria de ser, bizarramente, o modo de lhes oferecer mais ocasiões de cumprir sua pena no regime semiaberto, de forma mais produtiva.
Não se trata disso, por certo. Mas é de notar o quão fora da realidade estão os que, julgando necessário mais rigor contra o jovem delinquente, desconhecem as péssimas condições hoje oferecidas para que se reintegrem à sociedade, e o quão , distante está a máquina punitiva de proporcionar real aumento da segurança geral dos cidadãos.
Fonte: Folha de São Paulo, 27/4/2015.
O coletivo das palavras "delinquente", "malfeitores" é:
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